Multiculturalismo e Educação na sociedade brasileira: os desafios para o educador

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Published on March 12, 2014

Author: WilliamGonalves1

Source: slideshare.net

Multiculturalismo e Educação na sociedade brasileira: Os Desafios para o educador Eliete Cristina Oliveira da Cunha1 Giovanni Dias de Moraes2 William Teixeira Gonçalves3 Universidade do Estado do Pará – UEPA RESUMO Este artigo busca abordar alguns aspectos principais sobre a temática do multiculturalismo, primeiramente através da apresentação do que consiste o significado desta palavra e sua presença dentro da sociedade bem como sua aplicação dentro do âmbito educativo. Palavras-chave: Multiculturalismo. Educação. Cultura. 1. INTRODUÇÃO O multiculturalismo conhecido também como pluralidade cultural, consiste no princípio que há necessidade de uma existência pacífica entre diversos tipos de culturas existentes em determinada região. Para que desta forma seja possível promover o respeito entre todas as pessoas, apesar de suas diferenças culturais. Sua importância tem como principal objetivo a valorização do indivíduo enquanto ser humano, um indivíduo que também tem seu papel dentro da sociedade. Um outro ponto importante a ser destacado, é que o incentivo para a prática do multiculturalismo dentro do ambiente educativo visa acabar com o preconceito existente dentro das escolas e que não somente envolve aspectos culturais como ideológicos, que se diferem daquilo que é comum entre a maioria no grupo do qual o indivíduo faz parte. Esta prática deve ser fortificada pela escola, mas necessita da colaboração da família pois é comum que o trabalho desenvolvido em sala de aula seja totalmente destruído quando o aluno volta para o convívio familiar. 1 Discente do 2º ano do curso de Ciências da Religião. 2 Discente do 2º ano do curso de Ciências da Religião. 3 Discente do 2º ano do curso de Ciências da Religião.

2. MULTICULTURALISMO OU PLURALIDADE CULTURAL Nos últimos anos, dentro do âmbito educacional observamos a criação de novos modelos de educação e a construção de novas práticas de ensino. Dentro desta nova práxis, podemos enfatizar o dialogo entre educador e educando, onde o aluno tem a oportunidade de construir seu conhecimento. Mas é importante colocar em questão o perfil do estudante, explorar seu universo, criando discussões e diálogos expandir seu conhecimento. O contato entre o professor e seu aluno estabelece uma conexão, onde ambos buscam um universo de saberes que servirão futuramente para a sociedade. Para Paulo Freire este contato tem grande valor para a construção da Educação. Ao ocorrer esse dialogo entre professor e aluno novas análises educacionais, abertura a multiculturalidade no país. O multiculturalismo ou pluralidade cultural vem propor às escolas que sejam revistas e transformadas as práticas enraízadas de desrespeito existente, às quais são inaceitáveis e incostitucionais, pois a pluralidade cultural volta-se para a eliminação de causas de sofrimento, de constrangimento e, no limite, de exclusão social da criança e do adolescente. Além disso, o tema traz oportunidades pedagogicamente muito interessantes, motivadoras, que entrelaçam escola, comunidade local e sociedade ampliando questões do cotidiano para o âmbito de pessoa para pessoa, como objetivo e como meio do processo educacional. Para os alunos, o tema da pluralidade cultural oferece oportunidades de conhecimento de suas origens como brasileiro e como participante de grupos culturais específicos. Ao valorizar as diversas culturas que estão presentes no Brasil, propicia ao aluno um entendimento de seu próprio valor, promovendo sua auto-estima como ser humano pleno de dignidade. Por meio do convívio escolar, possibilita conhecimentos e vivências que ajude a apurar sua percepção de injustiças e manifestações de preconceito e discriminação que recaiam sobre si mesmo, para que assim possa desenvolver atitudfes que rejeitem essas práticas de preconceito. A pluralidade cultural necessita da escola como instrumento de instituição voltada para a formação de sujeitos sociais e ao firmar um compromisso com a cidadania, colocando em análise suas relações, suas práticas, informações e valores que veícula. Assim, a temática do multiculturalismo contribuirá para a vinculação efetiva da escola a uma sociedade democrática.

2.1. OBJETIVOS GERAIS DA PLURALIDADE CULTURAL PARA O ENSINO O tema da pluralidade cultural busca contribuir para a construção da cidadania na sociedade. Tendo esse objetivo maior em vista, propõe o desenvolvimento das seguintes capacidades: • Conhecer a diversidade do patrimônio etnocultural brasileiro, tendo atitude de respeito para com as pessoas e grupos que a compõem, reconhecendo a diversidade cultural como um direito dos povos e dos indivíduos e elementos de fortalecimento da democracia; • Valorizar as diversas culturas presentes na constituição do Brasil como nação, reconhecendo sua contribuição no processo de constituição da identidade brasileira; • Reconhecer as qualidades da própria cultura, valorizando-as criticamente, enriquecendo a vivência da cidadania; • Desenvolver uma atitude de empatia e solidariedade para com aqueles que sofrem discriminação; • Repudiar toda discriminação baseada em diferenças de raça/etnia, classe social, crença religiosa, sexo e outras características individuais ou sociais; • Exigir respeito para si, denunciando qualquer atitude de discriminalidade que sofra, ou qualquer violação dos direitos da criança e cidadão; • Valorizar o convívio pacífico e criativo dos diferentes componentes da diversidade cultural; • Compreender a desigualdade social como um problema de todos e como uma realidade passível de mudanças. O aluno deve conhecer a existência de outras grupos culturais além do seu, reconhecer seu direito à existência e respeitar seus modos de vida e suas expressões culturais, com isso o aluno fica sabendo que esses grupos tem cada um à sua própria história e um modo de vida específico. Esperando que relacione a isso o conhecimento de diferentes formas de habitação, de organização espacial, de roupas e outros itens da vida cotidiana, assim como de expressões culturais diversas, e compreenda que diferentes grupos humanos produzem diferentes formas de organização político-social e econômica, correspondendo aos diferentes modos de organizar o trabalho e a produção de conhecimentos.

Espera-se que o aluno possa identificar, na história do Brasil, personagens e fatos marcantes que foram e são vividas de diferentes formas, de acordo com a realidade de cada grupo e com relaçõesque estabelecem com a sociedade nacional. Também é necessário que o aluno aprenda acerca dos grupos presentes na sociedade, seja no estado, na cidade ou no bairro, seja na escola e especificamente em sua classe, estabelecendo relações com o conjunto da população brasileira. Espera-se, também, que esteja familiarizado com manifestações próprias de um determinado grupo, estabelecendo uma respeitosa convivência. Aqui está presente algumas condições básicas que o educador pode usar ao projetar, seu plano de aula, do qual o mesmo pode adaptar, priorizar e acrescentar conteúdos, de acordo com a realidade particular social. As condições são: • Criar na escola um ambiente de diálogo cultural, baseado no respeito mútuo; • Perceber cada cultura na sua totalidade: Os fatos e as instituições sociais só ganham sentido quando percebidos no contexto social em que foram produzidas; • Uso de materiais e fontes de informação diversificadas: Fontes vivas, livros, revistas, jornais, fotos, objetos – Para não se prender a visões esteriotipadas e superar a falta ou limitação nos livros didáticos; • Que se inclua nos conteúdos como contribuições das diferentes culturas embora mais evidente ligados a História e Geografia, esses conteúdos referem-se também a Ciências Naturais, Língua Portuguesa, Arte e Educação Física. Trata- se de conteúdos que possibilitam o enriquecimento da percepção do mundo. • Que se questione a ausência, nos trabalhos escolares, da imagem de determinados grupos sociais como cidadãos sem reproduzir semelhança a discriminação. 2.2 ENSINAR PLURALIDADE CULTURAL OU VIVER PLURALIDADE CULTURAL? É pela educação que podemos combater, no plano das atitudes, a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, que afasta e marca grupos sociais. Contudo, ao mesmo tempo em que não se aceita que permaneça a atual situação, em que a escola é cúmplice, ainda que só por omissão, não se pode esquecer que esses problemas não são essencialmente do âmbito comportamental, individual, mas das

relações sociais, e como elas têm histórias e permanência. O que se coloca, portanto, é o desafio de a escola se constituir um espaço de resistência, isto é, de criação de outras formas de relação social e interpessoal mediante a interação entre o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se criticamente e responsávelmente perante a elas. Assim, cabe à escola buscar contribuir relações de confiança para que a criança possa perceber e viver, antes de mais nada, como ser em formação, e para que a manifestação de características culturais que partilhe com seu grupo de origem possa trabalhar como parte de suas situações de vida, que não seja impeditiva do desenvolvimento do de suas potencialidades pessoais. É possível identificar no cotidiano as muitas manifestações que permitem o trabalho sobre a pluralidade: Os fatos da comunidade ou comunidades do encontro escolar, as notícias de jornal, rádio, e TV, as festas das localidades, estratégias de intercâmbio entre as escolas de diferentes regiões, e de diferentes municípios de um mesmo estado. A escola deve trabalhar atenta às limitações éticas. Assim, quando se fala de alguma comunidade, é preciso ter certeza de que se referem a conhecimentos reconhecidos por essas comunidades como verdadeiros. Então, como seguir informações? Nesse sentido, a prática de intercâmbio escolar e da consulta a orgãos comunitários e de imprensa, inclusive das próprias comunidades, é instrumento pedagógico privilegiado. Com isso, será possível transformar a possibilidade de obter informações das comunidades em favor de co-responsabilização social pelos rumos da discussão, da informação de crianças e adolescente. O cotidiano da escola permite viver algo da beleza do criação cultural humana em sua diversidade em multiplicidade. Partilhar um cotidiano onde um simples “olhar- se” permite a constatção de que são todos diferentes traz a consciência de que cada pessoa é única e, exatamente por essa singularidade, insubstituível. 2.3 MULTICULTURALISMO E EDUCAÇÃO Ao falarmos sobre Multiculturalismo, educação e sociedade são necessárias alocar alguns conceitos básicos sobre estes três termos:

Segundo a Wikipédia o conceito de Multiculturalismo é: (ou pluralismo cultural) é um termo que descreve a existência de muitas culturas numa localidade, cidade ou país, sem que uma delas predomine, porém separadas geograficamente e até convivialmente no que se convencionou chamar de “mosaico cultural”. (WIKIPÉDIA, 2011) Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, o conceito de Educação é: sf. 1. Ato ou efeito de educar(-se). 2. Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. 3. Civilidade, polidez. [PL.: -ções.] §educacional. Adj2g (FERREIRA, 2004) E o conceito de Sociedade: sf. 1. Agrupamento de seres que vivem em estado gregário. 2. Grupo de indivíduos que vivem por vontade própria sob normas comuns; comunidade. 3. Grupos de pessoas que, submetidas a um regulamento, exercem atividades comuns ou defendem interesses comuns; grêmio, associação, agremiação. (...) (FERREIRA, 2004) Para a percepção das relações estabelecidas entre multiculturalismo e educação, Fernando Albuquerque realiza uma síntese, onde enfoca alternativas de sincronia entre comunidades. São propostas quatro perspectivas diferentes: • Perspectiva Assimilacionista: as relações entre comunidades menos favorecidas são assimiladas, e se assemelha às comunidades maiores, onde ocorre um processo de aculturação de umas das comunidades, quando estas entram em contato. Dentro dessa perspectiva, na pratica algumas características da comunidade minoritária são extintos pela comunidade dominante. Essa perspectiva aplicada, de certa forma contém características dentro da nossa sociedade. Isso é possível graças à interação entre diferentes culturas, que se misturam durante seu cotidiano. Essa interação também se encontra muito presente no ambiente escolar, quando os educandos compartilham ideias entre si e destes com o educador, ou vice-versa.

• Perspectiva de Segregação Cultural: percebemos que há um predomínio do distanciamento entre culturas, onde cada um deveria se desenvolver separadamente, mesmo que estes coexistem em um mesmo espaço geográfico. Desta forma, é representada segundo o autor, uma acomodação paralela ou até mesmo desigual entre essas culturas. • Perspectiva de Mestiçagem Cultural: predomina a característica do contato das culturas, gerando assim tradições e costumes diferentes, mas com traços das culturas integradas. • Perspectiva de Integração Paulista: perpassa a ideia da convivência de grupos menores juntamente com os grupos dominantes, mas diferentemente da perspectiva de mestiçagem cultural, dentro desta haverá uma interdependência entre estas camadas. Essas relações interculturais são influenciadas por diversos fatores. Ao tratar da educação podemos ver essas perspectivas presentes tanto a nível familiar quanto a nível educacional. 2.5 PRÁTICAS EDUCATIVAS FAMILIARES Ao abortar sobre as Práticas educativas Familiares o autor enfatiza algumas áreas em que os pais influenciam na educação cultural dos filhos. Muitas vezes sem querer, os responsáveis acabam desconstruindo alguns valores até mesmo culturais, que são construídos dentro da escola, em função da forte influencia que eles exercem sobre os filhos. Vejamos aqui algumas das maneiras que os pais influenciam os filhos: • Através das atitudes que pretendem que os seus filhos adotem em relação a elementos culturais de outras culturas: nesse primeiro caso, os pais influenciam inconscientemente nas atitudes dos filhos quando falam sobre outros elementos culturais. • Através das estratégias utilizadas para orientar ou controlar a ação que as outras culturas poderão ter sobre seus filhos: nesse caso normalmente é aplicado de duas formas: Interação direta: onde há um controle dos pais sobre as ações dos filhos em relação à outras culturas; Interação indireta: que está de acordo com as ações praticadas pelos pais, nas quais acabam refletindo nas atitudes dos filhos.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de tudo que foi apresentado podemos perceber de que existe um grande esforço de se implementar a prática do multiculturalismo de forma efetiva, utilizando-se do espaço educativo da escola que tem como meta a formação de cidadãos preparados para viver dentro da sociedade munidos de princípios éticos e valores humanos. Inclusive porque dentro deste espaço já é possível observar possíveis falhas de alguns alunos em relação à essas questões, e que merecem uma atenção especial na hora de desenvolver este trabalho que promove sobretudo a conscientização. É importante educar para as diferenças, sejam elas de cunho cultural ou ideológico. Em virtude da globalização a presença de culturas diversas tende a se esvaziar, o que de certa forma se apresenta como um desafio para o educador que têm que trabalhar tanto na perséctiva da valorização das culturas como também a o cultivo de sua existência. REFERÊNCIAS HANZE, Amélia. O multiculturalismo e o diálogo na educação. Brasil Escola. Disponível em:<http://www.educador.brasilescola.com/trabalho-docente/o- multiculturalismo-dialogo-na-educacao.htm>. Acesso em: 03 mar. 2011. COSA, Fernando Albuquerque. Diversidade Cultural e Educação. Aulaintercultural. Diposnível em:<http://www.aulaintercultural.org/article.php3?id_article=75>. Acesso em: 03 mar. 2011. MARCONDES, Maria Inês. Multiculturalismo: diferenças culturais e práticas pedagógicas. Revista Brasileira de Educação, vol.13 no.39. Rio de Janeiro: Set./Dec. 2008. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413- 24782008000300017&script=sci_arttext>. Acesso em: 03 mar. 2011. PRAXEDES, Walter. A diversidade humana na escola: reconhecimento, multiculturalismo e tolerância. Revista Espaço Acadêmico Nº42, nov. 2004. Disponível em:<http://www.espacoacademico.com.br/042/42wlap.htm>. Acesso em: 03 mar. 2011. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2004. WEGNER, Walton. Um Olhar Educacional. Rio de Janeiro: PDE, 2003. WIKIPÉDIA. Multiculturalismo. Disponível em:<http://wikipedia.org/wiki/Multiculturalismo>. Acesso em: 20 abril 2011.

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