ENTREVISTA COM ELISIO SANTANA

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News & Politics

Published on May 26, 2009

Author: DimasRoque

Source: slideshare.net

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Elisio Santana faz criticas a direção do PSB na Bahia.

JanioLopo.com.br POLÍTICA - Quadro histórico do PSB baiano joga a toalha, sai do partido e denuncia postura imperial de Lídice e Leonelli I. O PSB baiano acaba de perder parcela do partido ideologicamente mais afinada com o socialismo em sua essência. Eles jogaram a toalha depois de sucessivas tentativas de diálogo e de entendimento com a cúpula da legenda controlada a mão de ferro pela deputada Lídice da Mata e pelo secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli. Um dos expoentes do grupo, que deixa o PSB, mas não abandonará a política, Elísio Santana, ex-candidato a deputado estadual, enterra em cova funda 20 anos de filiação à sigla e explica, em entrevista exclusiva a este site, o que o levou, junto com seus companheiros, a procurar novas alternativas de atuação no campo político. Elísio é ativista político desde 1974, fundador da Ala Jovem do então MDB e membro do Partido Comunista Brasileiro, naquela época. Dirigente Sindical da Petrobrás foi fundador da CUT Brasil e CUT Bahia, sendo membro eleito do seu do 1º Conselho de coordenação política. Secretário de Expansão Econômica de Vitória da Conquista durante o governo Pedral e subsecretário de Transportes e Comunicações no Governo Waldir Pires. Desde 1991, encontra-se na iniciativa privada. Fundou o PSB em Vitória da Conquista em 1989. Encabeçou a chapa que enfrentaria Lídice da Mata e Domingos Leonelli no Congresso Estadual, a qual não chegou a ser inscrita por indícios denunciados de fraude. Registrou individualmente o pedido de não validade do Congresso Estadual de 2008, na Direção Nacional do PSB, sendo posteriormente subscrito por 367 Dirigentes e militantes do PSB no estado da Bahia. Leia os principais trechos da entrevista exclusiva concedida a este site. POLÍTICA - Quadro histórico do PSB baiano joga a toalha, sai do partido e denuncia postura imperial de Lídice e Leonelli II. Site Janio Lopo - Por que vocês resolveram romper com o PSB? Elísio Santana - Chegamos a conclusão que o PSB da Bahia optou por ser uma agremiação pequena e fraca, de propriedade da dupla Lídice/Leonelli. Isto facilita a vida deles na hora da ocupação de cargos, distribuição de benesses e aproximação com o poder na Bahia. Site - Se eles estão há mais de uma década no poder, por que somente agora vocês resolveram romper? Elísio Santana - Sou filiado no PSB há vinte anos. Em 2006 aceitei sair candidato a deputado estadual visando o nucleamento e fortalecimento do partido. Nossa política estava voltada para a aglutinação de importantes quadros até então desmotivados da militância e agregando novos companheiros. Após esta eleição parte deles passaram a criticar a democracia interna do partido, fechada, exclusivista, voltada para os interesses imperiais da dupla Lídice/Leonelli. Um partido socialista, argumentavam, tem que ser um partido aberto a discussão, com espaços para divergências pontuais, de vida ativa e participativa, o que não ocorre no PSB-Bahia. Em setembro de 2007 tivemos uma longa reunião com a direção nacional do PSB, oportunidade em que fomos estimulados a

permanecer na legenda. Eles viam com enorme preocupação o péssimo desempenho eleitoral do partido no estado, terceiro colégio eleitoral do país. Lembraram que o partido ficou por dois períodos sem um mandato federal e por tudo isto a presença do nosso grupo era vista como uma possibilidade de oxigenação. Éramos uma quot;luz no fim do túnelquot;. Em função deste estímulo sentimo-nos motivados a disputar o congresso estadual do partido. POLÍTICA - Quadro histórico do PSB baiano joga a toalha, sai do partido e denuncia postura imperial de Lídice e Leonelli III. Site - Como vocês se saíram nesta eleição? Elísio Santana - Após esta conversa decidimos nos organizar e disputar o congresso. Juntamos nossas forças e partimos para a organização real do PSB em cada município onde tínhamos companheiros. Este esforço nos cacifou para nossa participação com o apoio de 49 diretórios municipais, naquele momento eu encabeçava a chapa. Sabíamos da impossibilidade de vencer, mas acreditávamos que aquele seria o momento de grande riqueza para o fortalecimento do partido, porque acreditamos que um partido socialista precisa aprofundar sua discussão sobre todas as teses levantadas, inclusive, as divergentes. Esta situação seria tão inusitada que cheguei a registrar para a deputada Lídice da Mata, em uma conversa pessoal em Brasília, que seria um congresso previsível quanto ao seu resultado, porque o grupo dela e de Leonelli sabia que sairiam vitoriosos e nós também tínhamos esta consciência. Site - O que ocorreu neste congresso? Elísio Santana - Um boicote total e irresponsável. Informações foram negadas impedindo nossa participação. Preventivamente procuramos a direção nacional pedindo informações sobre quais os municípios aptos a eleger delegados ao congresso. Mesmo assim continuamos a insistir para que Lídice através de seu Primeiro Secretário Edézio Lima, nos fornecesse as bases nas quais estavam montados o processo de votação. Para nossa surpresa, no dia 15 de maio de 2008, às 14:14hs, antevéspera do congresso, menos de 48 horas do pleito, foi-nos fornecido a lista dos municípios aptos a participar da votação. Constatamos uma total discrepância entre a lista do partido e a do diretório nacional. Para não entrarmos em maiores detalhes, havia 75 municípios relacionados na lista da Bahia que não existiam para o nacional. Outro absurdo é que eles relacionaram 36 municípios em que o PSB não tinha sequer um filiado. Uma falsificação grosseira, um desrespeito a democracia interna do partido. Site - Vocês não perceberam que esta montagem estava em curso? Elísio Santana - Olhe. Ocorreu um fato decisivo para aumentar a insegurança deles. Foi a escolha dos delegados para o congresso estadual em Salvador. Nem o mais otimista acreditava em uma vitória do nosso grupo, o que de fato ocorreu de forma acachapante. Foram derrotados dentro do próprio terreiro. Isto resultou em certo desespero e transformou-se em uma paranóia para eles. Site - Onde entra Paulo Mascarenhas nisto? Elísio Santana - Paulo é um velho amigo nosso. Foi candidato à reeleição a presidência do PSB de Salvador em 2007. Na época tínhamos uma chapa encabeçada por Gustavo Ferraz. Na oportunidade ocorreu um distúrbio gerado por uma jovem liderança ligada

historicamente a Lídice e Celsinho Cotrim. Reunimo-nos com Mascarenhas e formamos uma chapa com ele na presidência. Fizemos uma única exigência para o acordo: que ele fosse o presidente de todo o partido e não apenas da dupla Lídice/Leonelli, aceitar essa exigência foi talvez o pecado maior de Paulo frente a eles. A partir daí ele foi quot;demonizadoquot; pelo grupo. É importante lembrar que ele era um representante autorizado pela dupla para estabelecer uma negociação conosco. POLÍTICA - Quadro histórico do PSB baiano joga a toalha, sai do partido e denuncia postura imperial de Lídice e Leonelli IV. Site - No que resultou isto? Elísio Santana - Foi a montagem de uma chapa única com a participação de nosso grupo. Ficamos com posições importantes, ainda que em minoria. Com a participação de Paulo passamos a dar vida ao partido. Passamos a ter reuniões periódicas devidamente registradas em ata. O PSB na Bahia é um partido sem história oficial. Não existem atas ou quaisquer outros documentos da gestão Lídice/Leonelli em todos estes anos. Isto criou um mal estar na cabeça dos quot;donos do partidoquot;. Desde então a direção do partido em Salvador passou a ser vista como um elemento de perturbação. Site - Como vocês se posicionaram no último processo eleitoral? Elísio Santana - Este foi o momento decisivo para nossa tomada de posição. Constatamos que a política do PSB da Bahia atende apenas aos interesses pessoais de Lídice/Leonelli, mesmo quando ela traz contradições insuperáveis e mostram a impossibilidade de se construir um PSB verdadeiro e coerente com seus princípios socialistas. Para não citarmos um conjunto grande destas contradições vamos ficar apenas na situação de alguns municípios importantes do estado. Em Paulo Afonso perdemos a reeleição de Raimundo Caires, um dos únicos prefeitos eleitos militante do PSB, por absoluta falta de firmeza da direção estadual. Em Ilhéus, vencemos a eleição exclusivamente porque o partido resistiu a tentativa de Leonelli de entregar, subservientemente, a cabeça da chapa ao PT local - assunto nunca devidamente esclarecido para nós - fato que acabou acontecendo em Salvador, onde a candidata do nosso partido, mesmo estando na frente em todas as pesquisas, acabou entregando, estranhamente, a cabeça de chapa ao PT. Na Região Metropolitana Jeane Morais - candidata a prefeita de Dias D´avila - , valorosa militante e primeira suplente de deputado federal do partido sofreu um enorme massacre, inclusive por parte do governo Wagner, e mais uma vez a direção do partido afrouxou na sua defesa. Site - Isto foi a gota d´água para o rompimento? Elísio Santana - Não. Foi a dissolução do Diretório Municipal de Salvador, legalmente eleito, numa manobra sórdida. Reuniram seis, dos nove membros da executiva provisória estadual, para quot;aceitarquot; uma renúncia de membros do diretório municipal. O mais imoral é que formaram uma executiva provisória com os mesmos que tinham renunciado, todos eles subordinados da dupla Lídice/Leonelli. Mais ainda. Passados 60 dias nenhum dos membros destituídos recebeu qualquer comunicação, formal ou informal, de que tinham sido quot;destituídosquot;, a não ser pela imprensa. Por tudo isto consideramos esgotadas as nossas possibilidades de convivência com o grupo imperial

que demonstra não ter interesse no crescimento real e na democratização do PSB da Bahia.

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