Dia mundial da poesia vf

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Published on March 21, 2014

Author: bibliotecaessmo

Source: slideshare.net

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Sequência de poemas para assinalar o Dia Mundial da Poesia 2014

Dia Mundial da PoesiaDia Mundial da Poesia Dia Mundial da ÁrvoreDia Mundial da Árvore Dia Mundial da FlorestaDia Mundial da Floresta

Celebra a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, criatividade e inovação. A data visa fazer uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa. O Dia Mundial da Poesia assinala-se a 21 de março, tendo sido criado na XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999.

ENTRE O QUE VEJO E O QUE DIGO… A Roman Jakobson Octavio Paz (1914-1998) Escritor/Poeta/Diplomata mexicano [Nobel 1990]

POEMA DAS COISAS António Gedeão. (1906-1997) Professor,/Investigador/Pedagogo/Poeta português

PARA SEMPRE Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) Poeta/Contista/Cronista brasileiro

A UM AMIGO Almeida Garrett (1799-1854) Escritor/Dramaturgo português

QUADRAS (soltas) António Fernandes Aleixo (1899-1949) Poeta popular português Que importa perder a vida Em luta contra a traição, Se a Razão mesmo vencida, Não deixa de ser Razão? Deixam-me sempre confuso As tuas palavras boas, Por não te ver fazer uso Dessa moral que apregoas. P'ra mentira ser segura E atingir profundidade, Tem que trazer à mistura Qualquer coisa de verdade. Não sou esperto nem bruto, Nem bem nem mal educado: Sou simplesmente o produto Do meio em que fui criado. Mentiu com habilidade, Fez quantas mentiras quis; Agora fala verdade, Ninguém crê no que ele diz. Para não fazeres ofensas E teres dias felizes, Não digas tudo o que pensas, Mas pensa tudo o que dizes.

LIBERDADE Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) Poetisa portuguesa [Prémio Camões 1999] O poema é A liberdade Um poema não se programa Porém a disciplina — Sílaba por sílaba — O acompanha Sílaba por sílaba O poema emerge — Como se os deuses o dessem O fazemos

AUTO-RETRATO José Carlos Ary dos Santos (1937-1984) Poeta português Poeta é certo mas de cetineta fulgurante de mais para alguns olhos bom artesão na arte da proveta marciso de lombardas e repolhos. Cozido à portuguesa mais as carnes suculentas da auto-importância com toicinho e talento ambas partes do meu caldo entornado na infância. Nos olhos uma folha de hortelã Que é verde como a esperança que amanhã amanheça de vez a desventura. Poeta de combate disparate palavrão de machão no escaparate porém morrendo aos poucos de ternura.

Os Lusíadas, Canto I Luís Vaz de Camões (1524-1580) Poeta português As armas e os barões assinalados Que, da ocidental praia lusitana, Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo reino, que tanto sublimaram. ..... Cantando espalharei por toda a parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte

NÃO DIGAS NADA! Fernando Pessoa (1888-1935) Poeta português Não digas nada! Nem mesmo a verdade Há tanta suavidade em nada se dizer E tudo se entender — Tudo metade De sentir e de ver... Não digas nada Deixa esquecer Talvez que amanhã Em outra paisagem Digas que foi vã Toda essa viagem Até onde quis Ser quem me agrada... Mas ali fui feliz Não digas nada.

DE QUE SERVE A BONDADE Bertold Brecht (1898-1956) Escritor/Dramaturgo alemão

SONETOS PORTUGUESES: Nº 43 Elizabeth Barrett Browning (1806-1861) Poetisa inglesa Amo-te quanto em largo, alto e profundo Minh'alma alcança quando, transportada, Sente, alongando os olhos deste mundo, Os fins do Ser, a Graça entressonhada. Amo-te em cada dia, hora e segundo: À luz do sol, na noite sossegada. E é tão pura a paixão de que me inundo Quanto o pudor dos que não pedem nada. Amo-te com o doer das velhas penas; Com sorrisos, com lágrimas de prece, E a fé da minha infância, ingênua e forte. Amo-te até nas coisas mais pequenas. Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse, Ainda mais te amarei depois da morte.

SE TU VIESSES VER-ME... Florbela Espanca (1894-1930) Poetisa portuguesa Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços... Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços... Os teus beijos... a tua mão na minha... Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri E é como um cravo ao sol a minha boca... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus braços se estendem para ti...

SÍSIFO Miguel Torga (1907-1995) Escritor/Poeta/Médico português [Prémio Camões 1989] Recomeça… Se puderes, Sem angústia e sem pressa. E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro, Dá-os em liberdade. Enquanto não alcances Não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado, Vai colhendo Ilusões sucessivas no pomar E vendo Acordado, O logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças.

URGENTEMENTE Eugénio de Andrade (1923-2005) Poeta português É urgente o amor É urgente um barco no mar É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Onde, com lucidez, te reconheças.

CÂNTICO NEGRO José Régio (1901-1969) Escritor/Poeta português "Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali... A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre à minha mãe Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos... […] […] Não sei por onde vou, Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí!

NA HORA DE PÔR A MESA, ÉRAMOS CINCO José Luís Peixoto (1974- …) Escritor/Poeta português na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu. depois, a minha irmã mais velha casou-se. depois, a minha irmã mais nova casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, na hora de pôr a mesa, somos cinco, menos a minha irmã mais velha que está na casa dela, menos a minha irmã mais nova que está na casa dela, menos o meu pai, menos a minha mãe viúva. cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho. mas irão estar sempre aqui. na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. enquanto um de nós estiver vivo, seremos sempre cinco.

É PRECISO DIZER ROSA EM VEZ DE DIZER IDEIA Mário Cesariny (1923-2006) Poeta/Pintor português É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia é preciso dizer azul em vez de dizer pantera é preciso dizer febre em vez de dizer inocência é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

O POEMA Natália Correia (1923-1993) Poeta* portuguesa * a própria recusava ser classificada como poetisa por entender que a poesia era assexuada

E TUDO ERA POSSÍVEL Ruy Belo (1933-1978) Poeta/Ensaísta português Na minha juventude antes de ter saído da casa de meus pais disposto a viajar eu conhecia já o rebentar do mar das páginas dos livros que já tinha lido Chegava o mês de maio era tudo florido o rolo das manhãs punha-se a circular e era só ouvir o sonhador falar da vida como se ela houvesse acontecido E tudo se passava numa outra vida e havia para as coisas sempre uma saída Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer Só sei que tinha o poder duma criança entre as coisas e mim havia vizinhança e tudo era possível era só querer

DE QUE SÃO FEITOS OS DIAS? Cecília Meireles (1901-1964) Poetisa/Escritora brasileira De que são feitos os dias? - De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças. Entre mágoas sombrias, momentâneos lampejos: vagas felicidades, inatuais esperanças. De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias - do medo que encadeia todas essas mudanças. Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças...

Fontes consultadas http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/839195.html http://cvc.instituto-camoes.pt/poemasemana/11/01.html http://livrespensantes.blogspot.com/ http://portodeabrigo.do.sapo.pt/index.html http://umapaginapordia.blogspot.pt/2014_02_01_archive.html http://www.citador.pt/ http://www.citi.pt/ http://www.portaldaliteratura.com https://poemasdomundo.wordpress.com/2006/06/01/sisifo/

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