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Revista Outro estilo nº 05- versão web

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Information about Revista Outro estilo nº 05- versão web
Design

Published on February 27, 2014

Author: eduardoaags

Source: slideshare.net

Description

Revista de "life style" e comportamento
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HANNE SAGSTUEN EM UM ENSAIO OUTONO FOLK-GRUNGE 5 MELHORES SANDUÍCHES DE SÃO PAULO POR FELIPE YUNG FLIP EXCLUSIVO CHOQUE CULTURAL BAIXO RIBEIRO, MARIANA MARTINS E EDUARDO SARETTA EM UMA ENTREVISTA HISTÓRICA E INÉDITA DJ FOCKA | NBOX | LINGERIE + ÓCULOS + MEIAS | TOCA-DISCOS | JAIR BORTOLETO | PSYCHO CARNIVAL | SNEAKERS outroestilo.com.br 9 780021 766925 edição 05 | R$ 9,90 05> #05

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outono 2011 pg. 8 indiCE FOtO AlExAndrE viAnnA editorial staff/colaboradores night photos top 6 preferências choque cultural sneakers br psycho carnival priscila miruko jair bortoleto gastronomia meias nbox add to cart hanne sagstuen drinks pra parede roger marx night photos edição 5 Essa edição da revista Outro Estilo tem duas capas. Uma com a tatuadora Priscila Miruko, e outra, inspirada na capa do disco dos Beatles “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, com os artistas da Choque Cultural. 10 12 16 18 20 28 58 66 70 82 88 92 94 100 102 110 114 122 128

outono 2011 PG. 10 EDITORIAL UMA DAS CAPAS DESSA EDIÇÃO é uma imagem histórica com os artistas da Choque Cultural reunidos, clicados pelo fotógrafo Alexandre Vianna, para marcar a principal entrevista desta edição. ZEITGEIST. Uma palavra alemã, cuja tradução para o português requer uma frase inteira: espírito de uma época. E, olhando para essa imagem emblemática da Choque Cultural, o termo Zeitgeist é uma das primeiras definições que vêm à mente. A homenagem à famosa capa dos Beatles, do álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, não é meramente estética: há também uma relevância artística, social e cultural no trabalho desenvolvido pela Choque Cultural. “Essa arte jovem é o novo rock and roll”, palavras de Mariana Martins, sócia-fundadora da Choque, ao lado do marido Baixo Ribeiro e do amigo Eduardo Saretta. É essa história que decidimos contar nessa edição. A história de uma galeria de arte com um projeto nascido e pensado para o século XXI, que enxerga, fomenta e divulga a arte como estilo de vida. A revista Outro Estilo é também resultado desse momento da cultura jovem, acreditando e vivendo esse mesmo lifestyle. Por isso resolvemos entrevistar as cabeças por trás do projeto, relevante e influente, e que dialoga diretamente com o nosso público. Contar uma história que precisa ser contada com detalhes, que muitas vezes passam despercebidos pelos blogs e fotologs do mundo virtual. Uma história que é, essencialmente, a de um outro estilo de viver. 1. RAFAEL SILVEIRA 2. PJOTA 3. MZK 4. ZANSKY, BASE V 5. DANIEL MELIM 6. STEPHAN DOITSCHINOFF 7. DANIEL CUCATTI, SHN 8. EDU SARETTA 9. SPETO 10. DANILO OLIVEIRA, BASE V 11. ROGÉRIO CDR, SHN 12. WHIP 13. TITI FREAK 14. DAVID MAGILA, BASE V 15. CARLOS DIAS 16. FELIPE LOPEZ 17. BRUNO STORT 18. JACA 19. MESTRE JULIO SANTOS 20. PRESTO 21. MARCELO FAZOLIN, SHN 22. NOVE 23. EMERSON PINGARILHO 24. HAROLDO PARANHOS, SHN 25. CHIVITZ 26. CAMILA MINHAU 27. ZNORT 28. YUMI 29. REBECA SANTOS 30. RAMON 31. MAGOO FELIX 32. SILVANA MELLO 33. CARLA BARTH 34. RAFAEL COUTINHO 35. FEFE TALAVERA 36. ZEZÃO 37. BAIXO RIBEIRO 38. MARIANA MARTINS

PH Matias Stoliar *REITE: Contrair os músculos faciais em conseqüência de uma impressão de alegria. / Assumir expressão alegre. DA UR BS RE A R CO ES

outono 2011 pg. 12 staff 1 2 3 5 7 6 8 1. AlexAndre ViAnnA, fotógrafo, jornalista, um dos principais skatistas profissionais da década de 90 e diretor de conteúdo da Editora ZY. Trabalha para deixar um legado cultural dessa sua passagem pelo Planeta Terra. 2. MArcelo ViegAs, é cientista social e jornalista. Editor da revista CemporcentoSKATE, participa da editoria coletiva dessa publicação que você tem em mãos. Faz parte do blog Zinismo, toca numa banda de rock pauleira (ästerdon) e é viciado em Nicorette. 3. douglAs l. Prieto, nasceu bem perto das margens plácidas do Ipiranga em 1974. É redator da Editora ZY. Pai há oito e marido há dez anos, formado em Propaganda e Marketing, encontrou tempo onde achava que não existia e voltou pra escola em 2011, para cursar pós graduação em Jornalismo. 4. luizA sAlAti MAnfrinAto, 25 anos, nasceu em Piracicaba (SP), e hoje mora na capital. Já fez produção para vídeos, estudou Naturologia e trabalhou numa galeria de arte. Pela segunda vez consecutiva, assina a produção da revista Outro Estilo. 5. dAVid toledo, paulistano, fez história como skatista profissional, foi um dos produtores do documentário Dirty Money e hoje trabalha com produção e assistência de fotografia. 4 9 6. guilherMe theodoro, é publicitário pós-graduado em design gráfico. Diretor de arte da Editora ZY, trocou recentemente as noites de leitura pelas incessantes trocas de fralda do Gustavo. 7. AtillA choPA, 32 anos, é fotógrafo autodidata. Um dos grandes nomes da fotografia de skate no Brasil, em 2010 resolveu aprimorar seus conhecimentos, ingressando no curso de bacharelado em fotografia, no Senac. 8. hoMero nogueirA, é um dos mais experientes fotógrafos de skate do Brasil. Com 35 anos, sendo 15 deles dedicados a fotografia, continua lutando pelo respeito e reconhecimento da categoria. Pretende, o quanto antes, correr uma maratona e fazer uma tatuagem, não necessariamente nessa ordem. 9. renAto custodio, é skatista, fotógrafo e “motorista”. Irmão do Marcio e do Gilberto, adquiriu com eles o conhecimento da boa música e incluiu no seu dia-a-dia pelas ruas. 10. Vinicius Albuquerque, 28 anos, é jornalista. Há 8 anos no mercado de Skate, é Diretor de Publicidade e Marketing da Editora ZY. Fã de wakeskate, tem como meta finalizar a primeira metade de seu livro ainda esse ano. 10

Rise With The Fallen James Hardy fallenfootwear.com.br

outono 2011 PG. 14 COLABORADORES 3 15 16 4 9 11 1 12 5 2 10 6 7 14 8 1. GUSTAVO ZYLBERSZTAJN, paulistano, 34 anos, autor das fotos do editorial “Hanne Sagstuen em um ensaio Outono Folk-Grunge”, vem colaborando no mercado há quase uma década. Faz de seu trabalho seu hobby, sua paixão. 9. ANA PAULA NEGRÃO, 33 anos, fotógrafa e produtora. Mora em Los Angeles. É artista da Galeria do Consulado Brasileiro em LA e baixista da banda As Catantes. Adora esportes, aventuras, viajar e Harley-Davidson’s. 2. GABI GARCEZ, é designer, pesquisadora e professora de moda. Gosta de bancar a jornalista de vez em quando, para registrar a cultura e os estilos de vida de hoje. 10. RENATO RIANI, 31 anos, nascido em Guarulhos/SP, fotógrafo, skatista frustrado, viciado em café e adepto do ócio criativo. 3. RODRIGO JUSTE DUARTE, mais conhecido como Digão, tem 35 anos, nasceu em São Paulo e radicou-se em Curitiba aos 17. Dedica suas atividades jornalísticas à cena cultural da cidade, principalmente como repórter, assessor de imprensa e fotógrafo. É o autor das fotos do Psycho Carnival desta edição. 11. ALDINE PAIVA, 33 anos, jornalista de moda e stylist. Nasceu em São Paulo e desde a maternidade foi contaminado pelo aço e concreto, desde então o lifestyle urbano domina sua vida. Quando era criança comia sabonete, na adolescência trabalhou como ator e há dez anos se apaixonou pela possibilidade de usar as roupas como mídia. 4. JULIANA SASSI, 23 anos, formada em jornalismo e ensaiante a cientista social. Escreve para revistas de educação, política e economia, e agora está se arriscando por outras áreas. 12. CAMILA RIBEIRO, 25 anos, trabalha com cabelo e maquiagem e é formada em moda. Apaixonada por beleza, entre pincéis e grampos se diverte na criação de looks despojados. Virou colaboradora da revista OE depois que maquiou a galera do documentário Dirty Money. 5. JUNIORWM, o Dr. Drinks do site Papo de Homem, é mixologista e ex-bartender. Por 8 anos trabalhou atrás do balcão com o prazer de servir e animar a festa alheia. Hoje produz conteúdo em vídeo sobre mixologia, ensinando e popularizando a arte e os segredos de um bom cocktail. www.papodehomem.com.br 6. DIOGO BRASILIANO, 24 anos, diretor de estilo da Agência Tout (atout.com.br) e pai da Beatriz, assina o editorial de moda “Hanne Sagstuen em um ensaio Outono Folk-Grunge” nessa edição da OE. 7. ANDRÉ BUENO, paulistano, skatista e Repórter Fotográfico, formado em Propaganda e Marketing e se especializando em “Gestão da Comunicação: Políticas, Educação e Cultura” na USP. Fotografa para as Agências de Fotojornalismo Estado e Folhapress. 13. LUIZ COSTA, mora em São Paulo, nasceu em São Paulo e quer morrer em São Paulo! Se especializou em fotografar pessoas nas melhores casas noturnas da cidade devido a variedade de tipos e situações que esse ambiente pode proporcionar. 14. THOMAS LOSADA, 31 anos, é videomaker, skatista e artista gráfico. Gosta de músicas mofadas e está sempre viajando em busca de lugares inusitados pelo Brasil, tanto pra trabalhar quanto pra se divertir. Nessa edição da OE, fez a diagramação de algumas matérias. www.andrebueno.com.br 15. FLÁVIO GRÃO, educador, fanzineiro e desenhista/pintor. Criado no ABC Paulista, atualmente reside na Vila Mariana, mas não esquece suas raízes. Nessa edição da revista, participou da entrevista da Choque Cultural. 8. DHANI B, um dia gostaria de ser garoto propaganda da bebida Bum Bum Alcoólico, mas até isso acontecer, se contenta em ser fotógrafo freelance e professor de fotografia em projetos sociais como a Escola dos Fotógrafos Populares no Complexo do Maré. 16. TIDE MARTINS, 23 anos, é maquiador e cabeleireiro. Apaixonado por imagens, adora usar seus pincéis e tesouras para embelezar uma mulher. Atualmente trabalha no Salão Capitu Cabelo, em São Paulo. 13

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outono 2011 pg. 16 night photos fernando pappi fernando somer guilherme fogagnoli decapital fotos luiz costa bret frederick reginaldo 16 toneladas e gustavo ballesté ammie graves bruno dum e ranny gurjol felipe boi, fernando kakehi e andré bugalu edu leite e isabela dj layo rubio e any fe pin e propulse veronica kirkovics ferdi gi gigante guedes larissa, chacal e athena javier rial caca toledo e cuca couto

marCelini monteiro Carol marques, Claudia putinato e maria paula osCar bueno gabi bassani e paulo ana paula lima Camila zanon e van nobre ro Clash Carlos troya mariana d’oliveira e Cassiano bonjardim juliana oliveira e amiga thais ferreira lima e rafael galvão

outono 2011 pg. 18 TOP 6 TExTO mARCELO ViEGAS E FOTO ATiLLA CHOPA DJ FOCKA Pergunte no Baixo Augusta, região boêmia de São Paulo, quem é o Eduardo Ferreira. Ninguém, ou quase ninguém, saberá responder. Agora pergunte pelo DJ Focka e vai perceber a diferença. Figura carimbada no cenário underground paulistano, Focka vem animando festas roqueiras desde os anos 90, tendo no currículo passagens por casas noturnas como SubJazz, CB, Torre do Dr. Zero, Berlin, Funhouse, Gloria, Nox (Recife) e Black Box (BH). No exterior, já discotecou no Buffalo Bar (Londres) e Engine Room (Brighton). Hoje, aos 38 anos, o filho da Casa Verde, zona norte de SP, é residente nas festas Rockfellas (Vegas), On The Rocks (D-Edge), Dale! (Alberta) e 6 Degrees (Lions). Eis seu setlist para o Top 6. C M Y CM MY CY CMY K 1 música pra levantar a pista 2 música que toda noite é pedida 3 música que você adora, mas nunca discotecou “Puss ‘N’ Boots” - New York Dolls “Psycho Killer” - Talking Heads “Kiss The Bottle” - Jawbreaker. Acho ela linda, mas não tem nada a ver com pista 4 música que você mais tocou até hoje “Blitzkrieg Bop” - Ramones 5 bandas novas que recomenda 6 música que melhor define a noite de sÃo paulo The Maccabees, The Virgins e The Floor Is Made Of Lava. Ah, e acho bem legal o último disco do Arctic Monkeys “Death Or Glory” - The Clash

LO JA B I L L A B O N G O S CA R F R E I R E R . O S CA R F R E I R E , 9 0 9 - JA R D I N S TEL: (11) 3081-2798

outono 2011 pg. 20 preferências texto marcelo viegas e fotos dhani borges

Dos shows quentes (literalmente) no Hotel Pelourinho, em Salvador, em meados dos anos 90, até o palco do VMB, para um dueto com Erasmo Carlos, em 2009. A trajetória de Érika Martins atravessou esses extremos, que conduzem do underground ao mainstream, mas sem perder as raízes. No caso da cantora paulista, criada na Bahia e atualmente morando no Rio de Janeiro, o essencial foi preservado: do início da caminhada ao lado da banda Penélope Charmosa (depois virou apenas Penélope) até o atual estágio da sua carreira solo, a sonoridade não foi adulterada. A voz doce, à serviço do rock and roll, é marca registrada desde os primórdios, ainda que hoje o tom seja muito mais soft. Casada há nove anos com o músico Gabriel Thomaz, Érika prepara-se para entrar em estúdio para as gravações do seu segundo disco solo, além de dividir o palco com o maridão, no projeto Lafayette e os Tremendões. Não pára por aí: ainda sobra tempo pra conduzir um inusitado Karaokê orgânico intitulado Chuveiro in Concert e estreou recentemente, na Cidade Maravilhosa, o show Modinhas. Confira as preferências da cantora. ET no nicho “Fiz esse nicho especialmente pro meu ET, queria que ele ficasse no meio da sala, achei divertida a ideia!”

Objetos antigos de cias aéreas “Frasqueiras e bolsas da Japan Airlines e TAP, porta fita cassete da VARIG e, o mais legal na minha opinião, talheres da Transbrasil, VARIG, VASP e etc. Super achados em antiquários e feiras de antiguidade!” A vista da nossa janela “Às vezes estou viajando por tanto tempo, que até esqueço onde estou... daí, olho pela janela e não tem como não lembrar que cheguei no Rio!” Coleção garrafas de refrigerante + engradados + mini Coca-Cola “Tem várias coisas especiais: garrafas e engradado dos anos 70 do Grapette, garrafinhas de Coca-Cola... Acho muito legal também o engradado da Afri Cola que veio diretamente da Alemanha.” Cílios Postiços “Diretamente de Buenos Aires, são originais dos anos 50/60, com embalagem e tudo! Adoro os dizeres: ‘Cosmética Científica’! Um luxo!” Fofolete “Essa é dos anos 80 e herdei da minha irmã mais velha. O mais incrível é que vivendo essa época atual chata do patrulhamento, ela não escaparia jamais! A embalagem era uma caixa de fósforo, com uma foto de várias Fofoletes segurando cigarros! No folheto que vinha dentro, ela aparecia numa mesa de jogos, apostando, bebendo champanhe, brincando com fogo... Sensacional!” Geloso “Gravador de rolo portátil rosa da marca italiana Geloso, anos 50. A propaganda da época, mostrava uma pessoa no avião, gravando com um microfone. Era super novidade um gravador menor e mais leve que ia a todos os lugares.” Quadro moldura amarela “Tem um super destaque na nossa sala. Foi feito pelo meu pai nos anos 70.” Bolsas “Sou apaixonada por bolsas, tenho mais de 100! Mas sou extremamente seletiva e gosto de exclusividade - a maior parte é antiguinha mesmo (anos 60, 70 e 80). Tenho várias de baquelite, que são bem raras, mas a cereja do bolo é uma bolsa revista dos anos 70 (era moda na época), eu nunca vi outra igual.” Lou Reed – “Pass Thru Fire: The Collected Lyrics” “Livro com as letras, a edição é linda. Foi o primeiro presente que o Gabriel me deu, logo quando começamos.”

Gabriel Thomaz é sinônimo de Rock! Nascido em Brasília, uma cidade que nos anos 80 ditou os rumos do Rock nacional, Gabriel enfrentou uma realidade bem diferente nos anos 90, quando tocava no Little Quail and The Mad Birds: “quando a gente começou, o Rock era uma coisa bem fora de moda, tava todo mundo na onda da lambada e do axé”, afirma. “Nossa geração deu nova vida ao Rock de Brasília”. Sua escolha de vida estava feita, e desde então vem batalhando no cenário musical: com o Autoramas, banda que fundou em 1997, construiu uma sólida carreira. São quatro álbuns oficiais, coletâneas editadas na Argentina, Japão e Europa, além do CD “MTV Apresenta Autoramas Desplugado”. O Power trio já rodou por todos os estados brasileiros, e também cruzou a fronteira, com tours no Japão (ao lado do Guitar Wolf), Europa e América do Sul. Outro projeto de destaque no currículo é a banda Lafayette e os Tremendões, na qual toca ao lado da esposa Érika Martins, e que já tem um CD lançado. O casal mora num apartamento na Glória, no Rio de Janeiro, e foi de lá que Gabriel listou suas coisas preferidas. Quepe “Pertenceu ao meu avô, que era Coronel Aviador da Aeronáutica. Guardo com muito carinho.”

Som-Game “Essa é uma bizarria dos anos 80, um amplificador com um tape-deck acoplado, com várias entradas pra microfone. Em Brasília, gravei um monte de bandas com esse aparelho, e a qualidade era bem legal!” Máscara do Daddy-oGrande autografada “É muito legal porque é uma máscara de lucha libre que não é de um lutador, e sim de um guitarrista. É um modelo exclusivo dele. Tocamos com ele na França e voltei pra casa com a máscara na bagagem.” Coleção de Zines “Junto essas tralhas desde moleque, tenho 5 pastas com um monte de zines guardados, os que mais gosto são os mais antigos, início dos anos 80...” Estante de singles (ou compactos, ou 7 polegadas) “É o meu formato preferido quando compro discos, tenho um montão...” Pôster “Me Deixa De Quatro” “Uma vez fomos tocar em Manaus, e entrei num sebo que tinha um monte de posters originais de pornochanchadas brasileiras dos anos 70. Comprei todos e distribuí entre os amigos, esse foi o que eu escolhi aqui pra casa.” Prêmio da MTV “Foi um momento muito feliz, quando fomos um dos artistas mais premiados no VMB em 2005, com o nosso clipe de ‘Você Sabe’, que realmente foi muito bem feito pelo grande Luis Carone.” Carteira do Devo “Souvenir de uma das minhas bandas preferidas.” Cadeira de avião “Essa meu avô também é responsável. Ele conseguia várias peças de aviões desmontados, e minha mãe transformava em peça de decoração. Desde que nasci me acostumei a ter essas coisas em casa, mas só comecei a entender como isso era diferente e único vendo a reação das pessoas que vinham à minha casa.” Calendário do Guitar Wolf “Os japas todo ano lançam um calendário, e nas datas têm os aniversários de grandes astros do Rock como Elvis, Joan Jett, Iggy Pop... E tem o meu aniversário também! Fiquei muito feliz de ser incluído nessa lista.”

outono 2011 pg. 28 EntrEvista intrO MarCElO viEGas EntrEvista MarCElO viEGas, alExanDrE vianna E FláviO GrãO FOtOs arquivO ChOquE Cultiral CHOQUE CULTURAL ARTE COMO ESTILO DE VIDA Dizem que três é um número mágico. E foi justamente com a união de três cabeças que nasceu a Choque Cultural. Mariana Martins, Baixo ribeiro e Eduardo saretta. Juntos implantaram no Brasil um novo conceito em Galeria de arte. Jovem e apta a dialogar com a atual geração, a Choque na verdade vai além do habitualmente esperado de uma Galeria. Faz mais. E faz bem feito. tudo começou em 2003, com a Editora Choque Cultural. O espaço expositivo só veio um ano depois. instalada desde então no bairro de Pinheiros, na capital paulista, a Choque acompanhou, difundiu e incentivou a ascensão do novo cenário da arte contemporânea brasileira. Em pouco tempo conseguiu mostrar muito serviço: fez e continua fazendo história, ao lado de artistas talentosos que encontraram na Choque uma parceira ideal para seus projetos. Para conhecer melhor essa história (e também as pessoas por trás dela), a revista Outro Estilo fez uma tripla entrevista, exclusiva e inédita. Pela primeira vez os três sócios juntos na frente de um gravador. nada mais justo, afinal foi unindo forças - e ideias, muitas ideias - que formataram e construíram a Choque Cultural, um novo modelo de Galeria, que enxerga, estimula e promove a arte como estilo de vida.

Na página ao lado Obras do artista Znort Nessa página Acima obra da artista Carla Barth e ao lado Silvana Mello

PRÉ-CHOQUE “A Choque é uma invenção da Mari. Como somos casados há muito tempo, é lógico que formamos a coisa juntos, mas realmente a Mari é quem tem essa ascendência das Artes Plásticas, pai artista (Aldemir Martins), viveu no contexto da arte brasileira desde a infância.” Baixo Ribeiro Znort Seria legal começar falando de vocês, de onde vieram, como se conheceram... Mariana: É divertido porque cada um veio de um lugar diferente. Eu estudei junto com o Baixo, mas o Baixo entrou na faculdade de Arquitetura pra fazer Moda, porque não existia nada de Moda. Isso foi no começo dos anos 1980. E eu entrei na Arquitetura pra fazer Artes Plásticas, porque na Arquitetura era o lugar que tinha as melhores oficinas de gravura, tipografia, toda essa parte prática das Artes Plásticas tinha na FAU. E o Edu é historiador. Baixo: Vamos falar do começo do começo: a Choque é uma invenção da Mari. Como somos casados há muito tempo, é lógico que formamos a coisa juntos, mas realmente a Mari é quem tem essa ascendência das Artes Plásticas, do pai artista (Aldemir Martins, 1922-2006), viveu no contexto da arte brasileira desde a infância. O Aldemir é um cara que veio do interior do Ceará (Ingazeiras, no Vale do Cariri) e fez muito sucesso como artista plástico, no meio mais intelectual e conceitual de arte. Ganhou prêmio na Bienal de Veneza de 1956, que era uma “Copa do Mundo” em termos de importância. Ele não fez escola formal de arte, nunca foi um sujeito altamente intelectual, mas foi muito importante pra toda a cena artística, e não apenas das artes plásticas. Ele influenciou o Glauber Rocha, incentivou a Tropicália, etc. E esse legado do Aldemir veio com a gente. Além disso, a madrinha da Mari fez a primeira galeria de artes do Brasil, no Rio de Janeiro. Mariana: Galeria Bonino, na década de 60. Antes haviam galerias, mas eram mais antiquários, vendiam mais antiguidades. Minha madrinha já tinha uma galeria em Buenos Aires, que na época (anos 50) era a capital cultural da América do Sul, e aí resolveu fazer no Rio de Janeiro, que era o lugar onde as coisas aconteciam. E fez uma galeria de arte moderna, uma coisa que não existia. Pra dizer a verdade, foi o começo das galerias do tipo ‘cubo-branco’. Depois que vocês (Baixo e Mari) se formaram na faculdade, qual caminho seguiram? Mariana: Eu me formei, e então nos casamos. Isso foi em 1986. É muito importante essa data, pois é o ano do Plano Cruzado. Daí em diante, tudo foi por água abaixo. Fazíamos qualquer coisa pra sobreviver. Fizemos figurino e animação de festa, decoração, vendemos papel de parede... Baixo: Ali por 89, 90, tínhamos um grupo que fazia cenografia e figurino pra peças de teatro de graça! (risos) E logo depois trabalhamos com os irmãos Gullane (Gullane Filmes), que eram palhaços na época, e nós fazíamos o figurino dos palhaços. (risos) Mariana: E a cenografia de graça era com o Maurício Villaça, precursor do graffiti no Brasil! Baixo: E trabalhamos também no filme “Cidade Oculta”, do falecido diretor Chico Botelho, com o Arrigo Barnabé, filmado todo nas dragas do Tietê. Ou seja, fizemos coisas bacanas, interessantes, só não tinha grana... Mariana: Não tinha dinheiro nenhum. A gente ficava contente quando tinha trabalho... Baixo: Mas tinha um espírito colaborativo que me ensinou muito do que a gente exerce de colaboração hoje em dia. E você (Baixo) foi mais pro lado da Moda... Baixo: Mais ou menos em 1986 eu comecei a me envolver com uma coisa muito legal: a Rhodia tinha um projeto de profissionalizar um pouco mais o mundo da moda, e investiram em vários estilistas jovens. Trouxeram uma professora de um estúdio de moda francês, Marie Rucky, super influente na época, e ela se juntava com esses novos estilistas. Reinaldo Lourenço, Glória Coelho, Tufi Duek, Ocimar Versolato, entre outros. Era uma turma bacana e eu trabalhava com eles, pensando em maneiras de transformar a moda num negócio menos tosco e precário como era. E, por incrível que pareça, é um pouco o que estamos fazendo com as galerias de arte hoje no Brasil, 25 anos depois. Estamos juntando todas as galerias, começando pelas mais influentes, para pensar como organizar o setor, como criar escolas, etc. Porque existem vários artistas e várias galerias, mas não tem nada no meio: os técnicos não existem. Por exemplo, hoje se você pega a Faculdade de Moda, a menina que vai estudar tem diversas possibilidades de trabalho, não precisa necessariamente ser estilista: pode ser especialista em cor, especialista em tecido, especialista em marketing, em vitrine, é uma coisa gigantesca. E na arte é a mesma coisa. A gente sabe que nem todos os estudantes nas faculdades de artes querem ser artistas, mas querem trabalhar com arte de alguma maneira. Enfim, essa época me deu muita noção de como organizar setor.

NOVEMBRO DE 2003 A impressão de sete gravuras do artista Speto marca o início de um projeto de arte acessível para uma nova geração. ABRIL DE 2004 A realização do projeto “Coletivo Rua” na cidade de Americana, interior de São Paulo, foi um embrião para a união entre os novos artistas vindos da rua. Um stand da Choque com as primeiras séries de gravuras foi montado nessa coletiva. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 LINHA DO TEMPO CHOQUE CULTURAL

“Foi graças ao João Pedro, nosso filho, que descobri esse mundo do Fotolog, e vi que todos os artistas de rua estavam usando o Fotolog para divulgar seus trabalhos.” Mariana Martins Você trabalhou muitos anos no mercado de Skate... Baixo: Comecei a trabalhar com moda junto com a galera mais fashion, só que o ambiente realmente não me agradava. Então, no meio dos anos 90, comecei a trabalhar com Skate, que me parecia um negócio muito mais interessante em termos de comunidade. A comunidade fashion era um monte de estilistas jovens, com ideias novas, mas fazendo roupa para pessoas mais velhas. Trabalhando com Skate eu me encontrei. O público mais jovem era o que eu queria. Fiquei nessa área por muito tempo, até mais ou menos final de 2005. Era isso que bancava a Choque. (risos) E o Edu? Fale um pouco da sua história... Edu: Fui criado no interior de SP, sou de Ribeirão Preto mas criado em America- na. Venho de uma família de professores. Meu pai era dentista, mas também era professor. Minha mãe bióloga, e professora. Meus avós foram da primeira geração de professores de Educação Física formados na USP. Fui criado para sair de casa, para estudar fora, pra me virar sozinho o quanto antes. Estudei História em Ouro Preto (MG). Não tinha ainda o foco de estudar arte, até porque o curso de História dava mais um panorama geral, não tinha muito especialização. Acabei tendo muito contato com fonte primária, e estudei História da Imprensa no Brasil. Fiz um mestrado na USP, mas na hora de defender o mestrado acabei perdendo uma data, e era uma fase que não aguentava mais ficar dentro da faculdade. Ao mesmo tempo, com meus camaradas em Americana, estava vivendo aquela época da cena independente musical dos anos 90, aquela dificuldade de conseguir um som... Isso foi importante na formação, a busca por um fanzine, por um disco novo. Em Americana, costumávamos dar de aniversário fitas gravadas. Por exemplo, eu tinha o disco do Ramones, gravava uma fita e dava de presente. Tinha um lance de não se passar som, porque era foda de descolar... (risos) Esse grupo de amigos do interior permanece até hoje. E, por fim, mais ou menos em 98, formamos um coletivo de arte (SHN). O SHN é o fruto de um monte de moleque sem ter o que fazer e o pai de um deles ter uma fábrica de adesivos. Os restos dos adesivos, que eles jogavam fora, é um material muito rico. Fazíamos o convite da festa da banda de rock da turma, fazíamos o adesivo da banda, a ficha da cerveja era um adesivo... E o negócio foi frutificando, até começarmos a nos ligar numa cena internacional de adesivos e posters. E como os três se conheceram? Edu: Foi pelo Fotolog. (risos) Mariana: Foi em 2003, eu lembro bem. Mas a gente já vinha pensando nesse nome (Choque Cultural) desde 2001, 2002... Baixo: Mas os primeiros prints só vieram em 2003, com o Speto. Foi todo um experimentalismo até acertar o formato, o tipo de papel, etc. Mariana: A gente usa a palavra “print” por falta de boa palavra em português, exatamente. Serigrafia poderia ser, mas às vezes a gente faz prints em outras técnicas litografia, xilogravura, stencil, impressão digital, gravura em metal. Gravura implica em que algo foi “gravado”, o que não é o caso da serigrafia, mas talvez seja a melhor tradução de “print”. Poster parece impressão industrial, offset, mas ainda acho uma boa palavra, apesar de não ser exatamente em português... Baixo: As primeiras gravuras a gente fez com o pessoal que faz shape. Nós conhecíamos um monte de oficinas de gravura, e poderíamos ter optado por esse caminho, mas achamos que não era esse o espírito. Queríamos começar com uma coisa com cara mais leve, mais de pôster, enfim... Mariana: Queríamos um caminho mais acessível mesmo, não apenas que a gravura fosse mais barata, mas que ela tivesse uma ligação mais fácil até com o próprio artista. Baixo: Nós tínhamos consciência muito clara do que estávamos fazendo e do que iríamos fazer. A Choque estava clara pra gente. Não todos os detalhes, mas o essencial do que estávamos fazendo: estávamos pegando uma geração de artistas muito talentosos, que conhecíamos pessoalmente – Magoo, Osgemeos, Titi, Vitché, Speto, Tinho, Binho -, e alguns deles já tinham feito camiseta pra New Skate, e ganhado um dinheirinho que era fundamental pra sobrevivência da galera durante um período... (risos) Enfim, sabíamos que era uma galera talentosa. Por outro lado, também vivíamos e entendíamos o mundo da arte, o Aldemir ainda era vivo e tal, e víamos que tinha uma distância muito grande entre uma coisa e outra. E não era pra ter! Não podia existir um grupo de artistas relegados a um segundo plano e o mundo da arte continuar fechado, sisudo, afastando as pessoas... Mariana: O mundo das artes era um coisa muito das elites. Eu detesto esse termo “elites”, mas era assim... A leitura que você tem que ter de uma arte conceitual é uma coisa de quem já estuda arte há muito tempo. E foi graças ao João Pedro (Jotapê), nosso filho, que descobri esse mundo do Fotolog, e vi que todos os artistas de rua estavam usando o Fotolog para divulgar seus trabalhos. Foi assim que conheci Magoo Felix

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 AGOSTO DE 2004 Os encontros de diversos artistas na Rua João Moura já apontavam uma cena efervescente. A vinda do fotógrafo Tristan Manco (foto abaixo) para o Brasil, nesta mesma época, para editar o livro Grafite Brasil, também injetou ânimo. Em agosto, no meio desse início de união e reconhecimento, acontece de forma quase espontânea a Festa do Tapume.

“Todo mundo já tinha sua coleção de sneakers em casa, mas ainda sem chamar isso de coleção de artes.” Baixo Ribeiro o Zezão, pelo Fotolog. O meu filho e os amigos dele já se interessavam por essa história de sticker, boné, camiseta, skate, tatuagem, etc. Um dia, entramos com o Jota numa galeria de artes tradicional, e percebi que meu filho estava meio passando mal. “Eu detesto esse lugar limpo, me dá aflição, é horrível”, ele disse, e aí eu saquei que essa geração do meu filho tem acesso a muita informação ao mesmo tempo, o vídeoclipe, a tela do computador aberta com cinco coisas diferentes, MSN, Fotolog, email, Youtube. Ou seja, eles não se sentem bem no ambiente limpo da galeria tradicional. E pensei que deveria haver um espaço pra essa geração, que estava interessada em arte, mas não era arte tradicional. Fiquei pensando o que seria da vida do meu filho, o que ele iria fazer? Vai fazer escola de artes e virar um artista conceitual? O negócio dele é desenhar, se entrasse numa faculdade poderia estragar isso. Ele precisava de um espaço de trabalho, um mercado novo, um outro espaço. Baixo: Tínhamos consciência que existia uma geração de artistas com muito talento, uma geração nova de gente interessada em arte, e de alguma maneira já estava até consumindo arte, através de tênis, boné, camiseta, etc. Todo mundo já tinha sua coleção de sneakers em casa, mas ainda sem chamar isso de coleção de artes. Mas havia sempre a marca corporativa na coleção, e precisávamos fazer uma ligação direta entre os novos artistas e os novos colecionadores. O mundo da arte precisava dessa energia nova, e também porque o sistema da arte é muito inclinado a elitização, a concentração de riquezas. Nesse sistema de arte que existe, quanto mais famoso o artista, mais ele vale, e em menos coleções ele pode estar (porque as pessoas precisam ser muito ricas pra adquirir), e isso concentra cada vez mais a riqueza em menos mãos. Precisávamos, de alguma maneira, alterar isso. O jeito mais racional de alterar esse modelo era trazendo mais gente pro mercado de arte. Por isso optamos por fazer gravuras, montar uma galeria e vender coisas, e não fazer uma escola de arte. Achamos que o mais interessante era criar situações de sustentabilidade para esses artistas, para que eles conseguissem se manter produzindo e ampliassem sua produção. Era um jeito de dizer que existe um novo mercado de arte, feito por jovens, que já estão colecionando sticker, boné, etc, e que podem começar a colecionar arte vindo diretamente do artista, sem precisar da marca no meio. Esse foi o início, o start da Choque. O NASCIMENTO DA CHOQUE E esses prints foram o começo da Choque... Mariana: Isso, começamos a fazer esses prints com os artistas que conhecíamos, e montamos um “escritorinho” pra vender esses prints, porque não queríamos ainda abrir uma galeria. Queríamos vender esses prints para galerias e outros lugares. E durante essa fase de produção, pesquisando os artistas no Fotolog, eu conheci o Edu. Aliás, conheci o Zezão e o Edu juntos, no final de 2003. Ainda não era nem uma galeria aberta, mas o Edu foi lá colar umas coisas na parede. Aí nos conhecemos, fomos ficando amigos, e nesse processo o Edu ficou desempregado. O Baixo ainda trabalhava com Skate nessa época, entrava às nove, saía às seis, aquele negócio... A casa onde fica a Choque, era dividida entre o lugar onde mostrávamos os prints (mas que vendíamos pela internet) e embaixo tinha o escritório de moda, onde o Baixo trabalhava, fazendo as coisas de Skate. Edu: Nessa mesma época, rolou uma coisa que considero importante. Em 2004, o Museu de Arte Contemporânea de Americana me convidou (junto com o Haroldo e o Daniel, que fazem o SHN comigo) pra fazer uma exposição de coletivos. Chamamos o Zezão e a turma dele do graffiti, o Base-V, o Stephan (Doitschinoff), o Carlinhos (Dias), o Onesto... Baixo: Foi a formação do primeiro plantel da Choque. Edu: Um grupo que ainda hoje continua trabalhando. E foi um momento que o Baixo e a Mari tinham umas seis gravuras publicadas, e fizeram uma banquinha para vender na exposição. Não vendeu nenhuma gravura, lógico. (risos) Mariana: Mas foi um acontecimento muito legal. Baixo: Foi muito importante a reunião de todos esses artistas. E foi uma exposição colaborativa, que misturava peças e parede. E isso contou mais ou menos a cara do que a gente faria na Choque. Somando o laboratório que já vínhamos fazendo com essa exposição, criou-se o ambiente da galeria. Mariana: E depois disso o Edu ficou desempregado, e dissemos “Edu, cola aí e vamos ver o que a gente consegue fazer”. Edu: Eu não fui chamado pra ser um “funcionário”. O Baixo primeiro pediu que eu organizasse o mailing, e me pagou 200 reais pra organizar o mailing durante um mês. Aí fiz esse trampo, e disse pro Baixo que para que a gente aparecesse no mapa da artes, deveríamos ter uma exposição. E acabei ficando, ficando, ficando, e fiquei. Pacoteira

No dia 2 de Novembro, dia dos mortos, abre oficialmente a Galeria Choque Cultural, na Rua João Moura (Pinheiros – São Paulo/SP), com a Expo Calavera. DEZEMBRO DE 2004 Lançamento da Pacoteira, um “encarte” com vários objetos: stickers, botons, zines, desenhos e gravuras, uma pequena amostra do universo criativo da Choque Cultural. JANEIRO DE 2005 No dia do aniversário de São Paulo, 25 de Janeiro, abre a segunda Expo na galeria, “Catalixo”, em comemoração aos 451 anos da cidade. FEVEREIRO DE 2005 Um novo e inovador projeto foi criado: “tela dos 7 dias”, do Speto. Se a tela não vendesse em 7 dias, o artista pintava uma nova obra por cima, deixando apenas alguns elementos da anterior. Foram três semanas. MAIO DE 2005 Expo Carajá, do artista Nunca, marcou o início da sequência de exposições que a partir daquele momento aconteceriam numa frequencia de 12 exposições por ano. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 NOVEMBRO DE 2004

“A casa da Choque eu comprei em 1992, com a grana de um quadro que ganhei de um amigo do meu pai, o Antônio Bandeira. 50 mil dólares. Levou 6 anos pra vender. Quando vendeu, comprei uma casa e saí do aluguel.” Mariana Martins Baixo: Chegou uma hora que dissemos que ele deveria ser sócio. Tudo bem que a gente não ganha dinheiro, mas vamos não ganhar dinheiro juntos! (risos) Edu: Foi uma coisa bem generosa da parte deles e que acabou definindo minha vida. Qual foi o investimento inicial pra montar o espaço expositivo? Baixo: Foi o aluguel de uma casa por um ano. E mais o investimento da produção de gravuras. Mariana: Acho que foi cinco mil reais que eu tinha pra produzir as gravuras. O meu pai me deu um quadro pra vender, esse quadro foi vendido por cinco mil reais, e investi tudo em gravuras. Isso antes do espaço expositivo. A casa da Choque, que eu também comprei, foi com a grana de um quadro que ganhei de um amigo do meu pai, o Antônio Bandeira. Ele morreu em Paris, em 1967, e o quadro ficou valioso, estava avaliado em 50 mil dólares. E eu estava numa dureza, e botei o quadro pra vender. Levou 6 anos pra vender. Quando vendeu, comprei uma casa e saí do aluguel. Isso foi em 1992. Escolhi aquela casa já pensando em fazer alguma coisa, abrir uma loja, um negócio. E a João Moura (rua onde fica a Choque Cultural, no bairro de Pinheiros) fica atrás da Benedito Calixto, que já tinha umas lojas de design, fica no caminho entre Vila Madalena e Jardins, perto da Teodoro Sampaio. Um lugar legal, e bem comercial. Moramos mais de 10 anos nessa casa. Edu: O legal é que vocês conhecem todo mundo ali da rua, do bairro. E a Choque tem essa proposta também, de atuar no local, na comunidade. Baixo: Nós queremos realmente transformar aquela região num ambiente cultural. Um ambiente cultural modelo. Não é um grande prédio, um centro cultural instalado no meio da Cracolândia achando que isso resolveria o problema. É o contrário: são coisas acontecendo no núcleo, envolvendo a comunidade do local... Mariana: Não é importante o prédio, mas sim a cultura humana que está em volta. Baixo: A região da Choque tem a loja de móveis de design dos anos 50/60, tem a loja de arte indígena, tem a loja de tambores, tem a Benedito Calixto, tem a biblioteca, etc. As pessoas já estão olhando para aquele lugar como um centro de irradiação de energia criativa. É um modelo novo, de criar um ambiente cultural forte, e transformar a região. Outro aspecto importante da Choque é a ligação forte com a cena musical independente. Tanto que vários artistas tocavam em bandas, como o Carlos Dias (Againe/Polara), a Silvana Mello (No Violence/Lava), etc. Como é essa relação? Mariana: Quando eu queria conhecer alguma banda nova, sempre buscava o que os skatistas estavam ouvindo. Sempre era coisa boa. (risos) E quando o Baixo começou a trabalhar com Skate, eu perguntei: “Bom Baixo, o que está rolando de som?” (risos) Edu: Nos anos 90, depois do grunge, a turma começou a montar banda. E no interior rolava um intercâmbio entre o pessoal de Campinas, Sorocaba, Americana... Existia um network montado, por causa de banda de rock independente. A banda de outra cidade vinha tocar na sua área, o outro fazia fanzine, marcava um show em São Paulo, e isso fazia a informação circular. E aí, depois de muitos anos, já morando aqui em São Paulo e começando a trabalhar com o Baixo e a Mari, percebemos que o network já existia há muitos anos. Eu já conhecia a galera do rolê: o Carlinhos, o Farofa, a Silvana, etc. Eu não tocava, mas sempre estive junto com a galera. Baixo: Tem a música, e tem a festa, que é onde se congrega a tal da comunidade. E tem também o lance do “do it yourself” (faça você mesmo)... Mariana: Exatamente. Quem vai fazer a galeria? Nós mesmos! Baixo: Outra coisa que sabíamos, desde o início, é que precisávamos fazer uma es- cola, mas não podia ser uma escola chata. Todos os artistas tinham uma certa falta de formação profissional. Não artística, artística todo mundo tinha formação até demais! Todos sabiam o que estavam fazendo. Nós acrescentamos outras técnicas. Os artistas falavam “eu faço bastante graffiti”. E nós: “Beleza, então vamos fazer xilogravura?” Esse estímulo foi uma coisa que colocamos desde o princípio, que está no coração do negócio. E, além disso, tentamos também complementar as falhas profissionais. Por exemplo: como se postar frente a um curador? Como se posicionar frente a um museu? Como se colocar frente a imprensa? Enfim, como se colocar no mundo da arte. Isso é uma coisa muito complexa. Pra se colocar, você precisa se entender como artista, se respeitar, e dizer “sou tão artista quanto qualquer outro artista e meu trabalho tem valor”. Parece simples, mas não é. As vezes pegávamos uns artistas com um conflito interno: “eu pinto pra me divertir”, sabe? Mas aí tem filho, casa, e percebe que quer viver de sua pintura, de sua arte. Não querem ter um job e fazer arte só de fim de semana. E quando o cara escolhe isso, passa a ser um profissional. E nós precisamos dar o suporte pra ele se transformar num profissional bom, porque profissional tosco não vai pra lugar nenhum. E a gente fez essa escola. Silvana Mello

Em 18 de março é lançado um divisor de águas: “Choque Cultural na Fortes Vilaça – Fortes Vilaça na Choque Cultural”. Um marco profissionalizante para os artistas da Choque. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 MARCO DE 2006

Obras do artista Pjota

“Temos um plantel em torno de 20 artistas, fora os internacionais que a gente representa. E como temos essa ideia da formação, da escola, então temos uma base muito grande de artistas, que nenhuma outra galeria tem, que chega a 100 artistas, entre nacionais e internacionais.” Baixo Ribeiro Tara McPherson Vocês enxergavam, naquele cenário musical dos anos 90, um prenúncio do que aquelas pessoas viriam a fazer depois nas artes plásticas? Mariana: Sim, claro. Primeiro porque nunca encarei o rock and roll como música, mas sim como estilo de vida. Baixo: E o Skate também. Comecei a andar de skate em 1976, e mesmo naquela época não era esporte. Era outra pegada. Nunca vi como esporte, mas sim como o lugar onde estava a comunidade que me interessava. E, se você analisar, todo esse universo de artes plásticas que a gente vive hoje tem um berço no Skate. Mariana: Pra nós sempre foi muito interligado: skate, rock e arte urbana. Baixo: Somos uma galeria de artes visuais, mas não deixamos de fazer, pensar e promover a música. Não vemos artes plásticas isoladamente. É a arte como estilo de vida. Baixo: Exatamente. Por isso que vemos a arte hoje com um potencial muito maior do que o mercado da arte. O que exatamente cada um de vocês faz na estrutura de funcionamento da Choque? Baixo: Eu diria que faço uma coordenação geral. Nós temos alguns núcleos de ne- gócio e de trabalho, que se complementam mas são bem diferentes entre si. Temos o núcleo da editora, que visa produzir bens artísticos mais baratos, que é a porta de entrada do nosso colecionador. Temos também o núcleo da galeria em si, pois a galeria cresceu, mas tem que crescer mais ainda. Estamos participando de feiras internacionais, estamos na Associação das Galerias, ou seja, estamos completamente inseridos no mundo tradicional da arte, mas sem alterar nossas características fundamentais e até influenciando para que outras galerias alterem (as características) delas. Temos um terceiro núcleo, das grandes produções de arte, como produções em museus. Tipo no MASP, ou em Basel (Suíça), Los Angeles, Nova Iorque, que são produções muito grandes, que exigem um esforço e uma equipe muito diferentes da equipe da galeria ou da editora. E temos ainda o núcleo educativo, cuja forma de pedagogia é ensinar fora da sala de aula, e isso está sendo feito na USP. Tem uma pessoa coordenando esse núcleo educativo, que é a Raquel. Estamos com 12 pessoas trabalhando, mas num núcleo mais expandido são umas 20 pessoas. Uma estrutura super complexa, em rede, e nos dividimos em muitas funções dentro desses núcleos. Mariana: Costumamos opinar em tudo que os outros estão fazendo. Cuido mais da editora, mas também sou diretora “de clima”, quando tenho que cuidar de um artista que está carente... (risos) O Edu fica mais na parte da produção das coisas grandes, que é um pouco o espírito do SHN. Baixo: O Edu que faz a maior parte das viagens para organizar as produções internacionais. Ele que entra em contato com os artistas internacionais, está mais focado nesse network. Encabeça esse núcleo de grandes exposições. A Choque tem essa raiz bem do it yourself, como já foi dito, e também uma forte conexão com a cena musical independente. Pegando como exemplo a gravadora independente norteamericana Dischord, é sabido que eles não tem contrato com os artistas do selo. É tudo verbal. E a Choque, como é a relação contratual com os artistas? Baixo: Então, temos que entender o que é contrato nos EUA e o que é contrato no Brasil. Mas o espírito do contrato a gente tem com todos os artistas. Mas é feito de maneira diferenciada em relação a cada um deles. Temos muito mais um contrato de expectativas: o que a gente espera do artista pra esse ano, o que a gente espera do artista pra daqui a dois anos e o que o artista espera da gente. Isso é feito por escrito às vezes, e às vezes não, depende. E não faz tanta diferença pra gente. Mas existe sim um contrato baseado na expectativa. Temos um plantel em torno de 20 artistas hoje, fora os internacionais que a gente representa. E como temos essa ideia da formação, da escola, então temos uma base muito grande de artistas, que nenhuma outra galeria tem, que chega a 100 artistas (entre nacionais e internacionais), produzindo coisas pra editora, ou produzindo para os grandes eventos, ou aspirando fazer uma exposição na Choque, etc. Edu: Ao invés da palavra contrato, podemos pensar em “projeto”. Porque é isso que estimula a todo mundo trabalhar junto, gera compromisso e faz o negócio girar. Baixo: E com cada artista estamos procurando fazer o projeto da carreira dele. Projetos pessoais e ambiciosos. Não quero que tudo aconteça de maneira colaborativa. Artistas como Zezão, Stephan, Titi, Carlinhos, e todos os artistas que já desenvolveram exposições aqui e estão num nível de profissionalismo mais adiantado, estão fazendo com a gente seus projetos individuais. Estamos dando suporte para eles fazerem projetos ainda maiores. Conversando sobre o que vai acontecer em 2013, 2014... e temos também projetos da Choque indo junto com isso.

NOVEMBRO DE 2006 Primeira curadoria independente feita pela Mariana, Baixo e Edu em um ambiente fora da sua própria galeria. “Novo Muralismo Latino Americano”, realizado na Galeria Marta Traba, no Memorial da América Latina. Foram 30 artistas em duas fases, a primeira inaugurada em 25 de novembro e a segunda em 13 de dezembro. JANEIRO 2007 Lançamento do Livro dos Monstros, com tiragem de 150 exemplares, encadernado de forma artesanal. FEVEREIRO DE 2007 Pela primeira vez um grupo de artistas da Choque Cultual saiu do país para levar a nova arte contemporânea brasileira para uma importante galeria em New York, a Jonathan Levine. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 OUTUBRO DE 2006 Expo “Território Ocupado”, no Museu Afro Brasil, convida alguns artistas da Choque Cultural para mostrar as diversas visões da cultura do país.  

“O colecionador não compra uma coisa porque é azul clara e vai combinar com o sofá. Não existe esse espírito. É o espírito de investir numa visão, num trabalho, num projeto. E isso é o nosso trabalho” baixo ribeiro Os artistas de Street Art geralmente têm algo de característico e marcante em seus trabalhos que é justamente aquilo que caracteriza seu estilo e os diferencia dentre tantos outros na rua. Vocês consideram que isto pode “engessar” a criatividade e o crescimento do artista com o passar do tempo? Vocês também trabalham nisso de desafiar o artista? Mariana: Sim. Isso inclusive é a coisa mais fascinante da história toda. Por exemplo o Zezão, que é o “case” básico da galeria: quando conhecemos o Zezão, ele já era um puta artista, mas ele nunca se considerou isso, se considerava um pichador, um vândalo, um punk, um vagabundo... (risos) E aí veio esse desafio: como é que eu vendo o esgoto? Como faço esse cara ganhar dinheiro? Baixo: O Zezão curtia caligrafia, encontrar lugares incríveis, fotografar... O trabalho dele é conceitual e complexo. Um artista com muitas nuances, e tudo muito bem feito. Só que pra colocar isso, é difícil. Nossa ideia é conseguir que o artista se viabilize, tenha dinheiro no bolso no final do mês e possa pensar em projetos maiores. A viabilização da vida profissional do artista não passa só necessariamente por vender obras. Tem que saber fazer projetos, pensar mais global. E, obviamente, vender obras é uma parte importante disso. Quanto mais elaborado, conceitual e complexo é o trabalho do artista, menos obra ele tem pra vender. Ele tem mais conceito pra vender. Então começamos a nos preparar, a partir do Zezão, para vender conceitos. Vender o conceito do Titi, do Stephan, etc. Assim começamos a desenvolver uma ideia que a gente transmite até hoje para os artistas e colecionadores. O que fazemos é promover um casamento de parceiros. O artista precisa compreender que o colecionador é um parceiro dele, e o colecionador precisa ver no artista um cara pra investir. O colecionador não compra uma coisa porque é azul clara e vai combinar com o sofá. Não existe esse espírito. É o espírito de investir numa visão, num trabalho, num projeto. E isso é o nosso trabalho. No começo da Choque, como vocês fizeram para definir o valor das primeiras obras? Qual foi o termo de comparação? Mariana: A gente fez uma comparação com roupa. Um trabalho original não pode custar menos que uma camiseta. Então buscamos um equilíbrio entre essas coisas pra fazer os primeiros preços. Depois que você define os primeiros preços, aí o mercado vai ditando o resto. Então foi muito menos relacionado ao mercado de artes e muito mais relacionado a um critério que vocês criaram? Mariana: Sim. Baixo: O próprio mercado de artes não tem critério. As galerias tradicionais, que já existiam antes da gente, preferiam trabalhar com artistas mais valorizados, pois os custos da galeria são muito altos. Mariana: Normalmente pegam um artista já formado, e esse artista faz seu preço. No nosso caso não: estávamos formando o público e o artista. E assim pensamos como criar o preço dos primeiros prints. “Bom, se o cara gasta tanto no tênis, tem que ser um preço compatível com isso”. Era um público novo, queríamos atingir os amigos do meu filho, o pessoal que agora tem entre 20 e 25 anos. Ou seja, essa primeira formação de preço não teve nada a ver com mercado de arte, e sim com mercado de colecionáveis. Tem um paralelo então entre o colecionador de tênis e esse novo colecionador de arte? Baixo: Ele sabe colecionar. Ele sabe o que significa aquilo pra cena na qual está envolvido. Mariana: Essas corporações de tênis investiram nos artistas. Colocaram o nome do grande skatista, do grande artista ou do grande roqueiro no tênis. Aí o cara fica disputando o All Star do Black Sabbath no eBay. E essa parte a gente tenta pular: vendemos do artista direto pro público, sem a marca no meio. Você não está comprando um produto de uma multinacional, está comprando o produto do artista! É um investimento direto no artista. Se você gosta do artista, invista no artista. Como vocês lidam com o rótulo de que a Choque trabalha com “arte urbana”? Baixo: Nós lidamos bem, mas a imprensa ainda está aprendendo. Mas o que a Choque é? Mariana: Arte contemporânea jovem... Baixo: Mas não gostamos de adjetivar, até porque estaríamos estigmatizando mais um pouco. Obviamente não queremos rotular nada. Antes de mais nada é arte. Só. Sem muito adjetivo. Mas existe um movimento importantíssimo de arte pública, de arte urbana, que está rolando e fazemos parte dele, patrocinando, promovendo, Baleiro da Choque

Daniel Melim participa da Bienal de Valência, na Espanha. OUTUBRO DE 2007 Dez artistas da Choque fazem uma coletiva em Brighton, Inglaterra, na galeria Ocontemporary. “Cor da Rua” (Street Colour) era o nome da “celebração” de 2 meses, que levou a arte urbana brasileira para as paredes inglesas. JANEIRO DE 2008 12 artistas americanos abrem a exposição "Made In America", na galeria Choque Cultural, marcando o intercâmbio com a galeria Jonathan Levine e a globalização da nova arte contemporânea. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 JUNHO DE 2007

“Hoje chegam jovens com uma ideia tipo carreira de jogador de futebol: ‘Isso é uma coisa que posso fazer, vou batalhar pra ser artista e isso vai me dar muito dinheiro’. Existe essa aura no ar, pairando... Pra vocês terem uma ideia, recebemos em média 10 portfólios por dia.” Edu Saretta Znort criando conteúdo e discutindo o assunto, porque ainda é pouco discutido. Aparecendo as oportunidades, trazemos curadores pra conversar, lançamos livros, promovemos debates, porque é um assunto que precisa ser discutido. O rótulo vem porque o assunto ainda não foi suficientemente discutido. Mariana: Mas sabemos que a imprensa precisa do rótulo pra primeira chamada... então deixa, relaxa. Baixo: Nossa opção é não estigmatizar e não fazer o marketing barato. Se você pegar qualquer artista da Choque, vai perceber que o trabalho de um não tem nada a ver com o do outro. O trabalho do Melim é geométrico, abstrato, formal, que não tem a nada a ver com o desenho psicodélico do Ramon, que não tem nada a ver com o desenho sofisticado e cubista do Titi... São estilos muito diferentes. Não estamos criando um movimento que precisa de um nome. O que aparentemente liga a maior parte desses artistas é a história da arte urbana, e acaba ficando um pouco com isso, mas esse rótulo, apenas esse rótulo, não cabe em quase nenhum artista. Pô, “artista urbano”? Mas o cara gasta quase mais tempo no trabalho de estúdio do que no trabalho de rua. Mariana: Mas ainda é melhor artista urbano do que grafiteiro. AUMENTANDO A VOLTAGEM Temos acompanhado a inserção gradual de alguns artistas jovens em museus. Os museus ainda têm receio da arte contemporânea jovem? Mariana: Tem preconceito. Baixo: Têm dois lados aí. Um lado é o da preparação que a gente faz. Desde o começo estamos explicando o que são esses novos artistas, contextualizando, falando com curadores, críticos de arte, estudiosos, pra explicar o que estava acontecendo e que é uma coisa interessante. E muitos se interessaram. Os bons curadores estão olhando para isso e percebendo que existe um universo de jovens que eles podem levar para os museus. E a exposição no MASP (“De Dentro Para Fora/De Fora Para Dentro”) já foi o início de um processo assim, bem como as parcerias com o Memorial da América Latina (“Novo Muralismo Latino Americano”) e com o Museu Afro Brasil (“Território Ocupado”). No MASP, o resultado em termos de visitação foi bem positivo, não é? Mariana: Foi bastante positivo. Baixo: 140 mil pessoas em dois meses e meio. Foi parecido com a do Vik Muniz. Quais os outros aspectos importantes dessa exposição no MASP? Baixo: A exposição no MASP foi muito experimental. Muitas das experiências que rolaram ali, e que tiveram sucesso, ainda vão virar caso de livro. Mariana: Essa exposição teve uma característica que só os arquitetos perceberam: nós usamos a arquitetura do MASP, como o graffiti usa a arquitetura da cidade. O artista tem um olhar que percebe onde é legal pintar. Chegamos no MASP e a área estava toda fechada em salinhas, e decidimos abrir. Tem uma janela que liga com a 9 de Julho... Baixo: ...E nós abrimos! Fazia 10 anos que não se abriam as janelas do MASP pra rua. A visibilidade desses novos artistas e o crescimento desse cenário é uma coisa que cria vontades. Ou seja, temos muitos novos artistas querendo mostrar seu trabalho, querendo viver e ganhar a vida como artistas. Como vocês enxergam isso? Mariana: Os artistas mais jovens já estão muito mais informados, já sabem muito mais o que querem e por isso é mais fácil lidar com os projetos deles. Quer dizer, está surgindo uma geração nova de artistas bons, e que já são até mais despidos de preconceitos. Muito mais abertos a experimentação e mais bem informados. Eu acho que está bacana. Porque no Brasil ainda tem muita gente que fala “ah, você faz tatuagem? Então faz uma de graça em mim”. Vocês são amigos e ele vive disso: pague pela tatuagem que assim seu amigo vai conseguir viver. A comunidade precisa se ajudar para se autossustentar. Edu: Mas hoje chegam alguns jovens com uma ideia tipo carreira de jogador de futebol: “Isso é uma coisa que posso fazer, vou batalhar pra ser artista e isso vai me dar muito dinheiro”. Existe essa aura no ar, pairando... Pra vocês terem uma ideia, recebemos em média 10 portfólios por dia. “Meu trabalho é muito legal, tem tudo a ver com galeria de vocês e eu quero fazer uma exposição”. (risos) Baixo: E assim acabam surgindo alguns trabalhos bacanas, surgem mesmo. Edu: De certa forma somos responsáveis por criar parte dessa expectativa. Baixo: É uma responsabilidade. E, desses 10 portfólios, muitas vezes não poderemos fazer nada por nenhum deles. Mas nós inspiramos isso. Sempre me esforcei pra

Primeira participação da Choque Cultural na SP ARTE. AGOSTO DE 2008 O intercâmbio com a galeria inglesa Ocontemporary trouxe a obra de um dos nomes mais populares da arte mundial, Gerald Laing, para a galeria Choque Cultural. JANEIRO DE 2009 Lançamento do livro “Xirugravuras”, um marco na relação entre a Choque Cultural e a Gráfica Fidalga, que desde 2004 tem uma parceria no trabalho de cartazes lambe-lambe feitos com técnica tipográfica. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 ABRIL DE 2008

“De certa forma dá pra sentir que estamos trabalhando no Mundo, e não apenas em São Paulo. Essa comunidade é global” edu saretta que existissem outras galerias também, galerias sérias. Torço muito por isso, pra que possam de fato abraçar esses novos artistas. Não só torço como acho que vai acontecer, acho que vai aumentar muito o número de galerias na próxima década. Esses novos artistas vão conseguir criar um público, porque o público colecionador também vai aumentar. Acho que em 10 anos teremos um universo de arte muito diferente do que temos hoje. E o ataque sofrido pela Choque em 2009? Aquela história dos pichadores... Baixo: Foi muito desagradável, e, de certa forma, nunca teve a ver com o nosso trabalho. Fomos usados por uma turma que queria se auto-promover. Essa é a verdade. Mas o que causou pra gente? Bom, tivemos que contratar uma assessoria de imprensa porque começamos a ter assédio da imprensa, coisa que não queríamos. E começamos a gastar dinheiro com um sistema mínimo de segurança, para que as meninas que trabalham na loja possam se sentir seguras. O que aconteceu foi que aumentaram o nosso custo. (risos) A invasão não teve a menor importância conceitual, não teve a menor importância pra arte. Mariana: Em compensação, quanta fofoca! Passamos 6 meses desfazendo fofocas. Edu: Lançaram que era jogada de marketing da Choque... (risos) Mariana: E o pior de tudo: o fotógrafo que registrou esses ataques chama-se “Choque Fotos”. Aí todo mundo achava que tínhamos sido nós! Ou seja, passamos 6 meses desfazendo coisas, ao invés de estar fazendo. Vandalismo a parte, como vocês lidam com a segurança das obras? Baixo: Existe uma segurança, mas acho super importante entender uma coisa: nós vendemos quadros, mas não vendemos quadros. Vendemos a obra do artista, a visão do artista. Tem obra que é uma “madeira quebrada”, tem obra que é uma placa de metal com um trampo em cima... ou seja, as vezes a coisa em si não aparenta a riqueza que tem. O que tem riqueza é a visão, o conceito e a ideia do artista, e é isso que a gente vende. Edu: A obra de arte não tem a liquidez que tem um outro produto normal. Quem vai comprar? As pessoas que compram isso nos conhecem e conhecem o artista. Pessoas de galerias? Todos se conhecem. Isso iria aparecer muito rápido. O Titi Freak disse, numa entrevista recente, que andaram roubando portões de casas, com trabalhos dele. Edu: Aí é na rua. Sim, é na rua, mas demonstra que há um interesse, uma “procura”... Baixo: Mas não vai vender. Não vamos misturar as coisas. Existe um mercado que está crescendo, existem colecionadores sérios comprando, e existe uma molecada que está começando a entender que, ao comprar, eles ajudam aquilo a ficar realmente importante. E quem investe dinheiro nisso sabe que é um investimento de longo prazo. O bom investidor é aquele que sabe que será o seu filho, ou o seu neto, quem vai ganhar dinheiro com esse investimento. Isso é uma consciência que a gente implanta: “não compre hoje para vender daqui a dez anos”. Por que? Porque pode não dar certo. Mas, pensando no longo prazo, que o filho ou o neto terão um patrimônio (para vender ou fazer o que quiserem), aí sim! Vocês têm promovido alguns intercâmbios entre artistas estrangeiros e brasileiros. Como têm sido a repercussão dos artistas brasileiros no exterior? Edu: De certa forma dá pra sentir que estamos trabalhando no Mundo, e não apenas em São Paulo. Essa comunidade é global. Baixo: Quando estou com as pessoas das outras galerias, galerias com projetos mais antigos que o da Choque, e começo a falar, fica muito claro que estamos fazendo um projeto do séc. XXI. Ele já nasceu com câmera digital, global, com internet, nasceu no meio de uma geração nova. É lindo isso, olhar pra frente e pensar: “tudo que você fizer de alguma maneira vai influenciar”. Lógico que gera também uma responsabilidade: não podemos fazer cagada. Tem que fazer um negócio bonito. Mas o que estamos fazendo é novo, e vai indicar o caminho pros outros. Acho isso incrível. Tristan, Edu, Mari e Baixo

Mais uma coletiva em território americano: 10 artistas da Choque em Culver City (Los Angeles, EUA). JANEIRO DE 2009 Início da parceria da Choque Cultural com a UNIBES, o primeiro passo de um projeto educativo de formação de professores, com foco no aprendizado sobre arte. AGOSTO DE 2009 Um intercâmbio entre Argentina e Brasil traz para São Paulo a Expo chamada “Buenos Aires na Choque”. 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 JANEIRO DE 2009

“A exposição no MASP teve uma característica que só os arquitetos perceberam: nós usamos a arquitetura do MASP, como o graffiti usa a arquitetura da cidade.” Mariana Martins

“Eu acho que esse movimento de artes plásticas é o novo rock and roll. Agora é a vez do pessoal das artes quebrar essa elitização grande que aconteceu.” Mariana Martins FOREVER YOUNG O trabalho da Choque é diretamente ligado ao público jovem. Conviver com esse estilo de vida é algo que rejuvenesce? Mariana: Não tenha dúvida. Você não imagina o que é o meu encontro com minhas amigas de infância! (risos) Não parece que somos da mesma geração. É uma coisa de se manter vivo, e chegou essa hora. Já criei meu filho, ele vai procurar o espaço dele, e agora vou faz

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