o que sao ri???

100 %
0 %
Information about o que sao ri???
Education

Published on May 11, 2014

Author: breconcepcion

Source: slideshare.net

' .r • ' Gilberto Marcos Anfonio Rodngues •LAÇO ES INTERNACIONAIS : Pasír. •{•' /^j"*"' Copias L ü *m*m INTRODUÇÃO "Ato funda da China axisle um mandarim mais rico que todos os reis quo a fábula ou a história cantam. Dela nada conheces, nem o nome nem o semblante (...) Para que herdes os-seus ca bedais inundáveis basta que loques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro. Ele soltará apenas um suspiro, nesses con fins da Mongólia. Scrã então um cadáver; e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhara ambição de um avaro. Tu quo me lês e és um homem mortal, tocarús tu a campainha?" EÇA DE QUEIROZ, em O mandarim Você, com certeza, vê televisão, ouve rádio ou lê jornais e revistas. Então, já deve ter percebido que em todos es ses meios de comunicação há sempre um espaça reserva do às notícias Internacionais. Quais são os fatos do mundo? Conflitos armados, mani festações pacíficas, uma nova descoberta da ciência, encon tros de chefes de Estado e de governo, desintegração ali, integração acolá... Será que existe alguma área do conheci- M 0> ^

GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES manto que se propõe a explicar as relações entre os acontecimentos que fazem o dia-a-dia de nosso planeta? A disciplina relações internacionais é uma tentativa nes se sentido. Seu estudo e sua prática podem dar boas pis tas para compreender e atuar nas relações que ultrapas sam as fronteiras dos países. De que trata essa disciplina A partir de meados da década de 1980, começamos a testemunhar a mais importante transformação do sistema internacional desde o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945: o fim da Guerra Fria. Foram-quarenta-anos-de-sistemático-confronto-ideológi=- co, de um contínuo estado de tensão entre os Estados Uni dos (EUA) e a ex-URSS (União Soviética) que, apesar de não ter se convertido em guerra frontal e direta (por isso era chamada de "fria"), fomentou a construção de arsenais nucleares capazes de destruir a Terra inúmeras vezesl Du ranteJodos_esses anos, a Guerra Fria foi o principal tema das relaçõeslmlIfTTaclanalS. Há fenômenos importantíssimos do meio internacional que passaram a merecer maior atenção da comunidade in ternacional depois1 do festejado fim da Guerra Fria. Cito al guns deles: as migrações internacionais (ex., da Europa do Leste em direção ao Ocidente); a criação, o uso a a trans ferência de novas tecnologias (ex., no campo da Informáti ca); a formação de megablocos econômicos (ex., a União Européia, o MERCOSUL) em meio à globalização da eco nomia mundial; a expansão da democracia e dos direitos humanos como valores universais (ex., o fim das ditaduras O QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS militares na América Latina); os temas ecológicos (ex., biodiversidade, camada de ozônio e efeito estufa) e os culturais (ex., o conflito entre o Islão e o Ocidente laico e cristão). Ao abarcar temas tão diversos e revelando Jer_na- tureza multidisclplinar, fruto das contribuições que reçefee d_a ciência política,"do direito]...da^ekongmjaj.ija_gej3gr_afja, da história e da sociologia, a disciplina relações internacio nais vem sendo estudada de diferentes ângulos. E, desde" o Início dos anos 50, com o incremento dos estudos internacionais no campo acadêmico, começaram a ganhar corpo três grandes visões interpretativas das rela ções internacionais, também conhecidas como paradigmas. Por Isso, não há uma concepção única e imparcial do que vêm a ser relações internacionais. Cada conjunto de teorias que compõem um paradigma oferece uma yaloraçáo distin ta dos fatores internacionais e enseja sua própria Interpre tação das relações internacionais^ Mas deixemos o aperitivo de lado. Nas páginas que se seguem, começo tratando da salada terminológlca, ao falar sobre a origem e o porquê da expressão "relações interna cionais". Em seguida, entro a servir uma entrada: as visões interpretativas ou paradigmas das relações internacionais. O prato forte fica por conta dos grandes temas internacio nais e da possibilidade de formulação de uma agenda mun dial. Para encerrar, a sobremesa e o cafezinho ensejarão um bate-papo sobre a inserção do Brasil no cenário inter nacional. + m*m

*m*m REVIRANDO A SALADA TERMINOLÓGICA Que significa o adjetivo "internacional"? Ao pé da letra é fácil traduzi-lo por "que se realiza entre nações". Contudo, a disciplina relações internacionais trata apenas das rela ções Bntre nações? Já veremos que não. Para entender o porquê dessa denominação é necessário, pois, vasculhar um pouco da história. ^£> termo 'Internacional'', foi. usado, pela primeira vez. no campo do direito pelo jurista e filósofo inglês Jeremias Ben- thàrti, erh sua obra introdução, aos princípios de moral e legislação, publicada em 17B9 _. ""Beníham achou melhor substituir a expressão "direito das gentes" (Law of Natíons), que era a mais usual até então, por "direito internacional" [International Law). O im pacto da obra do autor aliado, à influência da Inglaterra, como potência global da época, ajudaram a disseminar e assentar o uso da expressão. Algo importante a considerar sobre a opção terminológi- ca "Internacional" é a circunstância de ela ter sido cunhada O 0UE SÃO RELAÇÕES internacionais II sob o véu da cultura européia ocidental. Os Estados que foram sendo formados no continent.e_eurQp_e.u._a..p.art)r da BaixIFÍcfãdir Média^ coincidiam, de maneira geral, com ps limites nacionais. Quando Bentham adotou sua nova ex pressão, já havia portanto uma correspondência entre as nações e a formação dos Estados. De fato, muitos dos Estados que ganharam contorno nos mapas da época eram formados somente por uma na ção. Com algumas exceções (a Alemanha, por exemplo), os Estados eram nacionais, ou seja, nação = Estado. Com o tempo, do campo propriamente jurídico a expressão sal tou para o campo das demais ciências sociais, e as rela ções entre os Estados passaram a ser denominadas "rela ções internacionais". Uma herança viva do processo histórico quo confundiu Estado com nação manifesta-se ainda hoje na maioria dos países ocidentais. Trata-se do vínculo que qualquer pessoa adquire com seu nascimento, a nacionalidade.^A rigor, o vínculo é com o Estado e não com a nação. Na Alemanha, "cuja tradição fez distinguir entre nação e Estado, o vínculo da pessoa com aquele país não se chama nacionalidade e sim "estatalidade" [Staatsangchõrigkeií). Ao guardar essa identificação quase absoluta com as relações entre os Estados, a expressão "relações internacio nais" chegou a ser posta em xeque por alguns acadêmicos, dentre eles Spykman, que propôs a denominação "relações interestatais" (Interestate Relations). Não obstante, à revelia dessa e de outras tentativas de dar ares de fidelidade à expressão, acabou prevalecendo "relações internacionais" para denominar as relações entre os Estados formados por uma ou mais nações. ^ r < ÇO

12 GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES 0Q ~ l Como se vê, há uma dificuldade terminoiógica, difícil de O ser superada, em relação à expressão "internacional". Além de significar as relações entre os Estados, considerados os principais atores internacionais, ela também refere-se a ou tros atores que participam ativamente da vida internacional. São eles: as qrganjzaeões„jnternaclona;s. as empresas ?u^nac'onãÍ2i-«M^J?.l[E52!ã?5Sea não-govèrnamenTais (OTÍGsj, as Igrajas^ os niwmiet^s^pplf^cps e sindicais etc. " Por"outro"lado, é necessário dizer que no país onde se dá a maior produção intelectual e editorial do planeta - os EUA - as relações internacionais assumem outras denomi nações, tais como política internacional (international poli- tics) ou política mundial (world politics). Isto se deve à rela ção "incestuosa" que os estudos internacionais mantêm ¥4* •è. com aTciêncía política naquele país. Vale a pena lembrar a observação que faz o professor francês Mareei Merle em seu Sociologia des relations inter- nationales (Sociologia das relações internacionais). Ele diz que as relações internacionais padecem do fato de desig nar ao mesmo tempo um campo de investigação e a disci plina que serve para estudá-lo. Para ilustrar a explicação de Merle, façamos a seguinte comparação. Se indagássemos "Qual o objeto de estudo do direito?", esperaríamos receber algo assim como resposta: "As leis, os costumes, os princípios gerais e as decisões dos tribunais que constituem um dado ordenamento jurídi co". Mas, se formulássemos a mesma pergunta com respeito às relações internacionais - "Qual o objeto de es tudo das relações internacionais?" -, poderíamos obter como resposta: "As relações Internacionais". Já deu para perceber que toda essa salada terminoiógi ca pode complicar um pouco a vida dos que se dedicam à O QUE SAO RELAÇÕES INTERNACIONAIS pesquisa ou dos que têm mera curiosidade em assuntos internacionais. Some-se a isso a riqueza de contribuições oriundas das diversas ciências humanas, para verificar que a produção intelectual das relações internacionais padece de uma ^acentuada dispersão. Não é à toa que os interna- cionalistalTtêm de se dispor a buscar, continuamente, boas- doses de ecletismo para poder estudar os problemas mun diais. Ator, cenário, papel: por que essa linguageiu "teatral"?. Em qualquer livro ou artigo de revista sobre relações internacionais, fatalmente se encontrarão os termos "ator", —cenário-e "papel—a-desfilar-pelo-textoHstoporquerdada-a influência que os teóricos norte-americanas exercem sobre os estudo das relações internacionais, a maioria dos auto res acostumou-se a tomar emprestados os jargões termj- nológicos da ciência política para usá-los nas investigações "e-anállses sobre relações internacionais. Assim, ator internacional-é o agente que participa das relações internacionais. Pode ser um Estado, uma organi zação internacional, uma empresa transnacional, uma orga nização não-governamental etc. Cenário•• internacional é o local, o espaço geográfico onde se dão as relações internacionais produzidas pela participação dos atores internacionais. Pode ser também o desenho de uma dada situação internacional no espaço e no tempo. papel é- a suposta função que um determinado ator internacional exerce no cenário internacional. Trata-se de uma "suposta" função, pois cada internacionalista (depen- •#•

14 GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES dendo de sua opção teórico-metodológica) pode valorar dis tintamente o papel dos atores Internacionais, dando-lhes menor ou maior importância. Os juristas mantêm o seu próprio jargão: no campo do direito internacional usa-se o termo [sujéitò:;{úe direitos e ou de obrigações), em vez de ator, para designar os entes (só são reconhecidos como tais os Estados e as organizações internacionais) que participam das relações internacionais. No decorrer do livro, usarei essas expressões com a maior tranqüilidade, pois ficará claro que não tenho a inten ção de encenar uma peça de teatro. Nem pregar peça em ninguém... & -Relações-ifiter-naGÍ0nais-e-relações-exter;ioEes- Já que estou tratando de problemas terminológicos, vou terminar este capítulo procurando mostrar a diferença entre relações internacionais e relações exteriores, expressões que freqüentemente se confundem uma com a outra. Quando o assunto é relações internacionais o sentido é amplo; está-se falando sobre as relações entre os diversos atores internacionais. Tal não Impede que se possa falar sobre as relações internacionais de um país no mundo. É lícito falar-se, por exemplo, sobre as relações internacionais do Brasil. Al o que se pretende saber é a posição do Brasil no cenário internacional, seja regional, seja mundial, e qualificar ou quantificar seus objetivos, sua importância, seu peso cultural,-econômico, político etc. A expressão "relações exteriores" tem um sentido mais estrito, üemprè se Tratará das relações de um Estado de terminado com "Os õUtr05~E5T^tysTl:,üTje^5e-fãtar, poréxem-~ 1 O QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS pio, sobre as relações exteriores do Brasil com a Argentina, ou com a União Européia (UE). A política exterior de um Fstado ó a sustância, a es sência de suas relações exteriores. Ela é da competência dq.Ç^ãri^^SÍS^Jtel^i^^^^^Ç atuar em. alguns ca sos, como ratificação de traiados ou autorização para parti-' cipar.em conflitos armados). ' Nos cursos de Relações Internacionais, de Política Internacional ou de Preparação à CarrBira Diplomática, o estudo da política externa de um país ajuda a entender como e por que ele se relaciona com seus pares, na socie dade internacional. A política exterior é formulada e conduzida por um ór gão específico do Estado, o qual normalmente leva o nome de Ministério dã^Relãçõe^EXtêTlõTêã-(fTo~S~E5ta"ÜoTrUrfldü5~ é o State Depaiimanl); pode também ser conhecido pelo espaço físico que o abriga. Por exemplo, na Grã-Bretanha é o Foreign Office, e na França é o Quai d'Orsay. No Brasil, é o Ministério das Relações Exteriores, tam bém conhecido pelo nome de sua antiga sede no Rio de Janeiro e atual sede em Brasília - o Itamaraty -, o órgão político-administrativo encarregado de auxiliar o presidente da República na formulação da política exterior, assegurar sua execução e manter relações com governos estrangei ros, organismos e organizações internacionais. 0_miDJstio das Relações Exteriores é, abajxo do presidente, a autori dade máxima na condução,dos assuntos externos, do país. E são os dipJojT^ajasjaje^jierrirojJq^. seryiçp^pjj^|jçptifed_e.r.al, respondem por. esse Importante trabalho. ^Apesar dessas diferenças, existe um nexo entre as rela ções exteriores""Bos Estados, traduzidas _em sua atívidads_ diplomática, e as relações internacionais. Na medida em <o fy o ON *

*. lü GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES que os Estados são os principais atores ou sujeitos das relações internacionais, ao executar sua política exterior, cada Estado contribui para configurar determinados cená rios internacionais. ;$C Os.Estados que detêrrt a maior, cota de poder na socie dade internacional são os qüe em última instância definem a criação e a execução das regras (políticas, econômicas, jurídicas etc.) de funcionamento do sistema internacional (os chamados Estados hegemônicos, como a Inglaterra, no século XVIII e parte do século XIX, e os EUA, no século XX). Eles têm a possibilidade de influir muito mais nas rela ções internacionais, a partir de suas respectivas políticas exteriores. Assim, os conflitos ou convergências entre as diversas políticas exteriores dos Estados são parte da convivência Internacional e alimentam os distintos caldos de cultura das relações internacionais. -*&<$&> DE ENTRADA: PARADIGMAS DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS • Paradioma? Que é isso? Já dei uma dica do que vem a ser paradigma lá na Introdução, mas, em se tratando de um termo pouco usual em nosso cotidiano, e ao mesmo tempo palavra-chave neste capítulo, é Importante esmiuçar um pouco mais o seu significado. Nas páginas do Novo Dicionário Aurélio pode-se ler que paradigma é "modelo, padrão". Em espanhol, o Diccionario de Ia Real Academia Espanola acusa o significado de "ejemplo". E em inglês, o Oxford Engllsh Dictionary apre senta a seguinte definição: "a pattern. exemplar, example". Esse é o sentido cru da palavra. Na medida em que é tem perado pelos internacionalistas ele ganha, como seria de esperar, um sabor próprio, peculiar. Foi Thomas S. Kuhn quem jnaugurou_,g..uso da.expres são ''paradigma" no estudo dos feiiômengs.científicos.-a partir de sua obra A estrutura das revoluções_LçjgnJffísüS (1962). Ainda que Internacionalistas, como Mareei Merle, consirJeTem tal expressão Imprecisa, o termo já faz parte

GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES do jargão das ciências sociais, inclusive das relações inter nacionais. Tomemos a definição que o professor John Vásquez bs- * tabalece em sua obra The power of power politics. A criti que. (O poder das políticas de poder. Uma crítica), de ]5,..-] 1983. Ele diz que paradigmas são "as suposições funrJar -|aC!' mentais que os especialistas fazem sobre o mundo que es- A ' tão estudando", Segundo Vásquez, as tais suposições fun- jfWu (lamentais mostram ao especialista "o que é conhecida so- »j" bre esse mundo, o que ó rlfismnher.ldn. mmo gfl deve en- .",.,,-yi xerpar esse mundo se se quer conhecer_g desconhecido e, 'finalmente, o que merece ser conhecido". /.ia s*' Ora,- um paradigma das relações Internacionais é, en- -"^Ttâpj uma visão, uma interpretação, umá perspectiva dos í^^sfenômenos internacionais ou mundiais, amparada em'algum ,£$P: 7/rnétòdó, cuja pretensão é explicar e dar sentido para os fatos que estão se desenrolando no cenário internacional. Um paradigma seria uma maneira de organizar a realidade. ._ *~talcomo_a define o ItaTianísiTmo Umberto Eco. Quais são os paradigmas das relações internacionais? A maioria dos internacionalistas reconhece a existência de três paradigmas: o realista (clássico), o da dependência (estruturallsta) e o da interdependência (transnaclonal ou da sociedade global). Incluímos um quarto, o paradigma da paz, que parece estar se firmando. A seguir, e sem mais delongas, eles passam a ser servidos, à moda brasileira. v^^Oparádigma realista Na teoria das relações Internacionais, o realismo político é a mais antiga e a mais influente entre as concepções O QUE SAO nHLAÇÚES INTERNACIONAIS sobre, os fenômenos internacionais, Também é chamado de paradigma tradicional ou clássico. Seus antecedentes re montam à Grécia Antiga. No entanto, foi durante o período de formação dos Estados nacionais europeus que dois pensadores modernos, Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes, inspiraram a geração do realismo político, nos moldes em que ele veio a desenvolver-se. Maquiavel, em O Príncipe (1532), obra que ainda hnje é tida como leitura obrigatória para quem ingressa na política (ou quer entendê-la), escreveu urna espécie de manual, onde dá conselhos ao Príncipe, especialmente àquele que se Inicia na arte de governar. Para o escritor florentlno, que havia tido ampla experiência como diplomata e consultor político e militar do governo de Florença, o governante deve agir segundo algumas regras da natureza humana, regras que Maquiavel pensava haver aprendido com sua V vivência. Um de seus conselhos mais famosos - cuja aplicação prática pode ser encontrada em incontáveis episódios da história das relações internacionais - é o que diz: "... na conduta dos homens, especialmente dos príncipes, contra a qual não há recurso, os fins justificam os meios. Portan to, se um príncipe pretende conquistar e manter um Esta do, os meios que empregue serão sempre tidos como hon rosos e elogiados por todos". Essa máxima maquiavélica é.o substrato de uma das características do paradigma realista, aquela que separa a conduta, d.d Estado (dè seus governantes) de toda a qual quer moral, seja ela interna ou internacional. O papa do realismo do pós-guerra, Hans Morgenthau, explorou com profundidade essa questão em suas obras, cujo teor vere-_ mos mais adiante. 0 &/

té, GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES Enquanto Maquiavel estava preocupado em-dar conse lhos a governantes, Thomas Hobbes, em seu Leviatâ (1651), estava mais interessado em explicar o funciona mento do sistema político. Por isso, dentro da concepção realista das relações internacionais, sua obra influenciou multo os pensadores que o sucederam. Que dizia Hobbes? A base do pensamento hobbesiano é que o ser humano vive num estado de natureza, onde não há regras, nem leis, nem igualdade nem justiça Imparcial. É o famoso "cada um por si e Deus por todos", o império da força bru ta As reflexões de Hobbes serviram como uma luva para os realistas sustentarem suas idéias acerca do funciona mento das relações Internacionais. Somente os mais fortes teriam mais possibilidades de sobrevivência num mundo anárquico por-natureza^Q-homem-é lobo para-outro ho- mem" é a conhecida frase que resume o pensamento de Hobbes sobre as relações sociais. Os historiadores das relações internacionais fixam a^Paz de Vestfália, em 1648, que estabeleceu o Sistema Europeu cie Estados e criou um equilíbrio de poder entre as potências da época, como o ponto de partida das relações interna cionais modernas segundo as pautas do realismo político. Contudo, tais antecedentes se mesclam com o estudo da ciência política. Somente no século XX, a disciplina rela ções internacionais deu seus primeiros passos, com o lan çamento de obras marcantes sobre os fenômenos interna cionais. Nessa perspectiva, é interessante notar que o rea- lismo político irá apresentar-se com sua roupagem interna cional como reação ao período oenommaoo idealista das relaço^snnternaciQDais^- Depois da Primeira Guerra, nos idos da década de 1920, o mundo vivia um período rico em avanços tecnoló O QUE SAO RELAÇÕES INTERNACIONAIS gicos e sociais. Havia, por um lado, um enorme furor com a Revolução Bolchevique na Rússia, em 1917; por outro, o fim da Primeira Guerra Mundial e a assinatura do Tratado de Versalhes, em 1919, que criou a primeira Organização Intergovernamental do planeta, a Orgapi-/açã" Internacional ydoJTrahalhn (OIT), a estabeleceu a Sociedade das Nações, que tinha o apoio do presidente Wilson, dos EUA, a fim de reunir as nações "civilizadas" para cuidar de assuntos de interesse mundial etc. Esse período ficou conhecido como idealista exatamen te porque albergou o surgimento de uma série de iniciativas inspiradas em princípios éticos e morais que, transfor mados em normas jurídicas, serviriam como vetores das relações internacionais. As práticas tradicionais a conserva- doras de fazer política internacional foram duramente criti cadas, como por exemplo a diplomacia de bastidores que negociava alianças militares secretas. Por outro lado, a pu blicidade dos tratados internacionais passou a estabelecer, juntamente com o aprimoramento de regras de diplomacia multilateral, uma nova maneira de perceber as relações internacionais - mais aberta e democrática. Com tantos ventos soprando a favor de mudanças não foi à toa que durante esse período nasceram as primeiras cátedrasde relações internacionais, errMJrTív^rsIa^e^^ilr^rTTcãsl „ Considerado um precursor na matéria, o historiadorjib- g|ês ;Efj^ar^H-;.Cãrr/,realizou um estudo jnotável. sphré, n Jp_e^jodo~rü(^iraia que vicejou "após" ò termino7da Primeira Gu;er)a^unaiai."t>ua avájiáção sobre a inadequação do idea- lísmo para tratar com os fenômenos internacionais da épo ca confirmou-se pelas dificuldades que foram comprome tendo a paz mundial, tal como a negativa do Senado norte- americano em ratificar a adesão dos EUA à Carta que insti- nie.

GILREnTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES tuíra a Sociedade das Nações, fato que pôs a pique a existência da organização. O início da Segunda Queira— Mundial marcou;o fim do período idealista,jta.célebre obra__ de Carr The twêntyyear's crisis (1919-1939) (Vinte anos de crise: 19l9-1939]Jlrjçoij_as_bas"ês paraasjnterpretações realistas das relações internacionais contempof5nêas7 O realisrTÍõTnsere-se no mundo do "serrãTrTbuscar na análise histórica os argumentos para sustentar suas convic ções; em contrapartida, o idealismo roalça o mundo do "de ver, ser", aquele que pode ser instaurado pela racionalidade do ser humano. Os realistas avocam-se o conhecimento e a visão fidedigna da realidade - do jeito que o mundo é, e não como ele poderia ou deveria ser. Por Isso desenvolve ram uma visão pragmática e pessimista da realidade, que ~exclürã~põssi5iIÍdade~de~condutas altruístas-dos-atores-in-— ternaclonals. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o paradigma realista era o único que havia sobrado em meio aos es combros deixados pela guerra. E foi em 1948, no alvorecer da Guerra Fria, que Hàns.MõfgèhthaU: publicou o livro que viria a converter-se num clássico do estudo das relações internacionais: Po////cs among nations. The struggle of po wer and peace (Política entre as nações. A luta pelo poder e pela paz). De fato, esse livro tornou-se uma espécie de bíblia, de leitura obrigatória para acadêmicos e para funcio nários de governo. Acadêmico judeu-alernão, foragido das garras do nazis mo, depois de haver transitado por alguns países euro peus, Morgenthau estabeleceu-se definitivamente nos EUA, onde encontrou o respaldo necessário para o amadure cimento de suas idéias sobre a política internacional. Mas foi em seu berço de adolescência e de juventude, a contur- O Q'JS SAO RELAÇÕES INTERNACIONAIS 0 bada e fascinante Alemanha da República de Weimar (1919-1933), que ele identificou a fonte de sua principal tese: a da importância do poder nas relações internacio nais. Chamado de "o novo Maquiavel" por seus críticos, Mor genthau consolidou nos EUA a teoria do realismo político, cujo perfil.ficou ontologlcamente estabelecido, logo no início de sua obra .Política entre as nações, sob o título: "Os seis ., princípios dò realismo político'1. _ Vamos a eles. O primeiro princípio diz: "0 realismo poli- / tico sustenta que a política, tal como a sociedade em geral, é;,'gÓvérnada por leis objetivas que lançam raízes na natu reza riumanan. Essas "leis objetivas" seriam características • Inerentes ao ser humano, comparávois às que regem a conduta dos animais —a luta pela sobrevivência - e qUô sé refletiriam na conduta dos Estados. O segundo princípio estabelece que "o principal indica dor que ajuda o realismo político a encontrar o seu cami nho em meio à paisagem da política internacional é o con ceito de interesse definido em termos dP podacSr-Essa é uma das idéias fundamentais do paradigma realista. Todo e qualqueMnteresse - p^Jítico^econômiç^J^uJtujaiT.etc.,^_dps atores_^internacionais deveria_se.r,traduzido,eirj...s.ua„prele,n- sãõjde^lMnçar^ais^ .si, O terceiro princípio complementa o segundo: "O realis- nhp; considerar;que seu çgncelto-chave de Interesse definido como; poder é uma categoria objetiva corri vàlidàde^únivér- saj".: Ou seja, países ideologicamente distintos, fossem eles capitalistas ou comunistas, estariam regidos pelo mesmo interesse de obter ou Rianter seu poder sobre os demais. O quarto princípio reza que "o rgalismo_5ustenta que os princípios morais universais não podem ser aplicados as ©- @ (W o r^ Qo o c^- 3^^- k0&qOo^P

Q *. 0 GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES ações^dos Estados a partir .de.; sua formulação universal abstraía,' mas devem' ser filtrados: com observância das cir cunstâncias concretas de tempo e lugar". Com isso, Mor- .genthau retomava a idéia maquiavélica de que os fins justi ficam os meios, pois afirma não haver regras morais uni versais aplicáveis a todas as situações. Q_gulnto princípio diz que "o; realismo político nega-se n identificar as aspirações morais de uma haçãcTconcreta com leis'morais qdó governam 0 universo". Seguindo ã~ló- gica do principio anterior, Morgenthau nao aceita qua~~os atores internacionais possam ser submetidos a qualquer sistema normativo, seja ele moral ou jurídico, consjderando que o sistema internacional é absojjjíamente^anárquico e .desprõvido-de_qualquer regulação-supranacional O sexto e último princípio afirma que "o realismo político defende sua autonomia da esfera política". Ele consagra a idéia da separação entre a política interna e a política ex terna do Estado. Dentro do Estado deve existir o império da lei, o estado de direito, que limita e autoriza as condutas dos governantes, enquanto nas relações Internacionais o Estado não tem de seguir preceitos ou regras preestabele- cidas._É_aJ_mpério dos mais fortes que atuam à luz de seus interesses. •—^TvTorgenthau fez escola e o realismo político veio a tor nar-se o principal paradigma das relações internacionais nos EUA. Q_ realismo tinha o mérito de explicar as aspira ções hegemônicas, além He justificar as inúmeras açõ~e"s~ impenalistas empreendidas pela superpotência ocidental. O interessante da_evolução das teorias ae política interna- ~cionaj_ou de política mundial nos celeiros acadêmicos rtoT- "te-americanos é a participação sistemática de acadêmicos! Tia'formulação da política üxterlor norte-americana, uma 0 QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS prática que se generalizou nas sucessivas administrações da Casa Branca, depois da Segunda Guerra Mundial. O próprio Morgenthau trabalhou com o governo rios EUA, no início da Guerra Fria. E. de uma plêiade de acadêmicos realistas que imprimiram sua marca nas administrações norte-americanas e no próprio destino das relações interna cionais da determinadas épocas, cabe destacar, entre ou tros, a embaixador George Kennan e o ex-secretário de Es tada Henry Kissinger. Embora os EUA, por sua posição hegemônica no Oci dente, tenham favorecido e alimentado a produção intelec tual dos representantes do realismo, um autor francês, gaymondi Aron.rtambém produziu um conjunto importante de obras.realistas, das quais se destaca Paix et guerre en- tre les natlons (Paz e guerra entre as nações), de 1962. Õ pensamento de Raymond Aron influenciou muito as corren tes realistas européias, e igualmente o governo da França, do general de Gaulle, pois Aron serviu como consultor do governo gaullista. As principais características do paradigma realista po dem ser sumarizadas em três aspectos fundarpentais: ' fã) Política interna e política internaãÕnáTsão considera das duas áreas distintas e independentes entre si. O para- "dígma realista descarta que os princípios morais (incluídos os princípios democráticos) que norteiam a política interna dos países democráticos possam ser aplicados às relações internacionais. Na política internacional prevalecem as questões de poder e de segurança, as quais, constituem a "alta política" {high politics), em detrimento dos demais te- mas~~ínternacionais, coma por exemplo, a economia, os quais constituem problemas de "baixa política" (low poli tics).

  • GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES Como conseqüência desse quadro de anarquia perma nente e inexorável das relações internacionais desenhado pelos realistas,.-a maior preocupação do Estado deveria ser com a sua segurança ou, nos termos em guTlicou conheci da,a segurança nacional, traduzida numa entase das rela ções diplomático-estratégícas entre os Estados. Para os países acidentais total ou parcialmente alinhados aos EUA durante o período da Guerra Fria, a segurança nacional relacionava-se à contenção do expánsionismo soviético no "plano internacional e ao combate áÕ^_movlmentos_de_ esquerda e das manifestações civis coíêtivas (como o 'sindicalismo) com inspiração sociajjsia^_ Veja-se o exemplo da América Latina. Durante o período da Guerra Fria, muitos governos civis foram derrubados por golpes-militares- apoiados -pelas-elites-locais e pela Agência- de Inteligência Norte-Americana (CIA), Foi o que ocorreu com a Guatemala (1954), com o Brasil (1964), com o Chile (1973) etc. Tais governos autoritários assimilaram a lógica blpolar da Guerra Fria e desenvolveram sua própria doutri no geopolítica. Um dos principais expoentes dessa corrente foi o general brasileiro ^||^^MÍ3Õ"D£3,,tBJ*SÍ[váj que ela borou a Doutrina da Segurança Nacional, espelhada em sua mais "conhecida obra: Geopolítica do Brasil (1967). Em sendo os Estados soberanos e livres num mundo anárquico, como sustenta o paradigma realista, eles não se riam submetidos a nenhum regime de subordinação, como ocorre no plano interno: o poder público em relação à Constituição, por exemplo.|§!a^E^M^ÍÈI^^ijÍÍlÍ^^^í^§- li^^lMl!^^Í^Ííã^2^K^^^^^^^^!l^»^Í^^Í" ciohais;.:'cpérçitlyas,:.más apenas'.normas ,e-princípios,'como q do •pacTâr'sunT-se^aqaTa J^^açtõs^^evení'''ser, cumpri dos), para orientar eharmonizar lã conv[yêncjáJrjtèxnaciç- O QUS SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS naL^^e^rog^Blo realffla i, baajcamgofe^Jiua-DffivalBce ncTdJrj^oJatejjTi^^ (bj) Outra característica importante que personlfica_o_ paradlqmarealista é sua definição de ator internacional. Para os realistas, somente os Estados sao reconhecidos como atores internacionais. As relações internacionais se traduziriam, assim, em relações interestatais, uma vez que somente os Estados têm relevância no sistema interna cional, segundo a visão realista. No éXerçíçip de seu papel, os .Estados :sãq .considera dos'atdies.; racionais, ou seja, eles se comportam .atenden do àós interesses nacionais definidos em termos de poder. Os realistas não admitem que o Estado possa desviar-se de sua conduta lógica, levado pelas paixões de seus gover nantes pu-porpressões de outros-atores-não-governamen-- tais. Uma negociação Internacional entre dois Estados po deria então ser representada coma num jogo de xadrez: cada jogador equivalente a um Estado. Ainda com respeito ao caráter exclusivamente estatal das relações internacionais, é de se lembrar que elas são materializadas na configuração do direito internacionaLfitu- blico, uma vez que somente os Estados^são reconhecidos -»J^ comõ~sU|èHub-, pui exeirrfjTõTpara negociã~r7firmar e ratificar^ tijtnrkis-iniernanTõpais, matéria regulada pela Convenção dè Viena sobre Direitos dos Tratados, de 1969Í-.;Recente mente; ás.-organizações intergoyernamentais^ (tais como a ^B^^^^^^âSnil^íSWf: sfa/us. de.sujeito,'mas as empresas;:transnãcipriais} e ás '.ONGs, consideradas atores dêspidós^dòj.èoberariia, não têm.relevância.para as rela ções Jurídicas internacionais, ainda que tenham um poder de fato, em alguns casos superior áo de muitos países. Obviamente há exceções, podendo-se citar a Direito Comu- p

    m GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES nitário Europeu; que dá status de sujeito a pessoas jurídi cas de natureza privada. fcfr-Q poder traduzido na possibilidade rie usar a força, é a obsessão do paradigma^realista. As relações Intemacin- nais, em sendo essencialmente conflitivas, marcadas pelo império da força, só podem ser vistas, interpretadas e en tendidas como uma luta constante pelo domínio do poder, mediante o uso da força. Dai que a paz e„a_segtjr.anc.a internacionais só podem ser alcançadas, segundo o realls- ©9^Sf^SptC<^||>>Bqullíbrlo de poder (balance of power) entre' os'Estado^'.•* .Terminada a Segunda Guerra Mundial, a repartição do espólicTdj]s_yencidos e o estabelecimento de uma nova or- _dem mundial foram feitos exclusivamente pelas" potências" vencedoras. A criação do Conselho de Segurança da ONU, sua conformação e sua sistemática refletem o novo equilí brio de poder que se instaurava. O paradigma realista amadureceu sob o Influxo do chamado equilíbrio bipolar do poder internacional - EUA e aliados (economias capita listas) vs. URSS e aliados, (economias planiflcadas). __ No campo diplomático-estratéojco, foram criadas duas alianças continentais, representando os dois pólos de poder rjjuiKüaJ^riã~[rm lado, a Organização do TratadrTdo Atlãrilictr Norte (OTAN), englobando países da Europa Ocidental e os EUA; de outro lado, o Pacto de Varsóvia, reunindo a então URSS e os países da Europa Oriental, que forma vam a conhecida "Cortina de Ferro", separando o mundo capitalista do mundo comunista, em território europeu. O OUc SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS DopoIs""dlF~Fiãvar reinado absoluto, durante aproximada mente trezentos anos, na década de 1960 o paradigma rea lista r.oméçnn--e--ceuer espaço a concepções que ofereciam outras explicações para os fenômenos internacionais. Nes se momento surgiu o paradigma da dependência~!Toqq veio à tona o paradigma da interdependência, ambos anali sados mais adiante. Durante os' anos BO, Inspirados pela """*>. política externa do presidente Reagan, que reabilitou a poli- J tica de terror nuclear, os autores realistas ressurgiram com / nova vestimenta, aproveitando suas antigas características / mas agregando outras que lhes conferiam a possibilidade ( de adaptar-se aos novos fatores das relações internacio nais. Essa nova configuração do paradigma realista incorpo- rou métodos considerados "científicos" de análise, tratando de dar mais credibilidade à visão realista das relações irTC térnacionaTs. Seu principal representante, Kénneth Waltz; escreveu Theory of International <£8MÍBBS-(Teona das rela- >V** ções Internacionais), de JBfiíU. onde procurou estabelecer uma verdadeira teoria gera) sobre a política Internacional. Wajfe enfatizou: a;estrutura na gqaljse<do s/sre/pa irjtêr- pàç/0na/-em/detnmenta,,do comportamento- dos-atqres, Com isso, elevou, a, um'nível muito mais abstrato o paradigma realjsta,tratando;de; explicar que d sístemarpossui uma -ló gica e él preciso'entende |a para .eritã'o!eompreeri'der'as condutas, dós atores- e bs fenômenos internacionais; Atualmente, encontrar um realista puro, um autêntico discípulo de Morgenthau, é algo um tanto quanto raro. A visão neo-realista, ao incorporar novos métodos e privilegiar a análise da estrutura do sistema internacional, abriu um r*

    GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES ~* íiovo leque, um novo "mercado" de especulação mais afina ndo com o instrumental das ciências exatas. Nesse sentido, /o neo-realismo acompanha a tendência geral das ciências ( sociais em buscar nos números, nas fórmulas, nas leis na turais o anteparo de suas formulações. C Oparadigma da dependência Qüãridpjse^peosa em:-dependência, cogita-se sobre re lações pautadas pélá desigualdade, .'em 'que há atores do minantes:e'atores dominados,; exploradores-!é .explorados. Voltado principalmente para as relações econômicas inter nacionais, o dependentismo tem como eixo contraia visão de que o sistema internacional padece de desequilíbrios;" estes geram situações de injustiça em que a condição de pobreza de alguns Estados e conseqüência da riqueza de outros. Tradução: uns comem lagosta ou tilet mignon, e vi~ vem bem alimentados à custa de outros que têm menos, ou nada têm, e estão a lutar por um pão com manteiga... Se você suspeitou de que "ai tem dedo marxista", acer tou. De fato, o paradigma da dependência é também co nhecido como festruturàlista" ou nè.ornarX.|sta", exatamente peja influência quo ds teorias. niárXístâs exerceram, príhci- M^, •,pálrriente- ã teoria, do Imperialismo elaborada porVRõsâíLu- xérnt)urgò-.-,e^Lenirij-fia interpretação,-dos,fenômeriós econô micas .íníê/nâçionas,Ji.* Mas, apesar do impacto que a corrente marxista causou no mundo, especialmente depois da Revolução Bolchevi- que, em outubro de 1917, e do surgimento de Estados co- "1 munlstas, como a ex-URSS, China, Cuba etc, a visão mar- I xlsta nunca foi considerada como um paradigma por si só. O OUfi SAO RELAÇÕES INTERNACIONAIS Alguns internacionalistas, como o espanhol Celestino dei Arenal, atribuem ao caráter eminentemente ocidental da teo ria das relações Internacionais e à hegemonia do paradig ma realista na interpretação do conflito Leste-Oeste__essa _ não configuração do marxismo como um paradigma Inde- pendente^.^.— -—SérrThaver sido alçada à condição de paradigma, a cor rente marxista proporcionou as ferramentas teóricas para as nações que buscavam obter sua independência em rela ção às potências hegemônicas, pelos idos dos anos 50 e 60, Muitos desses países ainda lutavam por sua inde pendência política, durante o processo de descolonização da África e de partes do Oriente Médio e da Ásia; outros, já independentes no campo político, almejavam diminuir sua fragilidade no campo econômico. Estes eram, em sua maioria, países latino-americanos. Corn a criação da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), um dos organismos especializa dos do Conselho Econômico e Social da ONU, com sede em Santiago, no Chile, a inteleçtualidadejatino-americana começou a produzir, a partir jte uma visão autóctone, um conjunlõ^de teorias sobre o desenvolvimento econômico. Desse estorço sufglu aquela que viria a ser a maior contrl- buição do chamado Terceiro Mundo para a disciplina rela ções Internacionais: a teoria da dependência.. . ... ^.. -Nauí' PVèbiseh, .ácdnóríiista .:argentin.0| :foi:'o :-pfIrriêíro s,éçretarió-rj.éj;ãl. :ç|á.;C Varias* gerações-de Intelectuais ratina-amèfíçgriqs 'Prebjsçh desenvolveu .Uma. teofiã. alternativa, do comércio intèr.nácio- riaTe paslçuáutilizar os lermos oèntfo,, pára designar os países-.riços-,' e-periferia, :para referir-se aos países, pobres.. P

    •*. GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES Ele achava que havia uma forte tendência de aumentar a brecha entre o centro industrializado e a periferia subde senvolvida nas relações econômicas internacionais. Por isso acreditava que os países periféricos, de economia agro- exportadora, deveriam desencadear um amplo processo de substituição de_JmpQjlâções, como única possibilidade de converterem-se em países industrializados. A partir do pólo de produção e de inspiração intelectual da CEPAL, outros economistas e pensadores de outras áreas, interessados também na problemática do desenvol vimento, tentaram analisar o fenômeno do subdesenvolvi mento dos países latino-americanos, buscando conciliar, ou mesmo ir além da visão econômica, com interpretações e categorias sociológicas de análise. fPésse esfdfçó.acadêmico,.que teve nos cientistas sociais Çeís,q..Furtadq,', Fernando Henrique Cardoso, Hélio JaguarJ- be, Theotqni.o dos,SaritQs.e Osvaldo Sunkel alguns de seus principaJs^;;ex'po'énte.s', nasceu nos anos 60 a teoria da de pendência. Em Dependência e desenvolvimento na América Latina (1969), um dos clássicos da teoria da dependência, Fer nando Henrique Cardoso e Enzo Faletto destacaram o con ceito de dependência como aquele instrumento teórico que acentua tanto os aspectos econômicos do subdesenvolvi mento como os processos de dominação de alguns países sobre outros e também de umas classes sobre outras, den tro de um contexto de dependência nacional Â'sslmV^Q-!còpce||o de dependcriclatratava:.de;denons- iia: qué..a.'qqmlnáção'.exlstja;'de. fora.para.jderitro':(divisão ínternacionai dó-'trabalho"'favorável aos '.paíscr., flesényqlyii dqs)';q tárnbérri 'rio centro pára.dentro'{elites. íóbãjs ~ rurais e 'urbanas»— dá:periferia aliadas aos ihtercssís do capltalis- O QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS mo internacional, em detrimento dos interesses verdadeirar mente nacionais). O reconhecimento dos atores internacionais e de seus papéis no dependentismo é bastante distinto do realismo. Na explicação dos fenômenos internacionais, o dependen tismo não se atem aos papéis específicos que um ou outro ator pode desempenhar no sistema internacional. Isso é compreensível, porque os dependentistas estavam mais preocupados em analisar as estruturas e a partir delas for mular suas teses. Para o dependentismo os Estados são atores importan tes do sistema, mas não são os únicos. As_ organizações internacionais (governamentais e não-governamentals), as empresas multinacionais e os movimentos de libertação nás cional são atores que o dependentismo não só reconhece., como lhes dá importância. Vejamos caso a caso. Por que enfatizar o papel das organizações internacio nais? Porque começava a tornar-se evidente que os países menos desenvolvidos tinham mais possibilidades de defen der seus interesses em. foros internacionais multilaterais do que se tivessem de fazê-lo bilateialmente com países mais fortes. Por que reconhecer - e denunciar —o papel das empre sas multinacionais? Lembremos o caso da famosa United Fruit Company, empresa de capital norte-americang_qjê atuava em países da América CerrlrãCe que dispunha.de mais poder que os próprios governos das pequenas_e_fra- géis republicas agroexportadoras daquela região. ::.Os4feori-; qqsMdep;endéM^ m'Q .Internáçjqnaj -é né|e.:ides,eor3riram que as- multinacionais aturavam corno braço político, de. seus -governoç-em proveito dé: seüsf'.próprios' interesses' econômicos; -constituindo ver- O P ^ O

    X GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES dadelròs ato/es a influirnos-destinos dos países menos de senvolvidos. Por que destacar os movimentos de libertação nacional? Ora, o processo de descolonização da África e da Ásia con frontava as metrópoles (países independentes do centro) com as colônias (nações da periferia). Sem o reconheci mento de tais movimentos pela comunidade internacional, a luta pela Independência teria sido considerada ilegítima. O papel da Assembléia Geral da ONU foi fundamental no estabelecimento de novas regras de direito internacional, cujo marco encontra-se na.Tj,esojU£ã^^ brò:.dê -197Òa.qué.'e.stabBlè^ AL?.!Z!S£Í0J.1â!,L-. O direito internacional, aliás, pode ser um Importante instrumento de defesa na visão dependentista. Na medida Lem que o sistema internacional ganhe um crescente com plexo de normas internacionais de validade e aplicação uni versais, os países menos favorecidos podem valer-se de tais regras para protestar, denunciar e impedir as ações unilaterais de países desenvolvidos, sejam ações militares, sejam ações de natureza econômica. Uma terceira característica básica do dependentismo é a sua visão pessimista quanto àjossíbilidãõe de convlvelv" cjajial^õnjca^emreos atorcTlnternacionais. Neste para digma prevalece a idéia de que todos~ãs~ceTrários Internacio nais sempre implicam um jogo de soma zero, onde há sempre um. ganhador e um perdedor. Daí que a coopera ção entre os países ricos e pobres não passaria de um instrumento paliativo e de legitimação do statu quo. Uma negociação entre um país desenvolvido e outro em desen volvimento poderia ser representada, segundo o dependen O QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS tismo, como sendo um jogo do xadrez em que os menos desenvolvidos jogariam sem algumas peças Importantes. Desde o início do jogo... Entretanto, o reconhecimento de outros atores internacio nais não desfigurou a importância do Estado como ator central no paradigma dependentista. Isso se justifica na medida biti que ele, o Estado, é visto como um Instrumen to, um melo fundamental de que dispõem os países em desenvolvimento para proteger e fomentar suas economias, A_estatlzaçáo das companhias dB petróleo no México, pro- movida pelo então presiden.tQ_Lazaro_Card.enas,, no. inicio da Segunda Guerra Mundial, constitui um marco hjstórico dessa competiçãõ~crescente__entre _os Estados em desen- yõlyímen]a gás emgresas mj.il]inaclanals. Vaie lembrar que a formação do paradigma da depen dência revelou-se em importantes fatos que evidenciaram a insatisfação dos países menos desenvolvidos com a desi gualdade econômica mundial. Maí^s^y^^lgbal^l^/j^çãõ dá Conferência das.jvjaçôes Unidas ":para: o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), èrn -1963, avivou os debates e gerou posições de'.blõob, entre os países subdesenvolvidos, contribuindo, ná prática, para a tomada de consciência mundial sobre as desigualdades entre o Norte o o Sul Nos prxmórdios dos ano? .70, a proposta de criar u,ma nova or dem econômica Internacional representou, ó. ápice..desse mp.vlmeritp^ países désênvójvidós opuseram- se à esperada mudança na divisão do bolo, internacional," Na América Latina a principal iniciativa intergovernamen- tal inspirada nas teorias cepalinas foi a negociação e apro vação do Tratado de Montevidéu, em 1960, que criou a As sociação Latino-Amerlcana de Livre Comércio (ALALC). Este organismo tinha o objetivo de estimular o chamado

    GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES comercio Intra-regional entre os países latino-americanos o que - supunha-se - poderia diminuir o nível de dependên cia da America Latina em relação aos mercados europeu e norte-americano. Não deixa de ser interessante verificar uma outra face da produção intelectual do paradigma da dependência Al gumas reflexões sobre a dependência dos países do Sul especialmente na América Latina, realizadas nos campos literário e teológico, contribuem tão ou mais fortemente do que muitos estudas acadêmicos. Por exemplo, escritores e poetas como os uruguaios Eduardo Galeano e Mario Bene- dettj Vêm..produzindo importantes obras de crítica e denún cia da exploração dos países pobres pelos ricos; no campo da teologia, teólogos como Frei Beto. Leonardo e Clodovis Bofr, Pedro Gasaldáliga, o-peruano GusTãvo~Gntiérréz en- " tre outros, contribuíram na criação de uma visão terceiro- mundista da Igreja Católica, conhecida como Teolocia da Libertação. a Oparadigma da inlérdepeiidchcja - ,_(ot|_da sociedade glohnj) -*-"' Quando o canadense Marshall McLuhan fez publicar uma das mais polêmicas obras deste século, The médium is the message (O meio é a mensagem), de 1967, onde cie dizia que os meios de comunicação de massa, em especial a televisão, transformariam o mundo em uma imensa "al deia global", ainda não se tinha muito clara a noção da revolução tecnológica que estava por acontecer. A produção em escala industrial converteu a televisão num dos mais populares bens de consumo dos últimos O QUE SÂO RELAÇÕES INTERNACIONAIS tempos. Por conta disso, a telinha permitiu que milhões de pessoas, famílias de todas as classes sociais, nacionalida des e religiões passassem a ter acesso aos fatos da mun do, recebendo em sua casa informações yisuais„,nít|dasl colhidas in loco. NunçaV^ qeçtãçja entre sr como tem estado há pouco mais dèfdüãs •ú!é'c$daê.7E essa tendência de diminuição das distâncias pela tecnologia dos meios de comunicação e de transporte não pára aí. Esfamos a presenciar a multiplicação e sofisti cação das redes ge inlormática e de arteTatqs de_ uso_pes- s_o_aj1 cõrnõ o computador, o fac-símile (fax), que_estã£j2jjarj- do um mundo'nóvÓV^àrJmiravej na^ süaTápTdgz."nraUcidade e poder de armazenamento e transmissão de conhecimento. Nos centros acadêmicos e empresariais, verdadeiros oráculos do mundo contemporâneo, o que mais se diz hoje em dia é que entramos na era da globalização econômica. to,_.?ós;ilr.ecuí:^q^ transpórfffio,:.ãv;form^ rçjtáfjiiajs^ çomp.vãiídds: ê:^òpej^"ntes •para"p-. merc.adQ^riternacional. Cólrfísso, um simples'brlrTqüélílõTcomo um carrinho"eletrô- nico, tem partes que poderiam ser produzidas no Brasil, ou tras no Japão, e a montagem poderia ser feita em Hong Kong, por exemplo. Esse mesmo brinquedo utilizaria pilhas fabricadas no México ou nos EUA. Diz-se que a economia internacional transnacionalizou- se. O capital Internacional corre atrás daqueles países que lhe oferecem melhores oportunidades de retorno do investi mento (mão-de-obra qualificada, estabilidade econômica e política, legislação mais favorável ao capital estrangeira etc). Aquela velha história de que os países deveriam dedi-

    GILBERTO MARCOSANTÔNIO RODRIGUES car-se a produzir o que lhes é naturalmente mais fácil (teo ria das vantagens comparativas, de David Ricardo), ainda defendida por alguns economistas liberais, passou a ter ín fima..validade... Ar.4evouçãp-) biojecnpl.ógica,; com. aplicações em,,ágdçu!tüf:aí^ róu. õ.antigo^quadto de determinismo geográfico •Oòm teo- ndjogia. de pohtá^ podése produzir quase tudõ,^em'"qual .qúèfjúgar.' Um cenário como esse, recheado de profundas transfor mações comunicacionais, econômicas, culturais e tecnológi cas, alterou radicalmente o espectro de análise. Os para digmas clássico e da dependência, embora em diferentes níveis, não puderam assimilar a demanda de novos fatores Internacionais, motivo pelo qual começaram a surgir, desde _J.ns. da década de. .1.960,.as primeiras obras .que .lançaram as bases do paradigma da interdependência. Mas, assirrj como-o paradigma realista, o, paradigma, da interdependência^lança, ,sUas, raízes' ôjrú antigas escolas de PÇnsamerntãr que.vão.dos estóióo.s. ate |m„manuètkáqt ;Efii sy|.,çõbfíguração .contemporânea1,^oi em meio a um ajtibien- l^^°ãdv m|C'° |6--'gpyer,n'amê'rilálÍ^â,rJc'êâado eacomodado na ''IcgjcáVdá: ^ americanos começaram a.perceber q.üe certos fenômenos tóna-nüTipãradigfria.irèálistar'. j > A hegemonia norte-americana fora seriamente questio- r nada depois da derrota no Vietnã, em fins dos anos 60. A primeira crise do petróleo, em 1973-74, e a decisão do en tão presidente Nixon de romper com o sistema de Bretton Woods, não mais permitindo a conversibilidade do ouro em dólar americana, foram eventos que desnudaram a fragili dade da economia ocidental. Por outro lado, o progresso i.:.. O OUE SAO RELAÇÕES INTERNACIONAIS tecnológico, que aumentou as possibilidades e a eficiência dos meios de comunicação e transporte, reduziu as distân cias físicas do planeta e aumentou os intercâmbios demo gráficos, econômicos e culturais. Diante de tais mutações, os internacionalistas começavam a buscar fora das concep ções realistas a explicação para os fenômenos interna cionais que cada vez mais ganhavam espaço. ...;_. .,-*.:. ^p-aConr o lançamento da.Jóbna- Ppwpr; and iqter.dé.pendêri'ó'è. Wórlb' pdlitics th ttãhsitionJPodete. interdependência A, p:d- | lítlca mundial, em. transição), em XÚ77<,%^o^m^^BühÈoê^p 7^i Joseph 'Nyê; analisando a diminuição do poder hegemônico' dos EUA, transformaram-se nos principais/expoentes de ' uma.nóvá corrente de pensadores" que surgia naquele país. Eles lançaram a pedra angular do paradigma da sociedade global ou da Interdependência. --•-— — Keohane e Nye, ao tratarem do conceito de Interde pendência, dizem: "Na política mundial, interdependência refere-se a situações caracterizadas por efeitos recíprocos entre países ou entre atores em diferentes paises'_Q,.p.ar.a- digma da interdependência, ao contrário do realista, abre as portas para os atores náo-governamentais, e reconhece. ó~poder que as empresas multinacionais ou transnacionais exercem sobre as relações fnternicionjiis. Os interdepen- defTtlstas admitem qúe muitas decisões tomadas nos escri tórios das grandes empresas transnacionais têm um peso maior que multas daquelas tomadas nas sedes de gover nos. O Estado-nação e seu elemento fundamental - a so berania - perdem importância e tendem a desaparecer no universo percebido e analisado peio paradigma interdepen- dentista. Outro pilar de sustentação do interdependentisrno/globa- lismo é a realidade dos temas cuja natureza é comprovada- %# t^ p

    IÉ. GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES mente Internacional. ;Temas; tais. como meio ambiente mi grações, finanças Internacionais etc,envolvem atores e for mam, cenários :que-necessariamente fogem do controle me- suprahãCípnal;- adiriiril§tfgçãp.mundiaketcv B^tal -perspecti va-,az^mm..ê^Jjaèejdas organiz-açõ:esSjMà5>^ gionais (,ex._j Uniag. Européia) e.rriundiaig-./á ONÜnTãôTo menteiço.nSi.derágó"^:'-^ ' ** —-^—"-"—- Não é difícil imaginar qual é o papel do direito interna cional no paradigma ínterdependentista. Amultiplicidade de atores envolvidos em torno de questões comuns exige normatizaçao e jurisdição internacional para cuidar de for ma imparcial dos assuntos mundiais. Poder-se-ia pensar de imediato, na .Corte .-Internacional:de Justiça da ONu' Com efeito, ela tem ajudado a resolver uma série de pro blemas globais, principalmente aqueles relacionados aos espaços .comuns, como o espaço marítimo, por exemplo l^^3Mi&&iããli4a^ decisões; Q|m^|mM^ggbãjg^^ 0gãgQ^-^u com; o', casom^ràquá^vs^Ã^Cojcénjdõ^orlTaÃ^á ^^o^^ágoer^fares. éíparamilftarês .cÕnlrT^ór rEÇfinh^ram^:a^conrpetê^ r^MtMdilig^érjnoJiaajanír :" ~ :~~.r^-vrí-r^.-,r^rrnr*-^y O globalismõ aposta nõ direito internacional como um instrumento importante para harmonizar as relações interna- cionals, apesar de sua aparente fragilidade quando se trata de .mpor a justiça face às ações realistas das potências. O aumento do número de conferências internacionais promovidas pela ONU está a demonstrar a necessidade de O OUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS discutir e regular globalmente temas que afetam todo o pla neta. O tema do meio ambiente é dos mais exemplifiçatj- vos. Tome-se o caso da mudança climática. Se urn_rjegye,- nõ grupa de países (ex.: os países nórdlcos) decidisse Qgp mais permitir a emissão de COp na atmosfera dentro de seus territórios, acaso tal decisão teria o poder de_imP£dir que a Terra viesse a sofrer um aquecimento global no futu ro? Infelizmente, não. Por isso foi preciso negociar e apro- var. uma convenção internacional.sobre o assunto durante a Rio/92, a fim de que todos os países estabelecessem uma estratégia comum para impedir que o planeta venha a so frer o chamada "efeito estufa", um aumento da temperatura global devido às emissões de C02 na atmosfera, que pode rá tanto aumentar -os atuais níveis dos oceanos (gerando Inundações) quanta provocar a desertificação dos solos, em diversas regiões da Terra. A rede davínculos de interdependência entre os ateres estatais' e os -demais atores internaçiQnajs provoca, um. au mento na. demanda por meios rie solução pacífica de controvérsias,. Á nfignoiàçáõ é o principal-deles. Por que riegóõiHr? Sc um ator internacional tem um objetivo e não pode alcançá-lo" sozinho, dependendo, pois, da atuação (ou omissão) rio outro(s) para,obter seu dèsider^tcr das;çluas qma: .ou haverá um ..conflito que poderá redundar.em vio lência*^ lísq ria.fdrço, ou haverá cooperação mediante ne gociação, em que todos se propõem a'atingir um ,ou mais fins.'Ao evidenciar-o alto custo dos conflitos, o globalismõ anuncia-as:.vantagens. da solidariedade e da cooperação para todos, os atores que necessariamente convivem-num grande!.mercado articulado, e habitam um espaço único e indivisível:1 a biosfera.

    GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES Para quem se interessa pelo tema da negociação Inter- T2f£S2 Sabfr qUe' Se9Und° °inter^Pen5dentismo. •S;^ - ''" t5C3nh8f?end0"SO: ? poder#'a' iri/Juência dos'ato ^.nap-goyername-itais, cjógo^reclsaría ter mais dè um l^U!eirp:.pará,-ser compreendido: dprmbiro ifâbulelrü- odás ^Z ^S^^^P^I^^^é oEstado'negocia'faosições / C0^^-;m^-, ° 'sÇ9undo,,o .das-neqooiacõés intranà'^ >p.^^#^;i°^.^6ínb-"e96gia com -os- atores rfomêsficos oinoicHíos..bLrü=rae,a etp). Num mundo'globalizado a ner- mariente interação, entre. o. primeiro e ô segurido tabuleiros1 um exercendo.influência sobro o outro, é inevitável. Resumindo, o paradigma da interdependência tem as seguintes características: ^L?nOEcffaí!0"naÇ,à0 nã° é° Único ator 'ntornacfonal dasrelações internacionais. As organizações governamentais mundiais e regionais, bem como as empresas íSSSS nais, as ONGs, as Igrejas e até mesmo os-indivíduos são mSTí «UB .,0flüm PapéíS às V62es mais importantes oumais Influentes do que os exercidos pelos Estados Essa é uma das diferenças marcantes entre o paradigma realista e o inlordependentista. B .. ^s-§mpresas transnacionais têm reconhecido oseu fan- tast.co poder internacional eJiãjLjWsia^m^^ ^proja^omstas das relações e^JôSa^^ ONGs se transnaconallzam e ganham destaque por seu poder de pressão e de mobilização da opinião pública " ^gsa^fuj-ajfdade de atores Internacionais tesCB/ítralfea as tradic.onals^üIrBãird^^^^ O OUE SAO RELAÇÕES INTERNAÜIONAIS rin-o tanto geográfica quanto tematicamente. Tais instâncias de poder encontram-se vinculadas por emaranhados mais ou menos complexos de redes de interdependência, cuja natureza é cada vez mais global e menos estatal ou regio nal?; (fâV-Ás questões de estratégia política/militar perdem Impor tância dentro da lógica globalista. São os temas econumi- cos, amhiantais. demográficos^ |odplsi.afqueje8_oue crfem rei^^jnjj^ tlTem~osJ)r^cJr^^ íãções Internáclonajs. Conceitos lapidares do realismo, comaTTnieFèsse' nacional" e "soberania do Estado", que dis- tingulam e separavam rigidamente a esfera nacional da in ternacional, passam a ser gradativamente relativizados pela ascendência de interesses globais que vinculam e amarram todos os atores em torno dos mesmos tomas. Nessa esteira, entram as organizações internacionais regionais e mundiais como possíveis depositárias de governos supranacionais sobre temas de natureza global. O FMI, no campo financei ro, e a União Européia, no campo político-econômico, cons tituem dois exemplos atuais de Instâncias supranacionais, uma de política financeira mundial e a outra de política re gional de Integração. Um paradigma da paz? Ao contrário doTTopícóT"ãnteriores, este.constitui uma indagação. Por quê? Os estudos e as pesquisas sobre o fenômeno da paz são recentes nas relações Internacionais e ainda não são aceitos pela maioria dos internacionalistas como formadores de um paradigma. Não obstante, é cada

    *. GILBERTO MARCOS ANTÔNIO RODRIGUES dia maior onumero de Instituições acadêmicas que promo vem estudos.- e adotam disciplinas voltadas para o estudo do fenômeno.da paz no mundo na^^ÊMÊFWl^^ norue9uês, éum pioneiroiu!; ma eria. Fumador e diretor cg InternàliõnalPe^Rê-sjerch: IristilutewiPRU,:£ Osio (Norufi ,<^M$. tMm$.m$°&do "P*'. ení:1964; fincandoSsTteàesao.paradlgma.-dà-.^az? bgpf&$&m?m..'í^í^fe;s;g;...fica a InjeqráoãQ da s^^pã3SAwS337ptt, aJffiTSSKS cepçao. so deve ser concebida como úma^on eqüénda de "ca?o aZ ^^«5?5riQ"í«i5"-nnaniento; adesmiIt nzlçao, a proteção dos direitos humanos, ocombate às injusti ças socio-economlcas, bem como a formulação e o apren dizado da convivência pacífica, por melo da educaçãoTa a paz, refletem essa nova visão. ' P :^auFídoGaltpng^ã violência é fruto de uma rede de te.nspeSíde. natureza ^sócip.econômicá, que se manifesta TtZ t PP"Cgr'* ?É4^|àtfdoá conffitos como fr uodas disparidades socio-econômicás ha' sociedade Nas áreas cultural, científica e educacional a UNESCO com sede em Paris, lançou há algum tempo oprojeto S£ cação para aPaz", oqual congregou escolas de vários paí ses visando articular o ensino cam a perspectiva da paz Outras organizações, como a Universidade para a Paz cria da pela ONU e estabelecida em San José (Costa Rica) a Universidade de Uppsala (Suécia) e a Academia de Direito O QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS 45 Internacional de Haia (Países Baixos), também possuem programas de resolução pacífica de conflitos e de educa ção para a paz. No Brasil, duas Instituições merecem ser citadas: a Núcleo de Estudos sobre a Violência, ria Univer sidade de São Paulo, e a Fundação Cidade da Paz, em Brasília, onde funciona a Universidade Holística. Para o paradigma da paz a perspectiva educacional e importantíssima, na medida em que se assume que a vio lência não é atávica, não é inerente ao ser .humano,.mas um produto de sua cultura.'Q velho proveibio latino-; si vis paderr) para bellum (se queres a paz, prepara te para a guerra) deve ser substituído por âlyís pacem para 'pacém (se queres a paz, prepara-te para a paz)..=• Para alcançar a v/erriarieira paz —positiva - é necessário, portanto, substi- tulr a cultura da guerra pela cultura da paz. O fim da Guerra Fria e os paradigmas das relações internacionais O fim da Guerra Fria parece haver colocado em xeque o sistema bipolar de equilíbrio mundial, criando um novo dilema para os internacionalistas. Como será a nova ordem mundial? Tal como pud

  • Add a comment

    Related presentations

    Related pages

    Die 10 Besten Restaurants nahe O Gato Que Ri, São Paulo

    Restaurants in der Nähe von O Gato Que Ri auf TripAdvisor: Schauen Sie sich 118.149 Bewertungen und 50.066 authentische Fotos von Restaurants in der Nähe ...
    Read more

    1 - Rodrigues. O que sao RI - historia-das-relacoes ...

    Baixe grátis o arquivo 1 - Rodrigues. O que sao RI enviado para a disciplina de historia-das-relacoes-internacionais-i Categoria: Outros - 3 - 1750452
    Read more

    Rio – Wikipédia, a enciclopédia livre

    Não existe uma regra geral que define o que pode ser chamado de rio, embora em alguns países ou comunidades, um fluxo pode ser definido pelo seu tamanho.
    Read more

    1 - Rodrigues. O que sao RI - historia-das-relacoes-internacio

    Baixe grátis o arquivo 1 - Rodrigues. O que sao RI enviado para a disciplina de historia-das-relacoes-internacionais-i Categoria: Outros - 1750452
    Read more

    Cardápio - Restaurante O Gato Que Ri

    Confira o cardápio do restaurante O Gato Que Ri oferece o melhor da culinaria italiana desde 1951 no Largo do Arouche
    Read more

    O Gato Que Ri, Sao Paulo - Republica - Restaurant Reviews ...

    O Gato Que Ri, Sao Paulo: See 761 unbiased reviews of O Gato Que Ri, rated 4 of 5 on TripAdvisor and ranked #679 of 37,345 restaurants in Sao Paulo.
    Read more

    Restaurante O Gato Que Ri

    Restaurante O Gato Que Ri. Informações; ... Temos o prazer de levar pra sua casa os segredos das receitas originais italianas e a tradição do Gato Que Ri.
    Read more

    O que é Internacionalista? - O QUE SÃO RELAÇÕES ...

    Afinal, o que é um Internacionalista? As profissões tradicionais, como Medicina, ... Semana de RI FASM - Nov.2011. Publicações FASM. InterRelações;
    Read more

    Samoiedo - o cão que ri

    SABIA QUE... O CÃO PERANTE A LEI: GALERIA DE FOTOS: LINKS: ... A primeira vez que um Samoiedo foi apresentado numa exposição canina, onde foi ...
    Read more

    O QUE SÃO RELAÇÕES INTERNACIONAIS?

    Por isso são necessárias estratégias para o país, as empresas que nele atuam e para as próprias organizações ... Semana de RI FASM - Nov.2011.
    Read more