Os lusíadas, de luís de camões(1)

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Published on June 11, 2016

Author: antoniofraga71

Source: slideshare.net

1. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões “Milhor é merecê-los sem os ter Que possuí-los sem os merecer.” “Os Lusíadas”, Canto IX Sessões de Estudo - PEP Exame Nacional de Português - 12º Ano Docentes: António Fraga Carla Rosete Esmeralda Alves Maria José Afonso Sandra Clarisse Teles

2. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões O CARÁTER ÉPICO épico ,adj., 1. Da epopeia ou a ela relativo; próprio da epopeia.; 2. Alto, levantado, sublime. Noção de epopeia – Narração de feitos heróicos de um indivíduo ou de um povo, de interesse nacional com interesse universal, em estilo grandioso.

3. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Dizer que uma obra, uma personagem, um acontecimento tem caráter épico significa... - Que é grandioso, elevado; - Que há uma exaltação de um herói, individual ou coletivo; - Que é difícil de concretizar; - O caráter épico de uma obra implica sempre uma larga abrangência de acontecimentos que, quase sempre, se concretiza num texto extenso.

4. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

5. Estrutura Interna Proposição (estrofes 1-3) Invocação (estrofes 4-5) Dedicatória (estrofes 6-18) Narração – in medias res (a partir da estrofe 19) “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

6. Planos A obra desenvolve-se em volta de quatro planos que se entrecruzam na narrativa. São eles:  Plano da Viagem- a descoberta do caminho marítimo para a Índia, correspondente ao presente da narração;  Plano da Mitologia- toda a intriga dos deuses, desde que se inicia a viagem até ao seu fim; estes assumem-se ora como adjuvantes, ora como oponentes dos portugueses; “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

7.  Plano da História de Portugal o passado relatado por Vasco da Gama e por Paulo da Gama; o futuro visualizado pelas profecias de Júpiter, do Adamastor e de Tethys e pelo sonho de D. Manuel; o presente glorificado por Camões, especialmente no episódio de “A Ilha dos Amores”.  Plano das Considerações do Poeta - sobretudo nos finais de Canto, onde o poeta tece considerações de caráter pessoal sobre matérias muito diferenciadas. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

8. • SINOPSE Canto I Proposição; Invocação; Dedicatória; Início da Narração: navegação no Índico; chegada a Mombaça. Maquinações de Baco contra os portugueses. O poeta reflete sobre a fragilidade da vida humana. Refere todos os perigos que o homem tem que enfrentar e a sua sujeição aos desígnios dos deuses. Face à superioridade dos deuses, como poderá subsistir o Homem, “bicho da terra tão pequeno”, escapando à sua condição mortal? (I, 105-106) “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

9. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto II Canto III Canto IV Narração: chegada a Melinde; pedido do rei de Melinde para ouvir a História de Portugal. Relato de Vasco da Gama: descrição da Europa; história de Luso a Viriato; referência ao Conde D. Henrique e à formação da nacionalidade; 1ª dinastia; 2ª dinastia, até D. Manuel I; Despedidas em Belém e discurso do Velho do Restelo

10. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto V Narração da viagem, desde Lisboa a Melinde. Episódio do gigante Adamastor e conclusão da narração da viagem até Melinde. O poeta põe em destaque a importância das letras e lamenta o facto de os portugueses nem sempre lhes darem valor: “Porque quem não sabe arte não na estima.”, aliando a força e a coragem ao saber e à eloquência. (V, 92-100)

11. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto VI Despedida de Melinde e viagem para a Índia. Tempestade (novas maquinações de Baco). Avista-se Calecut. Realça o valor das honras e da glória alcançados por mérito próprio. Elogia os nautas pela sua bravura, coragem e persistência. Enumera um conjunto de renúncias e atos que deve praticar todo aquele que quiser alcançar a imortalidade. (VI, 95-99)

12. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto VII Chegada à Índia. Visita de Vasco da Gama ao Samorim. Visita do Catual às naus. O poeta lamenta-se pelo desprezo dos portugueses que, em vez de lhe darem a recompensa, dão-lhe trabalhos. Refere-se com amargura à ingratidão de que foi alvo. Considera, ainda, ser este um mau exemplo para os escritores vindouros. (VII, 78-87)

13. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto VIII Partindo do significado das figuras das bandeiras, Paulo da Gama fala ao Catual de outras figuras da História de Portugal. Vasco da Gama é impedido de embarcar e resgatado a troco de mercadorias. O poeta lamenta a importância “Do dinheiro, que a tudo nos obriga.”, fonte de corrupções e de traição. Refere que o dinheiro é capaz de corromper o pobre e o rico e, até mesmo, o sacerdote. (VIII, 96- 99)

14. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto IX Viagem de regresso dos Portugueses. “A Ilha dos Amores.” – a recompensa. Condenação da cobiça, da ambição e da tirania e conselhos aos que aspiram alcançar a condição de herói, que implica o domínio do ócio, o refreio da cobiça e da ambição, leis justas e a luta contra os sarracenos. (IX, 88-95)

15. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Canto X Embarque dos navegadores e regresso à Pátria. Exortação a D. Sebastião e vaticínio de glórias futuras para os portugueses. O Poeta confessa estar cansado de “cantar a gente surda e endurecida”; lamentações do poeta: denúncia da decadência da Pátria, renovação dos apelos já feitos ao Rei na Dedicatória, incentivando-o a tomar medidas que reponham o país na senda do êxito e da glória. (X, 145-146)

16. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões Reflexões de Camões sobre: A condição humana e mortal - “Bicho da Terra” (C. I) O valor da literatura para o reconhecimento do mérito dos heróis – a pena e a espada devem ser aliadas (C. V) O valor das honras e da glória alcançadas por mérito próprio e de forma desinteressada, sem tirania ou cobiça (C. VI /C.IX) O poder vil conferido pelo dinheiro/ouro (C.VIII) O infortúnio dos poetas que, como ele, não são reconhecidos (C.VII/IX) A decadência da pátria, constatando a oposição entre o estado do reino e o teor central do seu canto glorioso. Exortação ao rei D. Sebastião para dar continuidade à obra grandiosa do povo português.(C. X)

17. MITIFICAÇÃO DO HERÓI O heroísmo assume, na obra, um conceito abstrato, resultante da deceção face aos compatriotas que não correspondem ao modelo a retratar; Conceito de heroísmo (modelo global): perfeição no plano moral, intelectual e no domínio da ação; a imagem de um homem inteiro que impõe a sua vontade e que afirma a sua liberdade; “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

18. - apresentação do herói na Proposição (“peito ilustre lusitano”); - Consílio dos Deuses no Olimpo: construção do herói através da oposição de Baco (“Que esquecerão seus feitos no Oriente/Se lá passar a Lusitana gente”); também pelo enaltecimento de Júpiter, Vénus e Marte; - Velho do Restelo: comparação dos portugueses a Prometeu e a Ícaro (representantes da negação da pequenez do ser humano face à vontade e à ação, que permitem a concretização); este velho, de aspeto venerável, vai dizer, na hora da partida, que a viagem é um tremendo erro; ora, o facto de, mesmo assim, os nautas não hesitarem, mostra que não haverá qualquer obstáculo que os impeça de concretizar o seu objetivo; “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

19. - Adamastor: a ousadia do povo português que desvendou “os vedados términos” e os segredos “A nenhum humano concedidos/De nobre ou de imortal merecimento”; - o herói é progressivamente construído, não só pela coragem e valentia, mas pelo facto de deter um novo saber, adquirido pelas suas vivências; - Ilha dos Amores: momento em que acontece a fusão entre o divino e o terreno; os nautas são elevados à condição de deuses, pois Vénus “Os deuses faz descer ao vil terreno/E os humanos subir ao Céu sereno”; “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

20. - Máquina do Mundo: a ascensão dos heróis humanos, que obtêm o conhecimento, pois Vasco da Gama tem acesso a uma visão do mundo, segundo a teoria de Ptolomeu; - a divinização do herói nacional é plena no momento em que Vasco da Gama tem acesso ao conhecimento vedado ao mortal comum. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

21. 96 Nas naus estar se deixa, vagaroso, Até ver o que o tempo lhe1 descobre; Que não se fia já do cobiçoso Regedor, corrompido e pouco nobre. Veja agora o juízo curioso Quanto no rico, assi como no pobre, Pode o vil interesse e sede immiga Do dinheiro, que a tudo nos obriga. 97 A Polidoro2 mata o Rei Treício, Só por ficar senhor do grão tesouro; Entra, pelo fortíssimo edifício, Com a filha de Acriso3 a chuva de ouro; Pode tanto em Tarpeia4 avaro vício Que, a troco do metal luzente e louro, Entrega aos inimigos a alta torre, Do qual quase afogada em pago morre. 98 Este rende munidas fortalezas; Faz tredoros5 e falsos os amigos; Este a mais nobres faz fazer vilezas, E entrega Capitães aos inimigos; Este corrompe virginais purezas, Sem temer de honra ou fama alguns perigos; Este deprava às vezes as ciências, Os juízos cegando e as consciências; 99 Este interpreta mais que sutilmente Os textos; este faz e desfaz leis; Este causa os perjúrios entre a gente E mil vezes tiranos torna os Reis. Até os que só a Deus omnipotente Se dedicam, mil vezes ouvireis Que corrompe este encantador, e ilude; Mas não sem cor, contudo, de virtude. “Os Lusíadas”, Canto VIII 1- Vasco da Gama 2- Polidoro é morto pelo rei da Trácia, que se apodera do ouro que o jovem levava para tentar salvar Tróia. 3- Acriso tenta anular uma profecia (a sua morte às mãos do neto), prendendo a filha numa torre; porém, Júpiter entrou na torre, sob a forma de chuva de ouro, e tornou Dánae mãe de Perseu, que veio a assassinar Acriso. 4. Rapariga romana que, na esperança de obter anéis de ouro dos Sabinos que sitiavam Roma, lhes abriu as portas da cidade. Estes, porém, não a pouparam , esmagando-a sob as joias e os escudos. 5- traidores

22. Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem: 1. Divida o texto em partes lógicas e apresente, para cada uma delas, uma frase que sintetize o respetivo conteúdo. 2. Identifique a anáfora presente nas estrofes 98 e 99, explicitando o seu valor expressivo. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

23. Proposta de correção: 1. Estas estâncias podem dividir-se em duas partes: a primeira corresponde aos quatro primeiros versos da estrofe 96 e a segunda ao restante texto. Na primeira parte, o narrador dá conta da situação de Vasco da Gama, que regressou às naus depois de ter sido resgatado a troco de mercadorias. Na segunda parte, assiste-se a uma reflexão do poeta que refere os efeitos nefastos do dinheiro em todos os seres humanos, incluindo o rico e o pobre, os traidores, os nobres e até mesmo os reis e os sacerdotes. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

24. 2. A repetição do demonstrativo “Este”, no início dos versos um, três, cinco e sete da estrofe 98 e versos um e três da estrofe 99, constituem a anáfora. “Este” refere-se ao dinheiro, servindo para enumerar a imensidade de situações em que a ganância pelo “metal luzente” altera o comportamento das pessoas: “Faz tredoros e falsos os amigos”, “Este corrompe virginais purezas”, “este faz e desfaz leis;”. A anáfora, pelo uso do pronome demonstrativo “Este”, reforça a proximidade do elemento “que a tudo nos obriga”. Este recurso pretende mostrar que ninguém está livre de “fazer vilezas” pela posse de dinheiro, conforme mencionado em: “a mais nobres faz fazer vilezas”, “E mil vezes tiranos torna os Reis”, “Até os que só a Deus omnipotente/Se dedicam”). “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

25. 76 -«Faz-te mercê, barão, a Sapiência Suprema de, co’os olhos corporais, Veres o que não pode a vã ciência Dos errados e míseros mortais. Segue-me firme e forte, com prudência, Por este monte espesso, tu co’os mais.» Assi lhe diz e o guia por um mato Árduo, difícil, duro a humano trato. 77 Não andam muito, que no erguido cume Se acharam, onde um campo se esmaltava De esmeraldas, rubis, tais que presume A vista que divino chão pisava. Aqui um globo vêem no ar, que o lume Claríssimo por ele penetrava, De modo que o seu centro está evidente, Como a sua superfície, claramente. 79 Uniforme, perfeito, em si sustido, Qual, enfim, o Arquetipo que o criou. Vendo o Gama este globo, comovido De espanto e de desejo ali ficou. Diz-lhe a Deusa: - «O transunto1, reduzido Em pequeno volume, aqui te dou Do Mundo aos olhos teus, pera que vejas Por onde vás e irás e o que desejas. 80 «Vês aqui a grande máquina do Mundo, Etérea e elemental, que fabricada Assi foi do Saber, alto e profundo, Que é sem princípio e meta limitada. Quem cerca em derredor este rotundo Globo e sua superfície tão limada, É Deus: mas o que é Deus, ninguém o entende, Que a tanto o engenho humano não se estende. “Os Lusíadas”, Canto X 1-modelo, exemplo;

26. Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem: 1. Aponte um exemplo textual que contribua para a construção da mitificação do herói na obra, justificando a sua escolha. 2. Indique o estado de espírito de Vasco da Gama, ilustrando a sua resposta com citações textuais. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

27. Proposta de correção: 1. Em “Faz-te mercê, barão, a Sapiência / Suprema de, co’os olhos corporais,/ Veres o que não pode a vã ciência / Dos errados e míseros mortais.”, observa-se a construção da mitificação do herói, pois o sujeito épico apresenta o momento em que Vénus conduz Vasco da Gama ao conhecimento supremo, vedado aos mortais e concedido aos nautas em “A Ilha dos Amores”. Assim, o herói lusitano ascende a uma posição que faz dele um mito. Quando Vénus diz a Vasco da Gama: “Vês aqui a grande máquina do Mundo”, está a proporcionar a construção da mitificação do herói, pois é neste momento que os navegadores são recompensados com o conhecimento que, até então, estava interdito aos comuns mortais. Camões consegue, desta forma, elevar os portugueses a um patamar superior, apenas permitido às divindades. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

28. Proposta de correção: 2. Vasco da Gama é levado a um conhecimento superior, interdito aos homens comuns. Pode notar-se que fica comovido e espantado no momento em que vê a “Máquina do Mundo”, ficando simultaneamente ansioso perante aquele conhecimento que a deusa lhe apresenta: “comovido / De espanto e de desejo ali ficou”. “Os Lusíadas”, de Luís de Camões

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