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Resumomemorialdoconvento

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Information about Resumomemorialdoconvento

Published on March 13, 2014

Author: e-for-all

Source: slideshare.net

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Memorial do Convento Título O título sugere memórias de um passado delimitado pela construção do convento de Mafra, com o que de grandioso e de trágico representou como símbolo do país. Relação Título/Conteúdo O título apresenta uma carga simbólica quer enquanto sugere as memórias – evocativas do passado – e pressuposições existenciais, quer ao remeter para o Mundo místico e misterioso. Ao lado da história da construção do convento, com tudo o que de grandioso e de trágico representou, surge o fantástico erudito e popular que permite a realização dos sonhos e as crenças num universo de magia. O Convento de Mafra liga-se ao sonho dos fardes que aproveitam a oportunidade de terem um convento, mas reflete, sobretudo, a magnificência da corte de D. João V e do poder absoluto, que se contrapõe ao sacrifício e à opressão do povo que nele trabalhou, muitas vezes, aniquilado para servir o sonho do seu rei. Com as memórias de uma época é um romance histórico, mas simultaneamente social ao fazer a análise das condições sociais, morais e económicas da corte e do povo. O Narrador É na generalidade, heterodiegético, isto é, um narrador de 3ª pessoa que relata a história, que estrutura os factos, mas que, embora não participando na narrativa, consegue organizá-la, manipulá-la, controlando-a através de um tom judicativo, moralista, através dos seus apartes, opiniões, tomadas de posição, comentários e ironias, tantas vezes, cáusticas. É um narrador irreverente, assume uma posição subjetiva em relação ao que narra, que não é indiferente, que reage, que se manifesta. Passa a ser um narrador homodiegético, incluindo-se a si próprio e ao narratório no fio narrativo, como acontece na apresentação de Baltasar ou na referência à passagem dos condenados no auto de fé. Quando o narrador transfere a impessoalidade da 1ª pessoa do plural para a individualidade da 1ª pessoa do singular, num discurso autodiegético ganha nova dimensão, tal como ocorre, na apresentação da mãe de Blimunda nesse mesmo auto de fé. É também um narrador, possuidor de um olhar crítico, que assume, recorrentemente a uma posição omnisciente, o que lhe permite conhecer todos os factos. Este conhecimento da História, possibilita-lhe a apropriação do passado e do futuro. O narrador recorre à focalização interna, ao assumir o ponto de vista de personagens, ora, embora raramente, à focalização externa, tornando-se mero observador. Classificação (tipo de romance) Romance histórico que descreve a sociedade portuguesa no início do século XVIII marcado pela sumptuosidade da corte associado à Inquisição e, pela exploração dos operários. Dentro da linha Neorrealista, preocupado com a realidade social, em que sobressai o operário oprimido, Memorial do Convento apresenta-se também como um romance social. Designamos a obra como romance de espaço ao representar uma época, interessando-se por traduzir não apenas o ambiente histórico, mas também por apresentar quadros sociais que permitem um melhor conhecimento do ser humano. Ação A ação principal é a construção do convento de Mafra. Paralelamente à ação principal encontra-se uma ação que envolve Baltasar Sete Sois e Blimunda Sete Luas. As duas ações voluntariamente surgem em fragmentos que se reconstituem por encaixes vários e recriam situações, costumes, tradições, ambientes e problemas. Espaço Memorial Do Convento Página 1

Os espaços físicos privilegiados pela ação são Mafra e Lisboa, sendo também espaços sociais. Lisboa – “Esta cidade mais que todas, é uma boca que mastiga de sobejo para um lado e de escasso para o outro” Mafra – Encontramos constantes referências a que dava trabalho para muita gente, mas socialmente destruiu famílias e criou marginalização. Alentejo – surge igualmente como um espaço social importante, na medida em que permite conhecer-se a miséria que o povo passava. Tempo Esta categoria narrativa assume diferentes aspetos: • Tempo histórico – os acontecimentos desenrolam-se no século XVIII, que é definido por eventos históricos: o O casamento de D. João V com D. Maria Ana Josefa – 1708; o O início da construção do convento de Mafra – 1717; o O último auto de fé onde é sentenciado António José da Silva – 1739 • Tempo diegético ou da história – é o tempo da ação, ação que se organiza, de uma maneira geral, cronologicamente. No entanto, é evidente que para José Saramago, as referências cronológicas não são essenciais e, por isso, aparecem, muitas vezes, nas obras, apenas por dedução. o A narrativa inicia-se por volta de 1711; o O auto de fé onde Baltasar é queimado conjuntamente com António José da Silva, em 1739. Em Memorial do Convento há a reconstituição histórica do século XVIII, em Portugal. Pode-se, então, concluir que a narrativa se reporta a vinte e oito anos decorridos entre 1711 e 1739. • Tempo do discurso – Em Memorial do Convento, o narrador faz ressurgir o passado e analisa-o conscientemente com a sua visão do presente. O passado serve, então, e muitas vezes, para criticar o presente, de uma forma muito peculiar Estrutura da ação Apresenta duas linhas condutoras da ação – construção do Convento de Mafra e a relação entre Baltasar e Blimunda – que se entrelaçam com acontecimentos diversos, recolhidos na História ou fantasiados. Está dividido em 25 partes ou capítulos, não nomeados nem numerados, mas perfeitamente reconhecidos pelos espaços brancos que os separam As Personagens D. Maria Ana Josefa Vinda de Áustria limita-se a assumir apenas a sua função reprodutora, de modo a dar ao rei, um descendente legítimo. Funciona como o símbolo da mulher submissa, obediente e dependente, que vive uma relação fria e vazia de sentimentos com o rei, o que a leva a sentir- se frustrada, canalizando para o mundo dos sonhos a sua sexualidade reprimida. Assim, sonha com o seu cunhado, o infante D. Francisco. É uma mulher frustrada, infeliz e traída, que, apenas no mundo onírico se liberta e transgride as regras sociais e morais estipuladas. No fundo, estes sonhos acabam por dar à rainha uma dimensão menos estereotipada e mais humana. Consciente da transgressão que as fantasias com o cunhado representam aos olhos Memorial Do Convento Página 2

da moral, omite essa circunstância ao seu confessor, vivendo atormentada com esse pecado. Esses desvaneios terminarão quando o próprio D. Francisco, com o objetivo de alcançar o poder, lhe propuser casamento, aproveitando-se da doença do rei. D. João V D. João é caracterizado como um rei megalómano, infantil, devasso, libertino e ignorante, que não hesita em utilizar o povo, o dinheiro e a posição social para satisfazer os seus caprichos. Poderoso e rico anda preocupado com a falta de descendente, apesar de possuir bastardos. Promete “levantar um convento em Mafra” se tiver filhos da rainha Maria Ana Josefa, com quem tem relações para cumprimento de dever, em encontros frios e programados. A sua pretensão vai realizar-se com o nascimento da princesa Maria Bárbara e, apesar de deceção por não ser um menino, mantém a promessa. Os Oprimidos O povo Personagem importante, o povo trabalhador construiu o convento de Mafra, à custa de muitos sacrifícios e mesmo de algumas mortes. Definido pelo seu trabalho, pela sua miséria física e moral, pela sua devoção, este povo humilde surge como o verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V. Baltasar É um mutilado da guerra que, no início da obra, é apresentado como um homem rude, um marginal, capaz de matar, mas a partir do momento que conhece Blimunda, num auto de fé, no Rossio, transforma-se por amor. Baltasar Sete-Sóis vai ter um papel fundamental na consecução do projeto do padre Bartolomeu. Será ele que o vai materializar, que vai transformar o sonho em realidade e essa tarefa acabará por lhe restituir a sua grandeza humana, abalada com a perda da mão esquerda, dando-lhe uma nova dimensão divina, pois Bartolomeu Lourenço compara-o com Deus que “é maneta” “e fez o universo” Blimunda É uma mulher extraordinária, dotada de poderes únicos que a fazem ver o interior das pessoas e das coisas, quando está em jejum e quando não muda o quarto da lua. Tal como o padre afirma, comparado com o seu poder, voar é coisa simples. Filha de Sebastiana Maria de Jesus que fora, pela Inquisição, condenada e degredada, por ser cristã-nova, conhece Baltasar. Com capacidades de vidente e possuidora de uma sabedoria muito própria, vai ajudar na construção da passarola e partilhar com Baltasar as alegrias, tristezas e preocupações da vida. Blimunda é uma estranha vidente que vê no interior dos corpos os males que destroem a vida e consegue recolher as “vontades” vitais que permitirão o voo da passarola do padre Bartolomeu. Por amar Baltasar, Blimunda recusa usar a magia para conhecer o seu interior. O poder de Blimunda permite, simultaneamente, curar e criar, ou melhor, ver o que está no mundo, as verdades mais profundas que o sustentam. Bartolomeu Lourenço, compreendendo perfeitamente, a complementaridade deste casal, batiza de Blimunda de Sete-Luas “Tu és Sete-Sóis porque vês às claras, tu serás Sete-Luas porque vês às escuras”. Padre Bartolomeu Lourenço Memorial Do Convento Página 3

O sonho da passarola voadora e a sua futura realidade apresentam o padre Bartolomeu como um homem que só conseguirá evitar a inquisição pela amizade que lhe tem o rei D. João V, que também possui o sonho e a esperança da máquina voadora. Ajudado por Baltasar e Blimunda e, por vezes, com a companhia de Domenico que ao som do cravo sonhava e ajudava a sonhar, o padre Bartolomeu construiu a sua obra. Domenico Scarlatti É o músico italiano, exímio executante de cravo, que vem para Portugal para dar aulas de música à infanta e que, fascinado pelo sonho do padre, se transformará no quarto elemento a dar um contributo para a concretização do projeto de voar. Junta-se à trindade terrestre, partilhando o seu segredo e, no momento em que a passarola se eleva no ar, Scarlatti, que tinha levado um cravo para a abegoaria, associa a sua música a esse instante, atirando, em seguida, o seu cravo para o fundo de um poço para esconder da Inquisição a sua ligação ao projeto do padre. O maestro acompanhou o processo de construção da passarola, interpretando o seu instrumento e foi também a sua música que curou Blimunda e que lhe restituiu a vontade de viver. Depois de recolher as vontades dos vivos, por ocasião da febre- amarela e da cólera em Lisboa, Blimunda fica muito debilitada e a música funcionará como a salvação. Trindade Terrestre Os três elementos que constituem este conjunto, e cujo nome começa pela letra B emprestaram parte de si à construção da passarola e vão sofrer as consequências dessa entrega. Baltasar e Blimunda apropriam-se do sonho do padre, tornam-no como seu e dão-lhe uma nova dimensão. Partilham com o padre as dúvidas, as alegrias, o sofrimento e as consequências. Vão sofrer, como se a sua ousadia de querer voar merecesse um castigo: o padre enlouquece e morre, Baltasar é queimado num auto de fé e Blimunda assiste à morte do seu homem, depois de uma busca dolorosa de nove anos. Apesar de ser o mentor do projeto, quando a passarola cai no Monte Junto, o padre, enlouquecido, tenta destruir a sua máquina e foge, deixando ao casal o encargo de a manter escondida do Santo Ofício, mas em condições de voar. Podemos comparar, por oposição, a construção do convento, fruto da vaidade de um homem e realizado, coercivamente, por outros, com a construção da passarola, fruto do sonho de um homem, partilhado com outros. A construção do convento remete para um universo de egoísmo, de humilhação e de repressão, pelo contrário, o projeto de Bartolomeu Lourenço espalha a capacidade de sonhar, de acreditar nos outros e na grandeza do homem. Universo Simbólico A História de Manuel Milho A história, que Manuel Milho vai contando, durante os vários dias que dura o transporte da pedra Benedictione, é uma reflexão sobre a existência humana e mostra que, no fundo, o mais importante é o ser humano e a sua essência. Manuel Milho narra a história de uma rainha que gostaria de ser mulher para conseguir decidir se, na verdade, queria ser ou não rainha, e de um ermitão que queria ser homem. Ambos desejavam não ser o que eram, mas ser apenas um homem e uma mulher. Esta história mostra que cada um é aquilo que as condições sociais e as circunstâncias permitem que o seja (capítulo XIX). Três Representa a ordem espiritual e intelectual, é o número perfeito, a expressão da totalidade. Para o cristianismo, os três elementos da trindade são o Pai, o Filho e o Espírito Santo, um só Memorial Do Convento Página 4

Deus em três pessoas, tal como Baltasar, Blimunda e Bartolomeu Lourenço que constituem a Trindade Terrestre, três pessoas em perfeita comunhão que alcançam um poder divino e uno. Quatro Número ligado ao quadrado e à cruz, significa o sólido, a totalidade, mas uma totalidade perecível. Curiosamente, Domenico Scarlatti será o quarto elemento de um conjunto de pessoas que concretizam a audaciosa missão de voar. Ele parece ser o elemento que completa esse todo, elemento esse, imprescindível à plena realização desse projeto. No entanto, esse sonho, irá desfazer-se, será findável. Sete Muito referido na Bíblia, surge recorrentemente na obra, sete são os homens que vêm trabalhar para Mafra no convento, oriundos de sete regiões do país; sete bispos batizam a infanta; sete vezes Blimunda vai a Lisboa à procura de Baltasar e o número sete repete-se na data da bênção da primeira pedra do convento – 17 de novembro de 1771. O sete é o resultado do número perfeito, o três e, do número da totalidade, o quatro e, representa a totalidade do espaço e do tempo, do universo em movimento. Nove Número da procura, da gestação, simboliza o coroar do esforço, o fim de um ato criativo, o fim de um período de busca frutuosa, como acontece com Blimunda que, durante nove anos, procurou o seu amado. Após a separação, Blimunda reencontra Baltasar e, recolhendo a sua vontade, une-se àquele que ama. Esta união representa a vitória do poder do amor. A passarola Funciona como o elo de ligação entre a terra e o céu, e surge, na obra, metaforicamente, referida como uma ave, o que remete, de imediato, para o voo das aves. O sonho de voar conota a ousadia e a conquista, mas pode ter um lado negativo: a queda, a desilusão. O ovo A máquina inventada pelo padre Bartolomeu aparece também designada por ovo, elemento que simboliza a origem, o nascimento. Como que protegido de qualquer ameaça, o casal vive no seu interior momentos de amor intenso. O ovo pode ser interpretado simultaneamente como um espaço de segurança e como a renovação constante do amor. Convento Símbolo do definitivo, do imutável, do eterno e, nesse sentido, opõe-se à passarola. É evidente o contraste entre o caráter libertador do projeto de Bartolomeu de Gusmão, que evidencia a atitude criadora do homem e a capacidade de vencer barreiras quando trabalha em conjunto, e a natureza opressora da promessa do rei, que espelha uma vontade egoísta e megalómana. Os olhos/O olhar Ocupam um espaço privilegiado devido ao poder visionário de Blimunda. O seu olhar mágico seduz Baltasar e será muitas vezes uma forma de comunicação entre o casal. Espigão O espigão de Baltasar de que Blimunda se serve para se defender, no Monte Junto, da tentativa de violação, presentifica o próprio Baltasar. É, como se, na sua ausência, tivesse ficado para salvar Blimunda a “mão” do seu amor. Mutilação de Baltasar Memorial Do Convento Página 5

Aparece frequentemente como uma marca de inaptidão e de marginalidade, todavia, na obra, Baltasar conseguirá superar a sua incapacidade ao contribuir para construir a passarola e o convento. Sonho É o espaço onde as personagens deixam transparecer as suas emoções, medos, frustrações, desejos, funcionando, por vezes, como um fator de equilíbrio, como é o caso da rainha, que compensa, no mundo onírico, as suas frustrações afetivas e sexuais. Em relação ao rei, os sonhos espelham, acima de tudo, a manifestação do seu poder. Os sonhos comuns de Baltasar, Blimunda e Bartolomeu são uma forma de sublinhar a sua cumplicidade e partilha. Música Simboliza a harmonia e a plenitude do cosmos. A música de Scarlatti representa a comunicação e tem o poder de curar. O som do seu cravo irá fascinar o padre e acompanhar o processo de construção da passarola e o momento em que ela se eleva no céu. Pedra/A mãe pedra Símbolo da Terra-Mãe exige um esforço enorme por parte dos trabalhadores que, com coragem, força, habilidade e inteligência e vão transportar de Pero-Pinheiro até Mafra. É uma laje descomunal que evidencia a pequenez do homem, mas que comparativamente ao convento se torna pequena. Conseguir transportar a pedra até ao seu destino, vai transformar estes homens em verdadeiros heróis. A pedra, pela sua firmeza, também se pode associar à sabedoria. Abegoaria É o espaço escondido onde se constrói a passarola, onde se materializa o sonho. É o espaço da utopia, da invenção, da descoberta, da partilha e da amizade. Sangue Símbolo de vida. Montanha (Monte Junto) Estabelece a relação da terra com o céu, centro do mundo, traduz a estabilidade e a inalterabilidade, guardando o que nela permanece, como a passarola que cai no Monte Junto. A máquina voadora ficou protegida dos homens e do Santo Ofício e, assim, mais tarde, inusitadamente e, como por magia, levantou voo, dando sentido à vida da trindade terrestre. Fogo É conforto, aconchego, purificação e regeneração, mas também destruição. O fogo da lareira, em casa de Blimunda, é proteção e bem-estar; o fogo que Bartolomeu Lourenço lança à sua máquina é uma forma de destruir o seu sonho fracassado; o da fogueira dos autos de fé é opressão, destruição e morte. Sete-Sóis e Sete-Luas Os nomes de Baltasar e de Blimunda têm o mesmo número de letras, começam por B e as alcunhas deles são uma forma de mostrar a sua complementaridade. Baltasar está relacionado com o Sol, fonte de luz, de calor e de vida, enquanto Blimunda surge relacionada com a lua, símbolo da dependência, da periodicidade e da renovação. A lua marca o ritmo biológico da mulher e o seu poder está, na verdade, dependente das fases da lua. A vida dela necessita da presença de Baltasar, mas o contrário também é verdadeiro, o que dá uma nova perspetiva a esta correlação. Os dois formam um só ser, como se as particularidades/defeitos de um fossem colmatadas pelo outro. Memorial Do Convento Página 6

Estas alcunhas aparecem associadas ao número sete que representa perfeição que, no caso, apenas se atinge em conjunto. Eles são perfeitos porque se amam e se entregam sem reservas a esse amor. Estilo e Linguagem • Linguagem barroca – marcada pela presença de pormenores exaustivos aquando, por exemplo, da explicação da estrutura do sermão; pelo uso frequente da anástrofe, invertendo a ordem natural dos elementos da frase “Vestem o rei e a rainha camisas compridas”; pelos trocadilhos, os jogos de palavras e conceitos; pela metáfora sugestiva e pela comparação que aparecem, muitas vezes, em série; pelo enorme visualismo, onde as notações são evidentes; pelas muitas personificações e antíteses que semeiam o texto. • Enumeração • Polissíndeto • Utilização do registo de língua familiar e mesmo popular ao serviço da ironia ou como caracterização das personagens, traduzindo o seu nível social • Formas verbais no presente do indicativo (transportando o leitor pra o tempo da narrativa) e no futuro (o narrador dá-nos a conhecer de forma antecipados acontecimentos e o rumo das personagens) e só muito raramente no pretérito perfeito e imperfeito que são os tempos da narrativa. • Uso do Superlativo Sintético • Incorporação de Referências Religiosas que têm a ver com as práticas culturais portuguesas e com os ensinamentos da doutrina aprendidos na infância, sendo que as referências bíblicas são atualizadas e até subvertidas • Referências históricas e geográficas que pressupõem que o leitor do romance seja conterrâneo do escritor ou que conheça bem o seu país • Intextualidade quando cita versos conhecidos de Camões ou de Fernando Pessoa (sem indicação de fonte), por vezes ligeiramente modificados (referência ao Adamastor, ao Velho do Restelo) e que, normalmente, aparecem servindo a intenção crítica de Saramago • Uso de Aforismos e provérbios, nem sempre usados na sua forma original “ainda agora a procissão vai na praça” • Uso de neologismo “ladainhando” • Ironia • Transgressão da norma linguística com a alteração da sua expressão gráfica e pontual: suprime os dois pontos/parágrafo/travessão, como suprime os pontos de interrogação e de exclamação, os dois pontos ou o ponto e vírgula, oferecendo os diálogos como uma sequência de frases de escrita muito clara, de cariz oral, produzida por alguém que se coloca na posição de quem fala. Tudo isto acentuado por uma cadência rítmica que faz parecer o entrelaçar da narrativa saramaguiana aparentemente casual. Aliás, a coexistência dos diferentes modos de expressão – discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre, apartes e monólogos – ao tornarem as frases mais longas, aproxima-as também da oralidade • Recurso a termos anacrónicos Memorial Do Convento Página 7

• Interpelação direta ao leitor, criando uma enorme cumplicidade com ele e mantendo- o preso à narrativa. Memorial Do Convento Página 8

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