Trovadorismo

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Published on March 8, 2014

Author: diaselenir

Source: slideshare.net

LITERATURA NA IDADE MÉDIA TROVADORISMO/ HUMANISMO

A EUROPA DA IDADE MÉDIA VIVE UMA FASE DE CONSOLIDAÇÃO DAS LÍNGUAS NEOLATINAS E É POR MEIO DE SUA LITERATURA, QUE LÍNGUAS, TAIS COMO, FRANCÊS, PORTUGUÊS, ITALIANO E ESPANHOL SE FORMAM E FORMAM UM POVO.

O ROMANCE DA ROSA • O Romance da Rosa, de Guillaume de Lorris e Jean de Meun, é um poema Francês Medieval no qual um jovem sonha que está no jardim das delícias e, após encontrar o deus do amor, apaixona-se por um botão de rosa (símbolo do amor perfeito). Este romance se tornou como uma “enciclopédia” sobre o amor na idade média. • Para mais informações acesse http://www.ricardocosta.com/textos/rosa1.htm

• A Idade Média vai do século V ao século A Idade Média XV. • O cristianismo havia se espalhado por toda Europa. • Na literatura e na sociedade dominava o TEOCENTRISMO (theos= Deus+centro). • A sociedade medieval se organizava em torno dos grandes proprietários de terra, os senhores feudais e os pobres que se reuniam em torno eram chamados de vassalos.

TROVADORISMO • SEM GUERRAS PARA LUTAR OS CAVALEIROS PERDEM SUA FUNÇÃO ENTÃO CRIA-SE UM NOVO PAPEL PARA ELES NA SOCIEDADE. • A IDEALIZAÇÃO DE UM CÓDIGO DE COMPORTAMENTO AMOROSO, QUE FICOU CONHECIDO COMO AMOR CORTÊS. ESSE CÓDIGO TRANSFERIA A RELAÇÃO DE VASSALAGEM ENTRE CAVALEIROS E SENHORES FEUDAIS PARA O LOUVOR ÀS DAMAS DA SOCIEDADE.

O PROJETO LITERÁRIO DO TROVADORISMO • A legitimação, por meio da literatura, de uma nova ordem que redefine as funções sociais dos cavaleiros na corte dos senhores feudais.

Os agentes do discurso • Jograis: recitadores, cantores e músicos ambulantes que eram contratados pelo senhor para divertir a corte. As cantigas apresentadas pelos jograis eram compostas, quase sempre, por nobres que se denominavam trovadores, porque praticavam a arte de trovar.

• A lírica trovadoresca é uma poesia de sociedade. • Como testemunhas do comportamento do trovador e da dama a quem ele dirige seus galanteios, os membros da corte julgavam o comportamento social de ambos. Era função da dama reconhecer e recompensar o trovador que cumprisse todas as regras do amor cortês. Se não fizesse isso, o trovador tinha o direito de denunciá-la publicamente por meio de cantigas satíricas.

O tratado do Amor Cortês • Escrito no final do século XII por André Capelão, codificou as regras da arte de amar. • “o amor sempre abandona o domicílio da avareza.[...]” • “A conquista fácil torna o amor sem valor; a conquista difícil dá-lhe apreço.[...]” • “todo amante deve empalidecer em presença da amante.[...]” • “só a virtude torna alguém digno de ser amado. [...]” • “quem é atormentado por cuidados de amor come menos e dorme pouco.”

As cantigas • No trovadorismo a poesia era chamada de cantiga e se dividia em dois tipos de cantigas: LÍRICA E SATÍRICA.

• As cantigas líricas desenvolvem um mesmo tema: o sofrimento provocado pelo amor não correspondido. • Como o princípio do amor cortês é a idealização da dama por seu trovador, os textos não manifestam a expectativa de que esse amor se concretize.

• As cantigas satíricas abordam uma variedade de temas, sempre expressando um olhar crítico, para a conduta de nobres (homens e mulheres) na esferas individual ou social. • Assim, os trovadores podem ridicularizar um nobre que se envolve com uma serviçal ou aqueles que não percebem a traição da esposa.

• Unindo poesia e música, os textos medievais eram divulgados de forma oral. • Esse modo de circulação determinou algumas de suas principais características estruturais, como o emprego de metros regulares e a presença constante de rimas, por facilitar a memorização das cantigas.

As cantigas Líricas • • 1. 2. 3. 4. Cantigas de Amor: exprimem a paixão infeliz, o amor não correspondido que um trovador dedica a sua senhora. É identificada por alguns elementos característicos. O eu-lírico é sempre masculino. O trovador se autodenomina coitado, cativo, sofredor, aflito, etc. A dama é identificada por termos que destacam suas qualidades físicas, morais e sociais. Ao comparar sua dama às outras da mesma corte, o eu-lírico a apresenta como superior.

Rosa das rosas et Fror das frores, Dona das donas, Sennor das sennores, Rosa de beldad' e de parecer e Fror d'alegria e de prazer, Dona en mui piadosa seer, Sennor en toller coitas e doores. Rosa das rosas et Fror das frores... Atal Sennor dev' ome muit' amar, que de todo mal o pode guardar; e pode-ll' os peccados perdõar, que faz no mundo per maos sabores. Rosa das rosas et Fror das frores... Devemo-la muit' amar e servir, ca punna de nos guardar de falir; des i dos erros nos faz repentir, que nos fazemos come pecadores. Rosa das rosas et Fror das frores... Esta dona que tenno por Sennor e de que quero seer trobador, se eu per ren poss' aver seu amor, dou ao demo os outros amores. Rosa das rosas et Fror das frores...

• Cantiga de amigo: as personagens, o ambiente e a linguagem fazem com que elas representem diferentes universos da sociedade medieval e não somente a corte como na cantiga de amor. • As cantigas de amigo dizem respeito aos sentimentos e à vida do campo, às moças simples que vivem nas aldeias e campos. • O eu-lírico é sempre feminino e representa a voz de uma mulher (amiga) que manifesta a saudade pela ausência do amigo (namorado ou amante).

• Várias personagens participam do universo amoroso criado na cantiga de amigo. Além da donzela e de seu amante: a mãe, amigas, damas de companhia são testemunhas do amor que a amiga dedica ao seu namorado. • O tom da cantiga de amigo é mais positivo do que a cantiga de amor, porque, embora falem de saudade, tratam de um amor que é real e ocorre entre pessoas de condições social semelhantes.

Ondas do mar de Vigo, se vistes meu amigo! E ai, Deus!, se verrá cedo! Ondas do mar levado, se vistes meu amado! E ai Deus!, se verrá cedo! Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro! E ai Deus!, se verrá cedo! Se vistes meu amado, por que hei gran cuidado! E ai Deus!, se verrá cedo!

Cantigas Satíricas • Cantigas de escárnio: o trovador critica alguém por meio de palavras de duplo sentido, para que não sejam facilmente compreendidas. • O efeito satírico é obtido por meio de ironias, trocadilhos e jogos semânticos. • De modo geral, ridicularizam o comportamento de nobres ou denunciam as mulheres que não seguem o código do amor cortês.

• Cantigas de maldizer: o trovador faz suas críticas de modo direto, explícito, identificando a pessoa satirizada. Essas cantigas costumam apresentar linguagem ofensiva e palavras de baixo calão. Muitas vezes, tratam das indiscrições amorosas de nobres e membros do clero.

AS NOVELAS DE CAVALARIA • As Novelas de cavalaria são os primeiros romances, ou seja, longas narrativas em verso, surgidas no século XII. • Elas contam as aventuras vividas pelos cavaleiros andantes e tiveram origem no declínio do prestígio da poesia dos trovadores. Tiveram intensa circulação pelas cortes medievais e ajudaram a divulgar os valores e a visão de mundo característicos da sociedade desse período.

• Elas se organizam em 3 ciclos de acordo com o tema e o tipo de herói. 1. Ciclo clássico: narram a guerra de tróia e as aventuras de Alexandre, o grande. 2. Ciclo arturiano ou bretão: histórias envolvendo o rei Arthur e os cavaleiros das Távola Redonda. 3. Ciclo carolíngio ou francês: histórias sobre o rei Carlos Magno e os 12 pares de França. DOS 3 CICLO, O ARTURIANO É O MAIS EXPLORADO ATÉ OS DIAS DE HOJE.

HUMANISMO • Se no Trovadorismo temos o Teocentrismo, ou seja, Deus como centro de toda ação e razão humana, no Humanismo, ao contrário temos a presença da figura do homem como centro e a medida de todas as coisas, a isso se dá o nome de antropocentrismo.

• Dante Alighieri escreveu A Divina Comédia que dá uma nova visão da vida e da morte. Essa nova maneira de representar a importância do ser humano sinaliza o surgimento de uma nova mentalidade. Outras transformações começam a ocorrer na Europa do fim da idade média: a vida nas cidades é retomada e o comércio se intensifica, provocando maior interação entre pessoas de diferentes segmentos da sociedade.

• Muitos camponeses,atraídos pelas promessas de prosperidade, transferiramse para os burgos, onde começaram a trabalhar como pequenos mercadores. Surgiu, assim, a burguesia. • Enriquecida com as atividades comerciais, a burguesia necessita de uma formação cultural sólida, que a ajudasse a administrar a riqueza acumulada.

• O humanismo foi um movimento artístico e intelectual que surgiu na Itália no final da Idade Média (séc. XVI) e alcançou plena maturidade no Renascimento. • O foco dos humanistas era o ser humano. • O humanismo representa um momento de transição entre o mundo medieval e o moderno.

• O contexto de produção da literatura humanista é o mesmo do trovadorismo: as cortes e os palácios. • A função principal da literatura é promover a diversão e o prazer da aristocracia. • O público das trovas e canções produzidas durante o humanismo vai se modificando aos poucos conforme a burguesia vai adquirindo cultura. • A grande novidade da literatura humanista é adoção do soneto como forma poética fixa. • Partes do corpo – em geral olhos e coração – são mencionados nos poemas para ilustrar os efeitos do amor.

Humanismo em Portugal • Quando o humanismo chega a Portugal por volta de 1385, a produção poética passava por uma crise e Portugal vivia o apogeu da crônica historiográfica (os cronicões) e da prosa doutrinária que era um tipo de manual escrito sobre o comportamento ideal para os fidalgos da corte.

• O ressurgimento da poesia, então separada da música, ocorre durante o reinado de D. Afonso V, no séc. XV. • Destaca-se ainda nessa produção o teatro de Gil Vicente, que faz um retrato vivo da sociedade portuguesa da época. • Fernão Lopes foi o principal cronista historiográfico, que escreveu sobre os principais acontecimentos da história dos nobres portugueses. Escreveu 3 crônicas: Crônica de El-Rei D. Pedro I; Crônica de El-Rei D. Fernando e crônica de El-Rei D. João. Ele dava colocava o povo como coadjuvante da história dos reis.

• A poesia palaciana consistia em composições coletivas, produzidas para ser apresentadas nos serões do Paço Real, diante da corte. • Na Idade Média, as peças de teatro eram todas de caráter religioso e costumavam ser apresentadas no pátio das igrejas e dos mosteiros. • Em Portugal, o grande nome do teatro humanista é Gil Vicente.

• As peças de Gil Vicente tem caráter moralizante, ou seja, procuram tematizar os comportamentos condenáveis e enaltecer as virtudes. • A religião católica é tomada como referência para a identificação das virtudes e dos erros humanos. • Mas embora critique o comportamento mundano de membros da igreja, as críticas de Gil Vicente sempre foram voltadas para os indivíduos, jamais para as instituições religiosas.

• O teatro vicentino coloca no centro da cena erros de ricos e pobres, nobres e plebeus. • As obras de Gil Vicente foram divididas em 3 tipos: 1. Autos Pastoris (Auto pastoril) 2. Autos de moralidade (Auto da barca do inferno, Auto da barca do purgatório, Auto do barco da glória) 3. Farças (Farça de Inês Pereira)

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