Vidas Secas Site

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Information about Vidas Secas Site

Published on October 17, 2007

Author: guest1f0530

Source: slideshare.net

VIDAS SECAS Retirantes (1936), óleo de Cândido Portinari . Literato Professor André Guerra

Literato Professor André Guerra

Reflexão: SEGUE O SECO Carlinhos Brown A boiada seca Ô chuva vem me dizer Na enxurrada seca Se posso ir lá em cima A trovoada seca pra derramar você Segue o seco sem secar Ó chuva preste atenção que o caminho é seco Se o povo lá de cima sem secar que vive na solidão o espinho é seco Se acabar não acostumado sem secar que Se acabar parado, calado seco é o Ser Sol Se acabar baixinho chorando Sem sacar que Se acabar meio abandonado algum espinho seco secará Pode ser lágrima de São Pedro E a água que secar Ou talvez um grande amor chorando será um tiro seco Pode ser desabotoado céu E secará o seu destino seca. Pode ser coco derramado Literato Professor André Guerra

De quem é a culpa? Do clima? Do solo? De Deus? E o homem? Literato Professor André Guerra

Do clima?

Do solo?

De Deus?

E o homem?

Carcará João do Vale Carcará Lá no sertão É um bicho que avoa que nem avião É um pássaro malvado Tem o bico volteado que nem gavião Carcará Quando vê roça queimada Sai voando, cantando, Carcará Vai fazer sua caçada Carcará come inté cobra queimada Quando chega o tempo da invernada O sertão não tem mais roça queimada Carcará mesmo assim num passa fome Os burrego que nasce na baixada Carcará Pega, mata e come Carcará Num vai morrer de fome Carcará Mais coragem do que home Carcará Pega, mata e come Carcará é malvado, é valentão É a águia de lá do meu sertão Os burrego novinho num pode andá Ele puxa o umbigo inté matá Carcará Pega, mata e come Carcará Num vai morrer de fome Carcará Mais coragem do que home Carcará Literato Professor André Guerra

Carcará Lá no sertão É um bicho que avoa que nem avião É um pássaro malvado Tem o bico volteado que nem gavião Carcará Quando vê roça queimada Sai voando, cantando, Carcará Vai fazer sua caçada Carcará come inté cobra queimada Quando chega o tempo da invernada O sertão não tem mais roça queimada Carcará mesmo assim num passa fome Os burrego que nasce na baixada Carcará Pega, mata e come

Carcará Num vai morrer de fome Carcará Mais coragem do que home Carcará Pega, mata e come Carcará é malvado, é valentão É a águia de lá do meu sertão Os burrego novinho num pode andá Ele puxa o umbigo inté matá Carcará Pega, mata e come Carcará Num vai morrer de fome Carcará Mais coragem do que home Carcará

Literato Professor André Guerra

“ Criança morta” Cândido Portinari Literato Professor André Guerra

“ Criança morta”

Cândido Portinari

“ A culpa do crime nunca é da faca.” (Eduardo Galeano) Literato Professor André Guerra

“ A culpa do crime nunca é da faca.”

(Eduardo Galeano)

A obra Literária Literato Professor André Guerra

A obra Literária

ENREDO SINTÉTICO É a história de uma família de retirantes que vive em pleno agreste os sofrimentos da estiagem (...), um homem, uma mulher, seus filhos e uma cachorra tangidos pela seca e pela opressão dos que podem mandar (...). O que havia de unitário nas obras anteriores(do autor), apoiadas no eixo de um protagonista, dispersa-se (...)nos “casulos da vida isolada que são os diversos capítulos”, enfim, na desagregação a que o meio arrasta os destinos inúteis de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia... (Alfredo Bosi – História concisa da literatura brasileira)

É a história de uma família de retirantes que vive em pleno agreste os sofrimentos da estiagem (...), um homem, uma mulher, seus filhos e uma cachorra tangidos pela seca e pela opressão dos que podem mandar (...). O que havia de unitário nas obras anteriores(do autor), apoiadas no eixo de um protagonista, dispersa-se (...)nos “casulos da vida isolada que são os diversos capítulos”, enfim, na desagregação a que o meio arrasta os destinos inúteis de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia...

(Alfredo Bosi – História concisa da literatura brasileira)

LINGUAGEM: As frases curtas, a pontuação precisa e cortante, o uso do futuro do pretérito nas personagens em que o discurso indireto livre permite que sejam expressos os sonhos das personagens, a inexistência de diálogos, a abundância de interjeições, exclamações, sons onomatopaicos, substituindo a fala das personagens e mostrando-lhes a animalidade, constituem alguns dos elementos enriquecedores de Vidas Secas. Literato Professor André Guerra

As frases curtas, a pontuação precisa e cortante, o uso do futuro do pretérito nas personagens em que o discurso indireto livre permite que sejam expressos os sonhos das personagens, a inexistência de diálogos, a abundância de interjeições, exclamações, sons onomatopaicos, substituindo a fala das personagens e mostrando-lhes a animalidade, constituem alguns dos elementos enriquecedores de Vidas Secas.

LEMBRE-SE: • No DISCURSO DIRETO o personagem fala. Reprodução das palavras ditas pelo personagem. Normalmente, o discurso direto é encontrado nos diálogos. Ex.: “E aos conhecidos que dormiam no tronco e agüentavam cipó de boi oferecia consolações. ─ ‘ Tenha paciência, apanhar do governo não é desfeita’” • No DISCURSO INDIRETO o narrador é quem transmite as idéias expressas pelo personagem. É o narrador quem fala, e não o personagem. Ex.: Sinha Vitória botou os filhos para dentro de casa, dizendo- lhes que estavam sujos como papagaios. Literato Professor André Guerra

• No DISCURSO DIRETO o personagem fala. Reprodução das palavras ditas pelo personagem. Normalmente, o discurso direto é encontrado nos diálogos.

Ex.: “E aos conhecidos que dormiam no tronco e agüentavam cipó de boi oferecia consolações.

─ ‘ Tenha paciência, apanhar do governo não é desfeita’”

• No DISCURSO INDIRETO o narrador é quem transmite as idéias expressas pelo personagem. É o narrador quem fala, e não o personagem.

Ex.: Sinha Vitória botou os filhos para dentro de casa, dizendo- lhes que estavam sujos como papagaios.

• No DISCURSO INDIRETO LIVRE não existe pensamento expresso pelo personagem. O personagem apenas pensa. O narrador reproduz a linguagem que está no pensamento do personagem. Em outros termos: a fala interior do personagem se intercala e se funde à linguagem com que o narrador relata os fatos. Ex.: “Suponha que o cevado era dele. Agora se a prefeitura tinha uma parte, estava acabado. Pois ia voltar para casa e comer a carne. Podia comer a carne? Podia ou não podia? O funcionário batera o pé agastado e Fabiano se desculpara.” Literato Professor André Guerra

• No DISCURSO INDIRETO LIVRE não existe pensamento expresso pelo personagem. O personagem apenas pensa. O narrador reproduz a linguagem que está no pensamento do personagem. Em outros termos: a fala interior do personagem se intercala e se funde à linguagem com que o narrador relata os fatos.

Ex.: “Suponha que o cevado era dele. Agora se a prefeitura tinha uma parte, estava acabado. Pois ia voltar para casa e comer a carne. Podia comer a carne? Podia ou não podia? O funcionário batera o pé agastado e Fabiano se desculpara.”

OS MUNDOS ● FABIANO ● SINHA VITÓRIA ● O FILHO MAIS VELHO ● O FILHO MAIS NOVO ● BALEIA E O PAPAGAIO ● PATRÃO DE FABIANO ● FISCAL DA PREFEITURA ● SOLDADO AMARELO Mundo dos oprimidos Mundo dos opressores Literato Professor André Guerra

E Tomás da Bolandeira? Está entre os opressores ou entre os oprimidos? Literato Professor André Guerra

E Tomás da Bolandeira?

Está entre os opressores ou entre os oprimidos?

O elemento Humano em Vidas Secas Literato Professor André Guerra

O elemento Humano em Vidas Secas

Fabiano Brutalidade Limitação Inocência Angústia Conflito Sonho Literato Professor André Guerra

Brutalidade

Limitação

Inocência

Angústia

Conflito

Sonho

A Animalização do Homem Literato Professor André Guerra

A Animalização do Homem

O BICHO Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.   Manuel Bandeira - Rio, 27 de dezembro de 1947 Literato Professor André Guerra

Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.   Manuel Bandeira - Rio,

27 de dezembro de 1947

Súplica cearense Luiz Gonzaga Oh! Deus, perdoe este pobre coitado Que de joelhos rezou um bocado Pedindo pra chuva cair sem parar Oh! Deus, será que o senhor se zangou E só por isso o sol se arretirou Fazendo cair toda chuva que há Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho Pedir pra chover, mas chover de mansinho Pra ver se nascia uma planta no chão Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe, Eu acho que a culpa foi Desse pobre que nem sabe fazer oração Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água E ter-lhe pedido cheinho de mágoa Pro sol inclemente se arretirar Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno Desculpe eu pedir para acabar com o inferno Que sempre queimou o meu Ceará Literato Professor André Guerra

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado Que de joelhos rezou um bocado Pedindo pra chuva cair sem parar Oh! Deus, será que o senhor se zangou E só por isso o sol se arretirou Fazendo cair toda chuva que há Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho Pedir pra chover, mas chover de mansinho Pra ver se nascia uma planta no chão Meu Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,

Eu acho que a culpa foi Desse pobre que nem sabe fazer oração Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água E ter-lhe pedido cheinho de mágoa Pro sol inclemente se arretirar Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno Desculpe eu pedir para acabar com o inferno Que sempre queimou o meu Ceará

Fotografia de Chema Madoz Literato Professor André Guerra

Fotografia de Chema Madoz

Temas A exploração Homem X meio As diferentes reações diante das adversidades Literato Professor André Guerra

A exploração

Homem X meio

As diferentes reações diante das adversidades

“ O Sertanejo é, antes de tudo, um forte” (Euclides da Cunha) Literato Professor André Guerra

“ O Sertanejo é, antes de tudo, um forte”

(Euclides da Cunha)

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