Histórico das produções clássicas

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Published on March 10, 2014

Author: gepoteriko

Source: slideshare.net

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CURSO PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO PARA EaD. UFPR - 2010. Material produzido para o curso, na forma de atividade com objetivo de criar um "curso a distância" para empresa fictícia, visando a capacitação dos funcionários em determinadas habilidades da área de atuação, com estrutura na Plataforma Moodle.
Exemplo de curso de capacitação para a empresa "Cartoon Empreendimentos", cursista Geane Poteriko.
Material didático do curso: "Histórico das Produções Clássicas".

- UNIDADE 4 – As Produções Clássicas de Cartoons Uma perspectiva histórica

CURSO DE CAPACITAÇÃO À DISTÂNCIA Formação Inicial em Cartoons Tutora: Geane Poteriko gepoteriko@gmail.com

As Artes Gráficas e a História Olá, cursista! Veremos nesta unidade um pouco mais sobre as produções clássicas de cartoons, numa perspectiva histórica das HQs e sua relação com outros tipos de artes gráficas. Vamos começar?

A caricatura e a charge no Brasil • É difícil estabelecer a diferença entre charge e caricatura. • O historiador Herman Lima, em sua obra "História da Caricatura no Brasil", usa os termos caricatura e charge para se referir basicamente às mesmas coisas. • Vamos aqui tentar identificar algumas diferenças básicas.

Charles Darwin (1871) • Chama-se caricatura todo desenho que acentua detalhes ridículos. • Vem do termo italiano caricare, "carregar", "acentuar“ e foi utilizado pela primeira vez em 1646, para designar uma série de desenhos satíricos de Agostino Carracci, que retratava tipos populares de Bolonha. • A caricatura pode ultrapassar o individual, para particularizar o imaginário coletivo de uma época ou de um povo.

• Aleijadinho teria sido um dos primeiros a fazer uso da caricatura no Brasil, no século XVIII. O artista teria reproduzido, em um grupo de são Jorge com o dragão, os traços do coronel José Romão. • Oficialmente, o iniciador da caricatura no Brasil foi Manuel de Araújo Porto Alegre, que publicou a primeira caricatura, no Jornal do Comércio de 14 de dezembro de 1837: uma sátira ao jornalista Justiniano José da Rocha, inimigo do artista.

Manuel de Araújo Porto Alegre (1806-1879), foi o fundador do primeiro jornal de caricaturas do Brasil A Lanterna Mágica, (1844).

• O uso das charges esteve sempre vinculado à realização de algum tipo de reflexão sobre os acontecimentos do cotidiano. • A charge possui tem quatro funções: política, econômica, educativa e de entretenimento. • Nesse ponto, Araújo também é considerado o primeiro chargista do Brasil, dado o conteúdo político-social incluso em suas ilustrações. • A charge tem poder mobilizador pois ela pode influir na opinião pública. Através dela, por exemplo, os jornais do século XIX alcançavam um público até então inacessível: os analfabetos.

Charge de Angelo Agostini, sobre a Guerra de Canudos.

O Brasil teve a primeira mulher caricaturista do mundo • Nair de Tefé (1886 -1981), publicou seu primeiro trabalho, A Artista Rejane, na revista “FonFon”, sob o pseudônimo de Rian (Nair de trás para frente). • Especializou-se em retratar a elite carioca. Publicou suas caricaturas em periódicos como O Binóculo, A Careta, O Ken, Gazeta de Notícias e da Gazeta de Petrópolis.

• Em 1910, as revistas francesas Fantasie, Femina, Excelsior e Le Rire publicam seus trabalhos. • Em 6 de janeiro de 1913, Nair de Tefé casou-se com o presidente da República, o marechal Hermes da Fonseca. • Na Europa realizou algumas exposições. • Em 1922, participou da Semana da Arte Moderna. Affonso Celso

• Publicou ainda charges, em 1922, no livro de crônicas de Otto Prazeres: Petrópolis, a Encantadora, fez uma capa em cores para a Fon-Fon em 22 de janeiro de 1922. • Também publicou na Revista da Semana trinta "cabeças" de personalidades, como a do próprio Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Epitácio Pessoa e outros, e em 11 de abril de 1925, na mesma revista, publicou um croqui da bailarina Naruna Corder. Caricatura do presidente Eurico Gaspar Dutra

• Só a partir de 1955 é redescoberta pela imprensa. • Em 1959, por incentivo de Herman Lima, redesenha seis de suas caricaturas, inclusive A Artista Rejane, que foram incluídas na coleção História da Caricatura no Brasil. • Aos 73 anos retomou a carreira como caricaturista. Caricatura do presidente Juscelino Kubitschek

A caricatura de José Carlos • José Carlos de Brito e Cunha (1884-1950), J. Carlos), nasceu no Rio de Janeiro. • Foi responsável pela nacionalização da arte da caricatura no Brasil.

• Começou sua carreira em 1902, no "Tagarela" e colaborou em várias revistas, como a “ Careta", "Fon-Fon", "O TicoTico", "Almanaque do Tico-Tico" e "O Cruzeiro". Capa da revista O Careta (1912)

• O seu traço fui muito influenciado pelo estilo art nouveau, marcado pelas linhas curvas, a elegância e o detalhismo na composições de personagens e ambientes. • Começou a desenhar o personagem Juquinha, o primeiro herói brasileiro dos quadrinhos, na revista Tico-Tico, em 1906.

• Compôs um retrato vivo da sociedade brasileira do início do século XX, retratando a vida carioca, as praias, o carnaval, a moda e costumes e criando personagens típicos da cidade. • A melindrosa era uma personagem recorrente em seu trabalho.

• Na capa de O Malho de 1º de maio de 1920, o gênio brasileiro da caricatura, J. Carlos, brinca com as comemorações do Descobrimento (naquela época, comemorava-se a data no dia 3 de maio). De Cabral aos nossos “papagaios” congressistas, uma crítica rimada de algumas mazelas nacionais: • “A nau descobre / A mensagem encobre / O Congresso e o cobre”. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=de , acesso em 21/06/2010.

“O início do século XX foi um período de grandes inovações no Brasil. Junto com o cinema e o automóvel, um novo estilo de vida acabou surpreendendo os brasileiros. A charge de J. Carlos mostra como os costumes “civilizados” dos grandes centros urbanos causavam sensação. Alguns espertinhos chegaram a usá-los como desculpa para suas atitudes, digamos, avançadas.” À maneira americana – Não me passes o braço na cintura. (Disponível em – http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=3166 O que tem isso? O lugar é discreto. E que não fosse! Acesso em 10/07/2010) Pensam que somos americanos.

• J. Carlos foi convidado para trabalhar nos estúdios da Disney, mas recusou. • Fez uma charge do papagaio preparando as malas para ir a Hollywood, inspirando a criação do personagem Zé Carioca.

Quadrinhos de J. Carlos • Na revista Careta, de 27 de abril de 1912, está a continuação de uma HQ, como título Brocoió e as suas desventuras. Não há assinatura do autor, mas o traço assemelha-se ao de J. Carlos, que ilustra toda a revista.

No Tico-Tico publicou a série O talento de Juquinha, criando ainda os personagens Jujuba e seu pai, Carrapicho e a negrinha Lamparina, que é considerada sua maior criação nas HQs.

Belmonte: Era Vargas, Nazismo e História do cotidiano • Benedito Carneiro Bastos Barreto (1896 - 1947) foi um caricaturista, pintor, cartunista, cronista, escritor e ilustrador brasileiro. Sua produção foi influenciada por J. Carlos. • Belmonte foi o criador do Juca Pato (1929), que encarnava as aspirações e frustrações da classe média paulistana, fazendo fortes críticas à corrupção política. • O Juca Pato fez sucesso na "Folha da Manhã", atual Folha de S. Paulo, com suas críticas a Getúlio Vargas.

• Foi obrigado pelo DIP a tratar somente de temas internacionais. • Voltou, então, suas atenções para questões internacionais como o imperialismo, o nazismo e a II Guerra Mundial. • Stalin e Hitler eram personagens presentes em suas charges, algumas vezes dividindo espaço com Juca Pato.

• Suas charges contra o nazifascismo chegaram ao conhecimento de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda e da Informação de Hitler: o nazista reagiu, acusando o brasileiro, pelo rádio, de ter sido comprado pelos aliados.

• Com o fim da II Guerra e a decadência do Estado Novo, Belmonte volta novamente sua atenção para Getúlio, aproveitando o momento de transição da ditadura para um governo democrático.

• Belmonte publicou o livro ilustrado No Tempo dos Bandeirantes (1939), o qual classificou como uma reportagem retrospectiva sobre a vila de S. Paulo. • Trabalho pioneiro, o retrata a vida cotidiana dos paulistas de 1600, sendo uma verdadeira história do cotidiano, em oposição à história dos grande heróis e das grandes suas batalhas. • Belmonte pesquisou em testamentos e atas da Câmara Municipal, obras sobre arquitetura, armamento e heráldica.

O surgimento das Histórias em Quadrinhos no Brasil • Os quadrinhos surgiram no Brasil nos jornais, na segunda metade do século XIX, pegando carona o sucesso da charge e da caricatura. • Angelo Agostini é considerado o criador as primeiras histórias em quadrinhos brasileiras. • Periódicos como a Revista Ilustrada, fundada em 1876, por Ângelo Agostini, exploravam a imagem como forma de comunicação.

As primeiras revistas em quadrinhos do Brasil • Em 1905: surgiu o “O Tico-Tico”, criado por Renato de Castro e Manuel Bonfin e publicado pela editora S.A.O. Macho. • Circulou nas bancas de jornal até a década de 1960.

Ao Tico-tico seguiram outras publicações: • A Gazeta Infantil (1929) • O Mundo Infantil (1929) • Suplemento Juvenil (1934) • O Mirim (1939) • • • • • O Lobinho (1939) O Gibi (1939) A Gazetinha (1939) O Globo Juvenil (1937) O Sesinho (1948).

A produção pioneira da EBAL • Adolfo Aizen lançou em 1934 o "Suplemento Juvenil“. • Em 1945 fundou a EBAL (Editora Brasil América Ltda). • Tornou-se um dos pioneiros na produção e edição de histórias em quadrinhos dedicadas a temas históricos e adaptações literárias, valorizando o talento de desenhistas nacionais.

• A EBAL lançou as séries Edições Maravilhosas, Grandes Figuras do Brasil (lançado em 20 volumes, entre 1957 e 1958), História do Brasil e Epopéia. Seu objetivo: reverter o status cultural dos quadrinhos e afastar do Brasil o fantasma da censura aos quadrinhos. • O declínio da editora teve início em fins da década de 1960. Em 1983, a editora encerrou sua produção.

Edson Rontani e o nascimento do Fanzine no Brasil • Fanzine é uma revista editada por um fã. Edson Rontani (1933 1997), desenhista artístico, lecionava desenho em seu Instituto Orbis, situado no centro de Piracicaba. Foi também pintor, jornalista e radialista, tendo produzido capas para revidas da EBAL, como Batman. • Foi o editor do primeiro fanzine brasileiro sobre histórias em quadrinhos publicado em 12 de Outubro de 1965, em Piracicaba (SP), com o nome de "Ficção" (Boletim do Intercâmbio CiênciaFicção Alex Raymond).

• O “Ficção” era composto por textos informativos e uma lista de produções brasileira de quadrinhos desde 1905. Ele teve 12 edições. • A impressão era feita em mimeógrafo à tinta. • Nele, foram divulgadas curiosidades sobre personagens de histórias em quadrinhos, publicações especializadas e editoras. Exemplo de fanzine

• Rontani foi o primeiro a fazer um levantamento sobre a produção de quadrinhos no Brasil. • Entre os destinatários estavam: José Mojica Marins (o "Zé do Caixão"), Gedeone Malagola, Adolfo Aizen, Mauricio de Sousa, Jô Soares, Lyrio Aragão e outros desenhistas ou aficionados em quadrinhos. Nhô Quim, criação do cartunista Edson Rontani.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: NOGUEIRA, Natania; FERNANDES, Valéria. Os Quadrinhos como fonte de pesquisa histórica: a evolução das artes gráficas no Brasil. Disponível em: http://www.slideshare.net/gibiteca Acesso em 01/12/2010

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