Reflexões sobre a ditadura

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News & Politics

Published on March 28, 2014

Author: PauloHartungBlog

Source: slideshare.net

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Artigo publicado no jornal Tribuna do Cricaré.

2 São Mateus (ES), sexta-feira, 28 de março de 2014 Observe como vai indo a sua voz, porque a voz é dos instrumentos mais impor- tantes na vida de cada um. A voz de cada pessoa está car- regada pelo magnetismo dos seus próprios sentimentos. Fale em tonalidade não tão alta que assuste e nem tão baixa que crie dificulda- de a quem ouça. Sempre aconselhável re- petir com paciência o que já foi dito para o interlocu- tor, quando necessário, sem alterar o tom de voz, enten- dendo-se que nem todas as pessoas trazem audição im- pecável. A quem não disponha de facilidades para ouvir, nunca dizer frases como estas: “Vo- cê está surdo?”, “Você quer que eu grite?”, “Quantas ve- zes quer você que eu fale?” ou “Já cansei de repetir isso”. A voz descontrolada pe- la cólera, no fundo, é uma agressão e a agressão jamais convence. Converse com se- renidade e respeito, colocan- do-se no lugar da pessoa que ouve, e educará suas mani- festações verbais com mais segurança e proveito. Em qualquer telefonema, recorde que no outro lado do fio está alguém que precisa de sua calma, a fim de man- ter a própria tranquilidade. Espírito André Luiz (Do livro Sinal Verde, psicografado por Chico Xavier) Centro Espírita Antônio de Pádua Travessa Nicanor Mota, 35, Centro - São Mateus-ES (27) 98898-0007 REUNIÃO PÚBLICA DOUTRINÁRIA 1º/04 (terça), às 19h30 Tema: Bem aventurados os que têm puro o coração Expositora: Maria das Graças de Oliveira (CEFCX, de Guriri) FEIJOADA FRATERNA 30/03 (domingo), às 12h Cerimonial Vivere (Guriri) Valor: R$ 20 (refrigerante incluso) Realização: Projeto Casa do Caminho Nos domínios da voz CAMINHOS DE LUZ ClientesdoBancodo Nordestepoderãorealizar transaçõesemlotéricas Belo Horizonte (MG) – Os clientes do Banco do Nordes- te poderão realizar transações bancárias em casas lotéricas de todo o País. Conforme mensa- gem enviada à TC pela asses- soria do BNB, o benefício re- sulta de contrato de prestação de serviços assinado quarta-fei- ra, em Fortaleza, pelo presidente do Banco do Nordeste, Ary Jo- el Lanzarin, e o vice-presiden- te da Caixa Econômica Federal, José Henrique Marques da Cruz, objetivando ampliar os canais de atendimento. Com a inclusão das lotéricas, o Banco do Nordeste dobra sua capacidade de atendimento, dis- ponibilizando, também nesses terminais, serviços como con- sultas de saldo e saques para correntistas e poupadores. “Atualmente, somados os terminais do BNB, Rede Ban- co 24 horas e Banco do Brasil, disponibilizamos 8.338 pon- tos de autoatendimento a nos- sos clientes. Com essa parceria, passaremos a contar com mais de 21.300 pontos de atendimen- to em todo o Brasil” – informa o presidente do BNB, Ary Joel de Abreu Lanzarin. O presidente destaca que os sistemasdoBancojáestãosendo adequados e em breve os clien- tes passarão a utilizar as casas lotéricas. “A ampliação faz par- te do Programa de Excelência no Atendimento, iniciado neste ano pelo Banco do Nordeste, e proporcionará maior conforto e comodidade aos clientes, prin- cipalmente os do Crediamigo e Agroamigo. Juntos, os respecti- vos programas de microfinança urbana e rural possuem carteira com quase 2,5 milhões de clien- tes” – explica Lanzarin. Para o vice-presidente da Caixa, José Henrique Marques da Cruz, o convênio “reveste-se de grande importância uma vez que representa parceria de dois grandes bancos públicos brasi- leiros, unidos na missão de pro- mover o desenvolvimento sus- tentável por meio da concessão de crédito e outros serviços fi- nanceiros”. José Henrique destacou tam- bém o foco no atendimento aos clientes. Segundo ele, a Cai- xa dispõe de mais de 13 mil ca- sas lotéricas em todo o País, das quais 3.077 encontram-se na Região Nordeste.  PAULO HARTUNG* Reflexões sobre a ditadura O calendário marca neste 31 de março, um triste ani- versário: meio século do iní- cio da ditadura militar no Brasil. Com 29 anos de vida democrática, pois o regime de exceção iniciado em 1964 foi encerrado em 1985, pode parecer desnecessário, sem sentido e até pouco impor- tante discutir os 21 anos de militarismo no país. Mas só parece. Em verdade, é funda- mental. É importante relembrar, analisar, discutir este perí- odo de trevas da vida nacio- nal, por dois motivos bási- cos: pelo valor da democra- cia, que é o fundamento das liberdades, mas que se coloca como uma conquista diária; e pelo papel que a memória tem para evitar que o passa- do se repita – e ele pode sem- pre se repetir. Comecemos pela impor- tância de lembrar para não repetir. Geralmente, a gen- te mantém, ou tenta man- ter, “viva” a memória daquilo que foi bom, para, se não pu- der experimentar novamen- te, pelo menos ter por com- panhia a lembrança dos bons momentos vividos. No entan- to, aquilo que nos machucou ou fez mal, sempre se tenta apagar da memória. Ou seja, vivemos, como in- divíduo e como um povo, nos equilibrando no jogo de lem- brar e esquecer. Movimento incessante que produz a nos- sa memória, que é o resulta- do do que lembramos, des- contado aquilo de que nos es- quecemos. Por mais que pos- sa parecer automática, essa operação não é natural. Ela ocorre por nossa vontade e pelo ambiente em que vive- mos, a partir das discussões e conversas na escola, em ca- sa e no trabalho, e também a partir da pauta da mídia, dos governos, etc. Muitas vezes, é necessá- rio manter viva a memória de acontecimentos ruins, de- sagradáveis de lembrar. Os alemães, por exemplo, man- têm viva a lembrança do na- zismo, num esforço adicio- nal para evitar que essa ver- gonha se repita. E, por mais impossível que possa pare- cer, tudo pode se repetir. A História nos dá essa lição. Por isso, lembrar e discu- tir o tempo da ditadura mi- litar no Brasil, com seu ter- ror, suas mortes, sua tortu- ra, a censura e o exílio de nossos irmãos, é necessário. Aqueles que viveram esse tempo de horror devem aju- dar as novas gerações a en- tender o que aconteceu para que, mesmo não tendo vivi- do, eles tenham uma memó- ria que lhes alerte para os perigos do totalitarismo. Sabemos que nos tem- pos de hoje é difícil pensar no passado, pois o presen- te, com seu tempo real e su- as inúmeras tarefas, não dá muito espaço para o que já aconteceu. Mas esse esforço deve ser visto como um in- vestimento essencial para a vida nacional. Sem democra- cia, não temos liberdade, e sem liberdade um povo não é senhor de si, mas escravo dos senhores da razão da hora, geralmente senhores não pe- la capacidade de liderar pe- las ideias, projetos e articu- lação política, mas senhores de armas em punho, manda- tários da arbitrariedade, do- minadores pelo medo e pela violência moral e física. Por ser essencial como o ar, a liberdade pode parecer natural ou perene, princi- palmente em tempos de sua existência, mas não é assim, não. Ela é uma conquista humana, alcançada mantida com muito esforço, dedica- ção e até luta as mais diver- sas, para não dizer de guer- ras e batalhas. Minha gera- ção, por exemplo, foi à luta nos movimentos sociais e es- tudantis pela volta das liber- dades democráticas cassadas pela ditadura de 64. Nós crescemos no tempo do terror ditatorial e tivemos brigar para que o país cons- tituísse um caminho de vol- ta à normalidade da demo- cracia, com a anistia, as elei- ções livres e amplas, o fim da censura aos meios de comu- nicação, entre outros tópicos de uma bandeira que se pode resumir na palavra LIBER- DADE. Eu entrei nesse processo pelo movimento estudantil. A partir dos importantes en- sinamentos políticos do meu saudoso pai, Paulo Pereira Gomes, mesmo no ambiente de ditadura, pude entender o valor da política e da demo- cracia. Na Universidade Fe- deral do Espírito Santo, dei continuidade à vocação já percebida no ensino médio e participei ativamente da mo- vimentação da juventude pe- la volta da democracia e das liberdades políticas no nos- so país. Após intensa movimenta- ção na Universidade, fui elei- to o primeiro presidente do Diretório Central dos Estu- dantes da Ufes, com mais de 70% dos votos, viabilizando a reabertura do órgão, que ha- via sido fechado pela ditadu- ra. Também participei das mobilizações da União Na- cional dos Estudantes (UNE) e de inúmeras articulações com outros movimentos da sociedade civil de então. Era o final dos anos 1970 e a ditadura já estava perden- do campo, por causa de difi- culdades econômicas e tam- bém da falta de suporte na sociedade civil. Vale lembrar que a instalação da ditadura militar, com a deposição de João Goulart, após um perí- odo de fragilização das insti- tuições democráticas e muita turbulência social, teve apoio em amplos setores sociais, al- guns esperando uma rápida intervenção. Mas como mostrou a his- tória, o tempo tenebroso dos militares foi longo e não há boa saída para além do diá- logo e da política. Como bem analisou um político inglês, Winston Churchill, de forma irônica, típica dos ingleses, “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as de- mais formas que têm sido ex- perimentadas de tempos em tempos”. Com volta das eleições es- taduais, no início dos anos 1980, mas ainda sob a dita- dura, entrei na política par- tidária e disputei mandatos na Assembleia Legislativa Estadual, onde mantive mi- nha luta pelo fim da ditadu- ra, volta e consolidação da democracia. Reconquistada a liberda- de, em todos os mandatos (além de deputado estadual, fui deputado federal, prefei- to de Vitória, senador, e go- vernador do Estado por dois mandatos – 2003/2010), sem- pre lutei para mostrar o valor e a importância da democra- cia e da política em sua face republicana como mecanismo para produzir qualidade de vida e cidadania, com garan- tia de igualdade de oportuni- dades a todos. Mas a história não acabou – aliás, não acaba nunca. O Brasil republicano viveu vá- rios períodos ditatoriais. Em 1964, por exemplo, havia ape- nas 18 anos de fim da ditadu- ra Vargas. Mas de 1985 para cá, consolidamos nossa demo- cracia. Escrevemos uma nova Constituição; fizemos refor- mas estruturais importantís- simas; construímos o Plano Real, de estabilidade econô- mica, o que nos deu horizon- tes novamente, após um pe- ríodo de desorganização e hi- perinflação; enfim, vivemos o Estado democrático de direi- to e avançamos em termos so- cioeconômicos e políticos. No entanto, como disse, não chegamos ao “paraíso”. As manifestações sociais de junho do ano passado mos- tram bem os descompassos que marcam a vida nacional. Num ambiente de escassez de líderes políticos genuínos, de enfraquecimento da políti- ca diante da força da econo- mia internacionalizada e de cultura do individualismo, ainda pioram a situação bra- sileira a corrupção, o desper- dício, os privilégios, a impu- nidade, a incompetência ge- rencial, a péssima prestação de serviços e obras públicas, apesar dos altíssimos e mui- tos impostos pagos até quan- do se compra o básico para se viver. Tudo isso leva a uma cri- se de representatividade e di- álogo com a sociedade, princi- palmente com os jovens, cada vez mais conectados e estu- dados. Ou seja, como nos pa- rece óbvio, não vivemos uma democracia perfeita – e tal- vez esta seja apenas um ide- al a nos guiar na luta diária por fazer avançar as liberda- des políticas entre nós. Mas, fora da política republicana e democrática, o que temos é a barbárie e o retrocesso civili- zatório. O período de bruta- lidade da ditadura nos mos- tra isso. O Brasil andou pa- ra trás e até hoje ainda pa- gamos pelos erros das esco- lhas que saíram vencedoras no passado. Que a memória – a tris- te memória daqueles tem- pos combatidos em diversas frentes, inclusive ao custo de muitas vidas e sofrimentos – esteja sempre a nos alertar que a civilização não se faz com golpes e regimes de exce- ção, mas com democracia e li- berdade! Liberdade para pen- sar, agir e construir mudan- ças que beneficiem a coletivi- dade. Liberdade para a ação política, que é a arte de pen- sar as mudanças e constituir os meios de torná-las realida- de, mudando para melhor da vida de todos. Que nestes 50 anos do sombrio 31 de março de 1964, a memória seja combustível para a luz da liberdade, tor- nando-a cada vez mais ra- diante entre nós, iluminan- do nossa caminhada rumo a um futuro mais justo e igua- litário, como o Brasil e os bra- sileiros merecem. Liberdade, hoje e sempre! (*Paulo César Hartung Gomes é economista, ex-go- vernador do Espírito Santo.) “••••••••••• ...não há boa saída para além do diálogo e da política“•••••••••••

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