Triz, Inovação e DNA do Produto: Metodologias Estruturadas Para Inovar

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Published on March 11, 2014

Author: Oivlys

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Este estudo aborda uma análise de várias ferramentas e conceitos utilizados na Inovação Sistemática e Criatividade, que compõem um elenco de métodos recentemente desenvolvidos por especialistas em TRIZ e suas modalidades modernas de aplicação.
Dentre as inúmeras ferramentas utilizadas por praticantes de Inovação e Criatividade, selecionamos para este trabalho a chamada Variação do DNA do Produto.

TRIZ e DNA Do Produto: Uma Metodologia Prática e Estruturada Para Inovar Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos triz4you.wordpress.com, sylvioss@gmail.com RESUMO: Este estudo aborda uma análise de várias ferramentas e conceitos utilizados na Inovação Sistemática e Criatividade, que compõem um elenco de métodos recentemente desenvolvidos por especialistas em TRIZ e suas modalidades modernas de aplicação. Dentre as inúmeras ferramentas utilizadas por praticantes de Inovação e Criatividade, selecionamos para este trabalho a chamada Variação do DNA do Produto. À semelhança do DNA de práticas correntes em pesquisas genéticas, serão apresentados métodos que permitem acompanhar a evolução do produto segundo parâmetros técnicos selecionados e observados dentro das previsões de evolução técnica apontadas pela TRIZ (“теория решения изобретательских задач” ou “Teoriya Resheniya Izobretatelskikh Zadatch”, Teoria de Solução de Problemas Criativos), visando à criação de novas variantes com base em produtos e patentes já existentes, segundo o conceito dos Potenciais de Inovação. Palavras-chave: Inovação Sistemática, TRIZ, DNA do produto, DIVA, Variação Direta, Potencial de Inovação. METODOLOGIA Adotaremos aqui uma forma moderna da TRIZ, que difere em certos aspectos da metodologia destinada à Inovação Sistemática e Criatividade originalmente criada por Genrich Altshuller, cuja evolução até nossos dias vem contemplando a introdução de ferramentas novas de pesquisa, impossíveis de serem incorporadas quando de sua concepção na década de 1960. Estudando mais de meio milhão de patentes, o engenheiro russo Genrich Altshuller e seus colaboradores perceberam que a inovação está muitas vezes relacionada em como resolver contradições no desenvolvimento de novos produtos. A MATRIZ DE CONTRADIÇÕES, por ele criada, tornou-se uma das ferramentas mais conhecidas e usadas na TRIZ em seu período clássico. Embora ela seja um poderoso aliado na aplicação da TRIZ para o desenvolvimento de novos produtos, modernamente ela tem sido vista como um recurso complementar a várias outras metodologias. O método que será analisado aqui, devido à sua simplicidade e caráter didático, foi concebido por Simon Dewulf, Diretor Gerente da empresa AULIVE (1) e denominado DIVA (2) , DIrected VAriation e também outras metodologias complementares, operando sobre as bases do POTENCIAL DE INOVAÇÃO do produto. Estes métodos compõem o conjunto de FERRAMENTAS DE EVOLUÇÃO TÉCNICA empregadas no método DIVA, e estão presentes no software daquela empresa, PATENT INSPIRATION, que roda inteiramente no navegador (3) .

Figura 1: Tela do software Patent Inspiration, da empresa AULIVE 1. MÉTODO DE INOVAÇÃO SISTEMÁTICA SEGUNDO O DNA DO PRODUTO. As ideias expostas aqui se destinam a mostrar uma forma simplificada para inovar, buscando soluções já encontradas por especialistas na criação de novos produtos ou soluções, adaptando suas ideias ou seguindo caminhos que delas se aproximem, explorando os pontos em que os produtos consultados permitam a introdução de soluções novas, com base na experiência global. Os métodos descritos, por si só, já possuem grande valor didático, sem que seja necessário recorrer a software algum em uma fase introdutória visto que, mediante a utilização de uma taxonomia adequada, é possível vislumbrar muitas experiências em Criatividade e Inovação segundo os princípios da TRIZ. Cumpre salientar que os sistemas e produtos que iremos analisar neste trabalho, de modo geral, seguem os princípios das “Tendências e Linhas de Evolução dos Sistemas Técnicos” (4) , a saber:  Idealidade crescente o Melhoria dos benefícios existentes o Acréscimo constante de novos benefícios o Redução dos danos e/ou prejuízos o Redução de custos  Estágios de evolução ascendente (Curvas em S) o Acompanhamento da curva em S atual o Salto para a curva ascendente superior  Segmentação crescente e uso de campos o Segmentação de objetos e sistemas o Segmentação de superfícies o Segmentação do espaço o Ações que favorecem a segmentação e divisão em geral  Evolução não uniforme de partes e componentes o Evolução de sub-sistemas o Evolução de sistemas o Evolução de super-sistemas

 Adequação e inadequação o Evolução geométrica (linha) o Evolução geométrica (plano) o Evolução geométrica (volume) o Coordenação de ações o Encurtamento dos trajetos de fluxo de energia  Redução da intervenção humana o Ao nível de sub-sistema o Ao nível de sistema o Ao nível de super-sistema  Ciclo Simplicidade  Complexidade  Simplicidade o Mono para bi-polar (similar) o Mono para bi-polar (dissimilar) o Transição para super-sistema o Retirada ou eliminação de excessos  Dinamização crescente e controlabilidade (automação crescente e interfaces cada vez mais simples). o Aumento do número de estados o Flexibilidade crescente o Controlabilidade crescente Estes princípios podem funcionar como poderosa ferramenta auxiliar destinada a estimular a inovação e criatividade. Sua utilização garante maximizar os resultados de sessões de brainstorming e outros métodos voltados para geração de novas ideias nas empresas - os exemplos selecionados neste trabalho apresentam uma abordagem específica para atingir os objetivos de criar e/ou inovar, indo muito além das práticas comuns utilizadas em “brainstorming”. Sendo eles, porém, apenas sugestivos e destinados a fixar ideias, novos produtos ou variantes poderão ocupar seu lugar, para utilização em sinergia com outros métodos criativos, como, por exemplo, as 10 Regras de Inovação de Robert Brands (5) ou a metodologia utilizada por Tom Kelley, em “The Ten Faces of Innovation” (6) , sendo poderosos auxiliares para a introdução de uma metodologia bastante original em qualquer estudo sobre inovação e criatividade. Também os praticantes da Inovação Aberta, segundo os princípios de inovação que tem no Prof. Henry Chesbrough (18) seu maior entusiasta, poderão beneficiar-se das ideias aqui expostas. Além das “Tendências e Linhas de Evolução dos Sistemas Físicos”, que podem colaborar para que soluções técnicas voltadas para Criatividade e Inovação fiquem à disposição de qualquer pessoa, colocam-se ainda em consideração as seguintes perguntas, ao se considerarem produtos que podem ser criados a partir das metodologias abordadas: 1. Que VALORES nós desejamos? 2. De que RECURSOS dispomos? 3. O que poderemos consultar para INSPIRAÇÃO? 4. Se fizermos alterações no produto, o que GANHAREMOS?

Vejamos os significados de cada termo destacado em maiúsculas nas perguntas acima. FERRAMENTAS ORIUNDAS DO MÉTODO TRIZ E DA INOVAÇÃO SISTEMÁTICA Derivada da TRIZ e fazendo parte da Inovação Sistemática, a primeira ferramenta que se refere a VALORES aborda o conceito fundamental de IDEALIDADE. Este é um conceito associado à tendência evolutiva para a qual caminham todos os sistemas técnicos. Trata-se de um conceito bastante antigo, mas que na TRIZ assumiu o status de lei. 1ª. FERRAMENTA: TENDÊNCIA PARA A IDEALIDADE Este princípio foi originalmente considerado pelo idealizador da TRIZ, Genrich Altshuller, e pode ser associado a uma pseudo-equação, em que a IDEALIDADE é concebida como uma relação entre parâmetros variáveis da evolução de um produto industrial ou até mesmo artesanal que leva em conta seus BENEFÍCIOS, numa relação inversa com CUSTOS e PROBLEMAS: IDEALIDADE = (BENEFÍCIOS) / [(CUSTOS)+(PROBLEMAS)] Figura 2: Conceito de Idealidade de um Sistema Técnico (em Karen Gadd, TRIZ for Engineers, Pg. 260, obra citada (4) ). A IDEALIDADE, um conceito simbólico, é substituída pelo que se pode entender como VALOR, também em uma relação de caráter simbólico: VALOR = D – (P + I + C) Em que: D – Desempenho P – Problemas I – Interface C – Custo Consideremos, por exemplo, o estudo de um objeto qualquer, como um COPO DE ÁGUA sobre uma mesa, cujas variáveis da EQUAÇÃO de VALOR iremos detalhar: D - DESEMPENHO P – PROBLEMAS (*) I - INTERFACE C - CUSTO Isolamento Inquebrável Boa pega Mais barato Contém líquido Leve Auto-limpeza Mais durável Fácil acesso Reciclagem fácil Ajuste fácil aos espaços para guardar Baixo custo de reciclagem Move o líquido Base estável Visualização do nível de líquido contido Baixo custo e facilidade para limpeza Transparente Sem estanho na superfície Ajustável em embalagem Purifica o conteúdo Seguro para lava- louças automática Borda ergonómica não machuca os lábios Líquido não evapora Indicação tátil da temperatura do líquido Líquido contido não fica contaminado Tabela 1 – Elementos da EQUAÇÃO DE VALOR para um copo com água.

OBS (*): Por PROBLEMAS entendemos aqui as propriedades que deverão ser consideradas para serem incorporadas no projeto de um copo de qualidade. 2ª. FERRAMENTA – NOVE JANELAS As considerações que se seguem foram adaptadas da metodologia usada pela empresa Belga CREAX, disponível na Internet. A Tabela das NOVE JANELAS nos induz a pensar no tempo e na escala do produto, englobando uma concepção sobre seu Passado, Presente e Futuro, no eixo dos X, e nos componentes de Sub-sistema, Sistema e Super-sistema no eixo dos Y. Figura 3: Raciocinando no Espaço e no Tempo (7) Trata-se de uma tabela de nove células, contendo uma decomposição do produto que estiver sendo estudado na célula central e suas projeções em diversas fases de sua evolução no tempo e no espaço. Se examinarmos a representação, veremos que a célula do centro contém o produto ou processo que está sendo trabalhado. O eixo horizontal determina o tempo, partindo daquilo que era antes, do que é no presente, e do que será no futuro. O eixo vertical corresponde ao espaço, que evolui do SUB-SISTEMA para o SISTEMA e para o SUPER-SISTEMA. Antes de usar a representação, cria-se uma tabela com 9 células (3 x 3). A célula do centro deverá conter o produto ou processo que está sendo trabalhado. O eixo horizontal determinará o tempo, partindo do que era ANTES, do que é no PRESENTE, e do que será no FUTURO. Para usar a representação, deveremos imaginar um cenário a partir do qual iremos preencher as outras células. Por exemplo, um instante no tempo pode ser um determinado momento na fase de produção ou de uso de um produto ou processo. Karen Gadd, em seu livro TRIZ for Engineers(4) apresenta, no Capítulo 4, vários exemplos sobre o uso destas NOVE JANELAS (Pgs. 69 a 93). Nós poderemos alterar os parâmetros da célula do meio tanto quanto quisermos, a fim de obter novos resultados ou descobrir mais recursos. As janelas, que representam o produto no espaço e no tempo, têm como objetivo ampliar

nosso campo de visão e nossa imaginação para o pleno exercício da INOVAÇÂO e CRIATIVIDADE. 3ª. FERRAMENTA: DNA DO PRODUTO Este exemplo original da CREAX propõe, para se entender o significado do termo DNA do Produto, que se considere para análise um COPO CONTENDO ÁGUA. Podemos descrevê-lo como sendo ÔCO, TRANSPARENTE, FRÁGIL, CÔNICO, etc. Todos os ADJETIVOS que usamos para descrever alguma coisa são atualmente PROPRIEDADES. Estes são os elementos a partir dos quais o DNA de um produto é construído. Para elaborá-lo correspondentemente a um produto ou processo, deve-se fazer uma lista com todas as propriedades do produto/processo em questão. Associados a cada propriedade existem sempre um ou mais VERBOS que descrevem as FUNÇÕES desta propriedade. Estas funções são também parte do DNA do produto, conforme a tabela abaixo: PROPRIEDADES DE UM COPO PROPRIEDADES (ADJETIVOS) FUNÇÕES (VERBOS) Ôco Para conter o líquido Cônico Para encaixar Frágil Para quebrar Rígido Para manter a forma Arredondado Para segurar Áspero (Superfície) Para firmar na mão Transparente Para indicar Achatado (Fundo) Para permanecer em pé Tabela 2: Algumas PROPRIEDADES e FUNÇÕES associadas ao DNA de um Produto: no exemplo, DNA associado a um copo com água (8). Todos os ADJETIVOS que usamos para descrever alguma coisa são atualmente propriedades. Estes são os elementos a partir dos quais o DNA de um produto é construído. Para elaborá-lo correspondentemente a um produto ou processo, deve-se fazer uma lista com todas as propriedades do produto/processo em questão. Associados a cada propriedade existem sempre um ou mais VERBOS que descrevem a(s) FUNÇÃO (FUNÇÕES) desta(s) PROPRIEDADE(S) do produto, sendo estas funções também parte de seu DNA. Em seguida à determinação do DNA do Produto, podemos aplicá-lo às próximas duas ferramentas: A primeira ferramenta foi projetada para COMPARAR o DNA do Produto que estamos analisando com DNAs semelhantes de outros produtos e processos. Esta ferramenta é denominada “ANALOGIA por DNA” ou, em termos usuais, ANALOGIA por VARIAÇÕES de PROPRIEDADES. A segunda ferramenta examina as possíveis variações das propriedades do DNA, ao que denominamos “VARIAÇÃO do DNA”. A Figura 4 abaixo ilustra este caso:

Figura 4: O DNA do Produto reparte-se em duas vertentes: (a) por ANALOGIA e (b) por VARIAÇÃO (Fonte CREAX) O DNA por ANALOGIA O DNA por analogia foi uma criação de dois ex-colegas da CREAX: Simon Dewulf, (atualmente fundador e presidente da empresa AULIVE) e Darrell Mann, (Systematic Innovation) que, investigando o potencial de inovação de milhares de produtos e serviços, seguiram os passos do criador da TRIZ, Genrich Alshuller, que sempre afirmou que, para inventar, é melhor consultar o que já existe registrado em patentes e no mercado e daí derivar algo novo ou renovado. De fato, somente o site USPTO, The United States Patent and Trademark Office, segundo Dewulf, apresenta: “More than half of the 69 million patents are more than 20 years old and thereby freely available knowledge. A large part of the other half are inventions patented outside your industry that can act as out-of-domain solutions and are also free to use” (Artigo “Crowd- Source the World; Open Innovation through Patent Inspiration”, autor citado). O DNA por Analogia é construído contendo quatro itens: o PRODUTO, suas PROPRIEDADES, as FUNÇÕES e OUTROS DOMÍNIOS. Na aplicação deste método, sempre deveremos começar pelo PRODUTO ou PROCESSO. A representação destas variáveis segue uma dinâmica radial, partindo do centro de um disco onde o objeto a ser examinado é posicionado. Em seguida avançando neste sentido radial para áreas mais externas, devemos colocar ali o máximo de PROPRIEDADES deste produto que possamos imaginar. Traça-se em seguida um novo anel, seguindo a direção radial, e nele colocamos as FUNÇÕES, geralmente associadas a VERBOS que descrevam o que a propriedade faz. No caso de nosso exemplo, a propriedade “COPO ARREDONDADO” corresponde ao verbo SEGURAR. O quarto nível é o mais importante. Nele, ANALOGIAS entre produtos diferentes são assinaladas. Neste nível, são estabelecidas as correspondências entre FUNÇÕES, PRODUTOS e PROCESSOS com seus SIMILARES, mediante estas ANALOGIAS. O CAMPO do produto em que estivermos trabalhando é importante visto que nele operam as DNA COMPARAÇÃO A DNA SIMILAR VARIAÇÃO DE PROPRIEDADES ANALOGIA por DNA VARIAÇÃO por DNA

FUNÇÕES, e é por meio delas que poderemos procurar sempre por coisas completamente diferentes. Assim procedendo, descobriremos que existe uma grande quantidade de produtos e processos no mercado que já experimentaram o problema que estamos examinando. Figura 5: Associações relativas ao DNA de um produto, no caso um copo com água (centro), com ênfase na ANALOGIA (8) . Vejamos mais um exemplo dado pela CREAX relativamente em como alterar propriedades para funções novas ou aprimoradas: Figura 6: A estrutura montada nesta figura é o ponto de partida para geração de ideias relativas a novas soluções para fabricar copos, gerando uma tabela em que elementos

figurativos representando produtos estão dispostos por PROPRIEDADES e FUNÇÃO. Algumas das funções possíveis são ilustradas. As ideias são direcionadas pelos exemplos, e revelam a estrutura da metodologia para geração de ideias. Observemos que cada mudança de propriedade traz consigo o ganho de funções novas ou aprimoradas (8) . Assim, para um COPO com ÁGUA, teremos as associações mostradas nas Figuras 5 e 6, em que o DNA por Analogia foi aplicado a outros produtos completamente diferentes de um copo. Obs: A Figura 6 levou em conta mais algumas propriedades para COPOS. Consulte o site da empresa Imigrantes Bebidas para uma listagem abrangente e interessante sobre tipos de copos e seus usos. Existem múltiplos exemplos no último anel da Fig. 5 que podem nos inspirar para aperfeiçoar um copo de bebida destinado a uso diversificado. Por exemplo, considerando a propriedade ENCAIXAR (Fig. 5), poderemos imaginar copos encaixáveis uns sobre os outros, empilhados, ou mesmo xícaras, como o conjunto de empilhar do tipo de bonecas russas encaixáveis abaixo (matrioshka). Devemos salientar que o princípio do encaixe de produtos idênticos, muitas vezes destinado ao transporte, embalagem ou mesmo exposição, é encontrado também em outros produtos, como cadeiras de jardim e móveis para piscinas, devido às facilidades inerentes de transporte (TRIZ, Princípio de número 7 para Inovação, em “Nested Doll and Weight Compensation”, em Simplified TRIZ, de Kalevi Rantanen & Ellen Domb (17) , pg. 133). Figura 7: Uma variante de xícaras encaixáveis (Fonte: http://www.popcamaleao.com.br/set- xicaras-matrioska.html, acesso em 05/03/2012). Podemos criar muitos exemplos seguindo este processo, lembrando que, se pessoas diferentes forem usar o método, poderão ocorrer resultados diferentes. Quanto mais exemplos, maiores serão as chances para se chegar a uma solução interessante. Esta é uma excelente ferramenta para se usar em um grupo de discussão ou “brainstorming” destinado à inovação. DNA POR VARIAÇÃO DE PROPRIEDADES A quarta ferramenta é denominada DNA por Variação de Propriedades. Como o nome implica, estamos procurando por variações no DNA. É quase certo que a alteração de uma PROPRIEDADE poderá levar a novas funções ou funções melhoradas!

Na base da ferramenta situa-se um número fixo de propriedades. Estas propriedades, em TRIZ, referentes às características das Tendências e Linhas de Evolução dos Sistemas Técnicos, são geralmente em número de oito, em que mais de três tendências são assinaladas. Abaixo mostramos uma delas, a Tendência para Aumento do Dinamismo, Flexibilidade e Controlabilidade: Figura 8: Sistema Imóvel, segundo a evolução de propriedades em TRIZ:  Ligado por uma Junta  Muitas Juntas  Totalmente Flexível  Gás/Líquido  Campos Fonte: GAAD, Karen, TRIZ for Engineers - Enabling Inventive Problems Solving, Ed. John Willey, 2011, Singapore, Pg. 246, Capítulo 9, Systems Development and Trends of Evolution.(6) Não consideraremos neste trabalho todas as Tendências de Evolução dos Sistemas Técnicos, visto que estamos procurando fazer uma simplificação da TRIZ em seu modelo clássico, através do método desenvolvido por Simon Dewulf. Assim, na EVOLUÇÃO TÉCNICA apresentaremos apenas três variações, conforme mostrado na Figura 10. Como iremos ver, estas serão suficientes para a maioria dos casos que serão considerados aqui em uma análise abrangendo algumas das fases evolutivas acima. Considerar todas as tendências da Figura 8 tornaria nossa análise muito extensa, distanciando-nos dos objetivos iniciais, de expor um método eficiente para inovar, porém abreviado. Neste método, estaremos visualizando apenas TRÊS VARIANTES ou TENDÊNCIAS DE EVOLUÇÃO possíveis para todos os produtos. Por exemplo, a FLEXIBILIDADE foi dividida em flexibilidade SÓLIDA, com MÚLTIPLAS JUNTAS e TOTALMENTE FLEXIVEL. No caso de um copo, a FLEXIBILIDADE corresponderá à propriedade SÓLIDA, embora existam copos de plástico papel, que não são sólidos e que podem ser amassados, correspondendo à propriedade TOTALMENTE FLEXIVEL. Os copos que iremos considerar serão de vidro ou de louça apenas. O número de propriedades para um dado produto pode variar muito. Para o exemplo que se seguirá, a fim de se manter a clareza, elas foram inicialmente limitadas em oito propriedades. Mais adiante, ampliaremos este número para vinte, totalizando sessenta propriedades para todos os produtos que iremos examinar. O número de propriedades pode sempre ser ajustado segundo a nossa escolha. A ideia original do DNA do Produto pertencia à empresa CREAX que, recentemente, foi vendida. Com isto, seu executivo principal e autor deste método, Simon Dewulf, fundou em meados de 2013 a empresa AULIVE, que passou a ser detentora reconhecida da metodologia. Seu traço distintivo maior é o uso da Web Semântica e outros avanços tecnológicos nas aplicações voltadas para Inovação e Criatividade no que nós podemos considerar uma variante moderna da TRIZ. (Veja-se http://www.w3c.br/Padroes/WebSemantica). Além da exploração das propriedades de um objeto descritas anteriormente, poderemos dar ao processo aqui desenvolvido um maior foco para criar coisas novas. Isto será feito usando-se

uma malha, na qual iremos colocar os POTENCIAIS DE INOVAÇÃO de um produto. Para este procedimento, no centro da malha colocaremos o produto/processo em questão. Poderemos fazer um diagrama de radar usando o Excel, que é a opção mais conveniente. Devemos nos lembrar de que, se o diagrama fosse circular, cada um dos anéis em torno do centro deveria se referir a uma determinada condição das propriedades. Por meio do Excel, na figura do tipo radar, a malha é dividida em partes iguais. Cada separação de uma fatia para a outra representa uma propriedade. Onde quer que a linha hexagonal cruze um dos raios da representação existe um ponto, que indica o estado da propriedade em questão. As áreas em branco indicam Potenciais de Inovação para copos. Figura 9: Imagem do DNA do Produto no Excel, Diagrama de Radar, mostrando Potenciais de Inovação para copos. Nota-se que a integração com outros produtos é uma boa oportunidade para Inovação. Os pontos do Diagrama de Radar para este produto são: 1. Flexibilidade: Sólido 2. Integração: Mono-sistema 3. Superfície: Suave 4. Porosidade: Vasada 5. Automação: Humana 6. Forma: Simetria Axial 7. Transparência: Total 8. Cor: Nenhuma 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 Flexibilidade Integração Superfície Porosidade Automação Forma Transparência Côr DNA do Produto Potencial de Inovação

Figura 10: Acima, o mesmo procedimento relativo ao que foi feito no Excel, em uma figura circular mais detalhada, contendo as oito propriedades da VARIAÇÃO por DNA (Ref.8). As áreas claras entre os círculos apresentam potenciais para inovação (Fonte: CREAX) Observemos a forma como estas oito propriedades são representadas na Figura 10. A primeira coisa a salientar é a natureza de sua representação estruturada, uma simplificação do número excessivo de propriedades da TRIZ. A evolução de cada propriedade é mostrada por meio de três, e apenas três, variações. Se considerarmos a propriedade COR, por exemplo, teremos NENHUMA COR, USO BINÁRIO DE COR e uso do ESPECTRO COMPLETO DE CORES. Para ilustrar visualmente este conceito, consideremos a propriedade POROSIDADE, Item 4 da Figura10: Figura 11: Três maneiras de representar esquematicamente a propriedade POROSIDADE Podemos então repetir o mesmo procedimento para outros produtos existentes, que fazem uso da propriedade POROSIDADE. É o que nos mostram os produtos abaixo, que selecionamos de uma apresentação da Creax, publicado no Slideshare: 1. Bola de Boliche com orifício, para pegada mais firme. 2. Orifício para exposição em mostruário (pendurar). 3. Caneca com base vasada: Inserção de biscoito ou envelope de adoçante. 4. Chocolate Oco: Para dar a impressão de tamanho aumentado. 5. Tampa de panela com furos, para saída de vapor. 6. Escada telescópica, para armazenamento. Figura 12: A propriedade POROSIDADE sendo aplicada a vários produtos que dela fazem uso (Fonte: CREAX). Saliente-se o caso do chocolate, item 4 acima. Geralmente pensamos no sabor do bombom, mas nunca no artifício usado para aumentar seu tamanho aparente! O Potencial de Inovação é um conceito importante, que tem sido bastante estudado por Darrell Mann, ex-sócio de Simon Dewulf na Creax. Para detalhes completos do método, pode- se consultar seu livro “Hands on Systematic Innovation (19) ” ou seu artigo, escrito com Daniel Cole, “Connecting Real IP Value to Business Strategy”. Nele, os autores mostram como construir passo-a-passo um diagrama do tipo radar semelhante ao representado na Figura 9. Abaixo mostramos uma figura retirada do citado trabalho, onde se pode perceber a forma de construção do diagrama para uma das propriedades da TRIZ, DINAMIZAÇÃO, associada a uma asa de avião, que está assinalada. A construção do diagrama é bastante intuitiva. Um orifício Multiplos orificiosSólido

Figura 13: Diagrama de Radar, mostrando como construir os pontos na figura hexagonal considerando diversas Tendências para Inovação (Mann, Darrel, artigo citado). A TRIZ tem permitido que muitos produtos tidos como comodities evoluam para outros produtos que podem ser patenteados. São variantes, surgidas com a aplicação dos potenciais para inovação. No caso de máquinas de lavar, por exemplo, muitas patentes são registradas dizendo respeito à economia de água e de energia, de detergente, à forma do tambor ou recipiente da máquina, sua disposição, etc., geralmente visando desenvolver e fabricar produtos mais eficientes, econômicos, seguros e mais baratos do que aqueles oferecidos pelos competidores (Idealidade em TRIZ, Tendências de Evolução dos Sistemas Técnicos, Figura 2). O que poderia nos dizer esta metodologia em termos de lavagem de roupas e máquinas de lavar, onde o objetivo exclusivo é obter roupa limpa? Tendo em vista esta questão, a CREAX informou recentemente, em uma de suas publicações, que a SANYO desenvolveu uma lavadora acústica automática diferente de todas as que já conhecemos, pois não usa sabão em pó. Poderemos imaginar roupa limpa obtida sem uso de sabão em pó? Será que, considerando o Potencial de Evolução para máquinas de lavar, princípio fundamental da TRIZ, o sabão em pó corre o risco de desaparecer? No caso da máquina de lavar SANIO, este produto nos ensina que as SOLUÇÕES MUDAM, mas a FUNÇÃO PERMANECE, ou seja, o principal objetivo que se tem em vista no ato de lavar roupa é OBTER ROUPA LIMPA!” (CREAX). Neste caso, o sabão em pó será dispensado em função de uma nova tecnologia (veja-se a Tabela 3 abaixo, Processos Físicos Destinados à Limpeza), pois ao cliente interessa apenas que suas roupas estejam limpas. Assim, o sabão ideal será nenhum sabão em pó… (perspectiva do cliente). O ideal… (seu produto) é a negação do mesmo (seu produto), mas de modo que a FUNÇÃO permaneça! (Reportemo-nos à Figura 2: Conceito de Idealidade de um Sistema Técnico).

Figura 14: A lavadora acústica da SANYO Assim, o sabão ideal será nenhum sabão em pó… (perspectiva do cliente). O ideal… (seu produto) é a negação do mesmo (seu produto), desde que a FUNÇÃO permaneça! A Figura 15 que se segue (Darrell Mann & Daniel Cole, “Connecting Real IP Value to Business Strategy”, artigo citado) mostra-nos a evolução deste processo, e o ponto das Tendências de Evolução em que a SANYO se posicionou ao desenvolver esta máquina de lavar (“Clean-clothes without detergent), na direção do Resultado Final Ideal (IFR): Figura 15: Tendências de Evolução de uma máquina de lavar, levando em conta seus ingredientes, (Segundo MANN, D. & Cole, D. artigo citado). A tabela abaixo relaciona diversos processos físicos, dentre os quais aqueles assinalados em negrito que foram usados no desenvolvimento da lavadora da SANYO: Processos Físicos Destinados à Limpeza Dessorção (*) Oscilação longitudinal por ultra-som Vibração acústica Fricção Cavitação Criólise (destruição pelo frio) Erosão por jato Foto-oxidação Eletro-erosão Efeito opto-hidráulico Dessorção térmica ou eletrônica de impacto para retirar impurezas (*) Explosão elétrica Evaporação a laser Termo-destruição Feixe de íons Dissolução Reação de oxi-redução Efeito eletro-reológico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Reologia) Cavitação hidrodinâmica Escovação por vibrações Captura por laser Eletrólise Tabela 3: Alguns dos processos físicos destinados à limpeza em geral.

(*) DESSORÇÃO TÉMICA (9) : A Dessorção Térmica é um processo que, na área ambiental, tem o objetivo de tratar solos contaminados com hidrocarbonetos tais como gasolina, óleo diesel, óleo combustível, querosene, entre outros, reduzindo ou eliminando sua concentração a níveis que permitam a disposição do solo em seu local de origem ou em uma nova utilização. É uma tecnologia de recuperação em favor da sustentabilidade, que usa energia térmica proveniente do biogás produzido em um aterro para separar fisicamente compostos voláteis do solo visando a descontaminação do mesmo para ser reutilizado. (*)DESSORÇÃO: Dessorção, de modo geral, é um fenômeno pelo qual uma substância é liberada ou passa através de uma superfície. O processo é o oposto da sorção (isto é, adsorção e absorção). Isso ocorre em um sistema que pode estar no estado de equilíbrio de sorção entre fase (a granel líquido, ou seja, gás ou solução líquida) e uma superfície de adsorção (sólido ou fronteira que separa dois fluidos). Quando a concentração (ou pressão) da substância na fase de volume é reduzida, algumas das alterações da substância sorvida retornam ao estado a granel. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Desorption Nota: Estes processos físicos podem ser obtidos e/ou estudados em maiores detalhes e profundidade no Banco de Dados de Efeitos Físicos da AULIVE, no qual cerca de 4000 processos físicos ou químicos podem ser visualizados dinamicamente. Em http://www.productioninspiration.com/ e também da OXFORD CREATIVITY, em http://wbam2244.dns-systems.net/EDB_Welcome.php Concluindo, segundo a TRIZ, a evolução de todos os sistemas técnicos tende para uma solução em que O IDEAL É NÃO TER... desde que... A FUNÇÃO PERMANEÇA! O diagrama da Figura 15 é sugestivo quanto a outra inovação da SANYO nesta área, que foi o lançamento, em 2006, da primeira máquina de lavar que faz uso de Ozônio para eliminar bactérias e odores das roupas: Figura 16: A lavadora AQUA da SANYO, que usa Ozônio para eliminação de odores das roupas. “SANYO Announces the World-First Drum Type Washing Machine with ‘Air Wash’ Function - Disinfecting & Deodorizing using Ozone - Change air to Ozone, Eliminate odors & bacteria from clothing, Purify final rinse water Tokyo, February 2, 2006 —- SANYO Electric Co., Ltd. (SANYO), based on its new vision ‘Think GAIA’, and using ‘tackle global environmental problems’ as a keyword, is committed to businesses using water circulation and recycling technology applications. The ‘AQUA’, is a drum type washer/dryer that values the importance of water, by applying technology that has previously only been used in industrial products, to home use. With ‘AQUA’, which is the world’s first washer/dryer to utilize ozone, which enables ‘reduction of water’ and recycling of water”, SANYO has broken away from conventional thinking and is offering a completely new cleaning technology.

Assim como o exemplo da máquina de lavar sem sabão em pó, outros produtos também evoluem para o manuseio simplificado ou o Resultado Final Ideal (IFR), como as máquinas fotográficas, que há muito abandonaram o filme físico em troca de outro mais eficiente, digital. Steeve Jobs, o extraordinário executivo da Apple recentemente falecido, há muito tempo já havia percebido que o ideal de um computador é nenhum teclado (iPad), mas que a função de digitação deveria permanecer! O mesmo acontece hoje com os “smartphones”, sucessores dos teclados físicos de alguns anos atrás. Por desconhecer este fato, a empresa canadense Research In Motion (RIM), que agora se chama BlackBerry, com seus celulares de mesmo nome que se valiam de teclado físico até há pouco tempo, quase foi à falência, e só recentemente adotou o teclado virtual em seus aparelhos. Seguindo a mesma tendência, o abridor de tampas ideal é a ausência dele, como nas tampas da garrafa de cerveja “Long Neck”, de 330 ml, em que a mão do consumidor faz o papel de abridor. Como poderemos atingir o maior número de funções, por meio de um sistema mínimo? A figura 17 abaixo, com base em uma apresentação original da CREAX, ilustra mais alguns casos de funções em que o melhor é não ter: Figura 17 - Muitas vezes, a ausência de um dos componentes de um produto é mais importante do que sua presença. O fator ECONOMIA ou o fator ERGONÔMICO muitas vezes pesam nesta escolha. EXEMPLOS ABORDANDO AS 20 PROPRIEDADES PADRONIZADAS DE EVOLUÇÃO TÉCNICA. Os trabalhos de Genrich Altshuller relatam de 8 a 12 padrões originais de evolução. As pesquisas realizadas pela AULIVE relacionaram de 19 a 20 novos padrões. Estes padrões, também denominados “TENDÊNCIAS de EVOLUÇÃO”, descrevem uma trajetória de propriedades que são alteradas ou que se transformam, vale dizer, padrões que são alterados ao se passar de um produto a outro qualquer, no qual estas mudanças podem ser identificadas (Darrell Mann, 2002). Os PADRÕES (“TENDÊNCIAS de EVOLUÇÃO”) descrevem um caminho viável para a adoção de propriedades novas ou sujeitas a mudanças e são em numero de 20, conforme mostrado abaixo (CREAX, ((19) ): 1. Estado 2. Pulsação 3. Fragmentação 4. Superfície 5. Porosidade 6. Automação 7. Forma 8. Transparência 9. Cor 10. Coordenação 11. Flexibilidade 12. Sentidos 13. Integração 14. Opostos 15. Mercado 16. Informação 17. Simetria 18. Fibras 19. De Líquido a Spray 20. De Líquido a Espuma Nenhuma chave (Iris ou Impressão digital) Nenhum abridor Nenhum Elástico (Elástico Aderente) Nenhum cabo (Bluetooth)

Vinte Propriedades Genéricas Para Resolver Problemas Figura 18: Generalização da Figura 10: As 20 Propriedades Genéricas para Resolução de Problemas, mostrando as Tendências de Evolução para um determinado produto e levando em conta todas as 20 propriedades. As partes em branco do diagrama, na direção radial, são oportunidades para INOVAÇÃO. O diagrama apresenta, para cada PROPRIEDADE, apenas três Tendências de Evolução, conforme o método de INOVAÇÃO SISTEMÁTICA por VARIAÇÃO DIRETA aqui apresentado. Fonte: CREAX, (Ref. 19). Uma sequencia destas alterações seria (Dewulf 2002):  Padrão 5: POROSIDADE: Ôco  Poroso  Capilar (Capilaridade ativa) Um outro exemplo, Referente a 8 de padrão inteiramente novo poderia ser:  Padrão 8: TRANSPARÊNCIA: Opaco  Translúcido  Semitransparente Transparente (Transparência ativa) Segundo Henry Petrosky, em seu livro “The Evolution of Useful Things”, muitos produtos evoluem do modo como o fazem devido a uma insatisfação por parte do usuário com sua forma de funcionamento ou, nas palavras do autor, “form follows failure”. (Cit. MANN, Darrell, em http://www.triz-journal.com/archives/1999/09/b/).

Para uma melhor compreensão dos 20 casos que iremos analisar, veja-se “Evolutionary- Potential in Technical and Business Systems”, cuja metodologia original se deve a Simon Dewulf e Darrel Mann (http://www.triz-journal.com/archives/2002/06/f/06.pdf). 2. AS 20 PROPRIEDADES UNIVERSAIS DOS PRODUTOS No que se segue, serão vistos exemplos de produtos que usam algumas das 20 propriedades citadas anteriormente, a maioria deles descritos em http://www.patentinspiration.com/. Este site é uma via interessante para acesso a inúmeras inovações divulgadas na Internet e classificadas segundo o método estruturado da AULIVE, fácil de aplicar a qualquer produto que estejamos estudando. Com isto estaremos nos familiarizando com os métodos empregados em INOVAÇÃO SISTEMÁTICA, segundo o método DNA do Produto, como o método da Variação Direta DIVA, DIrected VAriation®, e as TENDÊNCIAS DE EVOLUÇÃO . Consideremos o caso abaixo de Tendências de Evolução, cuja figura consta da página inicial da patente registrada por Dewulf, de No. US2008/0091671 A1, na qual estão estabelecidos os princípios inventivos da DIrected VAriation® e as TENDÊNCIAS DE EVOLUÇÃO: Tendências de Evolução de Propriedades de uma Superfície Superfície Suave  Saliências em 2D  Saliências em 3D Figura 19 – Tendências de Evolução de uma superfície segundo Dewulf, S. Em seu trabalho pioneiro, é salientado que, dentre as formas que podem ser usadas para inovar, deve-se buscar entender as variações que ocorrem em PRODUTOS, as quais são geralmente expressas por meio de ADJETIVOS; daí o termo adotado, DIrected VAriation, DIVA: “DIVA describes a way of conducting problem solving and innovation studies. DIVA aims at building an in-company competence in effective innovation. Innovation is defined as creating value; value is defining as creating more of the good (performance, ergonomic, design) and less of the bad (danger, pollution, cost). We want products that works better (to perfect), safer (to harmless), greener (to ecological), easier (to automatic), nicer (to experience) and cheap (to free). Applying the above to existing information methodologies and language has developing DIVA. The variation in products is expressed in adjectives.” (http://www.triz-journal.com/archives/2005/09/07-01.pdf) De fato, em uma pesquisa realizada por este autor em um banco de dados de 16.000 patentes, havia menos de 2.000 substantivos; no entanto, pesquisando sobre adjetivos no mesmo banco de dados, foram encontrados menos de 8.000 adjetivos únicos. Estes adjetivos estão relacionados a verbos, pelo que se pode concluir que 16.000 patentes foram explicitadas por meio de menos que 700 verbos únicos.

Daí, afirma Dewulf, “se pode concluir que, numa pesquisa deste tipo, a diferença entre um produto A e um produto B, sendo B melhor do que A, é que uma ou mais propriedades do produto B funcionam melhor, isto é, a importância reside na diferença: variando propriedades (ADJETIVOS) resulta em funções novas e melhores (VERBOS). Assim é que as propriedades podem ser variadas ao longo de seu ESPECTRO DE PROPRIEDADES – um grupo de estágios ao longo de uma linha de propriedades.” O autor cita o exemplo de uma escova de dentes, onde a expressão ESCOVA VASADA conduziu a uma variação ao longo do ESPECTRO POROSIDADE, que também pode incluir escova POROSA, ESPONJOSA OU CAPILAR. Assim, pode-se notar que a similaridade ESTÁ LIGADA A UMA TENDÊNCIA NA SEGMENTAÇÃO DO ESPAÇO DE BUSCA. Outros tipos de segmentação incluem FLEXIBILIDADE, GEOMETRIA, SIMETRIA, SUPERFÍCIE, ESTADO, TEMPO, COR, TRANSPARÊNCIA, DENSIDADE, TAMANHO, INFORMAÇÃO, CONDUTIVIDADE, DEPENDABILIDADE. A cada uma destas características estão associadas numerosas variações denominadas PROPRIEDADES. Como segundo exemplo, Dewulf considera o ESPECTRO DE PROPRIEDADES relativas à SUPERFÍCIE, que pode incluir propriedades como PROTUBERANTE, CAVADA, SUAVE, CAVADA MILIMÉTRICAMENTE (NANO), etc., sendo todas estas propriedades ADJETIVOS. Observemos que SUPERFÍCIE (SUBSTANTIVO) não é uma propriedade, mas SUAVE (ADJETIVO) é. Este é talvez o aspecto mais importante para a compreensão do restante deste trabalho, baseado na metodologia patenteada utilizando Web Semântica, desenvolvida pelo citado pesquisador na área da INOVAÇÃO SISTEMÁTICA. Em suas palavras: “Uma VARIAÇÃO de PROPRIEDADES nos trará novas funções. Por exemplo, um produto com PROTUBERÂNCIAS (ESPECTRO de SUPERFÍCIE) nos leva à função SEGURAR OU RESFRIAR (verbos). Um produto líquido (ESPECTRO de ESTADO) nos levará a DISSOLVER ou MISTURAR. Deve-se observar que diferentes variações de propriedades podem levar a funções semelhantes. Outras funções incluem ABSORVER, JUNTAR, LIMPAR, CONECTAR, PRESERVAR, TRANSPORTAR e FLUTUAR. Note-se que a variação de PROPRIEDADE está ligada à FUNÇÃO, mas é apresentada de forma independente da FUNÇÃO”. Podemos observar esta classificação na figura abaixo, ilustrando as conexões de FUNÇÕES com uma variação do espectro SUPERFÍCIE.

Figura 20: Tela relativa a diversas funções segundo DIVA®: Tabela de Variações - ESPECTRO DE SUPERFÍCIES (Ref. CREAX). Podemos perceber que a Inovação Sistemática dentro dos padrões da metodologia DIVA (DIrected VAriation) é o reflexo da metodologia exposta acima, introduzida por Dewulf em sua primeira empresa, a CREAX, e agora utilizada por ele na AULIVE. O aplicativo, que roda em qualquer navegador, pode ser acessado em: http://www.patentinspiration.com/, em que mais de 69 milhões de patentes podem ser pesquisadas. Embora seja possível, por meio deste aplicativo, ter acesso a muitos bancos de dados de patentes gratuitamente, a busca de variantes dos produtos, o uso do método do DNA do produto, da Variação Direta, DIVA, do potencial de Inovação e outras facilidades, assim como as oportunidades de negócios, exigem assinatura mensal de uso do programa. 3. PADRÕES DE EVOLUÇÃO SEGUNDO AS 20 CARACTERÍSTICAS DA VARIAÇÃO DIRETA, DIVA®. A seguir, com a finalidade de permitir a consolidação dos princípios descritos anteriormente na primeira parte deste trabalho, faremos uma análise de algumas de 20 características referentes aos padrões da DIVA® a produtos em sua maioria encontrados no site http://www.moreinspiration.com, escolhidos dentre as 4619 de inovações nele descritas em 10/03/2014. Os símbolos representativos da evolução dos produtos, que no site PatentInspiration figuram sempre no rodapé à direita das imagens dos mesmos, poderão ser doravante compreendidos. 1 – VARIAÇÕES de ESTADO: ESTADO Evolução de Propriedade: Nível III - Campo: melhorar a transmissão de carga ou de energia.

I. Sólido  II. Líquido ou Gás  III. Campo Figura 21 – Variações de Estado: De Sólido para Líquido ou Gás e em seguida para Campo Exemplo: Carregamento sem fio ou uso de tomada de Bateria de Veículo Híbrido A Toyota testa atualmente um sistema de carregamento de baterias do seu veículo Prius através de conexão sem fio (Leia mais no blog deste autor em hicel.wordpress.com). Conforme informações distribuídas aos jornais, a Toyota deu início no mês de fevereiro próximo passado aos testes de verificação de seu sistema de carregamento sem fio, uma inovação desenvolvida recentemente em colaboração com a empresa WiTricity, um spin-off do MIT com a qual a montadora tem cooperado durante vários anos. O gestor de inovações da empresa, Satoshi Ogiso anunciou que a próxima geração do Prius plug-in híbrido poderá incluir esta opção de carregamento sem fio. O sistema de captura e tarifação de energia transmite eletricidade usando ressonância magnética resultante de alterações na intensidade do campo magnético entre uma bobina transmissora no chão e uma bobina de recepção do veículo. Ele opera em uma frequência de 85 kHz, com tensão de entrada de 200 VAC e potência de 2 kW. O tempo de carga é estimado em cerca de 90 minutos. III - Campo Figura 22 – Veículo híbrido Prius da Toyota, que passará a usar conexão sem fio (eletromagnética) para carregar bateria, dispensando a conexão da tomada à rede elétrica. Exemplo: Tração elétrica por meio de indução eletromagnética A Alemanha vem testando ônibus elétricos wireless, com tração sem conexão a cabos de energia. A operadora de transporte regional alemã Rhein-Neckar-Verkehr GmbH (RNV) foi escolhida para levar a cabo um projeto-piloto para testar a viabilidade da tecnologia sem fio no carregamento indutivo de ônibus elétricos. Os testes são realizados em dois ônibus elétricos equipados com a tecnologia indutiva de transporte canadense PRIMOVE, originalmente desenvolvida pela empresa Bombardier. A nova tecnologia permite que os sistemas de acionamento e demais subsistemas, como iluminação, sejam carregados através de um sistema central de conexão sem fio para que estes protótipos transitem experimentalmente em Mannheim, na Alemanha. A tecnologia de carregamento indutivo usa a transmissão de energia sem conexão física

ocorrendo entre componentes incorporados sob a superfície da estrada e receptores montados sob os veículos. Os defensores da tecnologia dizem que ela elimina a necessidade de conexões físicas que possam sofrer desgaste elevado, e permite que os veículos sejam equipados com baterias mais leves e menores, permitindo-lhes operar por períodos mais longos. Com o apoio do Instituto de tecnologia de Karlsruhe, o projeto conhecido como PRIMOVE Mannheim ajudará a determinar como este tipo de tecnologia que usa a indução magnética possibilita fazer uma avaliação das tarifas em uma rota ocupada, possibilitando assim a pesquisadores a coleta de dados reais para melhorar a infraestrutura, como baterias e outros sistemas. A tecnologia empregada situa-se na faixa III - Campo. Abaixo vemos um destes protótipos: III - Campo Figura 23 – Ônibus circulando em Karlsruhe, na Alemanha, que usa indução magnética para tração, sem necessidade de conexão por cabos à rede elétrica. VARIAÇÕES DE ESTADO - Evolução de Propriedade: I- Sólido  II - Líquido/Gás  III - Campo: melhorar a transmissão de carga ou de energia. Leia mais em: http://www.gizmag.com/rnv- primove-wireless-charging-electric-buses/26359/ Exemplo: Coração Artificial da BiVACOR®. A BiVACOR®, empresa privada fundada em 2008 com sede no Prince Charles Hospital, em Brisbane, na Austrália, está desenvolvendo um coração artificial totalmente diferente de seus concorrentes. Com a finalidade de evitar que o contato com partes mecânicas possa destruir os glóbulos vermelhos do sangue e alterar os componentes presentes no plasma sanguíneo saudável, os projetistas deste coração estão usando um sistema de levitação magnética, MAGLEV, nos dois ventrículos artificiais, esquerdo e direito, para evitar que partes mecânicas entrem em contato com o sangue venoso e arterial. O projeto está sendo conduzido sob a supervisão do engenheiro Dr. Daniel Timms e o Professor Dr. John Fraser, do Prince Charles Hospital de Brisbane e do Dr. Kurita da Gunma University, Japão, com a colaboração do professor Masuzawa da Ibaraki University daquele país. Consulte-se a IEEE Transactions in Biomedical Engineering Journal para mais detalhes: Axial magnetic bearing development for the BiVACOR rotary BiVAD/TAH e o site of ICETLAB, in http://www.icetlab.com/. Abaixo mostramos uma visão explodida deste coração artificial, em fase de testes em animais.

III - Campo Figura 24: Coração artificial da empresa BiVACOR®, que usará MAGLEV (Levitação Magnética) para funcionar, situado no Nível III de Evolução, utilizando o Campo Eletromagnético. VARIAÇÕES DE ESTADO - Evolução de Propriedade: De Sólido  Para Líquido/Gás  Campo: melhorar a transmissão de carga e de energia, evitando contato direto com o plasma sanguíneo. 2 – VARIAÇÕES de ESTADO: PULSAÇÃO Evolução de Propriedade: De Ações Contínuas a Oscilações, Ressonância e Alta Frequência. De I - Ação Contínua  Para II Ação Pulsante  Para III - Ressonância ou Campo. I - Ação Contínua  II – Pulsação  III – Ressonância e frequências superiores Figura 25: Indo de ações contínuas a ações pulsantes e chegando à alta frequência. Exemplo: Prótese dental para surdez A empresa Sonitus Médical de San Mateo, Califórnia, USA, aposta em tecnologia de implante ósseo para permitir a pessoas com deficiência auditiva a voltar a escutar, mediante um implante dental. O sistema auditivo SoundBite que está sendo desenvolvido, consiste de uma unidade implantável que tem a ela integrados um microfone e um transmissor sem fios, além de um pequeno receptor que transfere aos dentes traseiros a tarefa de captar e transmitir sinais de áudio capturados para que ativem mecanicamente a cóclea. A ideia para esta tecnologia não é nova, e a Sonitus Medical parece confiante de que poderá obter aprovação regulamentar dos organismos de saúde e introduzir uma nova tecnologia no mercado. Evolução de Propriedade: Grau III, Ressonância em Baixas Frequências Finalidade: Pulsação usando ressonância  Aumento da imersão sensorial

III - Ressonância Figura 26: O sistema de implante dentário que pode funcionar como prótese auditiva, da empresa Sonitus Médical, USA. Fonte: medgadget.com. 3 – VARIAÇÕES DE ESTADO: FRAGMENTAÇÃO Evolução de Propriedade: I - Monolítico Sólido  II - Sólido Segmentado  III - Granulação Sólida Figura 26: Evolução do DNA para produtos cada vez mais segmentados. Em TRIZ, a SEGMENTAÇÃO corresponde ao Princípio de No. 1 da Tabela dos 40 Princípios de Inovação de Altshuller. Exemplo: Sofás Segmentados Estes sofás foram projetados de forma segmentada, o que proporciona muitas opções, rolando-o para fora para deitar ou enrolando para guardar ou limpar o chão. Alguns possuem basicamente um conjunto de almofadas interligadas sequencialmente, tendo um cilindro central para apoio de cabeça e ombros. Os gomos podem ser enrolados na proporção que se desejar, em configurações diversificadas. II – Sólido Segmentado Figura 27: Sofá da Gismodo.com e um sofá da Kibisi.com Sofás segmentados apresentam suas v antagens, como a grande flexibilidade, principalmente em apartamentos pequenos. Fontes: Gismodo.com e a empresa Suissa Kibisi.com. 4. VARIAÇÕES DE ESTADO: SUPERFÍCIE Evolução de Propriedade: I - Superfície Suave  II - Protuberâncias 2D  III - Protuberâncias 3D Figura 28: Evolução de uma superfície de 2D para 3D: Protuberâncias

Exemplo: Tênis de Tração para uso em “qualquer terreno” Este tênis é, de acordo com a Reebok, o "primeiro tênis- para-qualquer-terreno". Foi projetado para permitir, com o próprio caminhar, eliminar a lama, neve, grama e areia que tenham aderido em seu solado (Leia mais). As travas, tamanho dezenove, funcionam como os pneus de veículos fora-de-estrada, que podem ser tracionados através da lama! As travas do centro são destinadas à tração ou impulsão no caminhar; as travas laterais funcionam como rodinhas, que permitem o deslocamento com facilidade em qualquer terreno. A aplicação aqui evoluiu para o nível 3, “3D Protrusions”, ou Protuberâncias 3D”, com a finalidade de aumentar a tração. III – Protuberâncias em 3D Figura 29: Acima, o tênis de tração da Reebok. Evolução de Propriedade: SUPERFÍFIE MACIA  SALIÊNCIAS 2D  SALIÊNCIAS 3D Visite o site da GISMODO para mais informações: http://gizmodo.com/5978605/would-you- wear-these-crazy-shoes. Como complemento, devemos salientar que este mesmo princípio é utilizado para acomodação de dúzias de ovos. A caixa, além de apresentar saliências em 3D, é construída de aglomerado de papel com resistência elevada o suficiente para evitar que os ovos se quebrem. Existem também caixas de espuma de polipropileno, menos resistentes. Saliências 3D no fundo de caixas de pizzas também são úteis para conservação do calor, evitando que elas esfriem rapidamente. III – Protuberâncias em 3D Figura 30: Embalagem de papelão reforçado para ovos.

5. VARIAÇÕES DE ESTADO: AUTOMAÇÃO Evolução de Propriedade: Melhoria de Interface Homem-Máquina   Evolução de Propriedade: Manuseio Humano  Manuseio Semiautomático  Manuseio Totalmente Automático. Figura 31: Três possibilidades para AUTOMAÇÃO. A figura 31 nos mostra as três possibilidades padronizadas por Dewulf, PROPRIEDADES estas resumidas para AUTOMAÇÃO, em que o produto poderá ser enquadrado em:  Manuseio inteiramente HUMANO  Manuseio SEMIAUTOMÁTICO  Manuseio TOTALMENTE AUTOMÁTICO Vamos considerar, como exemplo, a evolução de uma barraca de camping, no que diz respeito a uma importante propriedade, qual seja, a facilidade de sua armação. Consideraremos a barraca para camping da marca Quecha, uma inovação cujo slogan é “A facilidade de montagem em dois segundos”. É um modelo recente, da serie de barracas deste fabricante na chamada faixa “Pop-Up”. Para usá-la, ao se abrir a embalagem, deve-se jogá-la para cima. Ao cair ao chão, ela se abrirá automaticamente com o impacto. As tendas tipo “Pop-Up” eram antes conhecidas pela dificuldade em serem dobradas para transporte, o que foi corrigido com este novo lançamento. Basta puxar a corda do lado da tenda e ela irá dobrar-se facilmente: são literalmente 2 segundos para abrir e 15 segundos para fechar. (www.patentinspiration.com/). Manuseio Automático Figura 32: A barraca de marca Quechua, modelo “Pop-Up”, totalmente automatizada para abrir e fechar. Fonte: http://tente.quechua.com/en/tent/r-8,a-72,2-seconds-easy-ii.html

5. VARIAÇÕES DE ESTADO: POROSIDADE Evolução de Propriedade: De Sólido a Vasado I – Sólido  II - Vasado 2D  III - Vários buracos ou orifícios Figura 33: Evolução da propriedade: de sólido para poroso Exemplo: Paredes capazes de abafar o som Tijolos vasados sempre são mais leves. Mas em termos de abafamento do som, a maioria das placas de absorção que conhecemos é feita de materiais porosos. De Amp, uma empresa norueguesa fundada por engenheiros, adotou este princípio, mas de uma forma imperceptível à vista desarmada. Ela usa materiais resistentes tais como metais, plásticos, vidro e acrílico para abafar o som, mas com fissuras feitas com laser, combinadas com o design do espaçamento entre elas. As placas de metal assim fabricadas possuem menos de um milímetro de espessura e são destinadas a uso interno, em paredes ou tetos. Estas placas exigem que se tenha um espaço de alguns centímetros atrás delas para abafar o eco dos sons de baixo e médio alcance, que estão situados no campo de frequências da voz humana. III – Vários Orifícios Figura 34: Materiais resistentes trabalhados com laser se tornam apropriados para abafar ruídos e são excelentes para decoração de ambientes. Evolução de Propriedade: NÍVEL III  Produto com Vários Orifícios ou fissuras projetadas. Objetivo: Tornar o material capaz de absorver som. Fabricante: DEAMP, The New Generation on Sound Absorption, http://www.deamp.com/ 6. VARIAÇÕES DE ESTADO: AUTOMAÇÃO Evolução de Propriedade: De manual a totalmente automatizado. I - Humano  II – Semi-automatizado  III - Integralmente automático Figura 35: Uma das propriedades mais conhecidas de todas é a automação. Novos modelos de carros da Toyota e da Ford podem estacionar sozinhos nas vagas em paralelo, após medirem o seu tamanho.

Aqui o conceito é mais simplificado do que em TRIZ, onde esta propriedade é conhecida como Dinamização. Exemplo: Apontador de Cenouras A automação parcial (semiautomática) pode ser exemplificada aqui pela original invenção do “Apontador de Cenouras”, um exemplo típico de cópia da forma de outros objetos, de autoria do designer de Jerusalém Avichai Tadmor: II – Semi-automatizado Figura 36: “Apontador” de cenouras Karoto, cenoura em Grego antigo. Invenção por analogia, patenteada por Avichai Tadmor, de Jerusalém. O nível de evolução técnica corresponde ao estágio intermediário, utilidade doméstica parcialmente automatizada. Este “apontador de lápis” em tamanho grande serve para cortar tiras finas de cenouras para saladas. O produto foi desenvolvido para a empresa israelense Monkey Business. Também pode ser usado para cortar tiras de abobrinhas ou pepinos. Vem nas cores preto ou amarelo. Mais informações em http://www.dezeen.com/2012/09/03/karoto-by-avichai- tadmor-for-monkey-business/. Evolução de Propriedade: Figura Humana + Instrumento Semi-automático  Cópia da Forma de Outros Objetos http://www.dezeen.com/2012/09/03/karoto-by-avichai-tadmor-for-monkey-business/ 7. VARIAÇÕES DE ESTADO: FORMA Evolução de Propriedade: No equilíbrio das formas residem muitos princípios inventivos. I - Plano  II - Simetria Axial  III - 3D Integral Figura 37: Evolução de simetrias e dimensões segundo DIVA. Exemplo: Porta-bebidas em bicicletas Simetria em 3D: Uma embalagem prática para acompanhar ciclistas em “tracking”:

Figura 38 à direita: Uso de simetria para carga em bicicletas, sem prejudicar o equilíbrio. II – Simetria Axial A embalagem, cujo suporte é feito por meio de velcro, não só é resistente, como é fabricada com material capaz de conservar a temperatura das bebidas constante por longos períodos. O produto pode transportar até seis garrafas de tamanho padrão. Evolução de Propriedade: Nível II – Produto com Eixo de Simetria Fabricante: http://www.firebox.com/product/5927/6-Bottle-Bike-Bag?via=whatsnew 8. VARIAÇÕES DE ESTADO: TRANSPARÊNCIA Evolução de Propriedade: Enxergar através de objetos muitas vezes aumenta sua eficiência. I - Opaco  II - Parcialmente Transparente  III - Transparente Figura 39: Evolução da propriedade Transparência, comum a muitos objetos de uso diário. Exemplo: Máscara Transparente Ao inverso das máscaras dos grupos anarquistas Black Blocs, estas máscaras visam a transparência em seu sentido amplo. Sabemos que máscaras opacas, vendidas no varejo para uso de profissionais de carreira, pessoas de negócios ou qualquer cidadão, podem levar à perda da aparência normal e de determinados traços da personalidade, o que em geral dificulta o estabelecimento de uma relação de confiança com potenciais clientes, colaboradores, pacientes e mesmo com qualquer pessoa. A Prosperity Network Inc. procurou solucionar esses problemas, desenvolvendo uma máscara capaz eliminar os inconvenientes acima, sem deixar de manter todas as vantagens da máscara normal. A solução foi simples: a empresa criou a Masclear, uma máscara transparente que retém o poder de bloqueio contra germes das máscaras tradicionais, ao permitir que se veja o rosto do portador. Em TRIZ, retirar excessos ou detalhes de um produto pode muitas vezes levar a soluções mais eficientes e mais baratas em termos de produção e comercialização. III – Transparente Figura 40: Enfermeira usando a Masclear.

Evolução de Propriedade: Este é um exemplo de produto patenteado muito simples, em que ocorre a evolução natural direta do Nível I para o Nível III, Transparente. Ao ver um produto como este, costumamos fazer a pergunta: “Porque não pensei nisto antes?” Em Prosperity Network. 9. VARIAÇÕES DE ESTADO: CÔR Evolução de Propriedade: Quanto mais cores, melhor! I - Nenhum uso de côr  II - Uso dual de côr  III - Totalidade do espectro de cores Figura 41: O uso do espectro de cores em sinalização é comum, mas alguma criatividade pode levar à criação de produtos originais de grande valor comercial. Exemplo I: Velas com chamas de diferentes cores Esta é uma inovação muito simples, mas que não deixa de ser uma alternativa decorativa interessante. Fugindo do costume, em que as chamas de todas as velas são alaranjadas e iguais, estas velas são realmente diferentes: As chamas podem sugerir romantismo se forem azuis, paixão se vermelhas, amarelo para pessoas tradicionais ou conservadoras, inspiradoras de jovialidade se forem verdes e misteriosas na cor púrpura. As bases de sustentação acompanham o mesmo colorido das chamas. (Tradução do Autor, Ref. http://www.apartmenttherapy.com/colored- flame-l-98209) O segredo está em óleos especiais à base de parafina que queimam em vermelho, azul, roxo, amarelo ou verde. É bastante interessante o efeito inesperado destes óleos de chamas coloridas. Esta empresa criou também um tipo de tochas para jardins, com base no mesmo princípio. Pode-se imaginar o impacto que estas tochas podem causar em qualquer evento ao ar livre. Cada tocha de óleo custa pouco menos de R$ 40,00 e fornece óleo suficiente para queimar durante 50 horas. III - Totalidade do espectro de cores Figura 42 Figura 43 À esquerda, velas com chamas coloridas; à direita, tochas para jardim Evolução de Propriedade: Nível III - Espectro integral de cores (full spectrum)  Melhoria da aparência estética. Em http://www.apartmenttherapy.com/colored-flame-l-98209

Exemplo III – Uso Dual de Cor: Tijolos de Vidro Coloridos Nas décadas de 1960 e 1970, tijolos de vidro foram incorporados na arquitetura como elementos estruturais e decorativos importantes. Eles não só permitiram, por exemplo, iluminar áreas fechadas e escadas, mas serviram também como divisórias em interiores. Tijolos de vidro têm muitas características positivas e são tidos como um recurso que muitas vezes substitui a iluminação convencional, por deixarem passar a claridade. Atualmente, dentro de um processo de evolução estética interessante, o tijolo de vidro com LED incorporado combina os dois elementos de uma forma surpreendente, decorativa e de rara beleza, permitindo uma reinterpretação arquitetônica dos diversos papéis desempenhados pelos antigos tijolos de vidro em novos ambientes. Assim, incorporando uma iluminação deslumbrante, podemos criar uma atmosfera de extremo bom gosto em qualquer ambiente. Atualmente é cada vez mais frequente o uso de LEDs (Light Emmiting Diodes) em produtos cada vez mais surpreendentes e inovadores, tanto em iluminação, seja na decoração de interiores como também na sinalização diurna, por exemplo em automóveis e demais veículos, objetos portáteis, lanternas e eletrodomésticos. Figura 44: Ao lado, um tijolo de vidro com LED. II - Uso dual de cor Evolução de Propriedade: Uso Dual  Variante: Bi System  Acrescentar visual agradável ou contraste conceitual. Referência: Red Dot Design Award – Product Design Entre no link acima para conhecer centenas de produtos inovadores. 10 - VARIAÇÕES DE ESTADO: COORDENAÇÃO Evolução de Propriedade: Eficiência em ações coordenadas   I – Ação não coordenada II – Ação Coordenada III – Ação durante intervalos Figura 45: Modos de Coordenação de Ação: Dispositivos que operam de modo repetitivo podem beneficiar-se de efeitos de alerta.

Exemplo I: Revolights, iluminação de segurança para bicicletas rodarem à noite. A iluminação através de LEDs (Light Emmission Diode) se constitui em uma das mais interessantes tecnologias para iluminação móvel surgida nos anos recentes. Os anéis de duplo LED denominados City Revolight versão 1.0 foram desenvolvidos com a possibilidade de ficarem presos na borda da roda de uma bicicleta por meio de anéis de fixação de liga leve, controlados por um sistema de sensores e montados por meio de um imã em forma de garfo contendo um acelerômetro integrado para avaliar a velocidade e direção. Com isto, as luzes, no caso da roda dianteira, só acendem quando ela está alinhada. Os LEDs oferecem 35 lumens cada um, permitindo sinalização de alerta e também a iluminação do percurso. As baterias extrafinas, 350g por roda, podem ser carregadas via portas USB. A duração da bateria é de aproximadamente de 4 horas. O sistema é totalmente à prova d´água e resistente ao roubo. Também está em conformidade com as normas internacionais de eletrônica para iluminação veicular, funcionando com qualquer tipo de pneus e freios. III – Ação durante intervalos Figura 46: Acima, bicicletas transitam com segurança à noite utilizando Revolight. Evolução de Propriedade: Coordenação Nível III, Ação durante intervalos  Acrescentar nova função ou integrar-se com outra função existente (Princípio 6 da Tabela de Altshuller dos 40 Princípios Inventivos). Mais informações: http://road.cc/content/news/78285-revolutionary- revolights-now-available-europe 11. VARIAÇÕES DE ESTADO: FLEXIBILIDADE Evolução de Propriedade: Interfaces flexíveis ao manuseio ou instrumentos mais flexíveis e adaptáveis ao uso.   I – Imóvel II – Múltiplas Juntas III – Flexibilidade Completa Figura 47: Flexibilidade completa: Podemos ir além do ilustrado aqui, colocando o efeito de Campo integrando a Flexibilidade Completa aqui representada. Exemplo I - Trena Múltipla Este é um exemplo da evolução dos instrumentos destinados a medição de comprimento ou distancias (réguas do engenheiro ou do arquiteto). Originalmente, o metro era sólido. Em seguida passou a ter segmentos articulados

(fragmentação) e atualmente faz uso de laser (campo) para medir distâncias em linha reta. A figura abaixo mostra o produto Série LV-04 Multifunções de medição a laser, Nível com LED + Régua + Tape - Red +

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