Novela gráfica urbana uma reflexao acerca do cotidiano de alunos do entorno do paranoá

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Published on February 15, 2014

Author: Fiadedeus

Source: slideshare.net

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Aborda a proposta e o planejamento da aplicação de um projeto de ensino e aprendizagem intitulado Novela Gráfica Urbana. Neste projeto, crianças e adolescentes se dedicarão à construção de uma história em quadrinhos que apresente temas da realidade de seus contextos sociais, e que seja resultado de um processo criativo multidisciplinar, no qual serão trabalhados jogos teatrais, ilustrações, colagens e manipulação de tecnologias digitais para informação e comunicação.




Palavras-chave: Arte-educação. Novela gráfica. Jogos teatrais. Ilustração. Edição de imagens. Tecnologias digitais na educação.

1 Universidade de Brasília - UnB Instituto de Artes – IdA Pós-graduação em Arte Arteduca: Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas Novela Gráfica Urbana: Uma reflexão acerca do cotidiano de alunos do entorno do Paranoá-DF Priscila de Macedo Pereira e Souza Brasília, Agosto de 2012

2 Priscila de Macedo Pereira e Souza Novela Gráfica Urbana: Uma reflexão acerca do cotidiano de alunos do entorno do Paranoá-DF Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto de Artes da Universidade de Brasília, como requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas, sob orientação de Elisa Teixeira de Souza. Brasília UnB Agosto de 2012

3 Universidade de Brasília - UnB Instituto de Artes – IdA Arteduca: Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas Priscila de Macedo Pereira e Souza Novela Gráfica Urbana: Uma reflexão acerca do cotidiano de alunos do entorno do Paranoá-DF Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas e aprovada por todos os membros da Banca Examinadora do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Brasília, 28 de Julho de 2012 Banca Examinadora

4 Agradecimentos À Deus, por ter me dado saúde e ânimo para continuar estudando, e alegria para mudar minha rotina, minha vida; À minha mãe, que tanto me incentivou a continuar os estudos assim que me formasse; A minha família que me animou para vir a Brasília passar esses semestre na intenção de conhecer meus parceiros de trabalho mais de perto, e essa nova realidade, bem diferente de Goiânia. Aos meus amigos e colegas de profissão, Diogo e Viviane, que tanto amo, que Deus colocou no meu caminho para apoiarmos uns aos outros; A minha, nossa, orientadora Elisa, que com paciência e compreensão nos ajudou, orientou, encaminhou nessa trajetória. Ao ArtEduca, que me proporcionou novos olhares sobre conhecimentos que eu já conhecia, mas, de uma nova perspectiva.

5 Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você. Richard Bach

6 Resumo Aborda a proposta e o planejamento da aplicação de um projeto de ensino e aprendizagem intitulado Novela Gráfica Urbana. Neste projeto, crianças e adolescentes se dedicarão à construção de uma história em quadrinhos que apresente temas da realidade de seus contextos sociais, e que seja resultado de um processo criativo multidisciplinar, no qual serão trabalhados jogos teatrais, ilustrações, colagens e manipulação de tecnologias digitais para informação e comunicação. Palavras-chave: Arte-educação. Novela gráfica. Jogos teatrais. Ilustração. Edição de imagens. Tecnologias digitais na educação.

7 Sumário Minhas Trajetórias................................................................................................8 1. Justificativa .....................................................................................................9 2. Objeto de pesquisa ........................................................................................10 3. Objetivos .........................................................................................................11 3.1 Objetivo geral ....................................................................................11 3.2 Objetivos específicos ........................................................................11 4. Referencial teórico ..........................................................................................12 5. Metodologia .....................................................................................................17 6. Procedimentos metodológicos ........................................................................19 7. Cronograma ....................................................................................................19 8. Considerações finais .......................................................................................20 9. Referências bibliográficas .............................................................................22

8 Minhas trajetórias Minha vida sempre foi cheia de artes. Artes visuais, música, dança, LIBRAS, escultura, dentre tantas outras. Mas, a fotografia e os quadrinhos sempre me encheram os olhos. Tinha coleções de gibis, fotografias antigas, álbuns artesanais. Trabalho com artes desde a meninice. Aos sete anos fui matriculada no Veiga Valle, onde estudei artes plásticas até os 16 anos de idade. Simultaneamente estudei Música (piano e teoria) no Conservatório de Música da UFG e no Centro Livre de Artes, em Goiânia. Terminei os estudos de música aos 14 anos em ambas as instituições. Aos 17 iniciei meus estudos em Design de Interiores, pela PUC Goiás, mas, a empolgação não durou muito. O curso era muito técnico e presava apenas a utilidade. Sempre me interessei pela estética e percebi que a mesma não estaria tão presente nesse curso. Sempre lecionei na igreja, e nas escolas onde meus pais trabalham, substituindo um ou outro professor. Conversando com meus pais, cheguei a conclusão que o curso de Artes Visuais, habilitação em Licenciatura, era o ideal, e continha tudo o que eu procurava e gostava. Assim, em 2008, aos 19 anos, iniciei meus estudos em Artes Visuais, pela FAV, na Universidade Federal de Goiás. Comecei a estudar mais a fundo sobre o público Surdo, o qual eu já tinha contato desde os 15 anos, e pela fotografia, ferramenta muita usada por esse público. Assim, surgiu um interesse maior pela fotografia contemporânea, artística e iniciei uma pesquisa que durou dois anos sobre fotógrafos artistas contemporâneos, como por exemplo, o mineiro Lucas Dupin, os paulistas Theo Craveiro e Daniel de Paula e, a paraibana Íris Helena. Minha pesquisa na graduação girou em torno da arte contemporânea e, a fotografia como mediadora desse conhecimento para os Surdos. E, com a oportunidade da especialização e a proposta do PEA ser colaborativo, tentei primeiramente ir para o lado da música, por conta do meu atual trabalho, como professora de Artes e Musicalização numa escola de Maternal I ao 4º ano. Mas, depois que observei os demais temas dos outros colegas, me interessei pela ideia dos colegas Diogo e Viviane, nas áreas do desenho, da fotografia e do teatro, que ate então, não tinha nenhuma experiência didática, mas, como hobby.

9 Assim, o projeto que elaboramos foi nomeado de Novela Gráfica Urbana. O mesmo propõe-se a apresentar alternativas para um problema estrutural antigo: a questão da desconexão entre os conteúdos ministrados nas escolas e a realidade social imediata vivenciada pelos alunos, o que reflete uma didática incapaz de proporcionar condições para que estes reflitam e se comportem como sujeitos ativos, construtores de suas próprias aprendizagens. Partindo das vivências sociais dos alunos, a fim de se construir coletivamente uma novela gráfica ou história em quadrinhos que trate de aspectos sociais identificados pelos alunos nos contextos sociais onde vivem, serão trabalhados jogos dramáticos, técnicas de desenho, colagem e pintura, e manipulação de recursos tecnológicos, como máquina fotográfica e programas computacionais de edição de vídeos e imagens. Assim, mediando o olhar sensível dos alunos para o mundo, traçaremos uma ponte para o conhecimento de uma nova arte, uma nova forma de criar: criar na presença do outro, em parceria com o outro e em sintonia com a realidade. Assim, essa caminhada se dará em duas etapas. A primeira etapa está subdividida em três primeiras partes: a primeira é essa pequena introdução, descrevendo minha trajetória como meio para que você, querido leitor, pesquisador, arte-educador, colega, professor, que está a procura de mais ideias para suas aulas, sua trajetória, ou apenas algumas dicas, então, fique a vontade. A segunda é o PEA, resultado de um trabalho colaborativo construído a partir de uma ideia, de uma colega, e que, foi se desdobrando a partir das vivências de cada um, autores de diversas áreas, desejos, desafios. E a terceira parte, concluindo assim essa pesquisa, descrevendo minha perspectiva, meus anseios, enfim, minha conclusão de tudo isso. E, a segunda etapa é composta de um portfólio contendo minhas atividades e contribuições ao longo do curso. 1. Justificativa Metodologias tradicionais e conteúdos desconexos com a realidade vivenciada pelos alunos em seu cotidiano são questões que afetam a todos os níveis de ensino, tanto em escolas da rede particular, quanto na rede pública. Tal questão

10 caracteriza uma realidade preocupante, no sentido de que, quanto mais longe do contexto vivido está o ensino, menos efetivo será o envolvimento e a participação do estudante no processo da construção de saberes dentro da escola. A escola não se encontra desvinculada da trama social na qual está envolvida, e deve ter entre seus objetivos o de dialogar os conteúdos da escola com as informações trazidas pelos alunos relacionadas às vivências externas que experienciam. Tal direção de mediação pedagógica auxilia os alunos a elaborarem pensamentos e atitudes críticas diante da realidade que os cerca. Tendo em vista a escola como um ambiente em que a convivência em grupo é necessária (para não dizer obrigatória), os jogos dramáticos possibilitam um espaço de reflexão, de resgate da alegria de estar com o outro, e de construção de parcerias; abrem a possibilidade do indivíduo modificar-se a si mesmo enquanto modifica o (que está) próximo, numa construção conjunta que vai além do ensino exclusivamente conceitual, teórico – predominante na escola. A prática do ensino construído a partir das vivências é uma temática bastante discutida na área educacional, pois é de suma importância que o contexto históricocultural dos educandos, bem como seus conhecimentos prévios trazidos para a escola sejam considerados na ação pedagógica. 2. Objeto da pesquisa A pesquisa pretende lidar com dois problemas estruturais ocorridos nas escolas e que se relacionam com os conteúdos trabalhados e com a maneira como estes são ministrados: em primeiro lugar, a questão de que os conteúdos não se relacionam satisfatoriamente com a realidade vivenciada pelos alunos; e em segundo, o fato de que os conteúdos, na maior parte das vezes, são trabalhados por didáticas que não proporcionam condições para que os alunos construam reflexões a partir de suas experiências cotidianas imediatas. A fim de enfrentar os problemas descritos, buscaremos investigar se, ao aliarmos a visão dos alunos a respeito dos problemas urbanos que enfrentam em suas realidades sociais a criações artísticas tanto analógicas quanto computacionais, poderemos contribuir para um maior envolvimento e interesse pela

11 aprendizagem, proporcionando a construção do conhecimento formal aliado ao desenvolvimento da capacidade crítica dos alunos com relação aos problemas sociais que os rodeiam. O projeto será aplicado em duas escolas, em diferentes contextos: 1 – Colégio Barão do Rio Branco: escola particular, de médio porte, localizada no Paranoá-DF, em uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental (crianças na faixa entre 10 e 11 anos de idade), no turno vespertino, com 20 alunos. A escola atende, em sua maioria, filhos dos comerciantes da cidade e moradores de condomínios localizados próximos à Região Administrativa. O contexto urbano específico da região oferece experiências e vivências ricas no sentido de promover discussões e construções nas diversas áreas do conhecimento (Ciências, Artes, Geografia, História, Língua Portuguesa, etc), potencial que é desconsiderado no sentido de estabelecer conexões entre as disciplinas que constituem o currículo escolar e a realidade imediata vivenciada pelos estudantes. 2 - EEEM JOVEM GONÇALVES VILELA: escola da rede pública de ensino, em JiParaná – RO, com as turmas de 1ª e 2ª séries do EM. 3. Objetivos 3.1 Objetivo Geral Relacionar vivências externas dos estudantes com a construção de saberes a partir de linguagens artísticas (teatro, artes plásticas e computacional), no sentido de promover a aprendizagem dos conteúdos formais e a postura crítica diante da realidade. 3.2 Objetivos Específicos  Construir um processo de compartilhamento de relatos pessoais para assim termos uma gama de situações, experiências e possíveis enredos;  Dramatizar as histórias escolhidas;  Gerar na turma o entendimento do que seja uma novela gráfica;  Ilustrar as histórias selecionadas;

12  Proporcionar aos alunos vivências nas técnicas de desenho, fotografia, pintura, dentre outras possibilidades comuns à realidade local e edição de áudio e imagens - que possibilitem a construção do pensamento e posicionamento crítico diante da realidade que os cerca.  Desenvolver as linguagens artísticas, teatrais, visuais e computacionais, para que, através da novela gráfica urbana, consigam relacionar os conteúdos ao seu cotidiano.  Trabalhar com os alunos os seus conhecimentos prévios possibilitando uma aprendizagem significativa e assim, uma maior construção do seu conhecimento. 4. Referencial Teórico Vygotsky defende a importância de se considerar não apenas as aptidões físicas, mas também a influência do contexto sócio histórico e cultural na formação do indivíduo. Tendo em vista a necessidade de tornar o ensino uma prática de envolvimento dos estudantes em torno de uma construção, sendo ela colaborativa e significativa, o projeto Novela Gráfica Urbana traz a possibilidade de criar tendo-se como ponto de partida ou inspiração, a realidade, ou seja, o próprio contexto social e histórico. Vale esclarecer que Novela Gráfica é uma espécie de filme no papel; numa sala de cinema interior. Do texto original para os quadrinhos, as cenas, com suas falas, dão espaço às imagens e textos. Acredita-se que ao se representar uma cena, o subconsciente dos envolvidos passa a ser habitado por uma espécie de novela ou historia, a qual poderá se tornar concreta por meio de um processo criativo de representação do imaginário por imagens e textos que dialoguem com essas imagens. No caso da Novela Gráfica Urbana, o processo de representação pelo qual os alunos passarão durante a elaboração das imagens levará os alunos a desenvolverem seu senso crítico para com a realidade que vivenciam. Os roteiros e os cenários (imagens) serão elaborados a partir dos relatos das vivências dos alunos; as cenas, imagens e representações brotarão de uma construção em grupo. Como afirma Hernandez,

13 (...) representação é o ‘uso de linguagem e imagens para criar significado sobre o mundo que nos rodeia (...) (HERNANDEZ. 2005. p. 137). Hernandez diz ainda que, (...) Como formas culturais (pintura, fotografia, cinema, televisão), os sistemas de representação nos permitem construir e interpretar significados dando sentido ao mundo, transformando-o histórica e socialmente (Louro apud Hernandez). Sob esta perspectiva, a representação não é vista como um espelho ou reflexo da realidade, mas como um modo de mediar à compreensão de ideias e sentidos, de processos simbólicos (HERNANDEZ. 2005. p. 137). E, pensando-se na questão das vivências sociais dos alunos, concorda-se com Hernandez quando o autor diz que: (...) Na cultura visual, é necessário pensar a aprendizagem como uma relação entre a construção da subjetividade individual e a construção social e política da compreensão (HERNANDEZ. 2005. p. 141). Com relação à utilização dos Jogos Dramáticos, Alicia Fernández (1991, p. 48) refere-se à aprendizagem como um processo "cuja matriz é vincular e lúdica e sua raiz, corporal". Nesse sentido, os saberes envolvidos na prática educativa passam pela construção subjetiva fruto também das experiências vividas corporalmente – com o outro, por meio do outro e em presença de outro(s). A autora coloca ainda algo interessante a respeito da experiência no processo de estruturação da inteligência da criança: “Se a criança não realiza ações com os objetos, se não tem possibilidade de ver, tocar, mover-se, provar seu domínio sobre as coisas, vai encontrar sérias dificuldades no processo de organização da sua inteligência" (FERNANDEZ, 1991, p. 72). Infere-se, portanto, que a experiência de manipulação coletiva de materiais, bem como o compartilhamento e dramatização de histórias pessoais refletem positivamente na construção dos conhecimentos e das vivências dentro da escola. Sendo assim, os jogos teatrais funcionariam como ferramenta útil no sentido de desenvolver no grupo diferentes inteligências, levando a prática pedagógica para além das atividades estritamente intelectuais, as quais são privilegiadas pelo ensino escolar tradicional. Os jogos dramáticos podem desenvolver capacidades como:

14 imaginação, concentração, intuição, expressão oral e corporal, percepção sensorial, cinestesia, senso estético, atenção e especialmente cooperação. Vygotsky estabelece, no texto Imaginação e seu desenvolvimento na infância, que a imaginação só acontece quando são feitas combinações de elementos observados com as imagens que já existem na consciência, o que aponta para o fato da imaginação constituir um enigma insolúvel. Existiriam duas diferentes imaginações, a imaginação reprodutora, que é a própria memória, e a imaginação criadora, que para muitos psicólogos, é onde “surgem novas combinações desses elementos, mas, que não são novos em si” (VYGOTSKY, 1998, p. 109). Assim, Vygotsky acredita que a imaginação não pode criar elementos novos, mas apenas combinações novas com aquilo que já existe na memória. Assim como ocorre nos sonhos, não se pode ver nada que realmente não se tenha visto antes. Com relação à intuição, SPOLIN diz que: A intuição é sempre tida como sendo uma dotação ou uma força mística possuída pelos privilegiados somente. No entanto, todos nós tivemos momentos em que a resposta certa "simplesmente surgiu do nada" ou "fizemos a coisa certa sem pensar". As vezes, em momentos como este, precipitados por uma crise, perigo ou choque, a pessoa "normal" transcende os limites daquilo que é familiar, corajosamente entra na área do desconhecido e libera por alguns minutos o gênio que tem dentro de si. Quando a resposta a uma experiência se realiza no nível do intuitivo, quando a pessoa trabalha além de um plano intelectual constrito ela está realmente aberta para aprender (SPOLIN, 2005). Dessa maneira, levando os mesmos elementos das antigas disciplinas já conhecidas por esses alunos, mas de forma com que vejam de forma crítica e, alguns conceitos como: construção, criação, senso critico, arte contemporânea, cultura visual, dentre outros que fazem dialogam com os já conhecidos faz com que se desenvolva a emancipação enquanto seres críticos, reflexivos. Essa busca se concretiza quando as pessoas conseguem superar os obstáculos ligados à sua condição e alcançam níveis de conhecimento mais elevados a partir dos quais poderão exercer atividades desafiadoras. A capacidade de estar atento ao presente é necessária no jogo e na vida e está relacionada com um estado de disponibilidade; disponibilidade para sentir, para perceber e para observar. Nesse sentido, o estar ‘presente’ se torna uma porta para a ativação da intuição, e se fortalece em uma postura cotidiana. Assim, esses alunos entenderão que,

15 (...) o cotidiano é plural, híbrido, miscigenado e complexo, e quanto podemos aprender, observando, registrando e refletindo sobre os acontecidos e vividos nesse cotidiano (...) (GARCIA. 2003. p. 252). Com relação aos jogos dramáticos, é necessário que alguns conceitos abordados por Spolin sejam enfatizados, pois a autora produziu um trabalho sistematizado em sessões de trabalho (como se fosse um manual dirigido a professores-diretores). Esse material, com o qual trabalharemos é fundamentalmente composto por exercícios-jogos em problemas de atuação o que devem ser resolvidos. Qualquer jogo digno de ser jogado é altamente social e propõe intrinsecamente um problema a ser solucionado – um ponto objetivo com o qual cada indivíduo deve se envolver (...) (SPOLIN. 2005. p. 5). Tais “problemas” são organizados em torno de três termos fundamentais: ‘Onde’, ‘Quem’ e ‘O quê’. O ‘Onde’ se refere ao local no qual se passa a situação, o ‘Quem’ se refere aos personagens que estão no local determinado, e o ‘O Que’ se refere à ação que os personagens estão realizando (SPOLIN, 2007). No que tange ao entendimento da postura desejada do ator-aluno no momento do jogo, Spolin enfatiza a necessidade de se perceber que há uma diferença entre ‘fiscalizar’ o que se passa, e produzir-se falatório; entre ‘mostrar’ uma realidade, e ‘descrever’ uma realidade; entre ter um foco de atenção, e não ter; entre criar algo, e inventar qualquer coisa; entre obedecer ao ‘Onde’, ‘Quem’ e ‘O quê’, e planejar antecipadamente o ‘Como’ (determinar de antemão como se fará a improvisação). Ainda no que tange aos jogos dramáticos, podemos considerar o trabalho do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal que, além de unir o teatro e a pedagogia, também alia teatro e ação social. Boal trabalha com as ideias de Paulo Freire, baseando-se na pedagogia do oprimido, transportando esses conceitos para o teatro. O teatro popular, para o autor, é uma estratégia de educação não formal, que propicia o desenvolvimento, a criação artística e o acesso cultural para as comunidades (BOAL, 1980).

16 Essa metodologia é realizada no sentido de se fazer ecoar a voz dos oprimidos, pois Paulo Freire propunha uma pedagogia elaborada pelos e não para os oprimidos. Paulo Freire também priorizava o saber do cotidiano, em prol de uma educação que fosse além dos conteúdos escolares. Assim, o saber aprendido na escola não se separa do conhecimento prévio do aluno, ou seja, da sua realidade. Esses conteúdos estão associados à vivência do aluno, não havendo uma dissociação entre os conteúdos construídos pelo educando e o seu contexto. Os integrantes do Teatro do Oprimido são estimulados, através de meios estéticos, a expandirem sua capacidade de compreensão do mundo e de transmissão de sua visão de mundo aos demais membros de suas comunidades. É facilitado o trânsito de diferentes conhecimentos adquiridos, descobertos, inventados ou reinventados. Assim, os alunos seriam capazes de compreender o mundo que os cerca, transformando a sua realidade, e tornando significativa a sua aprendizagem. Os dois principais objetivos do Teatro do Oprimido definido por Boal são: • Transformar o espectador, de um ser passivo e depositário, em protagonista da ação dramática; • Nunca se contentar em refletir sobre o passado, mas se preparar para o futuro. Baseando-se nesse autor e nos seus objetivos propostos, tomemos, para o trabalho com a novela gráfica urbana, o primeiro deles, onde teríamos o aluno como protagonista da sua aprendizagem. Através da linguagem cênica, o aluno apreende o conteúdo e através dos jogos dramáticos, tem o poder de transformação desse conhecimento, de acordo com a realidade na qual estão inseridos, ou, contexto sociocultural em que se encontram. Como diz Boal: “[...] o teatro pode ser uma arma de libertação, de transformação social e educativa” (BOAL, 1980). Nessa perspectiva, considerando-se a maneira como o contexto social e histórico pode ser trabalhado por meio de jogos teatrais, que o desenvolvimento da linguagem das artes plásticas faz com que a expressividade do sujeito seja refinada, e que o conhecimento das artes computacionais o habilita a lidar com o mundo contemporâneo, a aplicação do projeto novela gráfica urbana seria um frutífero caminho para se efetivar o ideal de Vygotsky e de Freire - a aliança entre conhecimentos, conteúdos e expressão na conscientização e problematização da realidade. educação em prol de uma

17 5. Metodologia Decidimos pela Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky como uma estratégia de mediação pedagógica, que nos auxiliará em todas as ações concernentes ao projeto, no qual estaremos considerando o referencial e o conhecimento prévio dos alunos para a elaboração de novos conceitos, num exercício de construção ativa e autônoma de pensamento e conhecimentos. A primeira etapa desse processo será uma roda de conversa sobre a realidade social das comunidades onde vivem os alunos, a fim de serem identificados temas-chave para serem experimentados em dramatizações nos jogos teatrais e representados em ilustrações na novela gráfica. Nesse momento os estudantes deverão se posicionar quanto a questões que observam no cotidiano de seus bairros; deverão apontar pontos positivos, pontos negativos e enfatizar a questão que mais consideram marcante. É necessário que nessa etapa os alunos se sintam a vontade para apresentarem seus pontos de vista e discutirem divergências e semelhanças encontradas entre as falas de cada indivíduo. O objetivo é proporcionar à turma um grande diálogo, ou melhor, de uma discussão, onde todos participem. Na segunda etapa trabalharemos com os Jogos Dramáticos, onde partiremos das perspectivas de Viola Spolin e Augusto Boal; os jogos teatrais de Spolin e a teatral prática psicodramática de Boal, no sentido de construções cênicas coletivas, improvisação a partir das questões essenciais presentes na prática proposta por Spolin (o “quê”, “como?”, “onde?”), partindo das narrativas dos alunos. Na terceira etapa será um momento referente ao estudo da linguagem de desenho em quadrinhos ou novela gráfica, onde serão trabalhadas sua definição e características. Os professores trabalharão com aulas expositivas e com orientação de pesquisa a ser feita pelos alunos. Serão apresentadas aos alunos questões relacionadas às especificidades da estética dessa linguagem, como sua inserção na cultura visual e as aplicações de estilos gráficos no contexto das imagens e das narrativas. Nessa etapa os alunos farão parte de um único grande grupo.

18 Na quarta etapa iniciaremos a construção da Novela Gráfica como quadrinho autoral e, para tanto a turma será organizada em grupos de cerca de 5 alunos. O uso do desenho, do grafismo, da pintura, até mesmo da fotografia, se dará como forma de figurar, ilustrar a ideia do grupo, a história, a novela que irão construir de suas observações cotidianas. Serão trabalhadas técnicas para a construção dos quadrinhos, O primeiro eixo [eixo narrativo] é o da página que segue em linha reta da primeira à ultima. O segundo eixo [eixo emotivo] é o das sobreposições de superfícies menores em cima da superfície da página. Tanto um quanto outro eixo pode estar habitado por uma e outra linguagem, ou seja, por textos ou imagens, tanto faz. O eixo narrativo conta algo. O eixo emotivo interrompe o que é contado pelo primeiro. O eixo emotivo, tendo ele textos ou imagens, ao se projetar espacialmente em direção ao receptor, cria pausas, ênfases, interrompendo o eixo horizontal narrativo (VIGNA, p. 2). Serão abordados com a turma os elementos que caracterizam a estética dos quadrinhos ou novelas gráficas, como as relações entre texto e imagem e construções semânticas estabelecidas nas relações entre os dois eixos textuais – o narrativo e o emotivo – nas escolhas concernentes às possibilidades da oralidade. Na quinta etapa faremos o trabalho de edição dessas imagens, trabalhando com a arte computacional. A arte computacional será usada como forma de reunir as imagens e os textos. Apresentaremos programas para os alunos, tais como: Power Point, Photoscape, Movie Maker, Stop Motion, Nero, Photoshop, dentre outros, os quais será instalado com antecedência nos computadores do laboratório da escola. Será construída uma animação, fazendo com que a novela gráfica tenha movimento. Assim, os resultados não precisarão ser necessariamente impressos, mas poderão circular com maior facilidade e visibilidade pelas redes sociais, pelos inúmeros canais da internet (redes sociais e outras)¸ trazendo assim maior reflexão das histórias construídas e legitimadas. Na sexta etapa faremos, com os alunos, uma avaliação sobre o projeto e a vivência proporcionada por ele: o que acharam, o que aprenderam, o que não gostaram, o que melhorariam, o que pretendem fazer daqui pra frente, como se sentem com relação a si mesmos em meio ao seu contexto, como podem fazer mais por eles e pelas outras pessoas, dentre outros questionamentos que poderemos levantar para mediar esse momento de reflexão sobre os resultados obtidos.

19 Por fim, a sétima etapa consistirá em uma exposição, um fechamento de todo o trabalho, no pátio da escola ou na própria sala de aula. 5.1 Procedimentos Metodológicos - Rodas de conversa: compartilhamento de experiências oralmente, em grupo. - Jogos de entrosamento: trabalharemos o vínculo afetivo e o estabelecimento da relação de confiança entre os integrantes dos grupos. - Jogos de improviso: exercícios teatrais de “resolução de problemas” em grupo. - Jogos de interpretação: exercícios de atuação baseados nas histórias relatadas pelos alunos. - Oficina de produção de textos (a partir dos relatos vivenciados cenicamente). - Contextualização de Novela Gráfica: exploração dos recursos gráficos (desenho, pintura, fotografia, recorte/colagem) que darão forma às cenas. - Introdução à linguagem dos quadrinhos: espaço-tempo de experimentação das possibilidades gráficas. - Oficina de quadrinhos (desenho, pintura, etc. a ser definida pelo grupo). - Edição do material produzido pelos alunos (parte que caberá aos mediadores). - Avaliação do projeto: novo período de conversas e compartilhamento de experiências. - Exposição do produto final do trabalho. 6. Cronograma de aplicação Atividades Períodos / 2012 Agosto Aplicação do projeto na escola Compartilhamento de relatos pessoais Dramatização das histórias selecionadas Explicação de conceitos: Novela Gráfica, Animação, dentre outros Debate para elaboração dos quadrinhos Setembro Outubro Novembro

20 Ilustração das histórias selecionadas e, apresentação das técnicas de artes visuais Finalização e animação computacional: Novela Gráfica Animada Avaliação Exposição do resultado para a escola e na internet 7. Considerações finais A proposta de construção da Novela Gráfica Urbana, partindo da experiência pessoal dos alunos, em contato com a realidade que os cerca, mostra ser uma possibilidade rica de envolvimento das linguagens artísticas nas construções conceituais desenvolvidas na escola. Tais construções são as próprias disciplinas do curriculo, que, na maioria das vezes, não se conectam com a realidade social vivenciada pelos alunos, sendo assim, o projeto proporcionará aos alunos condições para que estes se tornem sujeitos críticos, ativos, construtores de suas próprias aprendizagens. O projeto será aplicado no Colégio Barão do Rio Branco, como foi dito no início da pesquisa. Por ser uma escola na qual dois colegas, integrantes do projeto trabalham como coordenadora e professor, Viviane e Diogo, será mais fácil a realização na instituição. O projeto será iniciado no final de agosto, juntamente com os colegas que trabalham no colégio. Como já foi dito, o colégio atende, em sua maioria, filhos dos comerciantes da cidade e moradores de condomínios localizados próximos à Região Administrativa. O contexto urbano específico da região oferece experiências e vivências ricas no sentido de promover discussões e construções nas diversas áreas do conhecimento (Ciências, Arte, Geografia, História, Língua Portuguesa, etc), potencial que é desconsiderado no sentido de estabelecer conexões entre as disciplinas que constituem o currículo escolar e a realidade imediata vivenciada pelos estudantes. Portanto, construir enredos, dramatizar as histórias escolhidas fará com que a turma entenda o que seja, enfim, uma novela gráfica. Ilustrar as histórias

21 selecionadas, proporcionar aos alunos vivências nas técnicas de desenho, fotografia, pintura, dentre outras possibilidades comuns à realidade local e edição de áudio e imagens – possibilitará a construção do pensamento e posicionamento crítico diante da realidade que os cerca. Desenvolver as linguagens artísticas, teatrais, visuais e computacionais, fará com que os envolvidos consigam relacionar os conteúdos ao seu cotidiano. A construção da Novela Gráfica acrescentará aos grupos escolares um espaço de vivência, investigação e construção colaborativa que ultrapassa os limites da educação escolar formal, agregando linguagens e recursos de caráter artístico e lúdico, que possibilitam novas formas de expressões e aprendizagens. Assim, aguardamos ansiosos, para, enfim, aplicar o projeto na instituição, e, juntos, aprendermos e ensinarmos uns aos outros.

22 8. Referências bibliográficas BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1980. FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: ArtMed, 1991. GARCIA, Regina Leite (org.). Souza, Maria Izabel Porto de. Método: pesquisa com o cotidiano. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. HERNÁNDEZ, Fernando & OLIVEIRA, Marilda (Orgs.). A formação do professor e o ensino das artes visuais. Santa Maria: Editora UFSM, 2005. ___________________. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Tradução Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 2000. KOUDELA, Ingrid Dormien. Brecht: um jogo de aprendizagem. São Paulo: Perspectiva, 2007__________________. Texto e Jogo. São Paulo: Perspectiva, 1996. PAIVA, W. A . A nova história, sua moral, sua ética e sua arte. Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 4, n. 8, p. 113-120, jan./abr. 2003. SPOLIN, Viola. Jogos Teatrais na sala de aula: um manual para o professor. [tradução: Ingrid Koudela]. São Paulo, Perspectiva: 2007. SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. [Tradução e revisão de Ingrid Dormien Koudela e Eduardo José de Almeida Amos]. São Paulo: Perspectiva, 2005. VIGNA, Elvira. Os Sons das palavras: Possibilidades e Limites da Novela Gráfica. Fonte: http://www.gelbc.com.br/pdf_jornada_2011/elvira_vigna.pdf. Acesso em: 31 de Maio de 2012. VYGOTSKY, Lev Seminovich. O desenvolvimento psicológico na infância – Vygotsky e o processo de formação de conceitos. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

23 Instituto de Artes Universidade de Brasília/ UNB Arteduca: Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas PORTFÓLIO PRISCILA DE MACEDO PEREIRA E SOUZA 2011/2012

24 SUMÁRIO SAGUÃO DO CURSO Atividade 1: Apresentação dos participantes ETAPA 1 - ESTUDOS PRELIMINARES E PROCESSO SELETIVO MÓDULO 1: FUNDAMENTOS DO ARTEDUCA MÓDULO 2: FUNDAMENTOS DA APRENDIZAGEM A DISTÂNCIA Unidade 1: Estratégias de ensino e aprendizagem a distância Unidade 2: Mediação pedagógica e metodologia colaborativa na EAD MÓDULO 3: ABORDAGENS TEÓRICAS APLICADAS À EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ETAPA 2 - ESTUDOS ESPECÍFICOS - ARTE-EDUCAÇÃO MÓDULO 4 - A ARTE/EDUCAÇÃO NO BRASIL E O PROCESSO HISTÓRICO MÓDULO 5 - A BAUHAUS MÓDULO 6: CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE NACIONAL MÓDULO 7: A CONSTRUÇÃO DE UMA SÍNTESE DIALÉTICA FESTIVAL ARTEDUCA MÓDULO 8 - ARTE E CULTURA POPULAR MÓDULO 10 - TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS NA ESCOLA MÓDULO 11 - PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA ESCOLA

25 PARTE II – PORTFÓLIO Arteduca 2011/2012 - Estudos preliminares Curso de pós-graduação lato sensu Arteduca: Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas. Estudos preliminares - Turma 2011/2012

26 MÓDULO 1 FUNDAMENTOS DO ARTEDUCA Atividade 2 - Apresentação Olá, me chamam de Priscila, Tenho 22 anos, moro atualmente em Goiânia, mas, com o curso do Grupo Arte Educa e outros planos, pretendo morar um tempo em DF. Me formo esse ano em Licenciatura, em Artes Visuais pela UFG, na Faculdade de Artes Visuais. Trabalho com os Surdos na Associação dos Surdos de Goiânia com fotografia e levando a Arte Contemporânea como meio de comunicação, expressão de ideias. É um trabalho muito bacana que tem me motivado a escrever muito, pensar, refletir muito sobre as Artes Visuais para esse público. Acho que só. Prazer! Obs.: Ah, e é a primeira vez que estudo de fato com AVA, já fiz a disciplina Estagio 4 e 5 assim, mas, não funcionou muito, quem acostuma com o presencial fica meio "boaindo" com isso de distância. Atividade 3 – Expectativas em relação ao curso Amei o curso! Bem dinâmico, muito interessante! Caiu uma questão no ENADE sobre o EaD e nem respondi. Não conhecia a fundo assim como explicadinho no texto "Fundamentos". Muito bom mesmo. Estou muito empolgada, espero conseguir realizar todas as atividades a tempo. Ainda não trabalho, então tenho muito tempo livre. Só acredito que as reclamações do tempo no computador aqui em casa serão enormes, mas, por uma grande causa. A minha formação! Na faculdade de artes visuais da UFG vemos justamente questões assim, relacionando cultura (Hernandez) e arte. Trabalhei muito com Vygotsky e ele com certeza é um grande educador, psicólogo e tudo mais. A zona de desenvolvimento proximal me ajudou muito a entender, a compreender o mundo dos meus alunos Surdos e a ensina-los, mediar conhecimentos da arte, fotografia, identidade, fotografia e outros conceitos através dessas metodologias (Cultura Visual e ZDP). Espero conseguir continuar o curso, objetivos desafiadores. Trabalhar com tais ferramentas (tecnológicas) causam

27 estranhamento, por incrível que pareça, até nas escolas mais equipadas que conheço, públicas, em Goiânia. Abraço, Vamos caminhando!

28 MÓDULO 2 - FUNDAMENTOS DA APRENDIZAGEM A DISTÂNCIA Unidade 1 - Estratégias de aprendizagem a distância UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE ARTES ARTE-EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO INSTITUTO DE ARTES/UnB PRISCILA DE MACEDO PEREIRA E SOUZA Atividade 5 – Navegação Exploratória Texto: Estratégias de ensino e aprendizagem a distância - Módulo 2 Fundamentos da aprendizagem a distância - Profª Maria de Fátima Guerra de Sousa Goiânia 2011

29 Minha lista: No fórum da atividade 1 - Na apresentação de cada um, 'catei' algumas frases interessantes: Sara: "Educar para mim é um dom além de um privilégio" Verdade, tbm penso assim! Educar é muito mágico, é inexplicável! Crianças, adolescentes, jovens, adultos, não importa o público, é sempre rico, a experiência, magnífica, singular. "Participar do Arteduca para mim é uma oportunidade de enriquecer o conhecimento nestas áreas além da rica troca de experiências que ele proporciona. Espero aprender muito por aqui." - É isso ai! Também estou aprendendo muito. Principalmente como a profa. Guerra mesmo disse: ''Não fazer o curso nas sobras do tempo". Confesso que sou um tanto imperativa e planejar, me organizar é muito difícil, um desafio e tanto. Daniela Marque: "a EaD é uma ferramenta valiosa no ensino tanto superior como fundamental." - Com certeza! Concordo demais. Mas, claro, disciplina e força de vontade precisam estar presentes sempre. Que não é nada fácil. Adriano Carvalho: "me propor um novo desafio criativo na área da Arte-educação." - Desafio criativo, inesperado, mas, que chegou numa ótima hora pra mim. Pra não parar o ritmo da faculdade, não parar com o ritmo que aprendi a ter nesses 4 anos, trabalhando, estudando, pesquisando, fazendo mil coisas. Leonardo: "Comecei também a me aventurar pelos caminhos da produção cultural - o que tem me aberto os olhos para outras leituras sobre arte." - Também foi assim comigo. Antes de iniciar a facul já produzia e tals, mas, depois que entrei meus horizontes se abriram. Muito me foi apresentado e muito aproveitei. Li, conheci e produzi muita arte. Foi um tempo muito importante da minha vida como prof de artes, como artista plástica, como pessoa. Stefane Moço: "Adorei esse espaço aqui e quero estudar sempre, porque em se tratando de arte quanto mais sei mas chego a conclusão que devo estudar muito." - Concordo demais. Sempre que estudo arte, e sobre os artistas, tradicionais, modernos ou contemporâneos, descubro coisas novas, inovadoras, diferentonas, e sempre me surpreendo! Realmente é um mundo cheio de novidade e vivo.

30 Roberta Letícia: "Desenho e gosto de imagens desde sempre, e talvez por isso, não tive dúvidas ao escolher essa área." Também. As imagens sempre me fascinaram! E estudando mais sobre o poder que elas tem vi nas leituras de Fernando Hernandez o quanto elas podem ensinar por elas mesmas. Assim fiz meu trabalho na Associação dos Surdos de Goiânia, ensinando fotografia artística para esse público, visual, e sem muitos conceitos em seu vocabulário, conseguimos passar o conteúdo e modificar esse espaço apenas com imagens. Foi uma experiência e tanto! Aline Christine: "Participar do Arteduca para mim é uma oportunidade de linkar tudo que eu gosto numa coisa só, enriquecer o conhecimento e a troca de experiências e tecnologia que ele proporciona." - Também foi assim pra mim. Sempre estive envolvida nas artes, fiz de tudo um pouco na minha infância e adolescência. Agradeço aos meus pais por terem me dado essa oportunidade, na qual me moldou muito bem, por sinal. Assim, o curso de licenciatura uniu meu amor pela educação e pelas artes plásticas. E acredito que o Arteduca vai acrescentar mais com relação a tecnologia também! Idelma Gonçalves: "A única coisa que tenho certeza é que sou capaz, sempre... Mas sou gente boa..." - Somos duas então! No fórum da atividade 2 - atualização do perfil, observei algumas falas que achei muito interessantes, outras geniais, outras curiosas: Sei que a diversidade de idades por aqui é muito grande! 22, 23, 24, 28, 43, 50, aposentados... outros são casados e casadas com o Flávio, com o Léo, com o Vicente, com a Marilene, com o Lelo, com a Graça, com a Rejane, com o Fábio... Alguns tem filhos pequenos, outros já na faculdade, e alguns na Medicina, no Direito... Muitos colegas já trabalham, alguns com muitos anos de experiência, outros começando, outros nem começaram (como no meu caso)... Muitos pedagogos, muitos professores de música, arte, dança, teatro, filosofia, arquitetura, matemática, design de moda, design gráfico, libras, até informática! Que moram perto, outros que moram muito longe. Alguns moram em Goiânia - GO, em Brasília - DF, em Alexânia - GO, em Quirinópolis - GO, em Corrente/PI, no Rio de Janeiro - RJ, em Paraibuna - SP, Palmas - TO, em Ceilândia - DF, Paraisópolis - MG, São Paulo - SP, Formosa - GO,

31 em Campos - RJ, em Montes Claros - MG, em Belo Horizonte - MG, em Boa Vista RO... Alguns gostam de fotografia, outros não. Alguns são alegres, sorridentes, outros são somente um smile de cor amarela. Alguns gostam de falar de si e escrevem, escrevem, já outros com apenas uma linha descrevem o que realmente acham importante ser dito. Alguns se formaram na FAV/UFG, outros na UnB, outros no SENAC, no SENAI, no IESB, pela UFG/UAB, pela UFMG, e tantas outras instituições. Outros gostam de contar da vida, outros são mais profissionais e preferem falar apenas sobre "EaD". É interessante, as vezes cômico. Mas, agora sim, estamos nos tornando uma "bela comunidade de aprendizagem" - Profa Guerra. No café das Letras, a Andreia nos encantou com a Nina flor; a Genercy com sua surpreendente arte com café! Literalmente! Algumas conversas, um espaço informal, mas, com poucos acessos. Se tornou um mural de avisos, mas, ainda é um espaço pra relaxar. Na atividade 4, pra usarmos a ferramenta CHAT foi bem legal as discussões até agora. Senti um pouco de resistência com relação ao tema Artes, fotografia, escultura, desenho, pintura. Qual a reflexão que fazemos com relação a tudo isso? e música, teatro, e tantos outros pontos? Será nós professores tão assim teóricos que não conseguimos sentir como os bacharéis? Nos posicionar de forma subjetiva, sem rodeios ou excesso de intelectualidade com as palavras? Como nossos alunos veem a arte? Algo capaz de modificar olhares, construir novos sentidos, formar construtores críticos realmente? ou apenas mais uma aula teórica e chata? Cômico e trágico, mas, veremos mais adiante. Tenho colegas na graduação que não gostam de arte, não ousam fazer arte, criticam arte contemporânea, não conseguem refletir sobre o tema. Como se formar em licenciatura, numa universidade onde a reflexão, a critica, e tantas informações para mudança, crescimento, posicionamentos é tão forte, alunos assim conseguem continuar? É tanta pressão, e ainda sim terminam longos 4 anos com a mesma visão, se não pior do que a de outrora. A Arte é capaz de revolucionar, é muito poderosa. Precisamos saber usá-la com responsabilidade, domínio, agilidade, com ousadia, coragem. Sem ter medo de sermos felizes!

32 "É preciso, pois, que o processo educativo desenvolvido no âmbito das diferentes áreas do conhecimento forme pessoascidadãs críticas, capazes de interpretar e compreender a realidade que as rodeia, e sejam capazes de responder, de forma adequada, aos desafios da vida. Há, pois, que se aprender a ser uma pessoa autônoma e colaborativa, a exercer a cidadania, bem como aprender a ser um estrategista da mudança social, na direção de uma sociedade mais humana e mais justa. Há que se aprender, ainda, a argumentar de modo coerente, sem que se feche nisso ou se perca o respeito pelas ideias do outro, só porque são divergentes." (Profa. Guerra) Verdade, verdade. Pena q eu não sabia disso quando estava no período escolar, em plena formação... nem eu, nem quem me ensinava. Precisamos de Basquiat, Figura 1

33 e Benjamin Domingues, com o casal Arnolfini de Jean Van Eyck, Figura 2 de AI WEI WE, Figura 3

34 Como diz Thiollent, concordo que a Arte deve também ser capaz de ser, (...) Uma ação educacional com propósito emancipatório é um desafio às leis de reprodução social, gerando transformações sociais a partir do fato de as camadas desfavorecidas terem acesso à educação, não apenas acesso ao vigente conhecimento etilizado, mas, sobretudo condição de construir conhecimentos novos, em termos de conteúdos, formas e usos. Na Atividade 3 - Expectativas do curso, observei em nossas falas basicamente o que a Profa. Guerra diz em seu texto: "Comunique-se com os tutores. Deixe claras as suas necessidades ou dúvidas. Peça orientações. Estude. Se empenhe. Ajude os colegas nisso. Pesquise e vão adiante. Este é o sonho de todo professor: ver um estudante buscando aprender e se empenhando nesse processo, de modo responsável e autônomo." Genercy: "Neste sentido, é importante para o desenvolvimento do processo construtivo de aprendizagem estabelecer aquisição de novos conhecimentos por meio da motivação, esforço, responsabilidade, disciplina, mas, sobretudo, colaboração dos participantes do processo, pois, depende de cada um conduzir a bagagem necessária para trilhar o caminho escolhido." "As reflexões das experiências vivenciadas e os conhecimentos prévios conforme as particularidades e singularidades de cada participante são bagagens que, por sua vez, conjuntamente aos próximos e vindouros conhecimentos tornar-se-ão elementos de peso para auxiliarem nas futuras atividades solicitadas." Andréia Borges: "A proposta do curso certamente atenderá as minhas expectativas. Em especial pela forma que nos é oferecido, online, pois acredito muito da EaD. Acredito tanto que estou fazendo dois cursos alem desta especialização e todos sempre superaram as minhas expectativas. A argonauta aqui ainda tem muito espaço livre na mochila, a ser preenchido pelos ensinamentos da especialização e aquisição de experiências dos próprios colegas do curso."

35 Maria da Glória: "A mediação do mundo, do professor, do tutor, dos conteúdos aqui se faz presente. E, articulado a isso, emerge o cuidado com a individualidade e a totalidade, o singular e o plural que são marcas das interações humanas. Colaboração; interação, autonomia e alteridade são portanto momentos que poderemos vivenciar nesse curso respondendo às nossas expectativas para um processo de aprendizagem autônomo, dialógico e colaborativo." Leonardo: "Contudo, como qualquer curso em ensino a distância, deve-se haver um comprometimento maduro dos alunos em prol do aprendizado em comum, pois o curso em si disponibiliza as ferramentas e o material humano necessário para fazermos nossas conexões, mas se não houver disciplina e interesse realmente as coisas se perdem pelo meio do caminho." Adriano: "Agora que sou professor, enxergo as coisas de forma bem diferente da visão que tinha quando era estudante de artes na UnB. Posso afirmar que minha responsabilidade em relação à arte aumentou e muito, pois agora o aprendizado em artes de centenas de crianças depende de mim. É preciso muito planejamento para articular a nossa visão sobre a arte, com o que a escola quer que seja ensinado e o que realmente vem a ser arte na contemporaneidade." Ana Angélica: "A maior delas e esse intercâmbio de ideias, conhecimentos e informações. No meu dia-a-dia sinto muita falta, poucos sabem o que consiste o ensino de Arte, acham que é tecnica com um resultado "bonitinho", preciso muito de crítica construtiva e troca de idéias nos meus momentos de planejamento e avalição própria." Catia: "Mesmo sendo presencial, sempre falo para meus alunos sobre as mesmas necessidades que nos são cobradas em cursos a distância: necessidade da autonomia, organização e, principalmente a visão que cada um precisa ter de que, na era da tecnologia, tornamo-nos mais e mais responsáveis pelo nosso aprendizado."

36 Referências AI WEI WE. Fonte: http://blogdamartabellini.blogspot.com/2011/06/panopticosprisoes-e-normalizacao.html. BASQUIAT. Fonte: intervencao-urbana/. http://www.imprimaseuestilo.com.br/2009/12/10/graphium- DOMINGUES, Benjamin. O Casal Arnolfini de Jean Van Eyck. Fonte: http://blogdofavre.ig.com.br/2010/05/o-casal-arnolfini-de-van-eyck-a-dominguez/. SOUSA, Maria de Fátima Guerra de Sousa. Estratégias de ensino e aprendizagem a distância. THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. P.14. Editora Cortez. São Paulo. 1996.

37 MÓDULO 2 - FUNDAMENTOS DA APRENDIZAGEM A DISTÂNCIA Atividade 6: a metodologia colaborativa na aprendizagem on-line Como relatora do grupo, assim, posto o seguinte glossário discutido e enfim, encerrado. Glossário Grupo: Adriano Alessandra Cátia Diogo Priscila Pesquisa: É uma prática de constante busca, investigação, averiguação, indagação, um questionamento crítico e criativo para um problema, ou vários. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação entre teoria e dados coletados. Autonomia: Na aprendizagem ela acentua a importância da inter-relação com os outros para que o aluno possa assumir um maior controle na sua aprendizagem, o aluno não é independente ou dependente, mas sim interdependente. A autonomia da escola pressupõe uma identidade própria onde os diversos atoes que interagem na escola contribuem para a alteração do sistema. Aprendizagem construtivista: Esse método propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros. Rejeita a apresentação de conhecimentos “prontos” ao estudante, assim, o mesmo toma parte de forma direta na construção do conhecimento que adquire.

38 Netiqueta: A "Netiqueta" (junção das palavras: Internet + etiqueta) é um termo usado para designar um modo de agir educadamente na Internet. Os mesmos "bons modos" que devemos apresentar quando estamos em contato com outras pessoas, quando recebemos visitas ou somos visitas para alguém, quando estamos em interação nos diversos espaços sociais (no trabalho, na Escola, e agora, ao nos relacionarmos pela Internet através do nosso Curso). Vejamos algumas regras de Netiqueta: Esteja aberto a compartilhar suas experiências pessoais, profissionais e educacionais como parte do processo de aprendizagem; seja organizado; acesse regularmente (uma vez ao dia) o site do curso, leia e responda às mensagens, leia os textos indicados e faça as pesquisas pedidas pelo tutor ou necessárias ao seu aprendizado; e colabore em grupos, aprenda a ouvir e construir um conhecimento compartilhado. Matriz Humanizante: Ela baseia-se em princípios de solidariedade e companheirismo entre os integrantes do grupo na execução de trabalhos. Ela estabelece um relacionamento entre os colegas, no caso, virtuais, tendo a consciência de que, do outro lado da tela existe um ser humano cujos sentimentos são semelhantes aos de todos os envolvidos. Em um grupo de estudos, cujas relações entre os integrantes são construídas sobre bases humanizantes, a harmonia contribuirá, sem dúvida, para resultados mais positivos.

39 Referências Bibliográficas Autonomia. O conceito de autonomia na escola: algumas reflexões. Fonte: http://rmoura.tripod.com/autonomia.htm. Aprendizagem Construtiva. Machado e Maia, 2004. Matriz Humanizante. http://www.insightead.com.br/file.php/1/Orientacoes_aos_Alunos_V1.pdf. Fonte: Netiqueta. Fonte: http://www.cemetre.com.br/ead/file.php/1/Netiqueta.pdf. Pesquisa. Fonte: MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento. São Paulo: Hucitec,1993. Fonte: DEMO, Pedro. Pesquisa e Construção do conhecimento. Rio de Janeiro: Templo Brasileiro, 1994.

40 MÓDULO 3 - ABORDAGENS TEÓRICAS APLICADAS À EAD UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA INSTITUTO DE ARTES ARTE-EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO INSTITUTO DE ARTES/UnB Alessandra de Oliveira Brumana Aline Cristine dos Santos Diogo Gomes Nunes Priscila de Macedo Pereira e Souza Viviane Godoi Campos Atividade 7 – Abordagens teóricas aplicadas à Educação a Distância Goiânia 2011

41 Vygotsky e o processo de aquisição do conhecimento: do interpessoal ao intrapessoal Desenvolvimento a partir do outro A concepção de desenvolvimento de Vygotsky, baseada no pensamento de Engels e Marx, fundamenta-se na ideia do homem como organismo biológico e social, integrado em um processo histórico. Trata-se, portanto, de uma teoria histórico-social do desenvolvimento, que “propõe uma visão da formação das funções psíquicas superiores como ‘internalização’ mediada da cultura e, portanto, postula um sujeito social que não é apenas ativo, mas, sobretudo, interativo”. O homem interfere e transforma o seu meio sociocultural ao interagir com ele, quanto o resultado desta interação acaba por interferir no comportamento desse mesmo homem. Por conseguinte, revela-se, assim, uma relação de mão-dupla, na qual há um intercâmbio, uma interação e uma constante modificação, entre o homem e seu meio sociocultural e vice-versa, na qual os dois extremos – homem e meio – são, ao mesmo tempo, transformadores e transformados, produtos e produtores de cultura e conhecimento. Assim, o aluno na EaD é transformado e transforma ao mesmo tempo, é produto e produtor de conhecimento. Mediação – Relação Professor/Aluno A importância de se entender o conceito de mediação nesta relação do homem com seu meio cultural, pois é através dela que as funções psicológicas superiores acontecem. Então, para Vygotsky, esta relação homem/mundo não é direta, mas sim, uma relação mediada por algum elemento, que tanto pode ser um instrumento ou um signo, elaborados num determinado contexto histórico cultural. Essa visão da formação das funções. Esse estilo didático esta presente nas escolas de EAD há certo tempo, principalmente com a difusão nos cursos de formação de professores de concepções de ensino baseadas no construtivismo. Elas partem de algumas bases comuns como: a ideia de que o professor “não ensina”, é o aluno que constrói seu próprio conhecimento; a noção de currículo flexível (frequentemente na forma de projetos interdisciplinares); a flexibilidade da avaliação da aprendizagem; o professor aprende na sua experiência prática (reflexão na ação, pela ação); ênfase mais no processo do que no produto. Apesar de ser uma visão positivista de conhecimento e de ensino, ajudam-nos a elaborar de forma consciente e independente um conhecimento que possa ser utilizado nas várias situações da vida prática e as atividades que organizam nos levam a ampliar o desenvolvimento cognitivo, a adquirir métodos de pensamento, habilidades e capacidades mentais para poderem lidar de forma independente e criativa com os conhecimentos e a realidade. O professor mediador pode contribuir melhor e com uma boa didática. Em um trabalho no qual o professor atua como mediador da relação cognitiva do aluno com

42 a matéria (no caso da EAD no ambiente virtual) significa grandes ganhos para ambas as partes. Há uma condução eficaz da aula quando o professor assegura, pelo seu trabalho, o encontro bem sucedido entre o aluno e a matéria de estudo. Assim, acreditamos que com a ajuda de um professor/mediador é possível alcançar o aluno em suas dificuldades, fazendo com que o mesmo conquiste novos horizontes, novos conceitos. Para que se compreenda melhor o conceito de mediação na abordagem sócio interacionista, é importante buscar sua origem, que pode ser encontrada na relação entre aprendizagem e desenvolvimento. Vygotsky destaca aspectos específicos e propõe sua teoria da aprendizagem a partir de três diferentes níveis de desenvolvimento: o real, o potencial e a zona de desenvolvimento proximal (ZPD). No caso do nível de desenvolvimento real a aprendizagem pode ocorrer com autonomia, sem ajuda; no segundo nível, os indivíduos mostram do que são capazes, contando com a ajuda de outros. A zona de desenvolvimento proximal “representa a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes”. (VYGOTSKY. 1998. P.112). Para Vygotsky, a transmissão racional e intencional da experiência e do pensamento a outros requer um sistema mediador. Esse sistema para ele é constituído pela fala humana, que se origina da necessidade de intercâmbio entre os indivíduos. As proposições de Vygotsky são importantes para que possamos compreender o papel da arte na relação homem/mundo. Considerando a arte como uma linguagem que, analogamente às tradicionais - oral e escrita – tem características próprias de expressão, é capaz de promover o intercâmbio social e o pensamento generalizante, pode-se afirmar que ela possibilita a construção de novos conceitos e significados. Desse modo, da mesma forma que as palavras, a arte em suas várias modalidades de linguagem - musicais, cênicas, visuais e corporais - propicia uma mediação simbólica entre o homem e sua realidade posto que são carregadas de sentidos e significações, tanto para seu produtor como para seus fruidores. Assim, é possível ser formar esses alunos fruidores, algo mais que simples espectadores. O fruidor não apenas contempla a arte. Ele sente, questiona, reflete, interpreta e interage com o objeto artístico, dando significado próprio ao que vê. Assim, o fruidor interage com a obra de arte, dando-lhe uma significação única e pessoal, que transcende, desta forma, a limitação imposta por significados externos e pré-determinados. Logo, pode-se afirmar que a arte caracteriza-se por ser um instrumento reflexivo de mediação entre o homem e o mundo e, portanto, capaz de construir novos conhecimentos e aprendizagens. Essa constatação nos permite afirmar que a abordagem teórica Vygotskyana fornece subsídios para a defesa de propostas que

43 valorizem o papel da arte na educação e nos permite, também, concluir que estamos na trilha correta. Na EaD, e num curso ligado as artes, observamos que o objetivo de Vygotsky não foge dos objetivos de uma Educação a Distância, ou mesmo presencial, que é o desenvolvimento das capacidades mentais e da subjetividade dos alunos através da assimilação consciente e ativa dos conteúdos, em cujo processo se leva em conta os motivos dos alunos. O ensino é o meio pelo qual os alunos se apropriam das capacidades humanas formadas historicamente e objetivadas na cultura. Essa apropriação se dá pela aprendizagem de conteúdos, habilidades, atitudes, formadas pela humanidade ao longo da história. Conforme as próprias palavras de Vygotsky: A internalização de formas culturais de comportamento envolve a reconstrução da atividade psicológica tendo como base as operações com signos. (...) A internalização das atividades socialmente enraizadas e historicamente desenvolvidas constitui o aspecto característico da psicologia humana (1984, p. 65). Esse processo características: de interiorização ou apropriação tem as seguintes a) o desenvolvimento mental dos alunos depende da transmissãointeriorização de conhecimentos, habilidades, valores, que vão sendo constituídos na história da humanidade; b) o papel do ensino é propiciar aos alunos os meios de domínio dos conceitos, isto é, dos modos próprios de pensar e de atuar da matéria ensinada; c) a ação de ensinar, mais do que “passar conteúdo”, consiste em intervir no processo mental de formação de conceitos dos alunos; d) a aprendizagem se consolida melhor se forem criadas situações de interlocução, cooperação, diálogo, entre professor e alunos e entre os alunos; e) as relações intersubjetivas implicam, necessariamente, a compreensão dos motivos dos alunos, isto é, seus objetivos e suas razões para se envolverem nas atividades de aprendizagem. Os estudos sobre os processos do aprender destacam o papel ativo dos sujeitos na aprendizagem, e especialmente, a necessidade dos sujeitos desenvolverem habilidades de pensamento, competências cognitivas. Isto traz implicações importantes para o ensino, pois se o que está mudando é a forma como se aprende, os professores precisam mudar a forma de como se ensina. O ensinar depende do como se aprende.

44 Referências ALVES, Antonia. CARLI, Andréa. Formação de Professores para o uso adequado s T ’s: uma reflexão em construção: Relato de Experiência. Fonte: http://www.portalwebquest.net/pdfs/pimentel.pdf. CARVALHO, Ana Beatriz . Os Múltiplos Papéis do Professor em Educação a Distância: Uma Abordagem Centrada na Aprendizagem In: 18° Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste – EPENN. Maceió, 2007. Fonte: http://www.techinfo.eti.br/bee/MULTPAPEAD.doc. ROCHA, Adriana Conde. CAMPELLO, Sheila. Abordagens Teóricas Aplicadas À Educação A Distância. Unidade 3. Fonte: http://www.arteduca.unb.br/ava/file.php/199/1abordagens.pdf. VYGOTSKY, L.S. Psicologia da Arte. São Paulo: Martins Fontes. 1998.

45 ENCERRAMENTO DA ETAPA 1 - ESTUDOS PRELIMINARES Avaliação do módulo 1: Fundamentos do Arteduca Com relação ao texto de apresentação e tudo mais, gostei demais, foi bem animador e claro pra mim que acabo de sair da graduação, com apenas 22 anos, sem nenhuma experiência em ensino a distância, muito menos com professores e outros profissionais com tanta experiência, vivências, me confesso, me fizeram me sentir muito pequena. Mas, a vida é cheia degraus e acredito que preciso encarar a convivência com pessoas "superiores" para assim crescer mais e mais, por isso gosto tanto de Vygotsky. Bem otimista e me fez pensar. Com relação ao acompanhamento e apoio da tutoria, só tenho a agradecer. Pouco questionei, pois gosto de aprender com as dúvidas dos outros, que por sinal, eram bem parecidas com as minhas, então, bastei observar as postagens e descobrir tudo da melhor forma e no tempo necessário. Com relação ao acompanhamento e apoio da coordenação, confesso que pouco precisei, mas, também evitei por conta da confusão exorbitante que tivemos nos fóruns. Então, frequen

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