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O Carro dos Milagres

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Published on March 7, 2014

Author: Renata1993Freire

Source: slideshare.net

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O Carro dos Milagres Benedicto Monteiro Parte I

O autor Nasceu em Alenquer em 1 de março de 1924 — faleceu em Belém, 15 de junho de 2008. Foi um escritor, jornalista, advogado e político brasileiro. Filho de Ludgero Burlamaqui Monteiro e Heribertina Batista Monteiro, cursou o primário no grupo escolar de Alenquer e o curso de humanidades no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré, em Belém.

O autor Cursou o científico no Colégio Rabelo, iniciando também os seus estudos de Direito na Universidade do Brasil. Diplomou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Pará. Exerceu a magistratura e o Ministério Público. Foi eleito deputado estadual por duas legislaturas. Foi também secretário de Estado de Obras, Terras e Águas. Foi cassado durante o Golpe Militar de 1964.

A obra O Livro O Carro dos Milagres, de Benedicto Wilfred Monteiro (19242008) é uma coletânea de narrativas publicada em 1975, durante os Anos de chumbo (Ditadura Militar), de censura à cultura escrita.

O conto Premiada pela Academia Paraense de Letras, a presente coletânea contêm relatos de um caboclo que vem “das brenhas da mata amazônica” contar suas histórias, memórias, culturas e saberes. Das sete narrativas, é importante enfocar aquela que contém o mesmo título do livro: O Carro dos Milagres.

O enredo O Carro dos Milagres apresenta a experiência de um caboclo (acredita-se ser este Miguel dos Santos Prazeres, embora esse nome não apareça no texto em questão, pode-se dizer que ele é subentendido de acordo com o conjunto da coletânea) no Círio de Nazaré em Belém do Pará.

Primeiramente, nota-se o “diálogo” entre dois caboclos (Personagem-narrador e o Compadre) que vieram acompanhar o Círio, sendo que o primeiro tem o interesse de pagar uma promessa que sua mãe fez à Nossa Senhora de Nazaré do Retiro (ou do Desterro) quando o rapaz encontrava-se em situação de perigo com sua canoa nas águas do Marajó. A mãe velha prometera à Santa que se seu filho fosse resguardo do temporal ele haveria de levar um barco a vela, de miriti, durante a procissão.

Foco-narrativo • Narrador em primeira pessoa. • A narrativa flui a partir de um diálogo entre compadres, em que o narrador é um romeiro que veio ao Círio pagar uma promessa feita à Virgem em favor de seu barco que sofrera um naufrágio.

Tempo • · Tempo cronológico – dois dias seguidos, desde a madrugada do Círio até à tarde do dia seguinte: “três horas da tarde”; • · Tempo histórico – o milagre de Nossa Senhora de Nazaré a Dom Fuas Roupinho no século XII; • · Tempo psicológico – feed back: lembrança do naufrágio do barco, das sagas pelos igarapés como o compadre “de cachaça”.

Lugar/Espaço • · Espaço físico: Largo da Sé (atual praça Dom Frei Caetano Brandão), catedral da Sé bairro da Cidade Velha, ruas do cortejo do círio, Largo de Nazaré (atual Praça Santuário), Basílica-Santuário de Nazaré, sacristia e garagem da Basílica, cadeia. • · Espaço psicológico: Baía do Marajó, Igarapé das Matas do Catauari.

Estrutura da Narrativa • · Principais: • Narrador (com o nome subentendido “Miguel dos Santos Prazeres”); • Compadre “de cachaça”; • Compadre “que perdeu o filho. • · Secundários: • Mãe velha (genitora do narrador); • Beatas; • Comissário (policial); • Comadre (que perdeu o filho); • Filho (dos Compadres)

Fragmento... Olhe compadre, nem quero lhe contar a triste sina deste meu barco-a-vela feito de tala de miriti. Eu trouxe ele, mas, foi pra colocar no Carro dos Milagres... Promessa feita e jurada ao pé da imagem de Nossa Senhora do Retiro na noite de lua cheia, três noites depois de medonho temporal.

Fragmento... Tive que correr terra – o senhor pensa – pra cumprir dita promessa. E trazer com minhas próprias mãos, esta veleira copiada da finada canoa que o vento levou e a água reduziram a fanico na contra-costa da Baía de Marajó. Só este criado seu escapou são e salvo por obra e graça de Deus e Nossa Senhora de Nazaré. (...)

Digressão Uma digressão (do latim digressĭo, ōnis) é o efeito de romper a continuidade de um discurso com uma mudança de tema intencionada. Pode ser uma reflexão da volta do passado, um flashback refletivo, por exemplo. Um flashback é uma volta no tempo, e uma quebra cronológica temporal, uma vez que não obedece uma ordem lógico e sequencial.

Exemplo... Esse pano branco da rede da minha velha mãe era um pedaço da vela-mestra de uma canoa naufragada que meu finado irmão guardava num baú velho como lembrança de tanta luta pelo mar (...)

As descrições O narrador-personagem descreve, de forma maravilhosa, os detalhes da procissão que está assistindo pela primeira vez, volta-se ao passado de suas lembranças para contar suas sagas de canoeiro no Igarapé da Mata do Catauari com o “Compadre”, um amigo que o acompanha no Círio e numa beberagem com cachaça de Abaeté, enquanto aguardam no nascer do dia a saída do Círio no Largo da Sé (atual Praça Dom Frei Caetano Brandão).

OBS: • Ambientação Contexto social, histórico, religioso, familiar. • Enredo Linear e a-linear (intercalado com memórias, feed backs) • Foco-narrativo Narrador em primeira pessoa • Discurso Direto e indireto livre • Clímax Reencontro do filho (dos compadres) embriagado, o qual diziam que estava morto e o mesmo que soltou os balões coloridos que se engataram na promessa do Miguel.

O personagem-narrador (Miguel) descreve, de forma maravilhosa, os detalhes da procissão que está assistindo pela primeira vez, volta-se ao passado de suas lembranças para contar suas sagas de canoeiro no Igarapé da Mata do Catauari com o Compadre, um amigo que o acompanha no Círio e numa beberagem com cachaça de Abaeté, enquanto aguardam no nascer do dia a saída do Círio no Largo da Sé (atual Praça Dom Frei Caetano Brandão).

Praça Dom Frei Caetano Brandão

Referências bibliográficas • http://llfeioleituras.blogspot.com.br/2012/05/carro-dosmilagres-de-benedicto.html • http://www.skoob.com.br/livro/89968 • http://vestibularnopara.com.br/leituras-recomendadas-ocarro-de-milagres-de-benedicto-monteiro/

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