Revista Outro estilo nº 03- versão web

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Published on February 27, 2014

Author: eduardoaags

Source: slideshare.net

Description

Revista de "life style" e comportamento

CamiLa ROCHa ENTREVISTA A tAtuAdorA brAsileirA que trAbAlhA com KAt Von d JOEL STONES Fazendo barulho em nY DECORaÇÃO A CASA DO DONO DA MICASA pREfERêNCiaS BIenAl InternACIonAl AlexAnDre SeSper & AlexANDrA BrigANti GrAffiti fine Art outro estilo #05 outro estilo #04 TRANSFER | COACHELLA | kEEp A bREAST | MAQUIAGEM & FONES DE OUVIDO | ANGéLICA MöLLER | SNEAkERS | ROUpAS FEITAS DE bITUCAS outroestilo.com.br 9 780021 766925 edição 03 | R$ 9,90 03> #03

InTRODUçãO à terceira ediçãO chegamos na terceira edição desse projeto editorial com Outro estilo. e entre todas as decisões e discussões da produção dessa revista, decidimos fazer duas capas. Nada de novo para o mercado editorial, mas com sabor de desmistificação para nosso projeto. depois das duas primeiras capas, da Mayra dias Gomes e da Bruna tang, era o momento de responder a pergunta: é uma revista feminina ou masculina? 10 em nossa opinião, essa resposta está na rua, na noite, nos eventos e nas pesquisas que mostram o perfil do jovem de hoje. a sensibilidade para perceber o que o jovem antenado quer, somada com as opiniões que nos deram a noção da aceitação das duas primeiras edições, deixou clara a resposta. a Outro estilo é uma revista de comportamento jovem, de estilo de vida alternativo, e, para espanto dos tradicionalistas, é unissex. É o reflexo do que “os caras e as minas” querem hoje de uma publicação, é o feedback dos nossos leitores. Fazer as duas capas foi só um empurrão nessa mensagem. C M Y CM MY depois da capa vem o mais importante, o conteúdo. camila rocha, tatuadora que traçou uma trajetória profissional incrível, conta sua história nessa edição e é retratada em um ensaio exclusivo clicado pela fotógrafa ana Paula nos desertos da califórnia. Ganhou uma capa. Joel Stones foi pro outro lado dos eUa fazer sua história na música e nos traz relatos de um dJ brasileiro que, com muita luta, ganhou reconhecimento no exterior. É nossa outra capa. Outra grande personalidade da edição é o Houssein Jarouche, que abriu o seu incrível apartamento em São Paulo para as lentes do fotógrafo Homero Nogueira. decoração, moda, tatuagem, música e arte com grande peso nessa edição mais madura. Que venham as próximas. EQUIPE EDITORIAL CY CMY K

V O N Z I P P E R . C O M LO JA B I L L A B O N G O S CA R F R E I R E R . O S CA R F R E I R E , 9 0 9 - JA R D I N S | T E L : ( 1 1 ) 3 0 8 1 - 2 7 9 8

navegue pela oe 016 018 024 040 052 054 060 064 068 076 080 084 094 100 104 106 112 126 top6 nite people angélica möller editorial de moda com os pés no palco houssein jarouche add to cart transfer joel stones makephone headup keep a breast sneakersbr coachella preferências alexandre youssef graffiti fine art Foto ana paula negrão outroestilo.com.br edição 03 camila rocha a bituca está na moda C M Y CM 12 MY CY CMY K

Loja Billabong Oscar Freire R. Oscar Freire, 909 - Jardins TEL: (11) 3081 -2798

quem colaborou StePhanie Kohn, 24 anos, é jornalista e sempre escreveu para revistas de moda e cultura. Atualmente trabalha na área de comunicação de uma multinacional e está se especializando em design gráfico. Ronaldo FRanco, 35 anos. Fotógrafo desde 1996, foi professor de fotografia no SENAC. Hoje fotografa de tudo um pouco e integra o coletivo Rolê. Júlia SMidt, 23 anos, é produtora de moda e nas horas vagas pilota o fogão de casa! PRiScila Paula, 32 anos, começou trabalhando com cinema publicitário há 11 anos. Hoje é produtora e diretora artística, e agora também uma colaboradora da revista OE. Ah, e é mãe do Mukito! outroestilo.com.br edição 03 ana Paula negRão, 32 anos, skatista, fotógrafa e produtora. Nasceu em Ribeirão Preto (SP) e mora desde 2000 nos EUA. É artista da Galeria do Consulado (Los Angeles) e baixista da banda As Catantes. 14 ViniciuS RaFael da SilVa, mais conhecido como Popó, vive tentando fazer dos hobbies uma profissão que pague suas contas. Videomaker, apresentador, customizador, “perdido entre o que gosto de fazer e o que preciso fazer”, como ele mesmo diz. nitePeoPle é uma revista artística que veio da Itália e trata da noite usando apenas imagens. Sucesso em Milão, Moscou e Tóquio, já está no segundo número em São Paulo. Fotógrafos de renome, além dos melhores emergentes, registram os momentos e as atitudes nas festas e boates paulistanas mais badaladas. RicaRdo nuneS, pernambucano, dentista de formação e um apaixonado por tênis desde sempre. Caiu de pára-quedas em outro universo e hoje comanda o SneakersBR, primeiro site a falar do mercado e da cultura sneaker no Brasil. tide MaRtinS, 22 anos, é maquiador e cabeleireiro. Apaixonado por imagens, adora usar seus pincéis e tesouras pra embelezar uma mulher. Atualmente trabalha no Salão Bardot, em São Paulo.

top 6 tEXto foto charlEs franco fErnando martins fErrEira (1) MELhOR fILME nAcIOnAL 16 RODRIGO SALEM O cinema brasileiro pré-cidade de Deus era uma chatice social. Visualmente inovadora e narrativamente ousada para o padrão nacional, fernando Meirelles nos colocou no presente com sua saga criminosa pelas favelas do Rio. (2) pIOR fILME nAcIOnAL São tantos que fica até difícil. não vou citar coisas óbvias como cinderela Baiana ou Xuxa, mas odeio filmes feitos para ganhar dinheiro público, como Tiradentes e O Guarani. (3) MELhOR TRILhA SOnORA nAcIOnAL Os Saltimbancos Trapalhões, seguido de perto por O Baile perfumado. Gerações diferentes, mas pop original. (4) pIOR TRILhA SOnORA nAcIOnAL Qualquer uma com o Seu Jorge. (5) MELhOR DOcuMEnTáRIO nAcIOnAL Cinéfilo por natureza, Rodrigo Salem, de 35 anos, dedica-se à cobertura dos principais acontecimentos do cinema mundial há mais de uma década. Hoje ele é editor de cinema da revista Contigo! e colaborador para diversas mídias nacionais e internacionais especializadas no assunto. A pedido da OE, Rodrigo listou 6 coisas que lhe agradam (ou não) no cinema nacional. notícias de uma Guerra particular. É tão bom que até virou o pirata Tropa de Elite 2 nos camelôs, mesmo tendo sido filmado antes do filme de José padilha. (6) cInEMA nOVO Ou nOVO cInEMA BRASILEIRO? nenhum dos dois. Ambos produziram filmes horrorosos e alguns bons longas. prefiro “cinema Bom”, mas enquanto dependermos de dinheiro público, vamos viver de raríssimas exceções.

FOTOs 18 Luiz COsTa

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FOTOs 20 Luiz COsTa

ARTE: BILLY ARGEL @ TRANSFER / LUCAS XAPARRAL BACKSIDE MELON

E L E M E N T S K AT E B O A R D S { C OM .BR } { FAC E B O O K . C O M / E L E M E N T S K AT E B O A R D S B R A S I L } @ E L E M E N T B R { TWI T T ER }

texto Fotos AngélicA Möller AlexAndre viAnnA 24 ANGÉLICA MÖLLER

Angélica veste calcinha arrastão preta da Malu Monteiro Lingerie Couture, tiara vermelha da Zipper headwear e colar dourado da Sanma acessórios. outroestilo.com.br edição 03 25 O real e o imaginário, ser o ponto de ligação de dois mundos através do compartilhamento de experiências. Angélica Möller é a materialização de diferentes universos: é mãe de duas filhas, é modelo, é blogueira, é Suicide Girl, é atitude. Afinal, quem é ela?

Angélica veste calcinha xadrez da Secret para Cherry Pie, sutiã e bolero preto da Thais Gusmão, bracelete fosco e pulseira de malha da Sanma acessórios. 26 InfâncIa levada Sempre fui uma menina muito levada. curti ao máximo minha infância, possuía muitos amigos, passava dias brincando na rua. existia uma angélica moleca, que não perdia a oportunidade de matar aula para ir jogar fliperama, que brigava de porrada com meninos e fazia travessuras. Mas também tinha a angélica menininha, que adorava Barbie, que escrevia no diário e usava os saltos altos da mãe (mesmo não servindo) para chamar atenção dos meninos mais velhos. Morro de rir ao lembrar dessas coisas, era uma época muito gostosa, só queria me divertir. “Existia uma Angélica moleca, que brigava de porrada com meninos e fazia travessuras. Mas também tinha a Angélica menininha, que adorava Barbie e usava os saltos altos da mãe para chamar atenção dos meninos mais velhos”

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Angélica veste corset da Thais Gusmão, colar de perolas duplo e anel pedra cristal da Sanma acessórios, calcinha estampa coração preto/branco da A Dor Amores e sapato Arezzo. 28 SubverSão em recife “Boa parte da minha adolescência foi em Recife. Passava as noites nas baladas e até tive um affair com um professor do colegial. Foi a fase mais subversiva da minha vida: não pensava em consequências, só me importava com minhas vontades” boa parte da minha adolescência foi em recife, cidade onde vivenciei todos os tipos de experiências. Passava as noites nas baladas e até com um professor do colegial tive um affair. Sem dúvida essa foi a fase mais subversiva de toda minha vida, não pensava em consequências, só me importava com minhas próprias vontades. isso me levou a fazer a primeira tattoo, uma lua, com 13 anos, e uma borboleta aos 15, os resultados nunca me agradaram. era nova, não pensei antes de fazer, não procurei um bom profissional e depois me arrependi. Quando resolvi fazer uma nova tatuagem, pensei muito sobre o assunto e aos 17 anos tatuei as costas inteira.

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30 Angélica veste sutiã da A Dor Amores para Chery Pie, meia liga da Lupo, calcinha da A Dor Amores para Cherry Pie, colares e anéis da Sanma Acessórios e sapato verniz nude da Maria Limão.

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Angélica veste calcinha da A Dor Amores para Cherry Pie, colares e anéis da Sanma Acessórios e sapato verniz nude da Maria Limão. 32 Dois revólveres no peito “Meu primeiro contato com era uma adolescente rebelde, mas sempre muito estudiosa. tirava boas notas e não curtia “ficar” com os meninos, gostava mesmo era de namorar, sou muito conservadora nessa questão. passei por esse período sonhando com minha independência, de cuidar das minhas coisas e ser dona do meu nariz. tanta determinação me levou a sair de casa aos 18 anos. Decidi voltar a morar em são paulo, mas sabia que não podia ser “independente” com meus pais pagando minha faculdade. isso me fez estudar até conquistar uma bolsa de estudos integral. nessa mesma época, tive o primeiro contato com armas através do meu tio, um colecionador que me ensinou a atirar. no dia em que puxei o gatilho pela primeira vez, me senti poderosa, confiante, tive um misto de medo e euforia, fiquei tremendo. Foi uma experiência marcante, pois foi a última vez que estive com meu tio antes dele morrer, essa é a razão pela qual eu tatuei dois revólveres no peito. armas foi através do meu tio, que era colecionador e me ensinou a atirar. No dia em que puxei o gatilho pela primeira vez, me senti poderosa, confiante, um misto de medo e euforia. Foi a última vez que estive com meu tio. Uma experiência marcante, tanto que tatuei dois revólveres no peito”

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Angélica veste calcinha de paetê e regata preta da Thais Gusmão, colares e pulseiras da Sanma Acessórios, cinto dourado da Maria Limão, tiara vermelha Zipper headwear e sandália Zara. 34 “Frequentei balada por muito tempo, e me cansei desse tipo de vida. Aos 19 anos desejava mais, não estava feliz, tinha vontade de formar uma família. Nunca me imaginei sendo mãe aos 30 anos, então decidi que antes dos 24 seria a época perfeita para acompanhar o crescimento das minhas filhas”

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Angélica veste bolero cobre do Bruno Bonassi, meia calça de rendada Puket, pulseira renda e anéis da Sanma Acessórios, sandália RopahRara e sandália Zara. 36 MaMa eu quero! Frequentei balada por muito tempo, praticamente todo dia, e me cansei rápido desse tipo de vida. aos 19 anos desejava mais, não estava feliz, tinha vontade de formar uma família e sossegar. nunca me imaginei sendo mãe aos 30 anos, então decidi que antes dos 24 seria a época perfeita para acompanhar o crescimento frenético das minhas filhas, pois queria uma ligação mais estreita com elas. ao me tornar mãe, descobri um novo universo que me despertou um grande interesse pelo mundo infantil. resolvi criar um blog para mães e pais como eu, que querem oferecer tudo que há de melhor para seus filhos. Senti vontade de compartilhar informações sobre produtos, serviços e o que mais achasse interessante, adoro dividir experiências e desejos com meus leitores. De uns tempos pra cá, o perfil dos pais mudou, junto a mudança vieram novas necessidades e o blog “Mama eu quero!” foi a forma que encontrei de ajudar a preencher essas necessidades e anseios. www.mamaeuquero.com Control Freak Hoje estou amadurecida, vejo as coisas de uma maneira diferente, tenho outras prioridades e seleciono melhor minhas amizades. estou mais tolerante, mas não abandonei meu lado “control freak” (necessidade de controlar tudo, não ficar calma e serena diante de coisas indefinidas). Detesto pessoas que não sabem seu lugar e não tolero mais falta de respeito. alguns amigos acreditam que sou sincera demais, mas não sei ser de outro jeito. Me dedico à família e amigos, sou do tipo com quem se pode contar e continuo surpreendendo as pessoas, acho que essa é uma das coisas que faço melhor.

37 Fotografia. Alexandre Vianna Assistente de Fotografia. David Toledo Estilo. Renata Amaral e Priscila Paula Maquiagem. Tide Martins Agradecimento. Vila Loty

FOTOs 40 rOnaldO FrancO rE pa e m de ar lh o agir ece a e com

outroestilo.com.br edição 03 41 Camiseta Graphic Hooded (adidas Originals) Short jeans (Ecko Red) Relógio (Chilli Beans)

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Página ao lado Camisa (Marc Ecko) Calça jeans (Alexandre Herchcovitch) Tênis (Lacoste) Nesta página Calça jeans (KR3W) Relógio The 51-30 (Nixon) Camiseta (Hotel Tee’s) Camisa xadrez (Fallen) 43

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45 Página ao lado Camiseta com renda (adidas Originals) Saia (284) Sapato Oxford (Guilhermina) Anel (Sanma acessórios) Relógio The Misty (Nixon) Óculos (Evoke) Brinco (Jóias Cohn) Nesta página Jaqueta (Puma) Camiseta (Zoo York)

46 Camiseta (Athleta) Saia (Les Filos) Tênis (Nike Blazer Mid) Brinco e colar (Sanma Acessórios) Jaqueta Sleek Lace (adidas Originals) Vestido (Hotel Tee’s) Legging (Mulher Elástica) Sandália (Melissa Liberty) Cinto (Cantão)

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48 Nesta página Camisa xadrez (Girl) Camiseta (Hotel Tee’s) Tênis Weapon (Converse) Câmera Diana F+ (Lomographic) Página ao lado Jaqueta Hooded Knit (adidas Originals) Camiseta (Zoo York)

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Nesta página Vestido (Cantão) Pulseira (Sanma Acessórios) Relógio The Chalet (Nixon) Tênis (New Order) Página ao lado Moletom 6.0 (Nike) Camiseta (Cavalera) Calça jeans (King55) Bota (H&M) Fone The Master Blaster (Nixon) Óculos (Evoke) 50

51 Fotografia. Ronaldo Franco Assistente de Fotografia. Franco Amendola Produção e Estilo. Renata Amaral, Priscila Paula e Julia Smidt Cabelo e Make-up. Jay Sosa e Monique Fonseca Modelos. Lilian Schultz (Monica Monteiro), Lanny Kappes (MEGA), Celso Carvalho (MEGA) e Cesar Moraes (L’Equipe) Agradecimento. Z Carniceria

entrevista foto 52 douglas prieto divulgação Tom DeLong e é conheciD o munDiaLm graças a su enTe a banDa De punk rock, bLink-182. mas o , aLém De gui TarrisTa e vocaLisTa, To m Também é um empresár bem suceDiD io o, a frenTe Da sua marca macbeTh fo oTwear. nas ciDa em 2002 DenTro Do berço Da cuLTura aLTernaTiva c aLiforniana, a marca De Tênis esTá presenTe em mais De 30 países e ag ora Desemba rca em TerriTório nacionaL pe Las mãos Da so LLiD br conceDeu um asiL. Tom nos a enTrevisTa excLusiva, co nTanDo um pouco De su a expecTaTiva com o merc aDo brasiLeir o, preocupação ambienTaL e os vaLores q ue movem a macbeTh De onde vem o nome Macbeth? O nome é levemente inspirado na peça de Shakespeare que leva este nome, cuja narrativa nos lembra de que não devemos ser tão gananciosos, e sermos verdadeiros com nossa cultura e moral. Qual sua expectativa sobre a entrada da marca no Brasil? Estamos realmente empolgados com o mercado brasileiro. Sempre foi importante para nós, mas esperamos até a hora certa para dar passos maiores por aí. Vocês apóiam bandas da Irlanda, Austrália, Canadá. Teremos apoio para alguma banda brasileira? Adoramos trabalhar com bandas locais, é a forma mais natural de expandir o negócio em cada mercado. Sim, estamos procurando bandas na América do Sul, especialmente no Brasil. Fazemos a escolha não apenas baseados no visual ou na música, mas vamos um pouco mais a fundo na análise, tentando encontrar valores que sejam parecidos com os nossos. Se a banda não acredita e vive seus valores como nós fazemos, a relação normalmente não funciona. Como é ter uma lenda viva do skate como Matt Hensley dentro da empresa? Ele tem parte no processo criativo? Matt é uma grande aquisição para nossa família. Não apenas como uma lenda do skate, mas ele também é músico, então era uma escolha óbvia. O tênis que leva sua assinatura (The Hensley) foi quase que totalmente desenvolvido por ele. Produtos ecologicamente corretos são muito comuns atualmente. Existe realmente uma forma de salvar o planeta e se desenvolver economicamente ao mesmo tempo? É muito legal ver outras marcas, bem como o público, se envolvendo com produtos ecologicamente corretos, afinal estamos fazendo isso há anos. Nosso primeiro tênis era “vegan”, o que significa que não usava nenhum produto de origem animal. Passamos anos desenvolvendo um material sintético que tivesse como base a água, para conseguir um produto 100% vegan. Usamos materiais reciclados, como borracha e lona, em muitos produtos. Nossas caixas de tênis são feitas de papel reciclado. É essencial para as empresas serem ecologicamente corretas e preservarem o planeta, além de serem viáveis economicamente. Como você enxerga a Macbeth daqui a dez anos? Vejo que estaremos criando e apoiando a cultura pelos próximos anos. Somos a primeira marca de footwear criada na música, o que era uma idéia nova na época em que fundamos a empresa. Agora que celebridades e marcas aparecem e somem com frequência, a Macbeth segue consistente, no seu propósito de criar uma pequena cultura e crescer junto com ela. Mais infos: macbeth.com.br

TexTo FoTos Douglas PrieTo Homero Nogueira 54 ElE vEndE móvEis, discotEca nas noitEs E ainda arruma tEmpo para cinco rEzas diárias. E isso não é tudo: HoussEin JaroucHE, o dono da micasa, trabalHa pElo futuro do dEsign brasilEiro E rEdEfinE a linHa EntrE forma E função. conHEça sEu apartamEnto sEm parEdEs E suas idEias sEm limitEs

outroestilo.com.br edição 03 55 SEM Houssein Jarouche FRONTEIRAS

56 Localizado nos Jardins, bairro paulistano que recebe alguns dos melhores restaurantes do país, além de lojas conceituais e diversas galerias de arte, fica o prédio onde vive Houssein Jarouche, um “autodidata do design”, segundo o próprio. O apartamento leva a assinatura do Triptyque, o mesmo renomado escritório de arquitetura que responde pelo projeto da Micasa, loja de sua propriedade que une arte e design em forma de móveis. Descendente de libaneses, Houssein cresceu numa família de nove filhos, todos eles, de alguma forma, seguindo os passos do pai, que chegou ao Brasil na década de 50 e entrou no ramo do comércio de mobília.

57 Conforme solicitado pelo próprio Houssein, o apartamento teve praticamente todas as suas paredes removidas, resultando num espaço de pouca definição de ambientes e abrindo a possibilidade para diversas ocupações e finalidades. A longa mesa utilizada para refeições, feita em alvenaria, une-se ao fogão através de uma leve inclinação. A ausência de divisões faz com que a luz natural encontre espaço para dissipar-se e revelar cada item da decoração do ambiente. Máquinas de fliperama Taito em plena operação, uma pequena moto Yamaha, câmeras fotográficas diversas e um rádio Philco Transglobe estão harmoniosamente dispostos à poucos passos de distância. “O verdadeiro luxo é ter aquilo que você reconhece, algo que remeta a algum momento bom, que traga uma lembrança confortável.” Essa frase de Houssein explica boa parte de tudo que se encontra por ali. Uma mesa de DJ ocupa lugar de destaque, e mostra que não apenas as boas lembranças do passado, mas também as fontes de felicidade do momento, estão representadas, uma vez que o empresário tem tocado com frequência na noite paulistana. A enorme estante curvilínea em L, que ocupa boa parte do imóvel, funciona como porta de entrada: através de um vão por entre as prateleiras, se deixa o hall do elevador e passa-se ao interior do apartamento.

Fiel ao pensamento de que a forma e o design trazem felicidade, desde que seu consumidor se identifique com o tipo de decoração ou móvel que tem em sua casa, Jarouche desenvolveu vídeos temáticos que são exibidos aos que visitam a Micasa. “Nos preocupamos em entender a necessidade do cliente, não apenas promover a simples troca do dinheiro pelo material.” Cinco vídeos com referências de arte, música e estilos ajudam o cliente a conhecer melhor suas próprias preferências e, dessa forma, voltar pra casa com algo que realmente transformará positivamente sua experiência de morar. A preocupação com os caminhos do design no Brasil o levou a idealizar o Estúdio 20.87, um espaço conceitual, anexo à Micasa, onde novas propostas de design, cenografia, mobílias e artes gráficas sejam apresentadas e movimentem a criação nacional. “O design brasileiro está parado na década de 50. Mesmo a Itália estagnou-se. Hoje em dia, Holanda, Alemanha e Espanha são as referências. No resto do mundo, quase tudo são cópias.” 58

Seguidor sem radicalismos dos preceitos da religião muçulmana, Houssein, na medida do possível dentro de uma agenda bastante preenchida, realiza as cinco rezas diárias e segue o Ramadã, mês de jejum que em 2010 se inicia em agosto e terminará em meados de setembro. Aspectos tradicionais de um indivíduo que tem trabalhado incessantemente por um futuro com mais conteúdo, onde o design e a arte estejam ao alcance e ao entendimento de um número maior de pessoas. 59 Houssein também tem paixão por automóveis. Guarda alguns antigos, como um Mustang 1968 e um Camaro 1974, além de um Opala especialmente preparado para provas de arrancada, disputadas em 400m e não muito mais do que 12 segundos. Os ingleses Mini também estão em lugar de destaque na garagem. E no apartamento, incontáveis miniaturas, a maioria na escala 1:18, espalham-se organizadamente por estantes, cristaleiras e qualquer cantinho onde caiba um carrinho bem protegido de um esbarrão desastroso. “Já dei festas aqui em casa, e coisas se quebraram, sumiram com uma das minhas garrafas de coleção. Você convida só pessoas em que confia, mas sempre vem o amigo do amigo, e aí a coisa foge um pouco do controle. Bituca de cigarro no tapete, então, é o estrago clássico”. Mas se engana quem acha que o fumo não seja bem vindo no apartamento. Diversos toy art fumantes se agrupam ao redor de um aviso onde se lê “Aqui se fuma muito”. Recado dado.

add to cart 01. 03. 01. Óculos Chilli Beans 02. Pólo fem. Puma 03. Pólo fem. Nike Canarinho 04. Cinto Rocawear 05. Camiseta masc. Zero para Maze 06. Pólo masc. Adicolor adidas 07. Camiseta masc. Playmobil Hotel Tee’s 08. Carteiras EstudioMojo para LOOL R$ 148,00 R$ 149,00 R$ 149,90 R$ 147,00 R$ 89,90 R$ 119,90 R$ 55,00 R$ 89,00/cada 02. 04. 60 05. 07. 06. 08.

09. outroestilo.com.br edição 03 10. 11. 12. 13. 61 14. 16. 15. 09. Carteira Zoo York 10. Carteira Zoo York 11. Carteira EstudioMojo para LOOL 12. Camiseta masc. Redley 13. Camiseta fem. Wonder Woman Hotel Tee’s 14. Camiseta masc. Zoo York 15. Boné Chilli Beans 16. Camiseta fem. G-Unit R$ 85,00 R$ 80,00 R$ 89,00 R$ 118,00 R$ 49,00 R$ 100,00 R$ 138,00 R$ 110,00

18. add to cart 17. 19. 62 20. 21. 17. Camiseta masc. Polaroid Hotel Tee’s 18. Camiseta masc. Zoo York 19. Camiseta masc. Marc Ecko 20. Chapéu Chilli Beans 21. Camiseta masc. dupla face adidas Originals 22. Camiseta fem. Rocawear R$ 49,00 R$ 88,00 R$ 148,00 R$ 138,00 preço sob consulta R$ 122,00 22.

23. 23. Óculos Evoke 24. Relógio Nixon The Motiff 25. Camiseta fem. Mc Asas G-Unit 26. Camiseta fem. Folly 27. Chapéu fem. Chilli Beans 28. Camiseta masc. Zoo York 29. Camiseta masc. Nike Canarinho 30. Carteira EstudioMojo para LOOL R$ 430,00 R$ 488,00 R$ 110,00 R$ 45,00 R$ 98,00 R$ 108,00 R$ 69,90 R$ 89,00 24. 26. 25. 63 29. 27. 30. 28.

TexTo FoTos Mário Gonçalino alexandre Vianna 64 OR & CRIAD

outroestilo.com.br edição 03 Dois anos depois da primeira edição em Porto Alegre, a mostra TRANSFER – Arte Urbana e Contemporânea, Transferências e Transformações, tem sua segunda versão na capital paulista, de 20 de julho a 17 de outubro. Instalada no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, a mostra evidencia a força, a qualidade e a relevância cultural da arte vinda das ruas. A estrutura da mostra repete a experiência bem sucedida de Porto Alegre, mantendo os quatro eixos temáticos, cada qual com sua própria curadoria. Mas isso não significa estagnação de ideias, afinal o conteúdo foi inteiramente renovado. Outras obras e ideias. O mesmo aconteceu com os artistas participantes: alguns estiveram nas duas, mas muitos novos nomes foram adicionados. Assim como em 2008, um grandioso experimento arquitetônico skatável ocupa lugar de destaque no pavilhão, atraindo olhares (e ouvidos, afinal o barulho do skate ecoa forte pelo espaço) para a obra projetada pelo coletivo Noh em colaboração com o arquiteto Pedro Mendes da Rocha. Com curadoria e coordenadoria geral de Lucas Pexão, TRANSFER está dividida nos tais eixos temáticos: Intervencionistas, Mauditos, Beautiful Losers e Autoindicados (que antes chamava-se Street Fine Art). Para mostrar quem são os rostos por trás das obras e, ao mesmo tempo, para saber a explicação dos autores sobre suas criações, visitamos a TRANSFER para algumas fotos e perguntas. Silvana Mello, Walter Nomura (aka Tinho) e Luciana Araujo: criadores e criaturas, lado a lado. Criador: LUCIANA ARAUJO Criatura: CÉRBERO Qual o significado? “Atração, repulsa, prazer, dor, intenções... dualidades.” Importância da TRANSFER “A TRANSFER mostra de maneira abrangente como começou a se desenvolver a cultura independente no Brasil.” 65

A trAnsfer é importAnte pArA entender porque esses ‘moleques vadios’ não viraram bandidos ou moradores de rua” 66 Criador: WALTER NOMURA (TINHO) Criatura: “A CHEGADA DE PEDRO, O GRANDE” Qual o significado? “Pedro, o Grande, queria modernizar a Rússia, pois na época (reinou de 1682 a 1725) o país estava muito subdesenvolvido em relação as potências da Europa. Mandou então reconstruir a cidade inteira, com prédios enormes e com as melhores tecnologias disponíveis. Pedro também é o nome do meu filho, que tem 10 meses. O resto deixa para as pessoas fazerem suas próprias leituras...” Importância da TRANSFER “A TRANSFER mostra trabalhos muito bons, de jovens artistas que já produzem há muito tempo e que tem um reconhecimento mundial. É importante para entender porque esse bando de moleques vadios não viraram bandidos ou moradores de rua.”

TRANSFER 20 de julho a 17 de outubro de 2010 De terça a domingo, das 9h às 18h (entrada até às 17h) Entrada gratuita Pavilhão das Culturas Brasileiras - Pq. Ibirapuera Rua Pedro Álvares Cabral, s/n - São Paulo/SP pela curadoria da transfer ser feita por alguém de fora de sp, você não vê ‘panelas’, e consegue ter uma boa ideia do que anda acontecendo no circuito das artes.” Criador: SILVANA MELLO Criatura: “MENINO COM AVIÃO PEGANDO FOGO” Qual o significado? “Ela é de 2007. Na época estava fazendo coisas pra levar pra exposição coletiva da O Contemporary, em Brighton (UK). Por ser minha primeira mostra no exterior, quis mostrar técnicas variadas que já tinha usado. Neste caso, um shape escavado, e a impressão sobre papel de livros antigos com algumas colagens (xilogravura). Usei as referências que ainda costumo usar, o lúdico da infância dos anos 40 e 50, contrapondo com a realidade cruel dos dias de hoje, guerras, destruição, indiferença, desigualdades. Mas tento passar, apesar do conteúdo, uma imagem simples e bonita.” Importância da TRANSFER “Acredito que existe na TRANSFER uma curadoria como poucas. Até por ser feita por alguém de fora de São Paulo, você não vê ‘panelas’. Consegue ter uma boa ideia do que anda acontecendo no circuito das artes.” 67

entrevista Fotos renato custodio e marcelo viegas renato custodio new york in furs j o e l 68 s t o n e s

outroestilo.com.br edição 03 69

Figuraça. Não tem descrição melhor. Joel stoNes é uma Figuraça. mas é também um batalhador, aFiNal saiu do brasil com 700 dólares para teNtar uma vida melhor Nos eua, e coNseguiu. assim, além de Figuraça e batalhador, é também um realizador. ou, como ele mesmo diz, “NegociaNte, admirador de arte e ator”. começou FazeNdo história No uNdergrouNd paulistaNo No começo dos NoveNta, com a casa NoturNa armageddoN. baNdas como piN ups, mickey JuNkies e Wry passaram pelo seu palco, em aNimadas Noites que tocavam o melhor da música alterNativa da época. apesar da aura cult, Não deu diNheiro. com os bolsos vazios, Joel trocou guarulhos por miami, em 1998. passou apertos FiNaNceiros, eNcarou subempregos e, mesmo assim, Não perdeu o bom humor. Nem a esperaNça. eNtão, Numa daquelas reviravoltas de ciNema, coNheceu uma garota sueca, mudou-se para NeW york e, mais uma vez, recomeçou. 70 Qual seu nome verdadeiro? Joel dos Santos Oliveira. O Stones é uma mistura de várias letras que formam meu nome, pois achava “dos Santos Oliveira” muito grande. Ficou popular porque minhas irmãs começaram a me chamar assim e tal. Isso há muito tempo, desde que eu era muleque. Quantos anos você tem? 38. Agora estou com excesso… De que? (risos) De gostosura (risos). Entendeu? Você nasceu em São Paulo? Sim, sou do Belenzinho. Mas fui morar em Guarulhos. Aí morava em Guarulhos mas ficava andando em São Paulo. Tudo conexão, né? Lembra qual foi o primeiro disco da sua coleção? Não faz mais parte da coleção, mas lembro sim. Meu primeiro vinil foi “Morrison Hotel”, The Doors. Nunca falei isso pra ninguém, é a primeira vez. Depois comprei The Cure, Ramones, Cramps, Clash. Aí começou a ficar séria a parada… Mas o Doors foi o primeiro. Nessa época, 82, 83, 84, rolava muito (fita) tape. Eu ficava fazendo tapes em casa, gravando direto do rádio os programas. Mas antes, nos anos 70, tive muito contato com os vinis, tinham vários em casa. Minha mãe ouvindo Roberto Carlos… Cresci pisando em discos, mas não chamou minha atenção naquela época. de eNtregador de pizza a eNgraxate No goldmaN sachs, um dos maiores baNcos NorteamericaNos. com suas gorJetas geNerosas Foi compraNdo discos, muitos discos. com o radar ligado, percebeu que raridades da música brasileira eram veNdidas a preço de baNaNa em Ny. caçava as relíquias e as reveNdia No ebay. proNto, Nascia o embrião da sua loJa, a coNceituada tropicalia iN Furs, de portas abertas No east village e Famosa muito além das FroNteiras americaNas. detalhe: especializada em música brasileira. “abri a loJa com 600 viNis. hoJe teNho mais de 10 mil”, coNta. E qual o último disco que você comprou? Como eu tenho a loja, é difícil separar o que é pra mim e o que é pra loja. Sempre falo “esse aqui não vendo de jeito nenhum”, mas acabo vendendo... mas os últimos que comprei (pra mim) foram Ave Sangria, Paulo Bagunça (esse eu vendi e me arrependi, porque não achei outro) e Walter Franco. Ah, acabei vendendo o Ave Sangria também. Os caras vêm aqui, ouvem, ficam doidos e pagam uma fortuna. Não satisFeito, Joel decidiu que laNçaria uma compilação com raridades do rock psicodélico brasileiro, dos aNos 60 e 70. a bolacha, iNtitulada “braziliaN guitar Fuzz baNaNas”, saiu No começo de 2010 e traNsFormou-se Num graNde sucesso. lp duplo, com capa e óculos 3d, livreto e repleto de preciosidades. Joel está radiaNte. e com razão. Como surgiu a casa noturna Armageddon? Não gosto de tocar nesse assunto, mas vou falar pra você. Comecei como chapeleiro no Armageddon, quando ainda era em Mairiporã. Fechou em Mairiporã, montaram em São Paulo, na R. Augusta, não deu muito certo e foram pro Anhangabaú. E aí o sócio do dono ia sair, e ele perguntou se eu sabia de alguém que pudesse comprar a parte desse cara. Perguntei quanto era, ele disse “é tanto”. Eu tinha “tanto”, e comprei. Fiquei lá de 1991 a 1994. Foi um período muito rápido, e fiz o melhor que pude. Bons momentos, maus momentos. Fui o último a fechar a porta e sair. Muita gente lembra do Armageddon por causa da mini-ramp pra skate que tinha lá, fazia muito sucesso. Todos os skatistas profissionais da época passaram por lá. Uma galera muito sua história merece ser coNtada. aqui está. Tem disco que você não venderia nem por uma fortuna? Não, venderia qualquer disco. Tem uns que não vendo agora, porque quero usar pra discotecar e tal. Mas uma hora eu vendo, depois pego outro. Mas o Walter Franco não quero vender agora, pois estou ouvindo e curtindo. Mas não tem essa: vendo qualquer coisa. Vendi até um “O’Seis” (banda pré-Mutantes), por 5 mil dólares. Um disco que não queria vender, mas tenho que pagar o aluguel! Se não vendesse, como sobreviveria?

interessante. Muitos skatistas iam de domingo, porque rolava rap. Teve show do RPW, Pavilhão 9, etc. E também tocaram as bandas da cena independente da época, como Pelvs, brincando de deus, Low Dream, Pin Ups, Mickey Junkies, Coffin Joes, No Violence, que era uma banda que não bebia... Como é que chama aquele pessoal que não bebe? Straight Edge. Isso, Straight Edge! O cara da banda me disse “vai ser o show mais bombado da história do Armageddon”. Eu falei “pára, você tá falando besteira”. Mas foi: nunca vi tanta gente como naquele dia, mas ninguém bebia. O bar foi uma falência. Muito estranho... (risos) Só água. Achei aquilo a coisa mais bizarra. E o que aconteceu quando fechou o Armageddon? Fiquei quebrado, não tinha dinheiro pra nada. Como sempre quis vir para os EUA, então decidi mudar pra cá. Mas foi difícil, pois não tinha dinheiro. Tive que vender tudo. CD’s, discos, vendi tudo. E mesmo assim não dava, pois a passagem era muito cara. Cheguei aqui com 700 dólares. Paguei dois meses de aluguel, fiquei com 300, gastei, comprei comida e o dinheiro acabou. Aí arrumei um emprego, ganhava $1,75 por hora, era tipo um escravo. Mas rolou de montar um negócio, vou tentar resumir a história: conheci uma brasileira na rua, chamada Fátima, uma negra, baixinha, com uma voz estrondosa. Eu estava na rua e ela perguntou: “brasileiro?” Disse que sim, e ela: “Tá com fome?” Eu estava morrendo de fome, ela me levou pra casa dela, me deu comida. Fui no banheiro, e na volta vi uma bicicleta. Pensei “bicicleta, comida...” Falei pra ela: “por que a gente não junta nossa grana, compra comida, você prepara e eu vendo lá no posto de gasolina?” E aí comecei a entregar comida de bicicleta e fazer dinheiro. Sempre tive tino pra negócio: meu negócio é negócio! Sou negociante. Se você cagar num saquinho, eu vendo seu cocô. E, além disso, sou admirador da arte. Sou ator, atuo. Mas isso é outra história. Enfim, depois de um mês, estávamos fazendo algum dinheiro, e eu já pensava grande. “Quero ser dono de restaurante, montar uma rede”. Daí um dia estava vendendo, e parou um cara, num carro enorme. Nunca tinha visto um carro tão grande na minha vida. O cara comprou nosso marmitex, provou e perguntou quem fazia a comida. “Minha tia”, respondi. “Você tem o telefone dela?”, e eu inocente dei o telefone. Na hora ele ligou, chamando-a pra trabalhar. Ofereceu 400 dólares por semana, uma grana boa pra Miami naquela época, dava pra morar em apto com piscina. Ela topou, mas disse que eu tinha que ir junto. O cara disse que não precisava de ninguém, mas disse que tudo bem, que podia ir também e ficar de boa lá no restaurante... Ficar de boa o caralho! Fiquei lá feito um escravo, comecei a fazer tudo, limpava, cozinhava, puxava, levava... “Limpa a mesa, Joel! Limpa a mesaaaaa!” Limpava, subia, descia, e aí gritavam: “A saladaaaaaaaaaaa!!” Quando fui receber, 100 pau. “Deve ser da gorjeta”, pensei (risos). Não é possível que fosse o salário, mas era. Mal dava pra pagar minha condução. Um dia, voltando pra casa, falei com Deus e pedi “me manda um anjo”. Cheguei em casa, e tinha uma loirona sentada no sofá com um cigarro na mão. Eu ainda não falava inglês, então só disse “oi”. Escutei o barulho do chuveiro, e deduzi que ela era “amiga” do meu amigo. Era alta, sueca misturada com polonesa, olhão azul. Meu coração tremia... Cheguei em NY e o bicho pegou. Aqui é foda. Miami é fácil, mesmo ganhando pouco. Aqui foi drástico. NY te pega, chacoalha e pergunta “qual é, brother? Você é de pedra ou de areia?” 71

72 É difícil parar de fazer uma coisa que dá dinheiro para fazer uma que não dá tanto dinheiro, mas é o que você gosta de fazer de verdade

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A ideia é montar uma loja Tropicalia in Furs no Brasil, especializada em discos internacionais. Morar no Brasil ainda não sei, mas vou cinco vezes por ano, então estou sempre por aí. Adoro essa coisa de NY, SP, RJ e NY... 74 E quem era ela? Era a mulher que, no final, me trouxe para NY. Mas nesse dia, quando a conheci, meu amigo quase me matou, porque ele estava afim dela. Entrei no banheiro e perguntei “quem é ela? O que tá pegando?” E ele “sai fora, negão, que é minha” (risos). Aí fiquei na boa e fui dormir. Bateram na porta do quarto, era ela. “Vem com a gente”. Olhei pro meu amigo e ele com cara de “não vem, fica aí”. Mas ela insistiu, dizendo que queria me apresentar pra irmã dela. Pensei que “se a irmã for a metade dessa aí, tô feito”. Fui com eles. No caminho pensava: “será que é o anjo que pedi a Deus?” No final das contas, ela queria fazer o esquema do meu amigo com a irmã dela, pois o negócio dela era comigo. Grudou. Mas ele ficou puto (risos). “Vou te amarrar na cama e botar fogo, seu safado”, foram as palavras dele (risos). Enfim, comecei a sair com ela. Alguns dias depois, fui no hotel onde ela estava e tinha um pacote de fotos pra mim. Ela tinha ido embora. E aí? Um dia ela me ligou. Disse que se eu quisesse ir pra NY ela me ajudaria. Juntei as migalhas e comprei uma passagem só de ida. Como foi chegar em NY? Cheguei aqui e o bicho pegou. NY é foda. Miami é fácil, mesmo ganhando pouco. Aqui foi drástico. NY te pega, chacoalha e pergunta “qual é, brother? Você é de pedra ou de areia?” Cheguei em NY com 1 dólar no bolso, então estou sempre no positivo... Por onde você começou aqui? Fui trabalhar num restaurante italiano, onde só trabalhavam brasileiros. Comecei como entregador. No primeiro dia fiz 100 dólares, o que ganhava em uma semana em Miami. “Esse é o lugar, aqui tem jogo”, pensei. Então comecei a trabalhar e a me habituar com NY. O frio chegou... Depois arrumei emprego em outro restaurante, fui melhorando meu inglês, conhecendo mais pessoas. Chegou uma época que tinha dois empregos, de dia e de noite. A noite era num quiosque, e foi lá que uma pessoa me abordou e perguntou se eu tinha interesse em trabalhar como engraxate. Por que? Porque gostou de mim, batemos papo e tal. Perguntou se eu não queria fazer um teste. Falei “pô, engraxar sapato é foda, vamos ver...” Mas ele garantiu que ganharia mais do que onde estava. Aí fui. Era no Goldman Sachs, um banco para milionários, um dos mais poderosos dos EUA. Fiz muitas amizades lá. Nessa mesma época, comecei a discotecar em algumas festas, com minha amiga Zuzuca (Poderosa), e chamava o pessoal do banco pra ir. Eu já estava comprando e colecionando discos. Mas nunca liguei muito pras coisas mais conhecidas do Brasil, como Caetano, Secos & Molhados... Gostava de coisas mais diferentes, e tocava essas coisas na festa, que começou a bombar. E a loja, como começou? Depois do 11 de setembro (2001) deu uma queda no serviço. Em tudo em NY, aliás. Eu estava lá, vi os prédios caindo. O lugar onde trabalhava era bem em frente. Foi uma loucura aquele dia. Até hoje não acredito que estava lá, que vi com meus olhos aquilo acontecendo. A fumaça, os pedregulhos, os vidros dos carros explodindo... Na confusão, achei vários celulares no chão e fui pegando. Corri para um prédio de Wall Street pra me proteger. O segurança pegou minha mochila, esvaziou e viu aquele monte de celulares. Fui levado pra uma salinha, para “explicações”, mas viram que não tinha nada a ver com aquilo e me liberaram. Uma hora depois, quando saí na rua, parecia que o mundo tinha acabado. Parecia que estava num filme do Spielberg. Depois de várias semanas voltei ao trabalho, mas estava muito fraco. Decidi dar um tempo, e fiz uma viagem de 50 dias pelos EUA. “On The Road”. E foi nessa época que surgiu a ideia da loja. Um dia comprei um “Bossa Rio” por $2,99, nem gostava muito, mas estava com saudade do Brasil e comprei. Estava em casa, escutando, aí olhei no eBay e vi que custava 300 dólares. Comecei a rodar nos sebos da cidade, pois eles não conheciam os discos brasileiros e colocavam sempre na promoção.

E aí você foi atrás de um lugar pra montar sua primeira loja? Achei um porão, mas o cara queria 2 mil dólares de aluguel. Expliquei que só precisava de um “cantinho”, e consegui alugar por 500 dólares. O lugar estava podre, destruído, levei 15 dias pra ajeitar. Fiquei um bom tempo trampando em dois lugares: engraxava de manhã, abria a loja a uma da tarde, e ficava até as dez da noite. Foram dois anos assim. Então decidi ficar só com a loja. Apesar de ganhar bastante dinheiro engraxando, se não tomasse essa decisão naquele momento talvez estivesse até hoje engraxando sapatos. É difícil parar de fazer uma coisa que dá dinheiro, para fazer uma que não dá tanto dinheiro, mas é o que você gosta de fazer de verdade. Lá por 2004, quando saiu uma matéria comigo no Brasil, a loja começou a ser falada e tal. Mas só no Brasil, aqui ainda não tinha engrenado. Até que compraram o prédio onde ficava a loja, e tive que sair do porão. Peguei todos meus discos e fui pra casa. Não tinha nem como andar no apto, era só disco espalhado. E sua atual loja, a Tropicalia In Furs, quando abriu? Em 2006. Fiquei dois anos paralisado depois do fechamento do porão. Ficava vendendo disco pela Internet. Até que achei esse ponto onde estou hoje. Peguei dinheiro emprestado pra alugar e reformar, mas já paguei todo mundo. E foi aí que deu certo (risos)! Artistas começaram a frequentar a loja, saiu matéria na MTV, e a coisa foi acontecendo... Como começou a repercussão na mídia dos EUA? Foi graças a compilação (“Brazilian Guitar Fuzz Bananas”). A loja começou a ter propaganda de graça. Aí veio o Village Voice, veio o The Guardian, e a história foi se propagando pela net. A compilação foi um sucesso, né? A compilação explodiu! Levei quatro anos trabalhando nessa compilação, só procurando as músicas, e depois mais um ano pra finalizar o projeto. Remasterização, capa, etc. Na primeira prensagem foram 3500 cópias em vinil e 2000 em CD. Mas já teve segunda edição. Sucesso, sucesso! Como você fez para conseguir autorização dos artistas? Isso foi foda, porque você não tem como autorizar se não acha a pessoa. Fui procurando e conseguindo as autorizações de quem encontrava. Isso rendeu muita história, mas no começo não conseguia achar ninguém. Então achei a Marisa Rossi, graças a uma entrevista que dei para o Village Voice. Uma pessoa leu, foi até a loja e disse que conhecia a filha da Marisa. Nos falamos por email e fui para o Rio de Janeiro para conhecê-la. E aí a Marisa me disse que conhecia o Fábio, que também está na compilação, e assim con- segui encontrá-lo. Quanto mais aparecia na mídia, mais os próprios artistas começaram a me achar. E aí foi rolando... O disco saiu pela Stones Throw Recs. Como rolou isso? O dono do selo, DJ Egon, frequentava a loja. Ele ouvia as músicas e dizia “isso é muito louco”. Então ele disse que queria trabalhar comigo. Mas no começo eu não queria. Queria fazer sozinho, 500 cópias, independente. Não queria o envolvimento da Stones Throw. Foram muitos anos de pesquisa, e não queria que a Stones Throw colocasse o carimbo deles e levassem os méritos. Mas aí ele falou que não precisava do selo, que poderia ser uma parceria entre eu e ele apenas. E mesmo assim, tendo esse cuidado, tem gente até hoje que pensa que foi a Stones Throw que fez. Mas não foi, eu fiz tudo sozinho. Ele ajudou a produzir e a escrever os textos, e nisso aprendi muito com ele. Quando ele entrou no projeto, eu disse “quero tantas mil cópias, quero óculos e capa 3D, quero um livro dentro, etc”. Porque aí tinha dinheiro. Mas a ideia inicial eram apenas 500 cópias pra ter na loja. Qual o próximo projeto? O meu próximo projeto não é apenas um, são vários. Alguns posso contar, outros não, pois ainda estão só no papel. Um deles é terminar o documentário sobre a compilação “Brazilian Guitar Fuzz Bananas”. Ah, e a próxima compilação já está sendo analisada. Como é um projeto muito pessoal, então não tem pressa, só sai quando estiver completamente finalizado. Mas uma coisa eu posso falar: quem gostou da última, com certeza vai gostar da próxima. Bom, não quero falar muito senão perde a graça! E o Brasil? Pretende morar lá de novo um dia? Estou indo para o Brasil em Setembro, para tentar finalizar o filme e também achar o local onde será a loja Tropicalia in Furs no país. A ideia é montar uma loja especializada em discos internacionais. Morar no Brasil eu ainda não sei, mas vou cinco vezes por ano, então estou sempre por lá. Adoro essa coisa de NY, SP, RJ e NY... Primeiro vou montar a loja só por um mês, e depois resolverei o que farei e onde farei. Vai ser bem diferente! O Brasil é um país super interessante, um buraco infinito de cultura, só fui descobrir isso depois que saí do país, entende? Minha ideia agora é explorar isso, cavar um buraco e achar culturas esquecidas. E a música é a prova disso. Temos ainda muitos tesouros enterrados e acho legal a ideia de ir lá “cavucar”, achar e compartilhar! Adoro a palavra cavucar! (risos) Qual o recado pra finalizar? A salada tá prontaaaaaa! 75

76 makephone headup

Maquiagem. Sombra vermelha da palheta v.i.p da Kriolan, nos lábios “glam shine” da Loreal (cor 6h) e blush bronze Dior outroestilo.com.br edição 03 Headphone. Nixon ”Nomadic” R$ 598,00, ouvindo “Love Long Distance” (Gossip) 77

Maquiagem. Sombra usada como rímel da Maybelline “Volum’ Express”, sombra natural Bed Head, nos lábios batom “cremy beige” da Nix e como blush “Entice Glama Powder” Bed Head Headphone. Aerial7 “Tank” R$ 399,90, ouvindo “Going Inside” (John Frusciante) 78

Foto. Alexandre Vianna Modelo. Maila Yumegari Produção. Renata Amaral e Priscila Paula Maquiagem. Tide Martins Agradecimento. Bardot Hair Body Soul Maquiagem. Sombra e rímel “Aqua Color” laranja da Kriolan, nos lábios gloss Bed Head “dumb blond” e blush laranja nix 79 Headphone. WESC “Maraca” R$ 216,00, ouvindo “Over It” (Dinosaur Jr)

texto fotos douglas prieto ana paula negrão Keep BREAST 80 a A ONG Keep a Breast aposta na conscientização e informação através do skate, da música alternativa e da arte contemporânea para a solução de uma das maiores ameaças à saúde feminina: o câncer de mama

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Com o propósito de conscientizar (através da arte e educação) mulheres jovens acerca do câncer de mama, a entidade não governamental norteamericana Keep A Breast reforça a ideia de que nunca é cedo demais para se preocupar com a doença. Com seus sintomas indolores, cerca de 90% dos casos são descobertos pela própria paciente, o que torna o autoexame fundamental para detectar o problema. Essa descoberta precoce, aliada ao vigor físico da juventude, pode ser a chave para a diminuição, e, quem sabe até, a erradicação desse tormento das mulheres e de suas famílias. Canadá, Austrália e países da Europa, além dos EUA, já fazem parte do mapa de ações do KAB. 82 Além dos tópicos diretamente ligados à questão do câncer, outra preocupação do Keep a Breast é a disseminação de um estilo de vida mais saudável, desde alimentação balanceada, com muita fibra e pouca gordura, ao uso de cosméticos que não sejam agressivos à saúde humana. Na divulgação dessa maneira saudável de viver estão, ao invés de tradicionais agentes de saúde, algumas das principais surfistas e snowboarders da América do Norte, além da skatista profissional Jen O’Brien, ex-esposa do brasileiro Bob Burnquist. A MFA (Music for Awareness) é outro importante braço da conscientização: uma seleção de bandas e músicos que utilizam seus shows para atingir o público alvo do KAB, muitos deles dentro do Warped Tour, tradicional festival organizado

pela Vans. A linguagem simples e a forma colaborativa com que a mensagem da organização é passada, aliadas às ações em territórios incomuns para se falar sobre saúde, como campeonatos de skate, surf, snowboard e galerias de arte urbana, tem sido extremamente bem recebidas pelas jovens, provando que é possível mesclar diversão e conscientização sem conflitos. Rita Guedes O principal suporte da expressão artística utilizada pela organização são moldes de seios em gesso, que são pintados e/ou customizados por artistas e posteriormente leiloados. Shepard Fairey (Obey) e o brasileiro Stephan Doitschinoff são alguns exemplos de artistas que já participaram da ação. A KAB é uma organização sem fins lucrativos, ainda que a saúde e vida sejam os maiores bens da humanidade. Toda a renda gerada através da venda de produtos e das ações promovidas é aplicada em programas de educação e prevenção do câncer de mama. O duplo sentido do nome é curioso: além do óbvio significado de “keep a breast” (cuide dos seus seios), o termo “abreast” significa estar atualizado, informado, ser conhecedor das últimas notícias. Síntese perfeita da ideia, que valoriza a informação e o conhecimento visando a preservação da vida. Através de uma parceria com a Revista OE, as primeiras ações da ONG em território brasileiro estão sendo viabilizadas para um futuro próximo. As primeiras brasileiras a ceder suas curvas, já para esse projeto, foram a atriz Rita Guedes, a patinadora Fabiola da Silva e a skatista Karen Jones, além de Camila Rocha (sim, a tatuadora que entrevistamos nessa edição da revista) e Mayra Dias Gomes. Aguardem. O principal suporte da ONG Camila Rocha Keep A Breast são os moldes de seios em gesso, pintados ou customizados por artistas, e posteriormente leiloados. Toda a verba é aplicada em programas de educação e prevenção do Mayra Dias Gomes câncer de mama. 83

84 Puma Basket Drive Thru. R$199,00 Puma First Round Drive Thru. R$299,00 Fallen Revolver. R$330,00 Nike WMNS Air Feather High. R$359,90

outroestilo.com.br edição 03 85 Vans Half Cab. R$199,90 Nike Terminator Low Basic ND. R$329,90 Puma Frankie. R$249,00 Supra Vaider. R$449,90

86 Supra Skytop II. R$499,90 Nike Terminator High Basic ND. R$369,90 Nike Blazer High Canvas. R$209,90 Vans Old Skool Barcelona. R$239,90 Puma 917 Lo Mario Queiroz. R$320,00

Supra Cuban TUF. R$199,90 Puma First Round Drive Thru. R$299,00 Fallen HiVolt Chris Cole Signature. R$374,00 Vans Skate Mid. R$189,90 87

88 Everlast Bronx. R$269,90 Fallen Trooper Chris Cole Signature. R$374,00 Fallen HiVolt Chris Cole Signature. R$374,00 Supra Skytop. R$479,90

Nike WMNS Terminator High Basic ND. R$369,90 Supra TK Society. R$499,90 Nike Dunk High Premium ‘08 ND. R$329,90 Supra Skytop. R$479,90 89

TexTo FoTos 90 RicaRdo NuNes ViNícius PoPó Viajar o país, conhecer a cultura nas mais diferentes cidades e fazer jus ao “BR” que carregamos no nome sempre foi um sonho antigo do SNEAKERSBR. Para celebrar a terceira versão do site, traçamos uma rota pelas cinco regiões do país, cada uma delas representada por um Dunk especial. 16 dias, 9 cidades e um sonho realizado: espalhamos cultura sneaker pelo Brasil. E isso é só o começo... A missão parecia simples: escolher algumas da mais importantes cidades do Brasil, traçar um roteiro, preparar equipamento de foto e vídeo, arrumar as malas (cheias de tênis, é claro) e viajar. Ledo engano. O primeiro dos desafios era encontrar a pessoa certa, que representasse, no vídeo, o SNEAKERSBR, e que fosse a nossa “materialização” nessa aventura de levar a cultura dos tênis para as cinco regiões do país, conhecendo um pouco do que acontece (em termos de arte, esportes, música e diversão) em cidades tão diferentes quanto Manaus e Porto Alegre. O grafiteiro, custom artist, blogueiro e videomaker Vinícius Popó topou a empreitada e a Nike Sportswear nos permitiu criar um tênis especial para cada uma das regiões. Stencil SneakersBR em Porto Alegre

outroestilo.com.br edição 03 Popó em Brasília com nossa anfitriã Priscila Pargo O Dunk foi o modelo escolhido: verde para simbolizar o norte, amarelo para o nordeste, cinza para o centrooeste, branco para o sudeste e azul representando o sul. Em cada um dos (apenas) 60 pares da tiragem promocional, estão presentes símbolos regionais, através das cores dos tênis e, além disso, dos desenhos feitos por Popó e aplicados no par extra das palmilhas. Homenagens a cada uma das cidades visitadas: a Amazônia representando Belém e Manaus, as sombrinhas do frevo para Recife, a fita do Senhor do Bonfim para Salvador, o concreto de Niemeyer para Brasília, o frio do sul, tendo Porto Alegre e Florianópolis como legítimas representantes e, por fim, o branco, mistura das cores e metáfora para a convergência de culturas do país encontrada na dupla Rio-São Paulo. Em cada cidade, representantes locais que nos receberam, nos apresentaram sua terra, sob o seu ponto de vista bem específico e, de quebra e de surpresa, ganharam o tênis feito para aquela parte do país. O resultado é que passamos por karaokê de rock em Belém, conhecemos um pouco da cena skate de Manaus, uma Brasília que não passa nos noticiários políticos da TV, pegamos chuva em Recife num passeio de catamarã, frio (e bota frio nisso!) no sul, mesmo num dia de sol, e pudemos contemplar a execução de um grafite no Rio, pra logo depois voltar para a gigante São Paulo, conhecendo pedaços da cidade que só um paulistano da gema poderia nos mostrar. As 5 palmilhas criadas por Popó para cada uma das regiões Grafite deixado em Recife marca o projeto Espalhando Cultura Sneaker Pelo Brasil e a versão 2010 do SneakersBR Foi gratificante para nossa ideia de divulgar a cultura sneaker pelo país. Uma missão de 16 dias, 9 cidades, milhares de quilômetros rodados, vários tênis distribuídos, grafites registrados, muito perrengue e diversão. As certezas: o Brasil é mesmo grande e cheio de cidades diferentes, e em todas há gente muito legal de todos os estilos - fazendo essa história de cultura urbana acontecer. Essa foi apenas a primeira edição do projeto Espalhando Cultura Sneaker pelo Brasil, cujos episódios em vídeo você confere a partir de setembro em: sneakersbr.com.br Apoio Cultural: NIKE SPORTSWEAR 91

baixe o documentário dirtymoney.com.br

texto e fotos 94 alexandre vianna

outroestilo.com.br edição 03 95

SEjA um dELES 96 Acordei, abri os olhos, olhei pela janela e vi o deserto passando. Cataventos brancos, modernos, altos, sempre em bando, pareciam correr pelo terreno arenoso. Apertei meus olhos com toda a força que minhas mãos, a beira do formigamento, permitiram. Naquele momento um carro passou ao lado do nosso emitindo vozes femininas enlouquecidas. Eu, ainda concentrado no meu despertar, naquele banco de trás da carona, consegui ler os rabiscos coloridos que preenchiam a lateral do veículo poluente: “Coachella 2010”. Eram sete da manhã quando pegamos a rodovia de Los Angeles na direção de Indio, a cidade no sul da Califórnia, onde naqueles próximos três dias iria acontecer um dos maiores festivais de música do mundo. Seguiram aquele primeiro carro vários outros, rabiscados e pintados. “Eu estou indo pro Coachella”, “Quero ficar na área VIP”. A estrada rumo a Indio era tomada de expectativa e criatividade, como se todos estivessem fazendo um protesto pela diversão, e ao mesmo tempo, interagindo. “5 girls, 3 days, 1 word: Coachella”. Sei lá se isso é do americano ou apenas do californiano, mas era um aviso que o festival ia acontecer com muita emoção.

Era previsto: trânsito logo na chegada, rumo a um estacionamento um pouco afastado do Empire Polo Club, sede do evento. Uma boa caminhada no deserto para chegar até os portões de entrada. Coachella gasta a sola e é bom ter preparo físico para andar alguns quilômetros durante três dias entre seis palcos e diversas tendas, pra tentar ver uma pequena parte das mais de 120 bandas escaladas pra essa edição do festival. O evento começava de manhã, por volta das dez horas, e terminava perto da meia noite e, claro, foi necessário fazer uma pré-escolha das bandas antes de ir ao Polo Club para não desperdiçar tempo, perdido, sem rumo, no meio da multidão de 225 mil pessoas. O line-up era surpreendente e esse festival realmente tem a fama de escalar bandas emergentes, que serão bem conhecidas em pouco tempo. Além das bandas novas, Jay-Z, Muse, Thom Yorke, Pavement, Gorillaz, LCD Soundsystem, Vampire Weekend, Faith no More, Spoon, Orbital, Dirty Projectors, She & Him, MGMT, Camera Obscura, Mew, Girls, The Big Pink, além de mais uma centena de bandas. Mas eu queria mesmo ver Phoenix, um pouco de Yo La Tengo, e o mestre dos mestres, Gil Scott-Heron, “The revolution will no be televised brother”. Esse influenciou boa parte da minha juventude. Foi inesquecível. Além de correr pros palcos, era importante pausar nas arenas de cerveja do evento, também chamados de “jardins de cerveja”, permitidas apenas para maiores de 21 anos. E ainda não terminou: algumas atrações diferenciadas, como uma tenda de DJ’s bem no centro do Polo Club, que bombava som eclético de qualidade. Além disso, são centenas de banheiros químicos, filas pequenas, áreas de lazer que funcionam e cronogramas cumpridos. Mas o grande lance do Coachella é estar lá, participar ao lado de neo-hippies, neo-punks, emos e coroas misturados aos modernos, aos perdidos, aos cervejeiros e aos fantasiados. É ser um deles, por três dias, longe dos Youtubes, Vimeos, transmissões ao vivo via internet, enfim, longe dos computadores de uma forma geral. É o que transforma a experiência de atravessar um continente para ver shows de rock. As 225 mil pessoas são tão importantes quanto as 120 bandas, e é nelas que está o sentido de tudo aquilo acontecer. Dos carros pintados às roupas exóticas, as fantasias, o comportamento de um público de gostos diferentes, que parece querer se libertar de uma rotina, para se conectar com um mundo mais lúdico, criado pela aventura de estar em um festival de música de uma maneira geral. O Coachella Valley Music & Arts Festival acontece desde 1999, e está consolidado numa agenda que vale ser experimentada. www.coachella.com 97

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preferências TeXTO fOTOs marcelO viegas aTilla chOpa 100 Alexandre Cruz. O Farofa do Garage Fuzz. O Sesper da Street Art. A variedade de “nomes” combina com a personalidade multiuso do santista radicado em São Paulo. Brooklyn é o bairro onde reside com a esposa Alexandra Briganti (vire a página para conhecê-la), as duas filhas e o cão Samuel. Seu ateliê, nos fundos do sobrado, foi uma escolha natural para a foto. Carinhosamente apelidado de Jamaiquinha, é o lugar onde o artista passa a maior parte do tempo, criando e pesquisando. Típico reduto masculino, a Jamaiquinha é o terror da esposa: “Deus me livre, eu nem entro naquele lugar”. Alexandre ri, e confirma: “Ficou meio clube do bolinha, por causa da bagunça”. Suas escolhas refletem perfeitamente o universo no qual está inserido, seja como admirador ou criador. A maciça influência da cultura do Skate, combinada com a não menos importante ligação com o Hardcore e a Street Art. Alexandre é fiel às suas raízes. alexandre cruz

outroestilo.com.br edição 03 LIVRO DO PHIL FROST COM DEDICATÓRIA “Esse livro ganhei de presente do Flip, que ficou uma hora na fila para catar uma dedicatória. Na época que começamos a colar pôster e fazer street art, o Phil Frost era uma de nossas principais referências, por causa do vídeo Standpipe Siamese and the Adventures of Frost, que passou no fim dos anos 90 na TV Cultura.” QUADRO DO BRIAN BAKER (COM A PRIMEIRA FOTO DO DAG NASTy NA THRASHER ASSINADA E DUAS PALHETAS) “Quem me deu essa foto foi o Chima. Ela estava colada na parede da Mad Rats, ali da Faria lima, e eu pagava um pau. Quando fecharam, ele me arrumou. O Brian Baker assinou quando veio pela primeira vez no Brasil com o Bad Religion. As palhetas são da tour de 96 também. Meu guitarrista de rock favorito.” RASTA DECKS 80’S: STEADHAN, THRONN E JOHN THOMAS “Todos foram comprados na última década, mas simbolizam muito os anos 80. O Steadhan pelo logotipo do leão, que usei um milhão de vezes; o John Thomas por ser de uma fase da equipe da Alva, esse deck saiu depois dele correr o campeonato Savannah Slamma; e o clássico deck do Thronn, com arte feita pelo Billy Argel, que para mim representa muito São Paulo 88/89. Tudo isso escutando Bad Brains!” STICKER COLLECTION “Estou mais desencanado atualmente, destruí muita coisa boa dessa coleção em armários nos últimos 25 anos. Ainda restou alguma coisa, mas já foi o dobro disso. Curto um da Energia Surfboards, de 1985.” K7’S DA THRASHER “Escutava muito isso nos anos 80, mas nunca tive as originais. Comprava as piratas de um cara do Sul, que vendia fitas nos anos 80 com o nome de ‘SS Fucking Tapes’. Faltam só duas para ter a coleção completa. Um dia chego lá.” QUADRO DE RESINA “Cresci em Santos e via muita gente fazendo pranchas de surf. Alguns muito bem, outros nem tanto. Não imaginava que depois de mais de vinte anos desse contato, fosse utilizar resina nos meus trabalhos...” TELA DE SILK DE SHAPE DA SURFCRAFT “Esse é o ponto inicial para o ‘re:board 2’, uma tela original da Surfcraft, que acredito ser umas das primeiras também. Foi cedida para o acervo do re:board por Cesinha Chaves. Sempre fico olhando para a tela e imaginando as histórias que já viveu!” VHS TINCAN FOLKLORE (STEREO) “Vídeo de skate que conta com muito Tortoise na trilha. O vídeo é de 96, e pra falar a verdade foi a primeira vez que escutei Tortoise. Na minha opinião, é o último vídeo bom da Stereo nos anos 90. Conta com uma parte no final que já era a despedida do Jason Lee do Skate rumo ao cinema e sitcoms. Raw SF!” PÔSTER DO JUDGE COM DEDICATÓRIA DO PORCELL “Esse pôster veio do nada, dentro de uma caixa de discos que encomendei em 94. Era o pôster que vinha na tiragem original do vinil de 89. Esse disco é o melhor mix de hardcore novaiorquino e metal feito com bom gosto.” PÔSTER DO SCREAM (EM UK) ASSINADO POR DAVID GROHL “Um amigo meu recebeu esse pôster em 1989, mas como estava na pegada crust acabou me jogando na mão, porque eu curtia Scream e Visions of Change. A Alê levou para o David Grohl assinar, e ele comentou que aquela foi a primeira vez que tocou fora dos Estados Unidos.” 101

preferências 102 Março de 1999. Dentro de um salão de festas, numa chácara em Itapecerica da Serra (SP), o KISS cover faz um show para uns poucos privilegiados. Alexandra Briganti canta e dança, radiante. Era o seu casamento com Alexandre Cruz (volte uma página para conhecê-lo). As meninas Rebecca, 8 anos, e Abigail, 5 anos, são os frutos dessa relação duradoura, que começou muitos anos atrás, na época em que Alê ainda tocava no Pin Ups. Atualmente ela comanda a empresa Conteúdo Musical, especializada em produção, consultoria e assessoria artística. Sua seleção para a matéria é bem variada, indo de Hello Kitty a Stooges, e passando por um kit de maquiagem do KISS, os certificados de nascimento das filhas e uma lembrança bem diferente que ganhou de Kurt Cobain, quando ele veio para o Brasil em 1993. Menina, mãe, roqueira: as preferências da Alê. ALEXANDRA BRIGANTI;

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