O Centro - n.º 68 – 24.04.2009

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News & Politics

Published on July 28, 2009

Author: manchete

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Versão integral da edição n.º 68 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 24.04.2009.

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DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 68 (II série) 24 de Abril de 2009 1 euro (iva incluído) FOI O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELA REVOLUÇÃO DE 25 DE ABRIL DE 1974 Otelo favorável à Praça Salazar em Santa Comba Dão Otelo Saraiva de Carvalho surpreendeu ontem, em Coimbra, ao afirmar-se favorável à Praça Salazar em Santa Comba Dão. Este um dos aspectos das comemorações do 25 de Abril a que nos referimos nesta edição PÁG. 11 a 13 ATÉ 2 DE MAIO COMEÇA A 1 DE MAIO “FADADVOCAL” FOGOS FLORESTAIS Atractiva “Queima Cantores Portugal “Feira das Fitas” da Justiça está em ano do Livro” põe Coimbra lançam CD de grande em Coimbra a “escaldar” em Coimbra risco PÁG. 5 PÁG. 3 PÁG. 19 PÁG. 4

2 EDITORIAL 24 DE ABRIL DE 2009 Aniversários... Jorge Castilho de 2009 para mim representa reside, nal: o semanário “Jornal de Coimbra”. quaisquer grupos ou interesses, a não jorge.castilho@gmail.com sobretudo, no facto de nele ter com- Tenho um enorme orgulho no papel ser o interesse público. E que, O “Centro” assinala, com esta edi- pletado (no dia 1 de Março que pas- que esse jornal desempenhou durante exactamente por isso, muitas ve- ção, o seu 3.º aniversário (na II Série). sou) exactamente quatro décadas os 17 anos em que foi publicado, quer zes é esquecido ou deliberadamen- Um aniversário em Abril, mês com como jornalista profissional (actual- enquanto órgão difusor de cultura, de te ignorado por alguns que não grande simbolismo, já que nele se ce- mente com a carteira n.º 99, num uni- informação isenta e de opinião plural, aceitam a independência, antes lebram os 40 anos da Crise Académi- verso que engloba hoje muitos milha- quer como escola de formação onde pretendem impor a subserviência. ca de 1969 e os 35 anos da “Revolu- res de jornalistas). se iniciaram alguns dos que hoje são O “Centro” quer continuar a pu- ção dos Cravos” – dois acontecimen- Ou seja, já lá vão mais de 40 anos dos mais reputados jornalistas portu- blicar-se, quer manter-se como um tos marcantes na luta pela Liberdade (porque já antes ia escrevinhando umas gueses (e também repórteres fotográfi- espaço de liberdade, uma tribuna e pela Democracia. coisas para jornais, em regime de ama- cos, paginadores e excelentes profissio- para o debate pluralista, um veícu- Ainda por cima dois acontecimen- dorismo) dedicados a esta profissão nais de outras áreas, que no “Jornal de lo difusor de boa informação e de tos que eu vivi intensamente, enquan- apaixonante, que me tem trazido mo- Coimbra” se iniciaram e fizeram a sua cultura, um defensor e promotor da to cidadão e enquanto jornalista. mentos de grande regozijo, mas tam- aprendizagem). Região Centro, cujo nome adoptou O aniversário do “Centro”impele- bém (como é apanágio das paixões...) Por razões que aqui me não apete- exactamente com esse propósito. -me a fazer algumas confidências pes- muitas horas de enorme sofrimento e ce hoje evocar, o “Jornal de Coimbra” Oxalá os responsáveis das ins- soais aos Leitores deste meu jornal, de amargas decepções. deixou de me pertencer e cessou a sua tituições desta Região entendam esperando que não as entendam como Têm sido 40 anos muito intensos, publicação... a importância de um jornal com um reprovável exercício de narcisismo, pois esta profissão só com intensida- Mas como sempre entendi que ti- estas características e tratem o mas antes como um desabafo que é de se pode assumir em plenitude. E nha obrigação de continuar a lutar “Centro” de forma semelhante à quase um balanço de vida, uma pres- extremamente diversificados: traba- pelos meus ideais, pelas boas práticas que concedem aos outros órgãos tação de contas a quem sinto que te- lhei em jornais diários e semanários, do jornalismo, pela minha cidade e de comunicação social. nho obrigação de o fazer. em matutinos e vespertinos; numa pela minha Região, há três anos reco- Não queremos privilégios. Ape- Porque este ano de 2009 tem para agência noticiosa nacional (a ANI, mecei do zero, relançando o “Centro”. nas reivindicamos o direito a que mim particular importância. hoje LUSA), noutra estrangeira (a Devo confessar que tem sido um reconheçam a nossa existência e Por um lado, será aquele em que Reuters); fui um dos fundadores e di- combate muito difícil, especialmente não nos impeçam de prosseguir o entrarei no clube dos sexagenários rector-geral da Rádio Jornal do Cen- nos últimos tempos, quando a crise nosso caminho. Um caminho nor- (em meados de Julho próximo, se lá tro (TSF/Coimbra); fui um dos funda- mundial começou a fazer-se sentir. teado pelos valores morais e pe- chegar...) – uma designação extrema- dores de uma produtora que, quando E tenho o dever de aqui manifestar los princípios éticos e deontológi- mente antipática, criada pelo estilo jor- apareceram os canais privados de te- o meu agradecimento, muito sincero, cos que trilhamos há mais de 40 nalístico de há umas décadas para de- levisão, para eles fazia a cobertura no- a tantos e tão excelentes Colabora- anos. Por respeito pelos Leitores, signar os velhos. Até aos 59 (que é o ticiosa da Região Centro; fui um dos dores que, de forma totalmente desin- por nós próprios e pela Profissão meu caso, no momento), o indivíduo fundadores do canal de televisão TV teressada, vêm dando o seu contribu- que abraçámos quando a sua prá- ainda tinha direito à menção da idade Saúde; tenho colaborado em estações to para valorizar os conteúdos deste tica era mais penosa e com maio- – não há referência a qualquer “cin- de rádio, jornais e revistas. jornal. Do mesmo modo que é minha res riscos, porque condicionada quentenário atropelado”... Mas mal se Comecei no diário da minha cidade obrigação referir o consolador apoio, pela Censura do regime derruba- cai nos 60, passa-se a sexagenário, (o “Diário de Coimbra”, de que meu Pai material e moral, de alguns Familiares, do em Abril de 1974. depois, se tudo correr bem, vem a foi Chefe de Redacção durante déca- que têm permitido manter este projecto. Coimbra e a Região Centro pre- “promoção” a septuagenário, com sor- das e até ter falecido, em Fevereiro de Contudo, este duríssimo combate só cisam, talvez mais do que nunca, te a octogenário, e já vão abundando 1969). Passei depois para o que já era poderá ser vencido com o apoio dos de vozes que contrariem o seu os (e as) nonagenários (para não fa- então o maior jornal diário do País (o Leitores, dos Assinantes e dos Anun- gradual apagamento e contribuam lar naqueles que ultrapassam a bar- “Jornal de Notícias”), onde trabalhei ciantes, tamanhas são as dificuldades para que se reforce a sua impor- reira dos 100, longevidade que ainda mais de 20 anos, e de onde saí, quando que a comunicação social enfrenta tância e o seu prestígio. dá direito a cobertura televisiva, mas ocupava uma estável posição de che- nesta época de crise. O “Centro” quer continuar a que tende a ser coisa banal). fia, para me lançar na arriscada aven- Dificuldades redobradas para um ser uma tribuna de Liberdade onde Porém, a importância que este ano tura de criar o meu próprio jornal regio- jornal pluralista e não alinhado com essas vozes se façam ouvir! Aos Assinantes do “Centro” Director: Jorge Castilho Como tem sido bem evidente nas notícias vindas a público, o sector da comunicação social (Carteira Profissional n.º 99) é um dos mais afectados pela crise que se abateu sobre toda a sociedade, sobretudo pelo brutal Editor/Propriedade: Audimprensa decréscimo nos investimentos publicitários. NIF: 501 863 109 Perante isto, até os grandes grupos de comunicação social estão a fazer despedimentos Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho em massa, para além de haver muitos jornais regionais que se viram já obrigados a suspender a publicação. ISSN: 1647-0540 Aqui no “Centro” estamos a fazer um enorme esforço para superar as dificuldades. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Mas esse esforço só será bem sucedido se conseguirmos receitas de publicidade e se os nossos Composição e montagem: Audimprensa Assinantes tiverem a gentileza de proceder ao pagamento da respectiva assinatura anual Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra - que se mantém em 20 euros desde o início do jornal. Se quer que esta tribuna livre possa manter-se, muito agradecemos que nos envie o pagamento Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 da sua assinatura - uma verba que representa apenas o equivalente a cerca de 5 cêntimos por dia, e-mail: centro.jornal@gmail.com menos de 40 cêntimos por semana! Impressão: CORAZE Outra forma de ajudar este projecto independente é conseguir-nos novos Assinantes, Oliveira de Azeméis por exemplo entre os seus familiares e amigos (veja a página ao lado). Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem média: 5.000 exemplares Contamos consigo!

24 DE ABRIL DE 2009 COIMBRA 3 “Queima Lançamento do I Volume de “TELO DE MORAIS das Fitas” | COLECÇÃO” anima A Câmara Municipal de Coimbra, através do De- partamento de Cultura / Divisão de Museologia, apre- Coimbra senta hoje (sexta-feira, dia 24), às 18h00, o I Volume “Telo de Morais – Colecção”, de autoria de Leonor Oliveira, Raquel Henriques da Silva e Virgínia Gomes. A Queima das Fitas, considerada por A apresentação da obra/catálogo estará a cargo de alguns como “a maior e mais animada Raquel Henriques da Silva, uma das autoras do estudo festa de estudantes do Mundo”, volta a científico. animar a cidade entre os dias 1 e 8 de Desde a inauguração do primeiro pólo do Museu Maio próximos. Municipal – Colecção Telo de Morais – que está pre- Embora se mantenham as manifesta- visto a elaboração de um livro/catálogo de todo o acer- ções tradicionais, volta assim a existir uma vo da Colecção, com o objectivo de divulgar o tão va- mudança nos dias da semana que eram riado espólio e permitir uma melhor compreensão das habiruais a cada uma das realizações. obras expostas, integrando-as nos movimentos artísti- No que toca aos espectáculos, a res- cos correspondentes. pectiva Comissão considera que “o pro- A publicação está dividida em dois volumes: o pri- grama das noites de parque é o mais equi- meiro, a ser lançado hoje, destinado ao núcleo de Pin- librado dos últimos tempos, tendo os me- tura e Desenho; o segundo, com o restante acervo, lhores nomes a nível nacional, de que se repartido por diferentes núcleos: Cerâmica, Escultura, destacam os “Xutos & Pontapés”, “Quim Mobiliário, Prata, entre outros. Barreiros”,”Blasted Mechanism” e Bu- O lançamento do primeiro volume do Catálogo da raka Som Sistema”. A nível Internacional Colecção Telo de Morais assinala o arranque de uma vão actuar algumas das bandas mais em série de iniciativas que decorrerão no decurso de 2009/ foco do momento, como “Morcheeba”, 2010, no âmbito das Comemorações do Centenário do “Brandi Carlile”, “Patrice” e “Cansei de Edifício Chiado. Ser Sexy”. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-

4 OPINIÃO 24 DE ABRIL DE 2009 Um ano de maior risco Vasco Paiva de fogos florestais mvcfp@hotmail.com co, a vegetação herbácea e arbustiva rificadas, estão a comprová-lo. te fustigada por fogos florestais. começa a secar, e ou se verifica uma Acresce que os dois, três, últimos Duas questões retive. Todos os anos, quando chega a Pri- inversão significativa no clima que te- anos foram mais frescos e com pou- Uma delas é que sendo um facto mavera, costumo reflectir sobre o Ve- mos nas próximas semanas, meses, ou ca intensidade de fogos. Não se to- comprovado que o lançamento de fo- rão que nos espera e o risco de fogos iremos ter pela frente muitos fogos flo- maram as medidas adequadas para a guetes nas festas e romarias tem pro- florestais que temos pela frente. Com vocado muitos fogos, apesar disso al- frequência tenho partilhado essa re- guns líderes (?) das aldeias teimavam flexão com os leitores. Feliz ou infe- em defender esse hábito, porque o lizmente essas reflexões, previsões, povo precisa de festas e… “limpem não têm andado longe da verdade. os matos e deixem o foguetório acon- E não têm andado longe do que re- tecer”. Cabe às autoridades licenci- almente vem a acontecer, não por ne- ar, ou não, esse tipo de festejos. Es- nhum acto de adivinhação ou qualquer peremos que esses licenciamentos tipo de ciência oculta. É fundamen- não ocorram e que o desejo de agra- talmente o clima que determina essas dar, de colher votos num ano com tan- ocorrências e a dimensão que pode- rão vir a alcançar. É necessário evitar No ano passado, afirmei nas pági- as ignições, nas deste jornal que teríamos um Ve- é necessário prevenir, rão fresco, que teríamos poucos fo- gos, de reduzida dimensão. E que isso controlar os matos, era sobretudo resultado das condições vigilância e detecção de clima e não de uma melhoria signi- eficazes, rapidez ficativa do esquema de prevenção e na actuação, meios combate, e muito menos do facto de de combate existirem mais ou menos incendiári- os. Foi o que aconteceu. quando já não puderem Este ano tudo se conjuga para ter- restais com os incontroláveis prejuí- limpeza de matos. Não houve finan- ser evitados os fogos mos um ano difícil. Tem chovido pou- zos. As primeiras ocorrências, já ve- ciamentos e apoios eficazes para o efeito. Acumulou-se carga combustí- tas eleições, não leve a que as autori- vel, matos mais extensos e de maio- dades civis e policiais facilitem. res dimensões. A outra foi o facto de que, perante a Em circunstâncias destas, são neces- proibição de queimadas e a ameaça de sárias medidas de emergência. É neces- multas, as pessoas no meio rural estão sário evitar as ignições, é necessário a fazê-las a coberto da noite e de uma prevenir, controlar os matos, vigilância forma descontrolada, fugindo do local e detecção eficazes, rapidez na actua- para não serem apanhadas pela GNR. ção, meios de combate quando já não Será bem melhor uma acção pedagó- puderem ser evitados os fogos. gica e ajudar, quem precisa, a fazer es- As questões fundamentais, enquan- sas queimadas com a presença dos to ainda estamos a tempo, residem na bombeiros e em segurança. limpeza de matos em locais estratégi- Esperemos que o bom senso pre- cos, criar faixas de contenção. Resi- valeça e que não venha por aí, peran- dem ainda no evitar de ignições que, te desgraças incontroladas, a esfar- descontroladas, podem provocar fogos rapada desculpa de que são mãos cri- de grandes dimensões. minosas e incendiários loucos. Há poucos dias assisti a uma sessão É uma desculpa habitual e fácil, mas de sensibilização numa freguesia rural não resolve problema nenhum e só ser- do Oeste, perto de uma zona fortemen- ve para esconder as responsabilidades. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780

24 DE ABRIL DE 2009 COIMBRA 5 REFERE ESTUDO APRESENTADO NA FEIRA DO LIVRO DE COIMBRA Quem mais lê melhor cuida da sua saúde Quem lê livros é mais capaz de adoptar Nesta amostra perto de 2 por cento dos literacia, afirmam os clínicos. estilos de vida saudável, de gerir as doenças utentes possuíam mestrado ou doutoramen- “A adopção de comportamentos desti- e de compreender a mensagem do médico, to, 26 por cento formação superior, e ape- nados a promover hábitos saudáveis, a par conclui um estudo sobre os hábitos de leitu- nas 17 por cento possuía o primeiro ciclo. da educação, resulta numa maior literacia ra realizado em centros de saúde. Dos leitores de livros 59 por cento tinha for- em saúde, numa acrescida capacidade de “Há uma relação positiva entre os níveis mação superior ou secundária. compreensão das mensagens de saúde e de literacia dos cidadãos e o nível de saúde Na investigação realizada por Rosa Costa numa maior capacidade em gerir doenças de uma população”, afirmam os médicos e Rui Macedo no âmbito do Plano Nacional crónicas”, concluem. Rosa Costa e Rui Macedo, num trabalho de Leitura “Ler+ dá Saúde”, conclui-se que apresentado ontem (quinta-feira) na Feira quando os profissionais de saúde se envol- FEIRA FUNCIONA do Livro de Coimbra, no âmbito das come- vem no aconselhamento da leitura em fa- ATÉ 2 DE MAIO morações do Dia Mundial do Livro. mília melhoram-se os níveis de literacia e os O trabalho, sobre hábitos de leitura e com- hábitos de leitura das crianças. Com um diversificado programa de pra de livros, jornais e revistas, foi realizado No entendimento de Rosa Costa, estes animação cultural, a Feira do Livro de através de questionário, entre 2 e 11 de dados reforçam a necessidade de criar “can- Coimbra tem, acima de tudo, o enorme Março último a utentes de dois centros de tinhos de leitura” nos centros de saúde, onde atractivo de proporcionar a aquisição de saúde de Coimbra onde estes médicos de- os utentes os possam manusear enquanto livros de todos os géneros (são muitos senvolvem a actividade clínica, o da Fernão aguardam a consulta. milhares de títulos de editoras nacionais de Magalhães, e o de S. Martinho do Bispo. “Quando os livros estão presentes, com e estrangeiras) a preços muito mais aces- Nessa amostra constituída por 342 uten- Quem lê, lê por gosto (94 por cento), e maior facilidade o médico abordará o tema síveis. tes (68 por cento mulheres) os melhores lei- em 76 por cento dos casos escolhe livros da leitura com o seu utente, e este revelará Mas outros aspectos há que bem jus- tores são... as leitoras, principalmente as mais que não são escolares nem técnicosescola- menor estranheza pelo assunto”, afirmou à tificam uma visita à tenda gigante insta- jovens e as mais escolarizadas. Não foram res. Os livros com maior presença nos lares agência Lusa. lada na Praça da República. considerados os cidadãos analfabetos e os são de literatura em geral, enciclopédias/di- Na sua perspectiva, “era importante que Entre eles uma exposição fotográfica jovens abaixo dos 15 anos. cionários e os escolares. nas consultas se falasse da leitura”, mesmo alusiva à Crise Académica de 1969, or- No estudo, 74 por cento dos inquiridos Cerca de 67 por cento costuma comprar nas de saúde infantil, antes mesmo de as ganizada pela Secção Fotográfica da dizem-se leitores de livros e 70 por cento de um a seis livros por ano e 4 por cento crianças aprenderem a ler. Associação Académica de Coimbra. lêem jornais/revistas. Setenta e dois por cen- mais de 21. Um pouco mais de 15 por cento O convívio com livros e a leitura em fa- Para além disso, todos os dias há ses- to dedicam aos livros três horas por semana dos inquiridos declarou não saber quando mília, entre adultos e crianças com menos sões de autógrafos com a presença de e 75 por cento dizem ocupar duas horas por adquiriu o último livro, ou não respondeu à de seis meses, são determinantes na apren- escritores, que ali dialogam com os seus semana com jornais e revistas. questão. dizagem da leitura e no desenvolvimento da leitores. PRAÇA DA Soneto REPÚBLICA de uma Carlos Carranca guitarra portuguesa a Jorge Gomes Sou de mil acordes o sustento Dos que sofrem e suspiram. Afagam-me nos ventres engelhados Escravos do meu corpo enlouquecido. Rasgam-me doem-me sonhando O som que os enleva e acompanha. Levitação; deuses pequeninos. A música a nascer-me das entranhas. Quem me tange me incendeia – dedos da vida solidários. O sonho os ilumina Seiva – chão de amor e terra. E o meu corpo – guerra De amor e mar que se franteia.

6 NACIONAL 24 DE ABRIL DE 2009 Pequenos empresários pedem apoios Cerca de duas centenas de pequenos queixas e anseios. 17 por cento e a sua redução para 7 por “Ninguem sabe quantas micro e pe- empresários concentraram-se ontem (quin- “O assessor do primeiro ministro para os cento no sector da restauração. quenas empresas foram beneficiadas”, ta-feira) junto à residência oficial do primei- assuntos laborais recebeu-nos e garantiu- Ao nível da secretaria de Estado do Co- afirmou José Luis Silva acrescentando ro-ministro para pedir o desagramento fis- nos que as secretarias de Estado da tutela mércio, pretendem a garantia de que não que “os empréstimos bancários são uma cal e medidas efectivas de apoio às micro e iriam dar a devida atenção às nossas reinvi- sejam licenciadas novas grandes superfíci- fraude porque armadilham o que resta pequenas empresas que enfrentam o risco dicações, mas isso é de todo insatisfatório”, es comerciais e que estas encerrem ao do- da vida dos pequenos empresários, exi- de encerramento. disse o dirigente da CPPME depois de sair mingo para permitirem a sobrevivência do gindo-lhes como garantias as respecti- “Viemos aqui, com algum apoio, para da residência oficial de S.Bento. pequeno comércio. vas lojas e habitações”. mostrar ao primeiro-ministro a razão do nos- Quintino Aguiar afirmou, no entanto, que “Todas estas medidas e o acesso efecti- Muitos dos pequenos empresários que se so descontentamento pois os contactos que a estrutura a que preside irá esperar por vo a fundos do QREN são fundamentais concentraram em S.Bento eram fotógrafos, já tivemos com secretarias de Estado não novas reuniões com a secretaria de Estado para salvaguardar o que resta das micro e que fizeram questão de participar de má- contribuiram em nada para a resolução dos dos Assuntos Fiscais e com a secretaria de pequenas empresas”, disse à Lusa José Luis quina ao ombro e mascarinha preta, para nosso problemas”, disse à agência Lusa Estado do Comércio e depois, dependendo Silva, dirignete da CPPME e presidente da simbolizar a solidariedade para com os co- Quintino Aguiar, presidente da Confedera- dos resultados, decidirá o que fazer. Associação de micro e pequenas empresas legas que se têm retirados da profissão de- ção Portuguesa das Micro, Pequenas e Os pequenos empresários que vieram de de Setúbal e do Alentejo. vido a dificuldades de subsistência. Médias Empresas (CPPME). vários pontos do país queixam-se de que a Este pequeno empresário (taxista) con- Estes profissionais também entregaram Quintino Aguiar chefiou a delegação que Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais siderou que o Governo “está a cometer um um documento ao primeiro-ministro em que entregou no gabinete de José Socrates os não deu resposta aos seus pedidos de de- erro gravíssimo ao colocar nas mãos da pedem a regulamentação da profissão e a documentos reivindicativos em que os pe- gravamento fiscal, nomeadamente a elimi- banca a distribuição de fundos para as mi- actuação da Autoridade da Concorrência quenos empresários expuseram as suas nação do PEC, a redução do IVA para os cro e pequenas empresas”. para evitar a concorrência desleal. ponto . por . ponto Por Sertório Pinho Martins A crise culos que os empurrou para os cadeirões tarcas despudorados e demais in-circles do to-socorro às falências dos grandes grupos, Tudo de repente passou de moda e ficou do poder. Até os sem-abrigo perceberam poder, alargam os cós das calças com tanta compra de acções acima do preço de mer- sensaborão : a ‘crise’ é a estrela do mo- que algo mudou, porque a torneira das es- falta de cuidado na alimentação – e sabem cado,…), não vão durar senão o tempo bre- mento! Crise à bordalesa ou de fricassé, molas alimentares começou a jorrar mais bem que, com este ou com outro governo, ve das escolhas eleitorais : porque depois crise de trazer por casa ou de faz-de-conta, grosso. E até Deus parece que entrou em vão depender e respirar a generosidade da tudo volta ao mesmo fado da crise. E os crise de valores e de princípios, crise de pa- crise de bondade, e na sua surpresa divina gota-a-gota de quem detém a decisão final. reitores das universidades já o perceberam, ciência para ouvir falar de mais crise. Insta- só repete “perdoai-lhes, que não sabem o Quem se mete com o poder político – este a CGTP e a UGT também, os professores lou-se a diarreia mental e a soltura do verbo que fazem”. ou outro de antes ou depois – já sabe que nem se fala, os novos reformados já sabem só soletra ‘crise’. Só balbucia ‘crise’. A clas- que vão entrar para o rol dos pagadores de se média geme só de ouvir falar em crise, (...) a crise é filha de mãe solteira e de pai incógnito, promessas, – e se calhar o povo anónimo as pequenas e médias empresas asfixiam como convém: a criança tornou-se um impecilho não vai encarneirar muito mais tempo, por- na lama da crise, os pobretanas fazem um que tem filhos para alimentar, prestações a manguito à crise, a gatunagem chama um incómodo e foi entregue aos cuidados adoptivos cumprir num quadro de spreads galopante, figo à crise. A Justiça não tem mãos a medir da solidariedade social. Os banqueiros, habituados e com a esperança a diluir-se pelo esgoto com a crise, as benesses sociais navegam à velha confiança que a impunidade dá, compraram abaixo. na crista da onda da crise, a Educação jus- camarotes de luxo nos cruzeiros de negócios Os partido políticos, que deviam ser o tifica disparates a esmo com o fantasma da aos paraísos fiscais (...) espelho da boa-conduta, é o que se vê: a crise. Cavaco Silva está farto de ouvir falar crise serve-lhes às mil maravilhas para en- em crise e clama no deserto pelo fim da dita Portas adentro, a crise é filha de mãe mais tarde ou mais cedo “leva”! E as bar- cobrir incompetências, ganâncias, uniões cuja. O Governo, fixado no umbigo e des- solteira e de pai incógnito, como convém: a bas de molho ainda são uma mezinha eficaz de facto e arranjinhos de vão-de-escada, lumbrado com o espelho mágico das maio- criança tornou-se um impecilho incómodo e nos grandes momentos de aflição. vingançazinhas, limpeza de balneários, rias absolutas, caiu subitamente na real e foi entregue aos cuidados adoptivos da soli- E chegamos ao cerne do busílis: a pro- compadrios, subida de umas décimas nas anda numa sarabanda de medidas contra a dariedade social. Os banqueiros, habituados miscuidade entre o poder económico e o sondagens. E o povoléu que se amanhe, crise que até há pouco tempo jurava a pés à velha confiança que a impunidade dá, com- poder político, não deixa espaço suficiente com a ajuda de Deus e da solidariedade juntos ser pura invenção das oposições e praram camarotes de luxo nos cruzeiros de para gerir com mão firme uma crise que dos que ainda se vão condoendo da des- não passar de maleita circunscrita ao sub- negócios aos paraísos fiscais, e não abdi- ameaça levar-nos ao fundo. E se Cavaco graça alheia. prime americano. O TGV, a quarta traves- cam da minguada jorna mensal que lhes re- Silva não estiver para engolir sapos que lhe E para a história ficarão apenas as sia do Tejo e o novo aeroporto, andam nas tribui a dedicação às instituições que come- compliquem a digestão dos poderes presi- sombras e as memórias de que houve nuvens e não são definitivamente parte as- çaram por parasitar as poupanças do Zé- denciais, a coisa ainda vai fiar mais fino. Os uma crise de morrer e de matar, a pior e sumida desta crise. As exportações e as povinho e a seguir sugaram prazenteiramen- desfiles de rua não se comoverão com mais mais arrasadora (dizem) no pós-25 de importações nunca se viram num carrossel te os milhões caídos do céu e dos bolsos de promessas eleitorais, quando a barriga va- Abril. Pelo meu lado – e esta vai, do fun- tão empinado e de enjoo permanente como qualquer calmeirão da negociata escura. zia discute acaloradamente com a razão. Os do do coração, para o Jorge Castilho – o desta crise. Os ministros (à excepção de Com a crise, os contribuintes anónimos aper- remendos à esquerda (sigilo bancário, ca- gostaria que o CENTRO não fosse uma Vieira da Silva) não sabem para onde se tam o cinto, e os governantes, gestores de samento gay, aborto, e por aí fora) e os pis- das vítimas inocentes da matança cega virar, porque a crise não fez parte dos currí- grandes empresas (públicas e privadas), au- car-de-olhos à direita (IRC bancário, pron- da nossa esperança colectiva.

24 DE ABRIL DE 2009 NACIONAL 7 Vila Franca de Xira também é uma Lição realismo português”, cujo catálogo, de ex- nhas são dez, uma delas repetida em for- beu do Estado Português. celente apresentação gráfica , 496 pági- mato gigante – talvez mais de 3 metros. As exposições, reveladoras da capa- nas com recheio excepcional, envolve o Estão igualmente abertas ao público cidade do Museu do Neo-Realismo, são Varela Pècurto que ao neo-realismo português diz respeito. mais duas exposições, uma de Miguel motivo justificado para uma visita, o que Agora o Museu volta a surpreender Palma, representado em numerosas co- aconselho vivamente. Nem por estar a escassa distância da com a apresentação de outra exposição, lecções nacionais e estrangeiras, públi- Tal como aconteceu na “Batalha pelo capital do País, Vila Franca de Xira se cuja organização mobilizou mais de uma cas e privadas; a outra mostra as obras Conteúdo”, também na “Batalha de Som- queda na indiferença, quando confron- vintena de especialistas, credores do nos- do escritor doutor Mário Braga, que vi- bras”, travadas em Vila Franca de Xira, tada com a importância de Lisboa. so elogio, todos, sem excepção. No en- veu nos arredores de Coimbra, expon- a Vitória foi indiscutível. Pelo contrário. Reage e prossegue o tanto, pela intervenção tão vincada na ex- do-se ainda documentos vários, cartas, Parabéns a quantos batalharam para seu desenvolvimento em todas as fren- posição, a começar pela pesquisa e pas- fotografias e a condecoração que rece- que fosse alcançada. tes, de que é exemplo a Cultura. sando pela organização documental, justo será citar a doutora Emília Tavares, do Museu Nacio- CIRCULA NA INTERNET nal de Arte Contemporânea – Museu Chiado, Lisboa, base da colecção de foto- Homenagem a Varela Pècurto grafias dos anos 50, dirigido A internet possibilita coisas extraordinárias! E aqui relatamos uma, que desde finais de 90 pelo dou- será uma boa surpresa para Varela Pècurto, por demonstrar que, mesmo tor Pedro Lapa que se es- longe, no tempo e no espaço, há quem continue a considerá-lo como um Mes- forçou na promoção desta tre e a exprimir-lhe gratidão. exposição e que foi o inicia- Eis um comentário que colhemos na net, assinado por Francisco Forjaz de dor da colecção de fotogra- Sampaio, um fotógrafo com reputação internacional, que assim se refere a fias que o Museu já possui. Varela Pècurto:. Emília Tavares, que na “A este homem extraordinario, que teve a paciência de me suportar horas exposição “Batalha pelo e horas na câmara escura da Hilda e mesmo no Fotoclub , devo todo o entu- Conteúdo” apresentou o que siasmo e a técnica que fez de mim mais tarde, na Alemanha, um bom fotógra- pode ser considerado o pri- fo. Recordo que citei num workshop do Willy Flekaus (mestre do preto e meiro estudo “sobre a rela- branco e um dos criadores da “Photokina”) esta afirmação do querido Varela: ção da disciplina de fotogra- ‘Não preciso de célula fotoeléctrica para tirar fotografias a preto e bran- fia com o neo-realismo, o co, nunca me engano’. cruzamento entre as práticas Um só desejo: que esteja vivo e de boa saúde (...) A minha gratidão”. salonistas e o novo «huma- nismo» desenvolvido pela cultura oposicionista”, ago- ra, na exposição “Batalha de “Viúva da Nazaré”: uma das fotografias de Varela Pècurto exposta no Museu do Neo-Realismo, Sombras” aborda a historio- em Vila Franca de Xira grafia da fotografia portu- guesa, escalpelizando-a ao E a prová-lo basta conhecer a activi- longo de mais de cinquenta páginas. dade que se tem verificado no Museu do Não tem lugar neste pequeno e mo- Neo-Realismo, entidade que muito hon- desto espaço comentar, melhor diria dis- ra o Município e a cidade. cutir, o conteúdo do seu texto, até por- Sedeado num belo edifício que muitas que, na generalidade, estou de acordo localidades desejariam, visitámo-lo há uns com ele. meses para assistir à inauguração da ex- Importa, sim, referir que, mais uma vez, posição “Batalha de Sombras” que será Vila Franca de Xira está de parabéns por complementada com dois encontros, em esta iniciativa e que Coimbra sai dignifi- 30 de Maio e 6 de Junho próximos. cada com a sua representação (até gra- Em finais de 2007, o Museu do Neo- ças ao extinto Grupo Câmara). Realismo, acabada a remodelação das Das 90 fotografias expostas, de diver- suas instalações, foi centro da grande ex- sas tendências, do doutor Franklim de Fi- posição “Batalha pelo Conteúdo no neo- gueiredo – já falecido – são duas e mi-

8 INTERNACIONAL 24 DE ABRIL DE 2009 Parlamento Europeu aprova legislação sobre agências de ‘rating’ O Parlamento Europeu (PE) aprovou cedimento de registo das agências de ontem (quinta-feira) a primeira legisla- notação de crédito, de modo a que pos- ção sobre agências de notação de crédi- sam ser controladas as actividades das to, definindo regras e obrigações que vi- agências cujas notações são utilizadas sam trazer maior transparência a uma pelas instituições de crédito, sociedades actividade que esteve em foco, pela ne- de investimento, empresas de seguros e gativa, com o despertar da crise global. de resseguros, organismos de investimen- “Integridade, transparência, responsa- to colectivo e fundos de pensões da bilidade e boa governação são as pala- União Europeia. Actualmente, existe vras de ordem da primeira legislação apenas um código de conduta voluntá- europeia sobre as agências de notação rio. de crédito”, informou o PE. O registo das agências de notação pelo Estas agências passam a ter que res- Comité das Autoridades de Regulamen- peitar um conjunto de obrigações adicio- tação dos Mercados Europeus de Valo- nais em relação às notações de produtos res Mobiliários (CARMEVM), o refor- financeiros estruturados, medidas relativas ço da transparência, da informação e da aos conflitos de interesses, à qualidade das protecção dos investidores, o regime de notações, à transparência das agências e responsabilidade, um mecanismo de ro- à supervisão das suas actividades. tação dos analistas e a garantia de que A elaboração deste regulamento tor- actual crise financeira mundial”, reconhe- das condições do mercado, por um lado”, as notações não sejam afectadas por nou-se necessária devido às insuficiên- ce o relator da Comissão dos Assuntos e “não conseguiram ajustar atempada- eventuais conflitos de interesse são al- cias ou falhas constatadas aquando da Económicos e Monetários do PE, Jean- mente as suas notações de crédito na guns dos pontos sobre os quais o Parla- emissão ou seguimento das notações Paul Gauzès. sequência do agravamento da crise dos mento Europeu e o Conselho - que co- emitidas pelas agências de notação. Estas agências “não reflectiam nas mercados, por outro”, lê-se no documen- legislam nesta matéria - chegaram a “É claro que estas insuficiências ou suas notações de crédito, numa fase su- to hoje aprovado. acordo, aprovado em plenário por 569 falhas contribuíram, em parte, para a ficientemente precoce, a deterioração A legislação europeia introduz um pro- votos a favor, 47 contra e 4 abstenções. Mitos e realidades do “Grande Duo” se. O «abraço financeiro-económico» tem procurar novos métodos de garantir a lide- ses vêem nela uma espécie de armadilha, o mesmo efeito. Mas dele não emana auto- rança norte-americana no mundo depois do destinada a amarrar mais a China e torná-la maticamente o desejo de reforçar as rela- rotundo fracasso do ex-presidente George mais dependente dos EUA. Fiodor Lukyanov * ções existentes. Bem ao contrário. Assim, W. Bush de a impor à força. Por enquanto, Pelos vistos, a saída da actiual situação na China põe-se em dúvida o antigo modelo consistirá em tentar superar, embora com de crescimento económico, baseado quase todo o cuidado, o actual sistema das rela- Há uns dois anos e picos, o chefe do Ins- exclusivamente nas exportações, isto é, de- ções. E não se trata da sua consolidação. tituto de Economia Mundial em Washing- pendente inteiramente da conjuntura eco- Obrigar Pequim Contudo, existe uma questão mais geral. Ao ton, Fred Bergsten, começou a propagan- nómica externa. fim e ao cabo, a actual recessão global deve- dear a ideia de «dois grandes». No ano pas- Sabe-se que anunciar os planos de de- a mudar o seu rumo se ao surgimento da «Chimérica». sado, o mecanismo da «Chimérica» – um senvolvimento do mercado interno é muito (tanto político, A prontidão da China de adquirir e acu- conglomerado sino-americano de produto- mais fácil de que os pôr em prática. Mas é mular as obrigações e os dólares norte-ame- res-credores e consumidores-devedores – significatico o próprio desejo de semelhan- como monetário) ricanos, ganhos à custa das exportações para foi descrito pelo historiador económico Nial tes mudanças, tendo em conta que Pequim, a favor dos EUA os EUA, permitia manter o sistema de cré- Ferguson. O tema de «destino comum» da uma vez escolhida uma meta, sempre pro- é praticamente dito baratíssimo nos EUA, o que estimulou China e dos EUA no séc. XXI foi apanhado cura alcançá-la. Se a China pelo menos o consumo dos norte-americanos – com- e desenvolvido por Henry Kissinger e Zbig- percebe em que direcção deve avançar, impossível prar novas casas e novos produtos chine- new Bzezincki, tornando-se num lugar co- então a situaçã

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