Inovação tecnológica

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Engineering

Published on May 31, 2014

Author: jessicabessa96

Source: slideshare.net

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inovaçao

As necessidades de inovação O mapeamento dos levantamentos realizados, entrevistas e dos questionários respondidos pelas empresas construtoras possibilita identificar as linhas gerais de tendências de desenvolvimento em que o setor da construção civil no Brasil precisará investir. É preciso lembrar que existem diferenças significativas nos diferentes segmentos que compõem a construção de edificações. Inovações de sistemas construtivos necessárias, por exemplo, para melhorias de desempenho e/ou produtividade na execução de pisos para edifícios com elevado tráfego de pessoas será diferente do que ocorre com as necessidades de inovação em pisos de edifícios residenciais. As linhas gerais apresentadas a seguir precisarão ser desdobradas em projeto específico de detalhamento que deverá ser feito com representantes de empresas construtoras, de projeto, universidades e institutos de pesquisa e representantes da indústria. Linhas gerais de necessidades de inovação – materiais, componentes e sistemas construtivos 1. Materiais e sistemas que contribuam para a elevação da produtividade e para a execução em prazos mais curtos– como reduzir as relações de interdependência na obra decorrentes das necessidades de cada sistema para atingir o desempenho adequado. 2. Materiais e sistemas com custos adequados para os diferentes segmentos– exemplo: os acabamentos de alto desempenho são também acabamentos de elevado custo que não cabem na produção dos chamados segmentos econômicos. No entanto, são insuficientes os produtos de custo mais acessível disponíveis principalmente por que muitas vezes o custo mais baixo é obtido com mais baixo desempenho e até mesmo não conformidade as normas técnicas. Materiais de desempenho adequado e custos adequados a cada segmento são ainda necessários. 3. Produtos que eliminem ou facilitem o transporte, facilitem a montagem em canteiro. 4. Incorporação de sistemas que permitam a redução dos controles e inspeções – ex. sistema de conferência de aço, de identificação de tubulações, etc; automação do recebimento de materiais, do controle da mão de obra no canteiro (etiquetas RFID, por exemplo). 5. Produtos que reduzam impactos sobre o trabalhador como toxicidade, esforço físico. 6. Produtos que solucionem problemas reais existentes no projeto de edifíciosquanto à produção (obra) ou uso, operação e manutenção: produtos que facilitem a manutenção e limpeza, adequação e segurança no uso; acessibilidade, etc. 7. Comportamento/ desempenho de sistemas– produtos que contribuam para o desempenho acústico, térmico, etc. Ex. Desempenho acústico ainda tem soluções

consideradas “caras” e viáveis apenas em edifícios de mais alto padrão. Só se resolve problemas desta natureza com inovação. 8. Produtos e sistemas para a sustentabilidade: ainda não se tem um inventário do quanto os produtos disponíveis no mercado brasileiro atendem aos requisitos de sustentabilidade que são exigidos por normas, sistemas de certificação e necessidades dos usuários (ex. ainda não incorporamos o “concreto permeável” em estacionamentos como é hoje disponível nos EUA). Este inventário uma vez realizado permitirá a perfeita identificação das lacunas de produtos existentes. 9. Soluções de interface– o detalhamento de projetos muitas vezes se depara com a necessidade de improvisar soluções para interfaces entre os subsistemas estruturas x alvenaria x revestimentos. É preciso caracterizar melhor as diferentes soluções requeridas. Linhas gerais de necessidades de inovação – gestão. 1. Novos modelos de negóciosembasados em inovações de estratégia de produto no mercado, segmentação do público-alvo, tipos de produtos, etc; 2. Novas formas de comunicação com o mercadopara o lançamento de produtos, novas formas de relacionamento com os clientes e comercialização – intensificação da mídia eletrônica, redução do uso de publicidade de massa para uma publicidade mais segmentada e dirigida ao público alvo, redução dos gastos em material impresso, transparência ao cliente, educação do cliente para identificar desempenho do produto, orientações adequadas sobre inovações incorporadas, quebra de resistências e círculo vicioso da não valorização da inovação ao cliente final por parte dos profissionais de vendas; 3. Automação dos processos de vendas, contratos e comunicação com o cliente após a venda; 4. Modelos de planejamento, orçamento e avaliação de riscoscom o uso de sistemas inovadores: comparações baseadas no verdadeiro impacto das inovações sobre o custo sistêmico e global, ao longo da vida útil. 5. Métodos de projeto: adequados ao conceito de desempenho – o uso de simulações na prática projetual; adequados à análise do impacto do empreendimento para o entorno; flexibilização às alterações do usuário ao longo da vida útil. 6. Tecnologia da informação– no projeto, no planejamento, no controle em obras, nos métodos de diagnóstico, na robotização de atividades que o homem não precisa fazer e que podem ter mais precisão; automação de componentes e sistemas nos edifícios – é preciso fazer um esforço de capacitação de profissionais nesta área para atuar nas empresas e como consultores.  BIM – Building Information Modeling– Embora venha sendo divulgada a implantação no Brasil de metodologias desta natureza existem sérios equívocos de interpretação do que é necessário para efetivamente implantar esta abordagem a partir do que o estudo pôde constatar comparando como isto vem sendo apresentado no Brasil e como está sendo efetivamente desenvolvido nos EUA, Europa e Ásia. O conceito verdadeiro de BIM não se resume ao projeto em três dimensões como vem sendo apresentado, mas num processo de integração de dados e informações sobre todo o ciclo de produção, uso e operação do edifício de modo a criar num único modelo a simulação completa de projeto, planejamento,

orçamento, construção, operação, manutenção e custos globais do edifício. Para essa aplicação, antes de qualquer software, é necessária uma modelagem de informações de especificações, de custos, de gestão da qualidade, de prazos e durações de atividades, de diretrizes de uso e operação que possam ser associadas a cada elemento construtivo projetado. Esta modelagem está longe ainda das práticas da maior parte das empresas brasileiras, que ainda tem grande dificuldade de integração de informações e dados dos diferentes processos, em especial, também quanto à padronização de terminologia. Nesta abordagem o mesmo nome que o projetista atribui aos componentes precisa percorrer todas as demais fases, assim o que foi chamado de bloco cerâmico no projeto não pode ser chamado de tijolo cerâmico no orçamento, no planejamento, na contratação e compra, etc. Outro grande desafio na implantação do BIM é que o Brasil ficou à margem do desenvolvimento dos padrões que asseguram a “interoperabilidade” entre sistemas compostos por padrões de classes de produtos, terminologia e linguagem de interoperabilidade entre sistemas de diferentes desenvolvedores e para implantar as empresas que iniciaram este trabalho, ao contrário do modo que se consolida no mundo todo, precisam comprar todos os sistemas (projeto, planejamento, suprimentos, etc) de um mesmo fornecedor. Este é um dos principais entraves a que o Brasil possa absorver bem os melhores sistemas disponíveis no mundo em cada parte do processo produtivo, integrando-os numa modelagem BIM. O nível de conhecimento dos profissionais das empresas incorporadoras e construtoras para a implantação de sistemas de informação e, particularmente, do BIM é totalmente insuficiente e não temos no Brasil a disponibilidade de consultores especializados não comprometidos com sistemas específicos. O investimento necessário a esta implantação não é baixo, pois envolve a compra de softwares e a capacitação das equipes, o desenvolvimento interno às empresas dos modelos de sistemas de informação apropriados aos seus processos. Por enquanto este investimento está fora do alcance da maioria das empresas incorporadoras e construtoras e das empresas de projeto. Assim será necessário desenvolver uma série de passos para que o Brasil possa se equiparar ao panorama internacional na questão da implantação de sistemas BIM: 1. desenvolvimento de condições de interoperabilidade no Brasil adaptando-se e absorvendo padrões internacionais já em atividade; 2. padronização de terminologia, bibliotecas de materiais, componentes e sistemas construtivos; 3. capacitação e treinamento de profissionais das áreas envolvidas nas empresas construtoras e nas empresas de projeto; 4. financiamento à implantação; 5. ensino de graduação precisa absorver esta nova metodologia para que a nova geração de engenheiros e arquitetos não precise ser capacitada pelas empresas.  Automação dos controles em obras(RFID, laser scanners, palmtops etc) – a análise do estágio de utilização de ferramentas de tecnologia da informação nos canteiros de obras mostra um vasto campo de possibilidades de racionalização e melhoria de produtividade e precisão/ gestão da qualidade para as quais falta ainda

condições de desenvolvimento efetivo e implantação nos canteiros brasileiros, mas que precisa de investimento para viabilizar a curto e médio prazo.  Novas formas de diagnóstico e atendimento de ocorrências pós-entrega das obras com automação, rastreabilidade das ocorrências nos processos. Sustentabilidade na construção civil: benefícios ambientais e econômicos Novos materiais reduzem impacto e contribuam para o conforto térmico e redução do consumo de energia Carolina Octaviano/ComCiência/Labjor/DICYT - A palavra “sustentabilidade” é, sem dúvida, uma das mais faladas e comentadas neste novo milênio e, não por acaso, esse conceito tem invadido as mais diversas áreas do conhecimento e setores da economia. Na construção civil, a partir da utilização de novos materiais que gerem o menor impacto possível ao meio ambiente e contribuam para o conforto térmico ou a redução do consumo de energia, não é diferente, e há inúmeros exemplos de novos materiais e tecnologias com essa finalidade. Uma das inovações resultantes de pesquisa são os Materiais de Mudança de Fase (PCM, na sigla em inglês), ou materiais termo-ativos, que atuam no isolamento térmico e armazenamento de energia, por meio da utilização de parafinas microencapsuladas que podem ser dispersas em rebocos de revestimento, a fim de garantir o conforto térmico e reduzir o consumo de energia nas edificações. Isso é possível a partir do acúmulo energético da fusão das parafinas. Para Vanessa Gomes, professora da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa tecnologia, atualmente, apresenta ganhos ambientais e econômicos. “Ela começou muito cara, mas já há pesquisas que conseguem baratear os custos”, aponta. Outro exemplo de como a sustentabilidade pode trazer benefícios ao meio ambiente urbano e a seus habitantes são as coberturas verdes, construções em que as tradicionais coberturas de telhas são substituídas por vegetação. Esse tipo de construção proporciona o combate às ilhas de calor urbano, absorvendo gases do efeito estufa emitidos por veículos e melhorando

a qualidade do ar nos centros urbanos; diminui parte das águas de chuva que poderiam alagar bueiros; e torna-se habitat para pássaros e borboletas. Os “tetos verdes”, como o mostrado no Blog Casa e Energia, são uma febre em países de primeiro mundo e têm sido utilizados em larga escala nos Estados Unidos e na Alemanha. “Existem áreas do Brasil que podem ser muito apropriadas à utilização de coberturas verdes. Elas ajudam a combater enchentes e outros problemas ocasionados por temporais, pois não são impermeáveis”, explica a pesquisadora da Unicamp. Copa do Mundo “verde” Não é apenas nas construções residenciais que o conceito de sustentabilidade veio para ficar. Para sediar a Copa do Mundo de 2014, o Brasil deve seguir uma série de normas estabelecidas pela Fifa, como, entre outras coisas, a construção e a reforma dos estádios para que eles estejam de acordo com o ideal de uma competição “verde”, ou seja, ecologicamente correta e que gere o menor impacto ambiental possível. Entretanto, os altos custos estipulados para as reformas e as construções desses estádios têm gerado questionamentos sobre a viabilidade dos projetos. E também há quem critique o oportunismo do marketing dos megaeventos. “Temos que pensar que, ao cuidar do planeta, estamos cuidando de nós mesmos e reduzindo inclusive os gastos que teremos no futuro. Eventos como Olimpíadas ou a Copa do Mundo não devem ser vistos como uma oportunidade de utilização de tecnologias mais sustentáveis. Essa atitude deve estar presente no nosso dia a dia”, defende José Kós, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Alguns estádios utilizarão energias limpas, como a eólica (do vento) e a solar. Em outros, serão utilizadas as águas das chuvas para a limpeza dos estádios, a irrigação dos gramados e nas torres de resfriamento do ar-condicionado. O estádio da Fonte Nova, em Salvador, por exemplo, terá um sistema para tratar o esgoto de pias e chuveiros, reaproveitando a água tratada e gerando, desse modo, economia. No Mineirão, em Belo Horizonte, serão usados plásticos reaproveitáveis e placas de madeira recicladas ou de reflorestamento para reformar a parte interna. Com essas iniciativas, a Fifa pretende consolidar o conceito de estádios “autossustentáveis”.

Gomes, da Unicamp, aponta para as qualidades da construção desses estádios “verdes”, entre elas a reutilização de água e a economia de energia. Ela acredita ainda que o legado deixado pelas construções desses estádios será positivo, pois eles poderão ser reutilizados no futuro, trarão benefícios para o país e o meio ambiente e servirão de exemplo para a construção de outras edificações. “Quando a gente pensa nesses grandes eventos mundiais, tem-se que pensar no legado que vai ficar. Se a gente olhar historicamente, a Copa e as Olimpíadas representam uma forma de reinvenção urbana. Deve-se considerar que a cidade vai utilizar essas coisas depois. É uma oportunidade para se antecipar em décadas, por exemplo, o sistema de transporte urbano, e enxergar que as construções trarão benefícios para a coletividade, para a sociedade”, conclui. Economia e meio ambiente Vanessa Gomes relembra os primórdios das discussões sobre questões ambientais para explicar que a economia e o meio ambiente devem andar juntos quando o assunto é a utilização de tecnologias que minimizem os impactos ao meio ambiente. “As primeiras conversas sobre o assunto meio ambiente foram claramente relacionadas à energia, impulsionadas pela falta do petróleo. Tinha uma questão econômica muito presente no consumo de energia. A Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente, que aconteceu em Estocolmo, em 1972, deixou claro que, além do desenvolvimento econômico, era preciso pensar na questão ambiental”, reforça. Ela lembra que a temática “construção civil” esteve presente em outras duas conferências das Nações Unidas, no Rio de Janeiro, em 1992, e em Joanesburgo, em 2002. José Kós, da UFRJ, concorda que o meio ambiente e os aspectos econômicos devem sempre caminhar juntos. “É muito mais caro limpar do que não sujar, em curto, médio e longo prazos. Mais importante do que implementar soluções tecnológicas ditas mais sustentáveis é alterar nossos hábitos e nossa visão do que é sustentável”, explica. “A construção civil é, atualmente, e especialmente em países como o Brasil, um dos ramos de maior potencial na redução do impacto ambiental. Isso porque existem muitas possibilidades de evolução

tecnológica e de comportamento, para uma relação melhor com o meio ambiente e que também geram economia nas contas no final do mês”, avalia. De acordo com a pesquisadora da Unicamp, o principal papel do marketing verde na construção civil está na conscientização. “Ele pode ter um papel educativo capaz de esclarecer ao consumidor leigo que existem mecanismos que podem ser aplicados para aumentar a sustentabilidade de um determinado empreendimento sem adicionar custos”, afirma Gomes. Contudo, a pesquisadora diz que é preciso ficar atento, pois a questão da sustentabilidade está sendo banalizada. “Às vezes o pessoal do marketing utiliza informações equivocadas, que confundem propositalmente o consumidor, criando a chamada ‘maquiagem verde’”, alerta. Kós, da UFRJ, acredita que o marketing verde pode contribuir para reduzir os impactos que causamos ao meio ambiente, mas pondera: “Ele não é a solução que necessitamos para obter resultados concretos”. Mas, afinal, como essas ideias sustentáveis têm penetrado no mercado? De acordo com Gomes, da Unicamp, uma pesquisa envolvendo vários países concluiu que 18% dos consumidores aceitariam pagar a mais por produtos sustentáveis. “No Brasil, quando se fala que vai custar mais caro, a adesão é menor de pessoas que vão optar pelas tecnologias sustentáveis”, complementa. Porém, ela comenta que, quando se explica os benefícios ambientais e nos casos em que o valor é o mesmo das construções convencionais, as pessoas costumam aderir a essas tecnologias. “Tudo depende do nível de sensibilização do consumidor. Se ele estiver esclarecido e sensibilizado, ele aceitará bem”, aponta. Grandes eventos dedicados a arquitetura, decoração e paisagismo têm sido espaços significativos para esse tipo de sensibilização. Em 2009, no Casa Cor Campinas, as arquitetas Renata Marangoni e Eloisa Kempter apresentaram o projeto de uma casa infantil sustentável, a “Casa Sapo”, utilizando apenas materiais reciclados ou recicláveis. Para realizar o projeto, elas usaram madeira reciclada no piso, telhas de fibra vegetal na cobertura da casa e caixas Tetrapack no revestimento. As certificações verdes

O consumidor tem como saber se um projeto é de fato sustentável ou se o marketing verde o está levando a comprar “gato por lebre”? Segundo Gomes, da Unicamp, há algumas formas de se atestar que determinado material utilizado na construção é sustentável ou não. Um modo de saber os impactos ambientais de um certo material é analisando o seu ciclo de vida. “Você deve colocar na ponta do lápis desde a extração de material até a implementação nas construções e a vida útil que eles têm. É preciso ver também quais foram os impactos para produção de um certo material”, explica. Outras formas eficientes de certificar a sustentabilidade ou não dos materiais é através das normas ISO. “Esse selo é o ideal porque, mesmo que o público leigo não entenda, os projetistas vão saber o que é melhor em termos de sustentabilidade e saberão como melhor utilizar um determinado material. Isso é fundamental para orientar um projeto”, acredita. Todavia, na opinião de Kós, da UFRJ, é preciso aumentar o leque de informações aos usuários. “A certificação de materiais não possui a profundidade ou mesmo o alcance necessários”, afirma. Vale salientar que, no Brasil, certifica-se que determinada construção é ou não sustentável a partir do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), concedido pelo Green Building Council (GBC) Brasil.

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