O Que é Um GuiãO

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Published on February 9, 2008

Author: designare

Source: slideshare.net

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powerpoint sobre guionismo

O GUIÃO

O que é um guião? Carlos Ceia e Ana Isabel Morais Texto escrito de um filme, que estabelece critérios que ajudarão o realizador e os actores sobre: os diálogos; a informação sobre os cenários; os planos das personagens; os ângulos das filmagens; os movimentos da câmara; e outras indicações técnicas. 1

Texto escrito de um filme, que estabelece critérios que ajudarão o realizador e os actores sobre:

os diálogos;

a informação sobre os cenários;

os planos das personagens;

os ângulos das filmagens;

os movimentos da câmara;

e outras indicações técnicas.

O guião distingue-se do argumento porque este é anterior à concepção do guião e constitui apenas a matéria exclusivamente literária do filme. Quanto à sua elaboração, o guião deverá respeitar 3 qualidades essenciais:

O LOGOS, que corresponde à estrutura geral do guião. É a palavra, o discurso. O ETHOS, que corresponde ao significado moral da história. O PATHOS, o drama humano, a acção ou o conflito do quotidiano.

Para além disso, o guião obedece a uma construção lógica, que passa por 5 etapas: A ideia , que despertará a motivação para se fazer algo a partir dela; A palavra , ou enredo; O argumento , ou o desenvolvimento da ideia, definindo personagens e localizando a história; A estrutura , ou modo como vamos contar a história O guião final , contendo emoções e conflitos de cada personagem.

A ideia , que despertará a motivação para se fazer algo a partir dela;

A palavra , ou enredo;

O argumento , ou o desenvolvimento da ideia, definindo personagens e localizando a história;

A estrutura , ou modo como vamos contar a história

O guião final , contendo emoções e conflitos de cada personagem.

 

O que é um guião ? João Nunes O Guião, argumento ou registo , passa por muitas mãos e para cada pessoa representa uma coisa completamente diferente. Para o seu autor, o guionista , o guião é uma obra literária, original ou adaptada, através da qual ele conta uma história, desenvolve personagens e relações, explora situações e conflitos, apresenta ideias, dando livre curso à sua imaginação e criatividade. 2

Para um produtor de cinema , o guião é um documento de trabalho que lhe vai servir para estimar os custos da produção, para aliciar o realizador e o elenco, enfim a sua qualidade e a capacidade de vir a transformar-se num filme. O realizador , que pode não ser o guionista, analisa-o sob o ponto de vista artístico (o que é que nas páginas do guião me tocou?), técnico (que fazer para transformar as páginas em imagens e sons?) e pessoal (qual o seu contributo para a minha evolução?)

Afinal, o que é mesmo um guião ? Um documento escrito que identifica e descreve sequencialmente as cenas que compõem um filme e, dentro de cada cena, as acções e diálogos dos personagens perfeitamente identificados e os aspectos visíveis e audíveis que os condicionam, técnicos ou não. Tem em média entre 80 e 130 minutos páginas, correspondendo cada uma a cerca de 1 minuto de filme.

O GUIÃO um exemplo prático … 3

039 – EXT - RUA DO ARMAZÉM – DIA ALBERTO e FIRMINO, no exterior do armazém, preparam-se para entrar na mata. Ajeitam os apetrechos às costas. O guarda-livros e gerente da propriedade, GUERREIRO, sai do armazém. É um homem de 50 anos, magro e um pouco encurvado, vestido com sobriedade. Vem acompanhado por D. YáYá, 35 anos, a sua mulher. É a mesma que Alberto viu na janela da casa grande e a sua beleza é realmente admirável. Alberto olha para D. Yáyá. A mulher também repara nele. Com o seu fato, gravata e sapatos de verniz, o português destaca-se no meio dos restantes trabalhadores.

039 – EXT - RUA DO ARMAZÉM – DIA

ALBERTO e FIRMINO, no exterior do armazém, preparam-se para entrar na mata. Ajeitam os apetrechos às costas.

O guarda-livros e gerente da propriedade, GUERREIRO, sai do armazém. É um homem de 50 anos, magro e um pouco encurvado, vestido com sobriedade. Vem acompanhado por D. YáYá, 35 anos, a sua mulher. É a mesma que Alberto viu na janela da casa grande e a sua beleza é realmente admirável.

Alberto olha para D. Yáyá. A mulher também repara nele. Com o seu fato, gravata e sapatos de verniz, o português destaca-se no meio dos restantes trabalhadores.

FIRMINO Esse aí é o sr. Guerreiro, o gerente aqui do seringal. A mulher é Dona Yáyá. ALBERTO É uma bela mulher, por sinal. FIRMINO É sim, mas não é para o nosso bico… (começando a andar) Vamos andando que a caminhada é longa. FIRMINO Tenha cuidado, moço. Aqui todas as mulheres têm dono. Alberto continua a acompanhar a senhora com o olhar.

FIRMINO

Esse aí é o sr. Guerreiro, o

gerente aqui do seringal.

A mulher é Dona Yáyá.

ALBERTO

É uma bela mulher, por sinal.

FIRMINO

É sim, mas não é para o nosso bico…

(começando a andar)

Vamos andando que a caminhada é longa.

Alberto, que tem um SACO DE SERAPILHEIRA às costas, e a MALA DE COURO numa das mãos, encara o trilho à sua frente: um caminho cujo começo mal se percebe, rasgando uma selva imponente, imenso, perigoso. Os dois homens iniciam a caminhada em direcção ao acampamento. CORTA PARA:

Você vai ter tudo o que precisa, diz-me uma mulher de olhar triste que não conheço, na fila do autocarro, neste entardecer repentino. Você é um homem bom, a vida vai correr-lhe bem, afirma-me um mendigo a quem dou algumas moedas. Acredite que é possível e mude a sua vida, anuncia-me o horóscopo numa das últimas páginas do jornal diário, dado a conhecer por uma senhora idosa, acabada de chegar à fila do autocarro, que não transparece qualquer emoção. E eu, que gosto de seguir as minhas próprias opiniões, digo bem alto que todos têm razão, que pouco a pouco, com muita paciência e persistência, tenho seguido o meu caminho, este mesmo que construo enquanto avanço, e que só me pode levar onde tenho de ir. Já noite, entro finalmente no autocarro que segue lentamente o caminho de todos os dias, ninguém sabe para onde, só eu acompanhado por todos, nesta cidade de todos os dias, cinzenta só para alguns. (ideia original in MIL E UMA PEQUENAS HISTÓRIAS, http://1000euma.blogspot.com) ARGUMENTO

Você vai ter tudo o que precisa, diz-me uma mulher de olhar triste que não conheço, na fila do autocarro, neste entardecer repentino. Você é um homem bom, a vida vai correr-lhe bem, afirma-me um mendigo a quem dou algumas moedas. Acredite que é possível e mude a sua vida, anuncia-me o horóscopo numa das últimas páginas do jornal diário, dado a conhecer por uma senhora idosa, acabada de chegar à fila do autocarro, que não transparece qualquer emoção. E eu, que gosto de seguir as minhas próprias opiniões, digo bem alto que todos têm razão, que pouco a pouco, com muita paciência e persistência, tenho seguido o meu caminho, este mesmo que construo enquanto avanço, e que só me pode levar onde tenho de ir. Já noite, entro finalmente no autocarro que segue lentamente o caminho de todos os dias, ninguém sabe para onde, só eu acompanhado por todos, nesta cidade de todos os dias, cinzenta só para alguns.

(ideia original in MIL E UMA PEQUENAS HISTÓRIAS, http://1000euma.blogspot.com)

XX – EXT – PARAGEM DO AUTOCARRO – ENTARDECER Encontro de várias pessoas na fila do autocarro: uma MULHER de olhos tristes e um MENDIGO, dirigindo-se ambos para o personagem principal, EU. MULHER Você vai ter tudo o que precisa. MENDIGO Você é um homem bom, a vida vai corre-lhe bem. O personagem central dá algumas moedas ao mendigo. Uma IDOSA dá a conhecer o horóscopo numa das últimas páginas do jornal diário: Acredite que é possível e mude a sua vida. .

EU (falando bem alto) Todos têm razão! Pouco a pouco com muita paciência e persistência tenho seguido o meu caminho, este mesmo que construo enquanto avanço e que só me pode levar onde tenho de ir. Anoitece, e o personagem central entra no autocarro que segue o seu caminho de todos os dias, acompanhado por todos, ninguém sabe para onde. CORTA PARA:

 

Os componentes principais do guião A cena escolhida, que no guião tem o número 39 constitui uma pequena unidade de acção dramática, está organizada segundo uma determinada lógica e contém elementos característicos dos guiões: O CABEÇALHO A DESCRIÇÃO OS PERSONAGENS OS DIÁLOGOS PARÊNTES AS TRANSIÇÕES OUTRAS INDICAÇÕES

O CABEÇALHO

A DESCRIÇÃO

OS PERSONAGENS

OS DIÁLOGOS

PARÊNTES

AS TRANSIÇÕES

OUTRAS INDICAÇÕES

O CABEÇALHO -EXT, trata-se de uma cena de exterior -RUA DO ARMAZÉM que decorre num determinado local -DIA e que se passa-se numa certa altura

-EXT,

trata-se de uma cena de exterior

-RUA DO ARMAZÉM

que decorre num determinado local

-DIA

e que se passa-se numa certa altura

A DESCRIÇÃO É a descrição da situação e das acções dos personagens envolvidos na cena. Pode ocupar um ou vários parágrafos e deve ser o mais clara possível, mas também envolvente. Estas descrições devem limitar-se ao que é possível ver e ouvir. Devemos evitar descrições do que vai na cabeça dos personagens.

É a descrição da situação e das acções dos personagens envolvidos na cena. Pode ocupar um ou vários parágrafos e deve ser o mais clara possível, mas também envolvente.

Estas descrições devem limitar-se ao que é possível ver e ouvir.

Devemos evitar descrições do que vai na cabeça dos personagens.

OS PERSONAGENS São definidos pelo que fazem e dizem, não pelo que pensam, imaginam, sonham ou temem. Quando um personagem aparece pela primeira vez num guião, deve ser acompanhado de uma breve descrição das suas características. O nome dos personagens aparece sempre em maiúsculas e destacado antes das suas falas.

São definidos pelo que fazem e dizem, não pelo que pensam, imaginam, sonham ou temem.

Quando um personagem aparece pela primeira vez num guião, deve ser acompanhado de uma breve descrição das suas características.

O nome dos personagens aparece sempre em maiúsculas e destacado antes das suas falas.

OS DIÁLOGOS Inscrevem-se no guião, destacando o nome do personagem num parágrafo à parte, mais recuado e em maiúsculas, seguido por um bloco de texto com a sua fala . Os diálogos podem suceder-se, intercalando um personagem com outro, ou podem ser interrompidos por novos parágrafos de descrição da acção

Inscrevem-se no guião, destacando o nome do personagem num parágrafo à parte, mais recuado e em maiúsculas, seguido por um bloco de texto com a sua fala .

Os diálogos podem suceder-se, intercalando um personagem com outro, ou podem ser interrompidos por novos parágrafos de descrição da acção

PARÊNTESES A fala de um personagem também pode ser antecedida por (ou intercalada com) comentários entre parênteses, por exemplo (começando a andar). Estes devem ser usados com moderação e só quando não haja outra maneira de passar a informação.

A fala de um personagem também pode ser antecedida por (ou intercalada com) comentários entre parênteses, por exemplo (começando a andar).

Estes devem ser usados com moderação e só quando não haja outra maneira de passar a informação.

TRANSIÇÕES São instruções escritas em maiúsculas, no fim ou no início da cena, onde se indica a forma de passar para a cena seguinte, ou que se vem de outra cena, por exemplo: CORTA PARA, DISSOLVE, FADE OUT ou FADE IN.

São instruções escritas em maiúsculas, no fim ou no início da cena, onde se indica a forma de passar para a cena seguinte, ou que se vem de outra cena, por exemplo: CORTA PARA, DISSOLVE, FADE OUT ou FADE IN.

OUTRAS INDICAÇÕES No exemplo, algumas palavras aparecem em maiúsculas (SACO DE SERAPILHEIRA e MALA DE COURO), São indicações destinadas a chamar a atenção do leitor e dos técnicos da equipa de produção, para elementos importantes na cena. Hoje considera-se desnecessário dar indicações sobre movimentos de câmara ou zooms, por serem opções do realizador e do director de fotografia.

No exemplo, algumas palavras aparecem em maiúsculas (SACO DE SERAPILHEIRA e MALA DE COURO), São indicações destinadas a chamar a atenção do leitor e dos técnicos da equipa de produção, para elementos importantes na cena.

Hoje considera-se desnecessário dar indicações sobre movimentos de câmara ou zooms, por serem opções do realizador e do director de fotografia.

OUTROS ELEMENTOS Há ainda outros elementos que devem encontrar-se no guião, tais como: FONTE do texto Courier 12 ou Courier New 12 Não se utilizam itálicos nem negritos . FORMATO do papel Carta ou letter (27.94 cm x 21.59 cm), estando vulgarizado fora dos países anglo-saxónicos, o formato normalizado A4.

Há ainda outros elementos que devem encontrar-se no guião, tais como:

FONTE do texto

Courier 12 ou Courier New 12

Não se utilizam itálicos nem negritos .

FORMATO do papel

Carta ou letter (27.94 cm x 21.59 cm), estando vulgarizado fora dos países anglo-saxónicos, o formato normalizado A4.

MARGENS Vertical – em cima 2,5 cm e em baixo de 2,5 a 3 cm; Acção/Cabeçalhos – esquerda 3,5 cm e direita de 3,5 a 4 cm; Nomes – 9 cm da esquerda; Diálogo – 6,5 cm da esquerda e 7,5 cm da direita; Instruções para o actor – 7 cm da esquerda; Justificação – Diálogo e acção para a esquerda;

MARGENS

Vertical – em cima 2,5 cm e em baixo de 2,5 a 3 cm;

Acção/Cabeçalhos – esquerda 3,5 cm e direita de 3,5 a 4 cm;

Nomes – 9 cm da esquerda;

Diálogo – 6,5 cm da esquerda e 7,5 cm da direita;

Instruções para o actor – 7 cm da esquerda;

Justificação – Diálogo e acção para a esquerda;

CAPA O título a 3/8 da página, centrado e em baixo as indicações de copyright e data. ÚLTIMA PÁGINA Depois da última linha do guião, inscreve-se o termo FADE OUT, seguido de dois enters e a palavra FIM , ou O Fim , centrado na página.

CAPA

O título a 3/8 da página, centrado e em baixo as indicações de copyright e data.

ÚLTIMA PÁGINA

Depois da última linha do guião, inscreve-se o termo FADE OUT, seguido de dois enters e a palavra FIM , ou O Fim , centrado na página.

FIM

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