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Médicas satisfeitas. Pacientes também

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Health & Medicine

Published on February 17, 2014

Author: fernandoramosdf

Source: slideshare.net

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Profissionais cubanas que atuam em Cubatão, no Programa Mais Médicos, dizem se sentir acolhidas; atendidos aprovam trabalho.
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Segunda-feira 17 Cidades A-9 A TRIBUNA fevereiro de 2014 www.atribuna.com.br Médicas satisfeitas. Pacientes também Profissionais cubanas que atuam em Cubatão, no Programa Mais Médicos, dizem se sentir acolhidas; atendidos aprovam trabalho FOTOS CLAUDIO VITOR VAZ SANDRO THADEU DA REDAÇÃO O programa Mais Médicos, do Governo Federal, ainda gera polêmica. A temperatura dos debates cresceu a partir de agosto passado, quando o Ministérioda Saúde firmouconvênio com Cuba e trouxe profissionais para atuar em comunidades mais carentes. Apesar das dificuldades internas por causa do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, em 1962, esse país da América Central é conhecidomundialmente pela qualidade da saúde e pela formação geral dos médicos voltada à área de Saúde da Família. Na manhã de quinta-feira, A Tribuna acompanhou de perto o trabalho das quatro médicas cubanas que atuam em unidades Básicas de Saúde (UBSs) e de Saúde da Família (Usafas) de Cubatão. Os pacientes entrevistados pela Reportagem estão muito satisfeitos com a atenção dedicada durante as consultas, que podem demorar até meia hora. E o quarteto caiu nas graças dos companheiros de ofício pela dedicação e por seus modos simpáticos e comunicativos. DIFERENÇAS Assim que A Tribuna entrou no consultório da médica Maria Emília Cossio Gonzalez, na UBS da Vila dos Pescadores, notou que a cadeira do paciente estava ao lado da mesa e não à frente, como de costume. Ela explica que se tratava de um costume dos cubanos para Um exemplo Reginaldo Alves Cunico, MECÂNICO Consultas detalhadas, com perguntas, orientações e portunhol: atendimento supera eventuais barreiras que o móvel não se torne uma barreira entre as partes: buscaseum atendimento mais humanizado e próximo da pessoa. “Estou maravilhada com as pessoas. Elas são muito acolhedoras. O povo é muito parecido com o cubano. Não pretendia mais sair de lá”, afirma. Com a experiência de ter trabalhado em outros países da América do Sul por dois anos cada (Venezuela e Belize), ela comenta que não está sendo complicado se adaptar ao português. E sempre toma Cenário 67 profissionais estrangeiros e brasileiros atuam hoje na Baixada Santista por meio do programa Mais Médicos. As prefeituras locais pediram ao Ministério da Saúde o reforço de mais 100 profissionais o cuidado de questionar o paciente se ele está compreendendo as orientações. Esse zelo foi confirmado pela doméstica Raiane da Silva, com o filho Ryan, de 1 ano. “Já passei por consulta com a doutora por três vezes. Ela sempre explica bem, pergunta se estou entendendo. Só tenho elogios”. A auxiliar de limpeza Marlene Maria Silva havia sido atendida pela cubana pela primeira vez. “Foi excelente. Ela me examinou, me deu toda a atenção e conversou bastante”. Contra preconceito, bons serviços ❚❚❚ As médicas cubanas contam estar acostumadas com o preconceito de parte da sociedade dos países onde passam a trabalhar temporariamente. Porém, destacam que estão tranquilas quanto a isso, porque os pacientes reconhecem a qualidade do serviço prestado. Uma atitude xenófoba cometida por 50 médicos brasileiros ocorreu em 27 de agosto do ano passado, em Fortaleza (CE), quando um grupo de profissionais cubanos foi alvo de vaias e xingamentos. “Acredito que alguns achavam que o programa afetaria a vida deles, mas não é assim. Chegamos aqui para trabalhar em unidades de saúde onde há falta de médicos. Depois de um tempo, acredito que eles irão aceitar a nossa presença aqui”, afirma Maria Elena Gonzalez. Elas lembram que essa não é a primeira vez que os cubanos vêm trabalhar no Brasil. Por exemplo, em 1999, o município de Arraias (TO), chegou a empregá-los por causa da falta de médicos brasileiros interessados em trabalhar nessa localidade. Um dos comentários preconceituososmais comuns em relação aos cubanos é o de que atuam em umacondição análoga à escravidão – a maioria de seus vencimentos é repassada ao governo cubano. Maria Elena é enfática: “Vie- Comentários de três Marias ❚ Maria Elena Gonzalez: “Atuamos onde faltam médicos” ❚ Fuga de médicos pode ocorrer durante missões, diz Maria Emilia ❚ “Decisão pessoal. Não podemos impedi-los”, afirma Maria Medina mos para o Brasil de forma voluntária. Ninguém nos obrigou a vir para cá, e aceitamos as condições antes de deixarmos Cuba sem nenhum problema”. E completa: “Se eu quiser voltar para casa, é só avisar que retorno daqui a alguns dias. Nossa economia está fundamentada em seus profissionais muito bem formados. O país dedicou muito tempo e recursos para dar direito e oportunidade a todos. O único modo que temos de manter essa escolha de oferecer saúde e educação de qualidade para todos é dessa forma”, ressalta. A estrutura para o desenvolvimento do trabalho médico é importante, mas admitem que parafazer esse atendimento inicial não necessitamde umgrande aparato. Tanto é que, na Venezuela, uma delas chegou a começar a atender à população na casa de um paciente. em que ficou na Venezuela. “Essa é uma decisão pessoal. Por esse motivo, não podemos fazer nada para impedi-los. Normalmente, isso ocorre durante as grandes missões, como esta no Brasil”, diz Maria Elena Cordoves Medina. Embora não tenham nenhum amigo próximo que tenha desertado aos Estados Unidos, elas têm conhecimento de que é muito difícil um cubano exercer a Medicina naquele país, porque há uma burocracia muito grande. Além disso, é preciso falar um inglês perfeito e passar em um exame. DESERÇÃO Maria Emília Cossio Gonzalez admite que há colegas que aproveitam o fato de estar em outro país e acabam fugindo para os Estados Unidos, por exemplo. Ela recorda que isso foi comum durante o tempo No continente africano, uma difícil missão Maria Elena Fariñas Gonzalez teve uma difícil experiência de dois anos em Gana (de 2002 a 2004), país africano onde não há serviço público de saúde. Nessa época, ela trabalhava em um hospital e levou um choque de realidade. Do lado de fora do local onde iria começar a trabalhar, ela se deparou com um garoto de 13 anos em uma maca com várias marcas de sangue, após ser atropelado. Estava ali, quase morto, por não ter dinheiro para pagar a internação. O adolescente estava com uma grave lesão no cérebro e com o intestino exposto. “Fiquei horrorizada com isso, que seria inaceitável em Cuba”, explica. No dia seguinte, a médica perguntou sobre o menino e foi informada de que ele tinha morrido porque “a família trouxe o dinheiro tarde demais”. “Sempre fiquei triste e tensa diante dessas situações. Chorei muito em alguns dias. Cheguei a tirar o meu próprio sangue para dar às crianças. Voltava branca para casa”. E completa: “Foi uma experiência muito difícil, pois estava em um local onde todas as riquezas eram exploradas. Por esse motivo, passei amar ainda mais o meu país. Afinal, a vida é o que há de mais precioso para o ser humano. Sou médica por vocação”, frisa. Outra grande barreira foi o idioma. A língua oficial é o inglês, o que representava uma dificuldade natural. Porém, o país tem mais de 200 dialetos, o que complicava ainda mais a comunicação. Morador da Vila dos Pescadores, o mêcanico Reginaldo Alves Cunico fez questão de abandonar o posto de trabalho por alguns minutos para conversar com a Reportagem quando soube o tema da matéria. Ele aproveitou ACOLHIMENTO Com 24 anos de experiência na área, Maria Elena Cordovez participa de sua segunda missão internacional. A primeira foi na Venezuela (de 2003 a 2009), que vivia um contexto político conturbado durante a gestão do então presidente Hugo Chávez (1954-2013). “Ao contrário do que vi lá, onde fomos rechaçados no início, notei que a recepção (aqui) foi totalmente diferente. O acolhimento da população e da equipe foi muito bom, apesar a oportunidade para elogiar o trabalho desenvolvido pela médica cubana Maria Emilia Cossio Gonzalez. “Com certeza, foi o melhor atendimento que recebi até hoje. É nota dez. A única que me tratou bem”, explica. Ele destaca que sofreu por quase seis meses com crises de dores abdominais. “Tive de correr para o pronto-socorro várias vezes. Era medicado e melhorava por algum tempo. Aí, começava tudo de novo”, afirma Cunico. Em apenas uma consulta de pouco mais de meia hora com Maria Emília, ela constatou que o mecânico estava com pancreatite e fez um encaminhamento para que fosse internado no hospital. “Apenas com uma conversa e com o toque, descobriu o que eu tinha. Seria bom se todos fossem assim”, afirma. do nosso portunhol. As pessoas sentem falta do atendimento médico”, destaca. Após a entrevista, ela atendeu a estudante do curso técnico de enfermagem Maiara Aparecida de Lima, de 18 anos. Ela admite ter ficado surpresa com a atenção recebida durante a consulta. “Ela me examinou com calma, fez várias perguntas, apesar de ser uma consulta de rotina. Seria bom se todos os médicos brasileiros trabalhassem dessa forma”, relata. Objetivo: mudar hábitos contra doenças crônicas ❚❚❚ O estilo de vida e a má alimentação dos brasileiros chamarama atenção dasprofissionais cubanas. Segundo elas, são decisivos para o surgimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Há pouco mais de um mês atuando em Cubatão, Aimé Tamayo Gutierrez já conseguiu fazer essa avaliação e acredita que terá muito trabalho para mudar essa cultura. “Sempre focamos muito o nosso trabalho na prevenção. A nossa essência é: ‘melhor prevenir do que remediar’. Apesar de o meu português ainda não estar tão bom, eu insisto muito nessa questão para que os pacientes entendam isso”, frisa a profissional, que tem 11 anos de experiência na área. Mesmo com pouco tempo de atuação na Cidade, ela destaca que está se sentido muito bem no Brasil. Anteriormente, atuou por dois anos em um hospital da Bolívia. Ela demonstra estar bem entrosada com toda a equipe de trabalho da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Esperança. Formada há 25 anos, Maria Elena Fariñas Gonzalez afirma estar trabalhando muito fortemente na questão de mudança de hábitos dos brasileiros aten- Enfoque ❚ Aimé Tamayo Gutierrez salienta: “É melhor prevenir” didos na Unidade de Saúde da Família (USF) da Água Fria. Por isso, a USF passará a ter um educador físico para ajudar nessa tarefa. Maria espera por um nutricionista na unidade. “Vejo que há muitas informações importantes divulgadas sobre a importância da prática de exercícios e de se alimentar adequadamente, mas a população não coloca isso em prática”, explica. Há dificuldades, mas a médica diz ter pacientes que estão conseguindo mudar hábitos, o que resultou em redução de colesterol e de peso.

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