O casarão dos infelizes.

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Published on March 12, 2014

Author: FranciscoJosBezerraS

Source: slideshare.net

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NESSA OBRA,O casarão dos Infelizes,1987,a segunda em ordem cronológica criada pelo autor, focaliza uma casa ,no passado residência e refúgio de retirantes nordestinos, que seria ocupada mais tarde por uma família complexa vivendo emoções e sentimentos conflitantes, palco também de estranhos e fantásticos fenômenos paranormais! É indiscutível a presença indireta do Escritor e autor nas experiências ali relatadas. Um livro forte, de contexto cultural interpretador da realidade brasileira dos anos de pós-guerra, traz também - fortes conotações que incentivam à pesquisa dos fenômenos paranormais como uma decorrência de efeitos psicológicos em grupo ou em família. Interessante, profundo e de uma certa maneira um tanto apavorante!Vale a pena ler e analisar!

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. FRANCISCO J. B. SÁ O CASARÃO DOS INFELIZES. 1ª EDIÇÃO

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. 2013

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. COLABORADORES Ao Frei Albino Aresi que testou a veracidade destes fatos. e Gerson Barreto que organizou e promoveu o seu primeiro grande lançamento. Aos retirantes nordestinos que a cada ano de seca renovam o seu calvário.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Homenageados Aos meus maravilhosos filhos Wladimir e Alan Delano. A minha querida Angélica que amou esta obra.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. O Autor. Francisco J.B. Sá é Escritor.Formado em engenharia mecânica pela Universidade Federal do Ceará,1970.Pós-graduado em Administração pela Universidade Gama Filho,RJ,1993.Extensão em Antropologia pela UFBA,2008-2012. Escreveu: - A marca de Caim,1995 - O casarão dos infelizes,1987,1ªEdição. -O Romance da Torre,1ªEdição1996 e 2ªEdição2006. -Uma Torre Além do Tempo, A Colmeia de Almas, 1ªEdição1999 e 2ªEdição 2013. -Amor e Crime na Bahia do século XVII, 2005. -Fundou e dirigiu de 1964 a 1970, o jornal estudantil, O PERIQUITO ,um vespertino de natureza política,dirigido para a luta contra a Ditadura Militar. -Fundou e dirige de 1996 até hoje, o periódico A GAZETA.Umperiódico á serviço da Cultura O casarão dos Infelizes é um conto parapsicológico baseado nas fortes experiências familiares de uma criança atormentada por fenômenos paranormais.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. ÍNDICE Sinopse............................................................................................ 8 1ª Parte: A Origem e o Tempo. Capítulo I – O Escritório............................................................10 Capítulo II – A Casa de Yedda....................................................25 Capítulo III – O Trem dos Desgraçados....................................... Capítulo IV – O Retiro dos Monges............................................... Capítulo V - Um vulto ao Luar.................................................... Parte Final: O Casarão dos Infelizes. Capítulo VI – A Orgia.................................................................... Capítulo VII– O Tesouro da Morta..............................................

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. SINOPSE Até que ponto a nossa percepção é completa em relação aos fenômenos que nos cercam? Quem garante que esta percepção não se altera sob os efeitos das emoções? Ou haveria outra visão associada ao sexto-sentido que possibilitaria a penetração da mente em outras dimensões? Seria essa outra dimensão o sobrenatural que comumente está presente nas denominadas evocações espirituais? Quando todas estas questões forem respondidas estaremos no limiar da verdadeira história do homem e terá terminado a sua pré-história. Em O casarão dos Infelizes o leitor terá a oportunidade de desvendar e participar de situações que poderão responder as questões acima consideradas e viver o drama social dos retirantes nordestinos cuja tragédia se acentuava pelo despreparo dos governos da época,assistenciais,sem visão social e beneficiários da indústria da seca. Os fatos que narramos aqui surgiram da experiência real de uma criança, que talvez o leitor a considere anormalmente precoce, mas que poderíamos defini-la como dolorosa,e por isso marcante,em um contexto onde passado e presente parecem se entrelaçar e se confundir fazendo com que o mundo dos vivos encontre o mundo dos mortos. A narrativa se contextualiza em um ambiente marcado por efeitos de escândalos comerciais e empresariais que agravam um singular contexto familiar.Por isso decidimos manter em sigilo os verdadeiros nomes dos protagonistas,os locais e as circunstâncias envolvendo pessoas e organizações.Por sua autenticidade,como palco de fenômenos paranormais,o livro pode ser utilizado para fins de pesquisa.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. 1ªParte: A Origem e o Tempo.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Capítulo I O Escritório. Hoje a lembrança destes fatos ainda me doem e sinto um arrepio ao evocar as imagens que marcaram de forma tão dantesca os anos verdes de minha vida. Meu nome é Tássio de Alencar e Silva e ao lembrar estes acontecimentos de minha infância procuro um referencial para justificá-los afim de que possa transmitir às gerações futuras com precisão,as lições advindas de minha vida infantil.Mas não o encontro!Patético tento defini-lo como imagens alucinatórias de uma criança em crescimento.Outras vezes,reflito perplexo e parto para análises metafísicas em que os acontecimentos que me atingiram e a minha família se entrelaçam em um feixe de cenários grotescos e apavorantes decorrentes da atitude impensada dos adultos.Não sei porque milagre não quis me vingar de tudo,tornando-me uma pessoa dolorida na idade adulta e ressentido com que os adultos fizeram de minha vida.Mas,eis o milagre!A quem agradeço?À minha índole ou a alguma dádiva da natureza ou de Deus que me fez,em um momento de reflexão,se não compreender pelo menos não deixar que o mundo dos adultos ceifasse o meu desenvolvimento sadio e voltado para a sanidade e o equilíbrio? Chego quase a incorporar os personagens, muitos deles retirados de dentro da minha alma com um esforço sobre humano, gigantesco,para permitir que me desenvolvesse livre de “demônios” que assolam aqueles que vivem a vida com tal intensidade ainda na infância. Me pergunto-se estes efeitos se limitaram a atuar em mim,tão somente,ou se atingiram de diversas formas,os mais próximos,deixando-os à mercê dos “fantasmas” que me assombraram no passado?

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Talvez estas linhas tenham sido- a Dádiva e a Promessa,o resgate de uma vida que se descortinou diferente dos demais ambientando-a nas crônicas,nos livros e na ciência.Sobretudo criando as condições terapêuticas para a criação de um lar,de uma família de amor,tão diferente do que assisti em meus jovens anos! Dentre todas as imagens mesmo dos “fantasmas”,sobrepujando o perfil inesquecível das pessoas que conviveram comigo em minha infância,avulta em primeiro lugar a singular figura de Américo Silva,paradoxal,inquieto,sorridente e mordaz. Por isso não posso me esquecer dele e sua imagem deve ocupar o primeiro plano desta narrativa,sentado por trás da escrivaninha,sorridente,galhofeiro e mordaz,a verdadeira imagem do executivo satisfeito.Sua branca e bem passada e engomada camisa de colarinhos impecáveis chamava a atenção,transmitindo uma imagem de homem impecável,eficaz e eficiente na tarefa de conduzir sua empresa e sua equipe. Naquele tempo os escritórios comerciais gozavam da liberdade da falta de paredes e divisões que hoje separam os homens delimitando seu “status” social e profissional. A dois metros trabalhava Jane,compenetrada,esguia e elegante diante de uma máquina de escrever antiga que ela manuseava sem parar. Seu busto protuberante e pernas e coxas em posição,dentro das medidas certas para a época,salientava-se por cima da linha do contorno mais alto da máquina que utilizava,transformando seu “sex-appeal” em ponto de convergência dos olhares masculinos que a cercavam e dos clientes que eventualmente atravessavam o balcão que dava para movimentada Rua S.Paulo,via de acesso ao centro da cidade,ocupado pela praça principal,que ficava a alguns quarteirões da Atalaia Co. Seu cabelo doirado e cintilante chamava a atenção porque emoldurava um lindo e primaveril rosto ornamentado por lindos olhos azuis e uma testa alta e intelectual,dando-lhe uma forte presença feminina.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Atrás de Américo Silva e de Jane sentados lado a lado,Julio Monte se escondia qual um rato de óculos,observando os movimentos dos colegas e do chefe sem perder de vista as pernas bem torneadas da jovem que se descobriam propositalmente,sempre que o vestido cinza subia além do nível certo,oferecendo a imagem mais profunda de seus joelhos trabalhados artisticamente pela natureza. Júlio Monte era a própria imagem do espião anônimo e devassador das intimidades, dos assuntos da firma e da vida particular dos colegas, que a cada dia ele conhecia mais e mais com a infalível ajuda de sua perspicácia natural. Armara um círculo de relações cuja complexidade ultrapassaria a concepção de qualquer mortal comum. Originário como Américo Silva de uma família rural que se mudara para o Recife quando Caruaru não mais atendia às suas aspirações de caixeiro ambicioso,seu horizonte ultrapassava em muito ao de seus conterrâneos.Queria ser rico de qualquer maneira,nem que tivesse que roubar ou destruir quem quer que fosse em seu caminho.Entretanto este propósito e esta determinação ele não demonstrava,só ele o sabia! Quando chegou ao Recife, a cidade grande o estonteara e o desorientara ao ponto de,durante algum tempo,desvincular-se um pouco de suas ambições.Foi então que surgiu o emprego da ATALAIA CO. Fizera concurso para datilógrafo e, fora aprovado, mas, após seis meses nesta função viera a promoção de escriturário e conferidor de documentos de cargas aéreas,a qual ele se dedicara de maneira decidida e competente.Coroou sua ascensão chegando a tesoureiro,quando passou a controlar todo o movimento financeiro da firma e até os vales retirados pelo gerente. Ao chegar já encontrou Américo Silva,gerente-geral,que controlava a Filial de Recife e multiplicava com recursos de gerência e talento admirável,o lucro da empresa. A ambição,a falta de escrúpulos nas manobras comerciais com pessoas e instituições que se relacionavam com a ATALAIA CO. não tardaram a uni-los para aquela finalidade

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Não demorou e os dois eram parceiros nas inúmeras jogadas comerciais e bancárias que colocavam a seus pés,os gerentes das demais filiais e dos bancos que se perdiam naquela época em conjecturas que os levassem a aplicações volumosas de recursos financeiros que surgiam no período de após-guerra. O quarto-ano depois da IIªGuerra Mundial caracterizava-se como um período frutífero para os investimentos.As companhias cresciam,a cana-de- açúcar e a cera-de-carnaúba,produzidas em larga escala,cada vez mais abarrotavam os mercados europeus e americanos,gerando mais e mais riquezas que compensavam as deficiências dos rendimentos da frágil agricultura nordestina,antiquada,colonial,de subsistência e periodicamente devastada pelas secas cíclicas,das quais a Seca de 1915 fora a mais arrasadora das estiagens. Os americanos se foram,mas,após utilizarem o Nordeste brasileiro como base estratégica para seus pousos na África,deixaram uma infra-estruturar de aeroportos os quais,embora com contornos de simplicidade exterior,ofereciam grandes oportunidades ao desenvolvimento dos vôos domésticos e comerciais. Tal situação favorecia às empresas que direta e indiretamente estavam relacionadas com o tráfego aéreo,já que o país,como ainda hoje,não possuía uma rede rodoviária eficiente e sua rede ferroviária,caminhava àquela época para o sucatamento. Américo Silva era um expoente financeiro sem escrúpulos quando exercia as atividades de gerente-comercial.Conhecia muito bem a praça,apesar de possuir irrisório lastro cultural.Sua desenvoltura,carisma,palavra fácil e simpatia natural atraiam as atenções dos diretores,expectadores distantes de sua atuação espetacular e geradora de lucros surpreendentes. Quando Adália,a segunda-secretária,trouxera sua irmã Hidalga,juntaram-se a Américo Silva,Júlio Monte e Jane sem saber quanta ambição e espírito de grandeza caracterizaria aquele grupo.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Por que a história aproxima pessoas tão semelhantes em seus objetivos ocultos?Uma Lei Social?Seria por acaso que alguém os convidara para que constituíssem em grupo tão harmonioso,ao mesmo tempo,tão competitivo, impetuoso e escandaloso? Algum diretor se arriscaria sob sua liderança a formar tal grupo pondo em risco a sua própria segurança funcional?Uma equipe tão singular?Suas contratações visaram ímpeto e tirocínio comercial e obedeceram a um caráter essencialmente aleatório.Nenhum deles se conhecia ou conheciam aos demais. A quem devemos culpar ou responsabilizar? A Deus ou ao Diabo?Se foi Deus, teríamos que considerar o Ser Supremo dialético, pois criaria condições críticas e surpreendentes para dali extrair seus objetivos excelsos!Se foi o Diabo que ardilosamente juntou aquele grupo,só poderíamos classificá-lo como intrometido e pervertido sabichão,atuando de forma estratégica em uma seara que não era a sua. Seria a casualidade,pois é dela,deste contexto que favorece ao caos que surgem os trunfos e as tragédias que escapam à compreensão humana,sempre perplexa diante de seus resultados imprevistos, e terminam por comprometer a vida de inocentes,crianças e adultos indefesos os quais,dependem para sobreviver,das complexas atividades dos adultos. Adália sentindo-se apoiada em Jane de quem se tornara colaboradora,aproximou-a de Hidalga,que com ela se identificava e se caracterizara sobretudo,pela falta de escrúpulos,pela capacidade de utilizar a sedução cercada da farisaica humildade dos servis. Não tardou que Adália,Jane e Hidalga passassem a ser controladas por Julio Monte,expoente e controlador do dinheiro e veículo das maiores ambições. Ele de sua parte,encontrou nelas a equipe ideal para pressionar,competir e ter acesso a Américo Silva, astuto e ambicioso, mas sem muito treinamento na arte de acompanhar, monitorar e entender os seus funcionários.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Eram todos originários da classe-média rural e se lançavam à cidade grande movidos pelo ideal de enriquecer a qualquer custo. Tinham, portanto, o mesmo caráter e origem social! O Escritório ficava na confluência de duas movimentadas ruas da cidade maurícia,artéria centrais repletas de lojas e bazares sortidos,de bugigangas que costumam ser devoradas pelos fregueses incautos e pela multidão de turistas que acorriam ao Recife procurando o calor e o relaxamento das maravilhosas e paradisíacas praias de Boa Viagem e Piedade. Naquela tarde o expediente se prolongara porque o Sr.Papa,o Diretor- Superintendente estava na terra e queria conferir os “conhecimentos”, documentos de recebimento de mercadorias.Ele decidira ir adiante,queria ver o balanço,as faturas,as notas fiscais e os livros contábeis. Sr.Pappa era um destes italianos competentes e muito experiente que criara organizações com respeito e relativa honestidade,mas,se os lucros fossem altos ele fecharia os olhos para muita coisa que pudesse ser considerada imoral! Vira em Américo Silva um gerente local promissor e sorria de suas piadas engraçadas e pornográficas, as quais enxovalhavam e animavam os jantares noturnos no Estoril,restaurante à beira-mar,onde as águas tocavam quase nas mesas de refeição sob luares inesquecíveis junto a um mar que parecia de prata. Américo Silva sempre recepcionava Sr.Papa e sua comitiva neste restaurante quando ele vinha inspecionar a firma.Também às suas amantes,naturalmente nas horas mais adiantadas e calmas,onde livre das obrigações gerenciais não pudesse ser incomodado.Ele era um amante e um sedutor do tipo,que dava de presente a esposa uma jóia e igualmente presenteava uma amante de forma idêntica.Não atinava para estas coincidências que punham em risco sua dupla vida,confusa,atropelada e inconseqüente. - O Américo merece ser ajudado,apoiado,Celini!Eu gosto do Américo!Ele nos encanta com suas piadas e nos engorda com seus jantares maravilhosos.E que jantares!E depois,nunca vi gostar tanto de “mulher-dama” e ser tão querido por elas.Repetia sorrindo e satisfeito,revelando a faceta oculta de italiano

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. simpatizante das noitadas e dos bacanais.Gargalhava gostosamente,porque a Flial do Recife enriquecia a olhos vistos. Celini obediente,balançava a cabeça afirmativamente e não esquecia suas obrigações: - Sr.Pappa já providenciei o aumento dele!Vai ficar bem!E para paparicar o chefe dizia,ainda: - Ele merece!Ele merece!..E sorria galhofeiro. Enquanto isso,Celini batia com o cachimbo no encosto da cadeira,observando o chefe sorridente. O Sr.Pappa voltava a lembrá-lo: - Lembre-se da equipe,também.E principalmente de Jane,de Jane,(suspiros de paixão)repetia avermelhado,risonho e entusiasmado,quase histérico. - A carne é fraca,não é Sr.Pappa?A mulher é linda,parece uma estátua grega do período clássico! Pappa olhava enciumado para Celini,que então passava de zombeteiro a humilde e rastejante servidor dos poderosos,quedando-se silencioso e desconfiado. As inspeções e auditorias geralmente terminavam em orgias cheias de encanto e despudor,que se estendiam até às primeiras horas da madrugada.Com jogos sexuais entre parceiros dos dois sexos ou do mesmo sexo que escandalizariam os militantes gays das passeatas hodiernas. Adália e Hidalga saiam cedo,os pais velhinhos e religiosos não entenderiam!...Jane ficava com o Américo até às 03:00h da madrugada e depois ia dormir com Julio Monte que pouco se importava com Neline,a esposa,quer ela viesse a saber ou não...Trazia a mulher e os filhos debaixo dos pés!Sob a mais cruel das ditaduras domésticas. - O Sr.Pappa está aí?A palavra e o aviso funcionava como um toque de alerta e de mobilização dentro de casa..E a pobre mulher calava-se tranqüila e adormecia sob terrível bafo de cachaça e cheiro de camarão que eram exalados

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. das entranhas de Julio Monte e impregnavam o quarto,sempre que ele retornava às altas horas da noite.Mas o pior eram os peidos,que chegavam muitas vezes a acordá-la!Todo este pesadelo só terminava nas primeiras horas do amanhecer.E assim a vida da filial de Recife da ATALAIA prosseguia em ritmo alucinante. - Roupa suja se lava em casa,dizia o Celini quando descobria algum deslize dos funcionários.E completava: - Não dando prejuízo,tudo bem!...Para ele,moral e decência eram o resultado do Balanço Final da firma. Geralmente na segunda-feira,após o encerramento da inspeção,Sr.Pappa oferecia um almoço de despedida e encerramento aos funcionários e seus familiares,e em seguida viajava de volta para S.Paulo,naqueles bimotores sacolejantes que invariavelmente,terminavam fazendo algum pouso imprevisto em alguma cidade da costa da Bahia,como Camamu e Porto Seguro,em seu vacilante trajeto para S.Paulo. Naquele tempo Américo tinha apenas dois filhos,e Tássio,o filho mais velho observava durante os almoços,o quanto D.Lia,a esposa,era mais culta e socialmente mais bem preparada até na”socila”,que os demais.E como sorria esquiva e desconfiada,sempre que Jane solícita,sentava-se ao seu lado e falava o tempo todo das qualidades de Américo,como homem e como chefe. Quando fazia isto sua voz afinava-se e adqueria um tom meio feminino e meio infantil,quase inaudível aos ouvidos dos presentes,cercado de suspiros abafados e comovidos.Seus olhos imitavam o pôster de Sta.Luzia,pura,incólume e mártir das causas mais excelsas. - É meu pai,dizia Jane,de olhos brilhantes.Neste ponto o busto empinava.E completava -que cabeça para negociar e gerenciar,insistia,olhando zarolha,como sempre acontecia ao beber.Fixando os olhos trocados em D.Lia: - A senhora tem muita sorte,ter um marido assim! D.Lia ouvia e observava discreta,previdente e enciumada das observações da moça.Era evidente que a criança via que ela não simpatizava com a secretária

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. do marido.Ele era um menino sensível,que lia o tempo todo,e por isso D.Lia orgulhosa do filho,dizia sorridente aos amigos: - No aniversário dele dêem livros,presentes de livros.Adora ler e estudar!A criança ouvia o que a mãe dizia,e fazia que não ouvia.Ela era uma professora competente que não exercia a profissão em face da exigência do marido de mantê-la em casa. Naquele tempo apaixonada ainda por Américo Silva,mas já marcada por suas aventuras,fechava os olhos a estas peraltices do marido,na esperança de que ele mudasse,se transformasse!Quem sabe,se tivesse uma filha,que era o sonho do Américo,ele talvez viesse a mudar.Era a sua esperança! D.Armênia,sua tia,mulher perspicaz e inteligente,que mais fizera “trancinhas” ao tempo do namoro do casal para que eles casassem,sempre que passava os dias com ela,advertia: - Lia,cuida de tua profissão!faz um concurso.Olha o dia de amanhã! - Olha Tia Armênia,o Américo acha que mulher é para o lar.E encerrava a conversa.Parecia até que conhecia o Américo mais do que a própria Lia e sabia mais coisas sobre a vida dele do que a própria esposa. D.Lia se casara na casa de um tio rico e sem escrúpulos e D.Armênia assistira e participara de todos os detalhes do seu complexo e imprevisível casamento com Américo Silva.Na época proprietário de uma imensa casa de comércio e baluarte na condução e colocação de seus irmãos em lugares promissores da cidade grande.E assim ela saiu como a maioria das moças de classe-média,do convento e colégio de freiras,dividida em sua vocação religiosa,mas terrivelmente apaixonada por Américo Silva.Galã,carismático,comerciante próspero ainda jovem,já com um passado matrimonial e filhos,que só depois ela viria,desapontada saber. Uma verdadeira armadilha cuja máquina fora azeitada e mobilizada por seus parentes próximos no intuito de dar-lhe um – “magnífico casamento”.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Seus pais ainda vivendo no interior,entregaram confiantes a filha a este tio e a estas tias,selando seu destino,em um casamento imprevisível com um homem em tudo diferente de suas origens,de seus sonhos e de seu ideal.Um homem que não era mau!Fôra vitimado por uma vida e uma criação,cheia de carências e infortúnios,uma orientação paternal,cruel ainda em sua infância e pelo terrível contexto das secas cíclicas do Nordeste brasileiro,responsáveis pela agudização dos dramas de nosso povo em um país,cuja história foi sempre marcada por políticos corrutos,inescrupulosos e exploradores de seu povo. Os dias iam passando,com o Américo subindo na ATALAIA CO., e a casa sempre cheia de gente,com o Tássio fugindo para a casa dos tios e avós,onde sentia mais tranqüilidade. Quando reclamava que não gostava de tapetes e cortinas que o faziam espirrar,D.Lia brincava com ele e o apelidava de S.Francisco de Assis,o Santo que abominava a riqueza e o luxo e se identificava com os pobres! Flávio,o mais novo,não largava os pais!Dócil,alegre e infantil,era completamente diferente do irmão,inclusive com uma característica de não se concentrar muito no que fazia ou no estudo,que transformava a vida de D.Lia em um inferno para que o menino estudasse..Ficava empolgado com a inteligência do irmão,e quando Tássio falava,ele escutava atentamente.Sempre perguntando-lhe tudo o que não sabia,enquanto o mais velho explicava de forma erudita e detalhada,como era o seu estilo,preocupado talvez inconscientemente em preparar o irmão e informa-lo de coisas que ele não atinava. A diferença entre ambos era pouco mais de dois anos,mas quem não soubesse,juraria que era maior!O futuro demonstraria,que tal era a diferença entre ambos,que o que Tássio tinha de intelectual,sonhador,Flávio tinha de esperto e astucioso! Na manhã de 1º de julho de 1950 Américo entrou radiante em casa.Como era seu costume,passara pela banca do “Jão Lemos” e soubera da nova!Fora premiado na Loteria Federal!

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Também não parava de comprar bilhetes.Isto era todo o dia!Além disso,jogava no bicho e era assíduo cliente da Loteria Federal. D.Lia,as vezes dizia: - Américo,você está gastando demais com jogo!E ele respondia: - Besteira Lia se necessitar de dinheiro adianto um vale lá na firma.Não esqueça que sou o gerente!Julgava que como gerente e gerador de lucros para a firma,ele podia pegar o dinheiro que bem quisesse e entendesse.Uma forma caipira de por em prática o móvel de posse,o “job” que deve orientar os executivos em seu ambiente de negócios. Na manhã que ficou rico,premiado em cento e cinqüenta milhões de cruzeiros na Loteria,deu um almoço de estouro,no qual estiveram presentes os parentes de D.Lia,como a Antonina e o Marcondes,que eram noivos e moravam defronte da residência dos Silva,na Rogério Junior,uma rua de classe-média B,repleta de meninos que batiam bola todas as tardes nas calçadas,e bola-de- meia nas ruas, onde figuras do bairro idolatradas pela molecada como,o Babá,que foi um astro no Flamengo,do Rio,e o Zé Urbano,um dos maiores goleiros do Nordeste,aprenderam futebol nestas pelejas. A rua que fervilhava de meninos preparando cerol e empinando pipas,invariavelmente “explodia” em tumultos e brigas por causa destas atividades,jogos infantis de gravuras Eucalol que inundavam os lares ou tampinhas cheias de sabão nos jogos de calçada.bocas quebradas,dentes deslocados na boca os meninos entravam em casa aos berros pedindo socorro aos pais desesperados.Américo e D.Lia,ciosos da educação dos filhos não conseguiam mantê-los em casa,porque junto com o Erlânio,filho da empregada,se envolviam em brigas desesperadas,se afastando dos estudos e muitas vezes envolvendo os pais nas disputas de rua. Américo Silva tinha pavor à rua.Os meninos lançavam bolas pelas janelas das casas,as brigas nas calçadas por pipas e cerol eram constantes.Invariavelmente,quando fazia a sesta de almoço,Américo furava uma bola por semana,na ponta dos ferros do seu portão,toda a vez que a bola

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. entrava de casa a dentro!Depois sorrindo e assobiando se deitava para dormir até as 14:00h quando foltava para a ATALAIA. Enquanto os meninos na calçada choravam e gritavam desesperados porque viram o objeto de sua felicidade,a bola de borracha,estourada nos ferrões. O episódio mais forte a envolver Américo Silva ocorreu em um dia em que ele se deparou ao voltar para casa,com o Erlânio,sangrando por tudo quanto era beiço,de um murro que um tal “cara-de-gato” muito mais velho e forte do que o menino,tinha lhe aplicado. Américo não pensou duas vezes largou o paletó para lá e atravessou a rua. Cara-de-gato era quase de sua altura,lá por um metro e oitenta,cheio de força e juventude,mas Américo aplicou-lhe logo uma rasteira e um soco na cara,o e rapaz saiu direto para o pronto socorro!Nem sequer voltou para saber o ocorrido.Logo depois ele,se sentaria na mesa,e fez uma excelente refeição com duas cervejas e uma travessa de “baião-de-dois”.Saindo em seguida,célere,assobiando como era seu hábito,para a ATALAIA CO. como se nada tivesse acontecido.Não media as conseqüências de seus atos e os efeitos que depois cabia a D.Lia apaziguar,pagar as despesas e reconciliar as partes. Era ela que ficava para resolver os impasses,diplomática,prometia que o filho da empregada não andaria mais nas ruas e os vizinhos que a consideravam em um patamar social muito mais alto,terminavam por se aquietar. Na manhã que festejou a sorte na loteria,ele e o Marconde tomaram um porre de loucos,no que foram acompanhados pelo Ubiratã,irmão de D.Lia,que também ficara de porre.Lá pelas tantas,o Marconde sonhou que uma velha estava correndo em cima do muro,e o ameaçava com um cabo-de- vassoura!Gritou em convulções,e morto de bêbado.A Antonina pensou que o noivo ia morrer,gritou,Américo Silva e o Ubiratã gritaram também,as crianças choravam.D.Lia tentava acalmar e gritava: - Calma gente,foi só um pesadelo!Mas não adiantava.Depois de vomitar muito o Marconde se acalmou e a festa foi encerrada.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Na verdade,o Marcondes era outro”pau-d´água”,bebia cachaça como ninguém pode imaginar e tirava gosto com farinha de mandioca!Nada sentia,até que a cirrose o apanhou lá pelos cinqüenta anos e o levou,de vez! Entretanto ele era um químico muito competente, um bom amigo,jovial,sincero e sempre pronto para ajudar! O Ubiratã,era outro pau-d´água,Mas tinha o pavio curto!Quando bebia,trincava os dentes e se pudesse acabava com os inimigos,que ele fizera aos montes,lá pelo interior,quando ia aos casamentos e sem avisar,tirava logo a noiva para dançar! Confiava no prestígio político e nas amizades do pai,funcionário público e agricultor próspero,político,naquelas terras,àquele tempo,frias e distantes de tudo!Toda questão,toda querela,o Ubiratã se metia.Parecia um advogado em potencial,mas que nunca gostou de estudar!Conheceu vários colégios e inadvertidamente,sempre o pai recebia um leve convite para transferir o filho,que além de não estudar,chamava para briga até professores! Toda esta vida agitada,junto com o Marconde e o Américo,seu cunhado e companheiro de farras,não o impedia de se reunirem e “bebericarem” até que o Américo se abraçasse cantando e discutindo tudo que constituía a boa-vida que iam levando. Invariavelmente,as tias velhas apareciam para almoçar com o casal e o Américo transformava aquela visita em brincadeira e para isto utilizava pequenos goles de cachaça e instigação de questões entre as velhas,que acabavam por se engafinhar por causa de dívidas entre elas ou pequenas coisas como empréstimos de galinhas poedeiras que nunca voltavam ou ninhadas de patos ou pintos,que nunca eram divididos equitativamente.O Américo sorria que caía no chão chorando de tantos relatos.Depois ele apaziguava as tias e ia deixa-las em casa quando brigavam até terminar a visita. Os dois casais,o Américo e D.Lia e o Marconde e a Antonina,eram como irmãos!O futuro faria com que esta amizade desaparecesse como tinha nascido,ficando apenas,o aspecto formal.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Quando Maria,a filha mais velha dos Silva nascera,o Marcondes foi o padrinho,e como a Antonina já era madrinha do Tássio,a amizade atingiu seu ponto máximo.Agora eram compadres e tudo corria qual “um mar-de-rosas”. A loteria veio retirar os Silva da tranqüila madorna de membros da classe- média e transportá-los para o mundo dos novos ricos,cheio de surpresas,alegrias e decepções que são o contexto da vida! Não tardou que o Américo comprasse uma nova casa,uma velha residência em estilo colonial nos arredores do Recife,cercado por um terreno de cerca de dez mil metros quadrados. D.Lia se opôs de início.Achou a casa velha demais,muito rica e carente de reformas.No entanto Américo Silva não se fez de rogado,reformou-a sob o pretexto de que necessitava de mais “status” e que no futuro lotearia os terrenos periféricos,enquanto no presente,as crianças poderiam brincar sem limitações naquele paraíso natural,repleto de árvores seculares,samambais,e flores naturais que brotavam aqui e ali,lianas que iam do chão até o teto mais alto das árvores de quase trinta metros de altura. As frutas,mamoeiros,jambos,cajueiros eram e profusão!Bananeiras surgiam de depressões onde a água se acumulava e goiabas e cajus enchiam o solo das matas que o cercavam.Pois era quase impossível saber quantos cajueiros e goiabeiras brotavam de todos os locais que cercavam a casa. Na verdade,Américo preparava um contexto para receber toda a Diretoria mais alta da ATALAIA CO. Os viajantes que vendiam para a firma,os comandantes e pilotos que transportavam mercadorias pelo Brasil inteiro.Enfim,o seu círculo de amizades que ultrapassava muito o que D.Lia considerara que seria aceitável. Ataúlfo,o antigo dono,queria vendê-la porque estava em apertos e queria se livrar da imagem da morte trágica de sua esposa ocorrida recentemente!Encontrou em Américo alguém que tinha tanta pressa em gastar

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. o que ganhava como gastava mais e mais dinheiro.Tal precipitou e consumou a transação. Na verdade vinte dias depois da sorte na loteria foi comprada a casa,quando quase que instantaneamente começou a reforma para um modelo tipo “bungalow” inglês e os Silva logo se mudaram.Havia euforia em todos os seus atos e os pais de D.Lia que visitara o casal se assustaram com tantos gastos e a profusão de almoços e visitas,regadas a vinho e outras bebidas nos encontros inicias na Casa dos Silva. Américo festejou à sua maneira particular bebendo tal quantidade de vinho que comentada pelo pai de D.Lia,fê-lo descrever, que não sabia o que era aquele” rio” que surgia de sua rede armada em uma das inúmeras varandas de sua casa,em um dia que bateu a sua porta para entrar no casarão.Ele que era um senhor sóbrio,de hábitos simples e criado pelos frades que o educaram. D.Lia comprou tudo novo e não faltaram as mesas de “ping-pong” para as crianças que logo atraíram a molecada da vizinhança e o primo Atílio que era como um irmão para o Tássio. D.Lia logo começou uma seleção dos moleques da vizinhança que poderiam brincar com o Tássio e o Flávio, e na verdade seus escrúpulos eram tão grandes e o espírito de elite tão pronunciado,que em um bairro de classe-média só ficou mesmo o primo Atílio.Ninguém sobrou mais para conviver com os dois meninos na grande Mansão dos Silva.D.Lia mal viu sua renda e seu status alterar-se e logo tratou de retornar aos hábitos e padrões que se apegava freneticamente.Este era seu lado negativo,em uma senhora cheia de qualidades excelsas e educação refinada.Caráter e senso de justiça inigualável. A nova residência tinha aumentado em muito o círculo de amizade do casal e não raro,os domingos ficavam lotados de caras novas.Havia sempre caras novas! Americo Silva e D.Lia adoravam isso!Quando Tássio retornou da casa dos avós onde passara as férias do fim-de-ano,notou que a atmosfera do lar tinha se transformado,desaparecendo a euforia inicial dos pais,com D.Lia cada vez mais

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Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. CAPÍTULO II A CASA DE YEDDA. O casarão dos Silva dava de perto para uma rua quase deserta e não calçada.Na verdade,apenas seu jardim lateral gramado,cujo tapete verde contrastava com a sua branca silueta,a separava desta rua deserta,onde a areia atolava todos os carros que ali passavam.Quem quisesse entrar de carro na residência tinha que vir pelo portão principal da Rua do Rei,frontal e cerca de quatrocentos metros da parte lateral e cheia de janelas, daquela antiga casa colonial.Ora isso a tornava mais e mais inacessível. Além das inúmeras mangueiras e cajueiros que enchiam o lado direito da casa,Américo mandara fazer um jardim gramado,e plantou várias mudas de coqueiros anães que não tardariam a dar cocos verdes em profusão,alimentando os “drinks” e os pileques que ele e suas visitas se entregavam nos fins-de- semana e nas visitas noturnas que se prolongavam até meia-noite e uma hora da madrugada. O lado esquerdo da casa grande guardava ainda o aspecto e os traços marcantes do tempo, de velha mansão colonial que fora outrora. Uma velha e estreita estrada de blocos irregulares se estendia a procura da Rua do Rei,distando cerca de quatrocentos a quinhentos metros da residência como uma Via Apia para a saída lateral da residência,onde pairava um imenso e portentoso portão de acesso para carros e caminhões da ATALAIA CO.que às vezes pernoitavam sob a proteção do casarão. Este imenso portão a isolava do mundo exterior!Reforçando a imagem de isolamento,de distância que ao cair da noite transformava a vivenda em uma

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. mansão misteriosa.lúgrube e distante,que desaparecia entre a verdura quase fechada das árvores,um um quadro fantástico e de aspecto sobrenatural. À direita e a esquerda daquela via antiga,rústica e estreita de paralepípedos,o terreno era cheio de cabaceiras,carrapateiras e um capinzal que parecia um tapete verde de perder de vistas.Eram inúmeras neste sítio,as plantas medicinais,como a costela-de-adão,o pega-pinto que servia para tratamento renal,o quebra-pedra de utilização idêntica,o boldo-da-índia,e até o hortelã. Américo Silva era um sonhador mas sua mente habilidosa para ganhar dinheiro e criar projetos fantásticos não era igualmente eficiente para materializá- los,organizar seu crescimento,monitorá-losesobretudo mantê-los!Isto porque sua paixão pelas mulheres e a “boa e doce vida” terminava sempre por fazê-lo jogar fora tudo que poderia ter sido o arrimo da esposa e dos filhos como se aquilo fosse uma característica de uma cultura ou de um traço genético herdado. D.Lia por sua parte não se preocupava muito em economizar.Tinha também,como ele,as ilusões da juventude que criam nas moças de classe-média aquela permanente ilusão de serem ricas!Gostava de gastar também,de consumir além de suas posses,pois a infância e a juventude de disciplinada contenção em um colégio de freiras,criara nela a disposição e a certeza de que não nascera para vida ascética. Quando interna no período de estudante,até as velas que consumia para estudar eram apagadas precocemente e poupadas até o último toco,porque ela sofria os terrores do remorso de que pudesse estar desperdiçando os parcos recursos que seus pais ganhavam com tanta luta e dificuldade,naquele tempo.Este escrúpulo ela mantivera por muito tempo,principalmente por causa do pai honesto funcionário público e de sua característica consciente e responsável. Depois com melhores tempos ela foi relaxando aquela atitude e os primeiros desastres financeiros do marido foram esquecidos quando começaram os tempos da ATALAIA CO.,desaparecendo completamente de sua memória quando o marido ficou rico com o prêmio da loteria.Afinal,ninguém é de

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. ferro,e o ser humano,embora consciente de suas limitações foi feito para a felicidade,mas aí reside um dos momentos de maior perigo no curso da vida,o ufanismo de que afinal aportou no “paraíso” para sempre!.. No entanto ao chegar na Rua do Rei,D.Lia nunca simpatizara de todo,com a nova residência.Na esquina contígua,havia um “cabaret” ou castelo,uma casa de mulheres-dama,que desenvolvia suas atividades de maneira assídua e ininterrupta por noites seguidas acompanhadas de músicas tristes que caracterizavam em muito o contexto infeliz da vida das perdidas. D.Yedda,a proprietária,não perdia tempo na exploração da mais antiga das profissões e D.Lia sempre desconfiava que o marido fazia trânsito por ali,após os serões da firma.Olhava para lá coitada,com tanta repugnância que chegava ao exagero. - Ora,comentava ela,o Américo deveria ter visto que esta casa fica quase em cima de um “cabaret”.É verdade,que é em outra quadra,mas,aqui ainda é muito deserto e isto pode atrair gente ruim!E como tinha razão! Com o tempo ela foi associando as desconfianças do marido à promiscuidade da casa de Yedda,aos bacanais e festins que lá ocorriam. Yedda por sua vez,se deprimia quando olhava para o lado da casa de D.Lia,pois era infeliz demais para suportar aquele “paraíso cojugal” que ela considerava,o feliz lar de D.Lia e Américo. Olhar o purgatório,quando se está no inferno,é bem mais doloroso do que se pode pensar! Como a felicidade mesmo incompleta, é transitória neste mundo de mortais, veremos que, em seus sofrimentos, aqueles destinos em breve se comparariam. Quando a tarde caía, D.Lia sentia alguma coisa diferente na casa.E quando ouvia as tristes canções da Casa de Yedda,se entristecia e caía em profunda melancolia que se transformava pouco a pouco em depressão.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Canções tristes!Porque melancólicas são as canções dos bordéis que cantam a queda das meretrizes e suas vidas de servidão humana. Naquele tempo o ciúme do marido,o rancor por morar tão perto daquele “cabaret”,faziam da triste e elegante senhora uma pessoa enraivecida e cheia de preconceitos para com as meretrizes. É muito difícil a prática da caridade com os infelizes,quando se sabe,ou se supõe, que eles podem ser a causa de nossa infelicidade! Esta desagradável proximidade,cercada por um círculo de preconceitos sociais e religioso tão significantes,depois dos ciúmes justificados de Américo foram aos poucos criando uma repugnância da parte dela com a nova residência,ao ponto de fazer com que julgasse sentir uma tristeza mórbida,sempre que a noite se aproximava! A noite sempre despertou no homem moderno o pavor remanescente do tempo em que seus ancestrais se escondiam, trêmulos e apavorados pelo assédio das feras no interior das cavernas ainda na alvorada do homem. Tássio assistia esta transformação com pesar e melancolia, e foi assim que começou a viver os dramas íntimos pelos quais passava a alma de sua mãe.Suas lágrimas,suas suspeitas justificadas até certo ponto,da conduta desleal do marido ocupavam a maior parte de seu tempo em casa! Sensitivo,ele captava estes sentimentos e também se angustiava.Passou também olhar a casa de Yedda e julgar que o pai poderia estar lá,todos os dias após o trabalho,o que era um exagero evidente...Mas algo lhe dizia que havia um certo exagero da mãe naquela avaliação.Apiedava-se dela e admirava-se como o irmãozinho nada se ligava e percebia.Foi nesta época que D.Lia aprofundou as suas cismas,achando que o casarão tinha qualquer coisa de sobrenatural.As vezes percorria os banheiros e achava que abriam os chuveiros de supetão!Outras vezes ouvia crianças chorando,bebês,em uma casa que as crianças já passavam dos cinco anos de idade.Vultos começaram a ser vistos por ela ao cair da noite e seus apelos deixavam o marido insatisfeito e inquieto!

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Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Capítulo III O Trem dos Desgraçados. A composição cortava célere a planície sertaneja e bamboleante levando a carga humana sofredora. Os miseráveis eram aos milhares, homens,mulheres,velhos e crianças que se lançavam em direção ao Recife vindo Agreste pernambucano, na esperança de alívio da fome e da miséria! Nos primeiros vagões iam os que conseguiram reunir alguma coisa além da roupa do corpo, esfarrapada e remendada. Nos vagões intermediários iam os pingentes mais necessitados e cheios de pequenas doenças,que muitas vezes eram responsáveis pelo fedor nauseabundo que acompanhava o Trem dos Desgraçados. Nos últimos elementos da composição, juntamente com os animais de carga,gaiolas de passarinhos, algum gado remanescente da tragédia secular,vinham os maltrapilhos e miseráveis retirantes nordestinos vitimados pela terrível seca do Quinze. (1915) O tradicional e secular drama fizera naquele ano uma verdadeira raspagem nos contingentes humanos que povoavam os sertões do Ceará,Pernambuco,Sergipe,Bahia,Alagoas,Rio Grande do Norte e Paraíba.O gado quase que desaparecera em sua totalidade e milhares de crianças perderam a vida antes dos três meses de idade.A Zona da Mata estava sendo invadida por flagelados que vinham do Agreste e do Cariri. Os miseráveis párias humanos olhavam para além das janelas dos carros azuis da Rede como esperassem que seus semelhantes compreendessem que eles desejavam sobreviver apesar daquele calvário.

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Cada olhar era um raio de esperança em direção ao homem metropolitano que não entendia aquilo tudo,aquela invasão de maltrapilhos. Às vezes as barreiras sociais são cortinas fechadas à observação e ao entendimento entre os homens, e os que os exploram tratam de fortificar esta divisão e separar os homens por fúlgidos conceitos para justificar a dominação em um país em que a estrutura agrária durante quinhentos anos só serviu a este propósito,e que gerações de políticos transformaram este sofrimento em uma verdadeira indústria da seca. Quando o trem passava nas estações fazendo paradas regulamentares, nem os fiscais se arriscavam a subir nas plataformas,limitando-se a tocar suas sinetas mandando prosseguir. Quem tentava descer era empurrado de volta para aquele amontoado de corpos macilentos que se espremiam, pisando sobre as próprias fezes ou se machucando mutuamente dentro da maior e mais triste promiscuidade. As almas mais caridosas se reuniam nas estações do Grande Recife e Fortasleza ou arrecadavam algum dinheiro com os expectadores e os viajantes,entregando pelas janelas, o resultado daquela coleta minguada. Os pobres,como condenados a um purgatório terrestre, estendiam as mãos amareladas cheias de veias azuis e muitos deles ao receber as esmolas retiravam os chapéus em sinal de respeito só devido a reis e papas, quando gritavam fraquinhos na proporção que as forças permitiam-lhes: - Deus pague o auxílio e que te dê muitos anos de vida e felicidade!Era isso que eles sonhavam também para si,o tanto quanto sinceramente desejavam aos outros! E lá ia o Trem dos Desgraçados a mexer-se, a chiar em suas rodas,apitando,apitando e lançando-se em direção à estação seguinte,procurando o Recife e as demais capitais do Nordeste também minguando pela falta de água e de bens extintos pela seca,pela estiagem cruel que se repetia em ciclos naturais.Ela,o Trem dos Desgraçados se

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. escondia ao longe,por trás dos canaviais que tomavam um lado e outro da composição e reaparecia apitando e fumegando a toda vcelocidade como uma serpente sinistra daquele flagelo na espécie humana. Marieta,Julinha,Maria e Severino se espremiam nos últimos vagões,encostados uns nos outros,sonolentos pela noite mal dormida e ansiosos por chegar. A raçãozinha de pirão de milho já terminara e as esmolas não tinham chegado àquela composição. Severino abraçava a esposa com Julinha de dois anos no colo, e rezava sem parar: - Nossa Senhora,São Francisco de Canindé, ajudem-nos a chegar vivos a ao Recife que eu rezo trinta terços sem parar antes de comer o primeiro prato de comida do dia. Marieta reclamava: - Ora Severino,quem dixe que eu vou rezar nada de uma pôrra!Vou é comer o primeiro prato e a primeira migalha que aparecer.Ixe homem,tu é doido varrido.Primeiro a barriga,depois a reza! E completava: - Tu acha que Deus sabe que a gente existe?Já perdemos tudo e eu estou com o pulmão inutilizado. Abre os olhos home e dexe de falar e dizer tanta besteira! O pobre e crédulo homem, criado dentro da religião e das igrejas que completavam no campo, a tarefa de manter submissos os homens ao seus senhores feudais,balançava a cabeça para lá e para cá,como se estivesse reaprendendo e censurando a esposa incrédula,desesperada e revoltada. Marieta era uma dessas mulheres sertanejas,curtidas ao sol,que saía de manhã cedo quase em jejum para capinar até se apoiar no cabo da enxada.Esquelética pelo sofrimento e o maltrato que os senhores em quase sua totalidade mantém os meeiros sem opção,tinha quase um metro e oitenta de altura,olhos verdes faiscantes,rosto de ossos laterais

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. preeminentes,denunciando sua origem mestiça,artérias à mostra no pescoço e nos braços ainda em plena juventude. Só tinha mesmo cabeça em cima daquele corpo esguio e cheio de pelancas como quem fora gerada gorda e formosa e perdera as carnes pelo sofrimento e pela necessidade. Seus olhos verdes, traço dominante sob a testa arredondada, que mais parecia uma face de cabaça murcha pela ação do sol e do vento,era o indício de uma alma forte e presente,rebelde de Deus e dos homens! Fizera tudo para salvar a família da inanição, quando a seca se abatera sobre o Agreste.Apanhara água á distância de dez quilômetros de casa dentro de um grotão que só herói era capaz de escapar. Muitas vezes,deixando Maria em casa mexendo o angu ou carregando Julinha nas costas quando pequena,já não podia mais caminhar.Descia o grotão com a criança e subia com a menina agarrada à sua cintura equilibrando a lata d água na cabeça. Transportando aquela água barrenta, oscilando de lá para cá,ferindo os pés nos seixos que se acumulavam nos caminhos tortuosos do Sertão, havia momentos que parecia que iam despencar despenhadeiro abaixo. E lá reiniciavam o retorno de dez quilômetros sob um sol escaldante e pedregosa de terra seca até à casinha de taipa,onde morcegos habitavam no teto e barbeiros se infiltravam,muitas vezes com suas picadas,dizimando legiões de nordestinos pela Doença de Chagas. À noite,quando Severino retornava da faina e voltava com um tatu,um preá-do-mato,e ultimamente com nada,ela coitada,desesperada,ainda cumpria religiosamente seus deveres matrimoniais! Antes,quando ainda havia esperança,tinha sido assim. Rezava, não praguejava, e sentada com o marido no banquinho tosco que ficava fora de casa,olhava a paisagem de fogo ressequida e então comentava:

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. - Vamo embora dessa desgraça Severino,isto aqui é o inferno!Do jeito que vai,vamo tudo é morrê de fome e sede! Severino acendia o cachimbinho de barro e humildemente dizia: - Fica quieta muié!Deus vai ajudá!Tô chegando a vinte pele-de- tejuassu,O que vai dar para gente sair das terras do Cel.Raimundo e pegar a composição para o Recife.Ouvi dizer que lá tão abrindo muitos asilos para retirantes e o governo tá sustentando o sertanejo inté passar esta desgraça de seca. Aí então ela se levantava,tossindo e cuspindo raias de sangue que cobria com a terra,apressada para o marido não ver!.. - Pois vamo logo,senão eu não agüento!Nem eu nem a menina que está emagrecendo demais cada dia que passa. Os olhos se enchiam de lágrimas quando ela passava as mãos pela cabeça da criança que brincava com os ossinhos na porta irregular da cabana. Aquilo tudo tinha fortes cores de tragédia e o fenômeno que se repetia há quinhentos anos ceifava vidas e trucidava homens através dos tempos,foi aos poucos revoltando,tornando-a descrente de tudo,chegando a tornar impossível qualquer relação amistosa entre ela e o Criador,a quem ela responsabilizava pela tragédia. Era demais para que ela pudesse entender a complexa realidade que enfeixava a responsabilidade dos governantes,das instituições com aquele quadro terrível e doloroso de extinção!A responsabilidade social não é identificada em um povo ou um homem em estágio religioso ou teológico como era o Nordeste brasileiro do século passado e o Brasil até a Obra –Os Sertões,de Euclides da Cunha que divisou etnias,responsabilizou governantes e chocou os padrões da insípida república que surgia de um Império vacilante e decadente. Os governos estaduais e municipais eleitos à bico-de-pena pelos latifundiários e donos de terras,se alinhavam a um Governo Federal,no

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. Rio,alienado de tudo e perdido nas lutas entre Minas e S.Paulo pelo domínio da arena do café com leite.A indústria da seca era uma extensão,um complemento do mecanismo de poder que oprimia não só os nordestinos,mas a todo o povo brasileiro ao longo do início do século,durante a queda da República Velha e do Estado Novo presedido por Vargas. Depois de alguns dias pelas calçadas de Recife,Marieta começou a ter febre alta,delirando sem parar,dizendo coisas que feriam os ouvidos dos Severinos,dos Mororós,dos Lopes que se acotovelaram com eles no último vagão ao longo da longa viagem do Agreste até o Litoral. Aquilo tudo soava como heresia aos ouvidos dos crédulos e pobres retirantes. Às vezes ela segurava as mãos do marido como se esforçasse para sobreviver à fome,à sede e ao calor implacáveis que deixavam seus olhos faiscantes,salientando mais ainda seu estado doentio. Marieta caminhava para morte com sérias lesões físicas e psíquicas comprometendo todo o edifício que a vida lhe propiciara para a sobrevivência.Ela era protagonista de um contexto que ao se agudizar atingia sobretudo os inocentes,grandes vítimas destas tragédias. - Ela não bota amanhã!Diziam os outros, colocando as mãos em sua testa porejaste.Bom mesmo era chamar um padre para lhe dar a Extrema- Unção! Mas Severino paciente ia molhando uns trapinhos e colocando nos braços,na testa e no peito de Marieta,enquanto rezava e rezava sem parar. Quando o caminhão levou as três famílias que estavam no saguão da estação de trem para o casarão da Rua do Rei,a febre de Marieta tinha cedido e ela tossindo,fraca,já falava normal e conseguira se sentar. Os poderes públicos se limitavam ao assistencialismo precário.Cediam galpões ou casarões como aquele,sombrios e afastados onde os miseráveis

Francisco J. B. Sá O casarão dos Infelizes [Digite texto] Frei Albino Aresi,psicólogo,parapsicólogo e Diretor da Mens Sana.Grã-Cruz da ONU.Juntamente com Dra.Cristina Cabral,psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia,em 1985,analisaram e provaram a autenticidade destes fatos,recomendando a edição do Livro-O casarão dos Infelizes. se abrigavam,e quando muito as irmãs de caridade e os frades da Ordem de S.Francisco se encarregavam de colher esmolas ou arranjar algum trabalho para as famílias. Quando a seca ia embora,davam sementes,e com o que tinham reunido voltavam para suas terras,como meeiros dentro de um sistema de escravidão que se repetia até a próxima seca,qu

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