advertisement

Examinai as Escrituras - Atos a Apocalipse

50 %
50 %
advertisement
Information about Examinai as Escrituras - Atos a Apocalipse
Spiritual

Published on March 14, 2014

Author: madsonflores73

Source: slideshare.net

advertisement

J. SIDLOW BAXTER EXAMINAI-------AS--------- ATOS A APOCALIPSE

Ex a m in a i ESCKffilfeS J. Sidlow Baxter Tradução de Neyd Siqueira

Riw uh A. fc. '* Sayão (olilol» Uicil Un*6anlo» Haib« (pr>'vu) ílü lit:pniduçãq: Rn' MAZINHO RODRIGUES Primeira edição em português: outubro de 1989 Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados por

PREFÁCIOÀEDIÇÃO EM PORTUGUÊS A obra aqui intitulada EXAMINAI AS ESCRITURAS é a sexta parte de uma coleção de seis volumes. Esta coleção surgiu em decorrência do desejo do Pastor J. SidlowBaxter de oferecer, com lições atraentes e prá­ ticas, um conhecimento bíblico básico aos membros da Capela Charlotte, em Edimburgo, na Escócia. O autor teve a feliz idéia de preparar seus es­ tudos de um modo completo para os membros daquela igreja, começan­ do com Gênesis e terminando em Apocalipse, sem escrever apenas mais um comentário. O autor lança um alicerce agradável e seguro para aquele que deseja apresentar-se como obreiro (ou membro da igreja) “que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15). Neste volume, o Pastor Baxter discorre sobre os primórdios da igreja cristã, segundo registrados pelo livro de Atos dos Apóstolos, fazuma via­ gem através das cartas do Novo Testamento, chegando, por fim, ao livro das revelações, Apocalipse. Em liçõessemprepráticas ebastanteassimiláveis,Baxterofereceincon­ táveis informações muito iluminadoras àqueles que têm somente idéias acerca do NovoTestamento. Temos convicção de que apopularidade go­ zadapor esta obra em inglês será amesma que severificará na sua edição em português. Dentro de pouco tempo, Edições Vida Nova estará colo­ cando à disposição do público leitor os quatro volumes desta série, que se relacionam com o Antigo Testamento. Os Editores

ATOS DOS APÓSTOLOS (1) Lição nQ21

NOTA: Leia Atos dos Apóstolos pelo menos duas vezes para este estudo. Não obstante as severas críticas feitas ao livro nas últimas décadas, eruditos como o professor Ramsay demonstraram conclusivamente que eleé dignodo mais elevado crédito comoumahistóriadoprimeiro século. Uma atmosfera de realidade o cerca: nenhum outro livro do Novo Testamento associa o seu conteúdo com a história geral do mundo como esta obra. (A grande autoridade sobre todas as dúvidas relativas à credibilidade deAtoséoprofessorW.M.Ramsay, especialmente em seus livros: The Churchin theRoman Empire; St.Paulthe TravellerandRoman Citizen;An Historical Commentary on Galatians [“A Igreja no Império Romano; S. Paulo, Viajante e Cidadão Romano; Um Comentário Histórico de Gálatas”].) W. H. G. Thomas

ATOS DOS APÓSTOLOS Vinte e oito capítulos emocionantes apresentam-se anós! Podemos ler qualquer deles várias vezes, descobrindo sua fascinação crescente a cada leitura.Penaalgumajamaisescreveuum registromaisirresistível. Seesses acontecimentos memoráveis não provocarem a imaginação e nem despertarem as emoções de qualquer leitor realmente interessado, nenhum outro o fará. Todavia, até mesmo o simples interesse pelo livro fica eclipsado pela sua importância como revelação e história. Ele é a seqüência dos poderosos eventos dos evangelhos e a introdução para as gloriosasdoutrinas das epístolas;marcando, defato,um dosmaiselevados pontos críticos da história, como em breve teremos oportunidade de ver. Autor e Data Devemos,porém, dizeralgumacoisasobre o autore adataemprimeiro lugar. É possível afirmar com finalidade quase categórica que o livro é de autoria de Lucas, o escritor do terceiro evangelho. Existem quatro considerações que estabelecem este fato. Primeira: tanto “Atos dos Apóstolos” como o “Evangelho Segundo Lucas” são dedicados a Teófilo (Lc 1.3; At 1.1); e ao iniciar “Atos” o escritor faz menção de seu “primeiro livro”,referindo-se evidentemente ao “Evangelho Segundo Lucas”. Segunda: há semelhanças, deReconhecimento unânime, no estilo, nas frases e na ordem em ambos os livros, e uma correspondência notável em certa fraseologia médica que é própria de Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14). Terceira: o pronome “nós”, em versículos tais como 16.10 e 20.6, é geralmente tido como indicador do narrador, pelo menos do capítulo 16 em diante, como um dos companheiros de viagem de Paulo. Silas e Timóteoparecem estar eliminadosporversículostaiscomo 16.19e20.4,5; não há também qualquer traço de evidência de que o escritor possa ser Tito. Quem seria ele então, senão Lucas? Desde que o estilo de todos os

capítulosprecedentesao 16éomesmo daqueles queseseguem aele, olivro não teria sido escrito inteiramente por Lucas? Quarta: a autoria de Lucas, tanto de Atos como do terceiro evangelho, é confirmada unanimemente pela tradição cristã a partir de Irineu, no século II A.D., sendo aceita pelos críticos de todas ou quase todas as escolas de nossos dias. A data, assim como a doutrina, pode ser perfeitamente fixada. Ele foi completado cerca doano 63A.D. em Roma; ou seja,perto do fimdos dois anos em que Paulo esteve preso nessa cidade e, possivelmente, sob a orientação desse grande apóstolo. A narrativa chega exatamente até esse ponto e não poderia ter sido completada antes. Todavia, não haveria também possibilidade de ter sido escrita muito mais tarde que isso, pois, se o julgamento de Paulo diante de Nero e sua absolvição tivessem tido lugar, Lucas, certamente, registrariaofato. Além do mais, se asprojetadas viagens de Paulo e seu segundo julgamento — e mais que tudo, seu martírio — houvessem ocorrido, Lucas não teria, com toda certeza, registrado isso em vez de interromper repentinamente seu relato como o fez no final do capítulo 28? É quase certo que sim, pois sabemos através de 2Timóteo 4.6,11 que Lucas ficou com Paulo até o fim. Objetivo e Título Qual oescopo, ouseja, oassunto e oobjetivo deAtos? Algunspreferem chamá-lo de “Atos do Espírito Santo”, devido às suas muitas referências ao Espírito Santo. Outros gostariam de dar-lhe o título de “Atos do Cristo Que Subiu aos Céus”. Eles nos remetem às palavras introdutórias de Lucas: “Escrevi oprimeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesusfez eensinou, até aodiaem que, depois de haver dado mandamentos por intermédio doEspírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado àsalturas...”e sugerem queLucaspretende agora, neste novo livro, contar o que o Senhor continuou a fazer depois de sua ascensão. Mas, segundo nosso critério, overdadeiro nome do livro é o que sempre teve, “Atos dos Apóstolos”;pois, embora o Cristo que subiu às alturas e oEspírito que dá de Sua plenitude estejam operando através e acima de tudo, as figuras vistas são as dos homens comissionados por Cristo e controlados pelo

Espírito, os apóstolos. O principal desafio do livropara nós éjustamente o significado do que esses homens disseram e fizeram. Se quisermos interpretar a ascensão de Cristo e o fenômeno do Pentecoste devemos observar esseshomens. Alguns negam que o título “Atos dos Apóstolos” seja o verdadeiro ou original. Por exemplo, o Comentário de Marshall sobre Atos diz: “A obra não pode ser considerada em sentido algum como um registro dos feitos dos apóstolos, desde que não contém um relato detalhado do trabalho deles, com exceções dos de Pedro e de Paulo. Ele é de fato o registro de alguns atos de certos apóstolos e de outros que não eram apóstolos”. A simplesresposta aistoé que, se olivro não consiste especialmente de uma narrativa dos feitos dos apóstolos, será difícil saber o que ele é. Os doze apóstolos, todos eles, são mencionados no primeiro capítulo, a fim de podermos saber, sem sombra de dúvida, a quem Lucas se refere quando fala dos “apóstolos” nos capítulos seguintes. Eles são citados coletivamente depois disso nada menos do que 23 vezes! Seus pronunciamentos, decisões e atividades importantes, como um corpo, forampreservados,revelando suaunanimidade eautoridadereconhecida. Desse modo, embora o escritor não tenha achado necessário ou possível apresentar a história pessoal de cada um, ficamos sabendo que os escolhidos para menção especial são citados como representantes ou líderes.Talvez devamos acrescentar que apesar dos “Doze”ocuparemum lugar distinto, o termo “apóstolo” é usado para Barnabé e para outros mencionados pelo nome ou incluídos na narrativa sem serem nomeados. O livro é verdadeiramente comparável ao seu nome. Trata dos “Atos dos Apóstolos”.Tem o propósito de ensinar-nos a relevância desses homens, do que fizeram e disseram e do que aconteceu com eles. Chave e Plano O pensamento principal em Atos é dar testemunho de Cristo e o versículo-chave é sem dúvida 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”.Neste v. 8, vemos a nomeação divina, o equipamento espiritual e o compromisso

geográfico das testemunhas de Cristo. Além disso, o desenvolvimentogeográfico de todo o livro é antecipado aqui: “em Jerusalém, como em toda aJudéia e Samaria, e até aos confins da terra”. Nos capítulos 2 a 7, o testemunho é dado em Jerusalém. Nos capítulos 8-12 ele é divulgado em toda Judéia e Samaria. Finalmente, do capítulo 13até encerrar-se o livro, é levado “até aos confins da terra”. O que essasprimeiras testemunhas deveriam anunciar? Qual otema de seutestemunho para Cristo? Ao respondermos essaquestão com cuidado e sinceridade, veremos o livro assumir seu significado supremo. Quanto aoplano, o livro de Atos tem duas partes: a primeira, que vai atéofimdo capítulo 12easegunda, do capítulo 13atéoúltimo.Jerusalém é o foco da primeira parte. Na segunda, as atenções convergem para Antioquia. Na primeira, Pedro é a figura proeminente. Na segunda, é Paulo. Na primeira parte, há um movimento saindo de Jerusalém em direção àJudéia e Samaria. Na segunda, a ação tem início em Antioquia, atravessa o império e encaminha-se para Roma. Na primeira parte, ficamosrestritos àPalestina, onde é dado testemunhoprimeiro aosjudeus da pátria e depois a judeus e gentios sem distinção. Na segunda parte, somos conduzidos através do império, onde o testemunho é novamente dado primeiro aos judeus da Dispersão e depois a judeus e gentios ao mesmo tempo. A primeira parte termina com a rejeição geral da Palavra pelos judeus da pátria e a segunda com a rejeição geral da Palavra pelos judeus da Dispersão. A primeira parte termina com a prisão de Pedro. A segunda encerra-se com aprisão de Paulo. Existeum paralelo entre Pedro, naprimeiraparte, ePaulo, na segunda, que parece ser mais que pura coincidência. PEDRO PAULO I Primeiro sermão (2) I Cura de um coxo (3) I Simão, o mágico (8) Primeiro sermão (13) Cura de um coxo (14) Elimas, o mágico (13) Influência do lenço (19) Imposição das mãos (19) Paulo adorado (14) Ressurreição de Êutico (20) Prisão de Paulo (28) Influência da sombra (5) Imposição das mãos (8) I Ressurreição de Tabita (9) Prisão de Pedro (12)

Ao serem destacadas essas duas partes, vemos como o livro de Atos é realmente planejado de acordo com o versículo-chave, em Atos 1.8. Vamos registrar muito bem —na primeira parte de Atos (1-12) temos “Jerusalém,Judéia e Samaria”;nasegunda (13-28) temos “até aosconfins da terra”.Será útil colocar num papel os fatos da seguinte forma: ATOS DOS APÓSTOLOS Tema principal: Testemunho de Cristo Versículo-chave: At 1.8 PARTE 1(1-12) PARTE 2 (13-28) Jerusalém: o centro Antioquia: o centro Pedro, figura principal: Paulo, figura principal: Em direção a Samaria Em direção a Roma Palavra rejeitada pelosjudeus Palavra rejeitada pelosjudeus da pátria da Dispersão Prisão de Pedro Prisão de Paulo Juízo sobre Herodes Juízo sobre osjudeus É disso que tratam, portanto, o “escopo”, a “chave” e o “plano”. Veremos que três eventos críticos foram registrados em Atos, dando ao livroum significadodispensacionalsurpreendente.Antes deexaminarmos osmesmos,porém,há umapergunta damáximaimportânciaque*devemos responder com todo cuidado. Qual a natureza e conteúdo do testemunho apostólico para o Senhor Jesus Cristo? O Que Significava Testemunho Apostólico? O primeiro capítulo do livro cobre os cinqüenta dias desde a ressurreiçãodoSenhor atéodiadePentecoste.Essescinqüentadiasforam divididos em quarenta dias e dez dias —os quarenta dias do ministério do Senhor ressurreto e os dez dias de “espera” entre a ascensão de Cristo e avinda do Espírito Santo. A importância desses últimos quarenta dias do ministério do Senhor na terra não pode deixar de ser ressaltada ao máximo.O que estavaemprimeirolugaremseuspensamentos epalavras?

Qual oassunto de suasúltimas conversas econselhosaos apóstolos? Ov.3 nos conta: “(Ele) se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias efalando áas coisas concernentes ao reino de Deus”.Não pode haver linguagem mais clara. Durante esses quarentadias, o assunto supremo e absorvente daconversafoi o“reino de Deus”.Istoprovocouumaperguntamuito naturalporparte dos apóstolos, que está registrada no v. 6: “Então os que estavam reunidos lhe perguntavam: Senhor, seráesteo tempo em querestaureso reino aIsrael?” Esta pergunta era o resultado perfeitamente natural do ensino do Senhor —uma pergunta inteligente e correta que nós mesmos teríamos feito se estivéssemos no lugar deles. Todavia, bastante estranhamente, a maioria dos comentaristas de Atos a ignora. Eles confundem o “reino de Deus”coma “Igreja”(espiritualizando-o completamente, semmencionar o fato de que o separam da profecia do Antigo Testamento) e acusam os apóstolos de ignorânciaincorrigívele de ambições egoístas. Por exemplo, ofalecidoRev. WilliamArthur explicaoassunto emseulivro, The Tongue ofFire (“A Língua de Fogo”) —cuja obra teve extraordinária influência há cerca de sessenta anos atrás: “Aparentementemaisdispostosainterpretar ‘poder’comoreferindo-se àsesperanças de sua nação do que ao reino dagraça, eles perguntaram, ‘Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?’Ele nada disse sobre um reino para Israel ou em Israel... Quando perguntaram, portanto, se iria naquela ocasião devolver o reino a Israel, Ele, em seguida, afastou a curiosidade dos mesmos. Quais os desígnios do Pai quanto ànação de Israel, quando elesvoltariam aserum reino, não lhes cabiaperguntar. Tinham um trabalho mais importante e mais próximo. ‘Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade’.” Citamos esse trecho por representar inúmeros comentários semelhantes sobre a pergunta feita pelos apóstolos; ele nos parece marcado por estranhas contradições. Como oescritorpoderia afirmar que o Senhor nada dissera “sobre um reino para Israel ou em Israel” parece de fato estranho em vista do que nos ensinam os quatro evangelhos. É igualmenteestranho ouvirque oSenhor“emseguidaafastouacuriosidade dos mesmos”, em vista de apenas alguns dias antes (veja Mt 24) ter dado

uma longa e detalhada resposta a uma questão bastante parecida! Além disso, ao registrar a pergunta dos discípulos, Lucas fazuso de um “então” significativo. A ordem exata das palavras no versículo seria: “Os que estavam reunidos, então lhe perguntavam: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” Lucas, evidentemente, utiliza o “então” aqui, para mostrar que a pergunta dos discípulos era um resultado lógico do que o Senhor estivera dizendo sobre o reino”. A maioria dos escritores, no entanto, adota o ponto de vista da citação que acabamos de dar, extraída do livro de William Arthur. Quando examinamos os comentários bíblicos conhecidos, tantos os mais antigos como osmais recentes, descobrimos a mesma opinião expressa em todos. Mas, esta explicação da pergunta dos apóstolos é verdadeira no que diz respeito ao cenário histórico e ao contexto? Achamos que não. E no que diz respeito aos próprios apóstolos, ela certamente coloca uma pressão insuportávelsobre anossa credulidade. Pense bem —aliestavam homens adultos, que, emboranão tivessemcursado escolas de nívelsuperior, eram indivíduos de bom senso e raciocínio; eles tinham sido companheiros do SenhorJesus durante três anos,tinham-no observadoe ouvido empúblico e em particular, visto todos os milagres e ouvido todas as parábolas, recebendo explicações especiais a respeito delas; haviam ouvido todas as pregações e ensinamentos sobre o reino dos céus ou reino de Deus, e, embora não houvessem compreendido todo o significado pleno contido em alguns pronunciamentos do Senhor, haviam captado a essência de seu ensino (conforme lemos em passagens como Mateus 13.51, onde, em resposta à pergunta do Senhor, “Entendestes todas estas coisas?” eles respondem: “Sim”).Esseshomens, especialmente escolhidos eensinados, os confidentes do Senhor, que o acompanharam até a cruz, tiveram agora quarenta dias maravilhosos de instrução culminante por parte do Cristo ressurreto sobre o “reino de Deus”; se eles, como muitos de nós, eram antes “tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram” (Lc 24.25), não o são mais agora, porque Lucas nos diz que, quando o Cristo ressuscitado se apresentou aos discípulos, “então” lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras!” Todavia, depois e apesar de tudo isto, espera-se que creiamos que quando os discípulos perguntaram: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” eles estavam fazendo uma pergunta irrelevante e não espiritual, sendo de tal formaignorantes que chegavama confundirum ensinamento

sobre o reino espiritual (a Igreja) com um reino material, interpretando erradamente as instruções claras de Cristo, não apenas acerca de um assunto secundário, mas sobre a comunicação central e essencial de todo o seu ensino! Isto é certamente absurdo demais para receber qualquer crédito de nossa parte! Se os apóstolos eram homens desse tipo, será melhor considerá-los débeis mentais de uma vez! Não basta dizer que eles, embora mentalmente bastante normais, não tivessem suficiente espiritualidade para compreender as verdades espirituais que Cristo lhes estivera ensinando, pois todos concordarão que os apóstolos, àquela altura, já eram homens regenerados. O próprio Senhor os pronunciara “limpos, pela palavra” (Jo 15.3); e todos estarão de acordo em que esses homens, apesar de sua inexperiência espiritual, haviam sido especialmente ensinados pelo Espírito Santo; como vemos, por exemplo, naspalavras do Senhor aPedro: “Nãofoi carne esangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16.17). De modo algum trata-se de eles serem espirituais ou não, mas de seu senso comum, de entenderem ou não aspalavras claras que lhes foram ditas pelo Senhor antes e depois de sua ressurreição. Se colocarmos quaisquer homens normais da atualidade no lugar deles (não estou querendo dizer necessariamente homens “convertidos”), oque deveríamos esperar dosmesmos? Sabemos muito bem. Podemos ou ousamos então esperar menos desses indivíduos especialmente escolhidose instruídos, osapóstolos? Seráque eleshaviam cometidoum engano tão grande assim, aponto de confundir aIgreja, que é um organismo espiritual, com um reino israelita material, nacional e aparente, aoperguntarem, “Senhor, será este otempo em que restaures o reino a Israel?”; então, nosso Senhor, em lugar de responder simplesmente que não lhes cabia conhecer “tempos ou épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade”, teria certamente pronunciado uma das sentenças mais dolorosas daBíblia —sejade forte censura ou de decepção compassiva! Quanto à resposta de Jesus ter sido uma reprovação, como sugerido, não acreditamos que se trata disso. Mas, sim de uma declaração pura de um fato. Mantê-los ignorantes quanto aos “tempos ou épocas”relativos à volta do Rei-Messias e o estabelecimento do reino não era, de modo algum, uma censura. O Senhor não afirmara que Ele mesmo desconhecia quando isso iria acontecer? “Mas a respeito daquele dia ou da hora

ninguém sabe; nem os anjos do céu, nem o Filho, senão somente o Pai” (Mc 13.32). Em vez de as palavras do Senhor conterem reprovação, veremos em breve que elas possuíam um significado especial para eles, sendo essa a razão de Lucas ter o cuidado de registrá-las. Qual o motivo deste mal-entendido sobre apergunta dos apóstolos e a resposta do Senhor à mesma? Ele é causado simplesmente pelo erro em confundir o reino do céu, ou reino de Deus, com a Igreja da dispensação presente. O que os apóstolos deveriam então pregar, segundo a comissão do Cristo ressurreto? Comojá notado, tratava-se de algo ligado ao “reino de Deus”,pois esse foi o assunto em consideração durante os quarenta dias. O Senhor ressurreto nomeou os apóstolos como suas testemunhas especialmente em relação a duas coisas. Eles deveriam dar testemunho dEle (1) como sendo de fato o Messias-Rei de Israel, o Salvador de seu povo, crucificado mas agora ressurreto, o Rei predestinado do “reino dos céus”há muito prometido; e (2) como o Salvadorpessoal, da culpa, poder e castigo eterno do pecado, para todos os que crerem nEle, através de sua morte expiatória e ressurreição. Eles deveriam apresentar a oferta do Rei edoreino, comooSenhorfizeraaté odiade suacrucificação. Sóque agora havia um novo e maravilhoso fator na mensagem —o da Cruz, o perdão para “o pecado do mundo”,e asboas novas da salvação pessoal pelafé no Senhor Jesus, o Cristo de Israel e agora Salvador do mundo. Quaisquer que sejam os outros significados que possam pertencer aos Atos dos Apóstolos, o livro é, principalmente, A RENOVAÇÃO DA OFERTA DO REINO DOS CÉUS À NAÇÃO DE ISRAEL. Modelos de Pregações Apostólicas lista renovação da oferta do reino a Israel é o ponto-chave de todas as proclamações registradas dos apóstolos à nação no dia de Pentecoste e após o mesmo. Examine as duas primeiras declarações públicas de Pedro - a do dia de Pentecoste e a outra no pórtico do Templo. O grande sermão de Pedro no dia de Pentecoste é mencionado no capítulo 2.14-40. Ele é dirigido especificamente aos homens de Israel (w. 14,22, 36). A seguir (note cuidadosamente), o derramamento do Espírito

no Pentecoste é atribuído ao cumprimento da profecia de Joel 2.28-32. Pedro declara: “O que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel”(v. 16).AoqueserefereaprofeciadeJoel?ÀIgreja?Absolutamente não. Ela se refere à nação de Israel e, em particular, ao reino messiânico (quepredominanaspredições doAntigoTestamento), comoJoel2euma comparação com outras profecias do Antigo Testamento irão provar. Pedro coloca em seguida a responsabilidade da crucificação do Messias sobre anação deIsrael (w. 22,23),lembrando-os dos“milagres,prodígios e sinais” que Jesus operara entre eles. Pedro anuncia nesse ponto a nova mensagemdaressurreição eexaltação deJesuscrucificado, mostrandoser ela um cumprimento da predição messiânica (w. 24-33). Essa é uma passagem tremenda e triunfante. Note as cinco grandes afirmações relativas a “Jesus de Nazaré” (v. 22): 1. Este Homem, Jesus, é o foco da profecia do Antigo Testamento — “Porque a respeito dele dizDavi” (v.25). 2. Este Homem, Jesus, é o Senhor —“Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mimvia sempre o Senhor”(v. 25). 3. Este Homem, Jesus, é o “Santo“prometido —“A respeito dele diz Davi... o teu Santo” (v. 27). 4.Este Homem, Jesus, é oMessiasprometido —“(Davi) prevendo isto, referiu-se a...Cristo” (v. 31). 5.Este Homem, Jesus, éoREIprometido —“(Davi) sabendo...que um de seus descendentes (Cristo) se assentariano seu trono“ (v. 30). Essasespantosasdeclarações,acompanhadasdos“sinais”milagrososno diade Pentecoste, devem ter tido um efeito surpreendente sobre amente dos ouvintes judeus de Pedro. Mas este tinha algo ainda mais extraordinário para dizer. Depois de insistir sobre o messiado de Jesus combasenos“milagres,prodígiose sinais”que opróprioJesusfizeraentre eles, do fato de sua ressurreição, conforme a predição de Davi, Pedro oferece a comprovação final não só de que Jesus é de fato o Messias, mas que,numsentidoúnico etranscendente,Ele éopróprioFilhodeDeus.Isto seencontra nov.33: “Exaltado, pois, àdestra de Deus, tendo recebido do PaiapromessadoEspírito Santo, (Jesus)derramouistoquevedese ouvis”. A palavra de Pedro é decisiva e suaimplicação inevitável: este Jesus fez o que somenteDeuspode fazer —Ele derramou oEspíritoDivino! Afirmar

queJesus exercera estaprerrogativaabsolutamente divinaseriablasfêmia se o Senhor Jesus não fosse de fato o Filho de Deus. Mas Ele é verdadeiramente Jeová-Jesus; ou, no título duplo dado por Pedro, Ele é “Senhor e Cristo” (v. 36). Essefoi então o sermão de Pedro dirigido aIsrael no dia de Pentecoste. Os fenômenos sobrenaturais são explicados como cumprindo a profecia do Antigo Testamento relativa ao reino messiânico prometido. O Jesus crucificado mas agora exaltado é declarado o Cristo e Rei prometido. Quando os ouvintes perguntam o que devem fazer sobre isso, Pedro exorta-os ao arrependimento e batismo em Nome de Jesus Cristo, para remissão de pecados, a fim de participarem da bênção do Espírito agora derramado. Ele acrescenta no final: “Pois para VÓS OUTROS é a promessa (de Joel e a promessa do reino na profecia do Antigo Testamento em geral), PARA VOSSOS FILHOS, e (mais tarde) para os que ainda estão longe (os gentios), quantos o Senhor nosso Deus chamar” (v-39). Quanto aosegundodiscursopúblico dePedro (cap.3.12-26),umsimples olhar será suficiente para pôr em foco o seu significado central. Encontramos duas coisas surpreendentes nele: primeira, a admissão de ler havido ignorância na crucificação de Jesus; e, segunda, a promessa de que o Senhor então voltaria, se o povo de Israel se arrependesse e O recebesse. Os versículos 17 a 21 têm a seguinte redação: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossasautoridades;masDeus assimcumpriuoque dantes anunciarapor boca de todos os profetas que o seu Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que da presença do Senhor venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antigüidade”. O que isto pode significar senão a oferta renovada de um Messias-Rei e do reino dos céus aosjudeus? Não ficaigualmente claro que aspalavras proferidas por Pedro prometem a volta de Jesus, e que os tempos de refrigério (restauração) viriam sem demora, havendo arrependimento e

conversão por parte de Israel? Eis aqui o fato, claramente declarado, de que se houvesse um arrependimento e aceitação nacional de Jesus como Senhor e Cristo daparte de Israel, então o segundo advento de Cristo em poder e glória teria tido lugar, pois jamais uma promessa mais definida tinha sido dada. Aoenfatizaristonãoestamosnosesquecendo daspalavras dov.21onde Pedro acrescenta,“Ao qual(oSenhorJesus) énecessário queocéureceba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antigüidade”. Não devemos certamente pensar que o inspirado Pedro, ao dizer isso, tivesse em mente uma demora de dois milanos, entre aquele dia e avolta futura do Senhor, como os crentes do século XX percebem agora haver. Pensar que uma reservaassimsecretaestivessenamente dePedro,tornariaasuaexortação precedente teatral e enganosa. Os “tempos da restauração” a que Pedro se refere aqui são os mesmos “tempos derefrigério”que ele acabara de afirmar queviriam sem demora, juntamente com a volta do Senhor, se Israel se arrependesse e o reconhecesse. Os próprios apóstolos tinham pensado nessa mesma “restauração” quando perguntaram, “Senhor, será este o tempo em que restaures a Israel o reino?” Os profetas do Antigo Testamento prevêem repetidamenteumarestauração doIsraeldispersonaterra daaliança;uma restauração da teocracia sob o Messias que estava para vir; e uma restauração dos plenos privilégios sob as provisões da aliança abrâmica finalmente cumprida. Os “tempos da restauração” poderiam ter sido estabelecidos então; caso contrário, as palavras de Pedro carecem de realidade. Não fazia parte da predeterminação divina que o reino messiânico e a restauração de Israel fossem adiados por mais dois mil anos depois da Encarnação; mas Deus previu a desobediência de Israel e decidiu contra a aplicação do plano. Como sempre, foi dado espaço para o livre-arbítrio humano e Ele permitiu que os acontecimentos se desenvolvessem até os seus resultados correspondentes. As palavras de Pedro sobre uma oferta renovada foram pronunciadas de boa fé; e a volta do Senhor poderia ter ocorrido então,sem qualquer necessidadefundamental de adiamento.

DOS APOSTOLOS Lição n222

NOTA: Para este estudo, leia de novo cuidadosamente o discurso de Estêvão ao Sinédrio e a narrativa de seu martírio, assim como as três viagens missionárias de Paulo. AIMPORTÂNCIADEATOS O valor de um livro pode, às vezes, ser melhor calculado se considerarmos qual seria anossaperda senão opossuíssemos. Seé assim, dificilmente teremos condição de avaliar muito o livro de Atos dos Apóstolos. Se ele não tivesse chegado até nós, haveria um espaço em branco em nosso conhecimento que nada mais poderia preencher. Farrar Se o íívro de Atos desaparecesse, coisa afguma poderia substítuí-fo; e, avançando um pouco mais, as Escrituras cristãs ficariam então diante de nós como dois fragmentos separados, sem que o arco pudesse ser completado. Howson

ATOS DOS APÓSTOLOS (2) OS TRÊS EVENTOS BÁSICOS Segundopensamos,osuficientejáfoiditoparamostrarque amensagem dos apóstolos continhaprincipalmente uma renovação da oferta do reino messiânico a Israel (embora seja necessário ter sempre em mente que, apesar de o reino prometido estar ligado basicamente a Israel, não existe exclusividade nesse sentido, como fica claro pelas profecias do Antigo Testamentorelativasaomesmo).Istonoslevaaumaconsideração dostrês eventos básicos em Atos e do resultado final do livro. Os três pontos críticos são os seguintes: O ataque contra Estêvão (7.54-60) A revolta contra Paulo (22.22) A ida para os gentios (28.28) com contexto. OAtaque contra Estêvão Vejamos oprimeiro caso: oataque contraEstêvão. Mencionamos que o livro de Atos se divide em duas partes principais. Todo o conteúdo àí primeiraparte (1-12) ou levaao ataque contra Estêvão ou éum resultado dele. Este acontecimento é o pivô em redor do qual gira todo o restante, Veremos que, em cada um dos primeiros capítulos de Atos, temos primeiro omilagree depois otestemunho.Osmilagrestinhamopropósito de preparar o caminho para a mensagem. Eles eram as evidências sobrenaturais, conforme as profecias do Antigo Testamento, como as de Joel, de que o reino, há tanto prometido, estava realmente aqui no seu início, em seu estágio incipiente: e a mensagem era que se a nação aceitasse essas evidências, arrependendo-se e acolhendo a oferta renovada do Senhor Jesus Cristo, Ele então voltaria e o reino seriíi introduzido em suaplenitude.

Assim sendo, no capítulo 2, temos o primeiro milagre das “línguas” e depois o grande sermão de Pedro explicando o significado delas. Do mesmomodo,noscapítulos3e4,ambossobre acuradocoxo,lemos sobre oprimeiromilagrena“PortaFormosa”,seguido do duplo testemunhodos apóstolos — ao povo em gerale depois aos líderes da nação. No capítulo 5, temos a advertência sobrenatural no caso de Ananias e Safira, e a declaração do v. 12: “muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo, pelas mãos dos apóstolos”, seguida de um novo duplo testemunho ao público e ao concílio. Depois disso, nos capítulos 6 e 7, ficamos sabendo dos “grandes prodígios e sinais entre opovo”feitospor Estêvão, seguidos do seu testemunho diante do Sinédrio e de sua acusação severa pelos líderes judeus. Além disso, nesses primeiros capítulos, observamos que, em cadacaso, depois domilagree damensagem, houveimediataoposição das autoridadesjudaicas. Acusação Finalda Nação Tudo isto chega a um auge no ataque contra Estêvão. Primeiro: nos milagres, mensagem e martírio de Estêvão temos ojulgamento final e acusaçãoda nação. Vários leitores talveztenham ficado imaginando qual seria a razão do longo discurso de Estêvão dirigido ao Sinédrio. Por que esta longa revisão histórica? Não poderia ter sido encurtada? Essas perguntas revelam que o verdadeiro significado das palavras de Estêvão não foi compreendido. A sua retrospectiva, na verdade, não passava de uma acusação. Ela tinha como propósito mostrar de que maneira Israel rejeitara repetidamente o testemunho do Espírito de Deus, através de toda a sua história até que finalmente, sob a influência de seus líderes perversos, opovo chegara aoterrível extremo de mataropróprio Messias. O objetivotriste de Estêvão éproduzir culpainteligente e conscientepelo duplo e hediondo pecado, primeiro de crucificar o Filho de Deus e agora de resistir ainda ao testemunho graciosamente renovado do Espírito Divino. Cristo dissera na cruz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”;e Pedro fizera concessão a isto em suas palavras à multidão: “eu sei que o fizestes por ignorância”; mas agora essa ignorância não serve como desculpa —a situação será de tal modo esclarecida que os líderes judeus estarão agindo naplena consciência do que fazem, de maneira que

qualquerum poderáver. Aspalavras, “Eles não sabem o que fazem”,não mais lhes servirão de cobertura. Milagres foram operados, testemunhos foram dados. O oferecimento foi feito. Eles viram, ouviram e compreenderam —mas continuaram resistindo. Osmilagresforam, com certeza, indiscutíveis e irrefutáveis. Ospróprios líderes viram-se forçados a admitir isso. Vemos tanto a sua admissão do fato como suaatitude em relação aele nos capítulos 4.16,17 e5.12,17,18. Assim também, o testemunho dos apóstolos tinha sido o mais claro possível. Não poderia haver qualquer interpretação errada de pronunciamentos diretos como os feitos no capítulo 4.9-12. Não havia realmente qualquer possibilidade de erro numa linguagem clara como essa. No entanto, qual foi o resultado? O capítulo 5.33 nos conta: “Eles (os líderes), porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los”!Nada podia deter sua raiva e oposição invejosa. A resistência consciente e obstinada deles ao Espírito Santo cadavez mais se revelava até que sua face perversa desmascarou-se finalmente no julgamento de Estêvão: “Homens de duracervize incircuncisos de coração e de ouvidos, vóssempre resistisao Espírito Santo”.Houve umjulgamento e a nação foi condenada. Rejeição Finalda Nova Oferta Segundo: o martírio de Estêvão marcou a rejeição judaica oficial da renovação da oferta do reino. Nesses primeiros capítulos de Atos encontramos duas palavras usadas para descrever as obras sobrenaturais operadas pelos apóstolos. São elas “sinais” e “prodígios”. Os milagres apostólicos eram “sinais“ — sinais de que o reino havia, de fato, se aproximado novamente na mensagem renovada através dos apóstolos. Quanto à sua natureza, esses sinais eram “prodígios”, obras tão evidentemente sobrenaturais que mostravam com certeza a operação de Deus entre o povo. Os sinais eram tão claros quanto os testemunhos diretos. Todavia, em todo o tempo houve hostilidade daparte dos líderes judeus. A temperatura de seus sentimentos subiu rapidamente até que, no ataque contra o seráfico Estêvão, o líquido fervente e escaldante de sua raivadescontroladaderramou-senaprimeiraperseguiçãopública danova

minoria cristã, oficialmente instigada. O apedrejamento de Estêvão foi o sinal para um levante de todo o povo contra os crentes. Esta foi a faísca quepôsfogonoódiodosjudeus contraoNazarenoeseusseguidores.Note aligação entre oúltimoversículo do capítulo 7e oprimeiro do capítulo 8: “E apedrejavam a Estêvão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em altavoz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com estas palavras adormeceu...Naquele dia levantou-segrandeperseguiçãocontraaigrejaemJerusalém;etodos...foram dispersos...”.Estêvão,oprotomártir,foirapidamenteseguidoporcentenas de outros que caíram sob os golpes do perseguidor. A tradição conta-nos que mais de dois mil foram mortos no levante iniciado com o martírio de Estêvão. Esse martírio foi a expressão desesperada, mortal e decisiva da novarejeição oficialjudaica do SenhorJesus como Messias-Salvador-Rei. PrimeiroMovimentoEvangelístico Terceiro: o martírio de Estêvão precipitou o primeiro movimento evangelísticofora da capitaljudaica. Vejamos outra vez o capítulo 8. No primeiro verso, lemos que, em conseqüência da perseguição provocada pelo episódio de Estêvão, “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria”. No v. 4 lemos: “Entrementes os que foram dispersos iamportodapartepregando apalavra”,e no v.5: “Filipe, descendo àcidadede Samaria,anunciava-lhesaCristo”.Ov.25diz: “Eles, porém, (Pedro e João) havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém, e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos”.Pouco adiante, nov.40aprendemos que “Filipe...passando além, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesaréia”. Depois do registro da morte de Estêvão, todos oscapítulos daprimeira parte de Atos tratam deste primeiro movimento de evangelização fora da cidade de Jerusalém. Eles nos apresentam os aspectos principais do mesmo, mostrando como foi dado testemunho a cidades e pessoas importantes, tais como: Cap. 8. Samaria O tesoureiro etíope Cap. 9. Damasco Saulo, o futuro Paulo. Cap. 10. Cesaréia Cornélio, o centurião. Cap. 11. Antioquia Defesa do ministério aos gentios.

Quarto: oataque contraEstêvão ocasionouatransferênciaparaum novo centro,Antioquia. No capítulo 11.19lemos: “Então osque foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão, se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus”. A partir deste ponto, Antioquia passa a tomar a liderançano livro de Atos.Jerusalém conserva sualiderançanominal. Ela ainda é o centro da decisão e de pronunciamentos da autoridade, pois os Doze ainda se mantêm ali. Além disso, apeculiaridade da capitaljudaica, proveniente de suas associações sagradas também permanece. Ela será para sempre o berço histórico da nova fé: no entanto, em importância estratégica é Antioquia que avança agora. “A mão do Senhor” está com eles em Antioquia de maneira especial. “Muitos”crerameseentregaram aoSenhornessacidade.Jerusalém envia Barnabé aAntioquia. Barnabé leva Saulo de Tarso para ali. Os discípulos são chamados “cristãos”pela primeiravez em Antioquia. Ela também foi abase de onde saíramasgrandes campanhas missionáriaspaulinas através do império. E é ela que envia agora ajuda a Jerusalém e à Judéia. Toda a segunda parte de Atos está ligada aos acontecimentos na mesma Antioquia. Vemos assim que o ataque contra Estêvão tornou-se um evento crucial emAtos de quatro maneiras. Ele marca (1) oúltimojulgamento da nação na capital, (2) a rejeição judaica oficial quanto à renovação da oferta do reino, (3) oprimeiro movimento de evangelizaçãoparafora dacidade, (4) o surgimento de um novo centro estratégico. Desse modo, oprincipal resultado e relevância desta primeira parte de Atosé:ANOVAREJEIÇÃO DO REINO FEITAOFICIALMENTENA CAPITAL. OAtaque Contra Paulo Seguimos agora para a segunda crise principal em Atos, i.e., o ataque contra Paulo. Da mesma forma que na primeira parte do livro, o martírio de Estêvão é o foco, o clímax dos acontecimentos precedentes e a causa dos que o seguem; assim, aqui nesta segunda metade do livro, a explosão da hostilidade judaica descrita no capítulo 22 (e notavelmente no v. 22)

faz com que as coisas precipitem-se, esclarecendo a situação num abrir e fechar de olhos e determinando, de imediato, a novalinha de ação que se segue. Devemos antes,porém, examinaroscapítulos 13-21,que nos conduzem até este ataque selvagem. As palavras do Senhor foram: “Sereis minhas testemunhas tanto emJerusalém, como em toda aJudéia e Samaria, e até aosconfinsdaterra”.Vimosagoranaprimeiraparte dolivrootestemunho dado em Jerusalém, Judéia e Samaria, tendo a mensagem sido levada “primeiro aosjudeus”,e depois, emvistada oposiçãojudaica, transmitida “também aos gentios”. Mas não basta que as boas novas do reino sejam proclamadas apenas na pátria. O que dizer dos milhares de judeus dispersos por todo o mundo romano, osjudeus da Dispersão?. Aceitarão eles a mensagem? Isto ainda precisa ser verificado. É necessário que tenham a sua oportunidade. A segunda parte de Atos trata então do testemunho do reino para os judeus da Dispersão e até “aos confins da terra”. Observamos novamente aqui a obediência estrita à ordem, “primeiro aojudeu” e depois “também ao gentio”. A Primeira ViagemMissionária A primeira viagem missionária de Paulo é narrada nos capítulos 13 e 14. Entre os lugares mencionados durante a jornada, foi registrado ministério nos seguintes: Salamina 13.5 Pafos 13.6 Antioquia (da Pisídia) 13.14 Icônio 13.51 Listra e Derbe 14. 6, 20 Viagem de volta 14. 21, 22 Com exceção de Listra e Derbe, vemos que, em cada caso, na primeira viagem missionária, os dois apóstolos foram inicialmente aos “judeus” e, portanto, dirigiram-se à sinagoga. Quanto a Listra e Derbe, além da probabilidade de não haver sinagoga em qualquer delas, talvez não existissem judeus nessas duas cidades. A narrativa diz: “Sobrevieram,

porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade dando-o por morto”. Essa expressão, “as multidões” (o povo), traduz geralmente o termo grego laos no Novo Testamento, usado especificamente para a naçãojudaica. Osjudeus consideravam-se de maneira peculiar “o povo”, devido à sua relação especial de aliança com o Senhor. Encontramos essa palavrausada, por exemplo, emAtos 21.28. Aqui (14.19), no entanto, não élaos,masumapalavra que significaasmultidões. Osjudeus invejosos que haviam perseguido Paulo e Barnabé até Listra, instigaram “asmultidões” (não-judias) contraeles.Aprobabilidade é,portanto, de quenãohouvesse sinagogas nem judeus em Listra ou em Derbe. Qual era a mensagem que os dois apóstolos pregaram nesta primeira expedição missionária? Compreendemos muito bem que os registros dos pronunciamentos deles, feitos por Lucas, são necessariamente fortes abreviações; mas o sentido damensagem é claramente preservado. Lucas também o resume no final da viagem, no capítulo 14.21, 22: “E, tendo anunciado O EVANGELHO naquela cidade, e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, fortalecendo as almas dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, atravésde muitastribulações,nosimportaentrarNOREINO DE DEUS”. A mensagem era a de JESUS COMO REI-MESSIAS E SALVADOR PESSOAL. Quais os resultados desta primeira viagem missionária? Vejamos os lugares visitados em ordem. Nenhum resultado é descrito em Salamina. Em Pafos não é apresentado qualquer efeito da reação geral, mas encontramos a oposição do mágico judeu e uma reação favorável de um oficial gentio. Em Antioquia da Pisídia, muitos judeus e prosélitos da sinagoga mostraram-se interessados (13.43); mas a isto seguiu-se uma severa oposição da comunidade judia (w. 45,50). O que deve ser notado é o fato de os gentios terem aceito alegremente a Palavra (w. 42, 44, 48). Em face da hostilidade judia, Paulo então declara: “Eis aí que nos volvemos para os gentios” (v. 46). Depois disso, em Icônio, um “grande número”(e não uma “grandemultidão”,como naA.V.) na sinagoga, tanto dejudeus como gregos, passou acrer (14.1). Osjudeus comoum todo (w. 2,4) fizeram outravezgrande oposição, instigando osgentios contraPaulo e Barnabé (w. 2,5). Finalmente, em Listra e Derbe, os perseguidores judeus atiçam o povo contra os apóstolos; todavia, muitos gentios são

discipulados nessas cidades (w. 19, 21). Fica assim claro que osjudeus estavam fechando cadavez mais a porta contra o testemunho apostólico e que, ao mesmo tempo, a “porta da fé” se abria para os gentios (14.27). Com base na primeira visita a Chipre, os dois evangelistas aparentemente pretendiam tratar apenas com osjudeus. EmAntioquiaeIcônio foram,porém, forçadosareconhecer quenão seria possível limitar-se a eles com exclusividade, embora pregassem primeiro aosjudeus (13.46). Quando os vemos como fugitivos na Licaônia, os dois tinham sido praticamente empurrados para os gentios! Aovoltarem à suasede, eles “relataram quantas coisas fizeraDeus com eles, e como abrira aos gentios a porta da fé”. Não lhes foi possível dar notíciasalegressobreoarrependimento eaaceitaçãoporparte dosjudeus. O fatoprincipalfora essaabertura dasportas para osgentios. Uma grande transição estava tendo lugar. Cada vez mais vemos essas outras palavras ganhando destaque: “etambém aosgentios”. A Segunda ViagemMissionária A segunda viagem missionária de Paulo vai do capítulo 15.36 a 18.22. Ela pode ser analisada como segue (vejap. seguinte):

ATOS DOS APÓSTOLOS (2) A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA Lugar Método eMensagem Reação e resultado Filipos “Primeiro (1) O Messias Não há regis­ Em direção a aojudeu” prometido, aque­ tro (conver­ Tessalônica le que carrega os são de Lídia) Tessalô­ Tl pecados nica Alguns aceitam: Fuga para oposição Beréia (2) Esse Messias Beréia t» é Jesus, crucifi­ Muitos aceitam: Fuga para cado mas ressur- oposição Atenas reto Atenas tt Nenhuma reação Ida para os judaica gentios Corinto V. (3) Jesus é agora o- Severa “Nos volve­ ferecido como Rei, oposição mos para os Messias e Salva­ gentios” Éfeso " dor. Não registra­ De volta à se­ do até mais de em Antio- tarde quia Estes foram o método, a mensagem e o resultado da segunda viagem missionária de Paulo. Embora a reação em Tessalônica pareça muito favorávelno início,só“alguns”judeus que aceitamapalavra; a“multidão” dos que aceitam é composta de gregos (17.4). O único ponto positivo (no que serefere àtendênciajudaica) é Beréia, apesar de que, mesmo ali, fica clara a reação negativa da maioria. A oposição dosjudeus parece ter sido maior em Corinto (18.6, 12, 17). Em relação a isto temos o registro das últimaspalavrasditasporPaulo antes de suavoltaàsede,sendo elasmuito significativas: “Eis aí que nosvolvemospara osgentios”. A Terceira ViagemMissionária O itinerário da terceira viagem missionária é coberto pelos capítulos 18.23-21.3. O único lugar em que é descrito o ministério é a cidade de Éfeso eocapítulo 19inteiro foidedicado aomesmo. Ométodo empregado repete-se: “aojudeu primeiro” (v. 8). A mensagem era “o reino de Deus”

(v. 8). A reação manifestou-se em grande parte como incredulidade e oposição dos judeus (vs. 9,13), embora pareça ter havido uma certa receptividade favorável. Quanto ao resultado, manifestou-se uma transição para os gentios, entre os quais surgiu um movimento de grande amplitude (w. 9,18-20). Assim, os judeus da Dispersão receberam a mensagem que lhes foi pregada nessas três memoráveis viagens missionárias de Paulo, e no testemunho não-registrado de outros, tais como Barnabé. Quais os resultados registrados? Basta fazer um retrospecto das análises dos dois primeiros itinerários e, depois desta terceira excursão mais breve que não necessita de exame, a fim de compreender o fato lamentável de que os judeus da Dispersão manifestaram a mesma atitude de seus conterrâneos na terra natal. Apesar de um número apreciável deles ter respondido positivamente em dois ou três lugares, a vasta maioria rejeitou e opôs-se àmensagem. O clamor obstinado delesfoi: “Não queremos que este reine sobre nós!” Quando Paulo voltou a Jerusalém após sua terceira viagem missionária, qual o conteúdo de seu relatório? O capítulo 21.19 nos diz: “E, tendo-os saudado (aTiago e aospresbíteros), contou minuciosamente o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério”. Isso tem um significado importantíssimo, especialmente à luz do que se segue então em Jerusalém. Paulo em Jerusalém —O Clamor! Isto nos leva diretamente ao segundo dos três eventos fundamentais no livro de Atos. Paulo estavaemJerusalém por ocasião do Pentecoste anual (20.16).Judeus domundo inteiro encontravam-seentão nacapitaljudaica, assim como acontecera cerca de 27 anos antes, quando o Espírito Santo fora derramado pela primeira vez sobre o grupo de apóstolos, e Pedro declarara aos “judeus piedosos, de todasasnações debaixo do céu”que se haviam reunido para a Páscoa e o Pentecoste, que a vinda do Espírito cumprira aprofecia de Joel (2.5,16). Agora, nesses últimos capítulos (21, 22), quando o clamor assassino levanta-se contra Paulo, os judeus da Dispersão estavam bem representados pelos muitos provenientes de váriaspartes do mundo romano, que tinham seguido paraJerusalém a fim de celebrar as festas. Paulo tornara-se bem conhecido de todos eles em

conseqüência de suas três expedições evangelísticas e os mesmos estão agora prestes apronunciar sua rejeição feroz e final no que diz respeito a ele e à sua mensagem. Note que foramos“judeusvindosdaÁsia”(21.27) que agarraram Paulo, alvoroçando o povo contra ele. O grito deles foi a faísca que fez explodir a dinamite. “Agitou-se toda a cidade!” Só a intervenção rápida dos soldados impediu que Paulo fosse morto (w. 30-32)! Mas o apóstolo espancado e ferido fará ainda sua importantíssima “defesa” nas escadas do forte, diante dos compatriotas enfurecidos. Ela é apresentada no capítulo 22, um pronunciamento corajoso e comovente, mas não é permitido ao apóstolo completá-lo. No momento em que Paulo chega a um certoponto,fazendoum determinado comentário, aplebe explodeem gritos, pedindo sua morte. Esta violência desenfreada, exatamente neste ponto, dá à ocasião seu significado básico. O v. 22 diz: “Ouviram-no até essa palavra, e então gritaram, dizendo: Tira tal homem da terra, porque não convém que ele viva. Ora, estando eles gritando, arrojando de si as suascapas,atirandopoeiraparaosares...”O quefoientão que repudiaram tão violentamente? Foi isto: “MASELE (JESUS) MEDISSE: VAI, PORQUE EU TE ENVIAREI PARA LONGE AOS GENTIOS”. “Ouviram-no até essa palavra, e então gritaram...!” Eram os representantes dos judeus da Dispersão, juntamente com os judeus incrédulos da pátria, pronunciando emvoz alta sua rejeição final de Jesus como seu Cristo e da mensagem da salvação para os gentios. Esta última idéia era intolerável para eles. Ela os enfureceu e os fez perder a cabeça em seu preconceito presunçoso. Não iriam receber o reino, mas estavam decididos a não permitirem que qualquer privilégio fosse concedido aos gentios. Desde o início do capítulo 13, tudo conduziu a este ponto e veremos agora que todos os incidentes que se seguem resultam significativamente dele. Não há possibilidade de engano: Capítulo 23 Paulo diante do Sinédrio, 24 Paulo diante do Governador Félix,

25 26 27 Paulo diante do Governardor Festo, Paulo diante do rei Agripa, Paulo enviado daJudéia para Roma. AIda para os Gentios O ponto críticofinalno livrode Atos éalcançadono capítulo 28.Depois de uma viagem arriscada (17.1-28.15), enfim Paulo chegou a Roma (18.16). Não se tratando de um criminoso comum e talvez por recomendaçãodoamávelcenturiãoJúlio,sobcujacustódiaoapóstolofora levado a Roma (27.1), Paulo recebe alguns privilégios (28.16), como acontecera também durante sua prisão em Cesaréia (24.23), e durante a viagem a Roma (27.3). Embora aparentemente preso com algemas a um soldado (28.16,20), é-lhepermitido morar em casaprópria (v.30).Depois depassar três diasemRoma, elereúne oslíderesjudeuspara explicar-lhes sua presença ali e marcar um dia em que pudesse lhes ensinar a Palavra de Deus relativa ao Senhor Jesus e à oferta renovada do reino de Deus a Israel. Quando esseslíderesjudeuscomparecerammaistardeàentrevista,qual foi o testemunho específico do apóstolo? A resposta encontra-se no capítulo 28.23: “Havendo-lhes eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua própria residência. Então, desde a manhãatéàtarde,lhesfezumaexposição emtestemunhodoreinodeDeus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés, comopelosprofetas”.Apesardasexperiências desanimadoras do apóstolo na Judéia e através do império, sua abordagem ainda é “primeiropara os judeus”(v. 17) e só depois “também aos gentios” (v.30); e o tema do seu testemunho continua sendo “oreino”(w. 23, 31). Qual o resultado? Osversículos 24 e25nos contam: “Houve alguns que ficaram persuadidos pelo que ele dizia; outros, porém, continuaram incrédulos. E, havendo discordância entre eles, despediram-se...”Temos aimpressão de quemesmo osque“creram”(ou,maisliteralmente,“foram convencidos”) não receberam a palavra com grande entusiasmo. Como indica otermo grego, tratava-se mais de um caso de assentimento mental, do que de uma aceitação alegre no íntimo. Os outros rejeitaram

definitivamente a palavra. O resultado total fica indiscutivelmente claro na declaração do próprio Paulo: “E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estaspalavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido ouvireis, e não entendereis; vendo vereis, e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente, e fecharam os seus olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados” (w. 25-7). Imediatamente depois disto, o ponto crítico final do livro é alcançado com as palavras: “TOMAI, POIS, CONHECIMENTO DE QUE ESTA SALVAÇÃO DE DEUS FOI ENVIADA AOS GENTIOS. E ELES A OUVIRÃO” (v. 28). O livro de Atos termina quando chegamos a este terceiro e mais significativoponto culminante. Ele alcançou seu alvo trágico e cumpriu o seu desígnio. A renovação da oferta do reino de Deus a Israel foi feita durante um período de trinta anos, primeiro aosjudeus da terra e depois aos da Dispersão por todo o mundo romano, e finalmente aosjudeus na cidade imperial. Com essa mensagem do novo oferecimento do reino estava ligada a maravilhosa Salvação do Messias Jesus, mediante seu sacrifício no Calvário, e o fato da sua Ressurreição. A atitude dosjudeus, no entanto, foi, quase sempre e em toda parte, de incredulidade e oposição. O episódio conclusivo em Roma é uma confirmação final: OS JUDEUS REJEITARAM A OFERTA RENOVADA DE JESUS COMOO CRISTO DE ISRAEL,SEU REIE SALVADOR.O “REINO” SERÁAGORA REMOVIDO E SUSPENSO TEMPORARIAMENTE. A NAÇÃO DE ISRAEL IRÁ DURANTE ALGUM TEMPO (f. e. NA ERA PRESENTE) SER POSTA DE LADO COMO POVO REPRESENTANTE DE DEUS NA TERRA, E UM EVANGELHO TRANSCENDENTE DE GRAÇA DIVINA ESTENDIDA A TODOS SE TORNARÁ CONHECIDO ENTRE TODAS AS NAÇÕES DOS GENTIOS. O livro orientou-nos de modo a nos preparar para as epístolas à igreja cristã (Romanos a2Tessalonicenses) e aprender nelas a respeito do novo e maravilhoso movimento no propósito divino, até aqui oculto nos

EXAí^inat as escrituras conselhos secretos da Diyindade) mas agora reyelado como a sub]ime resposta do ceu á m creduh^z judaica - a saber, A IGREJA, o corpo místico, a noiva e o templo doFilho de Deus

ATOS DOS APÓSTOLOS (3) Lição ns23

NOTA: Leiaespecialmente para este estudo oscapítulos3a 12,27 e28. O LIVRO DE ATOS Seu registro está cheio de ilustrações e exemplos da doutrina cristã. Vemos o significado do ensino cristão pelo estilo de vida adotado pelos crentes. Trata-se de um livro que ensina pelo exemplo, e seus fatos estão repletos de idéias e princípios. Encontramos aqui a semente da doutrina cristã desenvolvida mais tarde nas epístolas dos grandes apóstolos Paulo, Pedro e João; e ovalor especial disso é termos a doutrina exemplificada pelavida. W. H. G. Thomas

ATOS DOS APÓSTOLOS (3) Fizemos um exame do livro de Atos e aprendemos o seu propósito principal com base nos três pontos críticos nele registrados. Emvistade seufimrepentino, muitos afirmamque setrata deuma obra inacabada;masconsiderá-ladesse modo serianegligenciarseu significado importantíssimo. Admitimos que seria ótimo saber muito mais sobre os últimos dias de Paulo na terra, mas nada foi acrescentado por não haver necessidade de qualquer outra coisapara cumprir a finalidade do livro. Qualquer coisa que possa ser dita de um ponto de vista literário ou histórico com respeito ao seu término, esta peça davida real encontra-se tragicamente completa em seu aspecto estratégico (que é essencial). Ela marca um ponto crítico sinistro nas dispensações. Israel disse “NÃO” a Jesus como Messias-Rei-Salvadore àrenovação da oferta do reino. Lucas nos conduz através do período de indecisão sobre a nova oferta, até o ponto em que a recusa de Israel torna-se indiscutivelmente estabelecida. Oprópriofatodeeleterminarrepentinamentenesseponto estimulanossa mente a examinar melhor as epístolas à igreja cristã, encontrando ali a gloriosa doutrina de uma IGREJA que é o corpo místico e a noiva do amado Filho de Deus. Em certo sentido, a história é deliberadamente incompleta. Ela nos desperta curiosidade em vários pontos. Paulo foi libertado depois do seu primeiro julgamento em Roma? Será que ele, como alguns deduzem, passou mais algum tempo viajando? Que rumo tomaram as coisas em Jerusalém? O que aconteceu aos Doze? Pedro visitou Roma? Esses assuntos são deixados sem solução por estarem fora do objetivo do livro. Mudanças surpreendentes e episódios cheios de vida constituem um desafio para o estudo cuidadoso de cada página de Atos. Mas nosso interesse aqui está nos significados principais, fazendo todas as circunstâncias assumirem sua verdadeira proporção, força e valor. A análise seguinte oferece umavisãofotográfica do livrointeiro, mostrando seus pontos críticos e movimentos determinantes.

ATOS DOS APÓSTOLOS Renovação da oferta do reino aosjudeus Cap. 1Apóstolos preparados e comissionados (1) OFERTARENOVADAAOS JUDEUS DAPÁTRIA(2-12). Cap. 2 Milagre —Testemunho —Reação 3,4Milagre —Testemunho —Oposição. 5Milagre —Testemunho —Oposição. 6,7 Milagre —Testemunho —Oposição. Primeiro ponto crítico:Ataque contra Estêvão (7) (1) Julgamento final da nação nacapital. (2) Rejeição oficial do reino porparte dosjudeus. (3) Primeiro movimento de descentralização da evangelização. (4) Transferênciaparaumnovo centro —Antioquia. Movimento de descentralização: Cidades epessoas importantes. 8Samaria —Tesoureiro etíope. 9Damasco —Saulo, o futuro Paulo. 10Cesaréia —Cornélio, o gentio. 11Antioquia —inclusão dos gentios (v. 18). 12Jerusalém —no final da parte 1.Julgamento de Herodes, como chefe danação. (2) OFERTARENOVADAAOS JUDEUS DADISPERSÃO (13-28). 13,14Primeiraviagem missionáriade Paulo. 15.36Segunda viagemmissionária de Paulo. 18.23Terceiraviagemmissionária de Paulo. Reação geral dosjudeus —oposição. Segundo ponto crítico:Ataque contra Paulo (22). (1) Apogeu do ódiojudaico contraPaulo. (2) Rejeição culminante dosjudeus da Dispersão. (3) Isto provocou testemunho apessoas importantes. (4) Levou ao testemunho final de Paulo em Roma. Novos testemunhos diante de indivíduos destacados. 23 Paulo testemunha perante oSinédrio. 24Paulo testemunha perante o governador Félix. 25 Paulo testemunha perante ogovernadorFesto. 26Paulo testemunha perante o reiAgripa. 27Paulo vai aRoma: testemunho final. Terceiroponto crítico:Ida para osgentios (28). “Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão”(28.28).

O Surpreendente Controle Conforme nossas descobertas, afirmamos de novo que este livro, Atos dos Apóstolos, trata principalmente de uma descrição da oferta renovada do Messias-Jesus e do “reino dos céus” há muito prometida à nação de Israel. A recusa desse povo em aceitar o novo oferecimento foi a circunstânciaque ocasionou historicamente aemergência da igrejavisível na terra; mas isso não altera o fato de que o temaprincipal de Atos é esta renovação da oferta do reino messiânico a Israel e que nela está o seu significado primeiro. Só quando lemos as epístolas é que descobrimos a revelação do propósito divino que estava operando sob e juntamente com a nova rejeição de Jesus e do reino por parte dos judeus. A segunda oferta do reino, comojávimos, foirecusadaprimeiropelosjudeus dapátria e depois pelos judeus da Dispersão. No entanto, grupos de crentes formaram-se portodo omundo romano, embora fossem, em suamaioria, compostos de gentios (pois, apesar de muitos judeus poderem ter respondido individualmente, o povo judeu, como um todo, persistiu em sua recusa obstinada). A medida que a incredulidade dosjudeus tornava-se cadavez mais firme, esses grupos de judeus e crentes assumiram um novo significado. Assim como o crime terrível do Calvário fora previsto e controladoporDeus —desde que acrucificação do Messias danação fora sublimada no auto-sacrifício expiatório do Salvador do mundo —assim também esta nova falha do povo judeu tinha sido prevista e controlada pelaDivindade. Sobaoperaçãopoderosa deDeus, essesgruposde crentes espalhados através de todo o mundo romano tornaram-se, então, vistos e conhecidos, através de olhos e penas inspiradas, como as primeiras assembléias daqueles homens remidos pelo sangue, nascidos do Espírito, que constituem a IGREJA espiritual, o corpo místico, a noiva e otemplo do Filho eterno. Paulonos dizque o“mistério”daIgreja foiprimeiroreveladoaele (veja Ef3.3-11).Até esteponto aIgrejaconstituíraumsegredo “oculto emDeus desde os séculos”. Isto significa claramente que a Igreja do Novo Testamento não pode ser o foco da profecia do Antigo Testamento. Portanto, o esforço de introduzi-lanaprofecia doAntigoTestamento, seja em Joel 2 ou em qualquer outra passagem, é errado. A Igreja pode certamente estaremcondiçõeslatentes quanto àtipificaçãoeprefiguração

do Antigo Testamento, mas ela não é, em parte alguma, o foco de pronunciamentos diretos. Agora, porém, à medida em que a trágica história da incredulidade judaica se desenrola até o último parágrafo de Atos,vemosváriosgrupospequenos de crentes emtodo omundoromano, transfiguradospelaluzquebrilhasobre elesprocedente dasepístolas.Das cinzas da incredulidade judia levanta-se este novo e esplêndido edifício espiritual, a Igreja, da qual esses pequenos grupos são a primeira expressão. Eis anoiva eleitapara oIsaque celestial! Um templo espiritual para o Senhor glorificado! Um corpo místicopara aquele que é o “cabeça sobre todas as coisas”!Veja, “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11)! Uma nova era se inicia! O reino, duas vezes recusado pela nação incrédula de Israel, ficará temporariamente suspenso; mas o propósito de Deus avança sem impedimentos. Não é de admirar que o próprio Paulo, contemplando apenas um aspecto deste profundo “mistério”, exclamasse: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento deDeus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Salientamos novamente o fato de que apenas à luz das epístolas podemos perceber este significado mais profundo nessas assembléias recém-formadas de crentes espalhadas através de todo o mundo romano, comoregistradoemAtos.Apalavra“igreja”emversículos comoAtos2.47 deveser lida como “assembléia”,afim de não lermos prematuramente no termo

Add a comment

Related presentations

How to do Voodoo

How to do Voodoo

November 11, 2014

How to do Voodoo Are you working too hard and not getting the results?? Well,...

LA VERDAD SOBRE LA MUERTE

LA VERDAD SOBRE LA MUERTE

October 24, 2014

Donde van las personas despues de muerto?

Son simples cuestiones que, aunque puedan resultar a priori inocentes, albergan in...

"The souls of the just are in the hand of God, and no torment shall touch them. " ...

Boletín de 02/11/2014

Boletín de 02/11/2014

November 1, 2014

Boletín de 02/11/2014

Omms News 10-07-2014

Omms News 10-07-2014

November 4, 2014

Omms News 10-07-2014

Related pages

Examinai as escrituras atos a apocalipse (j sidlow baxter ...

Issuu is a digital publishing platform that makes it simple to publish magazines, catalogs, newspapers, books, and more online. Easily share your ...
Read more

Examinai as Escrituras - Atos a Apocalipse - Spiritual

1. J. SIDLOW BAXTER EXAMINAI-----AS----- ATOS A APOCALIPSE . 2. Ex a m in a i ESCKffilfeS J. Sidlow Baxter Tradução de Neyd Siqueira . 3.
Read more

examinai as escrituras atos a apocalipse j sidlow baxter ...

Title: examinai as escrituras atos a apocalipse j sidlow baxter, Author: karmitta Lucia, Name: 228319978-6-examinai-as-escrituras-, Length: 365 pages, ...
Read more

6 J Sidlow Baxter Examinai as Escrituras Atos a Apocalipse

J. SIDLOW BAXTER EXAMINAI ----- AS----- - ATOS A APOCALIPSE E x a m in a i ESCKffilfeS J. Sidlow Baxter Tradução de Neyd Siqueira Riw
Read more

5 J Sidlow Baxter Examinai as Escrituras O Periodo ...

EXAMINAI AS ESCRITURAS. ... Atos e Epístolas ganhem maior "vida” e relevân­ cia — como no ... Atos 4:8 — e nos fazendo lembrar de Apocalipse 4 ...
Read more

EPÍSTOLAS GERAIS E APOCALIPSE - portalfbp.weebly.com

EPÍSTOLAS GERAIS E APOCALIPSE Professor: Vanderlei Schach Créditos: 4 Ano: 4° Horas Aula: 72 Horas 1. Ementa ... Examinai as Escrituras: Atos a Apocalipse.
Read more