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Manual do Aluno - Academia Empreender Jovem

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Information about Manual do Aluno - Academia Empreender Jovem
Education

Published on March 7, 2014

Author: AIP-Foruns

Source: slideshare.net

Description

Manual do Aluno Academia Empreender Jovem
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Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria Direção de Competitividade Empresarial Departamento de Cooperação Empresarial e Empreendedorismo Praça das Indústrias 1300-307 Lisboa E-mail: empreender@aip.pt APOIOS a c a d e m i a a c a d e m i a CONTACTOS em preen er d J O V E M J O V E M m a n u a l DO ALUNO ENSINO SECUNDÁRIO | TÉCNICO-PROFISSIONAL

É expressamente proibido reproduzir, no todo ou em parte, sob qualquer forma ou meio, nomeadamente fotocópia, esta obra. As transgressões serão passíveis das penalizações previstas na legislação em vigor. FICHA TÉCNICA EDIÇÃO Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria Direção de Competitividade Empresarial Departamento de Cooperação Empresarial e Empreendedorismo Praça das Indústrias 1300-307 Lisboa Tel.: 213 601 136 / 688 E-mail: empreender@aip.pt Sites de referência: www.aip.pt / www.empreender.aip.pt TITULO Academia Empreender Jovem – Manual do Aluno EQUIPA TÉCNICA AIP-CCI Norma Rodrigues Helena Caiado Paula Mónica Alves Maria Lopes Vieira Carla Homem de Matos CONSULTOR DE CONTEÚDOS Frederico Carvalho Pinto DESIGN GRÁFICO Sotnas Design Lda www.sotnasdesign.com FINANCIAMENTO POAT / FSE Programa Operacional de Assistência Técnica / Fundo Social Europeu Gerir, Conhecer e Intervir Ano de edição 2012 INFORMAÇÕES, SUGESTÕES E COMENTÁRIOS empreender@aip.pt ISBN 978-989-97973-2-1 Copyright ©Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria

A AIP no caminho do empreendedorismo O empreendedorismo assume-se como um dos principais fatores promotores do desenvolvimento económico de um país e, por isso, é considerado também como uma das oito competências-chave que deve ser adquirida nas escolas, tal como o Português, a Matemática ou outra qualquer disciplina já perfeitamente cimentada no programa curricular dos alunos. Sendo a Educação um dos pilares da sociedade e assumindo que a capacidade empreendedora não é, exclusivamente, uma capacidade inata, mas sobretudo adquirida, caberá a toda a sociedade o papel de formar pessoas capazes de acompanhar e de se adaptarem, ou mesmo reagirem, às mudanças e desafios de uma sociedade em constante transformação. Nos últimos anos, a Comissão Europeia tem dedicado especial atenção à educação/formação para o empreendedorismo, desde o ensino básico até ao ensino superior, referindo a importância da participação/cooperação de todos, isto é, estabelecimentos de ensino e comunidades locais, associações empresariais e empresas. Reconhecida pela sua intervenção prática junto das empresas, a Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria (AIP) empenhou-se desde logo em promover, também, esta temática junto de um público cada vez mais abrangente. Tendo começado por dirigir as suas iniciativas sobre empreendedorismo a empresários, jovens à procura do primeiro emprego e desempregados que pretendiam criar o seu próprio posto de trabalho através da criação de uma empresa, alargou posteriormente estas iniciativas a todos os jovens, nomeadamente aos que se encontram na fase final da sua formação. Recentemente, acreditando que uma intervenção eficaz se faz investindo nas pessoas desde os níveis mais precoces de educação, a AIP desenvolveu programas para um público mais jovem, os empreendedores de amanhã – os jovens do ensino secundário e técnico-profissional!

Esta nova aposta da AIP tem o apoio do POAT/FSE e está materializada na iniciativa “Academia Empreender Jovem”. Este programa pretende criar ambientes em que os alunos possam exercitar a sua capacidade de imaginar as mudanças, por forma a desenvolver desde muito cedo a sua capacidade de iniciativa, criatividade, autoconfiança, liderança, trabalho em equipa, responsabilidade e sentido cívico em tudo o que irão empreender, seja na vida académica e profissional seja nos aspetos pessoais e sociais da vida quotidiana. A AIP pretende criar assim, com a “Academia Empreender Jovem”, uma cultura favorável ao empreendedorismo. É neste contexto que a AIP tem vindo a dar especial destaque ao tema do empreendedorismo, consciente de que esta abordagem deve ser feita, cada vez mais, ao nível da mentalidade das novas gerações, para que o emprendedorismo deixe de ser visto como algo de grande risco, mas sim como uma oportunidade real para quem quer ter sucesso no seu percurso de vida. Destacam-se aqui algumas iniciativas/atividades de Empreendedorismo que a AIP tem vindo a realizar: • Plataforma virtual www.empreender.aip.pt • Acompanhamento Técnico de Empreendedores: Consultoria e Formação • Network e apoio na identificação e estabelecimento de parcerias • Empreendedorismo no Feminino – Projecto EmpowerWoman • Ateliês Criativos (Aceleradores de Ideias e Comunidades Criativas) • Workshops e Conferências • Fórum do Empreendedorismo • Gabinetes de Apoio • Presença em iniciativas de terceiros, dinamizando espaços de mostra ou liderando paineis de intervenção • Jogos de Empreendedorismo – “EMPREENDER – O Jogo!” • Slots/filmes animados sobre percurso empreendedor – modelo composto por 8 etapas • Guia do Empreendedor • Espaços Co-work • Ateliês Empreender Criança e Academia Empreender Jovem • Campanhas de divulgação

Ser empreendedor é ter iniciativa, ultrapassar obstáculos e ser inovador. É ser alguém atento ao mundo que o rodeia, às suas necessidades e às oportunidades que aparecem. Um empreendedor tem ideias e transforma-as em negócios. Os jovens são, por natureza, uma rica fonte de ideias. Todos os jovens têm sonhos e aspirações e precisam de seguir as suas vidas conscientes das suas capacidades para que lhes seja possível, um dia, concretizar esses e outros sonhos. Conscientes das suas capacidades, terão a autoconfiança necessária para “ser mais” e para “fazer mais”, por si e pela comunidade envolvente. A Academia Empreender Jovem surge com o intuito de contribuir para educar, para transmitir conhecimentos e valores, para consolidar alguns conteúdos programáticos através de ferramentas de qualidade e para promover uma aprendizagem positiva. Acima de tudo, estas atividades pretendem contribuir para estimular o potencial criativo, a audácia e a capacidade de iniciativa que existe em cada ser humano, de forma a assimilar e desenvolver durante a sua vida futura todos os ensinamentos que agora lhe são oferecidos. Ensinar jovens com vivências e experiências distintas é um desafio. Manter os alunos atentos, concentrados e, sobretudo, motivados aumenta o nível do desafio. Mais importante do que fazer com que os jovens se sentem e ouçam atentamente, é fazer com que sintam entusiasmo e motivação para porem em prática os conhecimentos que adquirirem. Este manual é a ferramenta essencial do aluno e ajudá-lo-á a compreender todos os passos importantes no caminho do empreendedorismo. Ainda assim, desafiamos a aprofundar os conhecimentos e a prática, através da Plataforma do Empreeendedor (www.empreender. aip.pt) e na Internet em geral. A teoria e a investigação são essenciais à prática! Desejamos-te boas Ideias e muito Sucesso! Objetivos do Programa Sensibilizar os jovens para a importância do empreendedorismo na sociedade; Despertar e incentivar comportamentos e atitudes empreendedoras; Dotar os jovens com as competências necessárias à elaboração de uma proposta de valor Discutir os aspetos fundamentais do processo empreendedor; Facilitar a reflexão e tomada de decisão pelos alunos sobre a criação do próprio negócio e do próprio emprego, enquanto alternativa viável de atividade profissional.

O CAMINHO DO EMPREENDEDOR Ao longo deste programa os alunos irão trabalhar em grupo, em várias fases, com o objetivo de: Desenvolver e apresentar um Modelo de Negócio para exploração de oportunidades! É através da construção do Modelo de Negócio que o empreendedor consolida a sua ideia para explorar uma oportunidade. É importante distinguir esta fase de consolidação da ideia da fase de planeamento de todo o negócio, conhecida por Plano de Negócio. Mas, para se construir um bom Plano, devemos antes consolidar e estruturar ideias, recorrendo ao Modelo de Negócio! Para chegarmos ao nosso Modelo de Negócio, iremos percorrer o caminho que qualquer empreendedor deve explorar. Para teres uma ideia, o caminho do empreendedor tem as seguintes etapas:

PASSOS 1 Ser empreendedor 2 As ideias e as oportunidades de negócio. As tendências do mundo atual 3 Gerar ideias para oportunidades de negócio. A ferramenta “Modelo de Negócio” 4 Modelo de Negócio: Definir a Proposta de Valor 5 Modelo de Negócio: Definir a quem se destina a minha Proposta de Valor. Os potenciais clientes 6 Modelo de Negócio: Qual o nosso mercado. Como comunicamos, vendemos e distribuímos os produtos e serviços aos potenciais clientes. Qual a Marca que nos identifica? 7 Modelo de Negócio: As atividades e recursos fundamentais para a exploração da oportunidade 8 Modelo de Negócio: As redes de contactos e as parcerias 9 Modelo de Negócio: Que rendimentos irá o negócio gerar? 10 Modelo de Negócio: Quais os gastos mais importantes da atividade? 11 Como prever e apurar os resultados do negócio? 12 Finalizar a construção do Modelo de Negócio e a Demonstração de Resultados 13 Como apresentar Modelos de Negócio; técnicas e métodos O marketing pessoal 14 Apresentação pública do Modelo de Negócio Este manual ajudar-te-á a encontrar as melhores respostas às questões que irás encontrar em cada etapa do caminho do empreendedor.

COMO UTILIZAR 1 Ser empreendedor Este Manual pretende apoiar o estudo e a realização das tarefas que são pedidas nas várias fases da elaboração do Modelo de Negócio. Está organizado em capítulos, e cada um corresponde a um tema específico. 1.1. O que é o Empreendedorismo? 1.2. As características da atividade empreendedora 1.3. Tipos de atividades económicas 1.4. Ética e Responsabilidade Social 2 Os dois primeiros capítulos abordam temas básicos para o nosso projeto; o capítulo 1 aborda o tema do empreendedorismo, explicando o que significa e apresentando outros assuntos relacionados com a atividade do empreendedor. O capítulo 2 fala-nos sobre a relação que deve existir entre ideias de negócio e a criação de soluções para problemas no mercado e o que são oportunidades de negócio. Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2.1. Processo empreendedor na perspetiva do negócio 2.2. As fases do processo empreendedor 2.3. Ideias, inovações e invenções 2.4. A oportunidade de negócio: problema, ideia e solução 2.5. As tendências do mundo actual MODELO DE NEGÓCIO ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE ATIVIDADES E RECURSOS-CHAVE Que organização e actividades-chave? Os capítulos 3 a 7 explicam e demonstram como podemos utilizar a ferramenta básica deste programa, que é o Modelo de Negócio. Com este modelo poderemos conceber e desenhar a forma como vamos explorar a nossa oportunidade de negócio. Data PROPOSTA DE VALOR Onde obter recursos necessários? ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE ACTIVIDADES E Quem pode apoiar E ACTIVIDADES RECURSOS-CHAVE eRECURSOS-CHAVE partilhar actividades? Grupo: Problema: ACTIVIDADES E REDES RECURSOS-CHAVE ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE REDES Como desenvolver e vender produto/serviço? Proteger ideia? Ideia: ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE ACTIVIDADES E REDES RECURSOS-CHAVE ROTAS PARA O MERCADO Características e benefícios do produto/serviço? PROPOSTAS REDES PROPOSTAS DE VALOR Como acedem aos produtos/serviços? PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS ROTAS DE VALOR DE MERCADO ACTIVIDADES E PROPOSTAS ESTRUTURA RECURSOS-CHAVE DE VALOR DE CUSTOS REDES ESTRUTURA FONTES DE RECEITAS DE CUSTOS PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS PROPOSTAS DE VALOR DE VALOR Do que precisam? São consumidores? PROPOSTAS ROTAS DE VALOR DE MERCADO ROTAS Que grupos de consumidores CLIENTES DE MERCADO e clientes existem? CLIENTES Que tendências? PROPOSTAS DE VALOR CLIENTES PROPOSTAS FONTES DE VALOR DE RECEITAS ROTAS DE MERCADO PROPOSTAS DE VALOR CLIENTES PROPOSTAS ESTRUTURA DE VALOR DE CUSTOS ESTRUTURA FONTES DE CUSTOS DE RECEITAS PROPOSTAS ACTIVIDADES E DE VALOR RECURSOS-CHAVE FONTES DE RECEITAS REDES PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS DE VALOR ESTRUTURA DE CUSTOS ROTAS DE MERCADO CLIENTES PROPOSTAS DE VALOR ESTRUTURA DE CUSTOS FONTES DE RECEITAS FONTES DE RECEITAS Quanto custam os recursos e actividades? Quem nos paga? Que custos são fixos (não variam com a actividade)? Quais os custos que variam com o volume de vendas? Vão pagar pelo quê? PROPOSTAS DE VALOR ESTRUTURA DE CUSTOS Quanto precisamos vender paraFONTESos custos? cobrir DE RECEITAS ACADEMIA EMPREENDER JOVEM PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS DE VALOR DEMoNSTrAçÃo DE rESulTADoS Grupo: Data ProDuToS Produto 1 A) Vendas Finalmente, e porque é importante que um empreendedor dê na sua comunidade, e particularmente a financiadores, a sua ideia de negócio, o capítulo 8 trata do assunto essencial das formas de apresentação de ideias e do marketing pessoal. ano Que concorrentes estão envolvidos? ROTAS CLIENTES DE MERCADO PROPOSTAS DE VALOR mês PROPOSTAS DE VALOR CLIENTES Como comunicamos com clientes e consumidores? PROPOSTAS DE VALOR DE VALOR Custo/benefício? Como de disitingue de concorrentes? dia REDES PROPOSTAS DE VALOR (Preço x unidades) B) Custo das vendas (custo unitário x unidades) C) Margem comercialização VAlor (A – B) D) Margem comercialização PErCENTAGEM (A – B) / A E) SAlárioS (média mensal de 14 meses) Salários função 1 Segurança Social função 1 Salários função 2 Segurança Social função 2 F) instalações Renda Seguros Consumos electricidade e gás Telefone e internet G) Marketing Publicidade tradicional Publicidade motores de busca H) outros Outros ? rESulTADo oPErACioNAl (lucro / Prejuízo) ACADEMIA EMprEEnDEr jovEM dia mês ano SErViçoS Produto 2 Serviço 1 Serviço 2 ToTAl MENSAl

Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2 Aquilo que para uns pode ser uma boa ideia de negócio, pode não o ser para outros! Tudo depende não só do ponto de vista mais ou menos empreendedor (quer dizer, onde uns veem oportunidade, outros simplesmente não a veem) mas também da possibilidade de essa ideia ser valorizada pelos potenciais clientes, e de eles estarem dispostos a pagar pela solução. Lê a história seguinte, que exemplifica o que acabamos de dizer. ESTE MANUAL Dois vendedores de sapatos foram enviados a um país muito pobre do Terceiro Mundo. Um dos vendedores enviou um email à fábrica dizendo: “Excelente oportunidade! Muito pouca gente usa sapatos!” O outro vendedor mandou também um email dizendo: “Aqui não há oportunidades; ninguém usa sapatos!” Assim, para determinarmos se uma ideia e solução constituem uma oportunidade de negócio, deveremos encontrar respostas satisfatórias às seguintes questões: Qual é o problema ou necessidade, que dimensão tem? ? Quem sente esse problema? Estão insatisfeitos com as soluções atuais? Que importância terá uma nova solução para os potenciais clientes? Que valor e benefícios tem para eles? Os potenciais clientes estão dispostos a pagar pela solução? O suficiente para ser rentável explorar essa oportunidade? Será que o nosso exemplo dos sapatos é, afinal, uma oportunidade de negócio? Qual é a tua opinião? Para esse exemplo, tenta responder às questões anteriores e decide se para ti seria ou não uma oportunidade de negócio! Em resumo, uma oportunidade de negócio é uma necessidade à espera de ser satisfeita! 34 Em todos os capítulos, apresentam-se em destaque exemplos que ilustram as ideias apresentadas, perguntas que ajudam a compreender os temas e ideias-chave, para ajudar a reter os conceitos mais importantes. ? Perguntas Ideias-chave Exemplos O que é o empreendedorismo? 1 Pesquisa mais sobre estes temas em: O que é um empreendedor? RADAR www.empreender.aip.pt Vê o vídeo e outros conteúdos na Plataforma do Empreendedor da AIP, em “Etapas do empreendedor. 2.ª etapa: Perfil do Empreendedor” Testa o teu perfil empreendedor www.empreender.aip.pt Vídeo sobre empreendedorismo motivado pela necessidade (pode ativar legendas em inglês) ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=1792 Vídeo sobre competências dos grandes empreendedores (pode ativar legendas em inglês) ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=1797 Kit Aplicações Glossário Empreendedor Aquele que, identificando uma forma melhor de resolver um problema ou uma necessidade, avança com determinação para criar e aplicar novas soluções. Trabalhadores por conta de outrem As pessoas que trabalham para uma organização, privada ou pública, recebendo em contrapartida uma remuneração. Empresa Organização composta por pessoas, recursos materiais e técnicos, que tem o objetivo de produzir e vender produtos ou serviços úteis à sociedade. Tem várias formas, como por exemplo a sociedade comercial. Oportunidade Ocasião para fazer algo, que apresenta boas hipóteses de sucesso no momento em que a identificamos, e se utilizarmos bem os nossos recursos. Risco Probabilidade de ocorrerem acontecimentos desfavoráveis ao nosso objetivo. Sociedade comercial As sociedades comerciais são a estrutura típica das empresas nas economias de mercado, embora a empresa possa revestir outras formas jurídicas. As sociedades comerciais têm por objecto a prática de atos de comércio. Existem vários tipos, como por exemplo a sociedade por quotas ou a sociedade anónima. Lucro Lucro é o retorno positivo de um investimento feito por um indivíduo nos negócios. É a diferença entre a receita total obtida pela atividade da empresa e todos os custos resultantes dessa atividade. Património São os bens, os direitos e as obrigações que um indivíduo ou uma empresa possuem. Pessoa jurídica Associação, entidade ou instituição, com existência jurídica e devidamente autorizada a funcionar. Garantia Contrapartida que um indivíduo fornece a quem lhe empresta dinheiro, que serve de compensação no caso de o indivíduo não conseguir pagar o empréstimo. Investimento Aplicação de capital (por exemplo, dinheiro) num projeto, com a expetativa de receber mais do que se investiu. Fisco Refere-se, em geral, ao Estado enquanto gestor do Tesouro público (isto é, do dinheiro que pede a todos nós), no que diz respeito a questões relacionadas com as atividades dos cidadãos, organizações e empresas. Rendimento Ainda, cada capítulo tem um glossário, para melhor compreensão do significado de palavras e expressões utilizadas, e também uma secção RADAR, onde se sugerem ligações da Internet para pesquisas sobre os temas abordados. Resultado financeiro que uma empresa (ou pessoa) recebe em resultado da sua atividade, ao longo de um determinado período de tempo. 26 ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE REDES PROPOSTAS DE VALOR Glossário Glossário RADAR Radar Fontes de Rendimentos, Gastos e Resultados 7 PROPOSTAS DE VALOR ROTAS DE MERCADO DISCUSSÃO EM GRUPO CLIENTES FICHA Agora empreende! 7.B PROPOSTAS DE VALOR GASTOS FIXOS E VARIÁVEIS ESTRUTURA FONTES DE CUSTOS DE RECEITAS TEMA: Gastos mais importantes. Custos fixos e variáveis OBJECTIVO: Identifica os gastos fixos e variáveis com a exploração do negócio. COMO: Como vimos, a designação mais comum de gastos é “custos”. Revê a definição de custos fixos e variáveis. PROPOSTAS Discute e qualifica (quer dizer, descreve) quais são os custos fixos e variáveis do negócio. Preenche as DE VALOR colunas seguintes. Preocupa-te em analisar toda a tua operação, desde as actividades e recursos até às rotas para o mercado. CUSTOS Fixos 102 Variáveis Ao longo do Manual existem diversas fichas, "Agora empreende!", que ajudarão os novos “empreendedores” a utilizarem e desenvolverem o seu Modelo de Negócios.

ÍNDICE 1 Ser empreendedor .......................................................... 1.1. O que é o empreendedorismo? ............................................ 1.2. As características da atividade empreendedora 13 14 ...................... 18 .......................................... 19 1.4. A ética e a responsabilidade social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Radar 26 1.3. Tipos de atividades económicas ................................................................................ Glossário 2 ............................................................................ 26 Ideias, soluções e oportunidades de negócio . . . . . . . . . . . 29 2.1. Processo empreendedor na perspetiva do negócio ..................... 30 ...................................... 31 ............................................. 39 2.4. A oportunidade de negócio: problema, ideia e solução . . . . . . . . . . . . . . . 41 2.5. As tendências do mundo atual ........................................... 42 ................................................................................ 46 2.2. As fases do processo empreendedor 2.3. Ideias, inovações e invenções Radar Glossário ............................................................................ Agora empreende! 3 ................................................................. Da ideia à proposta de valor 3.1. O que é a Proposta de Valor 46 47 ...................................... 59 .............................................. 60 3.2. Como se caracterizam os potenciais clientes? ......................... 65 3.3. Como se agrupam em segmentos? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Radar 68 ................................................................................ Glossário ............................................................................ Agora empreende! 4 ................................................................. Rotas para o mercado .................................................. 4.1. O que é o mercado? Como nos relacionamos com o mercado? 70 73 ...... 74 ...................................................... 77 ................................................................................ 79 4.2. Qual a minha marca? Radar 69 Glossário ............................................................................ Agora empreende! ................................................................. 79 80

5 Atividades e Recursos-chave .................................... 5.1. Quais as nossas atividades principais? 83 ................................. 84 5.2. Quais são os recursos-chave? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Radar 88 ................................................................................ Glossário ............................................................................ Agora empreende! 6 As redes ................................................................. 89 ............................................................................ 91 6.1. As redes e as parcerias. Necessidades e motivações Radar .................. 92 ................................................................................ 94 Agora empreende! 7 88 ................................................................. Fontes de Rendimentos, Gastos e Resultados 7.1. Fontes de rendimentos. Definição de preço 95 ......... 97 ............................. 98 7.2. Gastos mais importantes. Custos fixos e variáveis .................. 100 7.3. A demonstração de resultados. Lucros ou prejuízo? . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Glossário ............................................................................ Agora empreende! 8 ................................................................. Apresentação de ideias 8.1. Apresentação de ideias 102 103 ............................................... 111 ..................................................... 112 8.2. Materiais e recursos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 8.3. O marketing pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 8.4. A apresentação eficiente Radar .................................................. 119 ................................................................................ 121 Glossário ............................................................................ 121 empreend

Objetivo do programa Desenvolver e apresentar Modelo de negócio para Exploração de oportunidades!

1 Ser empreendedor 1.1. O que é o Empreendedorismo? 1.2. As características da atividade empreendedora 1.3. Tipos de atividades económicas 1.4. Ética e Responsabilidade Social

1 O que é o empreendedorismo? O que é o empreendedorismo? Há muitas definições de empreendedorismo, mas genericamente podemos dizer que é o processo utilizado por indivíduos para explorar oportunidades. Este processo tem características próprias, que vamos analisar mais à frente. Para compreendermos melhor o que é o empreendedorismo, vejamos primeiro o que está na sua base, que é precisamente o empreendedor! Aos indivíduos que identificam oportunidades e tentam encontrar forma de as explorar chamamos empreendedores. ? Que comportamentos e atitudes caracterizam um EMPREENDEDOR? Um empreendedor é uma pessoa que tem certo tipo de comportamentos e atitudes que o levam a ser ativo, determinado e decidido perante os desafios que encontra. Não se trata de querer ser superior aos seus colegas, mas sim de sentir-se impulsionado para a ação, fazendo as coisas de forma diferente e tentando resolver problemas, mesmo quando não tem a certeza de conseguir os seus objetivos! Podemos ser empreendedores na nossa vida pessoal, social e familiar; o termo empreendedor não se aplica só à componente profissional. Mas também nesta componente profissional podemos ser empreendedores naquilo que fazemos, mesmo que sejamos trabalhadores por conta de outrem. Ser empreendedor não significa ser dono de uma empresa; podemos ser empreendedores estando empregados numa organização qualquer 14

Academia Empreender Jovem SES 1 Por outro lado, é provável que um empresário, dono de uma empresa, seja minimamente empreendedor. Afinal de contas, terá sempre de lutar pelo sucesso da sua empresa. Mas também é possível haver empresários que não demonstram nenhuma vontade de resolver problemas, de forma inovadora, com persistência e tenacidade, e de servir bem os seus clientes. Assim, quando falamos de empreendedores, não estamos obrigatoriamente a falar de empresários e de proprietários de negócios ou empresas. ? Só podem ser empreendedores os que nasceram empreendedores? Claro que não! Ser empreendedor não está reservado para aqueles que nasceram empreendedores; o empreendedorismo é um processo que pode ser posto em prática por qualquer pessoa, desde que assuma comportamentos e atitudes empreendedores. E os comportamentos e atitudes aprendem-se, como todos sabemos! É natural que alguns tenham mais facilidade em adotar estes comportamentos e atitudes, mas isso estará ao alcance, maior ou menor, de todos. Com esses comportamentos e atitudes poderemos perseguir uma oportunidade, seja de negócio ou pessoal. Mas para isso deveremos ter energia, motivação e paixão pelo que fazemos. Falando de negócios, podemos dizer que sem estas características as melhores oportunidades de negócio não terão sucesso. Assim, uma fórmula para o sucesso de um empreendedor é: ENERGIA, MOTIVAÇÃO E PAIXÃO + OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO = SUCESSO 15

O que é o empreendedorismo? 1 Por outro lado, para aqueles que desejam ser empreendedores e criar o próprio negócio, devem saber que o empreendedorismo requer a adoção de determinado estilo de vida, muito intenso e permanente, que poderá não ser desejado e confortável. Também por isso dizemos que ser empreendedor não é para todos! Mas, atenção, podemos ser empreendedores com intensidades diferentes! ? E que motivações existem para se ser empreendedor? As motivações para se ser empreendedor são muito variadas. Incluem a criação do próprio emprego, a ambição pessoal, o sonho de criar algo novo ou o desejo de depender de si próprio. Naturalmente, nem todos pretendem seguir uma carreira de empreendedor, na área dos negócios. Mas, para aqueles que o desejam, podemos dizer que deverão ter a capacidade de detetar e explorar oportunidades e conseguir obter os recursos humanos, materiais e financeiros necessários. E deverão fazer tudo isto recorrendo a produtos, serviços e abordagens inovadoras. ? Mas, afinal, quais são os comportamentos e atitudes que caracterizam, em maior ou menor grau, um empreendedor? São eles: Identificamos e exploramos oportunidades Gostamos de dar o exemplo e sermos líderes Temos alguma tolerância ao risco Somos criativos, inovadores e adaptamo-nos com facilidade Ter sucesso é muito motivante Sou empenhado e determinado Figura 1. Comportamentos e atitudes empreendedoras 16

Academia Empreender Jovem SES 1 Identificar e explorar oportunidades – O empreendedor não descansa enquanto não identifica as necessidades e oportunidades do mercado, lançando-se sem hesitações em sua perseguição. Liderança – Possui iniciativa, inspira outros e reparte os sucessos pela sua equipa. Honesto e confiável, constrói relacionamentos estáveis e dá o exemplo. Empenho e Determinação – O empreendedor tem a capacidade de se dedicar, com persistência, na resolução de problemas. É tenaz e persegue os seus objetivos com intensidade, de forma disciplinada e competitiva, mesmo com sacrifício pessoal. Tolerância ao Risco – Não existe atividade empreendedora sem risco e incerteza. O empreendedor aceita esse facto, e é capaz de partilhar e reduzir o risco, tolerando a incerteza e a ambiguidade. Criativo, Confiante, Adaptável – Evita situações convencionais, de mente aberta e adaptável a mudanças bruscas. Aprende com rapidez e concebe soluções abrangentes. Motivação para o Sucesso – O empreendedor corre atrás de resultados e objetivos, com consciência das suas capacidades e estabelece compromissos para alcançar os seus fins. ? Reconheces em ti estes comportamentos e atitudes? 17

O que é o empreendedorismo? 1 As características da atividade empreendedora Entretanto, e para arrumar as nossas ideias, podemos dizer que o empreendedorismo não se define só por estes comportamentos e atitudes. Há muitos outros comportamentos e atitudes que são recomendados para um empreendedor! Por outro lado, não basta ter estes comportamentos de vez em quando; é necessário que não sejam atos isolados mas sim uma abordagem constante da atividade empreendedora. Por isso, dizemos que estes comportamentos e atitudes se arrumam em três características básicas da atividade do empreendedor. São elas: Proatividade Inovação Assumir riscos Figura 2. As três características da atividade empreendedora Proatividade: isto é, a vontade e motivação para influenciar o mundo que nos rodeia, antecipar a nossa ação, adaptarmo-nos às circunstâncias, assumirmos a iniciativa; Assumir riscos: ou seja, capacidade para calcular e aplicar recursos necessários à exploração da oportunidade, estimando e aceitando as hipóteses de insucesso; Inovação: é a tendência para inovar, para criar alternativas e novas soluções, para experimentar e pôr em prática coisas novas. Isto significa que um empreendedor, no seu dia-a-dia, deverá preocupar-se em aplicar estas 3 vertentes do empreendedorismo, de forma permanente, e em maior ou menor grau consoante as necessidades do momento. 18

Academia Empreender Jovem SES 1 Tipos de atividades económicas Na sua atividade profissional, o empreendedor organiza-se de acordo com as regras existentes. Estas regras incluem dois tipos básicos de organizações, relativamente ao seu objetivo. São elas as organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos. Vamos ver o que são. 1.3.1. Organizações com fins lucrativos As empresas, como chamamos correntemente, são sociedades comerciais, isto é, têm por fim o lucro para os seus proprietários (os sócios). Para além do objetivo principal do lucro, as sociedades comerciais devem contribuir para o desenvolvimento social, ambiental e cultural, respeitando os trabalhadores, os investidores, os cidadãos e a envolvente. A forma legal das sociedades comerciais surgiu há séculos, para permitir aos empreendedores investirem em negócios com algum grau de proteção do seu património pessoal. Quer dizer, a empresa por eles criada tem património próprio, como se fosse uma pessoa! Diz-se até que as empresas (entre outras organizações) são pessoas jurídicas, com direitos e deveres! Se o negócio correr mal, é o património que responde pelas dívidas. Dessa forma, o património do empreendedor da empresa fica protegido, reduzindo o risco de empreender. 19

1 O que é o empreendedorismo? Sem esta proteção do seu património, isto é, ficando completamente expostos ao risco do negócio, muitos empreendedores não avançariam com os seus projetos. Naturalmente, se o empreendedor, para obter empréstimos para a sua empresa, der como garantia o seu património pessoal, então nesse caso o seu património já não fica completamente protegido. As empresas têm, assim, o lucro como objetivo primordial, mas não único. Outros objetivos incluem a criação do próprio emprego, a criação de outros empregos, servir as necessidades da sociedade, etc. Raramente o lucro será o único objetivo! ? Mas o que é o lucro? Para explorar oportunidades de negócio, deverá haver determinado investimento de recursos financeiros, de trabalho, patrimoniais, etc. Anualmente, qualquer atividade empresarial tem de apresentar as suas contas à sociedade, fazendo-o principalmente através do Fisco. Nessa ocasião, devem referir todos os rendimentos obtidos e todos os gastos incorridos com o negócio. No final de cada ano os rendimentos que sobrarem, depois de pagos todos os gastos e os impostos, são o lucro, que fica ao dispor da empresa e dos seus proprietários. Ao longo dos anos esse lucro deverá ser suficiente para justificar ao empreendedor a continuação no negócio, e compensá-lo pelo investimento que fez e pelo risco que correu. 20

Academia Empreender Jovem SES 1 Entretanto, uma nota! O salário do empreendedor, enquanto trabalhador da sua empresa, não é lucro, mas sim vencimento pela prestação do seu trabalho. 1.3.2. Organizações sem fins lucrativos As organizações sem fins lucrativos não são sociedades comerciais, e não têm o lucro como objetivo principal. Podem ser organizações privadas (quer dizer, os proprietários são privados) e têm por objetivo servir as necessidades de grupos específicos da população. Estes podem ser grupos carenciados ou desprotegidos, grupos de profissionais de determinada área (cooperativas), grupos de empresas e consumidores (associações), etc. A sua atividade pode gerar rendimentos que são superiores aos gastos; nesse caso, esse lucro deve ser reinvestido na concretização do seu principal objetivo. Tenham ou não o objetivo do lucro, tanto umas como outras, estas organizações têm um papel igualmente importante na sociedade. Mas há regras que ambas têm de seguir, que são um conjunto de leis e normas mas também um conjunto de regras sociais, de acordo com a sociedade onde atuam. Para além do cumprimento das leis, há regras sociais que devem ser cumpridas pelas organizações; pensa na linguagem e utilização de imagens que possam ser ofensivas para ti e para a tua família. Por exemplo, se uma empresa que vende roupa tiver fábricas em países pobres onde utiliza trabalho infantil para fabricar os seus artigos, isso não te incomoda? ? 21

O que é o empreendedorismo? 1 Consegues dar exemplos de organizações com e sem fins lucrativos? Eis um exemplo de cada um: A “Vodafone” é uma empresa multinacional de telecomunicações móveis, com 400 milhões de clientes em 30 países. É propriedade de investidores privados (pessoas e outras empresas). Como é muito grande, está organizada em sociedade anónima por ações. Isto é, quem comprar uma ação da Vodafone é também proprietário da empresa! Os seus produtos concorrem com os das suas concorrentes, como a TMN e a Optimus, por exemplo. O seu objetivo é o lucro para os seus proprietários. Mas, para conseguir esse objetivo é também necessário ter outros objetivos fundamentais, contribuindo para o avanço tecnológico da sociedade, respeitando os valores da sociedade, dos clientes e trabalhadores. O “Banco Alimentar contra a Fome” é um conjunto de organizações, reunidas numa federação, espalhadas por Portugal. São organizações privadas (não pertencem ao Estado) sem fins lucrativos, que recolhem doações de alimentos e os distribuem a instituições de apoio a pessoas carenciadas. Muitos voluntários trabalham nos bancos alimentares, mas há despesas de funcionamento que precisam de ser pagas. Outras empresas e pessoas dão donativos em dinheiro para que essas despesas possam ser pagas. O objetivo principal não é distribuir lucro pelos associados, mas sim utilizar todos os meios para cumprir o seu objetivo: lutar contra o desperdício, recuperando excedentes alimentares, para os levar a quem tem carências alimentares, mobilizando pessoas e empresas, que a título voluntário se associam a esta causa. 22

Academia Empreender Jovem SES 1 A ética e a responsabilidade social A ética – o conjunto de valores morais e princípios de conduta social – aplica-se também à atividade profissional, incluindo a atividade empreendedora e empresarial. Estes valores e princípios incluem o respeito pelos outros – clientes, trabalhadores, concorrentes, etc. – e daí resulta um conjunto de deveres para com a sociedade a que chamamos responsabilidade social. Atualmente, as empresas e as organizações sem fins lucrativos preocupam-se muito com este tema. No caso das empresas, o nível de responsabilidade social que demonstram tem impacto em todas as partes interessadas, essencialmente no que toca à preferência ou rejeição dos seus produtos e serviços. ? Lembras-te da fábrica que produz roupa em países pobres? Se tivesses alternativa, preferias comprar roupa dessa empresa ou de outra que não se aproveita do trabalho infantil para produzir mais barato? Na realidade, existem empresas do mundo ocidental que produzem os seus produtos em países muito pobres, pagando salários muito baixos, e os trabalhadores são obrigados a trabalhar mais horas do que deviam. Ao contrário de outras empresas concorrentes, conseguem assim produzir mais barato, e assim obtêm mais lucros. Por vezes, essa falta de responsabilidade social para com os trabalhadores, quando é conhecida do público em geral, é penalizada e os clientes rejeitam os seus produtos. Assim, não é somente por razões morais que as empresas devem seguir bons princípios de responsabilidade social, mas também porque os clientes estarão atentos e poderão “castigar” os incumpridores! 23

1 O que é o empreendedorismo? Dando outro exemplo, poderemos referir o seguinte: Em alguns países a pesca do atum é feita com redes de arrasto (pouco frequente em Portugal), o que significa que tudo o que vem à rede é pescado. Como os golfinhos se alimentam perto dos atuns, são também apanhados, situação que desagrada a muitos consumidores de atum. As empresas que praticam outro tipo de pesca, evitando matar os golfinhos, preocupam-se em dizer aos seus clientes que pescam o atum sem causar dano aos golfinhos, esperando que esse facto atraia a preferência dos clientes. Naturalmente, essas empresas têm a responsabilidade de cumprir aquilo que dizem, sem enganar os consumidores! Outro tipo de responsabilidades para com a sociedade refere-se à sustentabilidade da atividade, por exemplo em termos de preservação do ambiente e dos valores sociais, incentivando a reutilização e reciclagem de desperdícios, a conservação de energia, apoiando iniciativas de carácter social, artístico e cultural, etc. Naturalmente, a sociedade tem de promover e apreciar a aplicação de todos destes princípios, caso contrário os cumpridores ficam em desvantagem, e … “paga o justo pelo pecador”! A “Associação Projeto REKLUSA”, fundada em 2010, é uma instituição particular de solidariedade social, sem fins lucrativos, que tem por fim apoiar a reintegração da população reclusa na vida profissional. O seu objetivo é desenvolver o âmbito profissional e pessoal da população reclusa e ex-reclusa para apoiar a sua reinserção na sociedade. A sua missão é proporcionar e dar as ferramentas necessárias à população reclusa e ex-reclusa para que tenha uma forma de trabalhar, tornando-a mais confiante e envolvida na melhoria do seu meio ambiente. Por outro lado, proporciona aos seus associados um novo conceito, levando à satisfação da sua necessidade de ajudarem em causas de âmbito social. 24

Academia Empreender Jovem SES 1 A “Associação Projeto REKLUSA”, também tem como missão desenvolver, encontrar e fornecer soluções para criar e gerar cada vez mais postos de trabalho, tendo sempre em vista a melhoria e qualidade de vida da população reclusa e ex-reclusa. Esta é a forma de estar, de pensar e de agir da REKLUSA! Os seus princípios e valores são: Cooperação, partilha, solidariedade e inovação, vividos de forma a gerar confiança. Promover o bem-estar da sociedade atual e das gerações futuras. Atualmente trabalham com reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires, que confecionam carteiras de senhora da marca REKLUSA, como as seguintes: Para continuarem a crescer de forma sustentável, agradecem a boa vontade e envolvimento de empresas e organizações que se tornaram parceiras, contribuindo com matérias-primas, produtos, serviços e atos de voluntariado. 25

1 O que é o empreendedorismo? Pesquisa mais sobre estes temas em: O que é um empreendedor? RADAR www.empreender.aip.pt Vê o vídeo e outros conteúdos na Plataforma do Empreendedor da AIP, em “Etapas do empreendedor. 2.ª etapa: Perfil do Empreendedor” Testa o teu perfil empreendedor www.empreender.aip.pt Kit Aplicações Vídeo sobre empreendedorismo motivado pela necessidade (pode ativar legendas em inglês) ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=1792 Vídeo sobre competências dos grandes empreendedores (pode ativar legendas em inglês) ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=1797 Glossário Empreendedor Trabalhadores por conta de outrem As pessoas que trabalham para uma organização, privada ou pública, recebendo em contrapartida uma remuneração. Empresa Organização composta por pessoas, recursos materiais e técnicos, que tem o objetivo de produzir e vender produtos ou serviços úteis à sociedade. Tem várias formas, como por exemplo a sociedade comercial. Oportunidade Ocasião para fazer algo, que apresenta boas hipóteses de sucesso no momento em que a identificamos, e se utilizarmos bem os nossos recursos. Risco Probabilidade de ocorrerem acontecimentos desfavoráveis ao nosso objetivo. Sociedade comercial As sociedades comerciais são a estrutura típica das empresas nas economias de mercado, embora a empresa possa revestir outras formas jurídicas. As sociedades comerciais têm por objecto a prática de atos de comércio. Existem vários tipos, como por exemplo a sociedade por quotas ou a sociedade anónima. Lucro Lucro é o retorno positivo de um investimento feito por um indivíduo nos negócios. É a diferença entre a receita total obtida pela atividade da empresa e todos os custos resultantes dessa atividade. Património São os bens, os direitos e as obrigações que um indivíduo ou uma empresa possuem. Pessoa jurídica Associação, entidade ou instituição, com existência jurídica e devidamente autorizada a funcionar. Garantia Contrapartida que um indivíduo fornece a quem lhe empresta dinheiro, que serve de compensação no caso de o indivíduo não conseguir pagar o empréstimo. Investimento Aplicação de capital (por exemplo, dinheiro) num projeto, com a expetativa de receber mais do que se investiu. Fisco Refere-se, em geral, ao Estado enquanto gestor do Tesouro público (isto é, do dinheiro que pede a todos nós), no que diz respeito a questões relacionadas com as atividades dos cidadãos, organizações e empresas. Rendimento 26 Aquele que, identificando uma forma melhor de resolver um problema ou uma necessidade, avança com determinação para criar e aplicar novas soluções. Resultado financeiro que uma empresa (ou pessoa) recebe em resultado da sua atividade, ao longo de um determinado período de tempo.

Academia Empreender Jovem Gasto Contribuição em dinheiro que o Estado impõe aos cidadãos e organizações (como as empresas) para fazer face às despesas. Ética Ética é a parte da filosofia dedicada aos estudos dos valores morais e princípios ideais do comportamento humano. Responsabilidade social É a responsabilidade colectiva e individual para, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e equilibrada e para a preservação ambiental. Redes de arrasto 1 É o dinheiro e recursos que uma organização (ou uma pessoa) tem que despender a fim de atingir seus objetivos. Impostos SES São um tipo de artes de pesca em forma de saco de rede, que é puxado por um barco para que os peixes fiquem retidos dentro da rede. Não distingue entre espécies, e todas as que forem apanhadas no saco são pescadas. 27

2 Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2.1. Processo empreendedor na perspetiva do negócio 2.2. As fases do processo empreendedor 2.3. Ideias, inovações e invenções 2.4. A oportunidade de negócio: problema, ideia e solução 2.5. As tendências do mundo atual

2 Ideias, soluções e oportunidades de negócio Processo empreendedor na perspetiva do negócio No capítulo anterior vimos os comportamentos e atitudes que um empreendedor deve assumir, de forma permanente, para se dedicar à sua atividade. Todos nós podemos adotar esses comportamentos e atitudes empreendedoras, mesmo que para alguns isso possa ser mais fácil. Quer dizer, mesmo aqueles de nós que, à partida, se sentem menos “empreendedores” podem, independentemente do seu “perfil”, assumir e manifestar os comportamentos e atitudes (não é necessário mudar a nossa personalidade!) favoráveis ao espírito empreendedor. Mas será que chega assumir esses comportamentos e atitudes para iniciarmos um negócio? ? Como podemos lançar um projeto de negócio? Existem diversos passos que deveremos seguir para lançarmos um projecto de negócio. Vejamos então como podemos proceder. 30

Academia Empreender Jovem SES 2 As fases do processo empreendedor Para lançar um projecto de negócio devemos, para além de ter os comportamentos e atitudes adequados (como já vimos!), seguir as diversas fases, em sequência, do processo empreendedor. Este processo ajuda-nos a iniciar as nossas atividades, pondo em perspetiva o caminho que devemos percorrer. Este processo leva-nos desde o início da ideia de negócio até à fase em que o negócio vai de vento em popa! A figura seguinte mostra as cinco fases do processo. Como vês, as duas primeiras estão assinaladas a cor diferente; isto acontece porque são essas duas primeiras fases que vamos trabalhar ao longo deste projecto empreendedor, para construirmos o nosso modelo de negócio! Vejamos então o que significa cada uma dessas fases do processo empreendedor: Identificação da oportunidade Desenvolver Modelo de Negócio Definir e adquirir recursos necessários Recomeça o processo? Colheita Implementar e gerir Figura 3. As fases do Processo Empreendedor 31

2 Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2.2.1. Fase “Identificação da oportunidade” O processo empreendedor deve começar sempre pela identificação de uma oportunidade de negócio. ? O que é para ti uma oportunidade de negócio? Esta fase é muito importante, pois uma ideia de negócio pode, até, parecer uma boa ideia, mas será que é uma boa oportunidade de negócio? Quanto temos uma ideia de negócio, poderemos achar que é uma boa ideia, mas de facto só existirá uma oportunidade de negócio se essa ideia se puder concretizar numa solução, para um determinado problema ou necessidade no mercado. Quer dizer, para ser solução tem de ser possível concretizar a ideia num produto ou serviço, e esse produto ou serviço tem de resolver determinada necessidade a um número suficientemente grande de clientes. Mais ainda, esses clientes têm de valorizar essa solução e estar dispostos a pagar por ela um determinado preço, que permitirá ao nosso negócio sobreviver e prosperar. Como vemos, uma ideia, para ser uma oportunidade de negócio, tem de cumprir algumas condições. Quando há um problema ou necessidade de mercado e alguém tem uma ideia para o resolver, esta pode vir a ser uma solução para esse problema e assim tornar-se numa oportunidade de negócio. 32

Academia Empreender Jovem SES 2 Necessidade Oportunidade? Ideia e solução Figura 4. Necessidade + Ideia = Oportunidade? Nos restaurantes, é um incómodo para os clientes terem de se levantar e pagar com MB ao balcão. Para resolver esse incómodo, os bancos aplicaram a tecnologia de comunicações móveis seguras, vendendo esse serviço de terminais móveis aos restaurantes. Por sua vez, estes disponibilizam a sua utilização aos seus clientes. Dessa forma, os clientes ficam mais satisfeitos pela comodidade, e valorizam mais o serviço que o restaurante lhes presta. Por outro lado, pode surgir primeiro a ideia e explorar-se depois a sua aplicação em novas necessidades no mercado. Vê este exemplo de uma ideia que surgiu primeiro, e que foi aplicada na resolução de um problema identificado mais tarde. Já ouviste falar dos papéis adesivos de notas Post-it? Surgiram depois de a empresa “3M” ter desenvolvido uma cola não-permanente, que parecia não ter utilidade no mercado. Um dos seus técnicos começou a usar essa cola em pedaços de papel para marcar páginas num livro, que podia depois remover e reutilizar em outras páginas. Daí surgiu a ideia “ será que o mercado acha útil usar pedaços de papel colorido para colar, de forma não permanente, em várias superfícies?” A história de sucesso que se seguiu já deve ser tua conhecida! 33

2 Ideias, soluções e oportunidades de negócio Aquilo que para uns pode ser uma boa ideia de negócio, pode não o ser para outros! Tudo depende não só do ponto de vista mais ou menos empreendedor (quer dizer, onde uns veem oportunidade, outros simplesmente não a veem) mas também da possibilidade de essa ideia ser valorizada pelos potenciais clientes, e de eles estarem dispostos a pagar pela solução. Lê a história seguinte, que exemplifica o que acabamos de dizer. Dois vendedores de sapatos foram enviados a um país muito pobre do Terceiro Mundo. Um dos vendedores enviou um email à fábrica dizendo: “Excelente oportunidade! Muito pouca gente usa sapatos!” O outro vendedor mandou também um email dizendo: “Aqui não há oportunidades; ninguém usa sapatos!” Assim, para determinarmos se uma ideia e solução constituem uma oportunidade de negócio, deveremos encontrar respostas satisfatórias às seguintes questões: Qual é o problema ou necessidade, que dimensão tem? ? Quem sente esse problema? Estão insatisfeitos com as soluções atuais? Que importância terá uma nova solução para os potenciais clientes? Que valor e benefícios tem para eles? Os potenciais clientes estão dispostos a pagar pela solução? O suficiente para ser rentável explorar essa oportunidade? Será que o nosso exemplo dos sapatos é, afinal, uma oportunidade de negócio? Qual é a tua opinião? Para esse exemplo, tenta responder às questões anteriores e decide se para ti seria ou não uma oportunidade de negócio! Em resumo, uma oportunidade de negócio é uma necessidade à espera de ser satisfeita! 34

Academia Empreender Jovem SES 2 2.2.2. Fase “Desenvolver o modelo de negócio” Se estivermos perante uma oportunidade de negócio que queremos explorar, então devemos passar à fase de desenvolvimento do modelo do negócio. Esta fase é fundamental para percebermos como será possível explorar a oportunidade. Isto é, de que forma é que a nossa ideia, seja de um produto ou serviço, pode solucionar um problema no mercado? Já reparaste que utilizamos muitas vezes a expressão problema? Quando referimos “problema”, significa uma de três situações; um verdadeiro problema, uma necessidade, ou um desejo, sentido por um conjunto de indivíduos. Entretanto, não devemos confundir entre oportunidade e modelo de negócio. A oportunidade é a solução para determinada necessidade; o modelo é a forma como essa necessidade é satisfeita. Naturalmente, poderá haver mais do que um modelo para explorar uma mesma oportunidade. Assim, o Modelo deve ser desenvolvido tendo em conta: ● ● ● ● ● A inovação (de produto ou serviço; de processo; organizacional ou de marketing) é uma solução verdadeiramente inovadora? Essa solução tem valor para as pessoas que têm a necessidade? Conseguimos chegar até essas pessoas? Quem são elas? Como devemos comunicar com essas pessoas e dizer-lhes que a nossa solução lhes interessa? É possível executar o modelo de negócio? Tenho acesso aos recursos necessários? Preciso do apoio de alguém (pessoas ou empresas)? Consigo vender quantidades suficientes para pagar as minhas despesas? Ao longo dos próximos capítulos, vamos tentar obter resposta a estas questões! 35

Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2 Para isso, vamos usar uma “caixa de ferramentas” e ao longo de cada capítulo vamos aprender a utilizar cada uma das suas componentes. Esta caixa de ferramentas permite-nos encontrar respostas e construir o nosso Modelo de Negócio para exploração da oportunidade que identificámos. Depois de encontrarmos as respostas necessárias, ficamos com uma visão completa de como o nosso negócio deve funcionar, o que nos permitirá corrigir a ideia inicial. A isso chamamos “validar” a ideia e a oportunidade de negócio. Vê e explora a caixa de ferramentas na figura seguinte: MODELO DE NEGÓCIO ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE ATIVIDADES E RECURSOS-CHAVE Ideia: Grupo: Problema: ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE Data ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE PROPOSTA DE VALOR REDES ACTIVIDADES E REDES RECURSOS-CHAVE ROTAS PARA O MERCADO REDES PROPOSTAS DE VALOR dia mês ano PROPOSTAS DE VALOR CLIENTES ACTIVIDADES E REDES RECURSOS-CHAVE PROPOSTAS REDES DE VALOR PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS ROTAS DE VALOR DE MERCADO ROTAS CLIENTES DE MERCADO CLIENTES PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS ROTAS DE VALOR DE MERCADO ROTAS CLIENTES DE MERCADO CLIENTES PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS ESTRUTURA DE VALOR DE CUSTOS ESTRUTURA FONTES DE CUSTOS DE RECEITAS FONTES DE RECEITAS PROPOSTAS DE VALOR ACTIVIDADES E PROPOSTAS ESTRUTURA RECURSOS-CHAVE DE VALOR DE CUSTOS REDES ESTRUTURA FONTES DE RECEITAS DE CUSTOS PROPOSTAS DE VALOR ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE PROPOSTAS PROPOSTAS DE VALOR DE VALOR ACTIVIDADES E ACTIVIDADES E RECURSOS-CHAVE RECURSOS-CHAVE ROTAS DE MERCADO ESTRUTURA DE CUSTOS PROPOSTAS FONTES DE VALOR DE RECEITAS PROPOSTAS DE VALOR CLIENTES PROPOSTAS ACTIVIDADES E DE VALOR RECURSOS-CHAVE REDES PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS DE VALOR ROTAS DE MERCADO CLIENTES PROPOSTAS DE VALOR ESTRUTURA DE CUSTOS FONTES DE RECEITAS FONTES DE RECEITAS PROPOSTAS DE VALOR ESTRUTURA DE CUSTOS FONTES DE RECEITAS ACADEMIA EMPREENDER JOVEM PROPOSTAS DE VALOR PROPOSTAS DE VALOR Figura 5. Caixa de Ferramentas “Modelo de Negócio” 36

Academia Empreender Jovem SES 2 Com estas ferramentas vamos atingir o nosso objetivo. Ainda te lembras qual é? Desenvolver e apresentar um modelo de negócio para exploração de oportunidade! Entretanto, falta-nos falar das restantes fases do processo empreendedor. Como dissemos, as duas primeiras fases serão o alvo da nossa atenção; mas vê o que um empreendedor deve fazer após construir o seu Modelo de Negócio. 2.2.3. Fase “Definir e adquirir os recursos necessários” Após conceber e desenvolver um Modelo de Negócio sólido e credível, chegará o momento de fazer o Plano de Negócios, que permitirá planear o que fazer, como e quando. Algumas questões que se colocam nesse momento terão já sido respondidas na fase de desenvolvimento do Modelo, e daí ser importante termos um Modelo antes de construirmos o Plano de Negócio. Este Plano deverá definir e quantificar os recursos necessários ao negócio, que podem ser da mais variada natureza, como por exemplo: ● ● a equipa e as funções que cada um exerce; os meios de comunicar com clientes e rotas para fazer chegar os produtos ao mercado; ● o acesso aos materiais necessários ao negócio; ● as licenças e patentes, se necessário; ● os recursos financeiros para o arranque e funcionamento; ● ● e, muito importante, a rede de contactos profissionais e sociais para o desenvolvimento e implementação do modelo de negócio; uma base inicial de potenciais clientes, antes de o negócio se iniciar! 37

2 Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2.2.4. Fase “Implementar e gerir” A forma como pomos em prática o nosso Modelo de Negócio para explorar a oportunidade ditará o nosso sucesso. Claro que há fatores que não controlamos! Mas, quanto melhor implementarmos e gerirmos o nosso negócio, maiores serão as hipóteses de sucesso. Se, por um lado, não há certezas de sucesso (e daí o risco do negócio) também é certo que quanto melhor nos prepararmos, maiores serão as probabilidades desse mesmo sucesso acontecer. 2.2.5. Fase “Colheita” Se o negócio alcançar o desejado sucesso, haverá recompensa financeira e pessoal para o empreendedor, que poderá reinvestir os resultados em outras oportunidades, na mesma área de negócio ou em outras áreas que entretanto identificou. 38

Academia Empreender Jovem SES 2 Ideias, inovações e invenções Lembra-te: uma boa ideia não é, automaticamente, sinónimo de boa oportunidade de negócio! De igual modo, as invenções, por muito brilhantes que possam parecer, não são automaticamente boas oportunidades de negócio! Terão de ser concretizadas em soluções que resolvam problemas às pessoas! Recordas-te do exemplo dos Post-It? A invenção da cola não-permanente não tinha nenhuma utilidade nem aplicação, até que alguém se lembrou de a utilizar para pequenos papeis coloridos que ajudavam a marcar páginas, de forma não permanente. Aí sim, a aplicação da invenção revelou-se uma oportunidade de negócio que teve o sucesso que todos conhecemos. A necessidade (mesmo que pouco importante!) que as pessoas têm de marcar e remarcar páginas e documentos é satisfeita através da inovação Post-It, que são pequenos papéis coloridos com a tal cola inventada pela 3M aplicada a um dos lados! Já reparaste que a marca original Post-It serve para designar o produto, mesmo que seja de outra marca? Lembras-te de mais algum caso em que uma marca designa o mesmo tipo de produtos, mesmo que sejam de outra marca? Exemplos: chinelos Havaianas; ferramentas Black & Decker; navegador Google; tipo de carro Jeep A diferença entre inventores de produtos e empreendedores que usaram invenções para obterem sucesso está bem presente em objetos dos nossos dias. Vê os seguintes exemplos: Humphry Davy inventou, em 1800, o filamento eléctrico, que quando era atravessado por uma corrente eléctrica emitia luz. Em 1879, Thomas Edison utilizou essa invenção para desenvolver e conceber um produto de ampla utilização: a lâmpada eléctrica! 39

Ideias, soluções e oportunidades de negócio 2 E outro exemplo: Já ouviste falar em Steve Jobs? Ele foi o responsável pelo sucesso de diversos produtos, embora não tivesse inventado nenhum deles. Falamos da Apple, e dos produtos como Iphone, Ipad e Ipod. O conceito de integração de diversas invenções foi a grande “invenção” da Apple! Em resumo, uma invenção não é imediatamente uma inovação! Inovação é aplicar um novo produto, serviço ou forma diferente de fazer as coisas, numa solução para um problema ou necessidade no mercado, criando valor para o cliente. 40

Academia Empreender Jovem SES 2 A oportunidade de negócio: problema, ideia e solução Chegamos agora ao momento de pensarmos na tua oportunidade de negócio! Vamos fazê-lo de forma criativa, inventando ideias e de seguida selecionando as melhores. Como já vimos, uma boa ideia só será uma boa oportunidade se for uma boa solução para um problema, necessidade ou desejo. Por isso, o primeiro passo é encontrar problemas no mercado que precisem de solução, ou, se já tivermos uma ideia, deveremos definir muito bem que problemas essa ideia pode solucionar. Este processo de pensar em problemas e inventar ideias que os solucionem pode funcionar nos dois sentidos, isto é, uma ideia deve solucionar um problema que, depois de bem definido, pode modificar a ideia original, e assim por diante. A figura seguinte mostra a relação entre as atividades que vamos desenvolver de seguida. Definir problema Preparar solução Gerar ideias Figura 6. Problemas, ideias e soluções 41

2 Ideias, soluções e oportunidades de negócio As tendências do mundo atual À medida que o tempo passa, que a sociedade evolui e que novas gerações nascem e amadurecem, surgem novas tendências relacionadas com a moda, o trabalho, o lazer, o bem-estar, a saúde; enfim, com as diversas facetas da vida das pessoas. Estas tendências resultam em novas necessidades no mercado e na procura de soluções inovadoras. Como resultado da globalização e do desenvolvimento tecnológico, estas novas soluções surgem a um ritmo cada vez maior, e de aplicação a nível global. Por outro lado, tornam-se também mais acessíveis para maior número de pessoas, em consequência do progresso económico e social. Em consequência de tudo isto, surgem cada vez mais novas necessidades e novas soluções possíveis, havendo assim novas oportunidades de negócio. Estas necessidades não se referem somente a produtos e serviços básicos; são também necessidades relativas ao bem-estar, autoestima e autorrealização das pessoas. Uma necessidade básica poderá ser o transporte de casa para o trabalho. Uma necessidade não básica poderá ser o acesso a telemóveis de última geração. Quem estiver atento ao meio envolvente e às tendências que agora se manifestam estará melhor preparado para compreender as necessidades do futuro. E esta evidência aplica-se também – como é natural – ao mundo dos negócios. Por isso é importante identificar as tendências que se manifestam hoje em dia, e daí procurar novas ideias de negócio para servir necessidades atuais e do futuro que está “ao dobrar da esquina”! 42

Academia Empreender Jovem SES 2 As tendências ajudam-nos a olhar para o futuro e prever oportunidades que irão surgir! É importante inovar, com novas soluções para novas necessidades! Antes de mais, devemos ter consciência do crescente poder do consumidor. Isto é, como cada vez há maior oferta de produtos e serviços que concorrem entre si, a nível local e global, torna-se mais fácil aos consumidores serem mais exigentes, pois têm mais escolha e, assim, maior poder perante os fornecedores dos produtos e serviços que procuram. Se perguntares a gerações mais velhas quantas comunicações telefónicas havia em Portugal, saberás que havia só uma! E era de telefones fixos! Havendo só um fornecedor, os tempos de espera eram longos e o serviço pouco eficiente, e os consumidores tinham de ter muita paciência pois não tinham alternativa. Comparando com os tempos actuais, é fácil concluir que já não é preciso ter tanta paciência, pois podemos trocar de fornecedor, se estivermos insatisfeitos. Esta possibilidade aumenta o poder negocial dos clientes, e por isso afirmamos que o crescimento do poder do consumidor é uma clara tendência dos nossos dias! Assim, se pesquisarmos quais as prin

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