Teologia da Libertação no Brasil

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Spiritual

Published on March 12, 2014

Author: WilliamGonalves1

Source: slideshare.net

A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NO BRASIL ELIETE CRISTINA OLIVEIRA PLUMMA SAMANTA CORECHA RÔMULO DE DEUS WENDEL LEAL WILLIAM GONÇALVES UNIVRSIDADE DO ESTADO DO PARÁ CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO HISTÓRIA DO CRISTIANISMO E DO JUDAÍSMO DOCENTE: PRF. DR. MAURÍCIO ZENI

CRIAÇÃO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO  Concílio Vaticano II (1962-1965) se firmando após a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (1968)  a Teologia da Libertação chegou ao Brasil com o frei Leonardo Boff, que publicou o livro Jesus Cristo Libertador (1971)  O ponto de partida para o desenvolvimento da TdL é principalmente a vivência do povo oprimido, dominado, que se conscientiza da situação de miséria a que é exposto. Por esta razão o povo se organiza para realizar aquele que entendem ser o projeto de Deus para a humanidade: “viver em fraternidade, em justiça, em dignidade”.

CONTEXTO HISTÓRICO  A America Latina tomada pelas ditaduras.  No Brasil, o golpe de 1964, opressões e perseguições.  A teologia da libertação surge neste contexto como forma de resistência ao regime que se instalou.  De início, a Igreja brasileira era a favor da ditadura por acreditar que isso impediria o comunismo.

BASES EPISTEMOLÓGICAS DA T.L  Teologicamente, a T.L faz uma análise histórica e social da realidade da comunidade.  A T.L usa da sociologia e da história para tentar explicar, analisar e entender como se dá a pobreza no Brasil.  Faz uma análise a partir da realidade dos pobres e usa de elementos da bíblia para exaltar a luta do povo, bem como os ensinamentos de Jesus.

BASES EPISTEMOLÓGICAS DA T.L O marxismo na teologia da libertação O marxismo materialista dialético vs O marxismo humanista

PRINCIPAIS PENSADORES • Leonardo Boff: afirmação sobre a opção em elevar as camadas mais baixas da sociedade. O pobre é reconhecido como aquele que nada possui e necessita do auxilio de terceiros; o pobre possui também a capacidade de trabalho e de aprendizado; além de ter sua própria história e que esta deve ser construída independentemente de sua situação socioeconômica, pois eles passam a questionar sua situação perante a sociedade. • Enfatiza também que ao se fazer a teologia, é necessário ver a realidade de baixo, a história das camadas populares para a reflexão do futuro das mesmas, criando dessa forma um sentimento de compaixão pelos pobres, partindo desse pressuposto ocorre uma revolução espiritual em face da ressignificação do pobre. Ele passa a ser visto como um sujeito pensante capaz de reformular o pensamento moderno.

GUSTAVO GUTIERREZ  Um dos pioneiros da T.L. no Peru, após sua ordenação dedicou-se à diversas pastorais e movimentos cristãos em prol dos mais necessitados. Sua principal indagação foi: como dizer ao pobre que Deus o ama? Distinguiu três dimensões da pobreza: pobreza real de todos os dias; pobreza espiritual e pobreza como compromisso;  Em 1969 esteve como militantes da chamada Ação Católica, onde os padres se pautavam no pensamento de Leão XXIII: A Igreja é e quer ser a Igreja de todos, e particularmente a Igreja dos pobres.  A libertação ocorreria em três níveis: o nível econômico, nível do ser humano e o nível teologal.  A Teologia seria a resposta para a consolidação do compromisso com os pobres, a resposta que ele necessitam para a sua libertação ou pelo menos para o inicio dela.

DOM HELDER CÂMARA  Envolvimento com movimentos católicos sociais onde acentuou sua preocupação com os mais humildes, adotando assim um novo modo de vida. Defensor da democratização da Igreja sem deixar de ser fiel à ela.  Idealizador da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) e da T.L. almejando uma participação ativa da Instituição junto aos pobres para uma maior contribuição para os movimentos sociais.  Realizou obras sociais no período da ditadura militar, sendo considerado um simpatizante de esquerda.

RUBEM ALVES  Inicialmente ele dá ênfase na T.L dentro da Igreja Protestante, mas enfrentou o problema do capitalismo presente em seu alicerce. Foi preso durante a ditadura por suas ideias serem consideras subversivas e liberais.  Em sua obra Por uma Teologia da Libertação ressalta a teologia dentro do campo politico e humano, deixando em vista uma nova linguagem e um caráter mais humanista  Entretanto ao falar da T.L hoje, Alves infere que a Teologia atualmente sacralizou demais o povo como instrumento de libertação. Ele demonstra uma preocupação da união do povo por sua preferência, onde suas escolhas influem no pensamento moderno.

A IGREJA CONTRA E A FAVOR DA T.L  POSIÇÃO CONTRA:  A Igreja Católica rejeita qualquer doutrina que eventualmente passe a focar meramente nos aspectos materiais e que exclua a atenção à Deus.  Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja Católica: Libertatis nuntius ("Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação") (1984) e Libertatis Conscientia (1986), ambas redigidas pelo Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da congregação, hoje Bento XVI.

 Os dois documentos apontam que seus princípios teológicos e práticos são inconsistentes quanto ao que diz o magistério da igreja justamente por sua inovação quanto ao desenvolvimento espiritual.  O documento de 1984 diz que a libertação primordial do homem é do pecado. E isso quem ensina é a Sagrada Tradição da Igreja, o que é relembrado pela orientação do Vaticano no número 12: “A Revelação do Novo Testamento nos ensina que o pecado é o mal mais profundo, que atinge o homem no cerne da sua personalidade. A primeira libertação, ponto de referência para as demais, é a do pecado”.

A IGREJA CONTRA E A FAVOR DA T.L  POSIÇÃO A FAVOR:  Esta ala é composta essencialmente por leigos e religiosos, freiras e padres.  Essa reação da igreja leiga a favor se constitui pela luta do povo por uma justiça e direitos para os povos. É nos interiores dos estados brasileiros que essa teologia viveu em sua grande maioria na prática.  Padres e irmãs as sustentam junto com pessoas que procuram viver o evangelho que liberta, tanto do pecado quanto da opressão social real.  “Só seria possível alcançar a redenção cristã com um compromisso político".

 “Estamos, na realidade, à espera da Igreja que a Teologia da Libertação gerou nos bairros populares: uma Igreja alegre, participativa, compassiva, com abertura à totalidade da vida humana e exigente sociopoliticamente falando. Uma Igreja com sentido comum para interpretar a doutrina da Igreja universal e, por isso, uma Igreja que vai abrindo um caminho a um catolicismo tímido.” (Pe. Jorge Costadoat)  Os relatos dos religiosos que atuam nos interiores tentando restaurar a dignidade do povo dessas regiões, onde o poder público não atende, cabendo a igreja ser esperança para essas pessoas. O padre Paulo Ricardo chega a dizer:

 “O povo deve ser engajado num processo de engenharia social e a religião deve ser metamorfoseada quantas vezes forem necessárias para ajudar nesse processo. O revolucionário não busca a verdade, pois não crê em sua existência. E uma vez que o marxismo viu que não conseguia destruir a Igreja a partir de fora (Revolução Russa, Gulags, Guerra Civil Espanhola) partiu para uma nova tática: infiltrar-se na Igreja, através da teologia da libertação, que se constituiu num projeto de engenharia social que, a partir da própria Igreja, buscou fazer com que a Igreja mudasse a sua própria natureza, constituindo-se numa força para ajudar a concretizar a revolução social. A tentativa: fazer com que o cristianismo deixe de ser visto como é, um acontecimento e passe a ser visto como uma realidade mental.”

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO HOJE  A TdL teve seu auge nas décadas de 1970 e 1980, após esse período sua atuação ficou de fora dos holofotes da mídia.  Outros movimentos de luta contra os diversos tipos de opressão, que emergiram a partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, também passaram a embarcar na ideologia de libertação concreta proposta pela TdL.  Os ideais libertários da TdL foram responsáveis por estabelecer uma nova cultura, trazer um pensamento mais humanitário e que contribuiu para o surgimento de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, a Pastoral Indígena, o Movimento Negro, além de ter sido fundamental para a criação do Partido dos Trabalhadores (PT).

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO HOJE  Na atualidade, a TdL vem perdendo força principalmente perante a Renovação Carismática Católica (RCC) que vem sendo responsável por atrair grande números de católicos com intuito de reaproximá-los da igreja. Entretanto, grande parte destas pessoas não tem consciência política e acaba por ser manipulado pelos bispos.  Outro fator que contribui para o enfraquecimento da TdL que seu discurso não é mais inovador, visto que os atuais documentos da Igreja Católica já incluem discussões sobre o ponto de vista social.  As idéias da TdL ainda resistem nas mãos de teólogos como Gustavo Gutierrez e Leonardo Boff, que continuam a escrever sobre ela.

CONSIDERAÇÕES FINAIS  Dentro de sua proposta como uma teologia teórica e prática, a teologia da libertação dentro da realidade social brasileira se apresenta como proposta quanto as lutas de classes e opressão no contexto em que ela se apresenta.  Sua influencia não se deu apenas quanto sua questão religiosa, mas também se inseriu na questão político-social do povo em suas dimensões de pobreza.  Boff (2011) afirma que “a teologia da libertação é a primeira teologia moderna que assumiu este objetivo global: pensar o destino da humanidade desde a condição das vítimas.”

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