Brasil 175 Anos de Independência

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Published on March 8, 2014

Author: adilsonmottam

Source: slideshare.net

Brasil: 175 anos de independência SÔNIA DOYLE "Em 1820 os portugueses proclamaram o regime constitucional, e as Cortes Constituintes foram convocadas em Lisboa. No Rio de Janeiro, D. João VI aceitou a nova situação (26 de fevereiro de 1821). Convocado à Europa pelas Cortes, o rei finalmente se resignou à partida mas, ao deixar o Rio, em 26 de abril, designou seu filho mais velho, D. Pedro, Regente do Reino do Brasil. As Cortes de Lisboa adotaram uma política contrária à do rei: votaram a supressão das escolas e tribunais superiores; a dissolução do governo central, no Rio; a convocação de D. Pedro a Portugal. Procuraram romper a unidade brasileira vinculando as províncias diretamente à metrópole." Estava montado o cenário por onde passearia, trêfego, incauto, entusiasmado, lúdico e lúbrico, o nosso futuro primeiro imperador. A partir daí, identificado com o país que escolhia e que o escolhia - embora não desejando renegar nem seu pai, nem Portugal - D. Pedro coloca-se à frente do movimento separatista. Convoca a Assembléia Constituinte e declara que "executaria com todo o gosto os seus decretos e de lá (i.e., de Portugal) mais nenhum" (3 de junho de 1822). Na verdade, já "pouco faltava para que o Brasil, com o príncipe à frente, assumisse todas as características de uma nação independente e soberana." Portugal, pelas Cortes de Lisboa, ainda sonha em subjugar o Brasil, mas a cada dia aumenta um movimento quase geral em favor da autonomia brasileira (já, à época, ofuscado, aqui e ali, por lutas, digamos, fratricidas...). A 14 de agosto de 1822 parte D. Pedro para São Paulo, que atravessava um período difícil, de lutas entre grupos rivais. "A 12 de agosto chega D. Pedro à povoação da Penha, nos arredores da cidade de São Paulo." E aí entra, em nossa história, D. Domitila de Castro Canto e Melo. Uma versão do primeiro encontro dos dois diz que "o príncipe fora, incógnito e fora de horas, a São Paulo, na mesma noite da chegada à Penha e logo conhecera a bela Domitila." "Seja como for, apresentada pelo irmão"(alferes Canto e Melo, da comitiva de D. Pedro) "ou topando-a casualmente na rua, D. Pedro iniciou em São Paulo com D. Domitila de Castro a aventura romanesca de maior repercussão em sua vida, o seu grande amor, a extravasar da alcova para refletir-se nas relações de família, na política, no comportamento do futuro monarca, no conceito deste dentro e fora do Brasil." Conheceram-se mesmo, provavelmente, de uma ou outra forma, no dia 24 de agosto de 1822, e já em 29 ou 30 do mesmo mês (a dúvida é do próprio D. Pedro, que menciona as duas datas em duas cartas diferentes - 31.08.1828 e 27.12.1825, à marquesa de Santos): a data em que "eu comecei a ter amizade com mecê". Vale repetir aqui a frase altamente explicativa de Otávio Tarqüínio: "por amizade sem dúvida deve entender-se alguma coisa mais, que o missivista não era dos que perdem tempo em loas dilatórias." Treze dias depois do primeiro encontro, em 7 de setembro de 1822, voltando ao Rio, D. Pedro recebe - "no alto da colina próxima do Ipiranga" - papéis diversos; eram duas

cartas de D. Leopoldina (como sempre, ativando o fogo nacionalista...), de José Bonifácio, de Antônio Carlos; e - mais importante - notícias de Lisboa: o príncipe, em vez de regente autônomo, passava a delegado das Cortes (de Lisboa), e seus ministros seriam nomeados em Lisboa, para onde se transferia a sede do governo do Brasil. De José Bonifácio: "Senhor, o dado está lançado, e de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores." D. Pedro, que já desobedecera às Cortes e ao pai e ficara no Brasil; D. Pedro, transbordando de atividades, gênio insofrido, sempre em movimento, inquieto; D. Pedro, que se sentia mais brasileiro que português - e nisso era escudado com entusiasmo por D. Leopoldina; D. Pedro que, tendo pacificado a província de Minas, acabava de pôr ordem em São Paulo. Então era dele que exigiam a volta a Portugal para defender o trono contra seu irmão D. Miguel? Era ele que diminuíam como "delegado das Cortes apenas nas províncias onde já exercesse autoridade efetiva"? E foi esse o momento do "Independência ou morte". O rapazinho - como o chamavam os portugueses, revolta-se e "assume o desafio de ser um homem criado no Brasil, um brasileiro bem decidido a defender sua dignidade e a do país de adoção". Mas, para o nosso príncipe amoroso, destemperado, fogoso, entusiasmado, também não o terá desafiado o fato de ter conhecido, poucos dias antes, uma paixão fulgurante? Não o terá exaltado a lembrança da paulista gorducha e voluptuosa? Reconheçamos: nossa independência começou nos sonhos do "rapazinho" chegado aqui aos nove anos - mas eclodiu numa alcova. E D. Leopoldina, vinda de longe, mas tão brasileira, tão inteligente e culta e tão deselegante; e se ela fosse gorducha, voluptuosa e vaidosa? Teria D. Pedro tido tanto tempo para se ocupar dos interesses do Brasil? Teria ido ele a São Paulo? Teria a nossa independência sido proclamada treze dias após o fulgurante encontro - em 7 de setembro de 1822? E - finalmente - estaríamos nós hoje aqui reunidos celebrando os 175 anos na Independência? Fontes: 1. "Esboço da História do Brasil" - Barão do Rio Branco 2. "Vida de D. Pedro I" - Otávio Tarqüínio de Sousa Sônia Ângelo Doyle é funcionária do MRE - Ministério das Relações Exteriores.

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