Paradigmas

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Spiritual

Published on February 22, 2014

Author: USCS

Source: slideshare.net

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auto-ajuda

Em tempos de Inquisição medieval, uma jovem moça está prestes a ser lançada do alto de uma ponte.

São tempos medievais, e a morte é o destino certo de todos aqueles que não se alinham com os dogmas impostos pela Igreja Católica.

Na sentença acusatória são apontados como hereges, praticantes de bruxaria, ou simplesmente seguidores de outra crença que não o catolicismo.

Mais terrível do que qualquer episódio da história humana até então, a Inquisição enterrou a Europa sob um milênio de trevas, deixando um saldo de incontáveis vítimas de torturas e perseguições.

No chamado “auto-de-fé”, o inquisidor fazia pública a sentença, – um ritual de penitência pública, uma cerimônia de humilhação daqueles condenados por heresia.

Em tais ocasiões, espectadores de todas as partes do reino lotavam as praças, – em sua maioria, vibravam.

A iminente queda no vazio. A fragilidade do corpo diante de um cruel destino.

O destino mais frequente daqueles julgados culpados era a fogueira.

A Inquisição – um tribunal eclesiástico constituído para defender a fé católica, a vigiar, perseguir e condenar aqueles que ousassem professar outras crenças e ideias. O terrorismo consciencial.

Ideias inovadoras têm que ser combatidas, defendia a Igreja, diante do receio de que viessem a conduzir os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.

A imposição de uma severa vigilância sobre o comportamento moral dos fiéis; a censura de toda produção cultural, a forte restrição a toda manifestação do pensamento crítico, e qualquer inovação científica.

A chama em nome de Deus acesa, a consumir a delicada carne.

O fim dos sonhos, anseios, e das mais tênues esperanças...

Sobe para as abóbadas o canto dos pássaros, Subirão ou não ao céu as preces dos humanos...

A Inquisição constituiu a mais insana contradição. Como se pode, em nome da verdade, e ainda mais de uma verdade religiosa, perseguir, torturar, matar tanto e de forma tão obsessiva?

Diante de tal absurdo contexto, um grupo de seres humanos traumatizados conspirou, em meados do século XVIII, por um novo paradigma. (cabe aqui um elogio aos traumatizados, esses que captam na própria pele a dor de uma humanidade dilacerada, muitas vezes, mortalmente ferida)

Diante de tal absurdo contexto, Os filósofos iluministas um grupo depretenderam substituir seres humanos traumatizados conspirou, em meados do a ideia de salvação século XVIII, porpela de felicidade na terra. um novo paradigma. Os dogmas de paraíso e vida eterna foram (cabe aqui um elogio aos rechaçados, traumatizados, esses que a providência divina foi captam na própria pele a substituída pela certeza dor de uma humanidade científica e pela ideologia dilacerada, muitas vezes, do mortalmente ferida) progresso material.

A transcendência, a religiosidade e a espiritualidade seriam preteridas, postas de lado, desprezadas. As ideias de progresso material, de perfectibilidade humana, aliadas à defesa do conhecimento racional, passariam então a ocupar o centro das atenções da sociedade humana.

A nossa atual sociedade e o mundo moderno se apoiam nos conceitos que tais pensadores desenvolveram. Inegável é o valor do legado que deles herdamos:...

Galileu, – ao abandonar a servil obediência às autoridades estabelecidas, ao senso comum e à tradição –, iniciou a renovação da ciência de sua época.

As questões científicas, afirmava, devem ser confirmadas ou refutadas através da experiência e da observação, estabelecendo a Natureza como ‘o livro da ciência’. A discussão dos problemas naturais, defendia, deve começar pelos experimentos objetivos e não pelos textos sagrados ou escrituras.

Após Galileu, considerado o “pai da física moderna”, outros pensadores levariam avante a revolução iniciada no pensamento humano.

Francis Bacon, – tido como o arauto e fundador da ciência moderna, o “primeiro dos modernos e último dos antigos” –, argumentou que a ciência deve restabelecer o ‘imperium hominis’ (império do homem) sobre as coisas.

O conhecimento, o saber, seria um meio seguro e vigoroso de conquistar poder sobre a natureza, que deve ser, conforme defendia, dominada e subjugada em favor do homem.

Descartes, “o pai da razão”, tão traumatizado estava pelos dogmas de então, que partiu da dúvida como método sistemático: “para duvidar eu penso e, se eu penso, logo existo”.

Filósofo, físico e matemático, Descartes sugeriu a fusão da álgebra com a geometria – fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas, fazendo dele uma das figuras-chave na revolução científica.

Finalmente podemos citar Isaac Newton, que fez a síntese da matematização de Galileu, do empirismo baconiano e do racionalismo de Descartes.

Ao destrinchar a física mecânica, extrapolou a metáfora da máquina para o universo inteiro, regido por leis precisas.

No entanto, aquilo que era para ser o movimento compensatório dialético, histórico, infelizmente levou a uma outra esclerose.

A revolução científica conduziu a humanidade de um extremo, onde a ciência era reprimida em nome de algo que confusamente era chamado Deus,...

...para os momentos obscuros da modernidade, onde a experiência sublime, onde toda essa dimensão essencial – de onde jorram os princípios da ética – é reprimida em nome de algo que confusamente tem sido chamado ciência.

E o cego apego ao progresso tecnocientífico, sem a contraparte de transcendência, de espiritualidade, do divino, fez com que as mesmas trevas medievais recaíssem sobre os nossos atuais tempos modernos.

Robert Oppenheimer, nesta foto ao lado de Einstein, era uma das mentes mais brilhantes de sua época.

E por ser uma das mentes mais brilhantes de sua geração, foi designado pelo governo norte-americano para liderar a ‘Operação Manhattan’.

Durante 28 meses – de abril de 1943 a agosto de 1945 –, Oppenheimer encabeçou uma equipe formada por centenas de cientistas de ponta, e outros milhares de técnicos e assistentes.

E como resultado desta incansável dedicação: a primeira bomba nuclear.

Uma enorme concentração de energia engendrada em um pequeno espaço, capaz de ser liberada subitamente, com resultados devastadores, aliada a um subproduto letal: a radioatividade.

O dia 6 de agosto de 1945 tinha tudo para ser apenas mais uma segunda-feira como tantas outras. O sol já despontara, e os habitantes da cidade de Hiroshima, ao sul do Japão, se preparavam para a semana por começar.

Seria um dia como tantos outros, não fosse o avião a sobrevoar sorrateiramente a cidade, e lançar, às 8h 16min, a primeira bomba atômica jogada sobre uma cidade povoada.

“Meu Deus, o que foi que nós fizemos?” Foi a primeira interrogação de um dos tripulantes do avião diante da cena de absoluta devastação.

“Meu Deus, o que foi que nós fizemos?” Nos aviões, devido ao sigilo da missão, quase ninguém sabia do poder destrutivo da bomba que transportavam.

Cerca de 100 mil pessoas morreram instantaneamente, – as vítimas eram civis, cidadãos comuns, já que a cidade não era um alvo militar importante. Gerações inteiras, pais e filhos, avós e netos, crianças, jovens e velhos, cães, gatos, e passarinhos, dizimados num piscar de olhos.

A chama que devora a delicada carne, transformando-a em cinzas. Dor, sofrimento, suplício, – o fim de toda esperança.

Sobe para as abóbadas o canto dos pássaros, Subirão ou não ao céu as preces dos humanos...

Que pensamentos terão ecoado na mente de Oppenheimer diante dos resultados do mais avançado projeto científico de sua época, que ele liderou com tamanho afinco?

Além dos cem mil mortos no ataque, outros tantos milhares viriam a falecer em consequência das feridas e do envenenamento radioativo.

E três dias mais tarde, na manhã do dia 09 de agosto de 1945, a chama radioativa consumiria outros 80.000 em Nagasaki.

Philip Morrison, um físico que participou decisivamente na criação da bomba, viajou ao Japão logo após a explosão, em 1945, e confessou ter ficado chocado com o que viu. “Não havia restado nada, apenas uma ‘cicatriz’ sobre o solo”.

Oppenheimer, ao refletir sobre o resultado de seus esforços, quase enlouqueceu, e disse a célebre frase:...

“O maior perigo da humanidade é o cientista alienado”.

A alienação, a desumanização a que Oppenheimer fez referência, se alastra hoje pelos mais diversos campos da sociedade.

Hoje, o maior perigo para a humanidade é o cientista alienado, o político alienado, o educador, o aluno, o profissional alienado, o consumidor, o cidadão, o ser humano alienado. Uma alienação que põe em risco o próprio projeto civilizatório.

Tempos confusos estes em que nos coube viver. Dias desleais, de fria indiferença diante do essencial.

A chama da bondade, da fraternidade e da compaixão, tão trêmula, vacilante e fraca, a passar a impressão de que a qualquer momento pode se apagar.

Os paradigmas do passado já não atendem aos graves desafios que encontramos pela frente.

Toda a violência que nos cerca, a ignorância existencial que se alastra, todas as crises que se espalham por todos os recantos da Terra.

Em que curva da estrada foi que perdemos o nosso rumo?

O mundo contemporâneo atravessa uma de suas mais graves crises, – uma crise de demolição, caracterizada pelo desmoronar de velhos padrões e certezas.

Nestes tempos de vidraças quebradas e flores partidas, haverá tarefa mais urgente do que reconduzir os passos em direção à senda que conduz à plenitude esquecida?

Da mesma forma que a religião sem ciência nos conduziu à degradação no passado, Na atualidade, a ciência sem religião está nos levando à autodestruição.

A ciência tem um caminho próprio, que é o analítico. A religião tem um caminho próprio, que é o sintético. Um não precisa do outro.

Mas como afirmou Fritjof Capra: “o ser humano precisa de ambos”. Ciência & Religião

São as duas pernas que o ser humano necessita para empreender uma jornada com o coração.

São tempos existencialmente duros estes que nos coube vivenciar.

O momento que vivemos encontra-se refletido na seguinte metáfora: “a lagarta já morreu e a borboleta ainda não nasceu”.

O velho mundo já não mais existe, já foi ultrapassado, esfarela-se a olhos vistos, e o novo mundo ainda não surgiu, espera por nascer.

É, sem dúvida, um tempo decisivo, de desafios sem precedentes que ombreamos, – todos nós, a quem coube vivenciar estes tempos de transição, de passagem para uma nova época.

“A lagarta já morreu, E a borboleta ainda não nasceu”.

O resgate necessário, da transcendência, da espiritualidade, da arte, da poesia.

Esta apresentação é baseada em textos do terapeuta holístico Roberto Crema.

Possa a citação a seguir, que finaliza esta mensagem, servir de inspiração e alento para todos aqueles atentos aos desafios e oportunidades dos nossos dias.

“Na escuridão da noite planetária que atravessamos, no pressentimento de uma manhã ensolarada e de um oásis secreto a nos aguardar e redimir no tempo justo, nossa tarefa é a de seguir adiante...”

“Peregrinar sempre, repousar no orvalho da pausa, despertar no Instante, ser agente de um cuidado integral e sorrir para o Grande Mistério da Vida. Em marcha!” Roberto Crema

“Em marcha!” Formatação: um_peregrino@hotmail.com

“Em marcha!”

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