O Centro - n.º 66 – 21.01.2009

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News & Politics

Published on July 28, 2009

Author: manchete

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Versão integral da edição n.º 66 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 21.01.2009.

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DIRECTOR JORGE CASTILHO | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Rua da Sofia, 95 - 3.º - 3000-390 COIMBRA Telef.: 309 801 277 ANO III N.º 66 (II série) 21 de Janeiro de 2009 1 euro (iva incluído) ESCRITORA E HISTORIADORA ESPANHOLA EM ENTREVISTA AO “CENTRO” Livro sobre a Rainha Santa Isabel com nova versão sobre o “Milagre das Rosas” PÁG. 13 e 14 AFIRMA CORREIA DE CAMPOS Coimbra é caso único na Saúde PÁG. 17 a nível mundial CASA MIGUEL TORGA AMANHÃ EM COIMBRA 15.º ANIVERSÁRIO COM MUNDO A VER Alzira Seixo Universidade “Saúde em Obama profere divulga Português” já é conferência quem venceu lança livro Presidente no dia 30 o seu Prémio de E. Castela dos EUA PÁG. 3 PÁG. 11 PÁG. 16 PÁG. 4 e 5

2 ANIMAL 21 DE JANEIRO DE 2009 CAMPANHA “COIMBRA ADOPCÃO” A troco de nada ganhe um grande amigo O Canil/Gatil Municipal de Coimbra pros- damente se adaptam aos seus novos apenas custam uns minutos na deslocação, Podem também enviar um e-mail para segue uma campanha intitulada “Adop- donos (que, para além do mais, os esta- para escolher um companheiro (ou compa- aranimal@gmail.com Cão”, com o seguinte lema: “Adoptem rão a poupar a um fim muito triste e tre- nheira) para a vida, que será sempre fiel e de ou consultar o site um animal no Canil Municipal”. mendamente injusto). uma enorme dedicação e em troca apenas www.cm-coimbra.pt/741.htm Trata-se de uma iniciativa muito me- Um cão ou um gato é sempre um pre- pede um pouco de atenção e de carinho. Os dias e horas especificamente desti- ritória, que permite que pessoas que gos- sente bem recebido, desde que a pessoa a O Canil/Gatil Municipal fica no Campo nados às adopções são os seguintes: tam de animais ali possam ir buscar um quem ele se oferece goste de animais, não do Bolão, Mata do Choupal, onde os ani- - segundas-feiras, das 14h30 às 16h30; fiel companheiro, sem nada pagarem os encare como um brinquedo ou um ob- mais esperam, ansiosos, por uma nova casa - quintas-feiras, das 10 às 12 horas. por isso. jecto e tenha condições mínimas para deles e uma nova família. São muitos os cães (e também alguns tratar convenientemente. Os interessados em obter mais informa- Abaixo publicamos imagens de alguns gatos) que esperam que gente com bom Se for o caso, não hesite em ir buscar ções podem ligar para o telemóvel 927 441 dos bons aamigos de 4 patas que estão à coração os vá adoptar, tendo como re- um destes amigos muito valiosos em ter- 888 (a qualquer hora), ou para o Canil/Gatl espera de que alguém queira aproveitar todo compensa conquistarem um amigo para mos materiais (basta ver os preços nas lo- (das 9 às 17h30 dos dias úteis) através do o carinho que têm para dar. e não se toda a vida, já que estes animais rapi- jas de animais!...), mas que no Canil/Gatil telefone 239 493 200. arrependerá! Aos Assinantes do “Centro” Director: Jorge Castilho Como tem sido bem evidente nas notícias vindas a público, o sector da comunicação social (Carteira Profissional n.º 99) é um dos mais afectados pela crise que se abateu sobre toda a sociedade, sobretudo pelo brutal Propriedade: Audimprensa decréscimo nos investimentos publicitários. NIF: 501 863 109 Perante isto, até os grandes grupos de comunicação social estão a fazer despedimentos Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho em massa, para além de haver muitos jornais reguionais que se viram obrigados a suspender a publicação. ISSN: 1647-0540 Aqui no “Centro” estamos a fazer um enorme esforço para superar as dificuldades. Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Mas esse esforço só será bem sucedido se conseguirmos receitas de publicidade e se os nossos Composição e montagem: Audimprensa Assinantes tiverem a gentileza de proceder ao pagamento da respectiva assinatura anual Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra - que se mantém em 20 euros desde o início do jornal. Se quer que esta tribuna livre possa manter-se, muito agradecemos que nos envie o pagamento Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 da sua assinatura - uma verba que representa apenas o equivalente a cerca de 5 cêntimos por dia, e-mail: centro.jornal@gmail.com menos de 40 cêntimos por semana! Impressão: CORAZE Outra forma de ajudar este projecto independente é conseguir-nos novos Assinantes, Oliveira de Azeméis por exemplo entre os seus fSamiliares e amigos (veja a página ao lado). Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem: 10.000 exemplares Contamos consigo!

21 DE JANEIRO DE 2009 NACIONAL 3 PROSSEGUE CICLO DE CONFERÊNCIAS NA CASA-MUSEU MIGUEL TORGA Maria Alzira Seixo no próximo dia 30 vem falar sobre “O Senhor Ventura” Prossegue no próximo dia 30 (sexta- Professora Catedrática da Faculdade de feira da próxima semana), o Ciclo de Letras da Universidade de Lisboa, que se desloca a Coimbra para falar sobre “O Senhor Ventura”, uma das mais apre- ciadas obras de Miguel Torga. A conferência inicia-se às 17 horas, na Casa-Museu Miguel Torga, e é aber- ta a todos os interessados. Recorde-se que a primeira conferên- cia deste Ciclo foi proferida por Clara Rocha, Professora Catedrática da Facul- dade de Letras da Universidade Nova de Lisboa, e filha do Escritor, que abor- dou o tema “A Casa de meus Pais”. Está já confirmada a presença de di- versos outros conferencistas, entre os quais Mário Soares, em datas que opor- tunamente serão divulgadas. Miguel Torga Maria Alzira Seixo EVOCAÇÃO EM LISBOA passada sexta-feira, por iniciativa da Es- Conferências que está a ser promovido cola Superior de Educação Almeida Gar- bra, sob o título genérico de “Identidades”. Entretanto, também em Lisboa a fi- rett, e com a participação de Maria Bar- na Casa-Museu Miguel Torga, em Coim- Desta feita será Maria Alzira Seixo, gura de Miguel Torga foi evocada na roso e Carlos Carranca, entre outros. ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-

4 OBAMA PRESIDENTE 21 DE JANEIRO DE 2009 ACTO DE POSSE PROVOCOU ENTUSIASMO EM TODO O MUNDO Presidente Obama pede “nova era de responsabilidade” do país O novo presidente dos Estados Uni- No seu discurso após o juramento como ponsabilidade por parte de alguns, mas tam- Estados Unidos a nação que é: o traba- dos, Barack Obama, pediu ontem (terça- Presidente dos Estados Unidos, Obama bém pelo fracasso colectivo em tomar as lho duro, a honestidade, a coragem, a jus- feira) “uma nova era de responsabilida- apelou aos valores fundamentais do seu país decisões difíceis e preparar a nação para tiça, a tolerância e o patriotismo. de” dos norte-americanos nas suas vidas começar um novo capítulo na sua história. uma nova era”, disse Obama. “O que nos é pedido agora é uma nova e para o seu país no mundo, como força “A nossa economia está enfraquecida, Perante esses erros, Obama instou os era de responsabilidade, o reconhecimen- de cooperação e diálogo. como consequência da avidez e da irres- norte-americanos a retomar o que fez dos to, por parte de cada norte-americano de Antigos Presidentes Carter, George W. Bush e Clinton na cerimónia de posse (imagem acima), que foi acompanhada com entusiasmo em todo o Mundo (como é exemplo a foto ao lado)

21 DE JANEIRO DE 2009 OBAMA PRESIDENTE 5 que temos obrigações face a nós próprios, amigo de cada nação e de cada homem, actuais requerem que os Estados Uni- te pelos problemas nas suas socieda- à nossa nação e ao mundo”, disse. mulher e criança que procura um futuro dos façam um esforço maior para pro- des - saibam que o vosso povo vos jul- No plano internacional, o novo Presiden- de paz e dignidade e que estamos prontos mover a cooperação e o entendimento gará pelo que conseguirem construir e te quis assinalar uma mudança em relação para liderar uma vez mais”, afimou. entre as nações, perante a ameaça nu- não pelo que destroem. Aos que se à administração anterior, apesar de ter Recordou que os Estados Unidos der- clear e o aquecimento global. agarram ao poder através da corrup- agradecido seu antecessor pelo “seu ser- rotaram o facismo e o comunismo “com O presidente norte-americano ofe- ção e do engano e silenciando a dis- viço” aos Estados Unidos. alianças sólidas e convicções fortes” receu “um novo caminho em direcção senção, saibam que estão do lado er- “A todos os povos e governos que nos “O nosso poder só não nos pode pro- ao futuro” ao mundo muçulmano. rado da história, mas que estendere- vêem hoje, desde as maiores capitais à teger, nem nos dá direito a fazer o que “Aos líderes que procuram semear mos a mão se estiverem dispostos a pequena localidade onde nasceu o meu pai: nos apetece”, disse. o conflito ou responsabilizam o Ociden- abrir o punho”, declarou. saibam que os Estados Unidos são um Obama assinalou que os desafios Bush já passou para segundo plano Samuel Jackson e Denzel Washington (imagem acima) foram dois dos milhares de famosos que estiveram presentes na cerimónia de posse

6 INTERNACIONAL 21 DE JANEIRO DE 2009 Cimeira Ibéria amanhã em Zamora Os ministros das Finanças de Portu- orçamental, pelo menos em 2009. uvas dos dois lados da fronteira. ta-se de uma forma de colaboração im- gal e Espanha reuniram ontem (terça- A Comissão Europeia prevê para 2009 O “Duradero” nasceu em 2005 quan- portante entre os dois lados da fronteira, feira), em Bruxelas, para preparar a Ci- uma contracção da economia portugue- do se decidiu reunir uvas da Quinta do potenciando ao mesmo tempo a imagem meira Ibérica que terá lugar amanhã sa de 1,6 por cento, o dobro do estimado Portal (Celeiros do Douro), no lado por- vitivinícola do Douro. (quinta-feira, dia22) em Zamora, tendo por Lisboa (0,8 por cento), e um défice tuguês do Douro, com uvas das Caves “É um vinho de auréola negra, com reafirmado o objectivo de consolidação orçamental de 4,6 por cento também su- Liberalia Enológica (Zamora), do lado aromas a fruta muito madura e com in- orçamental. perior em 0,7 pontos às estimativas do espanhol do rio transfronteiriço. dícios de chocolate. Vinho encorpado Segundo fonte governamental, Fernan- Governo (menos 3,9 por cento). Especialmente bem acolhido pelo mer- com boa persistência. Vale a pena guar- do Teixeira dos Santos e Pedro Solbes Bruxelas também prevê que o défice cado, chegando a merecer 90 valores em dar umas garrafas para daqui a uns ani- “trocaram impressões” sobre os planos público espanhol atinja os 6,2 por cento algumas das mais prestigiadas publica- tos. Bom vinho”, lê-se numa critica ao de recuperação económica que os dois este ano, reflectindo a aplicação de me- ções enólogas de Portugal e Espanha, é Duradero no site WineCellar países estão a aplicar para contrariar a didas de combate à crise, valor que cai- descrito com um vinho “especial” fabri- Para a revista “Blue Wine” o Dura- actual crise económica. rá para 5,7 por cento do PIB em 2010. cado com uvas Roriz portuguesa e uvas dero nasce de um “casamento há muito Segundo a mesma fonte, os dois minis- Teixeira dos Santos e Solbes encon- ‘toro’ espanhol. desejado”, assinado pelos enólogos Paulo tros “reafirmaram” que a consolidação traram-se à margem da habitual reunião O nome do vinho foi retirado de ver- Coutinho e Sílvia Garcia, e que repre- orçamental continua a ser uma prioridade mensal dos ministros das Finanças da sos do mais famoso poeta zamorano, senta “uma união transfronteiriça que se e que, depois de se resolver a actual cri- União Europeia. Claudio Rodríguez, que sempre dedicou baseia num legado histórico comum, de se, se retomará a trajectória que levará especial atenção ao Douro. um rio que simbolicamente banha os dois ao equilíbrio nas contas do Estado. BRINDE COM VINHO IBÉRICO O primeiro encontro entre responsáveis países e os enlaça. Os Estados-membros da União Euro- das duas produtoras ocorreu no âmbito “É um vinho que tem um rio a correr peia decidiram lançar planos nacionais Os participantes na 24ª Cimeira luso- do encontro vitivinícola Vinos Duri, que nas veias. Consegue o nobre feito de de recuperação económica que implicam espanhola vão brindar com um vinho ‘ibé- decorreu na cidade de Zamora em 2005. casar dois países dentro de uma garrafa um agravamento geral da sua posição rico’ que nasceu de um ‘coupage’ de Para os responsáveis da iniciativa tra- e galgar fronteiras”, explica a revista. 2009: um ano de problemas globais obteve, em 1709, a vitória definitiva sobre UE, em primeiro lugar a Polónia e os to Europeu. Pensava-se que os novos Fiodor Lukyanov * o exército sueco do rei Carlos XII e um Estados Bálticos, aproveitarão a memó- eurodeputados iriam representar uma corpo de cavalaria cossaca, comandado ria do passado para apresentar a sua vi- nova união, com base no novo Tratado O mundo olha com medo para o ano pelo cabo de guerra ucraniano Mazepa. são da política europeia contemporânea. de Lisboa e simbolizando uma maior in- recém-nascido, receando imprevisíveis A data será aproveitada para especula- O segundo evento fará regressar os tegração. A festa foi estragada pelos ir- consequências económicas e políticas da ções políticas, envenenando ainda mais as debates sobre os vencedores e os venci- landeses, que declinaram o documento crise global que deflagrou em 2008. relações entre Moscovo e Kiev. dos na «guerra fria». No Ocidente tem no referendo em 2008. Mesmo em caso Em Abril, em foco estará a segunda Em Abril, na cimeira da NATO (que surgido um perigoso sentimento de triun- de vitória do «sim» num novo referendo cimeira dos «Vinte Grandes». Nos me- terá lugar na fronteira franco-alemã) fes- falismo, de absoluta supremacia moral e a realizar em 2009, durante a presidên- ses que faltam, os maiores países não tejar-se-á o 60.º aniversário da Aliança. política, de um sortido de ideias sem al- cia checa na UE, o Tratado de Lisboa serão capazes de implementar a Decla- Os promotores não querem ofuscar a ternativa. Na Rússia, acaba de aparecer vai entrar em vigor apenas em 2010. ração sobre os Mercados Financeiros e cimeira com temas capazes de pôr a nu uma espécie de vontade de «desforra». O ano de 2009 não verá resolvidos os a Economia Mundial, aprovada em No- as divergências entre os países membros, Naturalmente, será difícil chegar a um problemas da UE, que continua a enfer- vembro de 2008 em Washington. O do- sendo pouco provável que a Geórgia e a entendimento sobre este assunto. mar da contradição entre política de alar- cumento prevê uma série de medidas Ucrânia constem da agenda. Em Outubro, assinala-se o 60º aniver- gamento ou de maior integração. A crise colectivas destinadas a «elevar o nível O evento é também excelente pretexto sário da proclamação da República Po- financeira apenas contribuirá para agra- de transparência e controlo». para a primeira viagem do Presidente dos pular da China, que certamente servirá var o processo de estratificação iniciado Vários analistas e investigadores apon- EUA à Europa onde será recebido com para lembrar a todos o papel que este faz algum tempo. A votação em 2009 é tam, faz muito, a contradição existente euforia. O futuro discurso de Barack país desempenha no mundo de hoje. A capaz de estabelecer um novo recorde entre o carácter global dos processos no Obama sobre a unidade transatlântica China também terá duas datas menos de absentismo que não pára de aumen- nosso planeta e o pensamento político a pode entrar, de antemão, nos anais de agradáveis: em Março, o 50º aniversário tar desde 1979. fluir por bitolas nacionais, entre a neces- Arte Oratória. da rebelião no Tibete, e em Junho, o 20º As mais importantes eleições nacionais sidade de acções colectivas e a impre- No entanto, os problemas reais da aniversário da sangrenta repressão das terão lugar em Setembro, na Alemanha. paração para tal actuação. NATO permanecerão. A Aliança não tem manifestações estudantis na Praça da Mais uma campanha eleitoral, prenhe de Uma confirmação disso será a Confe- uma missão bem definida e a situação Porta da Paz Celeste, em Pequim. trambolhões à escala europeia, terá lugar rência da ONU sobre Mudanças Clima- no Afeganistão continua a piorar. na Ucrânia, onde decorrerão as presiden- téricas que abrirá em Novembro em Co- As relações com a Rússia continuarão UM ANO DE ELEIÇÕES ciais. Nem um possível colapso económi- penhaga. O seu objectivo consiste em no centro das atenções da NATO. E pelo co, nem a perspectiva de choques políti- acordar um documento em substituição menos alguns países membros tentarão As eleições que determinam em gran- cos são capazes de deter as elites ucrani- do Protocolo de Quioto que expira em aprsentar Moscovo como uma ameaça de parte a política em 2009 realizaram- anas de uma luta fratricida. 2012. Espera-se uma luta renhida, já que capaz de consolidar a Organização do Tra- se nos EUA no fim do ano passado. Em As eleições gerais terão lugar na Ín- à ecologia estão estreitamente ligados tado do Atlântico Norte. A propósito, em 20 de Janeiro (ontem) tomou posse o dia, onde a oposição nacionalista tem muitos interesses egoístas, que os princi- Março completam-se 10 anos sobre a pri- Presidente Barack Obama. As expecta- chance de vencer. A população está des- pais jogadores – os EUA, a UE e a China meira acção militar da NATO, nomeada- tivas com ele relacionadas são compa- contente com a actuação do governo – tentarão impor sob a capa de preocu- mente a guerra contra a Jugoslávia. ráveis apenas com as de representação durante os recentes ataques terroristas pação pelo futuro da Humanidade. Duas datas – o 70º aniversário do de prestidigitador ou milagreiro. Barack em Bombaim. Finalmente, no Irão vão Pacto Molotov-Ribbentrop e do início da Obama terá, sem dúvida, um «ano de escolher presidente. A derrota do actual UM ANO DE ANIVERSÁRIOS II Grande Guerra (Agosto-Setembro), e mel». Mas é impossível prever como será chefe de Estado (bem provável devido à o 20º aniversário da queda do muro de a «performance» real do 44º presidente difícil situação económica no país) con- Em Julho, assinala-se o 300º aniversá- Berlim – vão esimular a discussão histó- norte-americano. tribuiria para diminuir a tensão em torno rio da Batalha de Poltava. Perto daquela rica que se transforma num factor das Em Junho, os cidadãos dos 27 países do problema nuclear iraniano. cidade ucraniana o czar Pedro, o Grande relações internacionias. Os neófitos da da UE vão ter eleições para o Parlamen- * in revista A Rússia na Política Global

21 DE JANEIRO DE 2009 NACIONAL 7 ponto . por . ponto a culpa solteira Por Sertório Pinho Martins dos actos consonantes de quem privile- com apenas 1,5% de execução? E de- ve! – liquidou à partida o interesse da coi- Num país onde de repente todas as gia a estabilidade. Mas a dúvida corroe: pois de 2013, de que vamos viver quan- sa, ao pôr em praça apenas jornalistas ‘da consciências despertaram ao mesmo e os que ajudaram à queda no abismo, do o orçamento comunitário estiver nas casa’. Imagine-se um Miguel Sousa Ta- tempo para as impunidades que o regi- mesmo sabendo que estávamos à beiri- encolhas e com 27 países a sugar a mes- vares ou uma Constança Cunha e Sá tam- me tem consentido ao longo de muitos nha e que um passo a mais era a passa- ma teta magra e exausta? E quem ali- bém em palco, a deitar lume pelos olhos e anos, não podia haver duas sem três: gem para a outra dimensão? O preço do menta a vaca senil? Nesse dia, e com chamas pela língua! Por isso desde o iní- depois do BPN e do BPP, também o BP petróleo só disparou para níveis caóticos um intróito doloroso já em 2010, a ‘dívi- cio que o desfecho era mais ou menos caiu na arena das suspeições (e sabe-se em 2008, enquanto que a nossa dívida da externa’ vai ser o garrote do nosso previsível, pese embora a lucidez política lá o tamanho do laudatório que aí vem). externa saltou de 7,4% do PIB em 1996, futuro! E quando um país chega a este (há que reconhecê-lo) e a preparação que E só é pena que esta sigla de BP diga para uns assustadores 90% no fim do ano limiar de inanição adivinhado, não acon- o entrevistado demonstrou relativamente respeito ao Banco Popular e não ao Ban- passado. Ah, mas o governo já prome- tece nada? A ninguém? ao que o esperava. co de Portugal, por tão simples quanto teu à UE que actuará severamente se Tudo aponta para que, em termos de E voltando à vaca-fria das culpas sol- isto: ninguém acusa o seu governador de os preços dos combustíveis não acom- recessão mundial, falte apenas um pe- teiras, recorde-se o que para aí vai nos actos do foro criminal, mas tanta falha panharem os do crude no longo prazo queno passo para algumas economias sectores da Agricultura (um ministro-fan- grave de supervisão só tem um rosto e (???). Alguém decifra esta promessa e darem o estoiro, com réplicas gigantes- toche, já questionado por deputados da esse é o de Vítor Constâncio. E Cadilhe a sua utilidade “no longo prazo”? cas no plano social (mais pobreza, aban- sua própria bancada – e fica tudo como foi apenas o último a dizer que o rei vai É que já nesses distantes anos 90, o dono escolar, desemprego, delinquência no reino dos anjos), Economia (milhares nu! Ora se um banqueiro (Tavares Mo- engº Guterres se via em palpos de ara- e fuga de quadros), com uma derrocada de empresas no fio da navalha, 150.000 reira foi exemplo), se um magistrado nha para fazer contas sobre o PIB – mas dos modelos jurídico e policial, com a dis- novos empregos na legislatura por água- (Fernando Negrão idem), ou outro qual- lá o castigaram exemplarmente dando- persão das famílias em busca de melhor abaixo, grupos-de-referência a despedir quer alto responsável público ou priva- lhe por penitência a função de alto-co- vida (e consequente desmembramento às centenas, projectos turísticos com bi- do, foram impedidos durante anos de missário para os refugiados da ONU. E da célula-base das sociedades humanas), liões-UE a ser comidos pela prioridade exercer funções em actividades onde se hoje? Alguém assume a paternidade do e com um clima propício a Estados mus- de refinarias em território espanhol), apontavam fortes indícios ou mesmo se monstrozinho? Quem levanta o dedo? O culados (Rússia, China, Irão, repúblicas Educação (eleições, a quantos recuos e tiraram juridicamente conclusões de senhor? Ou o senhor? Ou a senhora?! sul-americanas,…). E – but not the le- fugas à retaguarda obrigas uma pobre desempenho gravoso, por que não pode um Ninguém! ast – pode até estar muito próximo um ministra, disposta já a dar todos os-ditos- governador do banco central ou um mem- E se em 2009 chegarmos aos 100%, ‘desespero’ global conducente a confron- por-não-ditos), Obras Públicas (afinal há bro do governo da República, desatentos com o endividamento externo debruado tos militarizados, que começarão nas zo- dinheiro ou não para Alcochete, TGV, das suas funções, serem igualmente impe- com os respectivos juros (o que significa nas do globo mais atingidas pela ressaca novas autoestradas, mais o supremo ri- didos de exercer cargos de responsabili- um país inteiro hipotecado ao estrangei- e se alargarão depois na medida dos dículo de querer saber o calendário de dade nacional por um período correspon- ro), alguém põe a corda do Egas Moniz grandes interesses mundiais: domínio das inaugurações e lançamento de primeiras- dente às falhas cometidas? Mudá-los de ao pescoço? O senhor aí, não?... É que fontes de energia, negócio de armas, for- pedras), Finanças (Orçamento, impostos, cargo ou de pasta, não dignifica o regime após os 100%, senhor ministro, o passo necimento alimentar a países emergen- défice, dívida pública, troca de mãos pe- nem redime a asneira. E só faltava a As- seguinte é a escassez galopante daquilo tes, e tudo o mais que os génios huma- los pés a cada intervenção pública), Ad- sembleia da República não deixar Vítor com que se compram os melões e que nos sabem inventar para cavalgar a vida ministração Interna (insegurança nas Constâncio e Teixeira dos Santos serem tem alimentado o crédito às famílias (bens, às costas dos mais desfavorecidos. Por- ruas, criminalidade exponencial, salada livremente ouvidos em sede da Comissão serviços, alguma alimentação), ao inves- que o fervor dos nacionalismos patrióti- de polícias). E por muito espírito de bom- Parlamentar de Economia e Finanças! timento (PMEs, matérias-primas, imobili- cos, esse ficou amarrado ao cadáver do beiro que o primeiro-ministro tenha, e lhe Estamos metidos numa camisa de ário), e por aí fora. E o nosso derrapar ao século XX! sobre vontade de apagar fogos, nem os onze varas, que veio para durar. E não é longo de anos, é filho único da crise finan- E neste contexto de camisa de onze rigores polares que nos visitam se lhe só por causa dos salpicos da crise finan- ceira externa? Ou é filho bastardo da vis- varas, a recente entrevista do primeiro- comparam: a água das boas-intenções ceira mundial! Sabe-se que assim é, e ta grossa que campeou à sombra do regi- ministro na SIC exalou uma evidente pre- gela à saída das mangueiras do discurso que a asneira nos entrou pela porta bem me? Ninguém pergunta? Ninguém respon- ocupação de não deixar instalar o pânico. político, por mais sedutor que ele seja! E mais cedo do que as pitonisas do poder de? Estamos amordaçados?! Que se louva! Mas o pagode está dema- nem a lenga-lenga da nossa meninice querem fazer-nos crer. Mas também se Os tempos em que a França e a Ale- siado ansioso, para perder tempo a deci- nortenha se vislumbra no horizonte: “era sabe que o tempo não é de instalar pâni- manha sustentavam uma CEE “dos frar entrelinhas bem-intencionadas: quer uma bez um vombeiro boluntário que cos que podem acabar com multidões Doze”, já foram: hoje é cada um a sacu- é saber se vai comer amanhã e quanto binha da vandas de Velém com o vico espezinhadas à saída de todos os túneis dir a chuvada que nos encharcou até aos lhe toca nos aumentos salariais de 2009. da vota a vater na varriga do vurro”! por onde navegaram enganadas com a ossos, e que apanhou toda a gente a pas- E nem se apercebeu, durante a entrevis- E neste país esquecido por Deus, con- promessa de luzes ao fundo! O momen- sear de manga curta. Como vai ser até ta, de eventuais lapsos de memória ou de tinuará a haver filhos e enteados, en- to é, antes de mais, de et pluribus unum ao fim deste QREN, coxo e desperdiça- perguntas-de-alhos com respostas-de-bu- quanto as culpas dos homens morrerem – e, nesse aspecto, partilho da opinião e do desde o início de 2007, e desde então galhos. Mas um erro de base – que o hou- solteiras! VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780

8 OPINIÃO 21 DE JANEIRO DE 2009 A MAIOR RIQUEZA: OBAMA E O MUNDO tando suspensos ou adiados os projectos SEMELHANTES de construção de dez novos hospitais. Só A lista das nomeações da nova equi- entre 2006 e 2007, as taxas moderado- pa da Casa Branca não entusiasmou ras nas Urgências aumentaram cerca de (...) Como recordava recentemente, em aqueles que, durante o último ano, fize- 23% e os processos de introdução no Santa Maria da Feira, num debate sobre o ram de Barack Obama uma espécie de mercado de medicamentos inovadores diálogo intercultural, o filósofo Fernando “bloquista” com talento e ginástica, a chegam a demorar três anos. O número Savater, a semelhança entre os seres hu- vaticinarem uns Estados Unidos trans- de médicos nos centros de saúde dimi- manos é que cria a riqueza e funda a huma- formados numa super-UNESCO ou nuiu e o número de hospitais especiali- nidade. Reconhecemo-nos, porque somos ONG esquerdista, esgotada nas causas zados passou de 21 para 15; o número semelhantes. Só porque o fundamental é a correctas do luso-utopismo. de camas foi reduzido, sendo certo que nossa semelhança é que há igualdade de o número de atendimentos aumentou. direitos e só porque não há diferença de di- Estou mesmo a falar de Portugal. reitos fundamentais é que há o direito à di- Este. Onde a politização férrea de car- ferença. Afinal, “não há ninguém tão con- AMÉRICA, AMÉRICA vencido da diferença como um racista”. gos na Saúde e a violação das boas polí- ticas nos podem comprometer, muitas Claro que, no encontro com o outro, nun- Não sei se o remorso curva a espinha vezes, a vida. (...) ca se pode esquecer que o outro é um ou- e ensombra o gesto. Nem sei o que pe- tro eu e ao mesmo tempo um eu outro, de sou mais nos últimos dias de George W. Paula Teixeira da Cruz tal modo que nunca nenhum de nós saberá Bush. Se a memória de como planeou Correio da Manhã 15/Janeiro/09 o que é e como é ser outro enquanto outro, vingar-se do pai, parecendo querer vin- eu outro. Mas o que mais nos interessa é a gar o pai; se o intuito de refazer a apa- semelhança, pois, nas diferenças, somos DESAFIOS DE UMA gada e vil imagem que a primeira meta- todos humanos, reconhecendo-nos. ESTRATÉGIA NACIONAL de da vida lhe traçou; se a pulsão da epo- Se me perguntam pelo fundamento últi- peia, às vozes e tambores dos evangéli- mo da dignidade humana, digo que é a nos- Para definir uma estratégia nacional cos; se o ter-se deslumbrado com a sim- sa comum capacidade de perguntar. O que realista e consequente, é preciso que te- ples e prática cupidez de Dick Cheeney. nos reúne é uma pergunta inconstruível, sem nhamos consciência da situação de que Estes são os condimentos principais que, limites, que tem na raiz o infinito e nele de- se parte, avaliando os pontos fortes e os num filme subestimado mas interessan- semboca, sendo as culturas tentativas de pontos fracos. Só com esta consciência te, Oliver Stone nos propõe para dosea- formulá-la e perspectivar respostas. se pode potenciar as vantagens dos pri- mento su misura. Eu não tento o meu. E Aqui, assenta a convivência fraterna e meiros e atenuar os inconvenientes dos não excluo uma abordagem mais singe- digna da Humanidade, reconhecendo to- O novo Presidente foi buscar a maio- segundos. Só assim é possível valorizar la: o que verga Bush são as sondagens dos como humanos. Mas, como também ria dos seus colaboradores à última Ad- o que é bom e transformar o que está de aceitação popular, nesse momento lembrou Savater, inimigos maiores desta ministração democrática - a de Bill Clin- mal. Acresce que num tempo de instabi- sem remédio que é a passagem aos ar- convivência são a pobreza e a ignorância. ton. A começar pela secretária de Esta- lidade e pessimismo generalizados como quivos da história americana. (...) Rejeitamos os pobres, porque metem medo: do, Hillary Clinton, a continuar na equipa é o nosso, em que todos os dias somos nada nos dão e obrigam-nos a dar. A igno- do Tesouro e a acabar no novo director da surpreendidos por notícias quase sempre Nuno Brederode Santos rância é outra fonte de susto: quando se CIA, Leon Panetta. Quanto ao Conselho más e de impacto negativo global, im- Diário de Notícias 18/Janeiro/09 não reconhece a semelhança, teme-se o Nacional de Segurança e ao Pentágono, porta conciliar os vários tempos de con- diferente. Obama optou pela continuidade de Robert cepção e de actuação, o curto e o médio PSD EM DIFICULDADES Aí está, pois, a urgência da solidarie- Gates e foi buscar o general James, um prazo que o imprevisto e a emergência dade, assente no reconhecimento da se- republicano, ex-comandante dos marines. exigem, com o longo prazo, no duplo pla- Manuela F. Leite parece queimar os melhança. (...) Um almirante, Denis Blair, ex-responsável no retrospectivo e prospectivo, que qual- últimos cartuchos e, se houver engenho, pelo Comando Militar do Pacífico, com- quer visão estratégica pressupõe. será Passos Coelho o senhor que se se- Anselmo Borges pletou o elenco à frente do NDI. Por isso, para reflectir sobre os desa- gue. Diário de Notícias (17/Janeiro/09) Mas mais que a questão da equipa, é fios de uma estratégia nacional, precisa- Está em marcha o projecto de substi- importante olhar o mundo que essa equipa mos também de projectar num horizonte tuição de Manuela Ferreira Leite à fren- A POLÍTICA DO MEDO vai encontrar. Que como sempre é o mes- temporal suficientemente lato - de 10 ou te do PSD. Várias personalidades de mo de ontem, mas também muito diferen- 15 anos - a ambição que se tem para topo do partido de Sá Carneiro têm-se (...) Hoje em dia, quer os magistrados te: em 2000, George W. Bush herdava a Portugal. (...) reunido com bastante frequência para do Ministério Público, quer os juízes, sen- continuidade do “momento americano”, no analisar a situação difícil em que o PSD tem receio na aplicação da prisão pre- termo da primeira década do pós-Guerra Jorge Sampaio se encontra e os efeitos negativos que ventiva. Fria; os Estados Unidos eram a potência, Diário de Notícias 15/Janeiro/09 daí resultarão caso este partido tenha nas E tudo acontece porque se trabalha a Rússia estava de rastos, a China crescia próximas eleições um resultado catastró- com meros indícios e não com prova se- mas não incomodava muito, os europeus AS “REFLEXÕES” fico. É consensual no seio do grupo que gura e porque o governo introduziu uma entretinham-se a discutir entre si projectos DE SAMPAIO se pôs em movimento, há cerca de um autêntica mudança de paradigma no qua- confederais e federais para a União. O mês, a ideia de que Manuela Ferreira dro da responsabilidade civil dos magis- Médio Oriente vivia o velho conflito israe- O documento que Jorge Sampaio fez Leite não pode nem consegue protago- trados pelas suas decisões, pretenden- lo-árabe e a África subsariana continuava publicar, anteontem, no DN, sob o título nizar uma candidatura vitoriosa. do, com esta mudança, utilizar este ins- marginalizada. (...) de “Cinco Reflexões sobre os Desafios Essa leitura negativa ganhou cores mais trumento como uma arma de controlo e de uma Estratégia Nacional”, comporta negras após a entrevista de Manuela Fer- de pressão sobre a actividade judicial. Maria José Nogueira Pinto uma forma de revolta delicada, uma crí- reira Leite a Judite de Sousa. A insegu- Sendo este o caminho, cedo chegará o Diário de Notícias 15/Janeiro/09 tica mansa, e um pouco melancólica, aos rança da líder dos social-democratas, a dia em que nos vão dizer como é que egoísmos corporativos, e o desejo de que dificuldade em dar respostas claras e con- devemos decidir. Já existia um quadro DA FALTA DE SAÚDE as fracturas sociais crescentes não atin- vincentes sobre áreas fundamentais da de responsabilidade civil, criminal e dis- jam zonas irremediáveis. O texto possui vida nacional, o pouco à-vontade eviden- ciplinar dos magistrados, semelhante ao (...) No mais, para além de cerca de a honestidade intelectual do autor e o ciado em sucessivas prestações no meio que existe noutros países europeus. Daí 600 mil doentes em listas de espera na sentido de um apelo que desemboca em televisivo, as incongruências do discurso que a mudança foi para apertar o cerco rede hospitalar – no 26º lugar numa lista largas inquietações. e o ziguezague do seu trajecto foram, em e fazer crescer o medo em detrimento de 31 países –, no sistema de cuidados Como se pode mobilizar um povo, con- síntese, as conclusões a que chegaram os da razão, que vai ficando cada vez mais de saúde, com indicadores equiparáveis vocá-lo para a causa comum, se a clas- barões desse grupo. (...) paralisada. (...) à Roménia e à Bulgária, também conti- se dirigente tem tripudiado sobre a cul- nuam os encerramentos dos SAP e a tura de relação de que se compõe a de- Emídio Rangel Rui Rangel extinção de serviços de urgência hospi- mocracia avançada? Nada nesse senti- Correio da Manhã 17/Janeiro/09 Correio da Manhã 14/Janeio/09 talar, sem alternativas assistenciais, es- do tem sido realizado, sequer tentado. O

21 DE JANEIRO DE 2009 OPINIÃO 9 próprio Sampaio, quando Presidente, ao mam-se umas banalidades veementes e espaço à esperança de que as coisas não daico, dos neoconservadores e, como rejeitar Ferro Rodrigues, e abrir as por- passa-se adiante, quando aquilo que ele correrão pior no ano novo, não foi ex- sempre, da corrupção dos líderes políti- tas a um intermezzo cómico, participou, constrói é uma máquina do mundo. (...) cepção encontrar registada a convicção cos árabes, reféns do petróleo e da aju- activamente, no retrocesso histórico que de que a nova Administração americana da financeira norte-americana. A guerra fez aumentar a indiferença e o desen- António Lobo Antunes reconhecerá que, sem uma solução jus- do Iraque foi uma antecipação de Gaza: canto portugueses. As desproporções Visão ta do conflito Israel-Palestina, será im- a lógica é a mesma, as operações são as obscenas entre os sacrifícios impostos e O MEDO possível conseguir uma estabilidade em mesmas, a desproporção da violência é as regalias generosamente distribuídas qualquer dos países onde cresce a acti- a mesma; até as imagens são as mes- por uma casta de privilegiados não são O silogismo mais picante das últimas vidade dos movimentos islamitas. Pas- mas, sendo também de prever que o re- de molde a entusiasmar a população. O semanas é o seguinte: o PS, com os seus sados tantos anos sobre a criação do sultado seja o mesmo. E não se foi mais discurso oficial desloca—se numa falsa porta-vozes a fazerem imensas vénias Estado de Israel, os mesmos anos da longe porque Bush, entretanto, se debili- euforia e passa para a depressão mais mui atentas, veneradoras e obrigadas, Declaração Universal dos Direitos Hu- tou. Não pediram os israelitas autoriza- inquietante. Ninguém, de boa fé, acredi- mostrou-se absolutamente de acordo manos, parece difícil racionalizar as cau- ção aos EUA para bombardear as insta- ta nestes “políticos”, cuja representação com o severíssimo diagnóstico feito pelo sas que impedem a paz entre os dois lações nucleares do Irão? É hoje evidente é diariamente demolida pelas evidências Presidente da República na sua mensa- povos, sendo que as premissas necessá- que o verdadeiro objectivo de Israel, a dos factos. E Jorge Sampaio bem o sabe. gem de Ano Novo; o PR, nos pontos prin- rias estão definidas. Designadamente, solução final, é o extermínio do povo pa- As “Reflexões” não eliminam o senti- cipais da sua mensagem, reiterou posi- poucos observadores duvidam de que o lestiniano. do crucial dos problemas, mas também ções críticas que já tinham sido clara- quarteto liderado por Tony Blair, envia- Terão os israelitas a noção de que a não indicam, ou sugerem, como seria mente assumidas por Manuela Ferreira do especial ao Próximo Oriente, esteja shoah com que o seu vice-ministro da natural, o combate ideológico contra a Leite; logo, o PS está de acordo com consciente de que, sem a intervenção Defesa ameaçou os palestinianos pode- ideologia que intimida os governos e os Manuela Ferreira Leite exactamente decidida dos Estados Unidos da Améri- rá vir a vitimá-los também? Não teme- intima a praticar regras unilaterais. Há, quanto a uma série de pontos em que ca, a solução não será encontrada. (...) rão que muitos dos que defenderam a em tudo isto, uma perversão moral que tinha tentado refutá-la com as excitadas criação do Estado de Israel hoje se per- condiciona o comportamento ético. O estridências do costume... Adriano Moreira guntem se nestas condições e repito: texto de Sampaio é omisso nestes aspec- Agora que o Banco de Portugal se viu Diário de Notícias 13/Janeiro/09 nestas condições o Estado de Israel tem tos, e percorre-se em generalidades. forçado a traçar o cenário mais negro direito de existir? dos últimos anos e a falar da entrada da REQUIEM POR ISRAEL? Baptista-Bastos economia portuguesa em recessão, a Boaventura Sousa Santos Diário de Notícias 14/Janeiro/08 manobra consistiu em o primeiro-minis- (...) É PRECISO RECUAR NO TEM- Visão tro abordar esse tema de véspera, numa PO. Não ao tempo longínquo da bíblia he- EDUARDO LOURENÇO entrevista à SIC Notícias, em que aca- breia, o mais violento e sangrento livro al- A CAIXA bou por confirmar o que a oposição já guma vez escrito. Basta recuar 60 anos, à (...) Sábado jantei com Eduardo Lou- tinha dito. Tudo para que as palavras de data da criação do Estado de Israel. Nas Ao contrário do que diz o anúncio, renço. No fim disse que não queria bo- Constâncio não fossem, como afinal fo- condições em que foi criado e depois apoi- banco não é Caixa. Talvez seja o primei- leia, que o hotel era mesmo ali e vi-o atra- ram também, um desmentido terrível das ado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o ro caso de publicidade que peca por de- vessar a rua em baixo, sozinho, um pouco afirmações que o chefe do Governo an- mais recente (certamente não o último) acto feito a gabar o seu produto. Na verdade, curvado, no seu passo miúdo e comoveu- dava por aí a fazer... colonial da Europa. De um dia para o ou- a Caixa é muito mais do que um banco – me vê-lo caminhar noite fora, de cache- Depois de umas 150 sessões de des- tro, 750 mil palestinianos foram expulsos é uma espécie de mãe de todas as insti- col ao pescoço, a ferver de vida entre os pacho com Sócrates à quinta-feira, o PR das suas terras ancestrais e condenados a tuições de crédito. Desde que a crise candeeiros. Eu passo o tempo a delirar, deve andar perfeitamente estarrecido uma ocupação sangrenta e racista para começou, a Caixa tem andado a salvar dizia ele, mas só deliro para dentro por- com o PM que nos saiu na rifa. que a Europa expiasse o crime hediondo tantos bancos que receio sinceramente que se delirar para fora internam-me. E do Holocausto contra o povo judeu. que, em breve, seja preciso salvar a Cai- fico a assistir, calado, enquanto fala. Lem- Vasco Graça Moura Uma leitura atenta dos textos dos sio- xa. Directa ou indirectamente, a Caixa bro-me que há uns anos, em Bordéus jul- Diário de Notícias 14/Janeiro/09 nis- tas fundadores do Estado de Israel contribuiu para ajudar primeiro o BPN e go eu, falámos a quatro mãos de Litera- revela tudo aquilo que o Ocidente hipocri- depois o BPP. O que, sendo preocupan- tura sem nada preparado, nada pensado, PRISÕES tamente ainda hoje finge desconhecer: a te (menos para quem tem o dinheiro no assim de improviso, nos divertimos imen- criação de Israel é um acto de ocupação e BPP), não surpreende. É certo que o BPP so e deu-me ideia que a assistência tam- (...) Nos 50 estabelecimentos prisio- como tal terá de enfrentar para sempre a é um banco que gere grandes fortunas, bém. Na altura cochichei-lhe nais portugueses (28 regionais, 17 cen- resistência dos ocupados; não haverá nun- mas a Caixa é um

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