Semana de Letras 2008 - Letras e Telas de Cabo Verde

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Published on November 4, 2008

Author: risoatelie

Source: slideshare.net

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Letras e telas de Cabo Verde inseridas no tema Diálogos Possíveis, palestra ministrada por Ricardo Riso para a Semana de Letras 2008, na Universidade Estácio de Sá - campus Millôr Fernandes. Dia 04/11/2008, às 21h.

Semana de Letras 2008 Universidade Estácio de Sá – campus Millôr Fernandes PALESTRA: “Diálogos possíveis: letras e telas de Angola, Cabo Verde e Moçambique” Por: Ricardo Silva Ramos de Souza (Ricardo Riso)* Dia: 04/11/2008 – às 21h * Autor do blog http://ricardoriso.blogspot.com e integrante do Conselho Editorial da revista acadêmica África e Africanidades – http://www.africaeafricanidades.com

Cabo Verde: Letras de Jorge Barbosa, Manuel Lopes, Dina Salústio, Vera Duarte, Ovídio Martins, José Luís Hopffer Almada, Aguinaldo Fonseca, David Hopffer Almada e António Nunes com telas de Bela Duarte, Manuel Figueira, Kiki Lima, Tchalê Figueira, Miranda Brito, José Maria Barreto e Abraão Vicente

A Literatura e as Artes Plásticas em Cabo Verde Literatura A poesia em Cabo Verde apresenta no decorrer do século XX profundo diálogo com as paisagens das ilhas. O sol e as secas, o mar e a insularidade, além das dificuldades econômicas, oprimem o ilhéu que fica entre os dilemas “ter que ficar mas quer partir” e “quer ficar mas tem que partir”, originando os desejos de evasão e emigração. A evasão é uma característica dos poetas da revista Claridade (1936), representados por Jorge Barbosa, Manuel Lopes e Aguinaldo Fonseca, foram injustamente acusados de falta de comprometimento com a luta contra o colonialismo português. Outro importante momento da geração claridosa foi o contato com o modernismo brasileiro e a transposição para a realidade do arquipélago do mito do pasargadismo, de Manuel Bandeira. Contudo, com uma leitura atenta, percebemos que os poetas enfatizavam as mazelas sociais e denunciavam o colonialismo, apenas não o atacavam diretamente como os poetas das décadas seguintes, das revistas Certeza (1944), Suplemento Cultural e Seló . Com a crescente revolta contra a ditadura salazarista, Ovídio Martins torna-se uma voz de destaque entre os poetas do arquipélago. É de sua autoria o poema “Anti-evasão”, que nega o pasargadismo e assume, junto com os poetas de sua geração, um comprometimento com as ilhas. Para esses poetas, a emigração não representava uma opção, pois todos deveriam ficar como forma de resistência, espelhando-se nas condições climáticas adversas das ilhas. António Nunes também é um integrante desse período. David Hopffer Almada comparece com um poema que representa a fase do cantalutismo. Com a conquista da independência, os poemas são esperançosos e cantam loas ao país. Seu irmão, José Luís, crítico literário e poeta, representa a recente produção poética do arquipélago. Em seus poemas, encontramos críticas contundentes contra os temas típicos da poesia de seu país, como a chuva, e o desencanto do final do século XX. A poesia e prosa de autoria feminina está muito bem destacada com os textos de Vera Duarte e Dina Salústio. Esta denuncia a árdua tarefa de ser mulher em Cabo Verde, assim como o problema da prostituição infantil. Enquanto aquela, versa, de forma universal, sobre os dramas da condição submissa das mulheres.

Artes Plásticas Na arte de Manuel Figueira, deparamo-nos com obras engajadas com a luta contra o colonialismo. Dono de um expressionismo que tende à abstração, Figueira comparece com dois trabalhos que destacam-se pelo alto conteúdo político e pela paleta reduzida de cores. Mário Lúcio Sousa, diz que "a criação de um homem novo nunca antes retratado exposto nas pinturas de Manuel Figueira, que cuida da estética como se estivesse a cuidar da própria independência cabo-verdiana". Kiki Lima talvez seja quem melhor retrate a cultura das ilhas. Detentor de um expressionismo ensolarado, carregado em cores fauvistas, pinceladas rápidas e ágeis como os ritmos do país, Lima destaca-se por seu traço consistente e visceral, o que gera um paradoxo, pois ao mesmo tempo é lírico e delicado ao representar as mulheres cabo-verdianas. Nas suas pinturas, vemos temas populares com cenas do cotidiano e raízes culturais do cabo-verdiano: são vendedoras de peixe, pescadores, homens conversando, homens e mulheres dançando etc. Tchalê Figueira é irmão de Manuel Figueira, saiu de seu país em direção à Europa ao atingir a idade de alistamento militar para não servir às forças armadas portuguesas, no final do colonialismo. Em sua pintura, temos contato com o expressionismo acentuado nas cores e formas; quebra da perspectiva; caracterização de máscaras nas faces das figuras; formas exageradas da figuração humana; figuras zoomorfas; erotização; certo surrealismo; além de valorizar a representação dos desfavorecidos da sociedade que ambientam a Rua da Praia, local de seu ateliê, que são: contrabandistas, prostitutas, pescadores, artistas, loucos e ociosos. Segundo Mário Lúcio Sousa, “A pintura de Tchalê é ficção permanente, nua e crua realidade cotidiana. Surrealismo na esquina. Tchalê trouxe um dos mais importantes elementos estéticos da arte caboverdeana do séc. XX: ele cria personagens, (...) mas que têm a virtude de representar toda a gente, de ditadores a mendigos, de proletário (pobretário é um termo do Tchalê) a apaixonado.” Bela Duarte procura representar a mulher em atividades do cotidiano relacionadas à pesca. A presença do mar é uma constante em seu trabalho. Miranda Brito denuncia a violência da seca, que tantos flagelos causa aos ilhéus, enquanto José Maria Barreto mostra o cotidiano das pessoas comuns, com forte crítica social. Para finalizar, o artista Abraão Vicente explora múltiplas linguagens, destacando o diálogo com o neo-expressionismo, com forte ironia e apelo social em relação aos antigos dilemas da insularidade do ilhéu. Ricardo Riso

Ai o mar que nos dilata sonhos e nos sufoca desejos! Ai a cinta do mar que detém ímpetos ao nosso arrebatamento e insinua horizontes para lá do nosso isolamento! (Convite da viagem apetecida que se não faz.) Ai o cântico estranho do Atlântico, que se não cala em nós! Talvez um dia inesperado redemoinho de águas passe borbulhante, envolvente, alguma onda mais alta se levante... Talvez um dia... - Quem sabe!... (BARBOSA, Jorge. O mar. In: ANDRADE, Mario de. Antologia Temática de Poesia Africana, Vol. 1 – Na Noite Grávida de Punhais. Lisboa: Sá da Costa, 1977. 2ª ed. p. 19)

Ai o mar

que nos dilata sonhos e nos sufoca desejos!

Ai a cinta do mar

que detém ímpetos

ao nosso arrebatamento

e insinua

horizontes para lá

do nosso isolamento!

(Convite da viagem apetecida

que se não faz.)

Ai o cântico

estranho

do Atlântico,

que se não cala em nós!

Talvez um dia

inesperado redemoinho de águas

passe

borbulhante,

envolvente,

alguma onda mais alta

se levante...

Talvez um dia...

- Quem sabe!...

S/título – Bela Duarte http://www.artafrica.info/html/artistas/artistaficha.php?ida=11

Estiagem Esta secura pregada na garganta Não sei bem se veio do vento Ou das entranhas do inferno. Este horizonte estreito A estrangular distâncias e esperanças Não sei se é feito de sangue Ou de poeira vermelha. (...) Será que perdi a voz Neste mar de sol Onde a paisagem é figura desfocada? Se grito O grito em mim persiste a esbracejar Porque não sai Do poço desta angústia amordaçada. Oh! Quero lagos, lagos, Muitos lagos de água clara Para mergulhar os olhos Oh! Quero campos, campos, Verdes campos Para libertar a voz amordaçada. (FONSECA, Aguinaldo. Estiagem. In: ANDRADE, Mario de. Antologia Temática de Poesia Africana, Vol. 1 – Na Noite Grávida de Punhais. Lisboa: Sá da Costa, 1977. 2ª ed. p. 42-43)

Miranda Brito http://www.caboverde.com/artist/miranda.htm

Sentia-se cansada. A barriga, as pernas, a cabeça, o corpo todo era um enorme peso que lhe caía irremediavelmente em cima. Esperava que a qualquer momento o coração lhe perfurasse o peito, lhe rasgasse a blusa. (...) Pensou em atirar a lata de água ao chão, esparramar-se no líquido, encharcar-se, fazer-se lama, confundir-se com aqueles caminhos que durante anos e mais anos lhe comiam a sola dos pés, lhe queimavam as veias, lhe roubavam as forças. Imaginou os filhos que aguardavam e que já deviam estar acordados. Os filhos que ela odiava! Aos vinte e três anos disseram-lhe que tinha o útero descaído. Bom seria que caísse de vez! Estava farta daquele bocado de si que ano após ano, enchia, inchava, desenchia, e lhe atirava para os braços e para os cuidados mais um pedacinho de gente. Não. Não voltaria para casa. O barranco olhava-a, boca aberta, num sorriso irresistível, convidando-a para o encontro final. Conhecia aquele tipo de sorriso e não tinha boas recordações dos tempos que vinham depois. Mas um dia havia de o eternizar. E se fosse agora, no instante que madrugava? A lata e ela, para sempre, juntas no sorriso do barranco. (...) Atirar-se-ia pelo barranco abaixo. Não perdia nada. Aliás nunca perdeu nada. Nunca teve nada para perder. Disseram-lhe que tinha perdido a virgindade, mas nunca chegou a saber o que aquilo era. À borda do barranco, com a lata de água à cabeça e a saia batida pelo vento, pensou nos filhos e levou as mãos ao peito. O que tinha a ver os filhos com o coração? Os filhos... Como ela os amava, Nossenhor! Apressou-se a ir ao encontro deles. O mais novito devia estar a chamar por ela. Correu deixando o barranco e o sonho de liberdade para trás. Quando a encontrei na praia, ela esperando a pesca, eu atrás de outros desejos, contou-me aquele pedaço da sua vida, em reposta ao meu comentário de como seria bom montar numa onda e partir rumo a outros destinos, a outros desertos, a outros natais. (SALÚSTIO, Dina. Liberdade adiada. In: Mornas eram as noites. Colecção Lusófona. Lisboa: Instituto Camões, 1999. pp. 7-8)

Pintura (1997) de José Maria Barreto http://www.artafrica.info/html/artistas/artistaficha.php?ida=26

Hotel Porto Grande – Bela Duarte http://www.artafrica.info/html/artistas/artistaficha.php?ida=11

Ritmo de Pilão Bate, pilão, bate, Que o teu som é o mesmo Desde o tempo dos navios negreiros, De morgados, das casas grandes, E meninos ouvindo a negra escrava Contando histórias de florestas, de bichos, de encantadas... Bate, pilão, bate, Que o teu som é o mesmo E a casa-grande perdeu-se O branco deu aos negros cartas de alforria Mas eles ficaram presos à terra por raízes de suor... Bate, pilão, bate, Que o teu som é o mesmo Desde o tempo antigo Dos navios negreiros... (...) Bate, pilão, bate, Que o teu som é o mesmo E em nosso músculo está Nossa vida de hoje Feita de revoltas!... Bate, pilão, bate!... (NUNES, António. In: FERREIRA, Manuel. 1975. P. 131-132. Apud: SANTILLI, Maria Aparecida. Literaturas de Língua Portuguesa: marcos e marcas – Cabo Verde: ilhas do Atlântico em prosa e verso. São Paulo: Arte & Ciência, 2007. p.88-89.)

Pintura de Kiki Lima Imagens gentilmente cedidas do acervo digital da Profª Drª Simone Caputo Gomes (USP)

Pintura de Kiki Lima Imagens gentilmente cedidas do acervo digital da Profª Drª Simone Caputo Gomes (USP)

Colina de pedra Ouvi este som dolente repercutindo a saudade da minha alma às minhas almas ancestrais dos degredados e negreiros A morna é um crepúsculo de lágrima desta súbita e antiga recordação (...) O funaná é uma remota e dolorosa saudade de outros horizontes e nele circulam o negro e o negreiro no imenso rio da farsa sobre a ilha Eia estrangeiros ouvi ainda o batuque, o cola, a coladeira, o landum oh a música da tabanka. (ALMADA, José Luís H. À sombra do sol. Praia: Grafedito, 1990. pp. 44-45. Apud: GOMES, Simone Caputo. Ecos da caboverdianidade: literatura e música no arquipélago. Artigo trabalhado em sala de aula durante o módulo de Literatura de Cabo Verde, na pós-graduação latu sensu África/Brasil: laços e diferenças – Universidade Castelo Branco)

Pinturas de Kiki Lima Imagens gentilmente cedidas do acervo digital da Profª Drª Simone Caputo Gomes (USP)

Pinturas de Kiki Lima Imagens gentilmente cedidas do acervo digital da Profª Drª Simone Caputo Gomes (USP)

Estendemos as mãos desesperadamente estendemos as mãos por sobre o mar As ondas não são muros são laços de sargaços que servirão de leite à grande madrugada Nosso amor de liberdade e de justiça será contemplado e nosso povo terá direito ao pão Povo que trabalha Mas não come Povo que sonha e obterá Temos a ternura das nossas ilhas temos as certezas das nossas rochas Estendemos as mãos desesperadamente estendemos as mãos caboverdianamente estendemos as mãos por sobre o mar. (MARTINS, Ovídio. Unidos venceremos. In: ANDRADE, Mario de. Antologia Temática de Poesia Africana Vol. 2 – O canto armado. Lisboa: Sá da Costa, 1979. p. 142)

Motim – Manuel Figueria Óleo s/tela. 1964.

Canto a Cabo Verde Quero Um canto diferente Para Cabo Verde (...) Já não somos Os flagelado do vento leste Dominamos os ventos Já não somos os contratados Como animais de carga para o Sul Conquistamos a dignidade de [gente (...) Por isso Vou cantar De forma diferente Para esta Pátria do Meio do Mar Vou esquecer, enterrar Os lamentos, as lamúrias A tristeza De quem quer ficar Com o destino de ter de partir Não vou chorar A pobreza, a fraqueza A seca A natureza madrasta (...) Canto Para este povo Um canto de alegria (...) ( Apud: ALMADA, David Hopffer. 1988, p. 63-67. In : SANTILLI, Maria Aparecida. Literaturas de Língua Portuguesa: marcos e marcas – Cabo Verde: ilhas do Atlântico em prosa e verso. São Paulo: Arte & Ciência, 2007. p.157-160.)

DMudjer nõs kretcheu lua noba na terá mo na mo luminano caminho – Manuel Figueira Tinta da China s/papel_15x20cm_1974

Momento XII (século vinte, um dia incerto de um tempo de mágoas) Como diria o poeta, choro da dor de me saber mulher feita não para amar mas para ser amada. Choro porque sou e amo. E esterizam-se-me as forças. Uma melancolia sem princípio nem fim possui-me e quedo-me impotente. Um súbito regato de águas claras inundara-me. Dei-me sorrindo. Mas as águas avolumaram-se e senti perder-se a minha alma. Por isso choro. Por me saber mulher e não poder amar. Contudo amo. E na solidão meus soluços se sucedem em canção desesperada. Sinto-me escravizada, tiranizada, violentada. E meu ser nascido livre se revolta. Na impotência se mata. Quem depois se acusará? Por isso quero desvendar os universos proibidos e purificar-me. Penetrar nos bastidores da minha condição humana e lutar contra os preconceitos e a opressão que castram. Desprezar, com ódio acumulado, os fariseus da minha história e voar, na plenitude do meu ser nascido livre, de encontro às aspirações da alma. (DUARTE, Vera. Amanhã amadrugada. Lisboa: Vega, 1993.)

Com um boy na cama – Tchalê Figueira Acrílica s/tela. 200 x 150 cm. 2004. http://www.artafrica.info/html/expovirtual/expovirtual.php?ide=4

Violência Porquê mulher porque continuas indiferente à voz que te chama para a vida Porque continuas sendo sempre sexo à venda em cada esquina seja qual for a moeda que te pagará Seja qual for o preço que de ti exigirão E segues – sendo sempre – objecto por outros escarnecido Sem nunca seres tu própria sem nunca quereres continuamente frustrando-te enquanto satisfazes os outros Desperta-te mulher! pois assim serás para sempre maltratada desrespeitada brutalizada E isso porque o deixas? (DUARTE, Vera. Preces e súplicas ou os cânticos da desesperança. Lisboa: Instituto Piaget, 2005. p. 96)

Tele (come) – Tchalê Figueira Acrílica s/tela. 200 x 150 cm. 2004. http://www.artafrica.info/html/expovirtual/expovirtual.php?ide=4

Tabus em saldo Se tivesse nascido macho era um rapaz, mas como nasceu fêmea é mulher. As fêmeas são sempre mulheres. Mas mesmo mulheres, elas são de todos nós. Para serem protegidas. No entanto, porque já têm tudo para serem motivo de tudo, há outros de nós que as desejam para o folclore da fantasia e para o encobrimento ridículo e camuflado da irracionalidade do estar. De repente – ou não terá sido assim tão de repente? – vamos aos esconderijos privados desta sociedade que dolorosamente ou não, recorre a proibições, enfatiza princípios, agrupa-os em tabus para a defesa mínima de um certo decoro, ou, dando uma de evoluídas, parcelas outras há, que embandeiradas na necessidade de se cortar de vez com a hipocrisia social, em nome do progresso e outros mais, arranham a ferida onde ela dói mais: as crianças e as adolescentes. (...) O negócio rende. Cada espiadela vinte escudos, diz-se. Dois rebuçados ao fim e ao cabo. Barato como quase tudo em Cabo Verde. Barato como nós, a nossa autenticidade, as ambições, os sentires, o orgulho e a existência. Dois rebuçados: o custo de uma espiadela ao clandestino filmado das nossas crianças fêmeas. A gargalhada forte de um grupo de meninas perturba-me de alegria, mas imediatamente olho para os lados com medo que algum fotógrafo, caçador de corpos, esteja por perto para um primeiro contacto. Desisti de querer ver mais. É o que a maioria faz, por cobardia, vergonha e secretos desejos que as coisas ruins deixem de acontecer. Para depois ficam a luta, a briga e a denúncia. E as consciências tranqüilizam-se com a promessa. ... À noite, na televisão, passou um filme sobre prostituição infantil, em várias nuances. Eram crianças americanas. Podiam ser caboverdianas. Era o primeiro dia do Ano Novo de 1992. A primeira noite. (SALÚSTIO, Dina. Mornas eram as noites. Colecção Lusófona. Lisboa: Instituto Camões, 1999. pp. 32-33)

O Banquete – Tchalê Figueira acrílico s/ tela, 150x250 cm, 2004 http://www.artafrica.info/html/expovirtual/expovirtual.php?ide=4

Anti-chuva Os sonhos fedem à chuva e os braços apodrecem ante o frágil tornozelo dos subúrbios (...) os sonhos fedem no aglomerado acocorado de desânimo ante a futilidade dos meses e a inadiável fome de todos os dias e eis-nos, de órbitas alagadas, sem saber o que fazer da turva humidade e do vazio que com os sonhos fenecem (Apud: ALMADA, José Luís Hopffer. À sombra do sol, p. 16. In:GOMES, Simone Caputo. In: Poesia Sempre nº 23 – Angola e Moçambique. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2006. pp. 271-272)

O Profeta dos Bichos – Tchalê Figueira acrílico s/ tela, 200x150 cm, 2004 http://www.artafrica.info/html/expovirtual/expovirtual.php?ide=4

Eu não te quero mal por esse orgulho que tu trazes; porque este ar de triunfo iluminado com que voltas...   ...O mundo não é maior que a pupila dos teus olhos tem a grandeza da tua inquietação e das tuas revoltas.   ...Que teu irmão que ficou sonhou coisas maiores ainda, mais belas que aquelas que conheceste... Crispou as mãos à beira do mar e teve saudades estranhas, de terras estranhas, com bosques, com rios, com outras montanhas – bosques de névoas, rios de prata, montanhas de oiro –   que nunca viram teus olhos no mundo que percorreste...   (LOPES, Manuel. Poema de quem ficou. In: ANDRADE, Mario de. Antologia Temática de Poesia Africana Vol. 1 – Na Noite Grávida de Punhais. Lisboa: Sá da Costa, 1977. 2ª ed. p. 27)

Abraão Vicente http://abraaovicenti.blogspot.com/2007_01_01_archive.html

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