Sociologia - Fichamento MARX, Karl. “A Mercadoria” (Capitulo I). IN: O Capital

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Published on February 20, 2014

Author: jamaralgeo

Source: slideshare.net

Jessica Amaral. FCT UNESP 1º semestre do curso de Geografia 2012. Disciplina de Sociologia Docente Nivaldo Correia MARX, Karl. “A Mercadoria” (Capitulo I). IN: O Capital A primeira questão a se levantar sobre o primeiro capítulo do volume I de O Capital de Karl Marx é, por que uma obra sobre economia política que se propõe a discutir o processo de produção de circulação, de extração da mais valia que vai se desdobrando ao longo do texto, começa a tratar da mercadoria, que é do ponto de vista do sistema produtivo capitalista, muito mais uma conseqüência do que a causa do processo. Em outras palavras, questiona-se por que o texto começa no fim. Na realidade, o fenômeno da mercadoria é o elemento mais visível do sistema do capital com o qual as pessoas convivem e, por meio da visibilidade da mercadoria que as pessoas tomam contato com o sistema do capital, pois numa sociedade capitalista tudo é mercadoria, todo mundo se relaciona com a forma da mercadoria, seja rendendo sua força de trabalho e/ou comprando outras mercadorias. Portanto, a mercadoria é o fenômeno mais explicito do sistema do capital, em relação a qual todas as pessoas têm algum tipo de contato, mesmo aquelas que não estão diretamente inseridas no processo de produção capitalista, ou seja, nas relações diretas “capital-trabalho”. Marx tenta ao longo do capítulo mostrar que essa relação visível que as pessoas têm com a mercadoria é uma relação alienada, ou seja, a forma com que as pessoas entram em contato com o capital e visualiza esse contato, é uma forma de estranhamento, que, portanto gera o fetiche da mercadoria. 1. Os dois fatores da economia: valor de uso e valor “Todas as coisas úteis podem ser consideradas sob um duplo ponto de vista: o da qualidade e o da quantidade. Cada uma delas é um conjunto de propriedades diversas, podendo, podendo, por conseguinte, ser útil sob diferentes aspectos” Importante compreender que o valor de uso é o conteúdo material da riqueza, qualquer que seja a formação social em que se viva. Desde que o homem passou a transformar a natureza, a partir da sua ação consciente, se produz valores de uso. A sociedade mais primitiva, na medida em que os seus habitantes trabalhavam, produzia valores de uso, tais como: machados, flechas etc. Uma coisa, portanto, pode ser útil e produto do trabalho humano, sem ser mercadoria, a exemplo do trigo produzido pelos camponeses na Idade Média que era entregue como tributo para o senhor feudal. A peculiaridade da sociedade burguesa é que ao mesmo tempo, o conteúdo material da riqueza social é portador de valor de troca (onde valores de uso de uma espécie se trocam contra valores de uso de outra espécie, numa relação que muda constantemente no tempo e no espaço). Ademais, Marx adverte que como valores de uso as mercadorias são, antes de tudo, de diferente qualidade, como valores de troca só podem ser de quantidade diferente. As mercadorias são produtos do trabalho humano, dos sentidos do homem. A grandeza do valor contido nas mercadorias é medida pelo quantum de trabalho, que é a “substância constituidora de valor”. Portanto, o que gera valor é tão-somente o trabalho.

Marx aqui opera algo magistral, que o diferencia dos economistas burgueses, a saber: a descoberta do trabalho como fundamento da forma valor. Prosseguindo na sua investigação Marx analisa o tempo de trabalho socialmente necessário. Sendo este “aquele requerido para produzir um valor de uso qualquer (ferro, linho etc.), nas condições dadas de produção socialmente normais, e com o grau social médio de habilidade e de intensidade de trabalho. Neste sentido, “o quantum de trabalho socialmente necessário ou o tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de um valor de uso é o que determina a grandeza de seu valor”, ademais, “enquanto valores todas as mercadorias são apenas medidas determinadas de tempo de trabalho cristalizado” 2. Duplo caráter do trabalho representado nas mercadorias Se as mercadorias apresentam dois fatores, em outras palavras, um duplo valor, o trabalho, que é a fonte fundamental de valor, então, dentro de cada mercadoria há um caráter duplo, o trabalho se apresenta em duplicidade. Veja que a substancia é diferente da grandeza, onde a substância é a qualidade e o conteúdo do valor, enquanto que a grandeza diz respeito à quantidade do valor. Por isso que geralmente se identifica o valor de troca com o preço. A quantidade de uma coisa não é necessariamente a sua qualidade e vive-versa. O conteúdo é diferente da quantidade: uma coisa é a essência, e a outra é a aparência (manifestação exterior). O trabalho, de um lados é simples e do outro, complexo. Onde o primeiro, é um trabalho em que o individuo executa para realizar um valor, uma mercadoria na medida em que esta se relaciona com outras que contem outros trabalhos e, portanto, no fim, essa mercadoria tem uma representação enquanto trabalho complexo, não um simples trabalho individual, mas um trabalho generalizado, social, abstrato. Por fim, as mercadorias têm um duplo valor, uma forma substancial e uma forma de grandeza. Portanto ela tem embutido dois tipos de trabalho: o simples e o concreto, realizado apenas por um individuam, pelo qual todas as mercadorias são medidas. 3. A Forma de Valor ou o Valor de Troca A forma simples do valor de troca é a forma mais imediata do processo da troca. A troca pela mercadoria “A” pela mercadoria “B”, ou seja, a forma relativa pela forma equivalente (representativa). A forma simples pode ser entendida por troca natural, pois não envolve moeda. A troca natural existe desde que a sociedade começou a produzir excedentes, porém já há valor de uso e de troca, substancia do valor e grandeza do valor. Para que o dinheiro funcione como valor de troca, então não é mais possível a troca de forma simples, mas a troca de valor total ou desdobrada. O valor geral é a forma equivalente geral (equivale bem que pode ser trocado por qualquer outra), ou seja, forma que equivale a todas as outras, só não é dinheiro, pois se trata de um bem material. O que tornou possível que as mercadorias pudessem ser medidas em termos de valor pelo tempo de trabalho foram o surgimento e a generalização do trabalho livre. Sem este, não há como medir, e é uma das condições do surgimento do capitalismo. Então, a divisão social do trabalho é o trabalho livre e a forma simples do valor de troca, fazem parte dos dois critérios históricos que permite a generalização da forma dinheiro.

4. O Caráter Fetichista da Mercadoria e seu Segredo. O valor de uso da mercadoria é a substancia desse valor e medida pela sua utilidade, ou seja, a produção humana tende a uma necessidade, o trabalho é motivado porque o ser humano atende a uma necessidade. Portanto, o valor primordial de qualquer mercadoria é a sua utilidade. Então o valor é variável e diz respeito a um produto. Entre o valor de uso e o valor de troca, existe uma antítese, uma contradição externa e uma interna: a forma equivalente reflete apenas o valor de troca da forma relativa. Quando se passa de uma forma simples para uma forma desdobrada, ocorre a seguinte operação: a forma relativa é igual à forma equivalente que, por sua vez, se forma em social-geral, porque ela fale varias formas equivalentes. A tendência é encontrar uma forma equivalente geral, que possa substituir os produtos. É nesse momento que entra a forma do dinheiro Para que o dinheiro possa funcionar como equivalente geral, ele não pode representar trabalho nenhum, porque ele, ao mesmo tempo, representa todas. Portanto, ele é puramente trabalho abstrato, então não tem concretude. Nunca estivemos tão próximos para superar a alienação, pois a base para a superação da alienação já esta dada: o trabalho social, e desanielação do ser humano em relação a si e ao semelhante. A problemática é que a apropriação é privada, mais ser for ultrapassada, a apropriação passa a ser social. O trabalho também é social, então já estão dados as bases para a desanielação, que é um problema de relação concreta. Para concluir, o materialismo desse capítulo deve-se as relações da produção do fenômeno como concreto da produção e reprodução da vida. E não é somente economia, afinal, o trabalho requer também relações políticas e ideológicas; a forma equivalente geral só atinge seu apogeu quando o trabalho tornou-se livre, que por sua vez é uma questão jurídica. “A produção determina o processo”.

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