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Religiao e-arte

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Published on February 16, 2014

Author: altemarolme

Source: slideshare.net

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2013 CURSO MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO [Religião e Arte] “A maioria das artes exige longo estudo e aplicação, porém, a mais bela de todas, a simpatia, apenas exige vontade.” - Philip Chesterfield Aluno: Altemar Oliveira Meneses

Sumário Introdução ................................................................................................................................................... 5 O que é Arte ................................................................................................................................................. 6 A Religião como instrumento da Arte ........................................................................................................... 6 Arte Sacra X Arte Religiosa ........................................................................................................................... 7 Conclusão .................................................................................................................................................... 9 Bibliografia:................................................................................................................................................ 11 4

Introdução Desde os primórdios da humanidade, a história da “Arte” está int rinsecamente ligada às práticas religiosas. E, surpreendentemente essa união “Arte-Religião” pode ser vista até os dias de hoje em todas as culturas, por todo o mundo, passando pelas grandes crenças universais como o Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Budismo, Xintoísmo etc., como também por todos os rituais de magias e cultos animistas e totêmicos das comunidades tradicionais e povos indígenas, como veremos no trabalho a seguir. 5

O que é Arte Segundo Maurice Merleau-Ponty a arte é o aparecimento do que nunca antes existiu. Como cita no seu ensaio A linguagem indireta e as vozes do silêncio: O primeiro desenho nas paredes das cavernas fundava uma tradição porque recolhia uma outra: a da percepção. A quase eternidade da arte confunde-se com a quase eternidade da existência humana encarnada e por isso temos, no exercício de nosso corpo e de nossos sentidos, com que compreender nossa gesticulação cultural, que nos inseri no tempo. Merleau-Ponty nada mais fala de que a compreensão da arte nos primeiros desenhos, nas paredes das cavernas, mostram o surgimento do próprio artista e da própria arte. Em A Dúvida de Cézanne, do mesmo autor, ele esclarece a busca e a criação do artista: Vivemos em meio aos objetos construídos pelos homens, entre utensílios, casas, ruas, cidades e na maior parte do tempo só os vemos através das ações humanas de que podem ser os pontos de aplicação... Só um humano, contudo, é justamente capaz desta visão que vai até as raízes, a quem da humanidade constituída... O artista é aquele que fixa e torna acessível aos demais humanos o espetáculo de que participam sem perceber. A unidade do eternamente novo do que trata Merleau-Ponty, também se pode perceber em várias outras obras como, por exemplo, nas catedrais de Monet. Onde, o mesmo pintava a mesma catedral de vários ângulos diferentes, nascendo assim em cada quadro uma obra também diferente. Seja pelo eterno novo, seja pela luz, seja pela palheta de Monet ou até mesmo a existência humana inserida no tempo de cada artista. A arte, no entanto, como se vê é um universal específico e um específico universal de cada existência humana. Isso sem falar em tendências de estilos e escolas literárias das mais variadas no mundo da história da arte: desde o renascimento até as formas geométricas cubistas e tintas jogadas ao léu de Pollock. A Religião como instrumento da Arte Arte e religião sempre andaram bem próximas, principalmente na Idade Média, nos movimentos Renascentista e Barroco, pensando-se no cristianismo e no caso de que uma de suas distinções em relação a judaísmo e islamismo, por exemplo, foi o incentivo à representação visual de divindades. Na antiguidade, os gregos já haviam levado as artes como escultura e teatro as questões e o imaginário da religiosidade. Eruditos como Eric Auerbach e Harold Bloom viram nessa proximidade uma vocação da arte para uma condição de “gnose”, ou seja, de conhecimento do invisível, de visualização do sobrenatural, como se fosse uma espécie de religião sem dogma. A Religião constitui o conjunto de crenças ligadas ao mundo místico, divino e sagrado, bem como a soma dos rituais, práticas, ensinamentos, mandamentos e leis que estão alicerçadas nessas crenças. Portanto, a “Arte Religiosa” é a manifestação humana por meio das diferentes formas artísticas que estão associadas às crenças, aos cultos espirituais ou aos inúmeros rituais dedicados as divindades ou forças sobrenaturais. De modo geral, a “Arte Religiosa” tem como objetivo gerar na pessoa ou grupo religioso sentimentos de compunção, indulgência, fervor, reverência e envolvimento em cerimônias ou práticas religiosas. Foi a pouco menos de 250 anos que a arte começou a dar menos ênfase aos temas do passado Greco cristão e a retratar, como Goya, o tempo presente e as pessoas comuns. Mesmo assim, a 6

confabulação segue sempre latente em vários aspectos, antes de qualquer coisa, pela força da tradição e periodicamente ressurge à tona, em obras isoladas, nem por isso menos relevantes. E nos últimos anos não tem sido diferente, ainda que no século XI grande parte da população venha se declarando não religiosa. A escassez de obras que dialoguem esteticamente com a religião, como as de Kiefer, Kieslowski e Pärt, não impede que o sentimento religioso esteja impregnado nas mais diversas expressões culturais do nosso tempo, antes de mais nada como credulidade, como defesa da fé em forças superiores ou ocultas. Se lembrarmos alguns dos maiores sucessos da literatura e do cinema nos últimos dez ou doze anos, vamos encontrar livros que viraram filmes como Harry Potter, de J.K. Rowling, e O Código da Vinci, de Dan Brown, para não falar das adaptações de um livro dos anos 30, O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, e muitas mais. Há também o brasileiro Paulo Coelho, de Diário de um Mago e O Alquimista, embora hoje não faça o mesmo sucesso, e a nova onda de livros e filmes sobre vampiros, como Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Os vampiros e os bruxos, em suma, estão em alta, talvez na esteira de acontecimentos como o “11 de setembro de 2001”, que reforçou a fantasia como entretenimento, o esoterismo como escapismo. São obras que estão mais para refrigerante do que para Dante; ainda assim, mostram a força que a aproximação pode ter. Arte & religião, afinal, é uma história que, embora contada de modo mais longevo no passado, ainda parece ter um longo futuro. Arte Sacra X Arte Religiosa Quando falamos de arte sacra, logo nos vêm à mente as imagens de santos, do Cristo e das cenas bíblicas da Igreja Católica. Cabe aqui uma diferenciação entre "arte sacra" e "arte religiosa": enquanto a primeira é destinada à liturgia e ao culto; a segunda tem inspiração religiosa, mas não é destinada ao culto, refletindo a vida religiosa do artista. A arte surgida a partir da Igreja Católica Ortodoxa (Império Romano do Oriente), denominada arte bizantina, desenvolveu características muito próprias como a produção de ícones (representações sacras pintadas sobre painéis de madeira) e o uso de mosaicos. O pintor de ícones devia ser uma pessoa autorizada e avaliada por uma autoridade da Igreja, tendo uma aprendizagem específica tanto em termos artísticos e de técnica quanto em preparo espiritual. No Brasil, a arte sacra e religiosa produziram belíssimas obras de arte, principalmente na época do Barroco, tendo como exemplo as obras de Aleijadinho. Segundo Cláudio Pastro existem dois conceitos sobre arte, que não são meras noções, mas possuem diferenças radicais. Trata-se da arte sacra e da arte religiosa. Para Pastro, “a arte sacra, discreta e em estrita ligação com a liturgia, faz um todo com o espaço sagrado. A arte religiosa, ao contrário, pode decorar uma sala, um quarto... e até uma capelinha”. Uma imagem de culto, que é uma arte sacra, manifesta a existência de Deus; ela é sagrada ética e religiosa. Ela tem autoridade em si mesma, produz no fiel uma atitude de respeito, comoção, adoração, temor e tendência a aproximarse. Essa imagem ordena ao fiel que a adore. Ela provém do ser divino. Já numa imagem de devoção, que é uma arte religiosa, se sente a personalidade de um homem determinado. Esse tipo de imagem mostra a vida pessoal do artista, suas reflexões de fé, lutas e buscas internas. O objetivo da arte sacra consiste em exprimir pelo visível o Invisível, em revelar a imagem da natureza divina impressa no criado, mas oculta nele, realizando objetos visíveis que sejam símbolos 7

do Deus Invisível. São Nicéforo e São Teodoto Studita consideravam a veneração do ícone como parte integrante da Liturgia, à semelhança da celebração da Palavra. A arte sacra é, segundo Pastro, “como um prolongamento do Mistério da Encarnação, da descida do Divino no criado”. É arte de culto a decorar as paredes das igrejas e a iconostase, seu santuário, com os principais mistérios bíblicos da fé. Sendo assim, o artista não pode deixar-se guiar pelas suas próprias inspirações; seu trabalho não consistirá em exprimir a sua personalidade, mas procurará a forma perfeita que corresponda a Protótipos Sagrados de inspiração celeste, através da celebração comunitária e da oração pessoal que filtra a intenção subjetiva do artista e faz brotar o seu conteúdo objetivo. O ícone está em estreita ligação com a liturgia. Durante o século IV tendências vindas da penetração de elementos orientais e ocidentais levantavam alguns problemas para a arte sacra, sobre que caminho deveria seguir. Nessa época, autoridades da Igreja (Doutores da Fé, Padres, soberanos pontífices) preocupavam-se em impedir a volta à idolatria, encerrando a iconografia em limites preciosos, preservando a arte sacra dos contatos com a ignorância. Nesse tempo, Basílio, juntamente com Agostinho e João Crisóstomo, exerceu grande influência no desenvolvimento da arte sacra. Segundo Alfred Leroy, “Para São Basílio e seus discípulos era normal representar o Cristo sofredor, pobre, carregando os pecados do mundo, e sem nenhuma beleza humana. Para Santo Agostinho e São João Crisóstomo tal concepção parecia incompatível com a Majestade Divina” A última concepção sobressaiu. Santo Agostinho e São João Crisóstomo queriam que as imagens fossem visões de majestade e serenidade, oferecidas à adoração e veneração dos fiéis. Soli Deo Gloria 8

Conclusão A arte é a prova viva da existência da humanidade. Os nossos mais remotos ancestrais, em busca da própria sobrevivência ou a sobrevivência do grupo a que faziam parte, foram capazes de criar, inventar e recriar a partir dos materiais de que tinham em mãos, como pedra, pau, barro, e outros. Ao esculpir, desenhar ou pintar, eles desenvolveram conhecimento e o transmitiram à gerações posteriores. Dessa forma, a arte tornou-se produto do ser humano, bem como a religião “ao estudála, estuda-se também o homem, assim como, ao estudar o homem, em algum momento, estuda-se a arte e a Religião” (parafraseando ZAGONEL, 2008, p.32). Em nosso incessante diálogo com o mundo, a arte é um dos principais veículos; através dela, comunicamos e expressamos nossos sentimentos nas mais variadas formas e linguagens. Nos registros históricos, lemos que o homem primitivo, antes de escrever, desenhou nas paredes das cavernas. Subentende-se, que ao reproduzirem as imagens, eles não estavam simplesmente fazendo arte, mas criando linguagem, forma de expressão e comunicação, que se tornaria o motor em suas relações na sociedade. Os símbolos foram, portanto, criados para significar ou interpretar algo que possa definir a identidade de indivíduos, povos ou grupos sociais e religiosos. Por intermédio das manifestações artísticas, podemos descobrir as características próprias de cada cultura e referendálas a épocas distintas. A partir das pinturas das cavernas, foi-nos possível entender a vida humana em épocas remotas. Com a arte greco-romana, compreendemos estilos, equilíbrios, proporções, harmonia, simplicidade etc. Com os estilos predominantes em cada época _barroco, arcadismo, romantismo e outros _, as gerações subseqüentes enriqueceram-se ao apropriarem-se de novas maneiras de compreensão do mundo e de expressão de suas relações em sociedade. No contato com pinturas e afrescos presentes nas igrejas barrocas, defrontamo-nos com preciosidades deste estilo e nos encantamo com a capacidade humana de criar, por meio de discurso artístico, formas de registrar o modus vivendi de uma época e de nele intervir. Como podemos ver em obras como as do compositor Johann Sebastian Bach (1685), ao adotarem o discurso polifônico e registrarem quase que perfeição da criação humana em singeleza, beleza e harmonia, tornaram-se referência na forma barroca de dissertar sobre o mundo seiscentista e de retratar concepções e valores presentes naquele momento da história. Já no princípio do século XX, surgem formas bastante heterogêneas de perceber, registrar e intervir no mundo em formação. A arte moderna desponta quebrando regras, criando novas maneiras de compreender o mundo e de com ele interagir. A partir de concepções artísticas diferenciadas, vinculadas pelo sufixo “ismo” Fauvismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, dentre outros, os modernistas abusaram da criatividade e da liberdade para questionar ou retratar os padrões até então vigentes. Seja na pré-história ou na contemporaneidade, a arte produzida não pode ser entendida somente em termos estéticos. A função social da arte é praticamente indissociável do objeto de arte em si. Apreciar uma obra de arte é lançar a vista para além do objeto e, assim, penetrar em suas origens. Para se compreender o artista e sua obra, é necessário questionar sobre as motivações que o motivaram durante o processo de criação. Na maioria dos casos, as motivações têm origens nas 9

inquietações resultantes da interação entre o homem e meio religioso, sociopolítico e econômico que o permeia. Sob esta visão, objetos que hoje compreendemos como obras de arte pura e simples, foram, em sua essência, veículos de expressão da cidadania. Refletir sobre a arte é, portanto, dar valor à sua importância na formação do sujeito e da sociedade. Segundo Foucault, a arte não deve ser vista simplesmente como objeto estético externo ao individuo, e sim como instrumento, modo de ser e se relacionar com o entorno, que permita aos seres humanos expressarem-se e intervirem na sociedade em que vivem. Se entendermos que por intermédio da arte é possível uma relação de aprendizagem, pode-se dizer que, entre tantas, tanto a arte, como a religião tem função singular: a de contribuir para preparar o sujeito para viver em sociedade e fazer de sua vida obra de arte. Nesse caso, a arte pode proporcionar transformação do ser humano por meio da sensibilidade e da criatividade, tornando-o consciente de sua ação transformadora na formação de sociedade melhor e mais justa. 10

Bibliografia: PASTRO, Cláudio. Arte Sacra; o espaço do sagrado hoje. p. 108 BERNADET, Jean Claude. A Bíblia e as imagens. Cultura Vozes, nº 4, Julho-Agosto, 1997 LEROY, Alfred. Nascimento da arte cristã; do início ao ano mil. Tradução de Rose Marie G. Muraro. São Paulo: Flamboyant, 1960. p. 28. AMORA, Antonio Soares. Minidicionário da Língua Portuguesa 19° edição. Ed. Saraiva. Sites: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/1713425 http://blogs.estadao.com.br/daniel-piza/arte-e-religiao-1/ http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/200705-artereligiao.php http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/LCA/lca0302.htm http://antique-online.webnode.com.br/news/sociedade-uma-obra-de-arte-1/ 11

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