Memento Mori V Noite de Poesia Jorge Amancio

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Published on December 20, 2008

Author: roberley

Source: slideshare.net

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Apresentação do Poeta da Noite Jorge Amancio, na V Noite de Poesia, realizada em Brasília-DF, no dia 23 de julho de 2008.

Memento Mori V Noite de Poesia Carpe Diem – Brasília / DF 23/07/2008 A Literatura vista com outros olhos http://www.mementomori.com.br

Jorge Amâncio Nascido às 24 horas de uma sexta feira, 23, Jorge Amancio é aquariano de 1953, carioca, teve uma rápida tietagem com o rio Tietê, vindo para Brasília em 1976. Licenciado em Física pela Universidade de Brasília (UnB) em 1981, lecionando desde então na Secretaria Educacional do DF; participante e ativista de movimentos sociais de luta contra o preconceito racial, clama por uma igualdade entre todos os seres de quaisquer vontades e sem perder o sotaque. Tem Brasília como sua cidade, seu crescimento e seu amadurecimento.

Nascido às 24 horas de uma sexta feira, 23, Jorge Amancio é aquariano de 1953, carioca, teve uma rápida tietagem com o rio Tietê, vindo para Brasília em 1976.

Licenciado em Física pela Universidade de Brasília (UnB) em 1981, lecionando desde então na Secretaria Educacional do DF; participante e ativista de movimentos sociais de luta contra o preconceito racial, clama por uma igualdade entre todos os seres de quaisquer vontades e sem perder o sotaque.

Tem Brasília como sua cidade, seu crescimento e seu amadurecimento.

Jorge Amâncio Trabalhos: Primeira poesia publicada pelo jornal Raça do M.N.U (Movimento Negro Unificado), no início dos anos 80s Contos e Poemas - prêmio Sinpro-DF - 1985 Fala Satélite Gama, 1986 Poemas e mais alguns dilemas 1987 Coletivo de Poetas - Sindicato dos Escritores no DF – 1992/94 Grito Logo Existo, revista literatura, 1992 Rádio Jornal, 2o Concurso de Poesia –1992 Zumbi - ed. OMO AIYÊ 1995; VIII Concurso Literário Asefe - 2000, e recitais com o Coletivo de Poetas Livro solo, NEGROJORGEN – ed. Thesaurus- 2007

Trabalhos:

Primeira poesia publicada pelo jornal Raça do M.N.U (Movimento Negro Unificado), no início dos anos 80s

Contos e Poemas - prêmio Sinpro-DF - 1985

Fala Satélite Gama, 1986

Poemas e mais alguns dilemas 1987

Coletivo de Poetas - Sindicato dos Escritores no DF – 1992/94

Grito Logo Existo, revista literatura, 1992

Rádio Jornal, 2o Concurso de Poesia –1992

Zumbi - ed. OMO AIYÊ 1995;

VIII Concurso Literário Asefe - 2000, e recitais com o Coletivo de Poetas

Livro solo, NEGROJORGEN – ed. Thesaurus- 2007

Memento Mori Jorge Amâncio É Poeta da Noite...

Eu e Outras Palavras Mãe preta, pai preto Idade não interessa na certidão de nascimento por simples erro estava escrito Cor Parda Cresceu nos bancos dos brancos brincando de mocinho e bandido sem nunca ficar com a mocinha Acordou poeta de versos e prosa viajou em bares, defecou em mancos beijou bocas de amores e ódios O que os olhos viram o poeta pariu as dores, as cicatrizes, as injustiças esculpiram o corpo, iluminaram a alma A dança, a música, a vida, o inexplicável convivem com o eu poeta dividem a alegria de ser negro e não distante existe uma África uma história a ser contada Em Jorge mora uma vontade, uma verdade, um clamor, um grito de amor, um apelo, um negrume por igualdade

Mãe preta, pai preto

Idade não interessa

na certidão de nascimento

por simples erro

estava escrito Cor Parda

Cresceu nos bancos dos brancos

brincando de mocinho e bandido

sem nunca ficar com a mocinha

Acordou poeta de versos e prosa

viajou em bares, defecou em mancos

beijou bocas de amores e ódios

O que os olhos viram o poeta pariu

as dores, as cicatrizes, as injustiças

esculpiram o corpo, iluminaram a alma

RELIG ÁFRICA

Seqüestro ... A mata bramia em estalos Os pés queimavam a terra arrancando a sola O sol ardia entre as árvores e o barulho de pólvora queimada enchia o ar Não adianta enxergar o céu Não adianta correr pro mar As correntes vão pesar Os porões vão cheirar O barulho das ondas e o cheiro do mar tapam as narinas e coçam os olhos Gritar não adianta Oxalá não vai escutar Ogum não vai quebrar os grilhões Xangô não vai segurar a minha cabeça ...

...

A mata bramia em estalos

Os pés queimavam a terra

arrancando a sola

O sol ardia entre as árvores

e o barulho de pólvora

queimada enchia o ar

Não adianta enxergar o céu

Não adianta correr pro mar

As correntes vão pesar

Os porões vão cheirar

O barulho das ondas e o cheiro do mar

tapam as narinas e coçam os olhos

Gritar não adianta

Oxalá não vai escutar

Ogum não vai quebrar os grilhões

Xangô não vai segurar a minha cabeça

...

Malungos Teu choro cor de zanga pariu do corpo a dor Misturou-se sangue e terra ódio e paz, amor e guerra Viste o sofrimento de um povo o lamento do cativeiro a hora da liberdade voar O que teus olhos viram teu corpo pariu As cicatrizes, o sangue, o extermínio, as lágrimas fecundaram teu corpo em gesto cor e Poesia O abstrato se concretizou materializou-se na cor Os rebentos ainda rebeldes colhem flores políticas beijam mãos religiosas cantam hinos libertinos O que teus olhos viram teu corpo pariu

Teu choro cor de zanga

pariu do corpo a dor

Misturou-se sangue e terra

ódio e paz, amor e guerra

Viste o sofrimento de um povo

o lamento do cativeiro

a hora da liberdade voar

O que teus olhos viram

teu corpo pariu

As cicatrizes, o sangue,

o extermínio, as lágrimas

fecundaram teu corpo

em gesto cor e Poesia

O abstrato se concretizou

materializou-se na cor

Os rebentos ainda rebeldes

colhem flores políticas

beijam mãos religiosas

cantam hinos libertinos

O que teus olhos viram

teu corpo pariu

A Dança dos Orixás meu choro a zanga dos orixás meus olhos o delator da morte minha sorte a sobrevivência à fome minha tolerância a dor meu passado minha vitória de vida meu futuro a dança dos orixás

meu choro a zanga dos orixás

meus olhos o delator da morte

minha sorte a sobrevivência

à fome

minha tolerância

a dor

meu passado

minha vitória de vida

meu futuro a dança dos orixás

Zumbiteiro Canta aos ventos as canções de Oxalá Cavalga tempestades montado no raio de Xangô Zumbi rei de Palmares mensageiro dos povos Dudu Guerreiro de Ogum protegido de Omulu Zumbi dono da mata companheiro de Oxossi Zumbi filho da Paz morreu por todos nós

Canta aos ventos

as canções de Oxalá

Cavalga tempestades

montado no raio de Xangô

Zumbi rei de Palmares

mensageiro dos povos Dudu

Guerreiro de Ogum

protegido de Omulu

Zumbi dono da mata

companheiro de Oxossi

Zumbi filho da Paz

morreu por todos nós

Religáfrica Religai, religar o homem a sua origem Com espiritualidade, sem ícones, sem reis, sem donos, sem opressão, sem medos, sem pecados ou culpas. Religar, aos antepassados, a África, aos tambores, aos Orixás Religar ao primo ponto Útero da humanidade Religai Religar o homem ao Ser com igualdade, sem discriminação sem inquérito, sem perseguição sem mortes, sem escravidão Religar ao hoje ao segredo dos tambores ao primo ponto útero da humanidade Religráfrica

Religai,

religar o homem a sua origem

Com espiritualidade, sem ícones,

sem reis, sem donos, sem opressão,

sem medos, sem pecados ou culpas.

Religar,

aos antepassados,

a África,

aos tambores,

aos Orixás

Religar ao primo ponto

Útero da humanidade

Religai

Religar o homem ao Ser

com igualdade, sem discriminação

sem inquérito, sem perseguição

sem mortes, sem escravidão

Religar

ao hoje

ao segredo dos tambores

ao primo ponto

útero da humanidade

Religráfrica

Ficáfrica A África continua faminta Crianças morrem no parto A massa dos excluídos tem cor Ser negro é morar no sorriso A hipocrisia é a verdade Negros andam descalços sobre a ponta do aparthait Cai a imagem de democracia racial Jovens são mortos e têm cor Com um sorriso nos lábios um AR 15 na mão Invadir favelas destruir palafitas construir a América Matam nossas ideologias calam nossa voz E o silêncio é o que eles querem de nós

A África continua faminta

Crianças morrem no parto

A massa dos excluídos tem cor

Ser negro é morar no sorriso

A hipocrisia é a verdade

Negros andam descalços

sobre a ponta do aparthait

Cai a imagem de democracia racial

Jovens são mortos e têm cor

Com um sorriso nos lábios

um AR 15 na mão

Invadir favelas

destruir palafitas

construir a América

Matam nossas ideologias

calam nossa voz

E o silêncio

é o que eles querem de nós

Minha Raça Minha raça foi escrava infantilizada ao som das chibatadas educada para a invisibilidade condenada a exclusão social Minha raça é sobrevivente dos navios negreiros da abolição luta pela identidade de gente clama por justiça e igualdade Minha raça pixaim encabeça o coro dos descontentes freqüência alta no necrotério cadeia prêmio da maior idade Minha raça de seqüestrados anônimos Zumbis libertários conduzem a passos largos o caminho para a igualdade

Minha raça foi escrava

infantilizada ao som das chibatadas

educada para a invisibilidade

condenada a exclusão social

Minha raça é sobrevivente

dos navios negreiros da abolição

luta pela identidade de gente

clama por justiça e igualdade

Minha raça pixaim

encabeça o coro dos descontentes

freqüência alta no necrotério

cadeia prêmio da maior idade

Minha raça de seqüestrados

anônimos Zumbis libertários

conduzem a passos largos

o caminho para a igualdade

Mundo sem Fronteiras Muçulmano cristão judeu islâmico branco negro pobre rico Haiti Nova York O medo tem fronteiras marcadas pela miséria pela cor, pelos apelos O mundo é sem fronteira

Muçulmano cristão

judeu islâmico

branco negro

pobre rico

Haiti Nova York

O medo tem fronteiras

marcadas pela miséria

pela cor, pelos apelos

O mundo é sem fronteira

Mães do treze de maio

Mães do Treze de maio Poema e arte de Jorge Amancio NegrojorgeN Negras da casa grande castas mães com filhos da criação aos cuidados Negras sem preço presas ao passado livres do pecado das senzalas Negras sem nomes Negras sem marias Negras mães sujeitas à sorte negras mãos que lavram que afagam que unem Mulheres guerreiras cativas e libertas Negras, discriminadas amadas e respeitadas Negras mães de leite Na África agricultoras mulheres interlocutoras outrora escravas de casa outorgam a luz da vida Santas mulheres mães negras como a noite brilham como o sol Morrem pelos seus filhos vivem para os seus filhos Mães, negras no cotidiano

NegrojorgeN Ed Thesaurus 2007

Todos os Emals de Amor são Ridículos Todos os emails de amor são Ridículos. Não seriam emails de amor se não fossem Ridículos. Também escrevi em meu tempo emails de amor, Como os outros, Ridículos. Os emails de amor se há amor, Têm de ser Ridículos. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Emails de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Emails de amor Ridículos. A verdade é que hoje As minhas memórias Desses emails de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas.) Álvaro de Campos/Negrojorgen

Todos os emails de amor são

Ridículos.

Não seriam emails de amor se não fossem

Ridículos.

Também escrevi em meu tempo emails de amor,

Como os outros,

Ridículos.

Os emails de amor se há amor,

Têm de ser

Ridículos.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Emails de amor

É que são

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Emails de amor

Ridículos.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Desses emails de amor

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente Ridículas.)

Álvaro de Campos/Negrojorgen

SEGREDOS @

Segredo 33 Destes teus olhos negros espero nunca escapar Serei teu espelho Escolha única dos teus jogos de armar e amar Objetos negros de se olhar Segredos teus, segredos meus

Destes teus olhos negros

espero nunca escapar

Serei teu espelho

Escolha única dos teus

jogos de armar e amar

Objetos negros de se olhar

Segredos teus, segredos meus

Segredo 34 A tua presença cresce em luz Iluminando os cantos da sala O corpo negro radiante de luz desliza sobre os objetos Contagia a fala Conspira pela paz Transpira gotas brilhantes A negra presença desce do invisível transformando a realidade em luz

A tua presença

cresce em luz

Iluminando

os cantos da sala

O corpo negro

radiante de luz

desliza

sobre os objetos

Contagia a fala

Conspira pela paz

Transpira

gotas brilhantes

A negra presença

desce do invisível

transformando

a realidade em luz

Segredo 35 Sou tua propriedade de uso e desuso de objeto e abjeto de tesão e desprezo Sou teu escravo carente da tua voz de tuas carícias de teu sexo Sou tua propriedade teu destino é me amar por todas as idades Sou teu escravo para sempre

Sou tua propriedade

de uso e desuso

de objeto e abjeto

de tesão e desprezo

Sou teu escravo

carente da tua voz

de tuas carícias

de teu sexo

Sou tua propriedade

teu destino é me amar

por todas as idades

Sou teu

escravo para sempre

Segredo 41 Tua pele negra pulsa dentro de mim como se eu fosse tu Transmuta Minha pele negra pulsa dentro de ti como se tu fosse eu Transmuda

Tua pele negra

pulsa dentro de mim

como se eu fosse tu

Transmuta

Minha pele negra

pulsa dentro de ti

como se tu fosse eu

Transmuda

Segredo 42 Se tua pele me toca tropeço em estrelas Levito Ilumino o universo Se tua pele roça a minha transmudo em ouro Existo Agradeço aos Orixás por tê-la criado

Se tua pele me toca

tropeço em estrelas

Levito

Ilumino o universo

Se tua pele roça a minha

transmudo em ouro

Existo

Agradeço aos Orixás

por tê-la criado

Segredo 43 Tua pele negra quando toca minha pele negra tatua-nos em alto relevo Tom a tom enegrece torna-se amor traduz a vida Transforma todos Enegrece todos

Tua pele negra

quando toca minha pele negra

tatua-nos em alto relevo

Tom a tom enegrece

torna-se amor

traduz a vida

Transforma todos

Enegrece todos

Segredo 44 A existência A negrejar Tatuou-se em ti A semente A enegrecer Embrionou-se em ti A vida A negritude Cicatrizou-se em ti A beleza A negrura Instalou-se em ti

A existência

A negrejar

Tatuou-se em ti

A semente

A enegrecer

Embrionou-se em ti

A vida

A negritude

Cicatrizou-se em ti

A beleza

A negrura

Instalou-se em ti

Segredo 45 Vê-la excita-me e exercita a paz Senti-la transpõe a hemorrágica saliva que mistura voz e carne gesto e corpo comportamento e classe Nada se reservou entre as carícias de um prejulgamento ou a certeza do efêmero O gesto quebra o encanto lançando farpas de fogo e veneno pelas veias A magia cessa Os anjos calam A noite chora Amanhece nublado Na cama vazia uma camisola preta

Vê-la excita-me

e exercita a paz

Senti-la transpõe

a hemorrágica saliva

que mistura voz e carne

gesto e corpo

comportamento e classe

Nada se reservou entre as carícias

de um prejulgamento

ou a certeza do efêmero

O gesto quebra o encanto

lançando farpas de fogo

e veneno pelas veias

A magia cessa

Os anjos calam

A noite chora

Amanhece nublado

Na cama vazia

uma camisola preta

Memento Mori Jorge Amâncio É Poeta da Noite...

Memento Mori V Noite de Poesia Carpe Diem – Brasília / DF 23/07/2008 A Literatura vista com outros olhos http://www.mementomori.com.br

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