O Centro - n.º 65 – 31.12.2008

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News & Politics

Published on July 27, 2009

Author: manchete

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Versão integral da edição n.º 65 do quinzenário “O Centro”, que se publica em Coimbra. Director: Jorge Castilho. 31.12.2008.

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2 NACIONAL 31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 BT “PREOCUPADA” E “APREENSIVA” COM AUMENTO DE FERIDOS GRAVES Por si e pelos outros conduza com cuidado! O aumento do número de feridos gra- “Os números mostram uma inadequa- período de tempo “curto que não dá para Destes 136 condutores com excesso de ves na Operação Natal da Brigada de ção de comportamentos”, disse Lourenço fazer grandes análises ou extrapolações”, álcool, 41 foram detidos e presentes a tri- Trânsito da GNR em relação ao ano pas- da Silva, apelando “à mudança de com- o responsável da BT acrescentou ter havi- bunal por apresentarem taxas de alcoole- sado é uma “preocupação e apreensão” portamentos na estrada, nomeadamente do “uma diminuição significativa do núme- mia igual ou superior a 1,20 gramas de ál- desta autoridade, disse hoje à agência Lusa maior civismo, redução da velocidade, au- ro de acidentes com consequências me- cool por litro de sangue, o que constitui cri- fonte da BT. mento da distância de segurança e uso dos nos graves e menos um morto”. me, acrescentou Lourenço da Silva. “Os 49 feridos graves resultantes dos médios”, já que, sustentou, “a estrada deve Lourenço da Silva apelou aos automo- Foram ainda detectados 112 conduto- 1.304 acidentes registados este ano, mais ser um local de prazer e não de morte”. bilistas para que na passagem de ano cum- res em infracção por o seguro da viatura 17 do que em igual período do ano passa- Acrescentou que nos seis dias que du- pram as regras de segurança “tanto mais não estar em dia e foi prestado auxílio a do, é um número que nos deixa muito apre- rou a Operação Natal - que começou às que as previsões meteorológicas apontam 1.243 condutores em dificuldades, referiu. ensivos e pouco satisfeitos, já que contra- 00:00 da passada terça-feira e terminou às para a existência de chuva e esta é inimiga A Operação Natal da BT mobilizou uma ria a tendência a que temos assistido de 24.00 de domingo - a BT da GNR contabi- da condução”, conduzam de forma “tran- média diária de 2.300 militares das briga- há algum tempo a esta parte”, disse o lizou 1304 acidentes, menos 122 do que em quila” e “não bebam”. das de trânsito, territoriais e fiscal que inte- major Lourenço da Silva. 2007, dos quais resultou um morto (menos Durante os seis dias da Operação Natal, graram “uma média diária de 1.100 patru- Para o responsável, apesar de seis dias um do que em 2007), 49 feridos graves e a BT da GNR registou ainda 3.500 casos lhas”, disse o major da BT. “ser um período muito curto que não dá 378 feridos ligeiros (menos 54 do que em de condução em excesso de velocidade, Os meios disponíveis durante a Opera- para fazer grandes análises, os números 2007). foram autuadas 4.911 pessoas, foram levan- ção Natal são os mesmos mobilizados para em relação aos feridos graves vão contra Sublinhando tratarem-se de números tados 157 autos por falta do uso do cinto de a de Ano Novo, que começou às 00:00 de a corrente do que tem acontecido nos últi- “provisórios”, relativos apenas à área de segurança e 136 pessoas foram apanhadas ontem (terça-feira) e termina às 24:00 de mos tempos e do que seria de esperar”. actuação da GNR e reportarem-se a um a conduzir com excesso de álcool. domingo. Coimbra: 3 detidos em operação da PSP a que assistiu o Governador Civil Três pessoas foram detidas durante Na operação, que pretendeu essenci- ordenações muito graves, oito graves e “Penso que acções como esta são uma operação no âmbito do “Natal em almente fiscalizar “as situações de trân- 10 leves. importantes pois controlam os factores Segurança” da PSP, que decorreu du- sito”, foram controlados 206 condutores, Numa operação em que participaram que mais acidentes causam, como o ex- rante a madrugada na região de Coim- 80 no posto de fiscalização da Avenida 45 elementos, apoiados por 10 viaturas, cesso de velocidade ou a ingestão de ál- bra, revelou à Agência Lusa o comis- Sá da Bandeira e 126 na Avenida Men- a PSP efectuou ainda uma fiscalização cool”, afirmou o governador civil de Co- sário Dinis. des Silva, onde estava montado um radar a oito estabelecimentos de diversão noc- imbra. Uma pessoa foi detida por apresen- de controlo de excesso de velocidade. turna, destacando-se um deles que fun- Henrique Fernandes sublinhou que tar excesso de álcool no sangue, outra No total, a PSP multou três conduto- cionava sem alvará. apesar desta ser uma operação de fis- por não possuir carta de condução e res por conduzirem sob o efeito do álco- A operação foi acompanhada pelo calização acabou por ter um carácter um terceiro indivíduo foi encaminhado ol, cinco por falta de documentação apro- governador civil de Coimbra, Henrique “preventivo” e “pedagógico” e assina- para o Estabelecimento Prisional de priada e dois por desobediência ao sinal Fernandes, segundo o qual o “balanço lou, em tom de brincadeira, o caso de Coimbra por ser alvo de um mandado de paragem dos agentes no local. foi positivo”, numa altura em que a “ci- duas transeuntes que mesmo deslocan- de captura pendente, o que ditou a sua Relativamente ao excesso de veloci- dade funciona a meio gás devido às féri- do-se a pé pretendiam submeter-se ao prisão efectiva. dade, a PSP contabilizou duas contra- as dos estudantes”. teste de alcoolemia. Director: Jorge Castilho (Carteira Profissional n.º 99) Propriedade: Audimprensa NIF: 501 863 109 Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho ISSN: 1647-0540 Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Composição e montagem: Audimprensa Rua da Sofia, 95, 2.º e 3.º - 3000-390 Coimbra Telefone: 309 801 277 - Fax: 309 819 913 e-mail: centro.jornal@gmail.com Impressão: CORAZE Oliveira de Azeméis Campanha apoiada pelo jornal Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem: 10.000 exemplares

31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 NACIONAL 3 Passagem de ano: rituais para trazer boa sorte Uns têm origens seculares, ou- acreditem que tudo pode mudar de rem boa sorte para o amor, são supersti- tros ninguém sabe como surgiram, 31 de Dezembro para 1 de Janei- ções ligadas a esta ideia de novo come- mas todos visam trazer boa sorte ro. Por isso, acham que a probabi- ço, assim como a ancestral tradição de para o ano que começa. Dos mais lidade de se cumprirem os desejos deitar fora objectos velhos que perderam crentes aos mais cépticos, na noi- é maior se eles forem pedidos nes- a utilidade. te do réveillon poucos são os que se momento de transição”, afirma Fazer barulho é igualmente um dos dispensam rituais que prometem Moisés Espírito Santo. mais antigos, mas também mais enraiza- dinheiro, saúde e amor. Também por essa razão, este dos rituais associados ao reveillon, um “Cumprir alguns rituais dá um é, frequentemente, o momento es- pouco por todo o mundo. Seja gritar, lan- certo conforto psicológico. Mes- colhido para tomar decisões im- çar foguetes ou bater em panelas, a ideia, mo quem não acredita em supers- portantes e até mudar de vida: adianta o sociólogo, “é espantar os maus tições, acaba muitas vezes por fazer dieta, deixar de fumar, pas- espíritos, os demónios e os velhos fan- perpetuá-las, considerando que sar mais tempo com a família ou tasmas que possam ter atormentado ou não custa nada e, pelo sim, pelo casar, por exemplo, são resolu- perturbado o ano que passou”. não, é melhor cumpri-las, não vá ções com que muitos se compro- Entre as superstições que prometem dar-se o caso de até funcionarem”, metem para o ano que está pres- bons augúrios para o futuro, subir a uma explica o sociólogo e professor da tes a começar. cadeira à meia-noite é, supostamente, Universidade Nova de Lisboa Até porque virar a última folha sinónimo de prosperidade, assim como Moisés Espírito Santo. do calendário é como “começar ter uma nota no bolso ou atirar moedas Para este especialista, o peso da tra- Marktest em 2006, só 30 por cento dos tudo de novo”, mas com esperanças for- ao ar, no momento em que soar a última dição acaba por gerar uma pressão co- inquiridos afirmaram não ter nenhuma su- talecidas numa vida mais feliz. O con- badalada. lectiva e até alguma “coacção social” no perstição associada ao réveillon. Comer ceito de renovação é, aliás, um dos mais Numa altura de crise económica, é sentido de se cumprirem estes rituais: “se 12 passas nos segundos finais do último fortemente associados a esta época, es- provável que muitos não se esqueçam toda a gente faz, por que razão não hei- dia do ano e, por cada uma, pedir um tando subjacente a quase todas as tradi- de os cumprir. Até porque estes rituais de fazer também?”, é a pergunta, por desejo é, de longe, a tradição mais popu- ções da passagem de ano. da passagem de ano são como as bru- vezes inconsciente, que muitos se colo- lar entre os portugueses. Estrear uma peça de roupa interior ou xas: ninguém acredita, mas… cam. “Há uma visão mágica associada a fazer a cama com lençóis nunca antes Segundo um inquérito realizado pela esta data, que faz com que as pessoas usados, que a crendice assegura traze- Joana Bastos (Lusa) ORIGINAL PRESENTE POR APENAS 20 EUROS AUDIMPRENSA Jornal “Centro” Ofereça uma assinatura do “Centro” Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA e ganhe valiosa obra de arte Poderá também dirigir-nos o seu pe- dido de assinatura através de: telefone 309 801 277 Temos uma excelente sugestão ma tão original, está a desabrochar, sua casa (ou no local que nos indicar), fax 309 819 913 para uma oferta a um Amigo, a um simbolizando o crescente desenvolvi- o jornal “Centro”, que o manterá ou para o seguinte endereço Familiar ou mesmo para si próprio: mento desta Região Centro de Portu- sempre bem informado sobre o que de de e-mail: uma assinatura anual do jornal gal, tão rica de potencialidades, de His- mais importante vai acontecendo nes- centro.jornal@gmail.com “Centro” tória, de Cultura, de património arqui- ta Região, no País e no Mundo. Para além da obra de arte que des- Custa apenas 20 euros e ainda re- tectónico, de deslumbrantes paisagens Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, de já lhe oferecemos, estamos a pre- cebe de imediato, completamente (desde as praias magníficas até às ser- por APENAS 20 EUROS! parar muitas outras regalias para os grátis, uma valiosa obra de arte. ras imponentes) e, ainda, de gente hos- Não perca esta campanha promo- nossos assinantes, pelo que os 20 eu- Trata-se de um belíssimo trabalho pitaleira e trabalhadora. cional e ASSINE JÁ o “Centro”. ros da assinatura serão um excelente da autoria de Zé Penicheiro, expres- Não perca, pois, a oportunidade de Para tanto, basta cortar e preen- investimento. samente concebido para o jornal receber já, GRATUITAMENTE, cher o cupão que abaixo publicamos, O seu apoio é imprescindível para “Centro”, com o cunho bem carac- esta magnífica obra de arte (cujas di- e enviá-lo, acompanhado do valor de que o “Centro” cresça e se desen- terístico deste artista plástico – um mensões são 50 cm x 34 cm). 20 euros (de preferência em cheque volva, dando voz a esta Região. dos mais prestigiados pintores portu- Para além desta oferta, o beneficiá- passado em nome de AUDIMPREN- gueses, com reconhecimento mesmo rio passará a receber directamente em SA), para a seguinte morada: CONTAMOS CONSIGO! a nível internacional, estando repre- sentado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, Desejo oferecer/subscrever uma assinatura anual do CENTRO com o seu traço peculiar e a incon- fundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para represen- tar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é repre- sentado por um elemento (remeten- do para o respectivo património his- tórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta for-

4 REPORTAGEM 31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 FILHO EVOCA A VITÓRIA DA GUERRILHA CUBANA HÁ 50 ANOS Marinheiro da Lousã participou na O filho do marinheiro português Adelino Mendes, que participou na Revolução Cubana, recordou ontem (terça-feira, dia 30 de Dezembro) a entrada dos guerrilheiros em Havana, há 50 anos, considerando que a “acer- tada liderança de Fidel” foi decisiva para a vitória. Ismael Mendes Boulet disse à agên- cia Lusa que Fidel Castro e seus com- panheiros da Sierra Maestra, onde co- meçou a luta armada, em 1956, con- seguiram imprimir ao Exército Rebel- de “um alto nível combativo” que as- segurou a derrota das tropas de Ful- gêncio Baptista. “A vitória da Revolução, no primei- ro de Janeiro de 1959, foi possível, ain- da, devido à greve geral revolucioná- ria decretada por Fidel, a qual eviden- ciou o apoio do povo e a sua unidade em torno do Exército Rebelde”, de- clarou, a partir de Havana, aquele major reformado da Força Aérea Cu- bana. Adolescente quando as tropas de Fi- del Castro, Che Guevara, Camilo Ci- Ao lado, o cartão de sócio da Confederação do Trabalhadores enfuegos e Raul Castro entraram na de Cuba de Adelino Mendes, que foi condecorado por Fidel capital de Cuba, Ismael fez um relato Castro pela sua participação na Revolução Cubana (foto emotivo dos acontecimentos político- acima). Adelino Mendes já antes, em 1936, participara na Revolta dos Marinheiros contra Salazar, em Lisboa, tendo-se militares que marcaram para sempre refugiado em Cuba durante a II Guerra Mundial a vida da família. Adelino Mendes participou na “Revolta dos Marinheiros” contra Salazar O português Adelino Mendes, con- decorado por Fidel Castro pela sua par- filha mais velha, Arminda, deu o nome ticipação na Revolução Cubana, inte- de uma vizinha da Lousã por quem nu- grou em 1936 a Revolta dos Marinhei- triu especial simpatia. ros contra Salazar, em Lisboa, tendo- Ao segundo filho, oficial reformado se refugiado em Cuba durante a II das Forças Armadas Revolucionárias, Guerra Mundial. chamou Ismael, em homenagem ao seu Filho de humildes camponeses da companheiro Ismael Fernandes “Leitei- Serra da Lousã, Adelino Mendes, que ro”, morto na Revolta dos Marinheiros. apascentara ovelhas e cabras antes de Lusitânia, a mais nova, exaltava a ingressar na Armada, juntou-se aos co- pátria lusa onde sonhou regressar em munistas do Partido Socialista Popular 1975, ano em que morreu de ataque (PSP, marxista-leninista), em 1941, e cardíaco, em Havana. veio a participar activamente na Revo- Dos três filhos de Adelino e da cos- lução Cubana. tureira havanesa Maria del Cármen Em Havana, onde chegou a bordo do Boulet Rovira, Ismael é o único so- navio “Guiné”, foi recebido pelo secre- brevivente. tário-geral dos comunistas cubanos, Nos últimos anos, os descendentes Blas Roca. cubanos do revolucionário da Serra da Rejubilou, em 1959, com a entrada do Familiares do português Adelino Mendes (da esquerda para a direita da imagem): Lousã adquiriram a nacionalidade por- Exército Rebelde em Havana, após ter Liber (neto), Elizabeth (bisneta), Lídice (neta), Sofia (bisneta) e Tamara Mendes (neta) tuguesa. que residem em Portugal, na Lousã integrado a rede clandestina de apoio à Fechando a diáspora encetada pelo insurreição da Sierra Maestra, coman- Em 1979, no 20º aniversário do triun- de Combatente da Luta Clandestina. avô há 67 anos, vários netos e bisne- dada por Fidel Castro, Che Guevara, fo da Revolução, o líder cubano distin- Adelino Mendes trabalhou no Minis- tos têm vindo a fixar-se em Portugal Camilo Cienfuegos e Raul Castro. guiu-o, a título póstumo, com a medalha tério do Interior de Cuba, após 1959. À e Espanha.

31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 REPORTAGEM 5 luta ao lado de Fidel de Castro O português Adelino Mendes (à direita na imagem) foi um revolucionário Ernesto Che Guevara (em cima, à esquerda, com Fidel), foi um dos mais em Portugal e em Cuba, mas também um trabalhador incansável, carismáticos e famosos combatentes da Revolução Cubana. Mas esta só que se especializou a cozinhar “tamales” (especialidade da gastronomia cubana) triunfou porque outros combatentes anónimos, como o português Adelino Mendes, nela arriscaram a vida nha família”, disse Ismael Mendes. que mais tarde se exilou, rompendo O filho de Adelino Mendes recor- com Fidel], que sintonizávamos em dou “a entrada dos barbudos em Ha- casa”, relatou Ismael Mendes. vana, o que confirmou o triunfo da Re- Na madrugada de 1 de Janeiro, os volução”, designadamente a tomada Mendes souberam da fuga de Fulgên- do quartel de Columbia, por Camilo, e cio Baptista através de Damián Alfon- das fortalezas da Cabaña e do Morro, so, líder do M 26-7 na zona de Maria- por Che, bem como a conquista de nao. Santiago de Cuba, por Fidel, que en- “Bateu à porta às 02:00 da manhã. trou na capital a 08 de Janeiro. Neste dia, “toda a família Mendes assistiu e ouviu, no polígono de Co- lumbia, o histórico discurso de Fidel Castro”. “Nos primeiros dias de 1959, não se trabalhou na pequena fábrica de ‘tamales’. Foi mais intenso o trabalho de propaganda, a imprimir proclama- ções e comunicados. Família, vizinhos Fidel Castro partiu da Sierra Maestra com um punhado de combatentes mal armados e amigos, estávamos todos unidos e mal preparados, mas o movimento foi engrossando e conquistando terreno até para consolidar a vitória”, contou. entrar em Havana e instaurar o regime revolucionário que se mantém até hoje Em casa dos Mendes, em Maria- nao, reuniam-se com frequência cú- Exilado em Cuba desde 1941, Ade- “tamales” (comida popular de Cuba, pulas do Movimento 26 de Julho (M lino Mendes, natural da Lousã, era ca- à base de milho moído e carne de por- 26-7) e ali existia um policopiador com Vinha anunciar que o tirano Fulgên- sado com a costureira comunista Ma- co, embrulhada nas folhas do próprio que reproduziam a propaganda clan- cio Baptista fugira de avião para São ria del Cármen Boulet Rovira e tor- cereal), os quais chegou a vender ao destina, que integrou mais tarde o es- Domingo”, lembrou o engenheiro de nou-se, como ela, militante activo do Colégio de Belém, a instituição religi- pólio do Museu da Revolução. aeronaves. Partido Socialista Popular (PSP), em osa onde o jovem Fidel Castro Ruz es- “Em meados de Dezembro de 1958, Mais tarde, Damián Alfonso será o Havana, onde morreu, em 1975. tudou antes de ingressar na Faculda- a família estava perfeitamente a par responsável máximo do Partido Co- Em 1979, no 20º aniversário da Re- de de Direito. da situação política que se vivia em munista Cubano na província de volução, foi agraciado por Fidel a tí- “Muitos revolucionários que esta- Cuba, graças à informação da Rádio Granma. tulo póstumo, com a medalha de Com- vam presos foram libertados, o júbilo Rebelde [que emitia da Sierra Maes- batente da Luta Clandestina. da população foi imenso e este senti- Texto de Casimiro Simões tra, sob a direcção de Carlos Franqui, Fotos de Paulo Novais (Lusa) e arquivo Adelino ganhava a vida a produzir mento reflectiu-se amplamente na mi-

6 INTERNACIONAL 31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 ALERTA DOS “MÉDICOS SEM FRONTEIRAS” Crises humanitárias em vários pontos do Globo A violência na Somália, a desloca- nos. Esta lista tem como objectivo pro- berculose e a malária foram ignora- “Em alguns destes locais é extre- ção forçada de civis no leste do Con- mover uma maior sensibilização para as das pelo governo militar, apesar de mamente difícil aos grupos de ajuda go e as emergências médicas negli- crises que podem não receber a devida serem responsáveis pela morte de aceder às populações. Quando somos genciadas em Myanmar e Zimbabué atenção da imprensa. dezenas de milhares de pessoas todos capazes de prestar assistência temos figuram entre as dez maiores crises A organização humanitária afirma os anos, afirma a MSF. uma responsabilidade especial de tes- humanitárias de 2008, segundo a or- que a Somália viveu este ano uma das No Zimbabué, o grupo sublinha o temunhar e divulgar este intolerável ganização Médicos Sem Fronteiras. piores crises de violência da última dé- colapso económico de longo prazo no sofrimento, bem como chamar a aten- “Com a divulgação desta lista anu- cada, agravada pela deterioração dos âmbito da presidência de Robert Mu- ção para as necessidades humanitári- al esperamos centrar a atenção sobre sistemas de saúde. Actualmente, uma gabe. Segundo a organização interna- as básicas”, afirmou Fournier. os milhões de pessoas que estão pre- em cada dez mulheres daquele país cional, uma taxa de inflação de 231 Os confrontos nas zonas tribais do Pa- sas em situações de conflito e guerra, morre durante o parto e uma em cin- por cento deixou muitas pessoas sem quistão, a continuação da crise no Darfur, afectadas por crises médicas, cujas co crianças não atinge os cinco anos dinheiro até para pagar o bilhete de a guerra civil no Sudão e a desnutrição, necessidades imediatas e essenciais de idade. autocarro para se deslocarem a uma que mata cinco milhões de crianças e jo- de saúde são negligenciados, e cuja No leste do Congo, os novos com- clínica. Neste país, dois milhões de vens todos anos, além da tuberculose li- situação muitas vezes passa desper- bates entre o governo e os grupos ar- pessoas estão infectadas com o vírus gada ao vírus HIV – que mata 1,7 mi- cebida”, afirmou o presidente do Con- mados obrigaram centenas de milha- da SIDA e a esperança média de vida lhões de pessoas por ano – integram ain- selho Internacional do grupo, Cristo- res de pessoas a refugiarem-se na sel- é de 34 anos. da a lista da organização. phe Fournier, numa declaração a pro- va, deixando-as com pouco ou nenhum Já no Iraque, os esforços humani- A lista não configura um ranking pósito da divulgação desta lista. acesso a cuidados de saúde, água, ali- tários são frustrados pela politização das crises mais graves, mas apenas o Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) mentos e abrigo. da distribuição da ajuda, pelas forças enumerar das que são consideradas começaram a divulgar este documento O ciclone Nargis, que provocou cer- militares e políticos, tornando as or- mais devastadoras. anualmente em 1998, quando uma de- ca de 130 mil mortos e desapareci- ganizações alvo de ataques violentos, A Médicos Sem Fronteiras é uma vastadora fome no sul do Sudão passou dos, levou uma torrente de ajuda in- num país onde cerca de quatro milhões organização humanitária de emergên- despercebida a grande parte dos meios ternacional a Myanmar (antiga Birmâ- de pessoas foram deslocadas pela cia que presta assistência médica às de comunicação social norte-america- nia), mas doenças como a SIDA, a tu- guerra, acrescenta o relatório. populações em risco em 70 países. 2008: um ano de fortes emoções que avança como uma avalanche, reduziu dão da Europa de assumir mais ónus no mero da revista «A Rússia na Política Glo- drasticamente as remessas dos imigrantes Próximo e Médio Oriente. Claro, futura- bal» o Prof. S. K. Dubinin: «O maior pro- Fiodor Lukyanov * para a Moldova, a Arménia, a Geórgia, a mente, recusar pedidos formulados por blema, diria eu, o problema existencialista, Ucrânia, o Azerbaijão, a Quirguísia, o Tad- Barack Obama, quase deificado pela Eu- que divide a Rússia e os EUA, é o desejo jiquistão e o Uzbequistão, que estão a ser ropa Ocidental, será muito mais difícil que de Washington de privar Moscovo da pari- Fazer agora o balanço da política ex- enviadas não apenas a partir da Rússia (com declinar as repetidas súplicas de George dade no domínio de armas nucleares e mís- terna russa e internacional em 2008 é um cerca de 30 milhões de estrangeiros legais W.Bush. A julgar pela recente tragédia em seis balísticos, herdada da época soviética. trabalho pouco grato: há imenso materi- e clandestinos), como também da Europa Bombaim, também o nó afegão-paquis- Este desejo é explicável. A Rússia é a úni- al para análise, mas ainda está cedo e e dos EUA. tanês promete desenvolvimentos com ca potência no mundo capaz de destruir, arriscado tirar conclusões definitivas. Os Em teoria, isto abre boas perspecti- consequências imprevisíveis. em sentido directo, os EUA». processos que têm decorrido no mundo vas para Moscovo tentar reforçar as suas nos últimos 12 meses irão ter, sem dúvi- posições na CEI. Mas, na prática, tudo AS ESPERANÇAS OS DILEMAS DE MOSCOVO da, uma continuação. dependerá da capacidade da própria Rús- DIFICILMENTE REALIZÁVEIS Com certeza só se pode afirmar que sia de resistir eficazmente à crise que já A futura correlação das forças no para a Rússia a crise no Cáucaso, no mês começou a afectar a sua economia, for- A crise financeira e os sapatos gastos mundo dependerá em muito da resistên- de Agosto, se tornou no mais importante temente dependente dos preços do pe- de um jornalista iraquiano puseram pon- cia revelada nas condições da recessão acontecimento do ano. A sua influência tróleo e do gás natural. to final na presidência de George W. que alastra. Moscovo terá que empre- sobre a política externa de Moscovo con- Bush. O seu balanço é visto como de- ender sérios esforços para manter fir- tinua por avaliar. OS PROBLEMAS DA NATO sastroso em todas as esferas. mes as suas posições entre aquelas po- Também merece toda a atenção o sis- As eleições presidenciais nos EUA tências que vão liderar a ordem mundial. tema de relações que se constrói actual- O ano de 2008 criou inúmeros proble- têm demonstrado claramente a vontade Para a Rússia o ano de 2008 era cheio mente no espaço pós-soviético. Os go- mas para a NATO. Por um lado, o conflito da sociedade de ver mudanças reais no de fortes emoções: com os preços do vernantes de todos os Estados Indepen- militar entre a Geórgia e a Rússia no Cáu- país, embora seja difícil prever agora a petróleo a subirem vertiginosamente no dentes debatem-se com a questão ful- caso ajudou a Aliança a voltar à agenda de sua dimensão e alcance. primeiro semestre, um inesperado con- cral: como garantir a sua segurança? Por segurança colectiva no seu padrão tradicio- As esperanças, que não apenas a so- flito militar no Cáucaso em Agosto, e os agora não existe uma resposta clara nem nal, isto é, a segurança contra Moscovo. ciedade norte-americana, como também preços do petróleo a cairem perigosa- para os países da Comunidade de Esta- O fantasma de expansionismo russo ani- o mundo inteiro, depositam sobre Bara- mente nos últimos meses. dos Independentes (CEI), nem para a mou os partidários do velho atlantismo e da ck Obama, são, ao que parece, dificil- Por enquanto, a inércia das expectati- NATO, os EUA e a Rússia, que poderi- «guerra fria» finda. Mas muitos na NATO, mente realizáveis. O novo Presidente terá vas iniciais de bons ritmos de desenvol- am, em princípio, apresentar-se como mesmo entre os inclinados para ver na Rús- indubitavelmente uns 6-12 meses para vimento e de altos preços do petróleo tem garantes da segurança destes Estados. sia uma ameaça real, não estão prontos a mostrar os seus verdadeiros desígnios e impedido Moscovo de definir uma hie- A crise financeira mundial tem contri- assumir as obrigações de defender, a qual- o talento real. Passado este estado de rarquia de prioridades, a fim de pôr de buído para complicar ainda mais a situa- quer preço, os seus parceiros. graça, poderá facilmente tornar-se refém lado o secundário e canalizar os recur- ção na CEI. Segundo mostra a experiên- Por outro lado, a NATO cumpre as da sua, já amplamente difundida, imagem sos para o mais necessário. Colocar os cia de 1998, quando Moscovo estava lite- suas tarefas militares reais longe do es- de milagreiro. desejos e as esperanças em conformi- ralmente à beira de falência financeira, uma paço euroatlântico, principalmente no Afe- Isto diz respeito também às relações dade com as possibilidades reais do país recessão económica na Rússia reflecte-se ganistão, onde a situação não pára de pi- EUA-Rússia, que são, regra geral, de suma será, para Moscovo, uma das tarefas dolorosamente nos países vizinhos. Esta vez orar. Para restabelecer a antiga unidade importância para as administrações norte- inadiáveis em 2009. a situação está ainda mais grave. A crise, da NATO a questão crucial será a pronti- americanas. Como escreve no último nú- * in revista A Rússia na Política Global

31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 NACIONAL 7 2008 põe termo à “cooperação estratégica” entre Cavaco e Sócrates O ano de 2008 foi de “altos e baixos” institucional existente entre os diversos na cooperação estratégica entre o Gover- órgãos de soberania até ao último dia do no e o Presidente da República, com a mandato”. polémica sobre o Estatuto dos Açores a “Eu disse logo no primeiro dia em que abalar o relacionamento entre Cavaco assumi funções que essa seria a minha Silva e José Sócrates. conduta e assim deverá ser até ao último Se dúvidas houvesse sobre a quebra dia do meu mandato”, afirmou há pouco da cordialidade institucional, elas ficaram mais de um mês. completamente dissipadas com a comu- “Eu terei sempre uma atitude constru- nicação ao País feita anteontem (segun- tiva e, quando falo ou tenho intervenções, da-feira) por Cavaco Silva, de novo em o objectivo é sempre tentar ajudar a re- directo nos telejornais da hora do jantar solver os problemas de Portugal”, disse (os que atingem maior número de portu- ainda o Presidente da República, que tam- gueses), onde o Presidente da República, bém já repetiu mais do que uma vez que sem disfarçar a sua contrariedade, deu a pretende ser um “factor de estabilidade”. entender que considerava ter sido alvo de À margem destas questões, o Chefe uma afronta no caso do Estatuto dos Aço- de Estado prosseguiu em 2008 os seus res. O tom e o conteúdo da comunicação roteiros para o Património e para a Ju- foram de tal modo crispados, que a gene- ventude, iniciativas onde faz sempre ques- ralidade dos comentadores referiu que tão de mostrar “os bons exemplos” do que para haver coerência com a sua interven- se faz em Portugal. ção, o Presidente deveria dissolver a As- Ao longo de 2008, Cavaco Silva cum- sembleia da República. priu igualmente uma intensa agenda in- Os ‘avisos’ de Cavaco Silva começa- ternacional, com quatro viagens inter-con- ram logo na tradicional mensagem de Ano tinentais, que o levaram a Espanha, Jor- Novo, com o Presidente da República a dânia, Brasil, Moçambique, Estados Uni- dar conta da sua insatisfação com os re- dos da América, Polónia e Eslováquia. sultados obtidos no ano anterior na eco- Esta “agenda internacional muito inten- nomia, educação e justiça e a apelar ao sa” do Presidente da República foi, aliás, diálogo do Governo para reduzir as con- a justificação avançada por Belém para flitualidade e tensões. Cavaco Silva não participar na XVIII Ci- Aliás, os apelos à serenidade, primeiro meira Ibero-Americana, que teve lugar no no sector da Saúde, ainda antes da de- final de Outubro, em El Salvador. missão do então ministro Correia de Cam- Para 2009, Cavaco Silva, que já asse- pos, depois no sector da Educação e, mais dois terços dos deputados na Assembleia chefe de Estado enviou para o Tribunal gurar falar sempre “verdade” aos portu- tarde em relação às Forças Armadas, fo- da República, na semana anterior. Mas, Constitucional o diploma de revisão do Có- gueses e exortou todos os agentes políti- ram uma constante no discurso do Presi- de uma foprma como antes nunca suce- digo do Trabalho, requerendo a fiscaliza- cos a seguirem a sua conduta, as pers- dente da República ao longo dos 12 me- dera, deixou claro que se sentia ofendido, ção preventiva da norma que alarga para pectivas parecem não ser as melhores. ses de 2008. pelo que, implicitamente, a tensão com o 180 dias a duração do período experimental “Os portugueses, falando verdade, de- Contudo, acabou por ser o Estatuto Po- Governo deverá agora aumentar. da generalidade dos trabalhadores. vem estar preparados para um 2009 que lítico-Adminstrativo dos Açores o ponto Ainda no Verão, a nova Lei do Divórcio Esta decisão de Cavaco Silva irá, as- não será nada fácil”, afirmou há cerca de de maior ‘tensão’ entre o Governo de mereceu igualmente um veto político de sim inviabilizar a entrada em vigor do novo três semanas, apelando, uma vez mais à maioria socialista e o chefe de Estado, que Cavaco Silva, que acabou por promulgar o Código do Trabalho em Janeiro de 2009, união de todos. já manifestou a sua “objecção de fundo” diploma depois das alterações introduzidas tal como o Governo pretendia. “Não será um ano fácil, mas não pode ao diploma que vetou considerando que na Assembleia da República, sem, contu- Não obstante os vetos, avisos e aler- ser um ano de baixar braços, de desistir”, estão “em sério risco os equilíbrios políti- do, deixar de alertar para as situações de tas, o chefe de Estado tem sempre recu- insistiu o chefe de Estado, considerando co-institucionais”. Como acima se refe- “profunda injustiça” a que vai conduzir, em sado a tese de ‘arrefecimento’ nas boas que há que “deixar de lado tudo o que re, Cavaco viu-se obrigado a promulgar o particular para os mais vulneráveis. relações entre Belém e São Bento, ga- possa dividir os portugueses”, porque “o diploma, depois da sua reconfirmação por Mais recentemente, há poucos dias, o rantindo que quer “manter a boa relação tempo exige união”. VENDE-SE Casa com 3 pisos grande quintal e anexos num dos melhores locais de Coimbra (Rua Pinheiro Chagas, junto à Avenida Afonso Henriques) Informa telemóvel 919 447 780

8 OPINIÃO 31 DE DEZEMBRO DE 2008 A 9 DE JANEIRO DE 2009 para Ferreira Leite. lhe exprimir solidariedade e Imelda ‘Mandá-lo’ para a Europa seria visto “ATENTADO” CONTRA BUSH Marcos mandou um telegrama a dizer como um exílio – e pô-lo a concorrer para «Sortudo!». (...) uma Câmara pequena seria uma humilha- (...) O caso do jornalista iraquiano que ção. atirou os sapatos a George W. Bush é Ricardo Araújo Pereira Assim, o que fazia mais sentido era mes- um desses momentos que, por muito que Visão mo uma candidatura à Câmara de Lisboa – seja excluído dos livros, nos faz compre- que, diga-se, constitui uma batalha difícil e ender melhor o mundo em que vivemos. ABAIXO DE CÃO que exige brilho e capacidade combativa. Sucede, ainda, que Santana Lopes foi há BARNEY É O CÃO DOS BUSH sete anos um excelente candidato a essa e foi o protagonista da mensagem filma- Câmara, tendo sido dele as ideias mais cria- da de Boas Festas deste último Natal que tivas para a capital. aquela família passa na Casa Branca A saber: depois de infernizar o Mundo e deixar o FERREIRA LEITE E SANTANA A recuperação dos prédios degradados planeta na maior crise de que há memó- e o regresso da habitação ao centro da ci- ria na Idade Moderna, incluindo os dois Se conseguíssemos parar de contar dade, oferecendo casas aos jovens em con- conflitos mundiais. anedotas sobre Santana Lopes, era inte- dições vantajosas. Compreende-se que o “marketing” ressante reparar que o homem, sozinho, A revitalização do Terreiro do Paço, ocu- político tenha utilizado o cão para nos dar expia todo o ridículo da política portugue- pando as arcadas por lojas e esplanadas. uma mensagem de amor e de esperan- sa. Não é que, comparados com ele, os O túnel do Marquês – o famigerado tú- ça. Era o único capaz disso, lá em casa. restantes políticos constituam um mode- nel do Marquês – de que tanta gente disse Foi quem menos prejudicou a humanida- lo de elevação: é que, entretidos com ele mal e que hoje utiliza com proveito. de e quem merece um sorriso de simpa- e com o riso que ele nos suscita, tende- A recuperação do Parque Mayer, viabili- tia. O resto é abaixo de cão. (…) mos a não ligar à miséria vigente. Dirigir zada financeiramente pela construção de um as atenções para o embaraço que San- casino. Joaquim Letria tana de facto é permite ignorar os em- Talvez Santana não tivesse conseguido 24 Horas 24/Dezembro/08Sem baraços que abundam na classe e fazê- fazer tudo o que prometeu. la parecer digna, ou quase. E se é com- É muito provável. MEMÓRIA preensível que a classe alinhe na farsa, Mas não é menos verdade que os seus surpreende que boa parte do país públi- sucessores não fizeram nada. (...) O Governo prepara-se para encerrar co também não lhe escape. Tratar San- o Tribunal Criminal da Boa-Hora, encla- tana com irrisão e galhofa é vital a 85% José António Saraiva usurando a memória de 165 anos de Jus- das crónicas ou comentários esclareci- Sol 20/Dezembro/08 Em primeiro lugar, percebemos finalmen- tiça feita neste convento, fundado em dos. O vírus atinge mesmo humoristas te onde é que os iraquianos tinham es- 1633. É pena porque pretende transfor- televisivos, os quais, com a originalidade A CARREIRA DE PORTAS condido as armas. Andavam em cima mar este palácio, de acordo com o plano que o ofício exige, parodiam semanal- delas, os dissimulados. É possível que, para a zona ribeirinha, em mais um hotel mente Santana como se o dr. Louçã não (...) Mas quando se analisa, caso a caso, nas suas visitas ao Iraque, Hans Blix de charme, ‘vendendo’ a memória co- estivesse disponível. os aspectos fortes e fracos desta sua dúpli- nunca tenha reparado que os nativos ti- lectiva aos interesses das grandes oligar- Dito isto, é óbvio que a candidatura ce carreira, é muito fácil encontrar situa- nham os pés enfiados nos projécteis. Tra- quias financeiras. A memória colectiva de Santana Lopes à Câmara de Lisboa ções que nos suscitam enorme perplexida- ta-se de um daqueles estratagemas ge- fica mais pobre e alguém fica mais rico. representa a abdicação definitiva da dra. de. No jornalismo, Portas distorceu a tal nialmente simples que enganam toda a O Governo Sócrates não tem ideolo- Ferreira Leite. Embora os alegados “prin- ponto a informação e a ética que é muito gente, mesmo exibindo descaradamente gia que o ampare e trave: a única ideolo- cípios” que a conduziram à presidência difícil reconhecer mérito nessa caminhada. a prova do crime. gia é o capital, não o do Marx, mas o dos do PSD não garantissem por si um can- ‘O Independente’, nas suas mãos, vendeu Em segundo lugar, nesta altura os al- grandes interesses. Vivemos numa era didato “melhor” que Santana, a verdade bem mas é completamente claro que Por- vos dos americanos estão definidos com de vazio ideológico. A Boa-Hora é o Tri- é que admitiam qualquer candidato ex- tas não hesitou em usar o seu jornal como uma clareza inultrapassável. A localiza- bunal mais emblemático da Justiça por- cepto Santana. Até na política a flexibili- arma de arremesso para atingir os seus fins ção dos arsenais de guerra iraquianos foi, tuguesa. As suas paredes, as escadari- dade tem limites: de agora em dian

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