A Arte De Bem Escrever

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Information about A Arte De Bem Escrever

Published on May 17, 2008

Author: Mariazinha

Source: slideshare.net

Description

Reflexões de alguns escritores sobre o processo de escrita

A arte de bem escrever Reflexões de alguns mestres

As más leituras como Escola Literária «Se queres ser escritor, há duas coisas a fazer primeiro: ler muito e escrever muito. Não conheço nenhuma maneira de não passar por isto. Não vi nenhum atalho. Eu sou um leitor lento mas com uma média anual de setenta ou oitenta livros, quase todos de narrativa. Não leio para estudar o ofício, mas sim por gosto. Todas as noites me retiro para o cadeirão azul

«Se queres ser escritor, há duas coisas a fazer primeiro: ler muito e escrever muito. Não conheço nenhuma maneira de não passar por isto. Não vi nenhum atalho.

Eu sou um leitor lento mas com uma média anual de setenta ou oitenta livros, quase todos de narrativa. Não leio para estudar o ofício, mas sim por gosto. Todas as noites me retiro para o cadeirão azul

com um livro nas mãos. Também não leio narrativa para estudar a arte da narrativa, mas sim porque gosto das histórias. Existe, contudo, um processo de aprendizagem. Cada livro que se escolhe tem uma ou várias coisas para ensinar e, muitas vezes, os livros maus têm mais lições do que os bons […]

Lendo a prosa má, aprende-se a maneira mais clara de evitar certas coisas. Um romance como Mineiros de Asteróides (ou O Vale das Bonecas e Flores no Sótão, para dar alguns exemplos) equivale a um semestre numa boa academia de escrita, incluindo as conferências das estrelas convidadas.» Stephen King, Escrever: Memórias de um Ofício

O início de um romance «O leitor parece-se bastante com aquelas pessoas que vêem televisão e se levantam a cada momento; todo o pretexto é bom para que o leitor feche o livro e já não volte a ele. É preciso atraí-lo um pouco, retê-lo. Por exemplo, quando era jovem aconselharam-me que a primeira frase fosse longa para envolver e prender o leitor. A frase curta deixá-lo-ia

«O leitor parece-se bastante com aquelas pessoas que vêem televisão e se levantam a cada momento; todo o pretexto é bom para que o leitor feche o livro e já não volte a ele. É preciso atraí-lo um pouco, retê-lo. Por exemplo, quando era jovem aconselharam-me que a primeira frase fosse longa para envolver e prender o leitor. A frase curta deixá-lo-ia

livre muito depressa. Não sei se isto é, de todo, verdade. Provavelmente o ritmo de várias frases curtas envolve o leitor tão eficazmente como uma frase longa. Tenho notado que o princípio de alguns livros é melhor do que as páginas que se seguem e que o primeiro capítulo dos romances costuma ser melhor do que os seguintes. Não creio que isto se deva à astúcia dos escritores, mas sim ao facto de esses parágrafos terem sido os mais corrigidos.

Possivelmente, todas as vezes que lemos aquilo que escrevemos. Eu, em geral, antes de me pôr a escrever, leio tudo o que já escrevi. Enquanto o meu último capítulo terá sido lido e corrigido nos últimos dias, o primeiro foi lido e emendado ao longo de três ou quatro anos.» Adolfo Bioy Casares

Par eventual « O adjectivo deve ser o amante do substantivo e não a mulher legítima. Entre palavras, vão bem as uniões passageiras, não os matrimónios. Assim se sabe se o escritor é original.» Alphonse Daudet

« O adjectivo deve ser o amante do substantivo e não a mulher legítima. Entre palavras, vão bem as uniões passageiras, não os matrimónios. Assim se sabe se o escritor é original.»

Alphonse Daudet

A descrição da natureza « As descrições da natureza devem ser muito breves e vir muito a propósito. É preciso acabar com generalidades como: “O Sol poente, banhando-se nas sombras do mar obscurecido, derrama um fulgor de ouro carmesim” ou “As andorinhas, roçando as águas, gorgolejavam felizes”.

« As descrições da natureza devem ser muito breves e vir muito a propósito. É preciso acabar com generalidades como: “O Sol poente, banhando-se nas sombras do mar obscurecido, derrama um fulgor de ouro carmesim” ou “As andorinhas, roçando as águas, gorgolejavam felizes”.

Nas descrições da natureza devemos apoderar-nos dos pequenos pormenores, organizando-os de tal maneira que, de olhos fechados, se obtenha na mente uma imagem clara. Por exemplo, obter-se-á uma imagem de uma noite de lua cheia se se escrever que “Um pedaço de vidro de uma garrafa partida brilhava como uma estrelinha no dique do moinho”.» Anton Tchékov

A primeira página de um conto «Peguem em qualquer conto que prefiram e analisem-lhe a primeira página. Surpreender-me-ia que encontrassem elementos gratuitos, meramente decorativos. O contista sabe que não deve proceder acumulativamente, que não tem o tempo por aliado, o seu único recurso é trabalhar em profundidade verticalmente,

«Peguem em qualquer conto que prefiram e analisem-lhe a primeira página. Surpreender-me-ia que encontrassem elementos gratuitos, meramente decorativos. O contista sabe que não deve proceder acumulativamente, que não tem o tempo por aliado, o seu único recurso é trabalhar em profundidade verticalmente,

seja para cima ou para baixo do espaço literário. E isto, que exprimimos desta maneira parece uma metáfora, exprime o essencial do conto.» Julio Cortázar

Elogio da brevidade «Se uma obra literária for demasiado longa para ser lida de uma só vez, é preciso resignar-se a perder o importantíssimo efeito que deriva da unidade de impressão, já que, se a leitura se fizer em duas vezes, as actividades mundanas interferem, destruindo toda a totalidade… Parece evidente, pois, que em todas as obras literárias se imponha um limite preciso quanto à sua extensão: o limite de uma única sessão de leitura.» Edgar Allan Poe

«Se uma obra literária for demasiado longa para ser lida de uma só vez, é preciso resignar-se a perder o importantíssimo efeito que deriva da unidade de impressão, já que, se a leitura se fizer em duas vezes, as actividades mundanas interferem, destruindo toda a totalidade… Parece evidente, pois, que em todas as obras literárias se imponha um limite preciso quanto à sua extensão: o limite de uma única sessão de leitura.»

Edgar Allan Poe

Uma pequena receita «Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o coração simples de uma criança.» Ernest Hemingway

«Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o coração simples de uma criança.»

Ernest Hemingway

Os Dez Mandamentos do escritor Não beberás, não fumarás nem te drogarás. Não terás costumes caros. Sonharás e escreverás, e sonharás e voltarás a escrever. Não serás vaidoso. Não serás modesto.

Não beberás, não fumarás nem te drogarás.

Não terás costumes caros.

Sonharás e escreverás, e sonharás e voltarás a escrever.

Não serás vaidoso.

Não serás modesto.

Pensarás sem cessar nos que são verdadeiramente grandes. Não deixarás passar um só dia sem reler algo de grande. Não adorarás Londres/Paris/Nova Iorque. Escreverás para te satisfazer a ti mesmo. Serás difícil de satisfazer. Stephen Vizinczey, Verdade e Mentira na Literatura

Pensarás sem cessar nos que são verdadeiramente grandes.

Não deixarás passar um só dia sem reler algo de grande.

Não adorarás Londres/Paris/Nova Iorque.

Escreverás para te satisfazer a ti mesmo.

Serás difícil de satisfazer.

Stephen Vizinczey, Verdade e Mentira na Literatura

É tudo por agora… Continua…

Continua…

Apresentação elaborada propositadamente para os meus alunos. Bom trabalho. Maria Filomena Fonseca

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