REALIDADE VIRTUAL PARA REDUÇÃO DO TEMPO DE VALIDAÇÃO DE PROCESSO DE UM MEDICAMENTO JUNTO A ANVISA

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Published on June 3, 2019

Author: MHVenturelli

Source: slideshare.net

1. PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE REALIDADE VIRTUAL PARA REDUÇÃO DO TEMPO DE VALIDAÇÃO DE PROCESSO DE UM MEDICAMENTO JUNTO A ANVISA Autor: Leandro Miyoshi Meyagusku Consultor Trainee de Digitalização e Indústria 4.0 – SENAI São Paulo Orientador: Márcio Henrique Venturelli Coordenador Técnico - Digitalização e Indústria 4.0 – SENAI São Paulo RESUMO O presente trabalho demonstra a digitalização de uma das etapas da linha de produção de medicamentos de uma indústria farmacêutica com o objetivo de utilizar a tecnologia de Realidade Virtual para auxiliar e acelerar a atividade de Validação de Processo junto a ANVISA. Primeiramente será feita a digitalização do processo de Granulação de uma linha de produção de comprimidos sólidos e será utilizado a tecnologia de Realidade Virtual para o controle e a manipulação dos parâmetros do processo de forma remota, além de possibilitar alterações no processo de maneira digital, tornando o planejamento e sua posterior implementação no processo real mais ágil e eficiente. Serão utilizadas em conjunto com a Realidade Virtual algumas das tecnologias da Indústria 4.0: Internet das Coisas, Computação em Nuvem, Cibersegurança, Big Data e Gêmeos Digitais. Espera-se com tudo isso, simplificar e diminuir o tempo gasto com a etapa de Validação de Processo e fazer o planejamento de uma linha de produção de medicamentos de forma mais eficaz e eficiente. Observou-se como a Realidade Virtual combinada com outras tecnologias da Indústria 4.0 pôde ser útil nas atividades do setor de Planejamento de Produção de uma indústria farmacêutica. Os benefícios da Realidade Virtual são inúmeros, a cada dia novas utilidades surgem e empresas dos mais variados setores vem adquirindo a tecnologia e utilizando-a das mais variadas formas que vão muito além de apenas atividades de treinamentos e simulações. Palavras chave: Realidade Virtual, Digitalização, Industria 4.0, Indústria Farmacêutica, Validação de Processo ABSTRACT The present paper demonstrates the digitalization of one of the steps of the pharmaceutical production line with the objective of using Virtual Reality technology to aid and accelerate the Process Validation activity with ANVISA. Firstly, the Granulation process will be digitized in a solid tablet production line and Virtual Reality technology will be used to control and manipulate the process parameters remotely, as well as to enable digital changes in the emulated process, making the planning and its subsequent implementation in the real world process more agile and efficient. Some technologies of Industry 4.0: Internet of Things, Cloud Computing, Cybersecurity, Big Data and Digital Twins will be used in conjunction with Virtual Reality. It is hoped by all this, to simplify and reduce the time spent with the Process Validation step and to make the planning of a drug production line more efficient and effective. It has been observed how the Virtual Reality combined with other technologies of Industry 4.0 can be useful in the activities of the Production Planning sector of a pharmaceutical industry. The benefits of Virtual Reality are numerous, every day new utilities arise and companies of the most varied sectors have been acquiring the technology and using it in a variety of ways that go far beyond just activities of training and simulations. Keywords: Virtual Reality, Digitalization, Industry 4.0, Pharmaceutical Industry, Process Validation INTRODUÇÃO O Brasil é um dos maiores mercados mundiais do setor farmacêutico, sendo o líder na América Latina. Este setor compreende desde a pesquisa, o desenvolvimento, a produção e a comercialização de medicamentos para as farmácias e drogarias do país.

2. A indústria farmacêutica é constituída por processos críticos, principalmente no que diz respeito a produção, pois é preciso ter um rigoroso controle de diversas variáveis como: nível de contaminação, temperatura, umidade, manuseio, armazenamento, formulação, bulas e lotes, tudo isso, por conta da legislação que regula a Boa Prática de Fabricação de Medicamentos (BPFM) a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 17, de 16 de abril de 2010, setor que é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA, 2010) A ANVISA determina que todo medicamento apresente um documento de validação de processo para conseguir autorização para comercializá-lo, seguindo sua política de boas práticas de fabricação. A documentação de validação dos processos é exigida de todo medicamento novo para entrar no mercado. Além disso, os medicamentos que já estão no mercado precisam de uma revalidação caso tenham sofrido alguma mudança de: matérias-primas, materiais de embalagem, processos de fabricação, equipamentos, controles em processos, áreas de fabricação e utilidades, caso afetem a fabricação e/ou o procedimento padrão, com influência sobre as características de desempenho estabelecidas para o produto. Mesmo que não ocorra nenhum tipo de mudança é necessário passar por uma revalidação de tempos em tempos. (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA, 2017) Portanto, os processos do setor farmacêutico são muito sensíveis com relação a contaminação, além disso, a etapa de validação de processo é uma atividade que despende muitos recursos e tempo para a sua correta realização dentro da vida útil do medicamento. Este trabalho vem propor uma solução para facilitar e agilizar esta etapa. REVISÃO DE LITERATURA Realidade Virtual A Realidade Virtual é uma tecnologia que surgiu a algumas décadas, ela permite uma completa imersão em um ambiente criado artificialmente através de tecnologias digitais, possibilitando a interação em tempo real com objetos tridimensionais, podendo eles serem estáticos ou dinâmicos. No ambiente virtual as informações são constantemente atualizadas conforme o ponto de vista do utilizador, no qual, muitas vezes são criadas interações que simulam a nossa realidade. (SHEWCHUK, CHUNG e WILLIGES, 1999) Ela pode ser dividida em 2 grupos: imersiva e não-imersiva, conforme as figuras abaixo. Na Realidade Virtual imersiva (figura 1) utiliza-se equipamentos como: óculos HMD (Head Mounted Device); fones e luvas, que permitem a sensação de completa imersão no ambiente virtual e proporcionam um maior campo de visão para o usuário. Já na Realidade Virtual não-imersiva (figura 2) utiliza-se monitores para a visualização do conteúdo tridimensional, apresentando menor custo e maior facilidade de uso. (PINHO e KIRNER) (KOVAR, MOURALOVA, et al.) (BAILER e ALVES, 2018) Figuras 1 e 2: Exemplos da Realidade Virtual imersiva (1) e não-imersiva (2) respectivamente. (RAMOS, 2016) Na Realidade Virtual imersiva, para gerar a sensação de estar em um ambiente tridimensional, os óculos projetam imagens em duas dimensões com diferentes ângulos da mesma cena em cada um dos nossos olhos (figura 3). A sobreposição das duas imagens faz com que o nosso cérebro acredite que realmente estamos em um ambiente tridimensional, dando uma sensação de profundidade. (Wareable, 2017) (MULLIS, 2016)

3. Figura 3: Exemplo da projeção de 2 diferentes ângulos da mesma cena para gerar a sensação de um ambiente tridimensional. (MULLIS, 2016) Os primeiros óculos HMD (Head Mounted Display) foram desenvolvidos por McCollum em 1945, quando ele patenteou o primeiro aparato de visão estereoscópica (figura 4). Após isso, em 1960 Heiling patenteou um dispositivo mais desenvolvido, o qual, havia além do visor, fones de ouvido e fora pensado para uso exclusivamente individual (figura 5). (MELOV, 2014) (KIYOKAWA, 2007) Figuras 4 e 5: Patente dos primeiros óculos HMD desenvolvido por McCollum (4) e dispositivo patenteado por Heiling (5) respectivamente. (MELOV, 2014) O termo Realidade Virtual foi primeiramente introduzido por Jaron Lanier no final da década de 1980, sendo ele, junto com uma equipe, o primeiro a utilizar um equipamento completo de imersão, constituído por óculos display, roupas especiais e luvas. Já os primeiros experimentos com a tecnologia se devem a Ivan Sutherland na década de 1960 (figura 6). Ele desenvolveu a ideia de que um computador poderia criar uma simulação do nosso mundo em um ambiente virtual, no qual, o operador poderia interagir, o que ele chamou de “The ultimate display”. As áreas de simulação de voo, robótica, artes, militar (figura 7) e pesquisa espacial foram as principais áreas que investiram para o desenvolvimento da tecnologia. (SCHROEDER, 1993) No Japão desde 1993 pesquisadores já desenvolviam soluções para o uso da Realidade Virtual além do mundo dos jogos de entretenimento, o qual tinha sido o foco principal no começo da utilização desta tecnologia. Já haviam aproximadamente 20 grandes pesquisas nessa área. Um exemplo é a utilização da tecnologia para o controle remoto de robôs em construções, a japonesa Fujita em conjunto com a americana VPL vinham desenvolvendo um sistema no qual um robô nos Estados Unidos poderia ser controlado por uma pessoa no Japão, porém um dos problemas que havia na época era o atraso na comunicação que poderia chegar a alguns segundos, contudo, se o robô se encontrasse no mesmo país onde ele seria controlado não havia esse problema. (KAHANER, 1994) Pesquisas para o desenvolvimento da manipulação de objetos 3D através de luvas especiais também já estavam sendo feitas. A empresa japonesa NEC System em conjunto com a americana VPL desenvolveu luvas que, em conjunto com os óculos desenvolvidos pela americana Solidray Labs, permitiam a manipulação de objetos tridimensionais, passando a sensação de manipulá-los no mundo real, podendo realizar ações de modelagem e manipulação. (KAHANER, 1994)

4. Percebe-se que os estudos das aplicações da tecnologia de Realidade Virtual já vêm sendo feitas há algumas décadas. Contudo, há apenas alguns anos ela vem sendo mais utilizada no setor, principalmente, devido ao seu barateamento e aperfeiçoamentos que surgiram nos últimos anos. Segundo a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) o mercado global de Realidade Virtual juntamente com o da realidade aumentada movimentou US$ 3,2 bilhões em 2017 e deve movimentar aproximadamente US$ 100 bilhões em 2020. (FIALHO, 2019) Atualmente, diversos setores vêm usufruindo dos benefícios da Realidade Virtual, trazendo com isso, reduções de custos desde inspeções a treinamentos. Um exemplo é a White Martins que vem utilizando essa tecnologia desde 2017 para realizar avaliações de segurança em algumas unidades de produção de diferentes localidades. Ela conseguiu reduzir seus custos com viagens em 70% e o tempo para tomada de decisões em 50%, e ainda conseguiu uma redução de 60% do time em campo, pois algumas atividades passaram a ser realizadas de maneira remota. Além disso, a White Martins já utiliza a tecnologia de Realidade Virtual para a capacitação de jovens que estão ingressando na empresa. (IT FORUM 365, 2017) Diversos outros setores da indústria já utilizam a tecnologia de Realidade Virtual em diversas aplicações, como exemplo temos o setor da indústria automobilística, um dos setores que mais vêm utilizando esta tecnologia, que aplica a Realidade Virtual nas atividades de prototipagem virtual, elaboração de design, treinamentos e manufatura, tendo obtido uma grande redução de custos e tempo. A indústria aeroespacial é outra que também vem se beneficiando muito desta tecnologia, podendo desenvolver e observar protótipos em escala real para estudo de ergonomia, manutenção e treinamentos. Além de outros diversos setores da engenharia que vem utilizando a tecnologia de Realidade Virtual no desenvolvimento de protótipos virtuais de equipamentos e máquinas, conseguindo com isso, validar processos, fazer simulações reais como testes de stress, dinâmica e cinemática. (KOVAR, MOURALOVA, et al.) Figura 6: Sutherland (MELOV, 2014) Figura 7: Exército Americano (PREMAYOGAN, 2019) Planejamento de Produção O setor de Planejamento de Produção também conhecido como PCP, tem papel fundamental dentro de uma indústria, sendo ele responsável por funções de planejamento, programação e controle. O setor é quem orienta e coordena todo o processo produtivo com as demais áreas da empresa, definindo certos parâmetros como: o que, quanto, onde, como e quando será produzido. Algumas de suas principais responsabilidades são: elaborar o planejamento de uma linha de produção, fazendo a ligação entre os suprimentos e a demanda, além de ter que controlar toda a eficiência e eficácia dos processos e de determinados parâmetros como: Takt Time (ritmo de produção), procedimentos operacionais, etapas da produção, controle de estoque e matérias primas, etc.. Os principais setores relacionados com o setor são: engenharia, compras, recursos humanos e estoque. (GRVSOFTWARE) (Synchro) (NOVIDÁ) Validação de processo A validação de processo consiste na validação documental dos processos produtivos garantindo que eles estejam conformes e apresentem a capacidade e qualidade necessárias para atender a demanda comercial, garantindo que se comercialize produtos com as especificações e

5. características de qualidade que foram pré-determinadas. Todos os medicamentos necessitam ser validados para poderem ser comercializados. Toda vez que se deseja lançar um medicamento novo no mercado é preciso validá-lo. Além disso, quando ocorre uma mudança de equipamentos do processo ou uma modificação no parque fabril é necessário que haja uma revalidação. (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA, 2017) A validação é dividida em 3 etapas: desenho do processo, qualificação do processo e verificação contínua do processo. A etapa de desenho do processo tem como objetivo “definir um processo adequado para produzir lotes comerciais com atributos de qualidade desejados de forma consistente e rotineira”, nesta etapa é necessário ter um conhecimento profundo dos processos para sua correta elaboração. Já a etapa de qualificação “envolve basicamente três principais elementos: projeto da instalação, qualificação dos sistemas computadorizados, equipamentos, utilidades e áreas de fabricação; calibração de instrumentos de medição; e qualificação do desempenho do processo.” Por fim, a etapa de verificação contínua do processo consiste em acompanhar se durante a etapa da fabricação de lotes comerciais o processo se mantém estável e sob controle, conforme o que foi pré-determinado. (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA, 2017) (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA, 2010) O SETOR No Brasil, de acordo com Sindusfarma Perfil da Indústria Farmacêutica, em 2017 a indústria farmacêutica era composta por 241 laboratórios, sendo 97 multinacionais e 144 nacionais. As empresas multinacionais detinham aproximadamente 52,44% do mercado em faturamento e 34,75% em unidades vendidas, já os laboratórios nacionais apresentavam uma fatia de mercado de 47,56% em faturamento e 65,25% em unidades vendidas, devendo-se principalmente ao setor de medicamentos genéricos. (SINDUSFARMA, 2018) Dentro de uma indústria farmacêutica de acordo com a Confederação Nacional do Ramo Químico publicado no ano de 2015 os estágios da cadeia produtiva são: Pesquisa e Desenvolvimento, Produção de Farmoquímicos, Produção de Medicamentos, Marketing e Comercialização. No meio deste processo, antes de encaminhar para comercialização, é necessário que o lote ou determinado medicamento inédito seja enviado a ANVISA, estes irão analisar se o fármaco pode passar para o estágio de comercialização, para que desta forma chegue nas farmácias e drogarias. (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO RAMO QUÍMICO, 2015) Os medicamentos são compostos basicamente por 2 substâncias: fármacos e aditivos. Os fármacos são também conhecidos como princípio ativo, são eles os responsáveis por produzir o efeito terapêutico do medicamento. Já os aditivos são adicionados para alterar parâmetros como: velocidade de absorção, forma de administração e estado físico-químico dos medicamentos. (PUC- RIO) Os medicamentos podem ser classificados em: de referência, genéricos e similares. Os medicamentos de referência são medicamentos inovadores, os quais são protegidos por patentes. Já os medicamentos genéricos são cópias dos medicamentos de referência, os quais são produzidos quando as patentes expiram, eles precisam comprovar a mesma eficácia, qualidade e biodisponibilidade do respectivo medicamento de referência. Os medicamentos similares apresentam o mesmo princípio ativo, concentração e posologia dos de referência, porém, muitas vezes, não apresentam a mesma biodisponibilidade. (Contextualizando sobre Medicamentos) Já as formas farmacêuticas podem ser classificadas em: sólidas, líquidas, semissólidas e gasosas. As formas sólidas podem ser pós, granulados, comprimidos, drágeas, cápsulas, supositórios e óvulos, já as formas líquidas são as soluções, xaropes, elixires, suspensões, emulsões, injetáveis, tinturas e extratos e as formas gasosas são os aerossóis (sprays). Já as formas semissólidas são os géis, loções, unguentos, linimentos, ceratos, pastas, cremes e pomadas. (Contextualizando sobre Medicamentos) As etapas de fabricação de um medicamento na forma farmacêutica sólida de comprimido consistem em: pesagem, granulação, secagem, calibração, mistura, compressão, revestimento e embalagem, vide fluxograma da figura 8.

6. Figura 8: Fluxograma do processo de produção de um medicamento na forma farmacêutica de comprimido. Fonte: autor Na pesagem é onde as matérias primas são preparadas e pesadas para iniciar o processo de fabricação. Após isso, ocorre a Granulação que é onde a matéria prima em pó é transformada em granulado. Depois, ocorrem a Secagem e a Calibração, que são as etapas onde acontece a transformação dos grãos em uniformes. Antes da etapa de Mistura, ocorre a adição de excipientes que fazem parte da composição do medicamento, juntamente com o princípio ativo. Por fim, ocorre a compressão, que é onde o granulado é compactado dentro de cápsulas. Após isso, eles são embalados em sua embalagem primária e secundária. (YouTube - Canal Programa Ao Cubo, 2014) Todos os processos são automatizados e sem contato com nenhum operador. O operador apenas permanece dentro do ambiente da máquina para visualizar e acompanhar se as especificações do comprimido estão de acordo, não apresentando nenhum tipo de desvio no processo. O DESAFIO A etapa de validação de processo de uma linha de fabricação de medicamentos é uma atividade que despende muito tempo e uma elevada burocracia para o setor, podendo causar até prejuízos para as empresas, pois, muitas vezes, pode ocorrer a demora no lançamento de certo medicamento no mercado devido a não aprovação junto a ANVISA para a sua comercialização. A PROPOSTA Fazer a digitalização de uma linha de produção de medicamentos utilizando a tecnologia de Realidade Virtual para auxiliar e acelerar a atividade de validação de processo junto a ANVISA. A SOLUÇÃO Utilizar a tecnologia de Realidade Virtual em conjunto com as tecnologias de Internet das Coisas (IoT), Big Data, Cibersegurança, Computação em Nuvem (Cloud Computing) e Gêmeo Digital (Digital Twin) para planejar e visualizar cenários dos processos produtivos, os quais, irão auxiliar nas definições dos processos, dos parâmetros e no planejamento da produção dos lotes comerciais. Além disso, é possível obter um melhor controle da ocorrência de desvios e possíveis contaminações na produção, garantindo que os parâmetros obtidos na etapa de validação de

7. processo permaneçam conformes durante toda a fabricação dos lotes comerciais sem a necessidade de acompanhamento in loco por parte do operador, podendo ser feito de maneira remota. Utilizando a Internet das Coisas será possível transmitir os dados importantes gerados pelos processos automatizados para a nuvem. Com a Computação em Nuvem, será possível facilitar o acesso as informações de qualquer lugar, a qualquer momento e de qualquer dispositivo autorizado, além de possibilitar um elevado nível de processamento de dados sem a necessidade de um alto investimento em hardware local, possibilitando utilizar recursos do Big Data. Através do Gêmeo Digital será possível criar uma réplica digital em 3D dos processos e máquinas, possibilitando a realização de emulações dos processos. Com relação a Cibersegurança, ela será de fundamental importância no processo de digitalização, utilizando-se recursos como Firewall, Nuvem Privada, VPN (Rede Privada Virtual), VLAN (Rede Local Virtual), Autenticação e Autorização de Acesso e Criptografia, garantindo a total segurança dos dados. AS PESSOAS Não irá ocorrer nenhuma mudança no número de operadores atuais do processo, eles passarão por treinamentos para a correta utilização dos novos equipamentos, possibilitando que consigam extrair o máximo de benefício destes. Além disso, os operadores serão inseridos nos processos de mudança desde a sua implantação, auxiliando e complementando a instalação e o desenvolvimento das novas soluções, permitindo que se adaptem de maneira facilitada e ágil aos novos modos de operar. IMPLANTAÇÃO Primeiramente deverá ser feita a digitalização de apenas um dos processos de fabricação para fins de teste e validação. Sendo ela bem-sucedida, o processo poderá ser escalado para os demais processos e setores da fábrica. O processo escolhido foi o de Granulação, devido esta ser uma etapa de grande importância, pois sem a obtenção de um granulo uniforme não é possível obter a correta compactação do pó. Como primeira etapa, propõe-se fazer a análise da maturidade do processo, com o objetivo de se obter uma visão de como este se encontra no momento, além de definir a meta que se deseja atingir após a conclusão da implantação de digitalização. Para a digitalização do processo, será instalada uma camada de IoT no equipamento, além de roteadores para permitir a sua comunicação com a rede de modo sem fio, o padrão de rede utilizado será o Ethernet. Após isso, ele será conectado com um serviço de nuvem, o qual serão utilizados serviços de cloud híbrida para uma melhor segurança dos dados. Os dados gerados no processo considerados sigilosos permanecerão na cloud privada e apenas os necessários para a análise serão enviados para a cloud pública. Na cloud pública será utilizado o recurso de Big Data, onde os dados serão tratados e correlacionados, gerando KPIs (indicadores de desempenho) e benchmarks do processo. Com relação a Cibersegurança, serão feitas conexões via VPN com a cloud, permitindo uma maior segurança de conexão, além da utilização de ferramentas como: Firewall, autenticação e controle de acesso. Isso possibilitará um controle total de identificação do operador que estiver utilizando o equipamento, podendo-se criar níveis de autorização de acesso para determinadas tarefas e informações. Também será criada uma VLAN, permitindo uma maior segurança para a fábrica em caso de uma invasão. Será desenvolvido, utilizando softwares específicos, uma réplica digital do processo através da tecnologia do gêmeo digital, onde será feita a sua emulação, unindo o mundo físico ao virtual. O equipamento virtual estará conectado em tempo real com todos os dados e parâmetros importantes que estão sendo gerados pela máquina real, dados estes que estão sendo enviados e processados pela nuvem. Por fim, este sistema será conectado com os óculos HMD e luvas especificas para a utilização da Realidade Virtual, permitindo sua completa imersão, controle e manipulação dos

8. parâmetros do processo de maneira remota. O setor no qual será utilizado o equipamento de Realidade Virtual ficará em um local isolado do processo. A implantação tendo sucesso, a digitalização será escalada para os demais processos da fábrica. Figura 9: Arquitetura de implantação da Realidade Virtual. Fonte: autor RESULTADOS ESPERADOS Com a utilização dos equipamentos de Realidade Virtual será possível fazer a etapa do planejamento de processo de maneira mais eficaz e eficiente, possibilitando visualizar e simular os processos antes mesmo de sua implantação, fazendo com que possíveis correções nos processos sejam feitas de maneira rápida e antes mesmo de implementá-los no mundo real. Será possível uma completa imersão utilizando os óculos HMD e as luvas para visualizar e manipular os modelos tridimensionais. Assim, as etapas de validação de processo poderão ser finalizadas de maneira mais rápida. Serão possíveis o monitoramento e o acompanhamento visual dos processos em tempo real, sem a necessidade de operadores in loco, através da utilização dos óculos HMD de Realidade Virtual, com isso, o operador poderá monitorar e interferir nos parâmetros do processo de maneira remota, mitigando-se a ocorrência de eventos de contaminação. Existe ainda a possibilidade de simular situações críticas e desvios dos processos que possam ocorrer durante a produção, tornando os processos mais seguros e confiáveis. Espera-se com tudo isso, simplificar e diminuir o tempo gasto com a etapa de validação de processo, fazer o planejamento de uma linha de produção de maneira mais eficaz e eficiente, além de conseguir garantir um melhor controle do nível de contaminação durante a fabricação de lotes comerciais. CONCLUSÃO A indústria 4.0 surgiu para revolucionar o modo como os processos são conduzidos atualmente. Pôde-se observar como a Realidade Virtual combinada com outras tecnologias da indústria 4.0 pode ser útil nas atividades do setor de Planejamento de Produção, conseguindo tornar as etapas de planejamento mais eficientes e eficazes. Além disso, podemos observar como a utilização de um modelo tridimensional juntamente com a imersão da Realidade Virtual pode proporcionar ganhos significativos na execução das atividades de Validação de Processo na indústria farmacêutica.

9. Os benefícios da Realidade Virtual são inúmeros, a cada dia novas utilidades surgem e empresas dos mais variados setores vêm adquirindo a tecnologia e utilizando-a das mais variadas formas, que vão muito além de apenas atividades de treinamentos e simulações. Como novas soluções para o setor farmacêutico em trabalhos futuros, pode-se propor utilizar a tecnologia de Realidade Virtual para criar cenários e simulações de contaminação, com o intuito de elaborar planos de contingência para eventos que possam vir a acontecer no futuro. GLOSSÁRIO Fármaco: parte onde se encontra o princípio ativo do medicamento. Excipientes: substâncias farmacologicamente ativas que garantem a eficácia do fármaco. Formas farmacêuticas: forma física de apresentação do medicamento. Biodisponibilidade: quantidade e velocidade na qual o princípio ativo é absorvido pela corrente sanguínea. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. RESOLUÇÃO DE DIRETORIA COLEGIADA – RDC Nº 17, DE 16 DE ABRIL DE 2010. Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Brasil, p. 117. 2010. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Guia para a Elaboração do Relatório Sumário de Validação de Processo de Fabricação de Medicamentos. 2. ed. Brasil: [s.n.], 2017. BAILER, F. D. S.; ALVES,. Boas práticas em Realidade Virtual Imersiva. Proceedings of SBGames , Itajaí, 2018. 2179-2259. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO RAMO QUÍMICO. Panorama Indústria Farmacêutica. Caracterização da Indústria Farmacêutica, São Paulo, 2015. 5-8. CONTEXTUALIZANDO sobre Medicamentos. SGC-Goias. Disponivel em: <http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2012-01/medicamentos.pdf>. Acesso em: 22 mar. 2019. FIALHO, G. ABDI. Mercado de Realidade Virtual e Aumentada deve ultrapassar R$ 370 bilhões em 2020, 2019. Disponivel em: <https://www.abdi.com.br/postagem/mercado-de- realidade-virtual-e-aumentada-deve-ultrapassar-r-370-bilhoes-em-2020>. Acesso em: 23 mar. 2019. GRVSOFTWARE. grvsoftware. Planejamento de produção industrial: o que é e qual a importância? Disponivel em: <https://grvsoftware.com.br/blog/planejamento-de-producao- industrial-o-que-e-e-qual-a-importancia/>. Acesso em: 23 mar. 2019. IT FORUM 365. IT Forum 365. White Martins inova e desenvolve realidade virtual no Brasil, 2017. Disponivel em: <https://itforum365.com.br/white-martins-realidade-virtual-brasil/>. Acesso em: 23 mar. 2019. KAHANER,. Virtual Reality in Japan. IEEE Computer Graphics and Applications, Tokyo, v. 14, n. 1, p. 75-78, Janeiro 1994. KIYOKAWA, K. An Introduction to Head Mounted Displays for Augmented Reality. Emerging Technologies of Augmented Reality: Interfaces and Design, Hershey, p. 43-45, 2007.

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